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Legendas: João Ahrens Teixeira
LIBERTEM O WILLY 2
Que se passa, tio Randolph?
Que é?
O Willy.
Há três posições. Para cima e para baixo e ponto morto.
Tudo para trás é marcha atrás.
- Para a frente... - Assim?
- Para a frente. - Não, assim.
Sim. Muito engraçado.
Depois da mudança metida, tens de arrancar logo.
- Percebeste? - Sim.
- Não estás atento. - Cuidado.
- Estás a olhar para onde? - Nada.
Até logo.
Ele vem falar connosco.
Olá, Julie.
Olá, Jesse. Tudo bem?
O meu pai e eu estamos a arranjar o barco.
- Dwight. - Tudo bem, Glenn?
- Tudo bem. - Óptimo.
- O Jesse tem namoradas? - Centenas.
- Que te traz cá? - Queria falar convosco.
- Dwight. Não o vi entrar. - Estavas ocupado.
Estou esfomeado. Fica para jantar?
- Que foi? - Vem sentar-te connosco.
- Porquê? - Anda cá.
Que se passa?
Bem...
o Dwight disse-nos que encontraram a tua mãe em Nova lorque.
E...
infelizmente, ela faleceu.
- Morreu? - Lamento muito.
- Devia tê-la procurado. - Ela não queria ser encontrada.
Não havia nada a fazer.
A tua mãe precisa de ajuda, deixou cá alguém.
- Tens um irmão. - O quê?
Meio irmão. Tem 8 anos.
Não me toques. Deixa-me em paz.
Não quero um irmão, quero a minha mãe!
Sai daqui!
Como é que ela me abandonou, e foi ter outro filho?
Não sei, Jess. Não tenho resposta para isso.
Pensei que se me portasse bem...
e acreditasse...
ela voltaria.
Não vai voltar, Jesse.
Eu sei.
Eu sei.
É o ar frio. Entra-me nos olhos.
Deixa estar. Não faz mal.
O teu irmão vem viver connosco umas semanas.
O Dwight e a Annie combinaram tudo.
É uma custódia temporária.
Bolas.
És o único parente dele, portanto vai ficar cá...
até o Dwight encontrar uma casa para ele.
Ou até a Annie se apaixonar por ele e não o deixar partir.
- Exacto. - Que chatice.
Tens uma certa razão.
Vai correr tudo bem. Vais ver.
Deixaste cair isto.
- Obrigado. - De nada.
Espero por ti lá fora.
- E as férias? - Que têm?
Queres levá-lo? Um estranho?
Vamos fazer tudo o que planeámos. Vamos visitar o Randolph.
Acampar. Vai ser divertido.
- Achas que sim? - Não sei.
Pergunta-me daqui a uns dias.
Sê simpático para eles. Eu ajudo-te.
Sê simpático.
- Glenn? - Sim.
Pronto.
- Olá, Dwight. - Olá.
Entrem. Entrem.
Glenn, Annie, apresento-vos o Elvis.
Elvis, estes são os Greenwood.
- Olá, Elvis. - Vocês não são ricos?
Elvis.
- Foi o que disse o Dwight. - Não disse nada.
Eu disse-lhe que só ficava com ricaços.
Não me custa tanto adaptar-me. É mais fácil.
Vou ver o que se passa com o teu irmão.
Como é ele?
Diferente. Vem ver.
- Não quero. - Jesse.
Fala com ele, talvez descubras algo.
O quê?
Ele passou os últimos 8 anos com a tua mãe. Diz-me tu.
Vemos-te lá em baixo.
Está bem.
Ele desce já.
Elvis, este é o Jesse.
Olá.
Está bem.
Temos de despachar-nos. O barco sai às 10:30.
- Elvis, tens tudo? - Tenho.
Foste à casa de banho? Pronto. Querido, leva isto.
Parece que está tudo arrumado. Vamos.
- Estamos prontos. - Entra e aperta o cinto.
Vamos.
O cinto.
Vá lá.
Vamos embora.
- De onde veio o nome Elvis, Elvis? - Da minha mãe.
- Tem graça. O meu também. - Está bem.
Vou ser actor de cinema.
- Como o meu pai. - Pois.
O meu pai, o Al Pacino.
Os meus amigos chamam-me o Padrinho.
Não venhas com tretas.
O mar. A minha mãe adorava o mar.
- Ela nasceu no mar. - Que interessante.
Num porta-aviões.
Ninguém sabe. É segredo.
Vens com comando à distância?
Que eu saiba, não.
Não é bonito?
- Estás a olhar para quê? - E tu?
- É um monte de água. - Vê-se que percebes muito.
- Há um parque de diversões? - Não.
- Há um miradouro de baleias. - Onde miram as baleias?
