All language subtitles for Il Sapore Del Grano (Gianni Del Campo, 1986)

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Original subtitles

O Sabor do Trigo

Todo homem tem lembran�as de sua vida..

a partir de certo ponto...

Para alguns, a primeira lembran�a � de um brinquedo...

Para outros... o sabor de uma comida...

um lugar... uma palavra, um rosto...

coisas diversas.

A primeira lembran�a que tenho de minha vida...

� a de minha m�e...

em seu leito de morte.

- Professor! - Sim, o que foi?

Vamos terminar o �ltimo cap�tulo hoje?

Terminamos amanh�.

Est� gostando bastante do livro, n�o �?

- Sim. - E por qu�?

Minha m�e tamb�m morreu quando eu nasci.

A raz�o porque o chamei aqui, professor...

foi porque preciso lembrar-lhe...

Esse � o primeiro ano que ensina, n�o �?

Sim. Exato.

Voc� precisa anotar no di�rio de classe

a mat�ria que est� dando,

para o caso de uma inspe��o feita pelo Diretor Geral.

� poss�vel que n�o saiba, mas s�o um bocado exigentes.

Tudo bem, senhor.

Est� lendo um livro para a turma...

Cr�nica Familiar

de Vasco Pratolini.

Est� ciente de que de acordo com a igreja cat�lica

este livro � recomendado apenas para leitores maduros?

Ou seja, para "aqueles com forma��o em doutrina teol�gica

e capazes de avaliar criticamente o que seja."

N�o sabia desta recomenda��o.

Mas eu conhe�o.

E � por conta disso que quero informar-lhe...

- permita-me - que n�o estou de acordo com isso.

Pe�o desculpas.

Na tarefa de italiano de um dos alunos

marcou de azul uma express�o espont�nea do mesmo

recomendando o uso de um verbo excessivamente violento.

N�o compreendo...

Substituiu a frase "comprar uma crian�a"

pelo verbo "parir".

- Mas � um trabalho de escola. - Exatamente.

E o senhor acha que n�o devo corrigir tal id�ia errada?

O verbo � por demais real�stico.

Ainda � um estudante.

E foi muita sorte sua conseguir esse emprego

logo de in�cio.

N�o pense que vai ter a mesma sorte no ano que vem.

E se quer um conselho...

n�o tenha assim tantas ilus�es acerca desses rapazes.

Assim evitar� surpresas desagrad�veis.

Al�m disso, quero lhe dizer

que vai assumir inteira responsabilidade

por qualquer reclama��o por parte dos pais.

Tudo bem. Eu assumo a responsabilidade.

Professor! Com me sa� no trabalho de Italiano?

Bem. A prop�sito, Ivano...

tem certeza de que a sua irm� comprou uma crian�a?

� claro que n�o comprou, professor!

- Por que escreveu aquilo, ent�o? - Porque isso � uma escola.

E o meu, professor?

O seu estava bom. E o de Duilio tamb�m.

Frequentaram a mesma escola?

N�o, ele � de Civitello, uma cidade de caipiras.

- Quem � de uma cidade de caipiras? - � voc� mesmo, n�o �?

Quem conhece Rosario, que mora em Civitello?

Est� no hospital. Tem problema de cora��o, como todo mundo da fam�lia.

Mas recebeu alta h� dois dias. Queria v�-lo.

Pedi ao meu pai para vir falar com o senhor. Ele vem na sexta-feira.

Sim, mas gostaria de ver o pai de todo mundo.

Pelo menos uma vez por semestre.

Professor, para os que moram por perto � f�cil,

mas � muito complicado para que mora longe.

- Qual a sua idade, Gabriele? - Dezessete. Por qu�?

S� curiosidade.

S� estou aqui para me graduar. Meu pai n�o quer que eu trabalhe no campo.

E voc� prefere a escola ou o campo?

A escola, professor! No campo � s� trabalho!

E o seu pai?

Prefere que eu venha para a escola, apesar de ter muito trabalho no campo.

Bom, hoje, j� que vou a Civitello...

vou � casa de Rosario primeiro e depois � sua. Est� bem?

Se assim quiser...

Ent�o depois da escola voc� sempre vem para o bar?

