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UM ESPECIAL DE COMÉDIA ORIGINAL NETFLIX
Olhem.
PORTA DO PALCO DE WEMBLEY
-Jack! -Jack!
-Jack, um autógrafo, por favor? -Jack.
PROIBIDO FUMAR
DOAÇÕES
TRANSFORMADOR DA ARENA
Senhoras e senhores,
façam barulho e deem as boas vindas ao…
Sr. Jack Whitehall!
Olá, Wembley!
É impossível ter mais prestígio do que isso.
Estou muito nervoso. Tenho que ser sincero com vocês,
costumo estragar apresentações de prestígio.
A pior vez foi quando me chamaram pra festa de Natal do príncipe Charles.
Foi tão estranho quanto parece.
A primeira coisa estranha foi quando cheguei
e vi Charles e Camilla sentados na primeira fileira
em cadeiras com encosto alto.
Pensei: "Vocês sabem que é vida real, e não Game of Thrones?"
Além disso, não sentem na primeira fileira.
Para comediantes, a primeira fileira é como a carta coringa.
Se as piadas estão ruins, falo com a primeira fileira
e pergunto o que fazem da vida.
Não posso perguntar ao príncipe Charles o que ele faz da vida.
Ele é o desempregado mais famoso do planeta.
"O que faz da vida?" "Fico sentado, esperando meu pai morrer."
"Eu também."
Não posso perguntar "qual seu trabalho?", pois, na primeira fileira,
há um casal que recebe auxílio.
Que bom que riram da piada. Não vou mentir,
não pegou bem naquela noite.
Meghan era a única que ria, o que piorou as coisas.
A outra coisa estranha foi que não me deram um microfone,
que é a única coisa de que um comediante precisa.
É a única coisa que me dá status em relação a vocês.
Sem isto, sou como um louco gritando na rua!
Com isto: "Oi, vim falar sobre política."
Sem: "Vim falar sobre Jesus!"
Não me deram um microfone. Estão na primeira fileira.
Foram 45 minutos de apresentação, dançando na frente da família real
como se eu fosse o bobo da corte.
A indignidade final ocorreu depois da apresentação.
Um comediante sabe quando a apresentação foi ruim.
Ninguém precisa avisar.
Não precisa ser zoado pelo futuro rei da Inglaterra.
Fui apresentado ao príncipe Charles.
Sabem qual foi a primeira coisa que ele me disse?
"No próximo ano, vamos chamar um mágico."
Descarado maldito!
Tudo bem. Passei o contato dos meus amigos do Magic Mike.
A Camilla os adorou.
Conheça seu público. Foi a lição que aprendi naquela noite.
É muito importante como comediante. É difícil quando você viaja.
Moro nos EUA há um tempo. Temos americanos hoje?
Nossa, tudo bem.
São claramente americanos.
Por favor, não atirem.
Não. Podem aplaudir o quanto quiserem. Senhor…
Podem aplaudir o quanto quiserem. Ainda estou tentando entender os EUA.
Esse comentário jamais vai acabar no especial.
Só por cima do meu cadáver…
Jeito de falar.
Vim em paz. Eu amo os EUA. É um lugar incrível.
Sabem o que percebi?
Vocês, americanos, fazem basicamente tudo o fazemos,
mas maior e melhor.
Temos pessoas burras aqui…
mas suas pessoas burras estão em outro patamar.
Não quero dizer: "Todos os americanos são burros."
Não, os EUA também têm as pessoas mais inteligentes do planeta.
Estou dizendo que, quando os EUA fazem uma idiotice,
é pra valer.
Nosso burro está num parque, gritando pras nuvens.
O seu é presidente.
O mundo está se tornando um lugar mais burro.
Dá pra saber isso pelos avisos.
Vou contar um exemplo que vi em Tucson, Arizona.
Fui tomar café da manhã no meu hotel
e havia um aviso na torradeira que dizia:
"Por favor, coloque manteiga no pão…
após o uso."
Se você não sabe que deve passar manteira na torrada
depois de ter sido torrada,
não deve chegar perto de uma torradeira,
a não ser que seja pra levá-la pro banho.
Pra ser justo, né?
O aviso foi colocado na pior invenção que a humanidade já criou.
Senhoras e senhores, apresento a torradeira profissional de hotéis.
Ninguém nesta arena com 10.000 pessoas
já fez uma torrada decente
na torradeira profissional de hotéis.
Uma bosta incompreensível.
E equipada maravilhosamente com uma janelinha,
pra você testemunhar seu sofrimento em câmera lenta.
Primeira vez.
Ainda é pão.
Segunda vez.
Um pouquinho quente.
Terceira vez.
Totalmente queimado!
Não existe uma opção que funcione.
É como colocar um ruivo numa câmera de bronzeamento. É impossível.
Sempre tem uma fila até o saguão porque você ficou preso
atrás de um velhinho que achou uma boa ideia colocar uma rosca.
Uma rosca? Porra, está maluco, vovô?
Se queria uma rosca torrada na máquina a tempo do café da manhã,
precisava ter colocado há uma semana.
Quando ficar torrada, talvez você também fique.
Parece até que pensaram:
"Como podemos deixar esta máquina pior ainda?
Já sei! Vamos fazer sua torrada de merda
deslizar pra uma bandeja embaixo, levemente inclinada,
pra sua torrada de merda ir parar direto no chão."
Você vê as pessoas esperando, como se fossem receptores de beisebol.
"Essa vai ser escorregadia."
"Por quê?"
"Sou um dos psicopatas que gostam de passar manteiga no pão antes."