Sim.
Olhem, baleias! Baleias!
Olha para aquilo.
Meu Deus.
O parque de campismo é por ali.
- Vamos lá. - Falta muito?
Caramba.
- Vou montar a tenda ali. - Está bem.
Queres alguma coisa? Um café, talvez?
Estás a divertir-te?
- Elvis, anda, deixa o Glenn. - Bom trabalho.
Preciso da tua ajuda. Importas-te de varrer a tenda?
Jesse.
Randolph.
Olha para ti.
- Deves ter crescido 15cms. - 11.
- Desde manhã. - Glenn.
- Annie. - Olá, Randolph.
- Que bom ver-te. - Igualmente.
- É o teu irmão? - Meio.
Olá, chamo-me Elvis. Sou meio Apache.
Muito gosto, Elvis. Apache? São grandes inimigos do meu povo.
Eu disse Apache?
- Queria dizer Cherokee. - Pior ainda.
- Vamos. - Aonde?
- Ver baleias. - Até logo.
Divirtam-se.
Aonde julgas que vais?
- Queres que eu conduza? - Sabes?
- Não. E tu? - Engraçadinho.
Toma. Tenho umas surpresas para ti. Para ti, da minha aldeia.
O meu povo acredita que a alma vive aqui.
Quando usas o colar, a orca fica perto do teu espírito.
Obrigado. É o máximo.
Senti a tua falta, Jesse.
Também eu.
- Rick, Nadine. - Olá, Randolph.
- Espero que ela seja a outra surpresa. - Vou ignorar isso.
- Não me apresentas? - Não. Vou ensinar-te a conduzir.
Quem é ela?
É aminha pesquisadora de orcas. Solta a amarra, Nadine, vamos embora.
Toma.
Fica atento.
Está bem.
Poupa-me. É minha afilhada.
Que queres dizer?
É como uma filha. Tomo conta dela.
Está bem.
Nadine, anda cá.
O que precisas, Randolph?
Nadine, Jesse. Jesse, Nadine.
- Olá. - Olá.
- Muito gosto. - Nadine, fica aqui.
Jesse, anda comigo. Quero que ouças algo.
- Com licenca. - Sim.
Pronto.
Ouve. Gravei isto há uma semana.
Randolph, é o Willy.
Não te queria dizer sem ter a certeza.
Não vejo orcas.
- Podes ir, Nadine. - Está bem.
Devem estar em Turner's Point, a almoçar.
Está bem. Vou descer para ver melhor.
Atenção. O grupo J.
Temos de aproximar-nos!
São 16, talvez 17.
Ali! Viste, Randolph?
Olha para o tamanho daquele.
É Catspaw, a mãe do Willy.
A mãe do Willy.
Ele encontrou-a.
Ali. Estão a saltar.
Aquele tem uma mancha branca na barbatana.
- Aquela. - Aquela?
É a Luna, a irmã do Willy.
O pequeno é Littlespot, o irmão do Willy.
Estou a vê-lo.
- É o Willy! - Eu sei.
Willy!
Está óptimo.
Willy!
Estão a cacar. Voltamos amanhã.
- A que horas? - Muito cedo.
Sim.
Glenn, vi o Willy! Vi-o por um segundo, muito ao longe.
- O Randolph achou que o verias. - Foi um espanto...
vê-lo com a família.
- Deve ser óptimo para ele. - Sim. Deve ser.
Achas que ele tem saudades minhas?
De certeza.
Mas tu tens a tua família.
Como o Willy. Não te esqueças. Está bem?
Sim.
Eu sei.
Jesse, tira esse ramo. Vai magoar-te nas costas.
Não consigo dormir no chão.
Vamos dormir todos no chão. Chama-se acampar.
- Tens dois colchões, eu só tenho um. - Não sabíamos que vinhas.
- Tenho dores nas costas. - E depois?
Vá. Tiveste um dia óptimo. Dá um ao Elvis.
Ele é nosso convidado.
- Obrigado, Jesse. - De nada, Elvis.
Ajuda-o, está bem? Boa noite.
Vou fechar isto por causa das melgas.
- Não tens dores nas costas, pois não? - Tenho. Tenho espasmos...
por ter feito bungee jumping nos Alpes.
Pois. Vês esta linha?
- Não. - Se a transpuseres, mato-te.
- Contaram-me tudo sobre ti e o Willy. - Dorme.
Tem graça. Aconteceu-me o mesmo há dois Verões.
Cala-te!
Dorme!
É esta a linha que não queres que eu transponha? Ou esta?
Pronto, já chega!
Boa.
Fantástico!
Willy.
Olá. Cresceste, não foi? Sim.
Tens comido bem, não é?
