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O Estranho Caso do Conde (1959)
Tem inten��o de ficar muito tempo na Fran�a?
N�o sabia que havia outra restri��o, al�m do dinheiro.
Pergunto isto porque seu passaporte expira em um m�s.
N�o tinha esquecido. Obrigado.
- Algo a declarar? - Nada. Nada em absoluto.
Nada a declarar.
N�o pode declarar um cora��o vazio.
Que pensaria se tivesse dito, "alguma bagagem e uma vida vazia"?
Um louco, no pior dos casos, um exc�ntrico deprimido ao m�ximo.
N�o quero nem os dias festivos.
Apesar de que sempre acontece nesta Fran�a que eu amo.
Um professor de franc�s
que n�o sabe o que quer.
- Jacques! Finalmente de volta! - Receio ser um engano.
Como se foi em Paris? Tudo bem, como voc� quiser.
Est� bem, n�o quer falar.
"Procure e voc� encontrar�; bata e ser� aberto para voc� ".
Eu chamei, mas a porta continua fechada.
Ele n�o quer que me humanize
e ainda n�o me sinto muito bem.
N�o ajo de maneira diferente nem sou diferente dos demais homens.
Se fosse, por que o homem no mercado me confundiria com outro homem?
Um homem solit�rio dramatiza sua vida. Eu aprendi a n�o fazer isso.
N�o h� nada em meu passado que me fa�a envergonhar.
Nada no futuro.
Talvez um homem deva estar vazio antes de ser �til.
�til para qu�?
S� Deus sabe.
- Um conhaque, por favor. - Um momento, senhor.
- Senhora. - Obrigada. Espere!
- D� isto �quele cavalheiro. - Sim, senhora.
A senhora me pediu que lhe desse isto, senhor.
Um momento, senhor.
Como ningu�m nos apresentou, um de n�s deve romper o sil�ncio.
- Somos iguais? - � ineg�vel. Olhe.
- Senhores? - � luz desta... coincid�ncia
um estranho pode lhe convidar a um drinque?
Um estranho relativamente, dever�amos dizer.
- Encantador n�o acha? - Um pouco mais interessante.
Que quer beber, irm�o, conhaque? Dois conhaques. Conhaques g�meos.
Terminaremos parecendo com eles? Com certeza que acham que somos g�meos
em vez de explicar o que n�o podemos nem entender.
O que n�o podemos entender, realmente.
- N�o ser� o diabo? - N�o.
N�o acredito, mas � melhor me assegurar.
- Ser� voc�, por acaso? - Receio que n�o. N�o � t�o simples.
� sa�de dos pequenos.
N�o... conhaque. N�o acha?
Sim. Acho que sim.
Nunca fui um grande bebedor, mas isto � mais que uma ocasi�o.
De fato. Deus sabe quais s�o as chances de um encontro assim.
- M�nimas. - Grandes.
Astron�micas!
N�o se incomode.
- � astrologia. - � astrologia.
N�o ri tanto em muitos anos.
N�o desde... N�o posso me lembrar desde quando.
Por outro lado, sinto-me bem, nunca tinha rido de mim.
Que estranho.
N�o h� de que rir em uma sala comum de uma universidade.
- N�o � estranho? - Qu�?
Enquanto falava de sua casa, falava no passado.
Disse "Nunca ri", n�o "Nunca costumo rir".
"Eu n�o era um grande bebedor" em vez de "eu n�o sou".
N�o era consciente. � porque sinto o passado.
- Est� planejando n�o voltar? - N�o estou planejando n�o fazer isso.
N�o penso que n�o fa�a isso. N�o planejo nada.
N�o faria nenhuma diferen�a se n�o me estabelecesse outra vez
em um quarto em uma casa, cheio de disputas mesquinhas,
algu�m pode perguntar: "Que aconteceu com Barratt?"
Depois, "pergunto-me em que se converteu Barratt? "
Minha empregada tomaria conta do meu gato.
Ela praticamente j� ganhou seu afeto.
Os gatos s�o traidores.
- N�o � casado? - N�o tive oportunidade.
Uma vez acreditei que poderia, mas sem sucesso.
- Fam�lia? - Primos em Westmorland.
- Voc� ainda est� a�? � real? - Oh sim!
Demonstre isso!
Com cuidado. Est� bem.
Est� bem, voc� � real.
- Muito real. - Como?
- N�o � nada interessante. - Tenho certeza de que �.
Eu tenho contado tudo sobre mim. Eu sinto como se voc� me impusesse.
Est� bem. Com poderia dizer?
Assim como voc� tem pouca vida eu tenho demais!
- � dif�cil de acreditar isso em mim. - Se tentasse, saberia.
Se eu provar isso, eu lhe entendo.
Tenho um castelo do s�culo XVI que precisa ser reformado.
Tenho um t�tulo que data da mesma �poca,
falta, isso sim, o conforto moderno.
Tenho uma renda baseada em quando o franco valia 25 libras.
Eu tenho perdas no neg�cio familiar, mas n�o pode ser fechado,
n�o posso desempregar pessoas, uma vez que s�o funcion�rios leais.
Mas estas s�o apenas coisas.
A vida � feita de pessoas.
Est� bem. Eu...
Tenho... N�o posso suportar isso.
Digamos que � muito, muito, muito.
Demais ou mais que suficiente.
Na vida, parece n�o haver um meio termo.
No entanto, n�o tenho certeza se eu preferiria seu excesso
� minha pr�pria escassez.
Perguntava-me se preferiria isso.
Espere aqui um momento, vou ver se tem um quarto.
Minha chave.
N�o me chame pela manh�, dormirei at� tarde.
Poderia me mandar uma garrafa de champanhe?
Abra-a, por favor.
N�o t�m mais quartos, mas o meu tem duas camas,
...se n�o se incomoda dividir. - N�o quero trazer transtornos.
� mais f�cil que ir a outo lugar.
Parece que come�a a chover, tanto que...
Isto n�o � um pal�cio,
mas j� vimos piores.
- Estou muito b�bado. - Em uma ocasi�o t�o not�vel...
...n�o lhe deveria causar surpresa nem se arrepender.
N�o me arrependo de nada pela primeira vez em anos.
Este tipo de coisas est� proibido em nossa universidade.
Em contraste com estas universidades que n�o t�m portas e pessoas bebendo.