Nem foi o pior aviso que vi.
O pior aviso que vi foi no mesmo hotel, mas na piscina.
Fui à piscina do hotel dar um mergulho refrescante
quando li um aviso, senhoras e senhores,
que me deixou surpreso e arrepiado de medo.
Estava escrito:
"Por favor, evite entrar na piscina do hotel
se você estiver com…
diarreia ativa."
Muito obrigado por me fazer desistir de entrar
nessa ou em qualquer outra piscina pra sempre,
porque esse aviso só pode existir porque alguém entrou com diarreia.
Como isso requer um aviso pra nos lembrar?
Não me entendam mal, gosto de nadar tanto quanto todos,
mas aceito que, se eu estiver prestes a ter
diarreia ativa,
há certas atividades
das quais não vou participar por um tempo.
Natação,
trampolim,
andar a cavalo, paraquedismo e provavelmente salto tandem também.
Sou o tipo de pessoa que vive a vida regida pelo medo
de que um dia eu me cague em público.
Abre parênteses: sempre que estou num carro
e não percebo que o assento aquecido está ligado,
penso: "Merda, hoje é o dia."
E o mais importante: o que esse termo significa?
Diarreia ativa. Em contraste a quê?
Diarreia inativa?
"Sim, temos diarreia na família há gerações.
Meu bisavô viajou pra Índia, teve "barriga da Antiga Deli",
mas, felizmente, como pegou a variante inativa,
nenhum de nós se borrou."
Só posso supor que a diarreia ativa
significa que está saindo literalmente da sua bunda.
Se for o caso, e por algum motivo desnorteante
você decidiu que sua melhor chance de salvação
é a piscina lotada do hotel,
acho que você não é o tipo de filho da puta que lê avisos.
"O que é isso? Não pode correr, mergulhar… Viva! Nada sobre cagar. Vou pular!"
É o mundo em que vivemos.
Temos que nos preocupar com os sentimentos, as tolerâncias,
as intolerâncias
e as necessidades alimentares de todos.
Vou dizer onde chegou longe demais e tenho que ser a pessoa a dizer isso.
Pelo amor de Deus…
já temos…
leites suficientes.
Podem parar de tirar leite coisas sem sentido?
Fui comprar café recentemente,
perto de onde moro, em uma parte perigosa de Londres
chamada Notting Hill.
Entrei lá. Gosto de café simples.
Deveria ter sido uma transação simples,
mas foi longe disso.
Entrei e falei: "Gostaria de café com leite, por favor."
"Certo, senhor, que tipo de leite gostaria?
Temos leite de coco, amêndoa,
avelã, castanha de caju, macadâmia, aveia, arroz, leite de maconha, de soja.
Pode ser de um feijão, leguminosa, noz, grão, aveia, linho,
folha, semente, árvore."
"Gostaria de leite de um mamilo.
Não importa que tipo de mamilo,
de preferência de vaca, mas não sou exigente.
Pode ser de qualquer mamilo disponível."
Ela olhou pra mim como se eu tivesse pedido do dela.
Como se eu fosse o esquisitão. Não sou o esquisitão.
É você que está nos fundos da loja com seus amiguinhos
tirando leite de castanha de caju. Vocês são malucos, não eu.
Não duvido, nem por um momento, que a intolerância à lactose
seja um assunto muito sério e urgente pra humanidade.
Mas é importante lembrar que não temos a cura pro câncer
e que há 12 substitutos de leite prontamente disponíveis no mercado
que, eu diria, são 11 a mais do que precisamos.
E estamos todos nos divertindo.
Não quero transformar meu especial em uma TED Talk.
Mas vou apresentar ciência bem sofisticada agora.
O leite deve vir de uma teta.
A última vez que chequei… a amêndoa? Não tem peito.
Você está bebendo suco de nozes.
Meu Deus.
Acho que isso pode ser um problema de Londres.
Nesta turnê que tenho feito,
falo disso porque eu estava no nordeste da Inglaterra.
Faríamos uma apresentação lá e ficamos em um hotel minúsculo
no meio do nada.
Foi incrível. Havia um senhor um pouco velho
que servia café da manhã no hotel.
Meu gerente da turnê, Johnny, perguntou sobre o leite.
Ele teve a melhor resposta que já ouvi.
Ele falou: "Quais são as opções de leite?"
O cara disse: "Quente…
ou frio."
Onde estão os que bebem leite? Quem bebe leite aqui?
Sabem que somos os fumantes de 2020?
Sério. Vejam como seremos lentamente marginalizados pela sociedade.
Vão criar áreas designadas pra bebermos nosso leite de teta sujo.
Em breve, haverá avisos, como com cigarros.
No supermercado, as caixas de leite terão um aviso:
"Atenção, pode causar ossos e dentes saudáveis."
E não se atrevam, em pleno 2020, a beber seu leite de teta nojento…
em um canudo de plástico.
É como se estivesse chupando diretamente do pau do diabo.
Recentemente, uma amiga minha me deu um sermão.
É uma daquelas hipócritas ambientais clássicas.
Não sei se já viram uma igual.
Ela diz: "Tenho um copo de café reutilizável
e uma garrafa de água reutilizável, tudo na minha sacola ecológica."
Você veio dirigindo um maldito Hummer.
Ela vem me falar do canudo:
"Jack, não pode mais usar canudo de plástico.
E o meio ambiente? E a vida selvagem? Precisa de um canudo reutilizável."
E eu: "Certo, entendi." Comprei meu primeiro canudo reutilizável.