Obrigado. Encontraste.
Obrigado.
Tive tantas saudades tuas.
Vi-te com a tua família. Deves estar feliz...
com a tua mãe.
A minha mãe morreu.
Sinto a falta dela.
Sinto que não tenho ninguém. Sinto-me sózinho.
Não sei o que fazer.
É a tua mãe.
Vai, ela está a chamar-te.
Boa noite, Willy.
Apanhei-te!
Eu nunca durmo.
Boa noite.
- Glenn, Annie! - Meu Deus.
Vamos andar de barco com o Randolph.
Fala baixo. Ainda acordas algum urso.
- Não acordas depois do meio dia? - O Randolph sai de madrugada. Vamos.
Vai andando. Está bem?
Jesse, leva o Elvis.
Nem pensar.
Acorda!
- Depressa. - Não consigo andar mais depressa.
- Corre. - Tenho pernas mais curtas.
Se o Randolph arrancar, mato-te.
Tenho cinturão negro de karaté.
Eu lanço raios laser mortíferos com os olhos.
Mentiroso.
- Vá, despacha-te! - Está bem.
Randolph, até daqui a umas horas.
Sim, está bem.
- Olá. - Olá.
Traidor.
- O quê? - As raparigas são o inimigo.
Não, o inimigo és tu.
Quando partes?
Tenho um problema. Vou demorar umas horas.
- Desculpa. - Não faz mal.
Está bem.
Até logo.
- Vamos, depressa! - Espera!
Elvis, volta para o parque. Diz ao Glenn e à Annie...
que eu fui com o Randolph e tu não foste porque enjoas.
- Mas é mentira. - Não será difícil para ti.
- Que vais fazer? - Não é da tua conta.
Meu Deus.
Olha para aquilo.
- Que estás a fazer? - Estou sentado no mar.
- Seguiste-me, não foi? - E depois?
- Sim. - Eu ajudo-te.
- Que lugar é este? - O meu lugar preferido.
- É o grupo J. - Sim, eu sei.
São as rochas onde se esfregam.
As orcas esfregam-se nas rochas no fundo da baía.
Se tiveres paciência, verás uma aproximar-se.
Aproximam-se muito?
Três metros, uma vez.
- Ainda queres impressionar-me? - Presta atenção.
Anda, quero mostrar-te uma coisa. Anda!
Vamos!
Depressa. Vamos!
- Aonde vamos? - Anda. Eu sei aonde vou.
Vá. Anda, vá.
- Eu ajudo-te. - Eu estou bem.
- Está bem. - Obrigada.
Depressa. Tenho de mostrar-te isto.
Cuidado com o tronco.
Ouve...
o teu irmão?
Anda.
Anda.
Um segundo. Anda.
Anda. Anda.
- Willy, de onde vieste? - Meu Deus.
Olá. Assustaste-me.
Estás bem?
Não tenhas medo. Abre.
Vês? Ele não faz mal.
Isso mesmo.
Quem é este?
É o teu irmão?
Littlespot?
Quero apresentar-te alguém, sim?
Tens de ajudar-me. Está bem?
Anda. Não tenhas medo.
Não há perigo Nadine, este é o Willy.
Willy, Nadine.
Olá. Que espanto.
- Ele é giro, não é? - É.
- Podes tocar-lhe. - Não é preciso. Eu...
Vá, toca-lhe.
Vá lá.
Está bem.
- Estende a mão e toca-lhe. - Olá, Willy.
Vá lá.
Olá, Willy. Olá.
Ele vai descer.
- Willy. Que estás a fazer? - Cuspiu-me para cima.
Desculpa.
- O Littlespot. - Littlespot, que estás a fazer?
- Isto é fantástico. - Eu apanho-te, Willy.
- Ele vem aí. - Desculpa.
- Está a exibir-se. - Que está ele a fazer?
A exibir-se.
- Outra vez. - Então? Que grande amigo.
Vou buscá-lo.
- Anda. A água está boa. - Tem cuidado. É uma orca.
Anda, ele é meu amigo.
- Jesse! - Sim, Willy.
Isso mesmo!
Meu Deus.
Meu Deus.
Nadine, anda, é óptimo!
Vamos!
Olá, Luna!
Boa!
Olha, sem mãos.
Boa, Willy.
Afasta-te de mim!
Até logo, Willy.
Jesse.
Dá-me a mão.
- Toma. - Obrigado.
Nem quero acreditar. Foi espectacular.
- Para a próxima, podes tocar-lhe. - Ele deixou-te fazer aquilo.
- Acho que gosta. - Talvez tenhas razão.
- Adeus. Até breve. - Adeus.
Petroleiro Dakar, fala do controlo de tráfego.