Sim.

- E a que horas estuda? - � noite.

Ent�o, adeus. Eu vejo voc� amanh� na escola.

Adeus, professor.

O que faz aqui?

N�o queria conhecer os meus pais?

- Claro. - J� visitou o Rosario?

- Sim. - Eu moro fora da cidade.

Sabe andar de bicicleta?

Mais ou menos.

Ent�o vamos. Est�o esperando pelo senhor.

Ela fala tanto no senhor, que � como se eu j� o conhecesse.

Verdade?

- Boa noite. - � meu pai.

- Boa noite. - Desculpe n�o aperta a sua m�o.

Acabo de chegar da cocheira.

Sente-se, professor.

Obrigado.

Sirva o vinho.

- Quer um pouco tamb�m, Mauro? - Sim.

Vou acompanhar o professor.

Mam�e... E eu?

� sa�de do professor!

Sa�de.

Devia ter-me lembrado de que o �ltimo �nibus sai �s 17:30h.

Paci�ncia! Eu pego um t�xi.

Gostou de minha fam�lia?

Sim.

Vai voltar?

- Que pergunta! - Quando?

Amanh�, se voc� quiser.

Gostaria que fosse todos os dias.

Faz tempo que eu estava para lhe dar isso.

Mas o senhor s� ia � casa do Rosario.

Est� feio. N�o ficou como eu queria.

Tome.

Voc� mesmo fez?

Sim.

Para mim?

Sim.

� de carvalho?

N�o, � bordo. N�o v� pela cor?

Meu av� gosta muito do senhor.

Quando aparece, ele se levanta.

� um cumprimento.

Pois em geral ele fica sentado e nunca fala nada.

N�o o conheceu h� dois anos.

Ele era o homem mais forte do vilarejo.

Repare como est� agora.

Est� com c�ncer, mas n�o sabe.

Gostaria de ir onde est� a minha m�e?

Assim posso mostrar onde est�o os meus irm�os tamb�m.

Minha m�e estava sempre contente.

� o que diz minha av�.

Ela tinha cabelos compridos, como os de minha irm� Adalgisa.

Todo mundo tem um sonho que deseja realizado...

mesmo que pare�a imposs�vel.

�s vezes parece que o mundo inteiro est� contra voc�...

E na maioria das vezes, � verdade.

Como todo mundo, tenho um sonho...

imut�vel...

o qual mantenho em segredo.

Ouvi dizer, professor, que se mudou para c�.

Sim, h� poucos dias.

Imagino que foi para ficar mais perto de seus alunos.

Tamb�m.

A prop�sito dos alunos...

n�o tem dado aulas particulares para Rosario Toniutto?

Sim. E n�o s� a ele. Por qu�?

Bem, o senhor deve saber que � proibido dar aulas particulares.

Acredito que posso usar o meu tempo livre como assim me aprouver.

� verdade.

Mas um professor n�o pode receber dinheiro dos alunos de sua escola...

Muito menos de seus pr�prios alunos!

As aulas particulares que dou s�o absolutamente gratuitas.

Est� querendo que eu acredite que gasta as suas tardes...

dando aulas de revis�o sem ganhar por isso?

� exatamente o que fa�o. N�o acredita?

Por Deus! N�o est� aqui quem falou.

- Faz tempo que est� aqui? - N�o, s� h� uns dez dias.

- Vamos l� para cima? - Sim.

- � toda branca? - Sim. Assim h� mais luz.

Com licen�a.

Que aposento � este? A sala?

Pode chamar de sala.

- E este � o banheiro. - Sim.

- Este � o seu quarto? - Sim.

Bom, pode limpar um pouco o lugar durante as f�rias.

Limpo, sim.

- Onde � a cozinha? - Ali.

Deixe-me ligar a luz.

Que horas s�o? N�o quero perder o trem.

N�o se preocupe. Temos tempo.

Perguntei por conta de minha m�e. Sempre se preocupa quando chego tarde.

Aqui n�o � t�o ruim.

Fico contente de ter te conhecido.

Por qu�?

Porque gosto de voc�. Bastante.

N�o. Agora n�o.

O que vai fazer no s�bado � noite?