Para n�s, a vida s�bria e os pensamentos elevados.
Obrigado.
Boa noite.
- Tomei a liberdade de pedir o que beber. - N�o h� liberdade.
Oh, esse idiota trouxe apenas uma ta�a!
N�o precisa incomod�-lo. Pegarei o copo do banheiro.
Champanhe � bom depois de tanto conhaque?
- Tudo � a mesma coisa. - Isto � o melhor.
Sempre � melhor acabar com alguma coisa leve.
Diga-me amanh� se eu lhe enganei.
- Pelo amanh�. - Pelo amanh�.
N�o me lembro da �ltima vez que me importou estar s�brio de manh�.
Excelente champanhe.
Acho que a partir de agora nunca mais... me importar�.
- Importar-se? - Pelo Sr. Barratt,
tenho certeza que pela manh�...
as coisas lhe parecer�o muito diferentes.
Ol�?
Entre.
Est� acordado, senhor!
- Que brincadeira � essa? - Dormiu at� tarde, senhor.
Preocupei-me com lhe ver dormir tanto tempo, mas me disseram que...
...deixou instru��es de n�o lhe chamar. - Dei instru��es?
N�o sabia o que fazer, as senhoras estavam preocupadas,
eu telefonei a Saint Gilles e disseram que estava ocupado em neg�cios.
- Eu fiz? - N�o � bom.
Sinto muito, senhor. Eu n�o sabia o que fazer.
N�o. E como poderia saber?
Obrigado. N�o � meu, ele pegou minhas coisas.
- Preparo seu banho? - Escute...
...meu nome � Barratt, B a r r a t t.
Ensino franc�s em uma universidade inglesa.
Conheci seu chefe ontem por acaso
...e nos parecemos como g�meos. - Sim, senhor.
Bem, vou lhe mostrar.
Est� vendo?
Sim. Uma semelhan�a not�vel, senhor.
Est� com dor de cabe�a. Posso trazer seu rem�dio.
Este � claramente um assunto para a pol�cia.
Enquanto eu tomo banho, chame a pol�cia e pe�a que mandem um inspetor.
Sim, senhor. Entendido.
N�o, doutor. Parece estar bem, fora a alucina��o.
Sim... Farei o melhor que puder. Bem, doutor, at� logo.
- Bem? - Houve um erro, senhor.
- S�rio? - Sim, senhor.
Enquanto eu ia telefonar para a pol�cia, o telefone tocou.
Tive a surpresa de minha vida, senhor. Foi meu patr�o
de Saint Gilles, pedindo para falar com o senhor.
Disse a ele que tomava um banho e ele me disse que n�o lhe incomodasse,
mas que lhe acompanhe a Saint Gilles onde se explicar� tudo.
Uma ideia cavalheiresca, mas devo lidar com a situa��o.
Mas esta � a �nica maneira de esclarecer as coisas.
Esteja preparado.
Quando receber uma explica��o satisfat�ria do seu chefe,
...vou voltar a Le Mans. - Muito bem, senhor.
A menos que tenha meu carro aqui. Olhe na garagem.
Um Morris Minor, XMY 866.
- Com a placa inglesa. - Claro, senhor.
Nesse caso n�o ser� necess�rio seu carro.
Ah, aqui est�!
- Obrigado, Gaston. - Onde est�?
- Vamos falar disso. - N�o vou falar de nada.
Esse homem me deve uma explica��o permitirei explicar-se
se me der uma desculpa pegarei minha bagagem e pronto.
Podemos falar um momento? Aqui n�o nos incomodar�o.
As senhoras est�o na sala.
Vamos ver. Daremos uma olhada. Sente-se.
- Cruze as pernas. - Por que esta farsa?
- Sente-se, por favor. - N�o tenho inten��o de me sentar!
Vim ver o dono disto e n�o o vejo!
- Tudo a seu tempo. - N�o. Imediatamente!
Bem, se insiste, venha comigo.
- A� est�. -� uma casa de loucos!
N�o � t�o mal. Falemos com calma.
Quero uma explica��o, mas n�o me pe�a que esteja calmo.
Prove isso. Esses arrebates n�o aliviam alucina��es esquizofr�nicas.
Continue.
Ao receber o telegrama, sua esposa estava muito incomodada.
- Que telegrama? - Um que recebeu esta manh�.
O do m�dico que lhe viu em Paris
dizendo que voc� acreditava ser outra pessoa.
- Sou outra pessoa! - Isso foi antes de lhe encontrar.
Quando Gaston telefonou dizendo que havia lhe encontrado.
- Eu estava em meu lugar. - Ordenei a Gaston...
...que seguisse a corrente de que voc� acredita que n�o � voc�,
e lhe trazer at� aqui. Agora que voc� se reconheceu...
...neste confronto... - Eu n�o me confrontei com ningu�m!
Exatamente. Isto demonstra que voc� s� tem voc� mesmo na sua frente
e isso conduz a reintegra��o das duas personalidades que se misturam.
- S� precisa de sua coopera��o! - Minha coopera��o. � bonito!
Devo cooperar e fingir ser outro
ou sou outro que sou eu! Isso � correto?
- Em termos m�dicos, sim. - Em termos n�o m�dicos
eu lhe digo que sou John Barratt!
Papai, voltou! Voltou!
Est� melhor que antes, depois de duas semanas em Paris!
- Divertiu-se? - N�o gosto muito de Paris.
Obviamente. Estava em neg�cios para tentar salvar a fundi��o.
Os neg�cios s�o cansativos.
- Seu cabelo parece diferente! - � verdade?
N�o t�o distinto, mais comum!
- Sinto muito. - O que for. Alegro-me em lhe ver!
Nunca pensamos em voltar a lhe ver!
Neste sentido, vov� quer lhe ver, est� com um humor horr�vel!
Eu tamb�m.
- Onde ela est�? - No quarto dela, claro!
- Vem comigo? - Por qu�? Tem medo?
- Acho que est� com medo. - De fato, sim.
Eu lhe acompanharei � parte de cima das escadas. Venha.
Eu n�o vou entrar. Ela diz que est� farta de mim.
Eu sei que ela n�o pensa assim, mas estou � margem.
� voc� finalmente?
Sou eu.
Meu filho indigno.
Meu gatinho.