É feito de marfim. É uma maravilha.
Estou fazendo minha parte. Não uso mais copo de café,
levo meu casco de tartaruga à Starbucks: "Pode encher."
Comecei a reciclar camisinhas, então…
O grandão sabe do que estou falando.
Enxágue rápido, tire o suco das bolas e coloque pra lavar.
É um saco pra vida toda.
Temos que fazer nossa parte agora.
Comi o Hambúrguer Impossível vegano um dia. Meu Deus, incrível! Esta é boa:
tem gosto de hambúrguer comum, mas…
custa o preço de dois hambúrgueres.
E sem culpa.
E você pode adicionar o que quiser. Escolhi bacon e foie gras.
Essa é a resposta. Todos deveríamos ser veganos.
Recentemente, Hugo, que mora comigo…
Claro, Hugo… "Sou um cara normal." Não.
O Hugo é ótimo. Ele mora na ala leste e…
é vegano, mas é o seguinte: ele não queria dizer que é vegano,
porque estava com medo de ser zoado pelos amigos. Então…
em vez dizer que é vegano,
Hugo decidiu que ia se identificar como…
Preparem-se, pois é o máximo.
…favorável às plantas.
Muito bem, Hugo.
Conseguimos evitar ser tachado de idiota, não é?
Agora, ele fala isso o tempo inteiro:
"Jack, pode fazer quantas piadas quiser sobre eu ser favorável às plantas.
Vou viver dez anos a mais que você."
"Não se continuar dizendo que é favorável às plantas perto de mim.
Vou te sufocar enquanto dorme.
Não preciso te sufocar agora. Você é vegano.
Vou colocar a almofada no seu rosto. Você estará fraco demais pra tirar."
"Você está me sufocando."
"Não, só estou te deixando desfavorável ao oxigênio."
Não adianta chorar pelo leite de nozes derramado.
Onde estão os veganos? Temos veganos aqui?
Nossa, um exército de veganos. Meu Deus.
Vão me vaiar e jogar tofu até eu sair do palco.
Desculpem. De verdade. Vim em paz, está bem?
Não quero ser animal e, sinceramente, nem vocês.
Foi brincadeira com veganos.
E desculpem a piada, foi terrível.
Não há como negar que a escolha de vida de vocês
é 100% melhor ara vocês, pro mundo.
Também sei por que os humanos esculacham veganos.
É um instinto humano simples. Como seres humanos,
basicamente não podemos suportar outros
que tenham alcançado um nível de autocontrole.
E vocês alcançam, porra.
Não importa qual seja o autocontrole,
alguém que se tornou vegano, alguém que deixou de beber,
alguém que corre maratonas,
alguém que começou a ir trabalhar de bicicleta.
Sua boca diz: "Que bom pra você!"
E sua cabeça diz:
"Imbecil."
Porque não queremos que as pessoas #tenham_uma_vida_boa.
Queremos que elas #tenham_uma_vida_pior_que_a_nossa.
Pra nos sentirmos melhor com nossa existência patética.
Por isso todos esses idiotas ficam irritados com Greta Thunberg.
Isso é que é ter uma vida boa. Ela deixou o mundo inteiro envergonhado.
Essa garota é o que há. É uma criança… Sim!
É uma criança que iniciou uma revolução global da mudança climática.
Quando eu era criança, não conseguia criar um Tamagocchi.
Ela foi à ONU dizer:
"Precisamos salvar o planeta com ações radicais." E eu:
"Mãe, está fazendo um barulho engraçado e me pedindo pra dar comida, o que faço?"
"Mande pro internato."
Também não temos desculpa agora.
Nunca foi tão fácil ser um cidadão do mundo melhor.
Fui ao supermercado recentemente.
Não um supermercado caro, como o Waitrose, antes que me julguem.
Lamento desapontar, não farei piada sobre o Waitrose.
Me mandaram tirar. É sério.
Depois da última turnê, meu empresário me disse:
"Jack, ninguém entende suas referências.
Se quer ser um comediante que caia nas graças do povo,
tire essas piadas do Waitrose." Entendido.
Porque sou um cara normal.
Um dia, eu estava no meu supermercado favorito, o Lidl.
Ou quando estou nos EUA, "Walmar".
Vi um aviso no supermercado sobre o mês Veganeiro.
É uma ótima ideia não comer carne por um mês.
Todos a bordo.
Mas por que janeiro?
Em nome de todos, posso dizer
que as pessoas precisam deixar janeiro em paz?
Já temos Janeiro Seco. Agora temos Veganeiro.
Um lembrete: janeiro já é o pior mês do ano.
Não é o mês certo pra cortar vícios.
Na verdade, é o mês pra adquirir novos vícios.
"Jack, vai cortar bebida e carne em janeiro?"
"Não, mas vou começar a usar heroína."
O mês passa voando, e você emagrece o que engordou no Natal.
Quem está comigo? 2021: Heroineiro.
É preciso ser mais ético,
pois quem come carne também pode ser mais ético agora.
Pode fazer a pergunta certa. Precisa escolher a hora certa.
Sou um cara normal, então levei uma garota ao Nando's.
Ela começou a fazer perguntas sobre o frango.
Existe hora e lugar certos pra fazer perguntas sobre o frango,
mas não é no Nando's.
O pobre coitado de lá não fazia ideia.
Ela perguntou de onde era o frango. Ele disse: "Da geladeira."
Você deve estar ciente do que está sendo comido
pelo que estamos comendo.
Vi um artigo um dia
que dizia que não é mais permitido dar pão aos patos nos parques.
