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Olá, Maedeh.
Me desculpe por te trazer aqui.
Você é mesmo minha melhor amiga.
A única em quem confio.
Mostre esse vídeo à Behnaz Jafari.
Por favor.
É urgente.
Olá, Sra. Jafari.
Eu sou Marziyeh Rezaei.
Da vila Saran.
Perto de Mianeh.
Eu não sei...
Não sei como dizer isso.
Não consigo pensar.
Eu sempre amei cinema.
Sempre sonhei em ser atriz.
Lutei por isso.
Estudei, estudei...
Fui aceita no conservatório.
Eu tinha as melhores notas de Teerã.
Mas deu tudo errado.
Minha família e a família do meu noivo me decepcionaram.
Minha mãe disse que, se me casasse,
eu poderia fazer o que quisesse.
Eu aceitei o acordo.
Mas eles me traíram.
Todo mundo me traiu.
Decidi entrar em contato com você.
Eu te liguei para implorar
que viesse convencê-los.
Minha família conhece seus filmes e séries.
Eles te assistem na TV toda noite.
Dão risada e choram te assistindo.
Eles te escutariam.
Eu te liguei. Várias vezes.
Mas foi inútil.
Você não atendeu.
Não respondeu minhas mensagens.
Não vejo outra saída.
Por favor, me perdoe.
Me perdoe.
Obrigada
por me escutar até o final.
Eu nunca recebi nada dela.
Nenhuma mensagem no Instagram...
Nada.
Passei a noite toda procurando nesse celular
algum vestígio de que ela tentou falar comigo.
Se ela morreu, como conseguiu mandar isso?
Ela fala da amiga no começo.
Elas iam se encontrar na gruta.
Ela chegou primeiro e a amiga enviou para você.
Vamos entender melhor quando chegarmos.
Se ela tinha meu número, por que não mandou direto?
Como ela conseguiu seu número?
Não faço ideia.
Isso não teria acontecido se tivesse atendido.
Eu e ela falamos a mesma língua.
Ela queria me usar para falar com você.
Ela podia ter falado com você desde o começo.
Por que me meteu nisso?
Ela queria ser atriz.
Estava contando com sua compaixão.
A família dela deve valorizar atores, não diretores.
Você pode ligar para Maedeh,
a garota que ela menciona no começo?
Já tentei várias vezes.
O celular dela está desligado.
Viu?
E se for uma pegadinha, Panahi?
Na noite passada, quando recebi,
fiquei chocado.
Procurei por você.
Soube que estava filmando e liguei para a sua diretora.
Ela ligou para vários lugares, até para o necrotério de Mianeh.
Não encontrou nada.
Por que para o necrotério?
Nesses casos, até em Teerã,
as autoridades assumem e não falam nada.
Fazem tudo rapidamente, para não chamar atenção.
Em um lugar deserto como aquele,
ninguém sabe o que pode acontecer.
Talvez ela tenha te ligado em outro número.
Eu vivo trocando de número por causa do assédio.
Passo os números antigos para amigos.
Alguém comentaria sobre uma ligação dessas.
É estranho, tudo parece tão real.
Não há motivo para duvidar.
Mas e essa corda e esse galho?
Ela mesma levou?
Quando alguém quer cometer suicídio,
dá um jeito.
Não é difícil achar uma corda e um galho.
Ela pensou em tudo.
O galho parece muito fino para aguentar o peso dela.
Parece que aguentou.
Pode assistir o final de novo?
Tenho a impressão
de que o vídeo foi editado quando ela cai.
Pode parar para olhar direito?
Só essa parte, por favor.
Preciso achar um lugar para parar.
Tudo bem.
Parece real para mim.
Quando ela cai, o vídeo não tem nenhum corte.
Só um profissional faria uma edição dessas.
Ela não conseguiria fazer isso na vila em que morava.
Não é trabalho de amador.
Boa noite, Jafar.
-Boa noite. Tudo bem? -Tudo, e você?
Aquela maluca está com você?
Estou com um problema.
É o último dia no set e tem 50 pessoas esperando.
Ela fugiu e não atende o celular.
A gravação está atrasada. O que devo fazer?
Eu sei, mas ela está muito mal.
Eu não queria trazê-la comigo.
Ela pulou no carro quando soube que eu estava indo.
Não tive escolha.
Mas, no estado em que está, ela nem conseguiria gravar.
Eu pesquisei sobre o caso da garota.
Eu sei.
Não há nenhum vestígio de nada disso.
Mas ela não aceita.
Sabe como é a gravação...
Alguma notícia do necrotério?
Sim, eu liguei lá.
Nada que bata com a descrição dela na região.
Não sei...
Todos nós estamos muito preocupados.
E, para piorar,
essa maluca foge e causa toda essa bagunça.
Estamos chegando nas montanhas.
O sinal pode cair.
Se eu tiver sinal,
aviso assim que soubermos de algo.
Eu ligo para a sua assistente.
Ela saiu do carro...
Ela não está bem, está andando por aí.
-Tente me ajudar. -Claro.
Me mantenha informada.
Pode deixar.
Não tem mais nada para gravar?
Ninguém tem mais nada para gravar?