Nem sequer mere�o um beijo?
Nunca se preocuparam comigo assim, desde o ber�o.
Nunca fui t�o bem-vindo.
Bem-vindo ao que parecia ser uma casa de loucos.
Deixemos que fale. Talvez em suas palavras haja uma pista.
Com esta... vida que leva, poderia t�-la pior que a minha.
Fale-me de Paris. Diga-me todos os detalhes.
N�o, n�o diga nada. N�o quero ouvir isso.
Eu n�o lhe perdoo por ter desaparecido tanto tempo!
- Devo lhe explicar uma coisa. - Mais tarde. Minta para mim mais tarde.
Entretenha-me agora.
Esta casa � t�o enjoada quando voc� n�o est� aqui!
Fran�oise chora, Blanche reza
e a menina correndo como um rato que ningu�m quer!
Eu n�o sou quem voc� acha.
Eu sei, eu sei,
teve um ataque de nervos.
Na primeira vez me preocupei quando o telegrama chegou.
Ent�o me disse:
conhe�o meu filho, meu gatinho.
Este � um �timo truque, uma desculpa para enganar as pessoas
e para conseguir coisas.
Espero que n�o utilize isso como desculpa para se esquecer do meu presente.
- N�o se esqueceu do meu presente? - N�o sei se esqueci ou n�o.
N�o brinque de gato e rato! Sabe o quanto que preciso!
Preciso agora! N�o me atormente!
Esperei todos os dias, n�o posso esperar mais!
Onde est�, onde est�? Onde est�?
Eu ouvi l� de fora. N�o liguei. Esperei.
- V� buscar o m�dico. - N�o, n�o � do m�dico que precisa!
- Voc� trouxe? - N�o sei.
Gaston est� desarrumando sua mala. Passei por l� para v�-lo.
Tudo est� em ordem, senhor. Pus os pacotes sobre a escrivaninha.
� isto? Isto?
"A uma m�e, com amor." Morfina!
Que filho mais atencioso. Uma pe�a do quebra-cabe�a em seu lugar.
- U�sque, senhor? - N�o, obrigado.
Por que diabo chama?
Isto � parte de sua farsa louca?
Senhora, sei que lhe ser� dif�cil acreditar nas minhas palavras, claro,
mas lhe imploro que fa�a, eu n�o sou seu marido.
� verdade? Por que usa a roupa dele?
- � uma longa hist�ria. - Odeio longas hist�rias,
...sobretudo as mentiras. - Esta n�o � minha roupa,
n�o � minha gravata. Estas n�o s�o minhas abotoaduras!
Ent�o por que as usa?
Por que est� falando com sua voz? Por que me olha com seus olhos?
Acha que n�o reconhe�o esses olhos cru�is?
Fale-me de Paris. Minta para mim. Como foi a Torre Eiffel?
Ainda n�o se pode mentir sobre a Torre Eiffel!
Poder-se-ia postar?
N�o?
- Fran�oise, querida, acalme-se! - Acalmar-me! Quando zomba de mim?
Isto n�o � zombar. Zombar � o que as crian�as fazem inocentemente.
Fran�oise, falo como profissional, Jacques n�o lhe escuta!
- Sente realmente ser outro. - Est� piorando as coisas.
- N�o � verdade! - Sim, a verdade � muito simples,
vamos continuar com isso. � t�o simples como isso.
N�o estou Jacques... o que for.
S� me pare�o com ele.
Por que n�o nos conta o que traz entre as m�os?
N�s lhe daremos o que voc� quer, existe consentimento.
- Mas pare com essa farsa. - N�o � nenhuma farsa.
- Esta � a verdade. - A verdade n�o significa nada para voc�!
Cada uma de suas palavras sensatas se convertem em monstros!
- Vivo um pesadelo! - Sou eu quem vive um pesadelo!
- Que fiz eu para merecer isso? - Fran�oise, n�o se torture!
V� descansar!
Jacques e eu vamos discutir o assunto.
Olhe! Olhe!
V� para dentro imediatamente!
Vem aqui falar comigo, ou tenho que descer para falar com voc�?
- Vou em um minuto! - Tenha pressa.
Posso contar at� cinquenta e se n�o estiver aqui eu me jogo!
1, 2, 3, 4,
5, 6, 7, 8, 9, 10...
17, 18, 19, 20...
28, 29...
40, 41, 42...
48, 49...
50! Bem a tempo!
Sente-se, falta-lhe o ar!
Voc� � muito m�, n�o deveria assustar as pessoas!
Somente voc�!
Mais uma vez e lhe deixarei pular. Isso vai lhe ensinar.
Voc� deve consertar a bagun�a. Tem que limpar tudo.
Pequena b�rbara sanguin�ria. E em que sentido?
- Que � isso? - O mart�rio de S�o Sebasti�o.
Estou cansada dele. Tia Blanche me deu,
...ent�o eu fiz um mais moderno. - E isso?
- Esta � a pol�cia secreta. - Que pol�cia secreta?
S� a pol�cia secreta!
Aqui � onde rezo por voc�, quando rezo por voc�.
- Para que reza por mim? - Pelo que fez de bem
e o mal que sofreu, para que tenha a remiss�o se seus pecados,
...a gra�a e a vida eterna. - Obrigado.
- Algum pecado em particular? - N�o. Nenhum em particular.
Fez boa viagem? Ir� de novo?
- � dif�cil de dizer. - Se for, saltarei pela janela!
- Acha que pode dormir? - Acho que sim.
Tinha ins�nia na sua aus�ncia, mas estarei melhor agora.
- Boa noite. - Boa noite.
- Apago a luz? - N�o. Lerei um pouco.
J� � suficiente. Isto n�o � uma aventura.
Toma a forma de um pesadelo. Seu pesadelo, n�o o meu.
Dou-me por vencido.
Homem ou dem�nio, eu n�o assinei nenhum acordo com ele.
Sou livre para ir embora.
Desculpe, senhor.
- Dormiria melhor se se trocasse. - Dormirei bem. Estou cansado.
Inclusive se este � o caso, o esfor�o vale a pena.
- Voc� � casado? Tem fam�lia? - Sim, senhor. Mas n�o mais
n�o desde os alem�es estiveram aqui.
Entendo.
Tenho sorte. Com mulher e filhos chegam as responsabilidades.