Daqui fala o petroleiro Dakar a 124.40, a entrar.
- Preparar para carregar às 15 horas. - Entendido, Dakar.
Temos autorizacão.
- Que foi? - Ele não é parecido contigo.
O Elvis. Temos pais diferentes.
Olha, um petroleiro.
Sim. Passam por aqui como se fosse uma auto-estrada.
Vi o Jesse a beijar a Nadine.
Há sinal do grupo J?
Devem ter ido esfregar-se.
- Queres ir lá ver? - Está bem.
Fixe.
- Olá, Glenn. - Olá.
Nadine, este é o Glenn.
- Olá. É um prazer. - Olá. Igualmente.
A afilhada do Randolph.
- Posso falar contigo? - Claro.
Volto já.
Está bem.
O Elvis viu-te com a Nadine, na baía.
Já era de esperar.
Eu era como tu, com a tua idade. Mas a Annie quer que eu fale contigo.
Ela acha que pode ser perigoso.
A Nadine também achou, mas não é.
- Eu sei o que faço. - Eu também pensava assim.
- O quê? - Sim.
Sou práticamente um perito.
Escuta...
És esperto. És bom rapaz.
Deixas-te levar pelas emoções, mas pode conduzir a outras coisas.
O quê?
- Sexo. - Pode levar ao sexo?
Sim. Pode levar ao sexo.
- Estás bem? - Estou. Porquê?
Não faço ideia do que estás a falar.
- Do beijo que deste à Nadine. - Não a beijei.
- Não? - Não a beijei. Quem disse isso?
Adivinha.
Olá.
Pois.
- Nem penses que sais. - Estou com fome.
Come o boné.
Não fez nada. Vá lá. Eu sei que estás aí.
Vá lá. Agora, já não és tão valente, pois não?
Bolas.
Come isto.
Gostaste, valentão?
Anda lutar como um peixe.
Até logo, peixe.
Adeus, Willy.
Que foi?
- Estamos atrasados. - E depois?
- Sabes porque sou comandante? - Sim. Não.
Porque os meus navios cumprem horários.
A Benbrook Oil não gosta de atrasos.
- Sim, senhor. - Fala do tráfego de Seattle.
Há vento e visibilidade reduzida.
Reduzir velocidade para 12 nós.
- A reduzir para 12 nós. - Manter a 15 nós.
- Mas sem rebocador... - Kelly!
Retomar aos 15 nós.
- Elvis. Elvis, acorda. - Que foi?
Tenho uma pergunta.
Diz.
A mãe alguma vez te falou do tempo em que viveu aqui, antes de nasceres?
Não.
Falava no meu pai?
Não.
Falava de mim?
Não.
- Ela tinha problemas. - Quais?
Mentia muito.
Disse que gostava de mim.
Disse que nunca me deixaria.
- Que foi? - Estamos a perder pressão.
Não conseguimos manter a rota com a corrente.
- Que aconteceu? - A válvula rebentou.
- Sala das máquinas. - Digam-me alguma coisa.
- Nada. - Estamos a fazer os possíveis.
Continuem.
Estamos do lado errado da bóia. Tudo a estibordo!
Não reage!
- Tudo a estibordo! - Não consigo.
Quatro braças!
- Duas braças. - Meu Deus.
Encalhámos!
Vou desligar!
Mayday, mayday. Fala o petroleiro Dakar.
Estamos encalhados e a derramar petróleo.
O caso é extremo. Repito, o caso é extremo.
Bolas.
Vá. Despacha-te.
Ele está ali. Olha!
Vá, vá!
Vamos!
É a irmã do Willy, a Luna. Está presa.
- Que se passa? - Não sei.
Calma. Estás bem.
- Que é isso? - Petróleo.
Chama o Glenn. Ele que chame o Randolph. Temos de salvar a Luna.
- Vai! Depressa! Vai! - Está bem.
Vais ficar bem. Prometo.
Acordem! Acordem. Acordem. Vá lá.
Houve um derrame de petróleo. Prendeu as baleias. A irmã do Willy.
Têm de fazer alguma coisa. Chamar o Exército.
Chamem o Randolph. Um navio deve ter batido.
- É um desastre. - Vai dormir.
- É verdade. - Essa é nova.
Glenn, escuta.
Vou chamar o Randolph.
Espera.
Derrame de petróleo em Lawson Reef.
- Obrigado por teres vindo. - Parece grave.
A Luna está doente. Está a morrer.
Vêem? Eu disse.
Nadine, vai à carrinha buscar o meu estojo.
Calma. Calma.
Ela está coberta de petróleo.
Aqui está, Randolph.
Calma.
Pronto.
- Deixa-me fazer isto. - Não tenhas medo.
O petróleo entrou nos pulmões.