Sabem por quê?
Porque eles ficam inchados.
São patos.
O trabalho deles…
é flutuar.
E daí se estiverem inchados? É uma vantagem, porra.
Começou a listar alternativas: em vez de dar pão,
pode dar grãos de milho, ervilhas, uvas.
Uvas?
Estou visitando o pato no hospital, por acaso?
Dá pra imaginar como eu pareceria idiota se fosse ao parque local,
todo mundo jogando pão mofado,
e eu apareço com uma cesta de uvas?
"Vocês podem ser patos, mas hoje vão se deleitar como cisnes.
Não se encham, não sobrará espaço pra tábua de queijos.
Lá vai.
O melhor camembert do Lidl. Bom apetite."
Patos que não comem glúten.
Qual será a próxima? Vão fazer a dieta keto.
Não consigo acompanhar as dietas da moda. Parece haver uma nova toda semana.
Têm aquelas que você só toma suco, as com jejum.
A mais estranha é a com jejum. Parece um culto.
Dieta 5:2 com jejum.
"Estou fazendo a dieta 5:2. Durante cinco dias, como o que quiser.
Durante dois dias, faço jejum.
E durante sete dias, conto a todos sobre isso."
Estão sempre desesperados pra dizer como o jejum é bom pra você:
"Tenho olhos na cabeça, consigo ver o que está na minha frente."
Essas pessoas parecem macilentas, fisicamente fracas,
como prisioneiros de guerra.
"Sinto muito, não posso comer esse biscoito.
Estou fazendo jejum no momento.
É incrível, você tem que tentar.
Não produzo saliva há três dias."
"Quanto você perdeu?" "Treze quilos e a visão.
Nunca me senti tão bem na vida."
Meu Deus.
Acho que muito deste material vai voltar pra me assombrar.
Daqui a seis meses, com certeza vou ser vegano
e beber leite de falafel.
Tenho inveja das pessoas por terem a vida que quero ter.
E é com tudo. Como a vida amorosa.
Agora, minha vida amorosa é um desastre e não posso ficar perto de casais felizes.
Façam barulho se estiverem num relacionamento feliz.
Não vale se você levantar a mão da sua namorada
quando faço a pergunta. Maldito homem das cavernas.
"Ela está feliz."
Façam barulho se estiverem num relacionamento infeliz.
Nós podemos sair juntos.
Adoro ver casais infelizes. Vi um casal infeliz um dia.
Eu estava num avião e o casal entrou.
Não sabia se eram marido e mulher,
mas tinham mais de 60 anos. Se têm mais de 60 anos,
casados ou não, são marido e mulher.
Não há nada pior no mundo do que alguém com mais de 60 anos
se chamando de "namorado e namorada".
Não estão no colégio.
Sei que é preconceito, mas infelizmente é verdade.
Conheci um cara um dia. Ele era bem velho.
Podia desbloquear o iPhone com o Face ID mostrando um dos testículos.
Devia ter quase 80 anos.
Ele me apresentou à mulher ao lado dele: "Esta é minha namorada."
É o seu parente mais próximo.
Voltando, o casal entrou. O marido se senta, adormece
e começa roncar alto.
A esposa olha pra ele
odiando-o com todas as suas forças.
Uma hora, ele parecia estar engasgando.
Fazia assim…
Nos olhamos por acaso. Ela fez…
"Se ele morrer, morreu."
A mesinha estava abaixada. Ela escreveu: "Não ressuscite."
Ele ronca alto durante o voo todo. Na hora da aterrissagem,
até o bebê gritando pensava: "Esse cara é um babaca."
Mas, como o assento dele estava levemente inclinado,
a aeromoça teve que ir
colocar na vertical pra aterrissar ou, como todos sabemos,
o avião teria explodido em uma bola de chamas.
Ela o acordou acidentalmente, e ele não ficou muito satisfeito.
Gritou com ela: "Meu Deus,
vale a pena se debruçar e me acordar por cinco centímetros?"
E a esposa disse: "Pela minha experiência, não."
Os passageiros vibraram. O piloto teve que fazer um anúncio.
"À senhora da fileira 33, é isso aí!"
Todo mundo estava adorando, exceto eu. Fiquei sentado, pensando:
"É a última vez que fico atrás dos meus pais num avião."
Que bom que gostaram dessa.
Sabem quem não gostou na primeira vez em que ouviu?
Michael Whitehall.
Meu Deus. Na primeira vez em que ouviu isso,
deu a resposta mais típica de Michael Whitehall da história.
Eu saí do palco depois. Ele estava me esperando no fim do bar
como um vampiro irritado.
Ele disse: "Não gostei da nova piada do avião."
Falei: "Pai, não foram vocês, foi só uma piada."
Ele disse: "Fileira 33, não quero que pensem que vamos na Econômica."
Ele ficou ainda pior agora que é uma minicelebridade.
Não estou dizendo que a fama subiu à cabeça dele, mas, um dia,
meu pai estava preenchendo um questionário médico e, em "Profissão",
colocou: "Tesouro Nacional."
Sabemos que ele está na prorrogação.
Uma hora, ele vai dizer ou tuitar alguma coisa e será cancelado.
Fizemos um programa de descendência na BBC Quem você pensa que é?
A resposta, ao que parece, é "um idiota".
Descobrimos que meu pai vem de uma longa linhagem de idiotas.
De um lado da família, viemos de Birmingham.
E eu: "Ótimo, vou ser parente de um Peaky Blinder." Não, tarado sexual.