- Se quiser, pode vir para c�. - N�o posso. Vou a uma festa.

Por que n�o vem?

- Assim posso te apresentar ao Bruno. - Quem � Bruno?

� meu noivo. N�o tinha falado dele ainda?

Devia ter me dito que n�o gostava de dan�ar.

Est� a� sentado bebendo a noite toda...

Est� incomodado com alguma coisa? H� algo de errado?

Estou bem, obrigado.

Ele � jovem... para um professor.

Imagino que seja um trabalho tempor�rio.

No momento, sim.

Por que n�o dan�a um pouco com Cec�lia? Vamos trocar de lugar.

V� l�, dance com ele.

Ele � mesmo seu noivo?

Estou com ele h� tr�s anos.

� casado, mas est� separado. Como devo cham�-lo?

Ent�o por que transa comigo?

Voc� � muito ing�nuo, Lorenzo.

Eu transo com que me apetece... e quando me apetece.

Quanto aos sentimentos...

s�o ilus�es de crian�a.

Voc� sempre se lava com �gua fria?

Quando faz sol, sim.

Suas cal�as est�o sujas.

Tire-as para que eu as limpe.

- D�-me a escova. - N�o quer que eu limpe?

N�o.

Ent�o vamos l� para casa. A escova est� l� dentro.

Meu Deus! Ser� que estou enxergando bem? O professor limpando as cal�as!

- O que h� de errado nisso? - Nunca vi nada igual!

Vai jantar conosco?

- Agrade�o, mas hoje n�o posso. - Por qu�?

Que coisa! Perguntar por que ao professor!

Ele faz o que quiser!

N�o dou uma resposta porque a senhora � velha, vov�!

Que tristeza, professor.

V� como me desrespeita?

Duilio... Leve o leite � cidade.

- Com licen�a, senhora. - � vontade.

- Cuidado para n�o cair. - Boa noite.

- Boa noite, professor. - Duilio me convidou para jantar.

- Posso aceitar? - Claro que sim.

Espero que tenhamos algo que lhe agrade.

Claro que sim.

Boa noite, professor. Vou me retirar para a cama.

- T�o cedo, senhora? - Geralmente vou para a cama �s 20h.

Abri uma exce��o para o senhor.

S�o coisas dela, professor. N�o d� import�ncia.

O senhor n�o viu, mas ela n�o queria jantar conosco.

Homem � mesa e mulher na cozinha.

Boa noite de novo, professor. At� a pr�xima.

- Boa noite. - Durma bem.

- Quer um cafezinho, professor? - Sim, obrigado.

- E voc�? - Sim.

Mais tarde podemos tomar um pouco de grappa.

Viu como a minha av� � simp�tica?

Sim, mas n�o gostei da maneira que falou com ela.

Minha filha Adalgisa � igual ao Duilio.

Eles �s vezes me deixam muito nervoso.

Pobre menina! Depois do que lhe aconteceu!

Eh, professor! Tantas coisas aconteceram!

Minha filha estudava num col�gio.

As freiras do col�gio queriam a todo custo que ela fosse para o convento.

Ent�o fui falar com as freiras e pedi-lhes...

que mandassem ela para casa... pelo menos por um tempo.

Assim poderia conhecer um pouco o mundo...

Acredito que entenda.

Minha esposa e meus dois primeiros filhos morreram.

Os que restaram foram a Adalgisa e o Duilio...

que foi salvo por milagre, depois da morte de sua m�e.

Obrigado.

Ent�o encontrei essa mulher...

que era vi�va tamb�m.

Ela tomou conta das crian�as como se fossem seus pr�prios filhos.

Mas a tristeza n�o tem fim, professor.

Agora o meu pai tem esse queimor no est�mago...

Como est� hoje?

Deve ter reparado. N�o comi quase nada.

E quando pensei que o azar j� se tinha acabado...

tivemos problemas com Adalgisa.

Ela n�o queria outra mulher na cama de sua m�e.

Acho que... foi por isso que ela quis ir para o convento.

As freiras n�o entenderam nada!

porque... se tivessem entendido,

n�o teriam... insistido

para fazer com que minha filha virasse uma freira.