Leva isto ao laboratório, diz que fui eu que mandei e que é urgente.
Vamos.
Calma. Calma.
- Na cabeça? - Onde for possível.
Vou contar até três. Um, dois, três!
Empurrem!
Vá lá, Luna.
Outra vez. Um, dois, três!
- Vá lá. - Força.
- Vá lá. - Vá lá, vá lá.
Lá vai ela. Está a ir.
Vai, menina. Vai.
- Vamos mudar de roupa. - A baleia, a baleia. Está bem?
- Precisa de ajuda, Randolph. - Sim.
- Quero fazer a reportagem. - Com licenca. Saiam da frente.
Com licenca.
O Dakar, um petroleiro da Libéria com 40 anos...
encalhou em Lawson Reef às 12:05 da noite, ontem...
vertendo milhares de litros de crude...
e ameaçando estas orcas e outra vida selvagem.
- O petroleiro... - Eu trato disso.
é anterior a 1990, o ano em que as quilhas duplas...
se tornaram obrigatórias, a fim de evitar desastres como este.
- Salvem a ecologia. - Não matem as baleias.
Ela chegou. Vamos.
- Já está. - Segurem nisso.
- Sou a Dra. Haley. - Cmdt. Blake, Guarda Costeira.
- A equipa médica chegou. - É isto que temos.
- Kate! - Segura nisto.
Randolph.
- Ainda bem que veio. - Sim.
- Quando recolheu a amostra? - Há 3 horas.
Inspira 4 vezes por minuto. Respiração difícil.
Vamos lá. Preparem o antibiótico.
- Keflin? - 20 cc.
O Jesse encontrou-as.
Jesse. O Randolph falou-me de ti.
O barco está pronto, Kate.
- O Willy não gosta de médicos. - Ela é boa.
Ele não sabe isso.
Jesse, a mancha de petróleo está a vir para cá.
Se as baleias não melhorarem, ficam encurraladas.
Encosta ao lado dela, sim?
Vai ser rápido e indolor.
Protegem-na.
Não é hábito.
Pára. Pára!
Não vou mentir, Jesse.
Isto é grave, e a culpa é da minha empresa.
É importante que as baleias fiquem bem.
É por isso que preciso de ti.
Eu ajudo. O Littlespot gosta de mim.
- Posso... - Elvis, por favor.
- O Willy confia em ti. - Mas não em si.
- Jesse. - Acha que protege a Luna.
Mas está a matá-la, se não nos deixar ir lá.
És o único amigo dele, Jesse.
- Vamos fazer um acordo. - Estou a ouvir.
- Convenço o Willy a deixar ajudar Luna. - Óptimo.
Mas promete-me levar o Willy, a Luna e o Littlespot para a mãe deles.
- Não posso. - O seu petróleo está a matar a Luna.
Se ela morrer, vai aparecer nas notícias. Culpabilizá-lo-ão.
- Que queres que eu diga? - Prometa-me que vai tentar.
Isso posso fazer.
Posso sentar-me?
À vontade. Eu sou só um convidado, lembra-se?
- Dizes-me o que se passa? - Nada.
Pareces dar-te bem com o Jesse.
- Odeio-o. - Eu sei que não é verdade.
Todos lambem as botas ao Jesse. Estou farto.
Nesta família, não há favoritos.
Não lambemos botas.
- Quero ajudar. - As baleias precisam da tua ajuda.
- Promete que posso ajudar? - Prometo.
Selado com cuspo?
Está bem.
Isto é pouco higiénico.
- Jesse? - Sim?
Boa sorte.
Obrigado.
- Cuidado, Jess. - Vê lá, Jesse.
Ele está zangado, Randolph.
Isso mesmo, anda. Sou eu, o Jesse.
Anda. Não tenhas medo.
Anda. Calma.
Willy, eu quero ajudar.
Que se passa? Anda.
- Vá lá, pára. - Ele vai comê-lo, não vai?
Vá lá. Vais magoar-te. Por favor, pára.
Vá lá, Willy. Anda. Calma. Calma.
Calma.
Isso. Isso.
Queres chocolate, Willy?
Trouxe-te uma coisa.
Por favor.
Toma o peixe.
Isso.
Abre mais.
Pronto.
Muito bem.
Vamos.
À volta dele.
- Olá, Luna, querida. - Ela não lhe faz mal. Prometo.
Isso mesmo. Não tenhas medo.
Vai correr tudo bem, Luna.
Ela tem de levantar a cauda.
Vá. Vamos lá. Levanta a cauda.
Isso. Muito bem, Willy.
Isso, Luna. É isso mesmo. Mais uma vez.
Muito bem.
Pronto.
- Conseguimos. - Boa.