Um dos meus antepassados
era um vigarista promíscuo que pegou sífilis,
passou pra esposa, e ambos morreram em um manicômio.
Parece que ele era o bom.
Meu outro antepassado fez o Sr. Sífilis Mulherengo
parecer a Madre Teresa.
Do outro lado, visitamos o País de Gales e descobrimos que sou parente
do proeminente parlamentar galês Tory M. P.,
que apresentou esportes sangrentos à nação
e debelou uma revolta de trabalhadores galeses
que lutavam pelo direito de votar
e fez William Wallace de Gales ser preso,
enforcado, arrastado e esquartejado por traição.
Então, descobri tudo isso. Fiquei chateado, comovido, perturbado.
Me virei e olhei pro meu pai. Nada.
"Pai, você precisa ficar mais chateado.
Estão nos filmando o tempo todo. Pode fingir que está triste?
Ele disse: "Estou triste. É tudo deprimente.
Não fazia ideia de que éramos galeses."
Entendo que a percepção que você tem dos pais muda com o tempo.
Quando criança, você olha pra sua mãe e seu pai e pensa:
"Vocês são as pessoas mais constrangedoras que já vi na vida."
Aí você fica um pouco mais velho, mais sábio, se torna adulto
e acaba pensando: "Sabe de uma coisa? Acho que esses dois até são de boa."
Aí eles se aposentam, você passa mais tempo com eles e:
"Não, eu estava certo antes.
Vocês são doidos pra caralho."
Na minha família, minha irmã é quem se dá pior.
Ela ficou noiva no ano passado.
Devia ter sido um momento adorável pra nossa família.
E foi por meio segundo,
até ela anunciar que não queria se casar na igreja.
Meu Deus.
Qualquer um pensaria que ela disse que votou no Partido Verde.
Não pegou bem.
Ele disse, "Como assim 'não quer se casar na igreja', Molly?
Se estou pagando pelo casamento, ele não será na porra de um celeiro.
Se eu pagar pelo casamento, ele será em um lugar sagrado."
A cara dele quando descobrir que alugamos uma mesquita…
Agora a pressão pra casar e ter filho está sobre mim.
Me perguntam: "Quando vai nos dar um neto?"
E eu: "Estou tentando acabar
com essa linhagem de assassinos em massa com sífilis."
É porque terminei um namoro pela primeira vez recentemente.
Foi uma separação amigável, que dizem que é uma coisa boa.
Estou aqui pra dizer que não é.
É muito melhor odiar a pessoa.
Digo isso como pessoa e também como artista.
A única vantagem de ter uma tragédia na vida como artista
é que pode inspirar um grande trabalho.
Ninguém nunca compôs um álbum genial sobre uma separação adorável,
em que todos se comportam impecavelmente.
Queria que ela esmagasse meu coração no chão,
jogasse minhas roupas pela janela. Eu queria sofrência, entendem?
Em vez disso, minha ex-namorada tomou chá com minha mãe
pra ajudá-la na transição.
Foda-se com sua bondade e generosidade.
Quero estar no fundo do poço.
Em vez disso, estou na boa, fazendo piadas sobre diarreia.
Depois, tivemos uma situação estranha. Eu e minha ex éramos apenas amigos,
morando juntos no mesmo apartamento por alguns meses.
Foi estranho tentar nos acostumar à nova vida como amigos.
Devo dizer o momento mais trágico?
Estávamos na cozinha juntos e, pela primeira vez em seis anos,
ela peidou na minha frente.
Nenhuma palavra foi trocada.
Só saí da cozinha, subi as escadas,
me tranquei no banheiro
e chorei, porque sabia que tinha acabado.
Em uma rajada, ela liberou gases e partiu meu coração.
Parte deste material novo é sombrio.
Mas falando sério.
Ela peidou na minha frente,
tentando se tornar menos atraente pra mim.
Ela estava literalmente tentando fugir do pedestal com um peido.
Mas não funcionou. Sou homem. Só me fez amá-la mais.
Depois, tentei entrar no jogo.
Falei: "Posso fazer alguma coisa pra me tornar menos atraente pra você?"
Ela disse: "Não, já cheguei lá."
Então, agora preciso me esforçar de novo. Preciso mandar ver no quarto de novo.
Sou muito conservador no quarto.
Nada de emoção entre os lençóis.
Sempre digo que sexo comigo é como chegar atrasado ao cinema
e tentar achar seu assento.
Muito barulho, pedidos de silêncio, uma pausa
e, de algum lugar na escuridão, só um sussurro: "Sinto muito."
Infelizmente, nunca aquele barulho.
Não estou preparado pra nada disso.
Não estou preparado emocionalmente pra uma separação,
pois sou resultado do ensino público britânico.
Se um relacionamento terminasse no internato,
não te incentivavam a falar disso,
principalmente porque muitos professores poderiam perder o emprego.
O mais próximo que cheguei de um relacionamento
desde então foi com a Alexa.
Adorável Alexa. Grava e armazena tudo o que você diz
pra poder usar no futuro.
Como uma namorada de verdade.
Agora, levo o estilo de vida de solteiro. Viva o estilo de vida de solteiro!
Café da manhã no jantar? Porra, sim.
A mesma cueca por uma semana. Alguém pediu uma lenda?
Isto aqui é a pia da cozinha ou agora é a privada do andar de baixo?
Fui longe demais? Adoro dizer isso no palco todas as noites,
olhar pra multidão e sempre ver pelo menos quatro ou cinco caras rindo,
virando pra esposa e dizendo: "Não sei do que ele está falando."