De tanto pedir e rezar...

consegui convenc�-las a que ficasse comigo por um tempo.

Entretanto, a freira come�ou a escrever para ela.

Eu escondia as cartas...

e as respondia eu mesmo...

no lugar de minha filha.

Imagine, professor...

j� fazia muito tempo...

que n�o segurava uma caneta.

Escrevi dizendo que queria passar mais um tempo aqui

antes de entrar no convento.

Ent�o eu disse � minha filha

que se aquela era realmente a sua voca��o...

ela poderia esperar.

Para que completasse os seus estudos, foi para a casa de uma irm� em Mil�o.

Sim, sei que sou pobre.

Mas sou t�o bom quanto qualquer outro pai.

O processo da produ��o mec�nica...

foi o fator determinante para a revolu��o industrial...

no s�culo passado.

- Com licen�a. - Bom dia.

Bom dia, professor. Aqui est� o seu caf�.

Obrigado, Berto.

Um minuto s�.

Eu vou lhe dar...

Espere um pouco que vou pegar uma flanela.

Professor, quer que eu pegue outro caf�?

N�o se meta no que n�o � de sua conta.

O professor n�o devia tomar caf�. Fica muito nervoso.

Vai ficar comigo hoje?

N�o.

Perd�o. Foi uma pergunta est�pida.

O que fazemos n�o � o suficiente?

Se � tudo o que podemos fazer juntos... n�o.

As coisas semples sempre te afligem. S� que saber de complica��es!

Ent�o � uma complica��o o fato de eu te amar?

Mas eu te amo tamb�m.

E tamb�m ama o Bruno?

Claro.

Quando n�o estamos juntos, voc� pensa em mim?

Sempre.

Mas sempre sou eu quem vai atr�s de voc�. Sempre.

E sempre me acha. Iss n�o basta?

N�o.

Tenho de ir embora, Lorenzo. Venha comigo; j� � tarde.

Voc� prefere o meu cabelo preso assim?

Ou solto?

O que h�, Lorenzo? N�o vai dizer nada?

Perguntei o que h�.

Por que quer saber? Tem mesmo interesse?

Sempre que vou-me embora � essa coisa.

Ent�o deixe de vir.

O que disse?

Voc� escutou muito bem, Cec�lia.

V� embora.

Acabou? Assim.

Sim. Desse jeito.

Est� bem, Lorenzo.

Adeus.

Pare. � aqui.

- Est� vendo aquela casa ao fundo? - Sim.

Pode entregar isto sem dizer quem mandou? Fico esperando.

- N�o devo dizer nada? - N�o. Nada.

- � uma surpresa? - Sim.

Obrigado pelo toca-discos e pelo livro em ingl�s.

Por que n�o entrou? Podia ter jantado conosco.

Tome. Hoje � seu anivers�rio.

- Como soube disso? - N�o � dif�cil saber essas coisas.

- O que �? - Vai ver.

Estes s�o todos os meus poemas.

Acho que � pedir demais para corrigi-los.

Pule o canal! Vamos!

- N�o. - � f�cil.

- N�o consigo! - Vamos l�!

Est� vendo? Conseguiu.

� importante diferenciar uma �rvore de outra.

- Ent�o me ensine. - Ensinar? Eu?

- Sim, voc�. - OK. Vamos tentar.

Que �rvores s�o aquelas ali ao fundo?

- N�o sei. - S�o choupos.

N�o v�, pela forma?

E aquelas, perto dos choupos?

- N�o sei. - S�o ac�cias...

Carvalho. Carvalheira.

N�o v�? S�o muito f�ceis de reconhecer.

A sua m�e ainda est� viva?

N�o. Morreu h� pouco tempo.

E o seu pai?

Ele tem outra fam�lia.

Voc� n�o tem irm�s?

N�o.

- Nem irm�os? - Nem irm�os.

Eu queria ter um irm�o como voc�.

Quem cozinha para voc�?

Depende. Ou eu como fora, ou fa�o eu mesmo.

Antes de sua m�e morrer, voc� era mais feliz?

- N�o sei. - Como n�o sabe?

- N�o amava a sua m�e? - Claro que sim.