Responsabilidade ante quem? Ante esta casa infeliz?
Sou respons�vel se o destino me fez igual a outro?
Sou o guardi�o de meu irm�o?
N�s nos conhecemos por acaso. Por acaso...
- Boa noite, senhor. - Boa noite, Gaston.
Entre.
Bom dia!
Pergunto-me se ordenei a Gaston manter a caixa de cigarros cheia?
- Jacques? - Sim?
� gratificante lhe encontrar completamente como voc� mesmo.
- Totalmente eu mesmo. Obrigado. - Sim.
Em sua aus�ncia, cuidar de todos estes problemas foi uma responsabilidade!
E devido a esta responsabilidade, decidi assumi-la.
Entre.
- Bom dia, senhor. - Bom dia, Gaston.
Sobre a mesa, por favor.
- Vamos falar dos problemas... - Discutiremos mais adiante.
N�o posso suportar ter companhia no caf�.
Al�m da companhia feminina. Mas, novamente nem sempre.
Obrigado, Gaston.
Cachorrinho!
Tem que ser agrad�vel. Para tr�s, rapaz!
Maldoror!
- Aonde vai? - Dar um passeio.
Eu irei com voc�.
Maldoror n�o lhe recebeu bem. Ele sempre o quis tanto!
- Quando vou ler este livro? - Qual?
Esse do que voc� tirou o nome de Maldoror.
- Quando crescer. - Sempre diz isso!
- Por que est� vestida assim? - N�o adivinha quem sou?
- Joana d'Arc! - Sim.
Queria ser Joana d'Arc hoje.
Santa Teresa � muito extenuante para encarnar com frequ�ncia.
Alguns dias quero ser um menino.
e Joana d'Arc � mais apropriada.
- Por que agora? - N�o sei.
Est� relacionado com sua volta. Sei que preferia que eu fosse menino.
- Por que diz isso? - Tia Blanche repete.
Tia Blanche lhe diz essas bobagens!
- Gostaria de ajudar. - Prefiro que seja com �.
Esta menina ficar� selvagem se n�o lhe der alguma educa��o,
se n�o lhe ensinar a ser pontual pelo menos �s refei��es.
- Sinto muito! - De qualquer modo, onde ela est�?
- Est� se arrumando. - Isto vai mudar.
Ol� Jacques. Vejo voc� feliz depois de todo esse tempo.
- Como se foi em Paris? - Frio, nesta �poca do ano.
- O contrato? Viu Tissot? - Oh... N�o. N�o Tissot.
Os trabalhadores da fundi��o est�o ansiosos.
� minha regra nunca falar de neg�cios � mesa.
Todos estamos ansiosos por saber.
- Sinto muito pelo atraso. - Seu pai chegou muito tarde.
Eu sei. Caminhamos juntos.
Encontrei isto l� em cima. Eu queria lhe poupar o inc�modo de desc�-lo.
- Voc� encontrou? - Queria lhe evitar este inc�modo.
Muito am�vel de sua parte.
- Voc� os distribui ou eu fa�o? - Eu lhe pe�o.
MN. Sou eu. Com inicial de dois deveria haver dois presentes.
Que gan�ncia!
- F. Este dever ser para voc�, mam�e. - Obrigada, querida.
E este � para voc�, eu acho, Tia Blanche.
Primo Aristide, n�o h� nada para voc�!
N�o esperava. Ele me d� sempre uma caixa de charuto no Natal.
- Posso? - Estou t�o intrigado como voc�.
- Obrigada, obrigada! Isto � maravilhoso! - Sempre que lhe fa�a feliz.
As pessoas sempre dizem: "� o que eu queria", mas � verdade!
Vamos, quero ver seu presente.
- Que � isso? - Que lhe parece que �?
- Parece um brinquedo! - Este � talvez um?
- N�o se presenteia brinquedos aos adultos. - E por que n�o?
- Posso ver? - Se quiser.
Oh! Ponha na mesa, por favor.
N�o se esqueceu. Sou est�pida! Sinto muito.
- Que � esta m�sica? - Seu pai e eu escut�vamos.
Antes de que nascesse.
Que loucura. Teve que pedi-la de encomenda,
ningu�m sabia que essa era nossa m�sica!
Deve ter custado uma fortuna!
Obrigada.
� uma pena, por minha parte, quando... durante todo este tempo...
- Espero que goste. - Goste?
- Tia Blanche, abra o seu! - Sente-se e termine de comer!
Voc� viu nossos presentes, n�s queremos ver o seu!
- Sente-se e termine de comer!
Posso abrir por voc�?
Se quiser!
Cheira a muito caro! Isto vem acompanhado de um bilhete!
"Se n�o gostar, pode pulverizar o cavalo com ele".
Que cavalo?
Sente-se imediatamente!
� muito grosseiro ler as coisas dos outros!
Outra brincadeira de seu pai, injustificada.
Gostaria que me explicasse o neg�cio do cavalo.
Isto � uma brincadeira de seu pai. Ele n�o explica as piadas.
Sobretudo quando se sa�ram mal.
Durante a sua aus�ncia, estudei os n�meros do neg�cio.
Irei � fundi��o e discutiremos sobre isso l�.
- Na fundi��o? - Por que n�o?
Nada lhe impede.
E sem lhe criticar, eu estava um pouco... negligente.
- Os homens ficar�o encantados. - Irei l� esta tarde.
- N�o se pode! � quarta-feira. - De fato, � quarta-feira.
N�o pode, tem que me levar � minha aula de m�sica em Villardeau!
- Como poderia me esquecer disso? - Est� distra�do desde sua volta!
Vamos mais tarde. �s 4:15 h.
Ela tem raz�o. Est� distra�do.
Obrigado.
- � melhor tir�-lo de casa. - Talvez.
D� uma chicotada no cavalo por mim.
Brinquemos de um jogo, sou um estranho que nunca foi a Villardeau,
...e voc� tem que me mostrar o caminho. - Que jogo mais est�pido!
N�o � t�o bobo como parece.
- Por onde viro agora? - Bem, se lhe diverte...
direita.
Se sobreviver � minha aula, vamos nos encontrar aqui como de costume.
- Quanto tempo? - Ainda joga? Em uma hora e dez!
Bem, Jacques de Gue, estou com sua roupa e em seus sapatos.