Só tenho mais um dia para gravar a parte dela.
Coloque-se no meu lugar.
Não tem mais nada para gravar.
Sair correndo, tudo bem, mas ela podia atender o celular!
Sabe, tudo tem um lado bom.
Vai encontrar uma solução.
Algo bom vai sair de tudo isso.
Desculpe, minha mãe está tentando me ligar.
Preciso ligar para ela.
Desculpe, ela também está preocupada.
Mande um "oi" para a equipe. Até mais.
-Oi, mãe. -Oi.
Boa noite. Eu estava em uma ligação.
Como você está?
Para onde está indo?
Eu? Lugar nenhum. Por quê?
Estou preocupada.
Precisa avisar sua mãe quando for viajar.
Poderia me visitar.
Não posso. Estou viajando com uma amiga.
Uma amiga?
Soube que estava fazendo um filme.
Não, mãe. É mentira.
São boatos.
Está mentindo para mim também agora?
Do que está falando?
Precisa contar para a sua mãe o que está aprontando.
Sou sua mãe ou não sou?
Liguei para sua casa e me contaram várias histórias.
Não precisa se preocupar.
Preciso que me conte o que está acontecendo.
Venha me visitar.
Estou sozinha aqui.
Você sabe que sempre visito, mãe.
Tive que viajar. Não estou fazendo um filme.
Não se preocupe.
Se eu fizer um, será a primeira a saber, prometo.
Precisa me contar o que está fazendo.
Não gosto quando não visita.
Fico imaginando o que está aprontando.
Mãe, tenho que ir agora.
Vai ficar bem? Tchau.
Quer desligar? Tudo bem, tchau.
Eu te amo. Tchau.
Tchau.
Posso ver seu celular?
Obrigada.
Eu te liguei. Várias vezes.
Obrigada por me escutar.
Eu dormi muito?
Bom dia. Até que dormiu bem.
Pode abrir o capô?
É o último botão.
Obrigado.
Ainda estamos longe?
Acho que é logo depois das montanhas.
Devíamos começar pelo cemitério da vila.
Se ela estiver morta, podemos achar alguém da família.
Ou, se estiver enterrada,
haverá um túmulo novo.
Para que ir ao cemitério?
Vamos perguntar por aí.
Mas, se ela tiver mentido,
ou se a família quis acobertar para evitar problemas,
não será nada fácil.
Podem esconder tudo,
menos o corpo.
Podem tentar o quanto quiserem,
mas, uma hora, vão descobrir.
Prefiro ver se ela está no cemitério.
Se não estiver, ela vai se ver comigo.
E você também.
Eu?
Há pouco tempo, você foi à minha casa com a Tahereh.
Disse que estava fazendo um roteiro sobre suicídio.
-E? -Tinha um papel para mim.
E daí?
Nada.
Deixa.
-Bom dia. -Posso ajudar?
Para que lado fica a vila Saran?
Não falo persa. Pode falar em turco?
Desculpe, meu turco não é muito bom.
É bom, sim.
Nunca esquecemos nossa língua nativa.
Tudo bem. Vou tentar.
Alguma coisa aconteceu aqui recentemente?
-O que foi? -A buzina!
-Como? -Aperte a buzina.
Apertar a buzina?
Duas vezes.
Duas vezes?
Apertar duas vezes?
Um pouco mais.
-O quê? -Aperte um pouco mais.
Por quê?
Pode ir.
Para onde?
Que lado...
Onde fica a vila?
Vá até o topo do morro
e desça pelo outro lado,
até o final.
Depois, vire à direita e pronto.
Muito obrigado. Tchau.
Perguntou para ele?
Perguntei, mas...
Viu só?
O quê?
É um casamento.
Eles podem se casar.
Não se houver uma morte.
Talvez sejam de outra vila.
Aqui, todo vale
tem muitas vilas.
Que eu saiba, nesses lugares,
o luto é respeitado em todo lugar.
Vá devagar.
Estamos em um barranco.
Pare. Tem algo acontecendo ali.
Olá.
Olá. Bem-vindos.
Obrigado.
Venham tomar um chá.
Obrigado, mas temos que ir.
Seu turco não é muito bom. Pode falar em persa.
Obrigado. Temos que ir mesmo.
Todos nós temos que ir um dia.
Mas, agora, tomem um chá.
Muito gentil. Obrigada.
Já vi essa mulher antes. Não sei onde.
Mas não reconheço o senhor.
Tem mais alguma vila para lá?
Claro. Tem muitas vilas
nessas montanhas e vales.
É só me falar o nome que eu guio vocês.
Estamos passeando, fotografando a paisagem.
Está tudo bem por aqui?
Claro, tudo ótimo.
"Esse mundo é injusto.
Conhecia a Noé como a Salomão.
Dá crianças e também as tira.
Tudo é dor nesse mundo".
Mas está tudo bem.
A humanidade é o problema.
Onde fica o cemitério?
São caçadores de tesouros?
Parecemos caçadores?
Não parecem do tipo que vão a cemitérios.
Onde fica?
Já passaram por ele, descendo o morro.
Façam um retorno.
Vire à esquerda no próximo cruzamento.
