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Mem�rias de uma mulher de prazer.
As pessoas v�m dizendo coisas sobre mim.
Algumas n�o muito agrad�veis.
Mas agora... vou contar como tudo realmente aconteceu.
Minha verdadeira hist�ria.
Eu nasci em uma pequena vila, de pais pobres, mas honestos.
Cresci como filha �nica, mas muito feliz.
Todos diziam como eu era bela, embora fosse uma boa menina.
E ent�o o pior dos males se abateu sobre mim.
Meus pais foram consumidos pela var�ola.
Fanny Hill?
Sim, senhora, pois n�o?
N�o me reconhece, Fanny?
Esther Davis! Costum�vamos brincar juntas.
Estou fazendo uma pequena visita.
N�o a reconheci, Esther.
Afinal, est� t�o bonita agora!
Sinto pela sua perda, Fanny.
O que pensa em fazer agora?
Para dizer a verdade, Esther, n�o sei o que devo fazer.
Vou te dizer uma coisa:
Que tal me acompanhar at� Londres para fazer sua fortuna?
Ganho muito bem como aia e servindo cavalheiros, por que n�o voc�?
O servi�o ser� muito dif�cil, Esther?
Bem, ser servi�al pode ser bem duro...
mas para uma menina bonita e bem-educada como voc�
acho que voc� consegue uma boa posi��o e pode se dar muito bem tamb�m!
Como posso me dar bem?
Sendo uma boa menina e atendendo aos desejos do seu amo!
Sendo humilde, respeitosa... e preservando sua virtude.
Pode at� conseguir se casar com seu amo!
E ele vai vesti-la com as mais finas sedas...
Conhe�o algumas j� fizeram isso.
E nenhuma t�o bonita quanto voc�.
Minha cara jovem, se me permite colocar em palavras...
Sim senhor?
N�o devemos ser virtuosos para obter recompensas terrenas
Esse n�o � o caminho da verdade!
Mas n�o � o que voc�s nos obrigam a fazer, senhor?
Nos deitar e deixar que cavalheiros tomem liberdades para conosco?
Esther me deu os melhores conselhos e sua prote��o.
Ao mesmo tempo, ela cobrou por seus servi�os
me fazendo pagar pelos custos de nossa viagem.
O que fiz, alegremente.
Cidade de Londres!
Fiquei t�o animada com o barulho, a pressa, as pessoas...
Achei que, depois de tanto sofrimento, encontraria fortuna e felicidade l�.
Por�m, Esther n�o me deu tempo para descanso
e me levou direto ao escrit�rio de informa��es.
Venha!
Que lugar � esse, Esther?
A ag�ncia de empregos, onde vamos para procurar por vagas.
N�o tenho experi�ncia!
N�o tem import�ncia.
Voc� vai longe do jeito que �.
Fique l� com as outras meninas que eu vou ver se consigo te recomendar
Oh, mas que sorte, a sra. Brown est� aqui!
- Quem � a sra. Brown? - Olha l�.
Ela � uma senhora gentil e famosa
uma garota seria sortuda se conseguisse uma vaga com ela.
Espere ali que eu vou l� falar com ela.
Sra. Brown!
Esther Davis! Como vai?
Folgo em dizer que vou muito bem, senhora.
Procurando por uma vaga, n�o �?
De fato, n�o, senhora. Estou muito bem posicionada onde estou.
Mas... trouxe-lhe um pequeno tesouro l� do campo.
Olha l�.
Oh, meu Senhor! Voc� sabe escolher, Esther, tenho que reconhecer.
Vou falar com ela.
Com licen�a, senhora?
Eu a trouxe l� de Lancashire, e ela n�o pagou um centavo.
Assim que a vi, pensei: "A sra. Brown...
V�, Esther, me d� sua m�o.
Muito obrigada, senhora.
Fanny!
A sra. Brown, que lhe falei.
Deixo-a agora, Fanny.
Devo voltar ao meu trabalho, devem estar preocupados comigo.
- Quando a verei, Esther? - Logo, logo, ouso dizer.
Comporte-se!
Ent�o, senhorita, n�o se assuste! Fanny, n�o �?
Sim, senhora. Francis Hill, mas me chamam de Fanny.
Sei que n�o sou robusta mas n�o tenho medo de trabalho �rduo.
Estou certa de que n�o, querida.
Mas tenho gente suficiente para o trabalho pesado.
O que estou procurando hoje � uma mo�a bonita e bem-educada
apresent�vel o bastante para servir os cavalheiros.
Agora, tire o seu chap�u.
Isso mesmo.
Sacuda seus cachos.
Muito bonito.
Oh, sim, sim, muito doce.
- Bem saud�vel. - Obrigada, senhora.
Gostei de voc�, Fanny. Acho que vai me servir muito bem.
Ent�o, o que me diz? Quer vir comigo?
Sim, se quiser, senhora!
Mas que coisinha doce voc� �, com certeza!
Fresca como uma florzinha.
Acho que serei muito feliz com voc�.
Obrigada, a senhora � muito gentil.
As minhas filhas cresceram e foram embora
e agora tenho que me contentar com minhas "sobrinhas", como as chamo.
Voc� acha que gostaria de ser uma das minhas "sobrinhas"?
Sim, me agrada, senhora.
Oh, bom, ent�o � isso!
Sou s� eu.
Leve as malas de Fanny para cima, Susan.
Ela vem morar conosco, � minha nova "sobrinha".
A sra. Brown tem muitas "sobrinhas", Fanny.
Fa�a seu trabalho, Susan, e segure sua l�ngua.
Diga a Phoebe para nos encontrar na sala.
- Oh, n�o, me largue! - Eu pago pela hora.
N�o, n�o farei, � tarde, bom dia, feras.
Ops, desculpe-me, senhora.
Muito bem, Emma.
Eles est�o indo para St. George com Audrey, senhora
e eu disse que n�o iria, e eles disseram que iriam me obrigar a ir...
Oh, venha aqui!
Suas palavras n�o significaram nada para mim
porque eu estava em uma casa bela e bem mobiliada... ou assim me parecia.
Achei que estava em uma fam�lia de reputa��o, e que tinha muita sorte!
Sente-se, meu amor.
Deve estar cansada at� a alma depois de tanta viagem!
Coma bastante, e Phoebe lhe mostrar� onde voc� vai dormir.
Oh, a� vem ela agora.
Oh, sra. Brown, mas que beleza!
Fanny Hill, rec�m-chegada do campo.
Gostaria de dividir o quarto com ela, Phoebe?
Oh, muito, senhora, devo dizer!
Venha me dar um beijo, minha querida!
Pronto! Agora somos melhores amigas!
- Oh, meu amor! - Vamos, Fanny, beba, querida!
Fanny estava pensando se poderia servir os cavalheiros, Phoebe.
Gostaria disso, Fanny?
Acho que voc� faria os cavalheiros muito felizes, depois de um treinamento.
Deixo todas minhas meninas novas nas m�os de Phoebe.
Ela vai educ�-la e cuidar de voc�, tem um dom natural para isso.
E a voca��o...
Oh, Deus a aben�oe, creio que ela j� esteja pronta para a sua cama.
Leve-a para o quarto, Phoebe, e deixe-a confort�vel.
N�o h� trabalho para eu fazer esta noite, senhora?
N�o, Deus a aben�oe! Phoebe far� o que precisa ser feito.
Esperarei por voc�. E bons sonhos para as duas.
N�o precisa ficar com vergonha, querida.
Afinal de contas somos todas iguais.
Venha, deixe-me ajud�-la.
Oh, mas voc� � mesmo uma do�ura.
Pronto, vamos.
Que confort�vel.
Vamos ser melhores amigas, Fanny?
Sim, muito me agrada.
Me d� um beijo ent�o.
Entendo.
E outro.
Agora, pela terceira vez, melhores amigas.
Oh, a sua cara!
- Ningu�m nunca disse que � assim que melhores amigas se beijam? - N�o!
Voc� gostou, Fanny?
Sim.
E voc� pode ter quantos beijos quiser.
Nunca beijou um rapaz, Fanny?
N�o.
Gostaria de faz�-lo, tamb�m?
Sim, talvez.
Acho que eles gostariam, tamb�m.
Uma coisinha t�o ador�vel como voc�!
O que est� fazendo, Phoebe?
Fazendo-lhe um carinho, querida.
Um pouquinho, para voc� dormir.
Quase fico envergonhada em dizer que nunca pensei em impedi-la
mas ficar deitada e passiva, como ela esperava
E suas liberdades n�o despertaram em mim nenhum sentimento a n�o ser
um estranho e, at� ent�o, desconhecido prazer.
Bem, o que eu devia ter feito? O que voc� me obrigaria a fazer?
Correr gritando at� a sra. Brown?
Eu estava sozinha no mundo.
Phoebe era am�vel e gentil comigo.
Quem pode dizer que est�vamos fazendo algo de errado?
Al�m do mais, creio que Deus fez nossos corpos para nos dar prazer.
Oh, Phoebe!
Oh, coisinha mais ador�vel!
Ent�o dei meu primeiro tributo de virgindade � V�nus.
Bem, senhorita, que horas s�o essas para ainda estar na cama?
Oh, sra. Brown, humildemente pe�o seu perd�o, acho que dormi demais.
Fique onde est�, querida. Claro que estava s� brincando com voc�.
Phoebe me disse que ficou muito satisfeita com voc� noite passada
e voc� tamb�m com ela, creio eu.
Esque�a isso. Gosto que minhas meninas se d�em bem.
Phoebe me disse que voc� � muito afetuosa.
Os cavalheiros ficar�o muito satisfeitos com isso.
De fato, querida, h� um belo cavalheiro que deseja conhec�-la.
Mas, primeiro...
Devemos educ�-la e torn�-la apropriada para a sociedade.
Phoebe.