Tomei sua roupa e suas responsabilidades.
E de alguma maneira estou muito agradecido.
Algo que perdi. Pessoas que contam comigo, uma casa, um prop�sito.
Mas n�o consigo entrar em sua mente. Voc� escapou de mim.
Por que estou aqui? Para resolver seus problemas?
Ou � para que voc� possa estar em outro lugar?
Isso lhe ensinar�!
N�o sabia que n�o se podia entrar.
N�o entrar na sua propriedade? � por causa da outra tarde.
- Posso lhe explicar tudo. - Voc� pode explicar tudo.
Deveria ser pol�tico. Duas semanas sem uma palavra!
Em seguida, um cart�o-postal "Notre Dame ao entardecer"
dizendo: "Vamos nos ver no bar de Le Mans. No nosso bar!"
Isso � tudo. E quando chego, que acontece?
- N�o era eu mesmo. - Esteve muito em voc� mesmo!
� quando se comporta bem, quando me preocupo com voc�.
Nunca viu uma sela? Pendure-a!
N�o sei por que me preocupo, ou por que devo estar t�o s�.
Um bocado de homens me trataria muito melhor que voc�!
Uma dessas tardes das quartas-feiras, voc� vir� aqui e n�o estarei,
terei ido embora com um milion�rio ou um domador de circo ambulante!
em qualquer caso, o tempo que esteja l�,
em um circo ambulante, ser� tranquilo depois de minha vida com voc�.
Mas j� que est� aqui, pode entrar tamb�m.
N�o sei por que estou aqui!
Fico aqui escondida para seu prazer ocasional
na esquina de uma pequena cidade provinciana,
enquanto Paris e o mundo, est�o � espera para serem explorados!
Eu sei por qu�. N�o � assim?
E voc� sabe. Verdade?
Porque eu amo voc�.
E voc� finge me amar, n�o muito bem, mas com encanto,
mas com muito encanto.
Mas, dito isto, realmente hoje, nem tanto.
Deixe-me lhe ouvir proclamar. Diga que me ama.
Eu n�o acreditarei, mas quero escutar.
Que quer que diga? Eu amo voc� mais que nunca?
- Que amo voc� como sempre. - Esta palavra n�o deveria existir.
N�o me diga que me amar� sempre, s� agora.
Que �?
"Se n�o gostar, pode pulverizar no cavalo."
� um presente. N�o tinha certeza que gostasse!
Que gostasse? Sabe muito bem que � �nico perfume que uso!
Era uma brincadeira.
Parece uma brincadeira quando olho o bilhete,
mas n�o quando voc� diz.
Obrigada. Pelo menos pensou em mim uma vez em Paris.
- Pelo menos uma vez. - Quantas vezes, na verdade?
- Pelo menos uma vez por dia. - Mentiroso!
� uma mentira bonita. Como as flores, os perfumes.
- E como est� o mausol�u? - A casa?
Que mais? Parece que tem a metade de sua cabe�a hoje!
O mausol�u tem me preocupado.
- � pior do que o habitual? - N�o sei, como sempre provavelmente.
Mas me sinto menos capaz de resolver problemas.
- Tem que fazer isso. - Isto � o que se espera de mim.
Tenho que ir pegar a menina.
Obrigado por me lembrar.
- N�o deveria ter feito. - Assim �.
- Entretanto... - Entretanto...
- Estou aqui. - E depois?
At� quarta-feira. Antes, se poss�vel.
Quem sabe quando este circo chegar� � cidade?
- Em que est� pensando? - Nada em particular. Por qu�?
Parecia que pensava em algo em particular.
- No circo, talvez. - Isto foi na semana passada.
Aqui o tem, bem a tempo!
- Bem-vindo! - Sr. Lacoste, chefe de trabalhadores.
Fa�o as apresenta��es como se fosse um estranho.
- Sinto-me quase um extraterrestre. - Passou muito tempo, Sr. Jacques.
- Quanto tempo? - Catorze anos!
Tanto tempo? Fale-me melhor como se eu n�o soubesse nada.
Conte-me tudo como se eu fosse um estranho.
Nada mudou. Nosso trabalho n�o muda.
Nada mudou, exceto os ganhos.
- Tomemos um drinque para comemorar. - Comemorar o qu�?
- O novo contrato. - Quem disse algo de novo contrato?
N�o disse nada, mas sua visita depois de tanto tempo...
- Eu disse aos trabalhadores... - Os trabalhadores est�o encantados.
- Os tempos eram duros. - Ainda s�o.
Sem d�vida mas se colocarmos todo o peso...
- Que houve? - Pensei que era o peso de Aristide!
- N�o � muito cort�s. - O que for.
N�o tem import�ncia com todo o trabalho sedent�rio.
- De verdade n�o quer? - N�o, obrigado.
Preciso de um pequeno digestivo,
depois do almo�o de Blanche que era excelente, mas abundante,
eu s� costumo comer um sandu�che.
- Quantos empregados temos? - Quantos exatamente Lacoste?
Quarenta e dois e mais doze aposentados.
Mathurin morreu, mas resta sua vi�va.
Deve p�r-me a par de todos os problemas.
Vou ver os sopradores de vidro se o Sr. Lacoste permite.
- O Sr. Lacoste permite? - Claro.
Eu acompanharei voc�. Tenho que verificar o pedido de Dijon.
- Estou frente a um problema. - Estou plenamente consciente.
S� posso dizer que 150 anos � um per�odo longo.
- Todos faremos o poss�vel para ajudar. - N�o tenho nenhuma d�vida.
Mas pelo lado do cliente, as coisas mudaram em 150 anos.
- A produ��o em massa. - E o trabalho de qualidade?
Creio que sim. Espero.
- Sua m�e esteve lhe chamando. - Recentemente?
A cada dez minutos na �ltima hora.
- Boa noite. - Pensei que chegaria tarde.
Por que ri enquanto eu estava encarcerada lendo este lixo?
Lixo. Sente-se.
Abro com o pe�o e o rei quatro.
- Onde estava? - Levei a menina � aula.
- E a sua? Interessante? - A minha?
Sua aula de italiano coloquial. Sou consciente de tudo!
As pessoas querem me esconder as coisas, mas perdem tempo.
Vai mover ou n�o?
E que mais? O que se aprende italiano mais longe?
