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Original subtitles

PENITENCI�RIA DE ANNOEULLIN

S�o 134.

Menos 20 representantes que na primeira, n�o � normal.

Devia ser ao contr�rio, mesmo para reclusos.

H� quem n�o vote por n�o se decidir.

Indecisos? � a 2.� volta contra a FN.

N�o � preciso pensar muito.

- S�o sobretudo mu�ulmanos. - Mu�ulmanos, n�o.

N�o s�o todos mu�ulmanos, nem todos os �rabes o s�o.

Eu sou cat�lico? N�o, mas sou branco.

Os �rabes mu�ulmanos n�o gostam do casamento entre maricas.

- Acham os de esquerda maricas. - N�o digas "maricas".

Quem os lidera? O Khaled?

- Vai busc�-lo... - Rickwaert? O diretor quer v�-lo.

- Disse ao canal que �amos os dois. - Pronto, est� feito.

- Volto j�. - H� uma �s 14h.

- Se quiseres, vou sozinha. - Sim.

Obrigada.

- Como est�s? - A pulseira eletr�nica est� justa.

- Sa�ste? - H� uma hora.

Atrasaram a data para evitar fotografias � frente da pris�o.

S� tenho de evitar a imprensa.

- Estou feliz por ti. - Vemo-nos brevemente?

� arriscado. Se somos vistos, � o meu fim.

Ningu�m nos vai ver. O Girardin ajuda-nos.

O presidente da Freguesia do 19.�?

Est� dentro do per�metro. Se n�o o respeitar, isto apita.

Podes �s 22h? N�o tens reuni�es esta noite.

� mais seguro trabalhar pelo telefone.

Dois meses ao telefone... J� chega! Preciso de te ver.

Philippe, disseste...

Uma candidata � presid�ncia n�o pode namorar um recluso? Sim.

Mas n�o te salto em cima, s� vou discutir a estrat�gia.

- Estive a pensar. - Ouve...

Talvez consiga �s 23h.

Mando-te a morada. At� logo.

Ouviram a Dorendeu na r�dio?

Sim, ainda n�o fala para os eleitores.

- Philippe? - Fugi da pris�o.

- Arranjas-me um esconderijo? - Que bom estares c� fora.

N�o demoro. Quando apoias publicamente a Am�lie?

Sem press�o, mas quinta-feira, antes das 18h, seria o ideal.

Assim, na reuni�o em Albi... Pelo menos, fa�o-te rir.

Receei que a pris�o te mudasse.

Albi na quinta-feira. Ser� magn�fico para a Am�lie contar com o teu apoio.

A 32 km de Carmaux,

a esquerda une-se na terra do grande Jaur�s.

� empolgante! Mas qual � o elo entre a Dorendeu e a esquerda?

Justamente, Michel Vidal, orador do povo e b�ssola da esquerda.

- Ela n�o precisa de mim. - Para a presid�ncia, n�o.

Queremos um acordo de desist�ncia para as legislativas.

Isso � novidade.

Alguma vez defendi outra coisa al�m da esquerda unida?

Com a tua candidata, est�s longe de o conseguir.

Enganas-te, ela vai conseguir. Caso contr�rio, porque a apoiaria?

Ent�o, ela j� n�o me v� como populista e fazedor?

Ela anunciar� um plano para os sal�rios.

Aumento de 10% no sal�rio m�nimo.

- Chega para uma reconcilia��o? - E al�m do sal�rio m�nimo?

Quero restabelecer a indexa��o dos sal�rios.

Tivesses ganhado as elei��es.

Conta com a confer�ncia social sobre a remunera��o,

com o limite do sal�rio 30 vezes o m�nimo.

- N�o o prop�s na campanha. - Esquece o passado.

- �s jovem, pensa no futuro. - Vou pensar.

Ligas-me ou ou�o a R�dio Moscovo?

Ter�s a resposta ap�s Albi.

Obrigada, Sr. Presidente.

Merda! �s linda.

Obrigada.

Como fazemos?

N�o podemos dar um beijo?

Temos duas horas. Queres ver a prepara��o do debate?

- Tens o discurso de Albi? - Est� a ser escrito.

Estive a pensar nalgumas coisas.

N�o, 10% no sal�rio m�nimo...

Recusei na 1.� volta e n�o vai acontecer agora.

� um grande erro.

E o sal�rio m�ximo 30 vezes o m�nimo!

Pareceria que queria os eleitores do Vidal.

- Ou unificar a esquerda. - Contra a FN, h� que unificar mais.

Que se lixe a FN! As presidenciais terminaram.

O objetivo era a 2.� volta.

Bastava mostrares que uma mulher corajosa

� melhor que o Auzanet e os 130 anos dele na pol�tica. Bravo!

Temos de tratar de uma coisa para teres a maioria e governares.

Quanto mais votos nas presidenciais, mais votos nas legislativas.

Isso � treta.

Gosto de estrat�gias criativas, mas isso � treta.

Mesmo com 80%, nada mudaria. Todos regressariam ao seu partido.

S�o 35% para a esquerda, 35% para a direita

e 30% para a FN. Mais de 300 na segunda volta.