Ent�o devia ser mais feliz.

Eu era... diferente. Entende?

Talvez. De qualquer maneira, voc� se parece comigo.

Tem certeza.

Tenho.

- Isto � para dar partida. - A igni��o. E isto?

- Para parar. - Para parar.

- Isto � o freio. - Isto?

- Esta � a embreagem. - A embreagem.

- E isto � a marcha. - A marcha. Quantas s�o?

- Tem a primeira, a segunda... - E a terceira. OK.

- E isto? - Isto � o acelerador.

O acelerador. O acelerador!

Ponha as m�os aqui para dirigir. Os ombros para tr�s.

- A igni��o � ali, lembre-se. - A igni��o.

- E n�o corra muito. - OK.

Vamos dar uma voltinha? Vamos.

Este � o primeiro volume de uma enciclop�dia que...

vou dar de presente ao Duilio.

Que livro enorme! Maior que eu!

N�o devia dar-lhe presentes caros, professor.

Deve ter custado muito.

Nunca poderemos retribuir.

N�o foi nada, senhora. N�o me custou nada.

� uma vers�o antiga que usei no col�gio.

Vai ser mais �til para ele agora do que para mim.

Professor, gostaria de um pouco de vinho?

N�o, obrigado.

Venha comigo. Preciso ir � cocheira.

Sabe como chamamos essa vaca?

- N�o. - Colomba.

Aquela � Rosetta. As outras s�o Bianca e Berta.

Uma bela fam�lia. S�o todas f�meas?

Claro! Se tivesse um macho aqui...

elas nunca dormiriam � noite.

Uma vez ou outra n�s pegamos o s�men de um boi...

e metemos na vaca. � assim que nascem os bezerros.

Repare a Colomba.

Ela perdeu um bezerrinho.

Fizemos tudo o que pudemos para salv�-lo, mas n�o adiantou.

Ela sofreu bastante.

Repare... Ainda est� vermelha por conta do que passou.

- O que h�? - Nada?

Estava ouvindo.

Eu nem agradeci pela enciclop�dia.

N�o importa.

Que presente!

Mas como vai trazer os outros volumes para mim?

- Vou trazendo aos poucos. - S�o muitos?

Oito.

Sabe a Mara da turma?

Aquela que sempre diz sim?

Ela me disse que quando se casar vai querer ter muitos filhos...

E que vai colocar o seu nome no primeiro menino...

- Lorenzo. - Por qu�?

Porque a Mara te ama.

N�s encontramos o di�rio dela em sua bolsa.

Devia ter lido o que ela escreveu!

Lamento por Mara. Notei que gosta de mim... Mas n�o pensava que...

Mas como algu�m pode ser t�o est�pido?

Mara sabia que voc� estava comprometido.

Que h�? Est� zangado?

N�o, n�o... � que...

N�o estou mais comprometido.

E aquela foto que voc� guarda em sua carteira?

� a foto de uma garota que eu conheci h� algum tempo.

E ainda guarda a foto dela?

Vamos embora, Duilio. Levante-se. Vamos.

O carro est� aqui j� h� cinco minutos.

Boa noite, senhora.

- Tchau, Duilio. - Tchau.

Onde est�?

Est� esperando pelo senhor no bar, professor.

- Obrigado. - De nada.

- Bom dia. - Bom dia.

Desculpe-me, professor, por t�-lo feito vir aqui.

N�o tem problema. A que devo a visita?

Eu queria conversar com o senhor. Mas... sente-se...

Obrigado.

- O que lhe posso oferecer? - Nada, obrigado.

Pe�o desculpas, mas s� posso conversar por pouco tempo.

Minha aula come�a daqui a dez minutos.

Vim aqui para falar sobre o Duilio.

Estamos tendo um bocado de trabalho no momento...

e at� mesmo a minha mulher precisa de ajuda.

A av� est� vela... Fica cansada muito r�pido.

Quer que eu pare de visitar o Duilio?

Por que diz isso?

D�-me tempo para explicar.

Ent�o fale.

Sabe, professor... O trabalho no campo est� para come�ar...

e preciso de meu filho para me ajudar � tarde.

O que foi que sua mulher lhe disse ontem � noite?