Imagine minha alegria em me desfazer de minhas roupas campesinas
e ter a Phoebe para me vestir com tanto cuidado.
Senti-me como uma princesa!
Pronto!
O cavalheiro que sra. Brown disse que queria conhec�-la vem tomar ch� hoje.
Se voc� o agradar, pode conseguir um marido rico!
O que acha disso, Fanny?
N�o sei, n�o pensei que j� devia procurar um marido.
Bem, cavalheiros hoje em dia n�o s�o muito jovens...
Ele � muito jovem, Phoebe?
N�o, n�o "muito" jovem. Mas � um cavalheiro muito fino.
- Ele � belo? - Belo?
N�o diria que � exatamente bonito... mas ele tem um qu�, entende?
E est� muito ansioso por conhecer voc�!
Venha comigo e veja o que acha dele, hein?
A� est� voc�, Fanny!
Quero que conhe�a meu caro primo, sr. Crofts
que est� ansioso por v�-la!
Ela n�o � uma beleza, sr. Crofts?
Muito bela, muito bela.
Venha aqui, minha querida.
Pronto. Ent�o voc� acaba de chegar do campo, n�o �, Fanny?
Inocente como no dia em que nasceu.
Est� garantido, endossado e selado, senhor.
O artigo genu�no.
Phoebe!
Garanto que vai ach�-la t�o intocada quanto o cadeado do Tesouro Nacional.
Marcar� uma hora para ter uma conversinha conosco, senhor?
N�o, agora. Agora!
Ent�o, que lhe parece, Fanny? Gostou dele?
Nem um pouco. Ele � velho! E seu h�lito cheira muito mal.
E n�o gosto da forma que olha para mim.
Aconselho que espere um pouco, senhor.
Ela ainda n�o foi educada, pode ficar aterrorizada!
Vou me arriscar.
Ele � muito encantador quando passa a conhec�-lo.
Tudo o que ele quer � falar com voc� um pouco.
Sente-se aqui um instante.
Um tesourinho como esse?
N�o posso acomod�-lo por menos de 150 guin�us!
100, nenhum centavo a nada mais.
N�o quero pechinchar com o senhor, sr. Crofts.
Que me diz de 50 para uma amostra, e outros 100 para ficar o dia inteiro?
Fechado.
Seja muito gentil com ela, senhor.
Nunca vi ovelhinha mais inocente.
Seja muito am�vel e gentil com ela, lhe imploro.
Ela nunca viu um homem sem ceroulas.
Que dir� um monstro como o seu, sr. Crofts.
Pode parar com isso, ela � do campo.
Ela j� viu bodes, touros e garanh�es, n�o viu?
Aqui, e deixe o cachorro ver a lebre.
Vamos deix�-la um pouco com o sr. Crofts, Fanny.
Estou certa que o ir� entreter muito bem.
Pode fazer isso por mim, Fanny?
- Se deseja, senhora... - Boa menina! � isso. Venha, Phoebe.
Isso acabar� em l�grimas...
Aceita um ch�, senhor?
N�o, nada de ch�. N�o vim aqui para tomar ch�.
Chega para l�, deixe-me sentar ao seu lado.
Isso mesmo.
Agora, vamos ver o tamanho desses seios cor-de-rosa!
N�o, senhor, por favor, n�o seja rude, senhor!
Calma, crian�a, n�o precisa exagerar no seu papel!
Pronto.
Oh, sim, muito doce, muito bom, muito digno.
Nunca tocado pela m�o de um homem!
Por favor, senhor, n�o!
Seja uma boa menina e ser� bem recompensada!
N�o, eu lhe imploro, senhor!
N�o, n�o, senhor, pare! Eu lhe imploro, o senhor est� me violando!
Abra a porta, abra a porta, porquinho!
Vai me deixar entrar?
N�o, por favor, senhor! Ajude-me, sra. Brown!
Esque�a a sra. Brown. Abra as pernas, sua est�pida!
Saia de cima de mim, seu velho nojento!
Socorro! Socorro!
Socorro!
Est� morto, senhor?
N�o! N�o estou morto.
Mas bem poderia estar.
Isso � sua culpa, coquete ati�adora!
Fecha as pernas a ponto do homem n�o conseguir mais se segurar!
N�o sei do que est� falando, senhor!
Quero meu dinheiro de volta!
Vou contar tudo para a sra. Brown. Sra. Brown! Sra. Brown!
Oh, querida, qual o problema?
Oh, venha aqui, minha querida. Ele foi rude com voc�?
Ele estava em cima de mim como uma fera louca, Phoebe!
Sr. Crofts, estou perplexa! N�o disse para ser gentil com ela?
Ser gentil? Ela nem me deixou entrar!
N�o dei 50 guin�us para gastar nas minhas pr�prias cal�as
quero meu dinheiro de volta!
Vamos discutir isso em particular, faz favor.
Tome uma ta�a de vinho, meu amor, vai acalmar seus nervos.
Besta defloradora, t�o duro e t�o grosseiro!
Ele n�o volta mais aqui, tenha certeza disso.
Eu disse � senhora.
Bem, n�o houve dano, afinal.
Ele n�o a feriu, n�o �, meu amor? N�o falemos mais nisso.
De fato, pelo que ele disse, voc� o feriu mais do que ele a voc�.
Batendo nas partes dele!
Voc� lhe deu uma bela briga!
Dei mesmo, n�o foi?
E foi bem-feito, velho diabo.
Tratando uma menina inocente daquele jeito.
Vamos brindar � dana��o dele!
Eu sei! Como pude ser t�o ing�nua?
Mas elas me ensinaram e me mimaram tanto que me senti a pr�pria hero�na.
Me deram a entender que a casa da sra. Brown
era uma esp�cie de bar para cavalheiros
onde os homens podiam ser livres e encontrar suas adoradas l�.
Eu achava que eles tomavam muitas liberdades com as outras mo�as
embora eles me usassem com muita delicadeza.
N�o se assuste.
N�o h� o que temer de mim.
Como lhe chamam?
Fanny, senhor, � um prazer.
Voc� me agrada, Fanny.
Nunca a vi aqui antes.
Cheguei h� uma semana de Lancashire.
Lancashire? � bem longe.
Suponho que tenha deixado cora��es partidos para tr�s.
N�o, senhor, n�o creio.
Interpreta a "donzela inocente" muito bem, Fanny.
Eu sou uma donzela inocente, senhor!
Quero dizer...
Inocente ou n�o, n�o faz diferen�a.
Acredito em voc�, Fanny.
Me pergunto...
Percebe o lugar perverso em que se meteu?
E o que voc� vai se tornar aqui?
N�o, de fato, senhor, aqui n�o � um lugar perverso!
A sra. Brown e todas t�m sido muito am�veis.
Houve um velho nojento que quis ser rude comigo
e a sra. Brown o mandou embora daqui!
Fico feliz em ouvir isso.
Mas, sabe, outros vir�o.
E, cedo ou tarde... bem... toda donzela acaba nisso, cedo ou tarde.
Quando eu acabar nisso, como o senhor chama
ser� com o meu adorado, e mais ningu�m!
Oh, ent�o voc� tem um adorado, n�o �?
Ainda n�o, senhor.
Oh, Fanny. Voc� quase quebrou meu cora��o.
Felizmente, n�o tenho interesse em quebrar o seu.
N�o sei do que est� falando, senhor.
Sua inoc�ncia... o fim dela se aproxima.
Mas n�o pelas minhas m�os.
Prefiro jovens que j� tenham aprendido alguma coisa na vida,
li��es amargas.
Talvez quando nos encontramos novamente, um dia.
E agora... desejo-lhe boa noite e boa sorte.
Oh, Fanny, pensamos que voc� tinha feito uma conquista!
Eu n�o, certamente... que cavalheiro estranho!
Ele � um cavalheiro muito rico, Fanny.
E muito seletivo.
Toda garota que ele escolhe pode se considerar sortuda, est� com a vida ganha.
O que ele queria?
N�o sei.
Fanny, voc� � t�o inocente!
Ela me disse...
O qu�? Voc� nunca viu ser feito antes?
O qu�? N�o me provoquem!
N�o estamos lhe provocando, Fanny.
Gostaria de ver a sra. Brown com o seu adorado?
A sra. Brown tem mesmo um adorado?
E mais de um. Mas ela gosta mais do soldado!
A� vem eles.
Viu, Fanny, venha aqui.
Ela � uma velha muito alegre, n�o, Fanny?
Ele est� de m�os cheias... j� viu um par como esse?
E agora, o caso principal.
Oh, Senhor, mas que vis�o! Ele n�o tem como errar o alvo!
Se ele se virasse para nos encarar!
Vamos, nos d� uma olhadinha! � para a educa��o da menina!
Miau!
Mas que lan�a!
� t�o grande!
Precisa ser, Fanny, para uma largura dessas...
Agora, chegue mais perto, para ver aonde tudo vai.
Fanny, isso n�o te faz sentir uma quentura?
E ent�o a vis�o da sra. Brown e seu amante
deu o �ltimo brilho a minha inoc�ncia.
Embora eu n�o tenha ficado atra�da pelo soldado
desejei saber como era deitar com um homem.
O que est� acontecendo?
Oh, j� entendi.
N�o fique brava comigo, Phoebe.
Susan e Emma, v�o para a recep��o.
H� um grupo de jovens que acabou de chegar.
E quanto a voc�, minha cara, j� passou da hora de ir para a cama.
Deixe-a ir conosco, Phoebe, vamos cuidar dela.
Sei de quem vai cuidar, Susan Johnson!
E voc� tamb�m, mocinha.
Agora v�o indo, se n�o direi � senhora que a estavam espiando.
Oh! Oh! Assim mesmo! Oh, sim! Enfia! Enfia!
Posso espiar para ver os cavalheiros, Phoebe?