O cemitério é mais para frente.
Senão, tem um outro cemitério
atrás do morro.
É o cemitério antigo.
Mas não tem mais tesouros.
Obrigado. Vamos voltar, então.
Tudo bem, se cuidem. Tchau.
Tchau.
Por que não perguntou nada para ele?
Ele falaria por horas e não contaria nada.
Alguma coisa estava acontecendo lá,
mas nada relacionado à morte.
Senhora...
Por que está deitada aí?
Olá. Bem-vindos à minha última morada.
Minha sepultura.
Deus te salve.
O que ela disse?
Essa é a última morada dela.
Está difícil.
Cavaram para ela.
Eu trouxe um lampião.
Coloquei o lampião aqui
para iluminar.
Assim, o túmulo fica iluminado por algumas horas.
Senão, as cobras vão me fazer pagar pelo que fiz.
Mas com a luz, elas não chegam perto.
Assim, me livro delas.
Tem medo de cobra? Não parece ser uma má pessoa.
Mas também não sou uma pessoa boa.
Que bem eu fiz?
Só Deus sabe.
Vida longa à senhora.
Espero que tudo dê certo.
-Cuide-se. -Obrigada.
Tchau.
É tudo armação.
Aquela garota está nos enganando.
Nem sinal dela!
Parece que ninguém é enterrado aqui há anos.
Estou ficando maluca.
O que é toda essa palhaçada?
Você mesmo disse
que o vídeo foi feito por um profissional.
Você perguntou se tinha um corte no final.
Exato.
Eu assisti.
Parece real. Não percebi nenhum corte.
Eu disse que, se houvesse um corte,
não seria um trabalho de amador.
Só um profissional teria feito aquilo.
Não tem ninguém aqui que faria isso.
É tudo real!
E você acredita mesmo nisso?
Em quê?
Estou confusa.
Quero que me deixe em paz.
Quer que eu te deixe em paz?
Aqui está a chave. O carro está ali.
Vou procurar um lugar para te deixar em paz.
Panahi, eu estava brincando.
Eu não falei por mal!
Me perdoe, por favor.
Já me arrependi. Me perdoe.
Por favor, eu não falei nada demais.
Por favor, Panahi.
Por favor, pelo amor à sua filha Solmaz.
Cuidado.
Saiam da frente, crianças.
Olá!
Deixem-na em paz.
Vamos, venha, Sra. Jafari.
Eu não falo turco.
Bem-vinda.
Palmas para a Sra. Jafari.
Droga.
-Não a incomodem, crianças. -Obrigada.
Olá. Obrigada.
Como vai?
Olá. Tudo bem?
Olá.
O que quer que eu escreva?
Calma, crianças.
Espere. Qual é o seu nome?
Fereshteh.
Espere...
"Fereshteh. Boa sorte".
Desculpe...
-Pode autografar? -Claro.
Vamos...
"Boa sorte".
-Olá. -Oi.
-Olá. -Olá.
Calma, crianças.
Senhor...
-Eu... -Um autógrafo.
Senhor, falta água e energia aqui.
Sem falar do gás.
Desculpe, não trabalhamos com isso.
Achamos que tivessem vindo para ajudar.
Sinto muito.
Não vimos você na TV?
Estava cozinhando para o seu convidado?
Não me lembro qual prato era.
Pergunte a eles.
Conhecem a Marziyeh?
Marziyeh... Conhecem?
Com licença.
-Conhece... -Ela é minha irmã.
Está doente.
Não, não é ela.
Ela disse que tem uma irmã doente chamada Marziyeh.
Não é quem procuramos.
A garota que procuramos
foi aceita no conservatório.
Então vieram por causa dela e não por nós!
Por causa de uma garota sem juízo!
Achamos que resolveriam nossos problemas!
Vamos, vamos.
Todo mundo para casa.
Ninguém se importa conosco!
O que está acontecendo?
Incrível.
-O que houve? -Não sei...
Oi.
Não gostam muito da Marziyeh na vila.
A irmã dela levará vocês até a casa.
Sabe de qual Marziyeh estamos falando?
Vamos. Me dê a chave.
Olá.
Entrem, por favor.
Essa é a casa da Marziyeh?
Mãe, aonde está indo?
Saiam!
Não vão colocar os pés aqui! Saiam!
-Pare com isso. -Saiam!
De onde eles vieram?
Ela não vai embora para estudar!
Acham que a vida é só isso?
Saiam daqui!
Primeiro os estudos e, depois, o quê?
Podem entrar.
Pode ir.
-Ela não vai estudar. -Tenho vergonha de você. Pare!
Não vou parar!
Por que eles estão aqui?
Estudar? Para quê?
Garota idiota!
Me deixe em paz! Não vou deixá-la estudar!
Ela é uma vergonha para nós!
Uma vergonha para nós!
Comporte-se!
Vamos, querida.
Por favor, venham comigo.
Desculpe, entrem.
Tudo bem, senhora. Podemos ficar aqui.
Certeza? Então sentem-se.
Não queremos incomodar.
Obrigada.
O que ele estava falando?
Nada. Só estava xingando.
Ele falou dela?
Estava falando coisas sem sentido.