Por que est� me perguntando isto?

Ent�o me diga o verdadeiro prop�sito desta sua visita.

� por conta da enciclop�dia.

Eu n�o entendo porque o senhor lhe d� tantos presentes, professor.

Sabe, professor, eu me pergunto...

porque gosta tanto de Duilio.

E o que quer dele. Sim, eu sei...

o senhor tamb�m vai � casa dos outros rapazes.

Mas com o meu, a coisa parece ser diferente.

Ent�o... � esta a verdade. T�o simples assim.

Eu percebo que esse rapaz...

ama-o mais que a mim.

Se esta � a verdade...

Eu juro, professor. Est� � toda a verdade.

Nem leve em conta o que quer que a minha mulher tenha lhe dito.

Mas o que foi que a sua mulher lhe disse?

N�o fique alterado, por favor.

� uma mulher, professor...

e, no fundo, gosta de Duilio muito mais do que gosta de mim.

Ela acha que fiz algo com o seu filho, n�o �?

N�o diga isto!

Mas foi isto o que sua mulher disse.

Sim, professor.

� o que a minha mulher acha.

E o Duilio sabe disso?

Bem, ouviu a sua m�e e a av� conversarem...

mas n�o entendeu o que falavam.

- � o que pensa... - Ou�a, professor...

Meu filho costuma dizer que n�s somos todos ignorantes.

eu, minha mulher, a av� dele...

Que n�o entendemos nada!

Diz que se sua irm� estivesse em casa...

ela decerto lhe daria raz�o.

Acho que n�o temos mais nada para conversar.

S� um instante, professor.

O senhor pode vir nos visitar quando bem quiser.

Mas gostaria de poder sentir que o Duilio � meu.

Ao menos por um pouco.

Posso usar o trabalho no campo como desculpa...

e o senhor pode tamb�m inventar algo.

Assim n�o sinto que Duilio me esqueceu por completo.

Fa�a-me este favor, professor.

N�o � uma quest�o de favor.

Duilio... � seu.

- Gabriele! Saia j�! - Por qu�?

Saia j�, antes que eu o ponha para fora!

Saia! Animal!

Oi, Lorenzo.

Sabia que voc� ira me ligar.

Vov� foi levado para o hospital.

E papai me pediu para convid�-lo para ir nos visitar hoje.

- Est� bem. - A que horas vem?

Assim que comer, eu vou v�-los.

Eu espero.

Obrigado por ter vindo, professor.

O prazer � meu.

Como vai, senhora?

Levando...

E o senhor, como vai? J� faz tempo que n�o vem aqui.

Fique � vontade, professor.

Professor, vou lhe pedir um favor.

Tudo o que quiser.

Meu pai foi para o hospital para uns exames.

Mas antes de ir... ele implorou

que o Duilio fosse visit�-lo no domingo com o senhor.

Claro que sim. Podemos j� ir no pr�ximo domingo.

N�o h� pressa.

Pode ir quando for mais conveniente.

Pensei que quisessem para j�.

Claro que sim.

E eu o quero mais que ningu�m.

Para que o inc�modo?

N�o deviam...

Quer umas balas?

Sim. Obrigado.

Tome esta. � de mel.

Como est�, Sr. Luigi?

Bem... Desde que cheguei aqui...

comecei a melhorar...

e o meu apetite aumentou.

Duilio... A av� est� mais calma?

Sim, vov�.

Ficou chateada...

porque n�o pode me visitar.

Mas, a s�rio...

quanto tempo levar�

para que fa�am quatro testes?

Vou voltar para visit�-lo... Com o professor.

Duilio...

aproxime-se.

N�o d� muito trabalho � sua av�, seu danado!

E n�o brinque com armas.

Voc� � t�o jovem.

Sim.

Professor...

Ele est� com o senhor...

e te ama tanto!

N�o o abandone.

N�o entendo aquela pintura.

H� tantas cores, mas parece que s� tem uma.

Voc� gosta de desenhar?

Sim, muito.

Mas prefiro trabalhar com barro. E com madeira.

O que vai ser?

- O que quer? - Gnocchi.

- E para o senhor? - Gnocchi tamb�m. Com manteiga.