Claro que n�o, ficar�o todos em cima de voc�.
Vamos, agora, vamos subir.
Senhora.
Permita-me me apresentar...
Est� no caminho errado, senhor. As damas est�o na sala de recep��o.
Mas eu quero conhecer esta jovem dama.
N�o, senhor, ela n�o � para o senhor nem para ningu�m, est� prometida.
Posso apenas sentar com ela, conversar e olhar em seus olhos?
Senhora, creio realmente que encontrei o amor da minha vida.
Como se chama?
N�o lhe interessa.
Fanny, senhor.
E agora boa noite, senhor!
H� muitas damas belas para os dois. Leve seu amigo, senhor.
Mas eu n�o quero mais ningu�m!
Estou apaixonado!
Fanny!
Venha, Fanny!
Fanny!
Ele parecia ser um jovem muito agrad�vel!
Mais apatetado do que uma doninha.
Achei que ele tinha um rosto meigo.
E tinha mesmo.
N�o � um bom jogo se ado�ar para este ou aquele. N�o nesta vida!
Temos que nos contentar com que nos � dado.
Por falar nisso, a sra. Brown est� arranjando para que voc� se encontre
um belo e jovem cavalheiro que chega na cidade na semana que vem.
Mas, e se eu n�o gostar dele?
� melhor gostar deste, Fanny.
Ou ent�o a sra. Brown pode ficar descontente.
Todas temos que come�ar em algum momento.
N�o posso escolher meu pr�prio amado?
Oh, Deus a aben�oe. N�o, isso n�o d� certo.
Veja, sra. Brown gastou muito dinheiro para te manter e te dar vestidos bonitos
Ela quer ter lucro com isso.
� plenamente razo�vel.
Ent�o o cavalheiro vai pagar � sra. Brown para ser meu amado?
� isso mesmo.
E para fazer o que o soldado fazia com a sra. Brown?
Isso mesmo!
E mais... para beij�-la, carici�-la cham�-la de seu docinho...
e para lhe dar presentes e dinheiro para gastar...
voc� � uma menina de muita sorte, Fanny.
Aquela coisa que o soldado tem...
Voc� gostou do que viu?
Era t�o grande Phoebe, e... parecia raivoso!
Ele era bem grande mesmo, se bem me lembro.
Bem... como uma coisa daquelas vai entrar dentro de mim?
Oh, voc� vai se surpreender, querida.
Essa coisinha linda entre suas pernas � um instrumento maravilhoso.
Depois de um tempo, vai desejar que eles sejam maiores do que s�o!
Mas vai doer, Phoebe?
Vai sim, um pouco.
Na primeira vez. Mas depois disso, nada mais al�m do prazer.
E essa coisinha linda... se usar direito, pode lhe trazer uma fortuna, Fanny!
Agora... seja uma boa menina, coloque sua m�o aqui...
vamos ver se conseguimos alcan�ar juntas.
Oh, a� mesmo, Fanny!
Minha cabe�a estava cheia das coisas que Phoebe havia me dito.
Esse seria o meu lar?
Esta seria a minha vida?
Menina querida...
Mas �...
Fanny!
Sim, senhor.
Pensei que tinha morrido e ido para o c�u!
Voc� � um anjo, Fanny?
N�o! Sou de carne e osso.
Mas est� dormindo aqui sozinho, senhor? Onde est� seu amigo?
Me deixou aqui quando eu disse que n�o queria outra a n�o ser voc�, Fanny!
Tomei vinho para afogar minhas m�goas e ent�o adormeci.
E agora estou feliz de ter feito isso!
Pode me dar um beijo, Fanny?
Sim, senhor... com prazer.
E ent�o podemos ir para a cama juntos, recuperar o tempo perdido?
N�o, certamente n�o posso!
Eu ficaria em apuros com a sra. Brown!
Mas por qu�? L�gico que eu lhe pagaria... E a ela tamb�m!
Estou prometida para outro cavalheiro, senhor.
Que pagou muito dinheiro � sra. Brown para tirar a minha virgindade.
Quer dizer... que... voc� � virgem?
Sim, senhor.
Oh, ent�o, por favor, perdoe minha ousadia!
Achei que fosse uma das meninas da casa.
E sou uma... pelo menos elas est�o me educando para ser uma delas.
De in�cio, n�o entendia nada daqui.
Se n�o fosse minha virgindade a me tornar especial
elas me deixariam fazer amor com qualquer homem que vier.
E vai gostar disso, Fanny?
Nem um pouco, creio eu. Mas as outras meninas parecem felizes
e n�o tenho para onde ir.
N�o gostaria de ser mantida por um homem s�, que a amasse
que a protegesse, e n�o deixasse que mais ningu�m a tivesse?
N�o sei... talvez eu gostaria.
Depende de quem ele seria...
E se fosse eu, Fanny?
Gostaria disso, ent�o?
Sim. Acho que sim!
Mas n�o ser� poss�vel! A sra. Brown n�o permitir�!
Fanny, o corpo � seu! N�o da sra. Brown.
Deve d�-lo a quem quiser.
Mas a sra. Brown e as pessoas daqui n�o v�em dessa maneira.
Devo ser boa para elas.
Ela nunca poderia sustentar isso perante um tribunal.
Fanny, pode confiar em mim?
E foge comigo?
Eu sequer sei o seu nome!
Meu nome � Charles. Charles Standing.
Meu pai � um comerciante da cidade
e minha mesada � o bastante para n�s dois nos sustentarmos.
No momento que vi seu rosto lindo, soube que n�o haveria outra garota para mim.
Voc� gosta mesmo de mim, n�o �, Fanny?
Bastante, at� agora. Mas n�o sabemos nada um sobre o outro.
Acho que sabemos o que precisamos saber.
Apaixonei-me por voc� no momento em que a vi.
Fuja comigo!
Tudo bem! Eu vou.
E ent�o, o que acha disso?
Da frigideira direto para o fogo.
Sabia muito pouco do risco que estava correndo.
Ele mesmo podia ser um rufi�o com um est�bulo cheio de mulheres de aluguel.
Mas acho que n�o, voc� acha?
Todos identificamos um tolo inocente quando vemos um.
E ele era muito belo!
Venha aqui, querida.
Quem est� a�?
� voc�, Fanny?
Volte j� pra c�, sua ingrata...
Amy! Saia! Venha j� aqui!
Eu vou ach�-la, Fanny!
Voc� � minha, Fanny Hill!
E ent�o eu comecei uma vida nova.
Ent�o... querem um quarto para casal, n�o �?
Sim, exatamente, sra. Jones.
Est�o casados h� muito tempo?
Hum... n�o.
N�o faz muito tempo.
N�o. Bem, para mim, parecem um jovem casal respeit�vel.
Oh, certamente que somos. Mas... ficar�amos gratos se fosse discreta.
Oh, sou muito discreta.
Ainda n�o anunciamos o casamento.
Fam�lias, sabe como �...
Problemas entre as fam�lias.
Estamos mantendo em segredo at� as fam�lias se reconciliarem.
Mas devem saber que esta � uma pens�o muito respeit�vel...
e o segundo andar � para um cavalheiro da embaixada italiana e sua dama.
Pessoas muito boas e quietas. N�o ouvir�o nada deles.
Exceto que ela canta um pouco de manh�.
�rias e outras coisas. Ela � italiana, entendem.
Mas voc� parece ser uma jovem agrad�vel e quieta, sra. Standing.
Obrigada, senhora.
Meio guin�u por semana, por este quarto e um closet.
Eu mesma vou servi-los.
Lavanderia e outros servi�os devem ser solicitados, s�o extras
Isso � satisfat�rio?
Muito, sra. Jones.
H� mais alguma coisa que precisem no momento, senhor?
Oh, hum... n�o, creio que n�o, sra. Jones.
Bem, ent�o vou deix�-los se acomodarem.
Obrigado, sra. Jones.
Gosto de manter minha casa bem quieta, sr. Standing.
� exatamente como a desejo, sra. Jones.
Vamos... Fanny?
Tem certeza de que quer experimentar?
Sim. Phoebe disse que doeria um pouco.
S� na primeira vez.
Serei muito delicado com voc�.
Voc� n�o vai se despir tamb�m?
Vou ajud�-lo como voc� me ajudou.
Oh, sua pele � t�o macia e suave!
Seu cheiro � t�o doce!
Fanny...
- Fanny... - Ai!
- Desculpe. Talvez se eu... - Ai!
- Devo parar? - N�o. Continue. Continue!
Posso aguentar... ai!
Fanny... estou te machucando!
N�o! N�o, estou bem! Se voc� ficasse parado um pouco...
N�o consigo!
Oh, Deus!
Oh, Fanny...
Bem, como foi a sua primeira vez?
Um para�so de sentidos e prazer?
Bem que achei que n�o.
Mas... eu realmente amei meu doce e inocente Charles.
� primeira vista, imagino.
E assim que minhas feridas melhoraram
com a aplica��o de um ung�ento e v�rias ta�as de vinho do porto
tentamos novamente... com muito mais sucesso!
Que sensa��o extasiante, que prazer agonizante!
Palavras n�o fazem justi�a, n�o �?
N�o saimos do quarto por tr�s dias.
Que garota de sorte eu sou!
Agora, Fanny... o que gostaria de fazer hoje?
Tudo o que quiser.
Bem, por mais ador�vel que voc� seja, sem tirar nem por
irretocavelmente bela!
Acho que devemos visitar as lojas e comprar-lhe um vestido.
O que acha disso?
Flores para a dama!
Quer um desses, Fanny?
- S�rio? - Mas � claro.
Mas e sua mesada?
Garanto que, quando meu pai a vir, ir� dobrar a mesada.
Vamos entrar.
Se voc� nunca teve um...
Bom dia, senhor. Senhora. O que desejam hoje?