Não estava sendo claro.
Era bobagem.
Nem sinal dela...
Não precisa se preocupar.
Sejam bem-vindos.
Imaginei que viriam.
Queria que o momento fosse outro.
Seremos humilhados na vila.
-Por que diz isso? -Porque...
A Marziyeh está desaparecida
há três dias.
Procuramos em todo lugar. Não a encontramos.
Antes, quando se zangava,
ela ia para a casa da tia.
Mas ela não está lá.
O pai dela foi para Teerã,
ver se ela está no conservatório.
A família do noivo não sabe.
Espero que ele volte logo.
Senão, Mehdi vai fazer um escândalo.
Se a família do noivo descobrir,
será o fim para ela.
-Aquele é o irmão dela? -Sim, o irmão mais novo.
Por que não liga para ela?
Já tentamos. O celular está desligado.
-Pergunte aos amigos dela. -Ela não tem amigos.
Os moradores não deixam as filhas falarem com Marziyeh.
Têm medo de que elas fiquem sem juízo como ela.
Eles dizem: "Não queremos Mambembes por aqui".
Mambembe...
Não escutava essa palavra há muito tempo.
Roghieh.
Pode atender?
Minha filha é muito talentosa e esperta.
O problema é que ela não sabe a hora de ficar calada.
Ela fala tudo o que pensa.
Ninguém gosta disso.
Ela colocou na cabeça que queria estudar.
Eu sabia que isso não acabaria bem.
Achei que o casamento a faria esquecer.
Mas ela impôs condições.
Tivemos que aceitar.
O pai dela disse que o conservatório é muito seletivo
e que ela nunca seria aceita.
Eu a levei para fazer o teste em segredo.
O problema é que ela passou. Agora não sei o que fazer.
Maedeh sabe onde ela está?
Como conhece Maedeh?
Pedem uma referência para entrar no conservatório.
A Marziyeh colocou o nome da Maedeh.
-Elas são primas. -Ela mora aqui?
Sim, aqui perto. Devia se sentar direito.
Não se preocupe.
Podemos visitar Maedeh?
Não, fiquem aqui. Eu peço para a Rogieh buscá-la.
Vá buscar a Maedeh.
Vamos para o carro.
Vamos esperar no carro.
Obrigada. Quando ela chegar, pode falar conosco.
Muito obrigado, senhora.
Muito gentil.
-Vou trazer um chá. -Não, obrigado.
Não queremos dar trabalho, senhora.
Deveriam ficar. A Maedeh está vindo.
Vamos esperar por ela no carro.
Não comentem com ninguém.
Claro. Muito obrigado. Tchau.
Não se preocupe.
Obrigada. Tchau.
Não precisa nos acompanhar.
Tchau.
Desapareceu há três dias. Acha que morreu?
Não sei.
Sra. Jafari! Não acredito!
Vá para casa, querida. Sua mãe vai ficar preocupada.
Como vai?
O que faz aqui?
-Maedeh, me diga onde ela está. -Quem?
Olhe, não tenho tempo para brincadeira.
Chega de brincadeira. Acabou.
Não entendi.
-Cadê a Marziyeh? -Não está em casa?
Venha aqui.
Você me mandou um vídeo, não mandou?
Não tenho celular.
Panahi...
Me dê seu celular.
Desbloqueie.
De quem é esse número?
Da Marziyeh.
O que é? Estou ficando preocupada.
Não entendo.
Sra. Jafari...
Sr. Panahi, aconteceu alguma coisa?
Sr. Panahi...
Nada. Fique tranquila.
Quando viu a Marziyeh pela última vez?
Há alguns dias.
Ela não te contou nada?
Tipo o quê?
Não sei. Sobre os estudos.
Ela fala disso o tempo todo.
Ela não disse quando ia embora?
Como? Coitada.
Ela está desesperada.
Sabe de alguma coisa, Sr. Panahi?
Parece que ela não sabe de nada.
Sr. Panahi...
-Tem alguma gruta aqui perto? -Por quê?
Só quero saber.
Tem, por ali.
Dá para ver as montanhas.
Sr. Panahi...
Com licença.
Aconteceu algo com ela? Me conte, por favor.
Não aconteceu nada.
Só não comente nada com ninguém, está bem?
Não diga nada a ninguém.
-Promete? -Prometo.
-Até mais. -Obrigado. Tchau.
Aqui, Panahi! Achei!
Ali, o galho.
Mas e a corda?
O corpo, o celular, a coisa toda. Cadê?
Eu disse que era tudo armação.
Acha que estaria tudo aqui?
-Devem ter levado. -Quem?
A família dela.
Eles devem ter escondido para evitar a humilhação.
Mas disseram que não a veem há três dias!
Se estiverem acobertando, não vão nos contar.
Então mentiram para nós?
Só querem preservar a honra deles.
Olá.
-Olá. -Olá.
Sentem-se.
Obrigado. Não precisa se levantar.
Sentem-se.
Tudo bem?
-O que vão pedir? -O que vocês têm?
Ovos frescos, uma delícia.
Só dois chás, obrigado.
Que honra recebê-los.
Bem-vindos.
Desculpe não ter te reconhecido na estrada.