Foi o fundo do poço, ou o fundo do poço foi ir à cozinha e perceber
que a única comida que restava na casa era o macarrão instantâneo de emergência?
Só pra descobrir que ela levou a chaleira.
"Acho que vou te encher diretamente da torneira quente."
Não tenho orgulho de mim
sentado no sofá debaixo de um cobertor,
comendo um macarrão instantâneo al dente,
torcendo pra me dar o sustento necessário pra voltar à tarefa do momento,
ou seja, ver se é possível se masturbar até entrar em coma.
"Diga meu nome, Alexa."
"Jack Whitehall."
"Isso aí!
Quem é o papai?"
"Procurando Michael Whitehall." "Não faça isso!"
Acho justo dizer que saí um pouco da linha.
Cheguei ao limite quando fui passar um fim de semana na Alemanha.
Foi bem triste, na verdade.
No ano passado, fomos a Berlim nos despedir de um amigo meu
que perdemos em junho… ou julho?
Foi um casamento de verão, não me lembro quando.
Depois da fase de autopiedade do luto da separação,
vem a fase de "ficar loucaço".
Onde é melhor fazer isso
do que cercado por seus amigos casados e felizes?
#Tendo_uma_péssima_vida.
Acordado 3 dias por causa da despedida de solteiro,
chego ao aeroporto de Berlim a caminho de casa.
Estou na fila da segurança do aeroporto,
coloco a mão no bolso pra pegar o passaporte
e, em vez disso, pego uma única bala de maconha.
Meu Deus. Procuro um lugar pra me livrar dessa coisa…
Não há nenhum lugar à vista.
Por um breve momento, passou pela minha cabeça…
Olhei pra frente e havia uma criança com a mochila aberta.
Não fiz isso, não sou um monstro, e não consegui distrair a mãe dele.
Pensei, com relutância: "Vou ter que mandar pra dentro."
Então, engoli a bala.
Sou um pouco novato no mundo da maconha comestível.
Ela é extremamente forte.
Me atingiu como um furacão.
Quando cheguei à frente da fila, estava tão chapado
que podia ter voado pra casa sem a ajuda de um avião.
Eu sabia que estava em apuros quando entrei na máquina de escaneamento,
pernas afastadas, braços erguidos.
Pensei: "Por que não está me escaneando?
Não está me escaneando porque sabe que tem drogas
na barriga, safadinho."
Percebi que o motivo real de não estar me escaneando
era porque eu estava de pé, pernas afastadas, braços erguidos,
em um detector de metal comum.
Foi nesse momento que ouvi uma voz alemã gritando por trás:
"Das ist verboten."
Não sou linguista, mas sabia que não era:
"Tenha um bom dia. O saguão é pra lá."
Eu me viro, e o segurança está apontando agressivamente
pra minha barriga e gritando algo em alemão.
Hoje, sei que ele apontava pro meu cinto.
Ele queria que eu tirasse o cinto. Infelizmente, eu estava tão chapado
que nem percebi que estava de cinto.
Por algum motivo, naquele momento, achei que ele estava apontando…
pras minhas calças e pensei que queria que eu tirasse.
Pensei: "Os seguranças alemães são muito meticulosos. "
Mas fui a um internato católico.
Se uma autoridade manda tirar as calças,
você tira, porra.
Então, no meio do aeroporto de Berlim, comecei a tirar as calças devagar.
Ele não gostou nada disso.
Se bobear, ficou até mais irritado.
Ele começou a gritar mais e disse: "Oben!"
Pesquisei oben no Google. É a palavra alemã para "pra cima",
como em "calças pra cima", mas não falo alemão.
Pensei que tivesse gritado "abra". Pensei: "Está ficando sério."
O elemento mais preocupante da história é como eu era obediente.
Pensei, naquele momento, que um segurança
queria vasculhar minha cavidade anal na frente de todos no aeroporto
e não fiz nenhuma objeção.
Ele só precisou gritar "abra" uma vez,
e eu me coloquei em uma posição pra me preparar pra entrada.
"Se é assim que deve ser, Fritz, é assim que será.
Coloque um mindinho primeiro, por favor.
Pode dizer que sou antiquado, mas preciso ser cortejado."
É por isso que preciso de uma namorada.
Pra me manter na linha.
Não lido bem com a solteirice.
Eu devia fazer sexo casual, é o que você deve fazer.
Tenho medo de sexo casual. Sabem por quê? Tenho medo de pegar alguma coisa.
Meu amigo fez sexo casual uma vez.
Ele pegou uma coisa incurável…
Filhos.
Você olhou pra sua filha no final da piada?
Foi animal. "É você, minha pequena DST."
O quê? É sua esposa? Meu Deus.
Meu Deus, sinto muito.
Tudo bem.
Não estamos filmando isso. Não vai passar em lugar nenhum.
Maldita piada. Eu…
Michael Whitehall ficaria orgulhoso.
O resto da apresentação é pra este lado. Nem consigo olhar pra lá.
Esse cara vai subir… Pare de acenar pra mim.
Isso não melhora nada. Já me sinto totalmente mortificado.
Obrigado, deuses da comédia.
Mas vamos em frente.
A questão é que não estou pronto pra ter um filho. Eu seria um péssimo pai.
Meu Deus. Vi um sinal recentemente.
Eu estava dirigindo pela estrada e havia uma placa na lateral:
"Dirija como se seus filhos morassem aqui."
Eu estava a 210 km/h quando bati na árvore.
Fiz uma coisa recentemente. Alguém já fez?