Esther? � voc�?
Fanny Hill! N�o reconheci.
Ent�o trabalha aqui, n�o �? Pensei que fosse aia.
Sempre gostei de chapelaria.
Este � meu marido, Esther.
Oh. Prazer em conhec�-lo, senhor.
Igualmente, senhora.
Esther e eu nos conhecemos desde crian�as.
Esther... aquela mulher que voc� me levou me colocou em um lugar ruim.
N�o!
Oh, Fanny!
Mas parece que fez muito bem em sair de l�.
Bom dia, senhor. Bom dia, senhora.
Oh, sra. Cole. Esta � minha amiga de escola, Fanny.
Lembra-se que falei dela?
Creio que sim. Mas nunca me disse como ela � bela!
Muito feliz em conhec�-la, senhora.
Espero que minha Esther tenha cuidado bem de voc�s.
Sim, obrigado, senhora.
H� algum que goste, senhor?
Esther o conduzir�.
Por aqui, senhor. Adeus, Fanny. Adeus, senhor.
Esther, eu esperava que...
Vamos ver se h� algo na loja que combine com este rosto ador�vel.
Fanny Hill! Olhe para ela!
Essa safada ingrata! Pegue-a, Phoebe. Voc� vai voltar comigo!
- Voc� est� aqui! Ainda te amo, sua boba. - Me larga!
Vamos, Fanny, lembre de como nos divertimos juntas!
Esta dama � minha leg�tima esposa!
Oh! Ent�o � assim que �!
Bem, senhor, se a quer, trate de me pagar uma indeniza��o pelo que gastei nela.
Ouso dizer que 200 guin�us cobrem tudo.
Mas � muita petul�ncia. Deveria se envergonhar!
Pagar-lhe uma indeniza��o?
Fui bom o bastante em n�o acus�-la perante o magistrado.
Como cafetina e corruptora de donzelas inocentes!
Venha, Phoebe.
- Meu her�i corajoso! - Fui corajoso mesmo, n�o?
N�o que eu pudesse pag�-la... gastei a mesada no chap�u.
Corajoso... e gentil... e belo... e meigo... e bondoso.
E sem um centavo.
Est�vamos sem um centavo... ou quase isso.
Mas �ramos jovens e est�vamos apaixonados
e eu era simpl�ria o bastante para pensar que pod�amos viver de amor.
Charles era o universo para mim.
Era uma �poca t�o feliz...
cada dia uma nova fonte de alegria.
Ent�o os dias viraram semanas e meses...
Fanny?
Hoje n�s vamos visitar o meu pai.
- H� algo que preciso pedir a ele. - O qu�?
O consentimento dele ao nosso casamento.
Quer se casar comigo?
Oh, sim!
Charles, meu filho!
Que diabo de truque � esse?
N�o compreendo, senhor. Que quer dizer?
Trouxe essa rameira aqui para rir-se de mim?
Rameira? De fato, senhor, est� enganado. Esta � Fanny Hill.
Minha amada.
Ah! � esse nome mesmo. Fanny Hill!
Uma rameira maldita e fraudulenta!
Digo-lhe, senhor, que ela n�o �!
Fanny, devo desculpar-me pelo comportamento do meu pai.
O diabo com as suas desculpas, ela � uma prostituta, senhor!
E voc� a achou num bordel, n�o foi, senhor?
Isso n�o � importante, senhor.
N�o � importante? Eu te digo o que � importante.
Voc� foi se esbaldar num bordel, levou uma para casa
e pensou em inseri-la na fam�lia.
Ou encontrou-a na rua e ela se passou por uma donzela do campo.
Qual das duas hist�rias? Voc� � ing�nuo ou tolo?
Nenhum dos dois, senhor.
Digo que � um dos dois!
Vamos, mocinha, voc� � uma prostitutazinha ardilosa, n�o?
N�o, senhor, n�o sou e nunca fui como sei que o senhor sabe muito bem!
O que � isso? Fanny, j� conhecia o meu pai?
Ele � quem deve dizer. J� nos conhecemos antes, senhor?
N�o tente me chantagear e me encurralar, mocinha.
Eu sei o que sei e isso basta.
E eu sei o que sei tamb�m, senhor. Quer que o seu filho ou�a?
Saiam da minha casa, os dois!
Pai, eu lhe imploro...
estou certo de que podemos esclarecer este mal-entendido.
N�o h� nenhum mal-entendido. Voc� foi enfeiti�ado por uma vadia!
Livre-se dela ou jamais ver� a cor do meu dinheiro novamente.
N�o, senhor, n�o o farei.
Eu a amo e ela ser� minha esposa. Com ou sem sua permiss�o.
Ent�o v�o e danem-se!
Muito bem, senhor.
Venha, Fanny.
E tudo que ela disser sobre mim s�o mentiras!
Maldita prostitutazinha!
Lamento muito que voc� tenha sido submetida a tais insultos.
Se n�o fosse meu pr�prio pai, o teria desafiado e matado!
Palavras n�o podem me ferir, Charles.
Mas lamento ver voc� brigando com seu pai.
Como ele p�de tom�-la por prostituta?
Ele estava enganado.
N�o, ele a reconheceu. De onde ele a conhece, Fanny?
Suponho que me viu entrando no lugar e sabia que l� � um bordel.
N�o, foi mais do que isso.
Voc� disse que podia dizer o que sabia dele.
O que sabe dele? Diga-me a verdade, Fanny.
N�o devemos ter segredos!
O que quer que seja, n�o ficarei bravo com voc�!
Disseram que o nome dele era sr. Crofts.
Sim. E?
Ele pagou a sra. Brown 50 guin�us para tirar minha virgindade. Eu o recusei!
O bode velho! Ent�o consegui por amor o que ele n�o conseguiu por dinheiro.
N�o me admira que ele estivesse bravo!
Mas voc� n�o est� bravo?
Como poderia estar bravo com voc�?
Vamos encontrar um meio de sobreviver.
Boa tarde. Se posso incomod�-lo pelo aluguel, sr. Standing...
deixamos passar uma ou duas semanas, n�o �?
� mesmo? Obrigado por lembrar-me, sra. Jones.
Resolverei isso em breve.
N�o vamos esquecer os extras.
O senhor vem pedido muito a lavanderia, sr. Standing.
- E entra no somat�rio. - Sim, sra. Jones. Em breve. Em breve!
Oh, muito bem, em breve, sr. Standing.
Sr. Standing!
- Vai ficar tudo bem... - Fanny!
Cada centavo que tenho vem de meu pai.
Ele nunca me educou para uma profiss�o.
N�o tenho nada, a n�o ser a mesada que ele me d�
e ela � dada na expectativa que eu assuma os neg�cios da fam�lia.
Isso me deixar� na ru�na!
Ent�o acho que deve voltar para ele.
Diga a ele que eu n�o lhe guardo rancor, e deixemos o passado no passado.
E diga a ele que voc� vai entrar nos neg�cios imediatamente
que aprender� e trabalhar� duro. Isso vai agrad�-lo.
E se voc� vacilava antes, agora tem a mim para o fortalecer.
Diga a ele isso!
E diga que ele tem um neto a caminho, Charlie.
Isso vai agrad�-lo.
Um neto?
Mas isso � verdade?
Acho que sim, Charlie.
- Sr. Standing! - Em breve, sra. Jones!
N�o � sobre o aluguel, sr. Standing, � uma mensagem urgente.
O mensageiro de seu pai esteve aqui.
Deve ir direto para a casa de seu pai,
ele diz que h� algo que lhe � vantajoso l�.
Pronto! Ele j� se arrependeu de sua aspereza!
Vou v�-lo imediatamente. E que not�cia tenho a lhe contar!
N�o me demoro.
Devo trazer uma bela ta�a de vinho?
N�o, obrigada, sra. Jones.
Bem, agora n�o quer saber de mim, n�o �, sra. Standing?
Sou eu.
Oh, querida! Sozinha no escuro?
- Trouxe-lhe a ceia. - Obrigada, sra. Jones.
Espero que n�o tenha havido um acidente.
Claro que n�o houve, sra. Jones.
Creio que ele e seu pai tenham muito o que conversar.
Sim, bem... mas n�o precisa se preocupar, minha cara.
Posso arranjar um jeito de descobrir se est� tudo bem.
Ent�o ele ainda n�o voltou? Espero que n�o tenha fugido.
Devo ir procur�-lo na casa do pai.
Acho que isso � s�bio, minha cara?
N�o me importo se � s�bio ou n�o.
Ele deve estar l� contra a vontade. Ele nunca me deixaria.
Estou gr�vida de um filho dele.
Pe�o para acompanh�-la.
Voltou, n�o �, mocinha? E trouxe sua cafetina aqui desta vez!
N�o h� nada que lhe interesse aqui, minha cara.
Imploro, senhor, para que n�o zombe de mim.
Vim perguntar-lhe se sabe onde Charles est�.
Sim, sei onde ele est�.
Est� num navio a caminho das �ndias Orientais, � onde Charles est�!
Ele decidiu se emendar e entrar nos neg�cios da fam�lia.
N�o acredito no senhor! Ele nunca me abandonaria por vontade pr�pria.
Por vontade pr�pria ou n�o, ele se foi, mocinha. E voc� nunca o ver� novamente!
Fanny!
Tire-a daqui. Saia voc� tamb�m. Retirem-se, as duas!
O que ela est� fazendo no ch�o?
Est� perdendo o seu neto, senhor, � o que est� fazendo!
N�o na minha casa. Tire-a j� daqui, antes que eu solte os cachorros.
Sra. Standing, vou ajud�-la.
Chega! Tire-a daqui! Tire-a daqui!
Bem... acordamos, finalmente!
Estava t�o mal que pensamos que hav�amos perdido voc�.