Só soube depois. Sinto muito.
Estão dando as boas-vindas.
Ele pediu desculpas por não ter te reconhecido.
Sem problemas.
Aquele lance com a buzina... O que foi aquilo?
Achei que tivesse entendido.
Acho que entendi, mas se puder explicar...
Posso explicar?
É que, na nossa vila,
a única estrada que temos é irregular e estreita.
Só passa um carro por vez. Por isso buzinamos.
Para saber se está liberado.
-Se estiver, pode passar. -Obrigado.
Se não, o carro do outro lado buzina para avisar que está lá.
Para avisar que está vindo.
Se não buzinar de volta, significa que o outro pode passar.
Se estiver com pressa, é só buzinar duas vezes.
É o sinal de emergência.
Nesse caso, é só esperar.
Esperar o outro passar.
Se também estiver com pressa, buzine mais,
no caso de uma emergência,
como um passageiro doente.
Então pode passar.
Fizemos essa regra juntos.
Então fazem suas próprias regras.
Claro, senhor.
Nada dá certo sem regras.
O senso comum é necessário.
Nessa vila, por exemplo,
temos bons jardins,
pomares bonitos, um solo generoso...
Mas, se alguém ficar doente,
o solo, os jardins e os pomares vão curar a pessoa?
Claro que não.
Precisamos de médicos
para nos tratar quando estivermos doentes.
Aqui na vila,
tem mais antenas via satélite do que pessoas.
Amanhã, se o povo ficar doente, quem vai tratá-los?
As antenas via satélite ou os futuros artistas?
Nenhum deles.
Aquela ali não quer saber de nada.
Só faz o que quer.
Não tem o menor juízo!
Por que vieram até aqui, afinal?
Ela não escuta...
Então, se alguém quiser ser artista,
o que pode fazer?
Isso não serve para nada.
Temos um ditado aqui na vila:
"Se fizer o que quiser,
vai acabar no fundo do poço".
Sabe quantos problemas temos com nossos animais?
Nossa vida depende deles. Temos que lutar para não perdê-los.
Sem eles, não sobrevivemos.
Aquela garota precisa entender uma coisa:
se vida de artista fosse boa,
a Sra. Shahrzad, que já teve sua fama,
não estaria morando sozinha hoje,
naquela casinha dela.
Quem é Shahrzad?
Uma atriz que dançava e cantava em filmes,
antes da Revolução.
Sr. Panahi!
Por aqui!
Venha rápido!
Viu o que você fez comigo?
Estou fazendo de tudo desde ontem
para te encontrar, sua pirralha!
-E você brincando de esconde-esconde? -Escute!
-Você não tem vergonha? -Me perdoe.
Perdoar o quê?
Está brincando?
Escute, Behnaz!
Não use meu primeiro nome!
Cale a boca!
Já cansei de você!
-Deixei uma criança me manipular! -Me deixe explicar.
Não deixo!
Não vou deixar explicar nada!
Não bata nela!
Saia da minha frente!
Cale a boca!
Você fingiu que não sabia!
Por que você mentiu?
Por que mentiu para mim?
Por que eu menti para você?
Por que eu menti?
Você era a única que podia me salvar!
Senão, eu não teria mentido.
Não entende?
Você não entende?
Por favor, Sra. Jafari.
Eu imploro. Tente me entender.
Por favor.
Eu não tinha escolha.
Você era minha única esperança de ir para o conservatório.
Sua garota sem juízo...
E ainda me chama desse jeito!
Fala como os outros!
Eu imploro. Tente entender.
Só você pode me ajudar.
Eu tentei de tudo. Tudo!
Não tinha outra solução.
E eu te devo alguma coisa?
O que eu devo para você?
Não podia ter pedido?
Se eu tivesse pedido, se eu tivesse contado a verdade,
você teria vindo?
Você realmente teria vindo?
Por favor, Sra. Jafari.
Eu imploro.
Fico de joelhos se precisar.
Não vá embora! Meu irmão vai me matar
por ter sumido por três dias.
Ele vai botar fogo na casa da Shahrzad.
Ele vai destruir tudo se descobrir que eu estava na casa dela.
Eu imploro.
Por favor, não vá embora!
Por que eles não entendem?
-Olá, tudo bem? -Bem, obrigado.
Tem celular? Tem sinal?
Espere, deixe-me ver.
Não tem sinal. O que está acontecendo?
Estávamos levando o gado, e ele caiu.
O que vai fazer?
O que posso fazer?
Nada.
Meu colega subiu o morro para tentar pegar sinal.
Ele vai tentar ligar para um veterinário.
Se não der certo, ele vai usar um telefone fixo da vila.
Até lá, o gado já morreu.
O que mais posso fazer? Me fale.
Posso ajudar a empurrar para podermos passar.
Não vai dar.
Ele está todo inchado. Olhe só a barriga.
Se mexermos nele, ele morre.
Não podemos ficar esperando. Temos que acabar com o sofrimento dele.
Deus me livre!
Mas eu buzinei.
Podia ter respondido, assim eu não teria continuado.
Eu escutei, mas achei que fosse meu colega com o veterinário.
Um veterinário na vila? Duvido muito!