Eu disse-te.
Obrigado, Willy.
- Parabéns, Dra. Haley. - Foi óptimo.
Bom trabalho.
- John? - Um momento.
Vais querer ouvir isto.
- Quem fala? - Pete Wilcox.
Ouvi dizer que está com problemas. Ouça.
Que se passa?
O vento está a empurrar a mancha negra para a baía.
Não temos muito tempo.
Vai correr tudo bem.
Eu sei. Vai correr tudo bem.
Seja como for, Jesse, não vai correr tudo bem.
Pássaros, lontras focas, toda esta baía...
Está destruída.
- O quê...? - Foi o melhor que pude fazer.
- Queres a tua bolsa de volta? - Deixa estar.
- Quem disse que podias tocar nisso? - O Presidente. Na televisão.
Dá cá.
- É fixe, não é? - Sim. Que quer dizer?
Havia um jovem índio Haida chamado Natselane.
Viveu há muitos anos, antes de haver baleias.
Um dia, perdeu-se, e não sabia voltar para casa.
Fez a primeira baleia de um tronco.
Montou-a e foi para casa em cima dela.
- Foi para casa em cima dela? - Sim.
- É uma história gira, Jesse. - O Randolph contou-ma.
Glenn, Annie!
Temos um problema!
A Luna voltou à praia. É grave.
Chama o Departamento da Vida Marinha.
- Depressa! - Sim.
- Jesse, anda comigo. - Aonde?
Temos de tentar algo. Explico-te no caminho. Nadine, fica com a Luna.
- Elvis, fica aqui. - Eu também vou.
Não, isto é entre mim e o Randolph. Ficas.
Ajuda o Glenn.
Bolas!
Calma.
Vamos mantê-la molhada.
Glenn, posso ajudar?
Elvis para trás.
- Pensei que podia ajudar. - Agora, não. Para trás!
Quero ajudar!
- Elvis! - Que foi?
É perigoso. Fica na praia. Vá lá.
Vai. Já.
- Vamos empurrá-la? - Vou contar.
Um, dois e três.
Há medicamentos alternativos aos da Dra. Haley.
Vêm da terra, nossa mãe.
Invocar os antepassados para curar a doença é um dom...
transmitido de geração para geração.
A minha avó ensinou-me. Eu vou ensinar-te.
Saber isto faz parte de ter raízes medicinais.
A raiz que procuramos tem folhas na ponta.
O Elvis?
Não sei. Disse-lhe para ficar na praia.
- Não. - Que foi?
- Não cumpri a promessa. - Que promessa?
- Selada com cuspo. - Fizeste isso?
- Com licenca. - Isso é sério.
- Que é isso? - Chama-se Skookum.
- É muito forte. - Muito forte?
Dá-me a tua mão.
Sinto o sabor na boca.
Elvis?
Elvis!
Obrigado.
Vá lá. Deixe-me entrar. Vá lá.
Caramba!
- Quando parte o próximo barco? - Amanhã.
Senhor guarda, viu...?
Elvis!
Elvis!
Olá, Luna.
Viste o teu irmão? Vá lá, Willy.
Estás aqui. Anda cá.
Anda cá.
Isso. Isso mesmo. Sim.
Muito bem.
Vá. Abre a boca.
É isso mesmo.
Muito bem.
- Sim. Já está. - Muito bem.
Fizemos tudo ao nosso alcance. Agora, resta-nos deixá-la dormir.
Esperar para ver se os espíritos estão connosco?
Os espíritos estão sempre connosco. Até logo.
- Boa noite. - Boa noite.
Obrigado.
Sim.
- Parece que a Luna está melhor. - Sim. O meu remédio é potente.
- O seu remédio? - Eu disse isso? Queria dizer o seu.
Que andou a fazer às escondidas?
Nada.
Seja o que for, ainda bem que o fez.
Um donut com geleia e um café.
Café?
- Sim, simples. - Café simples.
- Quer café? - Não, estou bem.
Há 20 anos que não tiramos uma orca do seu habitat.
Agora, tenho três nas mãos.
Um milhão de dólares pelas mais novas. Dois pelo irmão.
Os machos jovens valem mais devido à capacidade de reprodução.
O irmão mais velho está treinado. É uma mina de ouro.
- Tem de ter cuidado. - Não se preocupe. Está tudo tratado.
Recomendo reabilitação a longo prazo.
Desde que pareça que estamos a agir para o bem das baleias.
Só isso interessa.
Claro, e os seus 10º/º. E estamos a fazer isto para bem delas.
Serão bem tratadas. Entretanto...
enquanto estiverem a recuperar...
as pessoas podem pagar para as ver, certo?
Caramba.
A situação em Lawson Reef está a piorar.