Realmente perdeu o beb�, � claro...
mas eu diria que foi uma ben��o disfar�ada, dadas as circunst�ncias.
E agora devemos pensar no que pode ser feito.
N�o tem um centavo, n�o �, querida? E tem uma conta gigantesca.
Com as refei��es, e a lavanderia, os r�m�dios, o botic�rio...
...e os meus cuidados que restabeleceram sua sa�de.
Estava imaginando o que voc� iria fazer a respeito disso.
Porque, se n�o puder pagar, � um caso para a pris�o de devedores.
Ent�o terei que ir para l�!
Meu cora��o est� partido e n�o me importo com que acontecer� comigo.
Sua tola, do que est� falando?
Me parte o cora��o ver algu�m t�o jovem em um lugar daqueles.
Com todos os bandidos de Londres a ca�ando e os carcereiros s�o ruins tamb�m.
Mulheres pobres entram l� e jamais saem, pelo resto de suas vidas!
Mas o que vou fazer? O que vou fazer?
Mesmo com a sa�de recuperada, eu estava consumida pela tristeza.
Perdi meu beb� e meu amado Charles.
Mal sa�a do quarto, com medo de ele voltar e eu perder sua chegada.
Fanny!
Chamei algu�m para v�-la.
Entre!
Lembro-me do senhor!
Fico feliz em sab�-lo.
Fanny Hill?
Que tal me acompanhar at� Londres para fazer sua fortuna?
O que estou procurando hoje � uma mo�a bonita e bem-educada
apresent�vel o bastante para servir os cavalheiros.
Seja uma boa menina e ser� bem recompensada!
Ent�o o cavalheiro vai pagar � sra. Brown para ser meu amado?
Talvez nos reencontraremos um dia.
Senhora, creio realmente que encontrei o amor da minha vida.
- Quer se casar comigo? - Oh, sim!
Saiam j� da minha casa, os dois!
- Todo meu dinheiro vem de meu pai. - Ent�o deve voltar para ele, Charlie.
Ele deve estar l� contra a vontade. Ele nunca me deixaria.
Estou gr�vida de um filho dele.
Est� num navio a caminho das �ndias Orientais, � onde Charles est�!
Mas o que eu vou fazer?
Lembro-me do senhor.
Fico feliz em sab�-lo.
Tempo... o grande consolador
come�ou a suavizar a intensidade do meu sofrimento
pela perda do meu amante e do meu beb�. Restaurei minha sa�de
e, embora desesperada, estava intrigada por este estranho
que voltava � minha vida.
Esta � minha proposta: pago suas d�vidas e a estabele�o aqui.
Com uma aia para voc� e um criado para lev�-la onde quiser.
Venho visit�-la duas ou tr�s vezes por semana, passar a noite com voc�.
O resto do tempo, disp�e como quiser. Mas n�o poder� ter outros amantes.
Viu, Fanny... que jovem de sorte voc� �!
E se eu recusar?
Seria uma m� escolha, minha querida.
Ent�o... eu aceito.
�timo. Creio que n�o ter� porque se arrepender, Fanny
- Desculpe, milady! - N�o me machucou.
Eu o conhecia apenas por "sr. H".
N�o sei seu nome verdadeiro.
Ele era um homem muito rico, irm�o de um conde.
Na primeira vez que me deitei com ele, n�o senti nada.
Estava muito chocada e triste.
Se algu�m me dissesse que estaria com outro homem al�m de Charles
teria cuspido em seu rosto.
Mas nossos v�cios e virtudes dependem muito das circunst�ncias.
Na segunda vez, ainda estava determinada a n�o sentir nada
tentando preservar uma esp�cie de fidelidade a Charles.
mas o sr. H era muito paciente e habilidoso comigo
e me envergonho em dizer que meu corpo me traiu.
E ent�o aprendi que os extremos do prazer sensual
nada tinham a ver com amor verdadeiro.
Uma li��o cruel para uma menina com uma disposi��o rom�ntica
mas creio que muitas mulheres fizeram esta descoberta agridoce.
Agora... eu estava realmente aprendendo a virar uma mulher de prazer.
Suponho que teve muitas mulheres na sua �poca.
Tive, Fanny, mas nenhuma t�o deliciosa quanto voc�.
Sabe que n�o o amo, e nunca amarei...
meu amor pertence a meu marido.
- Eu sei disso. - Te deixa bravo?
Me diverte, Fanny, poder fazer tudo com seu corpo...
e, ainda sim, n�o ter seu cora��o.
Acha que sou muito perversa?
De forma alguma. Voc� � o que �, e isso me agrada.
Voc� � exatamente como eu desejaria que fosse.
Voc� me ensinaria coisas?
Pensei que j� a tivesse ensinado uma coisa ou outra, Fanny.
N�o, n�o esse tipo de coisa.
Digo, as coisas que os cavalheiros sabem.
Como... poesia, Hist�ria, m�sica, orat�ria.
Por que quer aprender essas coisas?
Para ser uma melhor companhia para voc�.
E para o bem de todos n�s.
Pensei que as jovens s� se interessassem por finas sedas e j�ias.
Pode me dar isso tamb�m, se quiser.
Voc� ter� a ambos.
E, nos meses seguintes, ele manteve sua palavra.
"Eles que podem magoar, mas n�o".
"Eles que podem magoar, mas n�o".
- Magoar. - Magoar.
"n�o fazem coisas neles evidentes".
"que movem outros e em si mesmos s�o de pedra"
- Im�veis - Im�veis
"im�veis, frios, reticentes,"
"herdam gra�as do c�u, poupam primores"
"da Natura a desgaste e decad�ncia,"
"de suas faces donos e senhores."
"Outros s�o servos s� dessa excel�ncia."
Deus me ajude, mas eu te amo, Fanny!
Ent�o sabe como � isso, estar com seu corpo, mas n�o com seu cora��o.
Pensei que isso o divertia.
N�o mais, Fanny.
N�o mais.
Mesmo com sua generosidade, seus talentos consider�veis e seus presentes
eu n�o conseguia lhe oferecer o amor que ele dedicava a mim.
No que meu corpo agora permitia, meu cora��o permanecia fiel a um outro.
Charles estava sempre em meus pensamentos.
Eu ia aos locais que visitamos juntos como uma esp�cie de peregrina.
E, �s vezes, at� achava que o estava vendo na rua.
Obrigada, William.
- Oh, senhorita! - O que foi, William?
N�o � nada, srta.
Oh, senhorita!
Como p�de?
Uma vontade passageira.
Um al�vio ligeiro ao meu tormento, Fanny.
Me surpreende que esteja brava.
N�o sente nada por mim, n�o pode estar com ci�mes.
Mas eu estava. Ou melhor, furiosa por ele ter me tratado com tanto desd�m.
Resolvi ter uma pequena vingan�a.
William!
Pois n�o, senhorita?
Oh, William, estou com c�ibra na perna! Feche a porta e venha aqui.
O que devo fazer, senhorita?
Ora, esfregue, William, o que mais? Tire meu sapato e minha meia.
Agora, massageie com suas m�os.
Dessa, dessa forma, senhorita?
Mais devagar.
Aperte mais forte.
J� me sinto um pouco aliviada!
V� mais para cima, William.
A� mesmo.
Mais para cima de novo...
William! Mas o que � isto?
Desculpe, senhorita, n�o consegui evitar!
Oh, William, acho que voc� me ama!
Oh, sim, senhorita, e isso � fato!
Doce William! Acho que voc� precisa de um al�vio tamb�m!
Vamos tirar o monstro para fora?
Monstro? E se o amo vier?
N�o � dia de visita.
Venha, vamos ver que tesouro voc� esconde aqui.
Eu vi, supresa e maravilhada, n�o o brinquedinho de um menino
nem a arma de um homem, mas, positivamente um mastro
que daria cr�dito a um jovem gigante! Um dente de marfim animado!
Resumindo, um objeto de terror e del�cia e, sem muita trepida��o,
eu guiei o furioso ar�ete dentro da minha...
N�o acho meio de dizer isso de forma bonita, e eu nunca gostei de palavr�o
o guiei para dentro de meu canal palpitante e sedento de prazer. Pronto!
- Oh, William! - Oh, senhorita, me desculpe!
Oh, meu Deus!
Bem, William... o que tem a dizer em sua defesa?
Eu sinto muit�ssimo, senhor. N�o sei o que deu em mim.
� como se houvesse uma fera louca dentro de mim!
Num momento, eu estava massageando-a como ela pediu
no outro, n�o sei o que houve, eu estava, eu estava em cima dela!
Como um doido.
Sinto muit�ssmo, senhor, n�o acontecer� novamente...
Certamente que n�o! Seu maldito moleque!
Eu devia jog�-lo nu na sarjeta!
Imploro-lhe, senhor... est� sendo severo demais com ele.
Foi tudo culpa minha.
Quis me vingar de voc�, e voc� sabe bem porqu�.
William nunca encostaria um dedo em mim se eu n�o o tivesse encorajado.
De fato, eu confesso que o seduzi completamente.
Assumo toda a responsabilidade, meu caro senhor,
e eu suportarei toda a puni��o.
Suportar�, mesmo?
Foi muito honesto de sua parte, Fanny.
William, estou disposto a trat�-lo com benevol�ncia.
Mas n�o poder� mais prestar-me servi�os depois desse...
desse insulto � minha dignidade.
Vou mand�-lo de volta a seu pai, que n�o cuidou de voc�
e o deixou correr solto entre as mo�as da vila.
- V� encaixotar seus pertences. - Sim, senhor...
Obrigado, senhor.
- Sinto muit�ssimo... - Saia j� daqui!
- Adeus, senhorita... - Fora!
Fanny... o que voc� fez!
Venha aqui.
N�o seja horr�vel comigo. N�o fiz mais do que voc� fez.
Chumbo trocado n�o d�i, n�o �?