Bati acidentalmente numa criança patinando.
Alguém está rindo ali, como se tivesse feito isso. Nada bom.
Provavelmente não foi sua culpa. É tão injusto.
Pra ser justo comigo, esse desgraçado correu na minha frente
na fila do bufê, e eu surtei.
A realidade é que alguns pais não ajudam os filhos.
Um dia, conheci uma mulher cuja filha tinha o nome de…
Isis.
Eu sei.
Eu sei.
Ela disse: "É a deusa grega da natureza."
Eu disse: "No resto do mundo, quer dizer tiros e bombas."
Precisa pensar em outro nome, meu bem, pois esse foi "sequestrado".
Palavra errada.
Não foi uma informação que ela compartilhou com o grupo.
Foi uma informação que ela casualmente jogou na conversa,
como se fosse uma coisa normal. Nunca vi essa mulher na minha vida.
Dá pra imaginar como fiquei preocupado.
Estávamos todos no bar, tomando uma bebida,
quando, de repente, essa desconhecida chega e diz:
"Preciso ir pra casa. Preciso acordar cedo amanhã de manhã
pra ajudar Isis com um projeto."
"Como é que é?"
"Típico do Isis, anuncia às 17h,
e sou eu que preciso ir à loja comprar os malditos materiais.
Aí tenho que fazer a mala e ir ao ponto de ônibus.
Podia levar logo pra escola."
"Matem essa maluca agora mesmo."
Uma hora, percebi que estava falando da filha.
Falei: "Não pode chamar sua filha de Isis."
Ela disse: "Eu a batizei de Isis antes da organização terrorista."
Eu: "Ainda bem, porra."
Mas, infelizmente, alguns nomes são tirados de circulação.
É por isso que você não dá like em muitos Adolfs no Tinder.
Pra ser justo com o Hitler, o que é uma frase terrível…
pra iniciar qualquer número.
Pra ser justo com o Hitler… Pare de dizer isso…
Sempre quis um slogan, mas não é bem esse que eu queria…
Em defesa do Hitler… Não, pior!
Pior.
Suásticas! E sobre isso que quero falar.
Certo? Suásticas. Exemplo perfeito de apropriação.
Já conheceu um idiota que tenta dizer:
"Não sei se você sabe, mas, na verdade, a suástica é
um símbolo budista".
"Não é mais."
"Não, simboliza as pegadas do Buda."
"Quer saber? Da próxima vez que entrar em um bar
e vir um cara com a cabeça raspada e a suástica tatuada no pescoço,
vá até ele e diga amigavelmente: 'Namastê'.
Vamos torcer pra que você reencarne como alguém que não seja idiota."
Enfim, estou sendo duro.
Obviamente, a mãe não batizou a filha de Isis provocativamente.
Aparentemente, Isis era uma menina adorável.
E uma irmã maravilhosa também pros irmãos, Hamas e Hezbollah.
Acho que esse número já deu o que tinha que dar.
O melhor de fazer esse número é que tenho feito há meses
e, agora que fiz em uma turnê,
umas pessoas me procuram
pra dizer que a filha delas também se chama Isis.
E preciso dizer que atrai um certo tipo de pessoa.
Um dia, eu estava em um saguão de hotel lotado,
e um cara de jaqueta de tweed veio na minha direção.
"Jack, minha filha também se chama Isis."
"Estamos em público, cara."
"Venha aqui. Pode fazer um vídeo pra ela no telefone? Venha.
Ele vai fazer um vídeo pra Isis."
"Cala a boca!"
Vou contar mais uma.
Uma situação social estranha que eu estrago todos os dias.
Não perceber que meus AirPods não sincronizaram com meu celular
e minha música está tocando pra todo mundo.
Aconteceu uma vez na academia, foi a pior de todas.
Quando vou à academia, sou como Dwayne Jackson, The Rock.
Sem dor, sem resultados.
Acho uma bicicleta ergométrica no canto
e subo nela. Coloco meu capuz, meus AirPods
e algo tranquilo pra ouvir. Estou falando de audiolivros,
música clássica, trilha sonora.
Coloco a inclinação em 0,5 e me exercito tranquilamente,
como se eu fosse de Chamem a Parteira.
Mas, nesta ocasião, todos na academia olham pra mim.
Por algum motivo, meu primeiro pensamento foi:
"Todos devem estar olhando
porque o Quadzilla está pedalando pra caralho.
Foi um momento terrível quando me dei conta
de a razão de todos me olharem
era porque eu estava no canto, em uma bicicleta ergométrica,
com capuz, AirPods, tocando pra toda a academia
a música tema de E.T.: O Extraterrestre.
Estou normal e bonito de novo?
Uma mulher, muito obrigado.
Esse assobio de lobo veio atrasado.
Mas obrigado.
Vou contar mais uma história.
É sobre o meu pai.
Sei que fiz piadas sobre ele,
e a verdade é que eu o amo muito.
Sempre dou valor pela sorte de ter viajando pelo mundo com ele.
Tenho muito orgulho dele,
por ele sair da zona de conforto pra fazer o que fazemos.
Vejo novas facetas do meu pai que nunca pensei que veria.
Não quer dizer que, de vez em quando, não o levei longe demais.
Quero terminar com uma história sobre a ocasião em que fiz isso.
Foi muito traumático na época.
Achávamos que não dava pra colocar na apresentação,
pois acabaria com ele desmaiando e sendo levado pro hospital.
Mas…
tragédia mais tempo é igual a comédia.
Então, lá vai.
Aconteceu quando fomos à Ucrânia e visitamos Chernobyl.