Ent�o um gnocchi ao molho e outro � manteiga.

- Vou querer com manteiga. - Est� bem.

E para o prato principal, temos uma �tima fritada de peixe.

- Gosta de peixe. - Sim.

Ent�o uma fritada para dois.

E para acompanhar? Uma salada?

Uma salada? Sim.

- Vinho tinto ou branco? - Para mim, branco.

Branco para mim tamb�m.

� seu irm�o?

- Sim. - Foi o que eu imaginei. S�o parecidos.

Gosto de respostas assim.

Se nunca disse a verdade �s pessoas, acreditar�o em voc�.

Quando olho para voc�, entendo o que diz.

Mesmo quando n�o fala.

Minha irm� est� louca para conhec�-lo.

J� falei tanto sobre voc�, que j� podem se considerar amigos.

Sabe que ela est� vindo passar uns dias conosco, n�o �?

�timo. Finalmente vou conhec�-la.

J� est� convidado para jantar.

Assim estaremos todos juntos.

- Ol�, Lorenzo. - Ol�, Adalgisa.

- Gosta desse disco? - Sim, muito.

Eu tamb�m. Comprei-o em Mil�o para Duilio.

Foi simp�tico de sua parte ter-lhe dado um toca discos.

- O que est� fazendo? - Ele perdeu, n�o foi?

Nunca vi meu irm�o assim antes.

Ele mudou muito.

Podemos jogar uma partida?

Quando eu terminar esta.

- Duilio, o que � isso? - Deixe-o para l�.

N�o d� import�ncia.

Est� surdo, menino?

Arranhei. Que pena...

Entre.

- Tire os sapatos. - Por qu�?

Minha av� vai limp�-los amanh�.

Acho que n�o. Eu mesmo limpo.

N�o fa�a tanto barulho. Deixe-os aqui.

Pronto? Vamos.

Boa noite, Lorenzo. At� amanh�.

Tchau. Boa noite.

O quarto do fundo � o meu.

Estou contente que esteja dormindo aqui.

O que posso preparar para o senhor, professor?

J� me fez um caf�, obrigado. Eu n�o como nada pela manh�.

Mas � muito pouco! Posso trazer um p�ozinho com manteiga?

- Ou, talvez, ovos? - N�o insista, vov�!

Bem, que fa�a o que bem quiser.

N�o d� import�ncia. �s vezes nem eu mesma ag�ento ela.

Hoje vou ao cabeleireiro na cidade. N�o quer vir comigo?

N�o h� ningu�m mais em casa?

N�o. Est�o todos no campo.

Sempre que volto para casa, olham para mim de baixo a cima.

Como se eu fosse quem sabe o qu�!

Voc� n�o passa despercebida.

O que � isso? Um elogio ou uma repreens�o?

Um elogio. N�o se preocupe.

N�o conversamos muito ontem.

Podemos come�ar agora.

Tem namorada?

N�o.

Eu tenho algu�m.

Mas � como se n�o tivesse ningu�m.

Faz tempo que ensina?

N�o. � o primeiro ano.

Voc� mais se parece um irm�o mais velho de seus alunos.

� o que todo mundo diz.

E voc�, o que faz de bom em Mil�o?

Bom, trabalho. Estudo. Sobretudo, me divirto.

- Mora com sua tia? - Sim.

E pago por isso. At� por um copo d'�gua.

Como � sua tia?

Um zero � esquerda. Voc� a conhece?

N�o, mas o Duilio j� me falou dela. Ele gosta muito dela.

Meu irm�o ama todo mundo. � seu pior defeito.

Voc� gosta muito dele, n�o �?

Sim. Muito.

E por que tanto assim?

Simplesmente porque ele gosta de mim.

Ivano.

O Duilio n�o veio na excurs�o?

N�o sei. Eu n�o o vi.

Duilio! Venha c�!

Venha voc�. N�o v� que estou ocupado?

Ou est� com medo de cair?

Olhe o que fez com os seus sapatos.

Por que n�o ficou onde estava?

Est� chateado, n�o �?

Est� jogando comigo.

- Voc� � quem est�! - Est� enganado.