Voc� feriu meu orgulho!
Seu orgulho? O orgulho de uma prostituta?
Fanny, voc� feriu muito mais do que isso. N�o percebe?
Ser� imposs�vel continuar com voc� depois disso.
Por que n�o? Estamos quites agora.
Acha que agi pior do que voc�?
Est� falando mesmo a s�rio, n�o �?
Sim, Fanny.
N�o me descarte... n�o tenho sido boa para voc� at� este momento de tolice?
Voc� foi boa para mim.
Foi tudo o que j� desejei em uma mulher.
Sempre soube que n�o teria seu cora��o, mas achei que me respeitava, Fanny.
E respeito!
De in�cio, n�o gostei de voc�, mas passei a respeit�-lo e quase a am�-lo!
De verdade. E voc� me ensinou tanto sobre a arte de amar
e poesia, filosofia, conversa��o requintada, e agora posso passar por dama.
Voc� realmente pode.
Acho que voc� me ama demais para me descartar.
Est� errada. � porque eu te amo demais que vou descart�-la.
Ent�o, vamos terminar com isso.
Vou pagar as contas restantes e lhe darei mais 50 guin�us.
Dever� encaixotar suas coisas e deixar esta casa.
N�o quero mais v�-la novamente.
Muito bem, se � o que quer... n�o pense que vou lamentar.
J� chorei tudo quando perdi meu verdadeiro amor, Charles,
n�o vou derramar uma l�grima por voc�.
E n�o tema por ter me arruinado, porque me sairei muito bem!
Estou certo de que ir�, Fanny.
Mas eu n�o conseguia ver como eu iria me sair bem.
Depois de ter sido mimada e paparicada pelo sr. H,
como eu poderia voltar a ser pobre e honesta?
Mas ent�o lembrei-me de Esther e a sra. Cole.
Talvez, no fim de tudo, eu pudesse conseguir um lugar l�.
Finalmente est� aqui, querida!
Est�vamos esperando por voc�, e � muito bem-vinda!
Sra. Cole... vim aqui colocar-me � sua disposi��o.
Oh, n�o precisa se explicar... j� sabemos tudo a respeito, n�o �, querida?
Disse a Esther que sempre haveria lugar para voc� aqui.
Devo dizer que n�o tenho qualquer habilidade em chapelaria, senhora
Sei fazer uma costura simples e algum bordado, mas nada elaborado.
Ainda � uma simpl�ria, n�o, Fanny?
N�o sabe que est� em cima de sua fonte de renda, a mesma que a minha!
Chega, Esther. Sabe que n�o gosto de conversa de baixo cal�o.
Especialmente na frente da casa.
Eu... eu acho que devo dizer-lhe, Fanny... posso cham�-la de Fanny?
A chapelaria � apenas parte do que n�s fazemos aqui. Se...
Se quiser dar uma olhada...
N�o, acho que n�o quero, senhora.
Oh, s� uma espiadinha.
Por aqui.
Talvez este esteja mais a seu gosto.
Gostaria de sentar-se, querida? Est� com as faces coradas.
N�o o farei. Posso conseguir melhor do que isso.
Talvez possa. Voc� foi amante de um grande homem.
Mas, encontrou um outro para substitu�-lo?
Ainda n�o. Pense nisso como um estratagema tempor�rio.
Passe um tempo de pernas abertas para se sustentar nas pr�prias pernas,
por assim dizer.
- O que devo fazer? - Nada que n�o queira, querida.
Achar� minha casa muito superior � da sra. Brown.
S� cavalheiros de qualidade.
Isso � o que voc�s todas dizem!
Informe-se, Fanny, e ver� que cada palavra minha � verdadeira.
Agora... gostaria de virar uma virgem de novo, Fanny?
Muito, senhora, se pudesse ser feito.
Mas espero que a senhora n�o me sacrifique a um monstro velho
com h�lito nojento. N�o, muito obrigada.
Foi isso que lhe aconteceu na casa da sra. Brown?
Nada disso lhe acontecer� aqui.
N�o... o jovem que tenho em mente para voc�
� doce e fresco como um carneirinho.
Ele foi ensinado em casa, no campo.
Mal p�s os olhos em uma menina... agora seu pai quer completar sua educa��o.
Por assim dizer.
Ele quer uma menina do campo jovem e fresca para a primeira vez de seu filho.
Acha que conseguiria... interpretar o papel?
Fanny, querida, este � o sr. Harding.
E este � honor�vel Mestre Percival Harding, que ser� Lord um dia.
Venha sentar-se com o honor�vel, Fanny, n�o seja t�mida.
Enquanto eu converso com o pai dele.
Pode pegar a m�o dela, se quiser, Mestre Percival.
Est� certo, senhor, de que n�o prefere
uma das minhas meninas mais experientes para seu filho?
N�o quero que o menino seja corrompido, nem infectado.
Aquela menina est� muito bem e...
estou certo que ela sabe onde v�o as coisas.
Mas os dois s�o t�o t�midos... mal sei como eles v�o fazer isso!
Talvez se o senhor... ou eu... ou n�s dois fic�ssemos com eles
para dar aux�lio e dire��o onde fica cada coisa.
Fanny � t�o inocente!
Ah, toda a id�ia certamente tem sua raz�o de ser.
Mas acho que podemos seguramente deixar a natureza seguir seu curso, sra. Cole.
- Talvez possamos. - Sim.
Seja delicado com minha pequena Fanny, senhor.
N�o ansiava pela delicadeza de Mestre Percival.
Ele era t�mido como um coelhinho.
A dificuldade era: como eu iria fazer qualquer coisa,
uma vez que eu devia ser t�o inocente quanto ele?
Vamos ser namoradinhos, agora?
Gostaria de ser meu namoradinho?
Voc�... voc� sabe o que namoradinhos fazem?
Meu pai disse que � o mesmo que faz qualquer outro animal...
C�o e cadela, vaca e touro.
E voc� j� viu o que eles fazem?
E gostaria de tentar?
� que parece grosseiro e rude, certamente deve doer!
E o touro tem uma coisa vermelha fumegante que entra na vaca...
E... a vaca gosta?
Eu n�o sei!
Eu tenho uma coisa... mas � muito pequena e branca.
Posso ver?
A sra. Cole disse que se n�s gost�ssemos um do outro
dev�amos tirar toda a nossa roupa e
deitar na cama e nos abra�armos muito apertado.
E que a� a natureza seguiria seu curso. � uma boa id�ia, n�o acha?
Mas n�o h� uma cama aqui.
Acho que se formos por aquela porta, podemos encontrar uma.
Devemos tentar?
Eu estava ciente de que soava cada vez menos como uma virgem inocente
mas eu estava ansiosa por chegar ao assunto principal
e ver se a "coisinha branca" que ele mencionou
seria forte o suficiente para ser notada!
Mas, como disse a sra. Cole, a natureza � uma professora maravilhosa.
Me abra�a forte, Percy.
Que agr�davel e quentinho...
Me d� um beijo, Percy?
� hora de eu subir nas suas costas agora, Fanny?
Acho que devemos ficar frente a frente.
Como vamos fazer isso?
Assim...
Suponho que eu levanto minha perna assim... e a outra...
Vamos, meu filho!
Est� l� dentro!
Oh, muito bem! Muito bem!
Fanny, querida, estou maravilhada contigo!
Interpretou seu papel t�o bem que o Mestre Percival est� caidinho por voc�!
E o pai dele tamb�m! Estava muito ansioso por ver o filho se resolver bem.
De fato, sra. Cole! Na primeira vez que vi sua minhoquinha...
fiquei um pouco ansiosa.
Mas ele cresceu, no momento, t�o linda e frequentemente
que confesso que estou meio apaixonada por ele tamb�m!
O pai quer lhe dar este pequeno presente, Fanny.
Valor muito acima ao que hav�amos acertado.
E agendou uma visita semanal para seu filho, e outra para ele mesmo!
Oh, Fanny... espero mesmo que voc� decida ficar conosco um pouco mais!
Bem, no momento n�o tenho mais para onde ir.
N�o vai se arrepender, Fanny, querida!
A sra. Cole e suas meninas formavam uma fam�lia feliz.
E eu lhes queria bem. Mas n�o conseguia deixar de pensar
l� est�vamos, todas jovens, ainda com o vi�o da juventude
e pensava o que seria de todas n�s.
Idade e experi�ncia lhe s�o favor�veis na maioria das profiss�es
mas n�o nessa.
Somos como atrizes num palco. Nossos dias � luz do sol s�o brilhantes,
mas breves. Um pouco mais do que as lib�lulas, mas n�o muito.
Por ora, tudo era delicadeza e bom-humor.
A sra. Cole deu um pequeno baile para me recepcionar na Irmandade
e me apresentar a seus clientes mais abastados e generosos.
Damas e cavalheiros, escolham seus parceiros!
Naquele carrossel, naquela fus�o, naquela confus�o de calor e carne
eu me deixei ser levada rapidamente pelo prazer.
Pois o lema da sra. Cole era: "Fa�a tudo o que quiser, essa � a lei".
Est�vamos todas mergulhadas nos prazeres da carne umas com as outras
ent�o n�o havia ningu�m para apontar o dedo acusat�rio.
Mas, mesmo que a sra. Cole dissesse que hav�amos recriado o prazer inocente
do Jardim do �den, antes do pecado e da morte entrarem no cen�rio,
no meio de tudo aquilo, �s vezes eu sentia uma pequena ponta de culpa
quando eu lembrava como eu era e via como estava agora.
Uma prostituta comum, para falar diretamente.
Um ve�culo para aluguel.
E at� a vida de uma prostituta comum pode ter suas complica��es.
- Fanny! - Oh, Percy!
Errou o dia? Esperava-o para quinta-feira!
Tive que vir, Fanny.
- � muito impaciente. - Por favor, Fanny!