Equipas tentam impedir que a mancha se espalhe...
mas os ventos e as correntes são mais fortes.
Benbrook Oil diz que os fumos...
se tornam perigosos e os trabalhadores redobram os cuidados.
As baías e praias estão a ser isoladas...
para proteger a vida marinha.
Em Camp Mowester, onde três orcas permanecem...
a protecção está a ser erguida.
Jesse.
Jesse! Que se passa?
A protecção irá selar a baía, impedir que o petróleo entre, protegê-las.
Protegê-las? Quer dizer, prendê-las.
Se saírem da baía, encontrarão a mancha e morrerão.
- Não podem voltar para a família. - É para o bem delas.
Não percebe? Nada disto é para o bem delas.
Não lhes ter feito mal à partida teria sido para o bem delas.
Isso é tudo conversa!
Jesse!
Não sei se é boa ideia, Kate.
A Benbrook Oil tratou de tudo para que as baleias...
sejam retiradas da baía...
e levadas para um centro de tratamento, onde poderão recuperar.
Tragam o arnês. Tragam o arnês.
Vamos tirar a mais pequena primeiro.
Não saiam daí. Não saiam daí.
Obrigado!
Jesse!
Onde estiveste?
A safar-te. Estavam dois fulanos, no café...
- De que estás a falar? - Eu conto-te, confia em mim.
Porquê?
Porque nunca ninguém confiou.
- Por ali. - Avancem.
Alto.
Está a correr bem.
Levem-no.
Isso.
Pronto. Empurrem-no.
Levem-no.
Prendam-no. Prendam-no.
Ponham-no ali.
- Aonde vão? - Não podem capturar baleias.
Larguem-me. Deixem-me em paz.
Cuidado. Vá. Depressa. Mentiu. É um mentiroso.
- Vai vendê-las a um aquário. - Serão devolvidas ao grupo J...
Se ele está envolvido, não.
Vai prendê-las. Ele ouviu tudo.
- Têm de sair, miúdos. - Queremos salvar as baleias.
- Não vai escapar impune. - Nem pensar.
- Quero os miúdos fora daqui. - Prometeu.
- John, dá-me a mão! - Idiota!
Isso é pelo Littlespot, idiota!
Acredito em ti. Não sei o que fazer.
- Eu sei. - Faz isso.
Vamos.
John, não olhe para trás. Sai daí.
Não olhes para trás. Nada.
- Dê-me a mão. - Afasta-te de mim!
- Tirem-me daqui! - Os miúdos?
Jesse, olha!
- Sim! - Boa, Willy!
- Elvis, vai ter connosco ali. - Cuidado.
Socorro! Sai daqui!
Vamos. Vamos.
- Que vamos fazer? - Solta a corda.
A corda, a corda. Já está.
- Sabes conduzir isto? - Define "conduzir."
- Vá lá, Jesse. Vá lá. - Agora, Elvis.
- Vá lá, vá lá. - Entra.
- Agarrei-te. - Vamos!
Agarrei-te.
- Bom trabalho, Elvis. - Põe isto.
Tirem os miúdos da água! Tirem-nos!
- Sabes mesmo conduzir isto? - Não.
Vá. Vamos.
Vêm atrás de nós.
Sim, adivinha!
- Fizeste aquilo? - Sim!
Sim!
Viste o Willy?
Vejo o Littlespot e a Luna, mas não vejo o Willy.
Anda cá. Anda. Anda.
Olá. Isso.
O miúdo é doido.
Vês a barreira? Vamos soltar-te.
Vai correr bem, prometo. Lembras-te dos velhos tempos? Lembras-te disto?
Sim, lembras-te.
- Que significa o sinal? - Dá espectáculo.
Vês aquela barreira? Vais rebentá-la.
- Sim! - Sim!
- Conseguimos! Boa! - Sim!
- Sim! - Boa!
Esquece. Vamos!
Deram a volta.
- Querido, não é o teu barco? - É. E o Elvis. Vamos.
- Sim. - Boa!
Temos de ver se passam para lá do petróleo.
Dizem que quando os engenheiros tentaram ligar o gerador do navio...
os vapores incendiaram-se sob o convés, a estibordo.
Continuam as tentativas de apagar as chamas. A ilha está a ser evacuada.
- Entrem! - Que aconteceu?
Houve uma explosão. O petróleo pode incendiar-se. Vamos!
Não! O petróleo está a arder!
- O quê? - O petróleo está a arder!
Não devem estar longe.
Segurem-se. Temos de segui-las até estarem em segurança.
Estão a mergulhar. Vão por baixo das chamas!
Passaram por baixo!
E nós? Temos de sair daqui!
A baía! Calma. Vamos para aquela baía!