- Por que n�o veio conosco hoje? - Por que deveria ter ido?

Duilio, olhe para mim.

Estou aqui com voc�. Isso n�o basta?

D�-me a sua m�o.

E agora, que as aulas acabaram... Quando vou v�-lo?

Quando quiser. Escreva-me e eu venho.

Ou�a... Uma amigo meu...

estava no colegial, mas foi expulso.

Ele tem quinze anos e n�o quer ir mais para a escola.

Mora perto de minha casa.

Eu disse para ele que se voc� lhe desse aulas particulares...

no ano que vem colocam-no na s�rie seguinte.

N�o posso dar aulas particulares para os alunos da escola.

E depois, mesmo que pudesse, teria de me mudar para c�.

Foi por isso que eu pedi.

Estamos contentes por ter vindo.

Cec�lia me falou que voc� vai voltar para Veneza.

Sim, em poucos dias. O tempo necess�rio para a mudan�a.

E no ano seguinte vai voltar a ensinar?

N�o sei.

Bem, de qualquer maneira sempre podemos vir visit�-lo.

Se voc� quiser.

Claro.

Bruno, tem de ir agora. S�o seis horas.

� verdade. J� est� na hora. E voc�, quando vai � praia?

Amanh�, com minha m�e.

Lorenzo, vai me fazer companhia hoje � noite?

Se Bruno n�o se importar...

Por que me importaria?

Acorde, j� � tarde.

Ol�.

D�-me um beijo.

Nunca vi voc� assim.

Assim como?

Eu queria me acordar...

e te encontrar ao meu lado.

Tenho de ir embora! Vamos, levante-se!

Posso ir para a praia com voc�?

N�o.

Mas por que n�o podemos nos encontrar em p�blico?

Com pessoas ao redor?...

J� disse mais de mil vezes.

Por causa do Bruno.

Namoramos h� j� bastante tempo...

Estamos nos casando dentro de um m�s.

Lorenzo... nada vai mudar.

Vamos continuar nos vendo.

Por favor, pare de falar.

N�o me acompanha?

Acho que n�o vai se perder se for sozinha.

Devo ir?

Chegou um cart�o postal para voc�.

N�o pode ser. Ningu�m me escreve.

Parece que sim.

Um certo Duilio.

Pede que v� imediatamente; o seu av� morreu.

Quem � esse Duilio? Um amigo?

Sim.

Sim, � o meu melhor amigo.

E s� tem doze anos.

- � um de seus alunos? - N�o.

� algu�m que me ensinou tudo.

Eu gostaria muito de poder ficar na praia com voc�.

Estou atrasado. Eu sei.

N�o. Venha.

Minha irm� n�o est� mais morando com minha tia.

Expulsaram-na e colocaram suas coisas na varanda.

Ningu�m sabe o que � dela.

Coitado do vov�.

Se soubesse da confus�o que aconteceu depois de sua morte...

teria feito o poss�vel para n�o morrer.

Foi o marido de minha tia que armou toda a confus�o.

Meu pai ofereceu-lhe dinheiro para poder ficar com a fazenda.

mas a minha tia e o meu tio queriam mais.

Mas depois acabaram aceitando.

Mas disseram-nos que... para eles...

estamos mortos.

Estou contente que veio ficar comigo.

Voc� ainda tem o barco que eu te dei?

Sim.

E os poemas?

Tamb�m.

Nunca dei bons presentes para voc�.

Os seus s�o muito melhores.

Todo mundo l� de casa gosta de voc�.

Viu a minha m�e?

Foi ela quem disse que voc� poderia dormir conosco.

Agora, finalmente... ela entendeu tudo.

Que voc� seria incapaz de me fazer qualquer mal.

Pode voltar quando quiser.

Ser� sempre bem-vindo.

Obrigado.

Adeus, professor. Boa viagem.

Vai voltar no ano que vem para ensinar aqui de novo?

Acho que n�o. N�o sei para onde v�o me mandar.

Obrigada por tudo.

E me desculpe.

Como fica bonita a senhora... quando sorri.

N�o vai voltar?

N�o, Duilio. N�o posso.

N�o � verdade que n�o pode.

N�o quer.

Tradu��o: frombr.

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