Estou atormentado.
Sra. Cole... poderia abrir uma exce��o?
S� dessa vez, minha querida. Pode lev�-lo para dentro.
Ora, Percy, o que houve? Onde est� o seu fogo?
Voc� � mesmo minha amada?
Voc� sabe que sim!
Ent�o por que n�o posso v�-la todos os dias?
Porque a sra. Cole n�o iria gostar disso, querido.
Ent�o deixe a casa e venha viver comigo!
N�o poderia me manter, Percy. Al�m do mais, tenho outros amantes.
Eu os odeio! E odeio voc�, por t�-los! E meu pai tamb�m.
Percival, n�o fique triste! Voc� � meu amor, de verdade!
Suponho que diga o mesmo para eles.
A alguns deles, sim. Aos delicados, como voc�.
Agora entendo!
N�o � nada al�m de uma prostituta!
E se eu for? Tenho sido uma prostituta muito boa para voc�.
Se n�o liga para isso agora, pode ir embora! Veja se me importo.
H� muitos outros peixes no mar al�m de voc�. Pode ir!
V� procurar uma puta de alta classe e veja se gosta mais dela do que a mim!
Posso viver muito bem sem voc�.
Voc� me fez am�-la!
E agora... est� partindo meu cora��o!
Pronto, pronto.
E o que eu poderia fazer? Tenho culpa se ele se apaixonou por mim?
Menino tolo!
Louisa, o sr. Walton est� aqui para v�-la.
Fanny, querida, pode ir na rua para comprar um cesto de frutas para n�s?
Com prazer, senhora!
Ent�o pegue minha bolsa. Acho que posso confiar que n�o fugir� com ela.
Decerto que pode, senhora. Tem sido muito boa e gentil comigo.
S� quero que seja feliz, Fanny.
- Boa tarde. - Boa tarde, senhora.
Quero 12 ma��s, 6 p�ras e um quilo de cerejas, por favor.
Muito bem, senhora.
- Ent�o gosta de fr-fruta? - N�o s�o para mim, senhor.
Para quem s�o?
Trabalho numa chapelaria. H� muitas meninas l�, al�m da nossa patroa.
Todas gostam de fr-fruta?
Gostamos, senhor. E o senhor, n�o?
Tenho pouco apetite para qualquer coisa, ultimamente.
Mas pagarei por suas frutas, se me deixar acompanh�-la at� em casa.
N�o ser� preciso, senhor.
- P-pagar ou a-acompanh�-la? - Ambos, senhor.
Se n�o sabe, sou uma mo�a de respeito.
Estou certo de que �, e fo-folgo em sab�-lo.
Posso saber seu nome?
N�o quero ofender, mas n�o � da sua conta, senhor.
N�o, certamente. Mas gostaria que fosse da minha conta.
Se n�o me permite a-acompanh�-la
ent�o deixe-me se-segui-la a uma di-dist�ncia respeitosa.
Gostaria de conhecer sua pa-patroa para que possa
ser apresentado apr-apropriadamente.
Bem, senhor, se coloca desta forma, n�o sei como poderia impedi-lo.
Sra. Cole... Um cavalheiro falou comigo e me seguiu at� aqui
n�o pude impedi-lo. Ele disse que quer conhec�-la.
Ele vem a�. Espero n�o ter feito nada de errado, sra. Cole.
Ele sabe a verdade sobre esta casa?
Creio que n�o.
Muito bem, querida. Deixe comigo.
Bom dia, senhor.
Senhora... posso falar-lhe a respeito de um neg�cio pa-particular?
Certamente, senhor. Por favor, me acompanhe at� a sala.
Ora, sr. Norbit, estou perplexa!
Minha Fanny � uma boa mo�a, uma de minhas melhores costureiras
e quero-lhe como a uma pr�pria filha.
Sra. Cole, ela atingiu uma flecha no meu cora��o.
Devo entender que est� pedindo a m�o dela em casamento?
Sei que tipo de casa mant�m aqui.
N�o gastei minha heran�a em lugares como esse por toda a Europa?
E agora, senhora, imploro sua gentil permiss�o para que eu morra aqui.
N�o espero viver muito, e gostaria de m-morrer feliz.
Meu caro senhor, isso aqui n�o � um hospital.
Estou ciente disso, senhora. E este humilde servo n�o � pobre.
Tenho mil libras restantes de meu patrim�nio.
Creio que isso me basta, com alguma sobra.
Quero vir morar aqui, com a senhora e suas meninas.
Confesso que estou muito fraco para fazer o "dano maior",
mas ainda tenho esperan�as de escalar o monte de Cupido antes de morrer.
Ent�o o senhor quer...
T-tomar as refei��es com voc�s, e conversar, ser afetuoso e amigavel, nada mais.
- Sra. Cole? - Sim, querida?
Se conversa e companhia � tudo o que ele quer,
ficarei feliz de lhe dar sua �ltima chance de felicidade.
Muito bem, meu anjinho! Agrade�o-lhe de c-cora��o por suas palavras gentis.
Sra. Cole?
Que posso dizer? Creio que nos encantou a todas, sr. Norbit!
E ent�o o sr. Norbit veio fazer parte de nosso pequeno grupo.
Para compartilhar de todos os nossos segredos.
Eu disse: "oh, senhor, n�o h� porque se envergonhar". E ele disse:
"� muito pequeno, Harriet". E eu disse:
"Tamanho n�o importa, estou certa de que � belo".
"Vamos dar uma olhada?"
"Coloque-o para fora". Tive a maior dificuldade em encontr�-lo!
Mas l� estava, finalmente, aquela coisinha rid�cula.
Como um gravetinho saindo do arbusto.
"Oh, sr. Barville, mas que monstro!", eu disse.
Barville! Era meu colega de escola. Gostava de ser castigado!
Ainda gosta! Esther � a garota para isso.
Sou mesmo, sr. Norbit.
� s� me avisar quando quiser ter uma conversinha com o sr. Chicote.
� muito gentil, querida, mas meu f�sico n�o suportaria algo t�o vigoroso.
S� de estar aqui com voc�s, ouvindo suas hist�rias, � o �xtase para mim.
Eu... eu gostaria de saber como voc�s, criaturas ador�veis, vieram morar aqui.
Voc�, Louisa, que caminho a trouxe aqui?
Minha hist�ria n�o � alegre, senhor.
Fugi de casa quando tinha apenas 15 anos.
A vida era muito dif�cil, e o trabalho, escasso.
Acho que sucumbiria ou ficaria louca se n�o fosse por Esther.
Ela me achou e me trouxe para a sra. Cole.
N�o sei o que fiz para merecer tanta bondade.
Pronto, Louisa.
E... Fanny?
Oh. Vim para Londres com uma amiga que me enganou cruelmente
e me deixou � merc� do bordel da sra. Brown.
Conheci meu amado na casa da sra. Brown
ele me tirou de l� e me fez muito feliz.
E o pai dele nos separou.
N�o acho que serei feliz de verdade at� reencontr�-lo.
Mas, at� agora... aqui � um lugar t�o bom quanto qualquer outro.
Fanny!
Ent�o... s� t-temos um ao outro como companhia esta noite?
Sim, senhor. Um grupo de oficiais chegou e as meninas est�o muito ocupadas.
Mas jurei que n�o o deixaria ficar sozinho.
Voc� � uma boa menina, Fanny.
E pensei que talvez hoje voc� me conte um pouco sobre sua vida.
sem as outras implicando e zombando.
N�o, n�o, Fanny. N�o � uma hist�ria bonita.
Gostaria de ouvi-la. J� esteve apaixonado, senhor?
Eu... eu estive, Fanny, creio que j� estive.
Havia uma criada na nossa fazenda.
Annette. Ficou atra�da por mim, eu por ela e perdemos juntos nossas virgindades.
Ela disse que me amava mais do que a pr�pria vida.
E voc� tamb�m a amava?
Sim, creio que a amava.
Mas... como fui tolo!
O qu�, senhor? O que aconteceu?
Eu a deixei partir. Eu a achava ador�vel, mas...
haveria muitas outras como ela.
Mas n�o houve.
Chegou a reencontr�-la, senhor?
�s vezes, quando as luzes est�o fracas, tarde da noite
em um lugar como esse, �s vezes acho que a vejo
ou a uma s�sia. �s vezes, Fanny, voc� me faz lembrar do meu amor perdido.
� mesmo, senhor?
Foi por isso que a segui at� em casa aquele dia.
E agora que j� a conhe�o... m-me deixaria experimentar, Fanny?
Annette! Annette!
Ah! Pronto!
Muito bem, sr. Norbit.
Sr. Norbit?
Oh, Deus!
Sra. Cole! Sra. Cole!
Foi tudo forte demais para o sr. Norbit.
Foi uma sensa��o perturbadora ter a lan�a de um morto dentro de mim.
mas... fiquei orgulhosa de ter representado meu papel
e permitido que ele morresse como um homem feliz.
Se sua alma foi ao c�u ou ao inferno, deixo que os outros decidam.
Eu era, agora, como uma esp�cie de hero�na na casa da sra. Cole.
Um brinde a Fanny!
por ter sido abrigo para o pau de um moribundo!
- � Fanny! - � Fanny!
Agora voc� se acha a rainha dos homens, n�o, Fanny Hill?
De forma alguma, lhe asseguro.
Voc� empina esse nariz e acha que � melhor do que qualquer outra.
N�o mesmo, Esther, de fato.
Acho que se esquece quem a trouxe para Londres.
Sim! E me deixou � merc� da sra. Brown!
E voc� se deu muito bem l�!
N�o quero brigar, Esther.
Estou pronta para deixar o passado no passado, se voc� estiver.
Imagino se diria isso se soubesse quem � minha nova conquista, Fanny.
Por qu�? Quem � ele?