Fui � fundi��o.
Qual � este idiota do Aristide vai fazer quando fechar?
Apenas falei com ele. Falei com... Lacoste.
Um homem honesto. � dif�cil para ele, para todos eles,
...mas n�o h� outra maneira. - Sim, ainda h�.
Decidi renovar o contrato, inclusive em condi��es desfavor�veis.
- Voc� decidiu. - Eu decidi.
- Fechar seria muito duro para eles. - E para n�s, se n�o fecharmos?
- Temos que nos arranjar. - Arranjar-nos? Como?
Tenho que me concentrar no jogo ou vou desmaiar!
Cavalo, rainha para o bispo tr�s.
Que lhe aconteceu na sua aus�ncia? Parece que � uma pessoa diferente.
Eu sou, como tentei explicar.
- Est� envolvido na pol�tica? - N�o deixe as pessoas morrer de fome.
Pode nos condenar � fome para que estes socialistas possam comer.
Os socialistas da fundi��o t�m o suficiente para comer.
Bispo a torre quatro.
Se quiser cumprir esta moda, a solu��o est� em suas m�os,
...voc� sabe. - Que quer dizer?
Ter um filho! Pe�o, bispo e rainha quatro.
Inteligente.
S� h� uma solu��o para que a propriedade n�o fique afetada.
Seu vulgar pai, ferreiro, deixou tudo bem amarrado.
- Que outro modo? - Cl�usula 14, par�grafo 2.
Sim?
- Posso entrar? - Entre, sim!
- Pensei que viria me ver! - Pegaram-me para jogar xadrez.
- Como est�? - Sulfurosa.
- H� algo em particular? - Tudo em geral.
Tivemos uma briga sobre ter a fundi��o aberta ou n�o.
Diga-me, gosta desses brincos?
- Muito. - Gostei da caixa de m�sica.
- Fico feliz. - Sabia disso, n�o?
- Fui horr�vel na noite passada. - N�o se preocupe.
Sinto-me melhor quando sei que voc� me perdoou.
Mostre-me que me perdoou!
- Que est� escondendo? - N�o estou escondendo nada.
- Por que est� lendo isto? - Queria verificar algo.
Verificar? Como se n�o soubesse!
Vou ler para voc�. Eu sei de cor.
N�o sabia que eu tinha uma c�pia!
- Papai insistiu que eu devia ter uma. - Fran�oise!
Cl�usula 14, par�grafo 2.
"Se Fran�oise chegar a morrer sem um herdeiro homem,
sua heran�a seria igualmente para sua filha e seu tutor legal."
O tutor legal � voc�!
Papai sempre dizia que esta cl�usula se chama assassinato.
Estava brincando, mas � uma brincadeira?
- N�o � uma brincadeira. - Estou muito melhor.
Vou chamar um lap�deo, alongarei minha vida como seja poss�vel!
Farei gravar a cl�usula 14 par�grafo 2 na minha tumba!
- As pessoas v�o ter algo de que falar! - Fran�oise, querida!
Mas eu n�o vou cair, enterro no pante�o...
- Escute-me! - Sim, eu lhe escuto!
O tabeli�o redigir� um novo acordo sem me dar direito a nada.
...pode nomear um novo tutor. - Mas n�o pode mudar!
Faremos tudo o que pudermos!
N�o deseja minha morte?
Quero que seja feliz.
- Vamos lev�-lo ao tabeli�o. - Isto n�o � importante.
S� estou tentando pensar se o que diz � verdade!
Nada disto importaria, se somente me amasse!
Se somente me amasse.
Nunca vou aprender piano mesmo que tente durante um s�culo.
Imagine um s�culo de tardes de quarta-feira.
Isto � o que deve ser o inferno.
N�o h� chamas, s� aborrecimento eterno.
Tem toda a raz�o.
Mas eu me esqueci de que n�o acredita no inferno.
Neste tipo de inferno, sim, o miser�vel que n�o morre.
Bem, at� logo.
Venha me ajudar!
Olhe, n�o s�o maravilhosos?
- � bom? - Isto � bom.
Deveria ter dito melhor.
Tenho uma coisa a lhe dizer.
Esteve passando por minha mente toda a semana passada.
E na minha.
- Sabe o que quero dizer. - Eu sei.
N�o tudo, mas sim o essencial.
N�o sei quem �, mas sei quem n�o �.
Eu mesmo n�o sei muito mais.
N�o vou escutar a menos que prometa que n�o vai mudar nada!
Prometa isso! Assente com a cabe�a se promete!
Do contr�rio, v� sem dizer nada.
� t�o imposs�vel, que descobri que posso aceit�-lo ainda por ser improv�vel.
� t�o fora do normal, que o aceito como um sonho.
Em um sonho nada � normal, mas nada lhe surpreende.
H� dez dias n�o sabia da exist�ncia deste lugar.
Nem sabia da sua exist�ncia.
Agora, estar aqui me parece perfeitamente natural.
Parece perfeitamente natural.
� absurdo questionar o fundo de um sonho, mas...
perdoe minhas palavras.
Na primeira vez que me abra�ou,
era ele quem amava. Agora diz que sou eu.
Esque�amos por um momento que voc� e ele s�o iguais.
Voc� � como ele, mas � diferente.
� poss�vel amar dois homens por raz�es diferentes.
Isso s� nos romances que n�o pode ser assim.
Ent�o?
Eu e ele somos diferentes, n�o?
- N�o deveria perguntar isso. - Embora eu n�o seja indiscreta.
Ele � muito feroz, voc� � doce.
Ele dava tratamento cruel ou puni��o, enquanto voc� � gentil.
Ego�sta, voc� n�o � assim.
Assim foi como eu soube.
Quando lhe vi com sua preocupa��o com os outros.
N�o entendi de imediato. Isto me pareceu estranho.
Mas algo em minha mente finalmente me fez compreender
que, embora improv�vel, a coisa aconteceu.
Gostaria de poder aceitar isso t�o facilmente.
Precisamente. Eu aceito.
Aceito tudo o que acontece, como o sol ou a chuva.
Aceito sua presen�a como aceito os frutos da terra.
Isso est� muito bem.
Mas minha mente balan�a quando penso no futuro.
N�o pense mais, pense s� no tempo desse p�ssaro voando.