Acho que é melhor evitar o prejuízo.
Também evitamos o sofrimento dos humanos.
Faça isso por ele.
É pecado. E só tenho uma faca pequena.
Não posso. Não quero que ele sofra.
Ele já está sofrendo.
Sim, mas é diferente.
Está sofrendo, mas não cabe a nós intervir.
É a vontade de Deus.
Se eu o matar,
nós dois seremos responsáveis.
E não é qualquer gado.
É o gado das bolas de ouro.
-O quê? -Não é castrado.
-Sabe o que isso significa? -Não.
A moça fala turco?
Não, não fala.
Então vou explicar.
É um gado não castrado.
Não é um gado comum. Ele é muito especial.
É usado para reprodução.
Você pode achar que é só um gado bloqueando a estrada,
mas, em nenhum lugar do Azerbaijão
ou do Irã você encontrará um gado como esse.
Ele é de uma raça diferente, com genes especiais.
É uma espécie única.
Já vi com meus próprios olhos.
Em uma única noite, ele engravidou dez vacas!
Recebo 300 mil tomans por reprodução.
Amanhã, vai ter uma feira aqui.
Muitas pessoas virão
com caminhões cheios de bezerras.
Imagine como vai ser.
Já estou vendo os caminhões fazendo fila para ele.
As vacas daqui são danadas.
Não podem sentir o cheiro dele que já ficam excitadas.
Se passar a noite aqui, vai ver.
É uma sinfonia de mugidos quando elas ficam assim.
Ele é único.
E ele tinha que cair...
Quando as bezerras chegarem, o que vou falar?
Se algo acontecer, não tem outro igual a ele.
-Sabe por quê? -Por quê?
Os testículos dele são milagrosos!
Se um idoso de 80 anos comer um kebab com a carne dele,
vai virar uma fera!
Vamos voltar, Panahi.
Temos que ir. Tchau.
Vou deixar meu cartão. Nunca se sabe.
Se precisar de algo,
fazemos entrega de kebab.
Obrigado. Tchau.
Entenda como quiser,
mas acho que foi muito dura com ela.
As pessoas daqui não estão acostumadas com isso.
Elas se ofendem fácil,
mas esquecem rápido também.
Já que estamos voltando,
tente falar com ela.
Você quem sabe.
Olá.
-Como vai? -Bem, obrigado.
Disseram que Shahrzad mora por aqui.
É logo ali, à esquerda.
Obrigado.
Olá.
Obrigada por voltarem.
Sr. Panahi...
Espere, por favor.
Um minuto.
Espere, Panahi.
Tem algo acontecendo. Vou ver o que é.
-O quê? -Eu te aviso.
-Espere aqui. Precisa de algo? -Não, obrigado.
Ainda bem que não entrou. O lugar era minúsculo.
Fiquei com pena dela.
O que houve?
Nada. Está revoltada com o mundo.
Principalmente com diretores com quem ela trabalhou.
Ela disse que eles a chatearam muito.
Eu disse a ela que você não fazia filmes na época.
Ela respondeu: "São todos iguais!
Um pior que o outro!"
Ela deve estar magoada
porque não a apoiamos.
Mas ela não estava sozinha.
Todos os atores daquela época tiveram o mesmo problema.
Não tem nada na casa. Só os quadros dela.
E cartazes dos filmes.
Mais nada.
Eu me ofereci para levar a Marziyeh
de volta para casa antes de irmos.
Ela quer esperar o pai voltar de Teerã amanhã.
Ele parece ser mais mente aberta do que o irmão.
Mas você quem sabe.
Temos escolha?
Na verdade, não. Mas o que você vai fazer?
Nada.
Estou bem. Vou ficar aqui.
Não.
Se os moradores da vila descobrirem, não vão aceitar.
Quero ficar aqui.
Vou dormir no carro.
Estou cansado.
Estou mais seguro aqui do que em qualquer outro lugar.
Vou deixar isso com você. É daqui, uma delícia.
Também tem chá. Vou trazer um pouco para você.
Ela também me deu um CD com as poesias dela.
Ela recita poesia?
Sim, ela gravou em Kerman.
Acabaram de chegar e ela me deu um. Vou deixar com você.
Obrigado.
Não precisa de mais nada?
Boa noite.
"Eu havia atingido o pico da incerteza,
querendo saber os nomes.
A mão da diretora
fazia o martelo dançar no ar,
quebrando o silêncio da aurora,
batendo contra o objeto vermelho de metal
fixado na árvore do pátio da escola.
Batia, batia, batia.
O silêncio torturou a inocência.
A primeira oração
era uma maldição para mim.
'Levante-se.
Sente-se.'
Eu não respondi: 'Presente'.
Pois ali, estava ausente.
Panahi...
Desculpe, te acordei?
Não, eu estava só cochilando.
Podemos caminhar um pouco pela vila?
Preciso fazer uma ligação.
Vou ligar para a assistente de produção. Estão preocupadas desde ontem.
Não estou muito disposto.
Mas posso ir se precisar de mim.
Não.
Descanse. Eu já volto.
Aproveite.
Alô?
Boa noite, Sr. Ahmadi. Me desculpe.