Como voc� gostaria de saber!
N�o, de fato, senhores!
Como eu poderia escolher entre dois garanh�es como estes?
Soube de uma garota que cavalgava dois cavalos ao mesmo tempo
mas ela era do circo!
Venham, senhores.
Fiquei perturbada em rever meu antigo amante.
N�o me importava que meu passado invadisse meu novo territ�rio
Mas... quando ele veio falar comigo, estava pronta para revidar.
Bem, Fanny.
Espero que esteja bem.
Muito bem, como pode ver.
E de qualquer um, agora.
De qualquer um que eu goste, e que pague o pre�o.
Sou muito procurada.
Foi o que ouvi dizer.
Nenhuma surpresa... para algu�m que costumava ler poesia, Fanny.
A� est� voc�!
Desculpe por t�-lo negligenciado.
Obrigada por t�-lo achado, Fanny, mas n�o precisava se incomodar.
Penso como voc� foi tola em provocar a raiva dele, Fanny.
Ele � t�o generoso, e um amante t�o ardente!
Fico feliz que ele te agrade, Esther.
Oh, me agrada. Mas n�o tanto quanto eu agrado a ele.
Tive que rir na outra noite, quando ele contou de uma camponesa tola
que ele costumava manter.
Ela era t�o inocente que n�o distinguia uma lan�a de uma minhoca.
Imagino quem ser� esta menina...
Talvez fosse eu, Esther
Sabe, acredito que era! Bem, ele aprendeu a li��o.
Ele me diz umas 50 vezes ao dia que est� muito melhor comigo.
� mesmo? Pode dizer a ele que a camponesa tola est� muito feliz
que ele tenha encontrado seu verdadeiro amor!
- N�o quero nada com ele. - N�o, n�o direi!
Contarei o que todos sabem.
Que n�o suporta me ver com ele e o deseja ter de volta.
� um safado, n�o �?
Sim, bem...
Estou falando contigo e agora talvez...
Abra m�o desta dama, senhor.
Dane-se voc�, n�o farei tal coisa.
Far� o que digo!
Vamos parar com esse jogo, Fanny?
- Que jogo, senhor? - Voc� sabe muito bem!
Tentando me atormentar com outro, provocar ci�mes.
- Era o que est�vamos fazendo? - J� basta!
Volte para mim, Fanny. Sinto sua falta.
Ent�o... vamos deixar tudo para tr�s. Quero voc� de volta.
Lamento, agora � tarde. Estou feliz onde estou!
Me escute, Fanny!
Eu te amo, n�o consigo viver sem voc�. Eu lhe imploro!
N�o quero seu amor!
Voc� sabe quem eu amo, e que eu nunca vou am�-lo!
Prefiro ser uma prostituta honesta e manter meus sentimentos.
Ent�o que se dane!
Maldita seja pela prostituta ardilosa que �!
Pensei que fosse diferente das outras.
Pensei at� em resgat�-la da sarjeta e do esgoto para transform�-la numa dama.
Mas vejo que prefere se revirar na imund�cie!
Maldita seja, Fanny! Danem-se voc� e seu maldito grupo.
Vejo todos voc�s apodrecendo no inferno!
Suas palavras me feriram, mas sabia que sua ferida era maior.
Nada do que ele dissesse poderia atingir meu cora��o
e todas as suas palavras vieram dos ci�mes e do amor.
De fato... fiquei com pena dele. Mas n�o o bastante para aceit�-lo de volta.
Me sentia feliz e segura na casa da sra. Cole
que havia se tornado quase uma fam�lia para mim.
Disse a um cavalheiro que entrou na loja:
"Est� interessado em algo enfeitado?", no que ele respondeu:
"Quanto mais enfeitado, melhor!"
Senhora! Senhora! A pol�cia!
Viemos aqui em nome da justi�a!
Isto � um absurdo!
Por ordens da corte, todas ser�o julgadas
na acusa��o comprovada de que mant�m um bordel aqui, sra. Cole.
Um est�bulo de prostitutas famosas:
Fanny Hill, Louisa Martin, Harriet Blackstone, Esther Davis...
Venham todas aqui!
Na verdade, senhor, tenho uma humilde chapelaria aqui
n�o podemos chegar a um acordo?
Tire as m�os de mim, senhor!
Diga a seus homens para tirar seus cavalos imundos da minha casa!
- O que est� fazendo? - Todas voc�s...
Leve-a para o magistrado... e todo o resto.
Tire-os da minha frente!
Nunca vi tanta grosseria em minha vida!
A sra. Cole me protegeu at� o fim, disfar�ando minha fuga.
Agora eu estava, de fato, sozinha.
N�o tinha nada, e nem uma alma para me ajudar.
Oh, sua puta, saia j� daqui!
Largue-me senhor, deixe-me ir!
Uma garota andando sozinha nas ruas precisa de companhia!
Me toma por uma prostituta de rua, senhor?
Eu a tomo da forma que quiser, querida!
Agora eu sabia como era ser uma criatura das ruas
e estar � merc� de qualquer um.
Como cheguei a esse ponto, eu, que me levava em alta conta?
Ainda assim, em meu cora��o eu sabia que, em ess�ncia,
que isso n�o era diferente da minha vida feliz na casa da sra. Cole.
Os personagens e o cen�rio podiam ser diferentes
mas eu interpretava o mesmo papel.
Eu desejava deixar tudo para tr�s e voltar para casa.
Mas qual era minha casa agora?
Socorro! Me ajudem!
O que houve, senhor?
Fui assaltado, e... e n�o consigo respirar.
Por favor, senhorita, eu lhe imploro...
Permita-me, senhor.
Muito obrigado, voc� � muito bondosa.
Posso ajud�-lo a ir para casa, senhor?
- Anthony! Polly! - Senhor?
Leve meu casaco, sim?
O que aconteceu, senhor?
Agora, minha cara senhora, deixe Polly ajud�-la a se arrumar
voc� janta comigo e eu lhe envio para casa na minha pr�pria carruagem.
Era estranho, mas, no momento em que entrei na casa do sr. Goodyear
me senti em paz.
Obrigado.
Espero que sua fam�lia n�o esteja preocupada, por t�-la
fora de casa t�o tarde da noite.
Querida menina, o que foi?
N�o tenho fam�lia, senhor. Nem casa.
Meu marido faleceu h� dois meses e, como n�o pude pagar o aluguel,
fui despejada de minha casa, sem um centavo.
Que assunto chocante!
De fato, � o bastante para levar uma vi�va virtuosa para o pecado!
De que forma uma mulher pobre pode se sustentar, se n�o vendendo seu corpo?
Eu nunca faria isso, senhor. Prefiro morrer de fome!
Me doeu muito mentir para este velho t�o bondoso, mas...
temia que a verdade pudesse choc�-lo e eu voltasse para as ruas.
Bem, s� h� uma sa�da, uma boa a��o merece outra:
voc� deve ficar aqui, �s minhas custas, at� que se estabele�a sozinha.
E qual o seu nome?
Meu nome � Fanny. Fanny Hill.
� muito bem-vinda, Fanny!
E n�o demorou muito.
Em duas semanas, fui contratada como zeladora
e fiquei com as chaves de todos os ba�s e arm�rios da casa.
Eu podia t�-lo roubado e fugido com todas as suas riquezas!
Mas ele confiou em mim.
E eu aprendi que a virtude, como o v�cio, tamb�m tem seus prazeres
Aqui est�, senhor.
Fanny?
- Estive pensando, Fanny. - Sim, senhor?
Voc� trouxe tanta luz para a minha vida.
Ficaria feliz se voc� vivesse comigo
S� como minha companheira.
Obrigada, senhor.
E ent�o, por tr�s meses, me esforcei por merecer o amor que ele me dedicou.
Fiquei orgulhosa e feliz porque ele me queria por mim mesma, e n�o meu corpo.
N�o sentia isso desde que era crian�a. Infelizmente, n�o durou.
Ele morreu como havia vivido: tranq�ila e pacificamente.
Eu sei que ele morreu feliz, e fiquei genuinamente triste por perd�-lo.
Ele me deixou tudo. Agora, eu era uma jovem muito rica.
Deixei Londres e fui para o norte
para minha terra natal, Lancashire,
o �nico lugar a que eu parecia pertencer.
N�o fazia id�ia para onde minha vida iria me levar
ou o que me esperava na pr�xima curva...
Pare!
Pare!
Pare a carruagem, eu ordeno!
Pare a�!
Pare a carruagem.
Espere a�, senhor!
Charles!
Fanny, meu amor!
Se soubesse por quanto tempo a procurei!
Paramos na estalagem mais pr�xima, onde ele me contou sua hist�ria.
Pensei que jamais a veria novamente, Fanny!
Fui raptado pelo meu pai, for�ado a trabalhar nas planta��es dele
Consegui fugir, mas naufragamos na costa irlandesa.
Perdi tudo o que tinha!
Mas eu te encontrei! Eu te encontrei!
Voc� n�o pode mais me amar. N�o sabe nada do que aconteceu comigo...
Eu sei. Soube muita coisa, procurando por voc�.
N�o foi culpa sua. O que mais faria naquelas circunst�ncias?
Vamos deixar o passado para tr�s e nos casar!
Como pretend�amos fazer.
Mas voc� n�o precisa. Eu seria feliz em ser sua amante!
Mas s� poderei ser feliz se voc� for minha esposa.
Oh, Charlie!
E ent�o renovamos nosso amor da forma mais deliciosa!
E a� est�! Compramos uma bela casa e, at� agora, vivemos muito feliz nela.
Quanto � moral da minha hist�ria, a maioria delas tem uma moral:
me parece que a vida � muito complicada
e devemos lidar com ela da melhor forma que pudermos.
A virtude � sempre melhor do que o v�cio, mas
nem sempre podemos escolher, n�o �?
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