- Nada mais. - Nada mais?
Ol�, senhor. Tudo est� pronto para amanh�.
- Quer atirar? - N�o. Vamos � fundi��o.
Vamos olhar um momento. V� em frente, Sr. Fournier.
Pronto? Jogue!
Muito bem!
Seu pai � o �nico que matou simultaneamente tr�s fais�es.
Lembra-se, senhor?
Pronto? Jogue!
Tr�s fais�es simultaneamente.
Nunca tive uma espingarda na minha vida.
Se eu atirar amanh�, qualquer um descobrir� esta farsa, esta campanha
ser� descoberta e arruinada.
Mas se me ferir na m�o, lesionado, n�o poderei atirar, verdade?
Feriu-se de prop�sito! Eu o vi fazer isso, machucou-se?
- Isso � tudo. Como se sente? - Muito melhor, obrigado.
- Posso atirar amanh�? - Claro que n�o.
- Que assim seja. - Azar antes da ca�a.
- N�o h� sorte. - Estou muito agradecido.
Posso lhe oferecer um drinque? Importa-se de servir-se?
- Eu tamb�m tomarei um. - Um pequeno.
A inje��o que lhe dei n�o deve se misturar com �lcool!
Ent�o um copo pequeno.
- Ol�, que faz aqui? - Vim fazer o que voc� se esqueceu,
...vim lhe dar boa noite. - Isso � muito am�vel de sua parte.
- Como vai sua m�o? - Melhor. Deram-me uma inje��o.
- Eu fiz para voc�. - Obrigado.
Sadrac, Mesac e Abednego
nas chamas do inferno. Muito reconfortante.
- Tem sido muito valente. - N�o, foi involunt�rio.
Voc� joga algo e pega rapidamente sem pensar.
Mas n�o fez sem pensar. Eu vi tudo!
- E eu lhe admiro por isso. - N�o sei a que se refere.
Se n�o quiser falar disso, a expia��o � um assunto privado.
N�o quero parecer estranha.
Vou procurar umas tachas.
Obrigado.
- Boa noite. - Boa noite.
Eu s� queria lhe dizer que eu lhe admiro muito.
Preparados? Jogue!
Oh, n�o, n�o!
- A tarde foi �tima! - Verdade?
Obrigada.
- Desculpe-me posso falar com o senhor? - Sim, Gaston.
Poderia dar uma olhada no carro, um problema de embreagem.
Com licen�a.
Um telefonema de Villardeau. A senhora quer lhe ver imediatamente.
- Ter� que me levar l�. - Sim, senhor.
Voltarei quando puder!
- Qual � o problema? - Qual � o problema?
- Voc� telefonou? - N�o. Alegro-me em lhe ver...
- Gaston me disse que telefonou! - Est� louco...
ou telep�tico. Pensei em voc�, � verdade!
Estava pensando que queria lhe ver e de repente, aqui est�!
- N�o entendo! - N�o tentemos entender.
O destino ou o telefone cometeram um lindo erro
e estamos juntos em vez de estar separados.
...sempre foi cruel, mas tinha alguns tra�os de amabilidade
e fingia que era suficiente para manter a ilus�o.
Mas posso ser �til estando morta. Por que continuar com vida?
- Por favor n�o se aborre�a! - Fora! Fora!
Afaste-se e deixe-me morrer!
- Com quem falou ao telefone? - Com a senhorita, senhor.
- Tem certeza? - Pensei que era a senhorita!
Eu vejo, ou melhor, n�o vejo.
De quem � este carro? N�o � o do m�dico, o outro?
Creio que � do inspetor de pol�cia de Villardeau.
- Aconteceu alguma coisa? - Receio que sim.
Jacques, prepare-se para um grande choque.
- Marie-No�lle? - N�o � Marie-No�lle.
� Fran�oise. Caiu da janela.
Estava morta quando a encontramos.
- Quando? Como? - Faz aproximadamente uma hora.
N�o sab�amos onde lhe encontrar, mas n�o poderia ter feito nada.
Estava com sua m�e. Estive com Fran�oise, em quest�o de minutos.
- Nada se p�de fazer. - Fran�oise!
- Nestas circunst�ncias, tive que chamar a pol�cia.
O inspetor Rigaud chegou de imediato.
- Meus p�sames. - Obrigado.
- Onde ela est�? - Est� l� dentro.
- A menina sabe disso? - Foi ela quem a encontrou.
Felizmente ela n�o a viu cair. Ningu�m a viu cair.
- Onde est� a menina? - Em seu quarto, com Blanche.
- Quem est� a�? - Sou eu. Seu pai.
N�o vejam este procedimento como um interrogat�rio,
mas como uma reuni�o informal para esclarecer certos fatos,
de modo que eu n�o lhes incomodarei mais.
O testemunho da Condessa Dowager ser� tomado em seu quarto,
j� que, infelizmente, est� de cama.
N�o estou prostrada na cama!
E tem mais,
ainda que estivesse, n�o consentiria que uma manada de suboficiais...
...fizessem de meu quarto uma sala de recreio infantil!
Calma. Eu posso fazer!
Se s� essa idiota pudesse se manter em p�!
Jovem, que deseja saber?
Meus colegas e eu mesmo vemos que a tristeza destes...
...acontecimentos � mitigada por sua melhora de sa�de.
Inclusive na Fran�a republicana, minha sa�de n�o � nada melhor.
Comece suas perguntas.
Gostaria de ouvir a �ltima pessoa que viu a falecida com vida.
De minha informa��o preliminar, deduzo que esta foi sua filha.
Sua informa��o preliminar � incorreta.
Vi a falecida depois da menina
enquanto estava no corredor perto do quarto de minha filha,
a menina saiu, deu boa noite e subiu as escadas para seu quarto.
Voc� n�o tem que atormentar a menina com suas perguntas!
- Que hora foi isso? - N�o tenho ideia.
N�o costumo levar em conta o tempo em minha pr�pria casa,
como se estivesse cozinhando um ovo.
- Que falou com a falecida? - Assuntos familiares.
- Qual era seu estado de �nimo? - De um humor excelente.
- Muito melhor que recentemente. - Tinha estado mal recentemente?
As mulheres tendem a ficar de mau humor depois de um aborto.
- N�o havia sinais de depress�o? - Claro que n�o.