Eu sei. Eu entendo.
Era uma emergência.
Não sei...
Mesmo estando no set, eu não ficaria bem.
Falei com elas.
Sim.
Eu entendo. Você tem razão.
Mas pode contar comigo amanhã.
Podemos filmar à noite, depois das 18h.
-Conte comigo. Estarei em Teerã. -Posso interromper?
Obrigada. Vou explicar tudo depois.
Não. Nada a ver com isso.
Nada mesmo.
Explico tudo depois.
Obrigada pela compreensão.
Muito obrigada.
Boa noite. Tchau.
Já que está aqui, como termina a série?
Como sempre: muito choro e luto.
Um personagem vai morrer.
Muito obrigada, senhor.
Com licença.
-Quanto estou devendo? -Por conta da casa.
Não, por favor.
Eu tomei chá, usei o telefone...
Por favor, deixe-me pagar.
Não é nada.
É uma honra te receber.
Muito obrigada. Tchau.
O rapaz não está aqui?
Não, está cansado. Está dormindo no carro.
Queria falar uma coisa para ele.
Eu posso falar.
Não posso te contar.
Finja que sou sua filha.
Aqui, não.
Vamos até a minha casa.
Lembra da minha casa?
-Aquela com um pátio? -Isso.
-Mas preciso voltar logo. -Está bem.
Tenho uma lembrancinha
para você e o rapaz.
É da festa de circuncisão.
Obrigada. Era do seu neto?
Claro que não!
Do meu filho! Não do meu neto.
Teve filho com essa idade?
Queria que tivessem ido
para verem com os próprios olhos.
Nem dava para perceber que ele estava sendo circuncidado.
Não derramou uma só lágrima.
Quando meu filho mais velho, Ayoub, foi circuncidado,
eu levei o prepúcio comigo até Teerã.
Queria enterrar perto de um palácio
para que, um dia, meu filho trabalhasse lá,
mesmo se fosse como zelador,
para poder me ajudar.
Os guardas me prenderam.
Me colocaram na cadeia e me espancaram.
Me batiam todo dia.
Depois, finalmente me soltaram.
Então fui ao cinema.
Vi um filme,
saí de lá
e fui para casa.
Depois, Deus me deu quatro filhas.
Meus parabéns.
Nem minha segunda esposa
conseguia ter um filho.
Ela nunca teve menino.
Há doze anos, Deus me deu um menino,
outro filho.
Boa noite, senhora.
Desculpe por incomodar.
Muito obrigada.
Obrigada.
Quanto custa a carne em Teerã?
Não compro carne. Sou vegetariana.
Do que estava falando?
Espere minha mulher sair.
E como é o clima em Teerã?
É quente e poluído.
Aqui é fresco.
Aqui está.
Obrigada. Não precisava.
Obrigada.
Não se incomode.
Está bom. Obrigada.
Eu estava pensando...
A história que estava contando do seu filho...
Que influência isso tem no futuro dele, no trabalho?
De onde você vem,
não fazem a circuncisão?
O que fazem com o prepúcio?
Acho que jogam fora.
Mas é sagrado. Por isso coisas ruins acontecem.
O destino de um rapaz depende disso.
Precisa dar ao padrinho
para que ele enterre em algum lugar.
Se colocar no pátio de uma prisão,
o rapaz se tornará um delinquente.
Se colocar no pátio de uma universidade,
ele vai se tornar médico ou engenheiro.
-Engraçado. -Não é para rir.
Não estou rindo.
Se quiser que seja médico,
só precisa enterrar aquilo
no lugar certo, então?
Claro que não!
Ele precisa estudar!
Mas, se enterrar no lugar certo, Deus vai encorajá-lo
a se esforçar
para entrar em uma universidade.
São nossos costumes.
Conhece o Zail?
Quem?
Shir Mammad.
Todos o conhecem. Você não?
Qual é o sobrenome dele?
Vossoughi.
Behrouz Vossoughi.
Behrouz Vossoughi?
Isso, veja.
Aqui.
É um homem de verdade.
É viril.
Corajoso.
Dá para ver no olhar dele que é homem de verdade.
Com certeza.
-Ele ainda está vivo? -Sim.
Que bom.
Graças a Deus.
Enquanto ele viver,
o destino do Ayoub estará nas mãos dele.
Guardei isso por 38 anos,
para garantir um futuro para ele, pela graça de Deus.
Você poderia
dar isso a ele?
O que é isso?
Não se ofenda.
Não é nojento.
Eu mantive no sal,
envolto em algodão,
e coloquei nesse pano.
É o prepúcio do meu filho Ayoub.
O que faço com isso?
Por gentileza,
entregue ao rapaz,
para ele entregar ao homem viril do cartaz.
Não dá.
O Sr. Vossoughi está fora do país.
Faça esse favor.
Quando o rapaz viajar para fora, pode levar isso com ele.
Mas o rapaz
não pode viajar para fora.
E o Sr. Vossoughi não pode vir até aqui.
Por quê?
Porque...
Nesse caso, entregue ao rapaz,
para ele dar ao seu chefe.
Ele pode contar a história do Ayoub.
Talvez Deus nos ajude.