Queres falar ao pa�s? Espera at� teres maioria.

Para j�, fala com a esquerda. � isso que te permitir� governar.

Fiquei � frente do Vidal, ficou claro nas urnas.

Os eleitores dele v�o apoiar o PS, em vez da direita ou da FN.

- Sabes como se chama? - O qu�?

Essa tua teoria.

Chama-se depender da sorte, que n�o dura cinco anos.

Queres governar? Precisas da maioria. Queres a maioria? Une a esquerda.

Portanto, aumenta o sal�rio.

- O programa do Vidal � absurdo. - Ele representa algo.

� respeitado, o Vidal � uma b�ssola.

� essa b�ssola que designa a esquerda e a direita.

Parece um improviso total.

Tens de o fazer bem e f�-lo-�s.

Tens de usar o Vidal, mobilizar a absten��o.

- Falaram com o Vidal? - Sim, hoje. Ainda � poss�vel.

Mas a maioria dos apoiantes dele prefere sodomia a concordar contigo.

Temos de ser mais r�pidos.

E isto?

Pensei que, se pagasses a fian�a...

Preciso de dinheiro, � quest�o de dias.

Pedimos recurso e reunimos fundos.

Albi vai ser uma boa reuni�o.

- N�o te prometi nada, Philippe. - Eu disse isso? Estamos s� a falar.

Afinal de contas, s� podemos falar, n�o �?

Como est�s, menina Salom�?

- Ol�, pai! - Ent�o, que tal Londres?

Est�s a habituar-te ao nevoeiro e � chuva?

Em Dunquerque, usava sempre protetor solar...

- Est� tudo bem? - Sim.

- Que barulho � este? - N�o � nada. Espera a�.

J� te ligo, Salom�.

- Sim? - Sr. Philippe Rickwaert?

� do centro de vigil�ncia. Perdemos o seu sinal.

- Onde est�? - Estou na minha casa.

No apartamento que referi no ficheiro.

Muito bem, o GPS confirma a sua localiza��o.

- Vou desativar o alarme. Boa noite. - Boa noite e obrigado.

Tens alguma ideia quanto ao valor?

Qualquer eleitorado ganh�vel leva a discuss�es no PS.

Am�lie, quantos deputados centristas me podes garantir?

Se te der um n�mero, vais adicionar 20 a 30%.

A s�rio? Porque faria isso?

N�o � o que se aprende em Gest�o?

- Eu nunca estudei Gest�o. - N�o foi isso que li.

Inscrevi-me, mas j� ganhava o dobro do meu pai.

Obrigada. Entendes que duvide da tua capacidade negocial.

Capacidade negocial n�o � como vender tapetes.

E chegar a um valor n�o � assim t�o empolgante.

A for�a num neg�cio, como na pol�tica, s�o as ideias.

Consumidores, cidad�os, � igual. Querem algo novo: eu e tu.

- Que tal 40? - Est� bem, combinado.

- A s�rio? - Sim.

Mas... era o que imaginavas?

Esperava mais um pouco, claro.

Mas uma mudan�a do PS com os centristas?

Isso � in�dito.

Quando anunciarmos e fores eleita, tudo vai explodir.

Se n�o houver total confian�a entre n�s os dois, estamos feitos.

- Tudo a trabalhar. Gosto! - Ol�, Cyril.

- Bom dia! - Est�s a ver?

- O qu�? - Sempre to disse.

Tens 58, vais ser deputado.

Que est� no quadro, Toph?

- Os resultados da 1.� volta. - De qu�?

- Das presidenciais. - E sou candidato de qu�?

Das legislativas, mas...

As presidenciais e as legislativas n�o s�o a mesma coisa.

A Am�lie pode ser presidente sem maioria.

Se o Laugier n�o se tivesse demitido, n�o est�vamos aqui.

O Laugier teria a maioria.

Vamos l� ver...

Olha para a esquerda. 21,7% para a Am�lie

e 15,8% para o Vidal. S�o 37,5%.

Sim? Agora, a direita.

Republicanos 20,9%, centristas 12,1%

e Loiseau 4,2%.

- Quanto d�? - D�...

D� 37,2%. E 37,5% e 37,2% s�o a mesma coisa.

O Thorigny pediu votos para a Am�lie.

Contra a FN, nas presidenciais.

Nas legislativas, os centristas escolher�o a direita.

Contra a direita, eu seria esmagado. Numa triangular contra a FN

e com a direita � frente, votam nela para obstruir a FN.

Se for quadrangular, esquerda com esquerda,

se o tipo do Vidal aguentar, vou ter problemas.

As coisas mudaram, Toph.

J� n�o h� esquerda e direita. Percebes?

Sim.

Sr. Filho da Puta.

- Por favor, Philippe. - N�o, sou o Sr. Rickwaert.

Philippe era quando querias que me vendesse por ti.

Posso entrar? � bastante importante.

Senta-te, Sr. Filho da Puta.

Se eu quisesse, n�o estarias aqui. Conhe�o o juiz.

Ele ia acusar-te de incita��o ao suic�dio.

Mas tiveste remorsos. Bem no fundo, mesmo para a direita, Boudard,

tens um cora��o deste tamanho.