Tudo ao contr�rio!
N�o viu nada que lhe fizesse supor que ia tirar a vida?
- Uma suposi��o impens�vel! - Obrigado, admir�vel exposi��o.
Est� maravilhosamente claro.
Os fatos s�o t�o simples, que s� um bobo pode v�-los pouco claros.
- Voc� estava em casa, senhor? - N�o, n�o estava.
- Onde estava? - Estava em Villardeau.
Ele n�o estava em Villardeau!
Ele estava no quarto. Eu o ouvi falar l�.
- Bobagem! Eu estava em Villardeau. - Voc� viu algu�m l�?
Falou com algu�m que possa confirmar?
N�o duvido de sua palavra, mas h� um conflito direto!
Uma testemunha encerraria o caso. Ou h� um engano em sua afirma��o!
- A prova deve ser corroborada. - Fui a Villardeau por um assunto confidencial.
- Eu perguntarei em particular. - Em p�blico ou em particular, ele mentir�.
Ele estava no quarto dela. Ele a matou!
- Examinei o contrato do casamento. - Espere at� que se pergunte!
N�o vou esperar e ponto!
Se me permitem, posso falar? Acho que posso ajudar.
- Alguma obje��o? - Nenhuma. Muito pelo contr�rio!
- Muito bem. - Levei o senhor a Villardeau.
N�o podia dirigir porque lesionou a m�o.
Eu o levei a Villardeau, esperei por ele e o trouxe de volta.
Quando chegamos, a senhora j� estava morta.
- Seu carro j� estava l�. - � isso!
Foram e voltaram. O que prova isso?
Que fizeram desta vez?
Ele e seu lacaio!
Como lhe prometeu lhe pagar por suas mentiras?
Eu sou um homem simples, Srta. Blanche!
N�o tenho nenhuma educa��o. Sei dirigir e limpar sapatos.
N�o sei como mentir ou receber subornos.
Era simples, Jacques de Gue. Uma chance entre dez milh�es.
Um assombroso parecido que lhe proporcionou um �libi
ou um bode expiat�rio.
Como pode?
- Como p�de? - Estou procurando pistas.
N�o lhe direi nada que n�o saiba.
- � horr�vel. - � triste.
N�o me escutaram. N�o acreditaram que voc� esteve aqui.
- N�o comece outra vez. - Vou tentar de novo.
At� que me escutem. Irei � pol�cia de Paris.
Escreverei aos jornais. Podem trancar-me em um hosp�cio,
mas eu farei! Escreverei e falarei com as pessoas!
Eu ouvi voc� falar. Cantar esta can��o!
Como quando voltaram de sua lua de mel!
Ouvi sua risada e seus gritos.
- Algu�m cantava esta can��o? - Eu ouvi voc� cantar!
- Al�? - Que prazer escutar sua voz!
- Quem �? - Um estranho. Um estranho relativamente.
- Sabia que ia lhe surpreender. - N�o de tudo.
Deixemos de falar por telefone. Desejaria lhe ver e falar cara a cara.
- Quando? Onde? - Onde? Este � o problema.
- Na fundi��o, que tal �s onze? - Muito bem. �s onze horas.
Entre.
N�o h� raz�o para ter medo.
Sente-se.
Est� bem. Deixe-me ver.
Ganhou peso. A boa cozinha rural.
Mudou at� seu penteado!
Eu prefiro falar aqui no escrit�rio de Aristide.
Um velho bobo e pomposo, mas um cora��o de ouro.
Mas suas folhas de ouro prov�m da minha conta banc�ria.
Perdeu a l�ngua?
- N�o. Tenho muito a dizer. - �timo! Primeiro um drinque.
- Sei onde est� o conhaque de Aristide. - N�o para mim, obrigado.
Parecia que gostava de conhaque!
Como quiser. Importa-se se bebo?
Fale-me de sua substitui��o. Passou bem?
Aproveitou, n�o? Foi interessante?
Obrigado pela sua ajuda. Mas aqui estou para lhe aliviar do fardo.
N�o quero ser aliviado.
- Minha fam�lia gosta tanto de voc�? - De fato, para ser mais claro,
nego-me a ser aliviado.
Claro, a situa��o mudou radicalmente nestes �ltimos dias.
O dinheiro que minha mulher deixou com sua morte tem um certo encanto.
O dinheiro n�o me interessa em absoluto.
Voc� gosta dos meus relacionamentos raros?
Aprendi a conhec�-los e a am�-los de modo diferente, em outro n�vel
de modos diferentes.
Vi seus problemas e tentei ajudar a enfrent�-los.
Quem teria pensado que voc� fosse inspirado pelo zelo mission�rio?
Eu garanto que falo totalmente a s�rio
Isso n�o � mais uma brincadeira, eu ordeno isso se torne um fardo.
Depois de tr�s semanas mascaradas com a nobreza francesa,
� tempo de se transformar para voltar
� sua universidade provinciana.
E se me negar?
Terei que lhe obrigar. Por favor, n�o se surpreenda.
N�o estou de maneira alguma surpreendido que um assassino esteja t�o equipado.
Diga-me, assassino, de quem?
Cl�usula 14, par�grafo 2.
N�o creio que precise explicar isso.
Mas suponhamos que eu tenha matado minha esposa,
tenho um �libi perfeito porque voc� foi a Villardeau.
Vamos, senhor Barratt, Acredita de verdade
que poderia viver esta mentira de luxo pelo resto da sua vida?
Teria dispensado o luxo.
S� me preocupava com a mentira. Um dia teria contado.
- Como? - De uma forma ou outra.
Do contr�rio, n�o poderia suportar.
Que sentimento t�o nobre. N�o tenho tempo para admir�-lo.
Est� na hora de trocarmos nossas roupas
e retomar nossas pr�prias vidas.
Eu admito que voc� me surpreendeu.
Mas eu sou um atirador melhor mesmo com o uso da m�o direita.
A esta dist�ncia, inclusive poderia atirar com a m�o esquerda.
Sim, claro, mas poderia falhar, � muito f�cil.
� melhor que me d� essa coisa perigosa.
Villardeau.
- Que est� fazendo aqui? - O destino cometeu um grande erro.
E nos p�s juntos em vez de separados.
Tradu��o das legendas: PARENTE - SERGIPE - BRASIL - 3
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