Depressa, Jesse. Vai!
- Pessoal! - Que foi?
- Estou a ver algo! - O quê?
- Não sei! - Cuidado!
Batemos em quê?
Vá lá, funciona! Vira. Vá lá! Funciona!
- Que vamos fazer? - Há água no barco. Põe isto.
- E o teu? - Não te preocupes!
Peguem num balde e tirem a água.
Mayday! Fala do Natselane perto de Turner Point.
Há uma pequena embarcação de recreio presa no incêndio!
Depressa! Vão tirando a água! Vá, Elvis!
Vá!
Patrulha Costeira, fala o helicóptero de salvamento 1. Escuto.
- Não consigo! - Jesse, olha!
Estamos presos!
Vamos dar a volta! Vamos em direccão à abertura! Vamos!
- Empurrem! - Está bem!
- Agora, remem! - Vá lá!
Vamos lá! Remem!
- Jesse! - Elvis!
Jesse!
- Não parem! - Estamos quase!
- Temos de sair daqui! - Depressa!
Está a fechar! Depressa!
Não!
Não! Não!
As chamas aproximam-se!
Jesse? Jesse, se me safares disto, juro...
que não faço mais nada contra ti. Por favor.
Não vou deixar que te aconteça nada.
- Vamos afogar-nos. - Vai correr tudo bem.
- Estás a ver? - Que é?
- Um helicóptero! - Aqui! Socorro!
- Olha ali! - Já os vi.
- Aqui! - Estamos aqui!
- Aqui! - O barco está a afundar!
- Vão mandar um arnês. - Está bem.
- Agarra, Jesse! Agarra! - Tu primeiro, Elvis.
Os braços primeiro!
- És o melhor irmão que tive! - Sou o teu único irmão!
- É como o bungee jumping! - Nunca fiz bungee jumping! Menti!
Segura-te!
Vais a seguir!
- Aqui! - Levem-no para trás!
Pronto, já está!
- Depressa! O fogo! - Vá, depressa!
- Põe os braços! - E tu?
- Não te preocupes! - Não sou capaz!
- Sobe! Sobe! Já! - Não, não!
Segura-te! Não olhes para baixo!
Segura-te!
- Vá lá, Nadine! - Vá lá!
- O Jesse! O Jesse! - Depressa!
Socorro! Socorro!
- Jesse! - O arnês!
Jesse, vá lá!
Isso! Isso! Segura-te, Jesse!
Vá!
Isto pode explodir! Temos de sair daqui!
Segura-te, Jesse!
Jesse, vá lá!
Está quase, Jesse. Vais conseguir!
Mais perto!
Jesse! Vá lá!
Jesse! Vá lá!
- Não! - Não!
- Perdêmo-lo! Não está cá! - Jesse, não!
- Não! Jesse! - Vá lá!
- Temos de descer! - O fumo está a afogar o motor.
Um barco de apoio está a chegar. Para dentro!
Não, não pode ser! Não!
Não! Jesse!
Jesse!
- Jesse! - Vês alguma coisa?
Nada!
Meu Deus, o Jesse! Parem o barco!
Jesse!
- Aguenta-te, Jesse! - Jesse! Aguenta-te!
Isso mesmo.
- Jesse, estás bem? - Estou!
Vá lá!
- Estende a mão. - Vamos agarrar-te!
Isso. Pé para cima.
Que estavas a fazer?
Adoro-te.
Salvaste-o, Willy. Obrigado.
- Obrigado! - É o teu melhor amigo.
É verdade.
Vai.
Estou bem. Estou bem.
Ele não vai porquê?
Não sei, Jess.
Adoro-te.
Adeus.
- Adeus, Willy. - Adeus, Willy.
Adeus.
- Encosta. - Randolph!
Meu Deus, querido, olha!
Jesse?
- Nadine, o Jesse está bem! - Estás bem!
- Estão bem? - Nadine, estás bem?
- Sim, estou. - Vamos.
- Vocês conseguiram. - Sim, eu trouxe-o.
- Muito obrigado. Obrigado! - Meu Deus!
Já está, Randolph. Vamos embora!
Certo. Muito obrigado!
- Obrigado! - De nada!
Que bom que estás salvo!
Estás a olhar para quê?
E tu?
Isto é para ti.
Que é?
Que raio?
A mãe?
Sofreu um acidente, mas...
colei-a.
Obrigado.
Ela falava imenso em ti.
Tinha remorsos do que tinha feito.
Obrigado.
Ela gostava de ti.
Que achas?
Seria uma pena separar o conjunto.
Os peixes? O Littlespot?
O Littlespot, a Luna e o Willy estão com a mãe.
Como é que sabes?
Eu sei.
"Salana eyona ayeses"...
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