Até o problema do rapaz e do homem viril
pode ser resolvido com um pedacinho de pele.
-Está bem. -Isso tem poder.
Boa noite. Obrigada.
Com licença.
-Queria dizer mais uma coisa. -Certo...
Na série, percebi que é solteira.
Temos espaço aqui. Fique, o clima é agradável.
Obrigada.
Pelo menos entregue essa carta ao rapaz.
Se ele tiver um problema, isso vai ajudar.
O que é isso?
É a história do meu filho Ayoub.
-Obrigada. -Tchau.
Ei.
Boa noite. O que faz aqui?
-Soube que tinha voltado. -Eu estava indo para a sua casa.
-Alguma notícia da minha filha? -Não se preocupe, ela está bem.
-Você a viu com seus próprios olhos? -Sim. Sim.
Obrigada. Deixe-me beijar sua mão.
Você a ajudou muito.
Sua filha me fez vir até aqui.
Boa noite. Quer ir para a minha casa?
Obrigada. Fica para a próxima.
Não fique no escuro.
Boa noite.
Muito obrigada.
Durma bem.
Sua filha está bem. Está na casa da Shahrzad.
Qual é o problema?
O pai dela está voltando.
Se o irmão souber que ela está lá, vai botar fogo na casa.
Ele vai botar fogo na casa da Shahrzad?
Por quê?
Vivemos em uma vila.
As pessoas fofocam.
Não temos mais honra.
Achei que ela estivesse em Kerman.
O que ela faz aqui?
Ela veio há dois anos.
No começo, era muito assediada.
Quando o prefeito descobriu que ela havia atuado em filmes,
dançando,
ele decidiu expulsá-la.
Ele mandou pessoas
para...
Para jogar as coisas dela fora.
Isso não a incomodou.
Ela pintava o dia todo.
Dizia que ficar fora de casa não a incomodava.
As pessoas finalmente a deixaram em paz.
O prefeito proibiu que fôssemos à casa dela.
E ela nunca visitou ninguém.
Mas não se falava em outra coisa.
Minha mãe dizia: "Quer ser artista como a Shahrzad?"
Estão escolhendo a próxima vítima?
Fez a ligação?
Sim, preciso estar em Teerã amanhã, às 18h.
-Estaremos lá. -Espero.
Um homem me pediu para te entregar.
-O que é isso? -Uma carta.
Explico o resto depois.
Vou comer. Estou faminta.
Vi a mãe da Marziyeh. Falei com ela.
Boa noite.
Abra isso depois, por favor.
O quê?
Abra depois.
Sabe o que é isso?
Estão todos juntos nisso.
Alguma notícia do seu noivo?
Por que não ouvimos falar dele?
Ele desertou há cinco anos.
De vez em quando, ele foge
e volta para a vila.
Ele fica por um tempo
e, depois, decide partir de novo.
Toda vez, ele promete que não vai me abandonar,
mas ele faz o que quer.
Ele pode aparecer a qualquer momento.
E agora, o que você fará com ele?
O problema não é convencê-lo,
mas sim a família dele.
Esse lugar não tem lógica e nem leis. Com exceção da estrada.
Mas eles mudam todo dia, ao invés de consertá-la.
Um dia, eu peguei uma pá
para tentar abrir a estrada
e deixar dois carros passarem.
Eles tiraram a pá de mim. Disseram: "Isso não é para mulher.
Essas ferramentas representam a honra de um fazendeiro".
Pode apagar? Desculpe.
Leve isso.
Boa noite.
O que os trazem aqui?
Como vai?
Bem, obrigado.
E você?
Venha para nossa casa.
O prefeito nos pediu para te tratar como um convidado.
Muito obrigado. Vamos embora de madrugada.
Por isso estou aqui. Senão, eu iria. Obrigado.
Precisa de alguma coisa?
Não, nada. Eu pediria se precisasse.
Roupas, um cobertor?
Muito gentil, mas não, obrigado.
Muito obrigado.
Mande meus cumprimentos a todos.
Não vamos mais incomodar.
Muito obrigado. Boa noite.
Boa noite. Até mais.
Esse povo de cidade grande não aprende.
Uma chuva de granizo daria uma lição nele.
Cuidado com o que diz.
Isso seria ruim para nós.
Perderíamos nossas plantações.
Mesmo assim, daria uma lição nele.
Bom dia.
Dormiu bem?
Quer lavar o rosto?
-Bom dia. -Bom dia.
Ela saiu de madrugada, com os materiais de pintura.
Deixou um presente para você.
Então ela não me odeia.
Não, ela segue a vida dela.
E o que é isso?
Agora sou um padrinho.
Vou colocar aqui. Não esqueça.
Podemos ir?
Sr. Panahi...
As mulheres sabem lidar melhor com essas situações.
Quem é?
Bom dia.
Quem está aí?
Somos nós.
Vim trazer a Marziyeh.
-Entre. -Obrigada.
Prometam que não haverá nenhum problema.
Entre.
Entrem.
Saia.
Aonde quer que eu vá?
Abra a porta!
Vou andar um pouco.
Sra. Jafari!
Sra. Jafari, espere por mim!
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