Falando nisso, alguém já esteve em Chernobyl?
Só aquela mulher ali.
Segurando a terceira mão.
É um lugar terrível,
o local do pior desastre nuclear da história da humanidade.
Desabitado agora, exceto pelas matilhas de cães selvagens,
mas, estranhamente, agora também é um destino turístico.
Diversão pra toda a família.
Há uma loja de presentes e uma lanchonete em Chernobyl.
Uma lanchonete em Chernobyl, onde ninguém em sã consciência comeria.
Infelizmente, meu pai não está em sã consciência.
Entramos lá e estava cheia de turistas japoneses.
Uma hora, chego à frente da fila e pergunto: "O que tem no cardápio hoje?"
"Carne no pão."
"Obrigado, senhora.
Qual é a opção vegetariana?"
"Você tira a carne…
do pão."
Disse ao meu pai 100 vezes:
"Não coma a carne no pão." Ele ouviu? Porra nenhuma. Falou:
"Eu almocei todos os dias às 13h a vida toda,
hoje não será exceção. Vá procurar a carta de vinhos."
"Carta de vinhos? É uma lanchonete em Chernobyl. Não há carta de vinhos.
Mesmo que houvesse, é melhor nem chegar perto."
"O senhor gostaria de tinto, branco ou que brilha no escuro?"
"Tinto, por favor. Pode sugerir um bom ano?"
"Qualquer um antes de 1986."
Falei: "Pai, você não vai tomar vinho. Tome um copo de água."
Ele: "Não bebo água." "Por quê?" "Porque os peixes transam nela."
Ele não bebe água, mas come a "carne" misteriosa no pão.
Após 45 minutos, entramos em uma van com nossa equipe de filmagem.
Passamos pela zona de exclusão rumo a Pripyat,
pelas florestas desertas, o lugar mais tóxico e radioativo da Terra.
Quando, de repente, meu pai se vira pra mim e sussurra no meu ouvido:
"Jack, preciso ir ao banheiro."
Olho pra ele, que não parece nada bem.
Sério, não o vi tão vermelho assim
desde que contei que havia uma Copa do Mundo de Mulheres.
Falei: "Pai, você não pode ir ao banheiro, perdeu a chance,
estamos onde Judas perdeu as botas."
Ele agarrou meu braço e, numa voz em que parecia
ter sido possuído por um demônio, disse: "Pare a van!"
Nunca vi meu pai fazer atividade física em toda a vida.
Ele abriu a porta da van
e correu pra floresta como se fosse a porra do Usain Bolt.
Virei pra equipe de filmagem e disse: "Escondam-se atrás da van,
vou cuidar disso."
Segui meu pai até a floresta, passando por umas placas:
"Perigo, não entre", "Radiação".
Sempre dizem pra não tocar nada em Chernobyl
ou se apoiar em qualquer superfície por risco de envenenamento por radiação.
Portanto, quando entro na floresta, fica muito claro rapidamente
que o único jeito de meu pai de 79 anos
conseguir se aliviar na floresta
será com a minha ajuda.
Podem fazer careta, mas eu tive que viver essa experiência.
Meu pai abaixa as calças do terno,
eu pego as duas mãos dele,
piso nos pés dele
e, ao mesmo tempo, começamos a inclinar devagar,
como se estivéssemos fazendo uma pose de ioga tântrica horrível.
Não posso olhar pra ele, tenho que pensar em algo feliz.
Começo a cantarolar. Sou trazido de volta à realidade
pelo som de latidos. Abro os olhos. Um dos cães selvagens e radioativos
está avançando na direção do meu pai, pensando: "Hora do almoço!".
Eu tento afugentá-lo: "Chispa. Nos deixe em paz."
Meu pai também grita: "Isso é tão indigno, porra."
Acho que, quando a excursão de turistas japoneses passou,
devo ter tido amnésia.
Essa não é a faceta do meu pai que quero ver.
A próxima coisa que lembro é recuperar a consciência, andar pra van,
pensando: "Nunca mais poderei olhar nos olhos do meu pai."
Chamei a equipe de filmagem do esconderijo.
Primeiro o diretor, depois o câmera.
O terceiro a aparecer foi Marc, nosso engenheiro de som.
Ele também tinha um olhar assombrado.
Foi nesse momento que percebi que, durante toda a provação na floresta,
estávamos usando microfones.
Então, como se não pudesse piorar,
ouvimos barulho de pneus no cascalho, e um veículo blindado para.
Desse veículo blindado, saem três membros armados
da polícia militar ucraniana.
Eles avaliam a cena, veem o rosto pálido do meu pai,
veem as placas que ignoramos completamente
e veem o local
da segunda pior chuva nuclear de Chernobyl.
Eles não parecem muito felizes.
Nessa hora, pensei rápido e disse:
"Senhores, antes que digam qualquer coisa, posso apenas salientar
que li todas as placas aqui e, em nenhum lugar, vejo uma que diga:
"Evite entrar na floresta com diarreia ativa."
Wembley, vocês foram incríveis!
Muito obrigado! Sou Jack Whitehall, tenham uma boa noite.
Não sei por que está com esse sorriso malicioso, porra.
Viemos parar no hospital em Chernobyl.
Parece que estou sendo besuntado pro Natal.
2 HORAS DEPOIS
Por que estão enfileirados? Você não é o príncipe Charles.
Gostaria de agradecer a todos por cuidarem de mim tão bem.
Sempre terei boas lembranças deste hospital
e de vocês três por cuidarem de mim.
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi
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