Ou achaste o Auzanet t�o mau na campanha

que n�o quiseste insultar o futuro.

A Am�lie esteve �ptima, n�o?

Conseguiu reunir os l�deres, afirmando a sua identidade.

Aproveitou as divis�es da direita.

� excecional, estamos de acordo.

Sou gaullista, Philippe. Quero que a FN desapare�a.

� noite, sonho que atropelo o Chalon sem querer,

ele implora que o leve ao hospital.

Mas eu acelero e atropelo-o outra vez. E sabes que mais?

Acordo todo excitado.

N�o pode ser t�o renhido. A rep�blica tem de se impor.

Falas bem, Sr. Filho da Puta. E?

O Auzanet n�o sabe gerir a derrota, fez asneira.

Est� com o ego em baixo e n�o consegue pensar.

Hesita em apoiar a Am�lie? Para quem fala mal nas costas...

Com o apoio da direita do Auzanet, a Am�lie pode chegar aos 60%.

E que ganhamos com isso?

N�o h� b�nus. Uma mistura Partido Popular/PS, muito perigoso.

N�s nunca jog�mos com a Frente. A Am�lie tem de chamar o Jean-Marc.

- S� ela lhe pode agradar. - E se ele explicar o que ela fez?

- Ela vai parecer fraca. - Ele n�o vai dizer.

N�o vai falar.

Se a apoiar, querer� que ela tenha o melhor resultado.

Est� deprimido, mas n�o � idiota.

Lamento, tenho dificuldade em acreditar nisso.

Lamento n�o te levar � porta.

- Onze dias. - N�o conseguimos melhor?

N�o, � o per�odo legal. N�o h� nada a fazer.

- Nesse dia tenho o dinheiro? - No 12.�.

Leva tempo para passar � autoridade judicial.

Como tiro a pulseira? Sabe como � chato?

Ou�a, eu n�o escolhi p�r a fian�a nos 60 mil euros.

E esquecendo a hipoteca?

Fa�a-me um empr�stimo. Por 5%, poupa-me a casa.

N�o, a casa em Dunquerque � a nossa garantia.

Viu as minhas contas? Sempre fui muito poupado.

Mal um cliente diz algo diferente, cala-se.

Olhar g�lido.

� uma t�cnica especial?

H� forma��es e semin�rios? Apresenta��es em PowerPoint?

Uma dissocia��o entre os olhos e o sorriso. Muito bem.

- Claro que h� forma��es! - Como fazemos, Sr. Rickwaert?

Primeiro, vou aprender o seu truque.

J� pensou na conta da sua filha?

Viu a data de abertura?

- � 1999, o anivers�rio da Salom�. - Sim. Portanto...

Quanto ao dinheiro de que te falei...

Porqu� "de momento"? Que se passa?

Tens a tua empresa, apartamento, barco e chal�.

S� quero compreender o conceito de "de momento".

De todo! Sei que, se pudesses, me ajudavas.

Sei que �s boa pessoa, n�o �s um filho da puta.

- � um prazer. - O prazer � meu.

Diz-me o que tens feito. Fala-me do teu c�rculo eleitoral.

H� muitos casos complicados.

A tesouraria de M�lisey, a f�brica da Herm�s em H�ricourt...

Demos-te um bom c�rculo e tu queixas-te?

Ca�ste de paraquedas.

O meu pai cresceu no Alto Sona, adorava este s�tio.

Isso muda tudo! Ent�o, � quase a tua cidade natal.

Est� bem...

� importante regressar ao nosso povo.

O genu�no, o essencial, a natureza, acampar, as salsichas...

Exatamente!

Aten��o, as pessoas n�o gostam de tipos que caem do nada.

Precisamente.

Que fa�o numa triangular,

com a FN com 32%, se a Am�lie n�o unificar a esquerda?

- Ela tem de abordar o Vidal. - Amanh�, em Albi.

Porqu�, viste-a?

Mal sa�. Em equipa que vence n�o se mexe.

Nunca consegui que o Laugier unisse a esquerda,

porque ele odeia o Vidal.

Com a Am�lie, apesar de ela estar mais � direita, vou conseguir.

S�o 20 anos de combate pol�tico.

At� l�, esconde o paraquedas e p�e m�os � obra.

Pensei numa das tuas ideias.

A do folheto sob as portas, a dizer que passei por l�.

- � um truque velho. Quem to disse? - A V�ro.

Boa! Voltaram a falar.

Um pouco, sim.

Porque n�o me liga ela? Isso magoa.

Desde que sa�, recebi mensagens, vi-te e falei com a Am�lie,

mas dela nada. N�o tenho sarna!

S�o 20 anos de amizade. Podia levar isto a mal.

- Receia que a rejeites, � normal. - N�o � normal.

N�o � normal. � perverso!

N�o gosto disso. Ela conhece-me.

Zango-me facilmente, mas n�o fico ressentido.

Estou ressentido?

Est� bem, eu falo com ela, mas n�o quero problemas.

Quanto �s escolas, dev�amos falar dos professores.

- Resultou em Besan�on. - N�o, obrigada. N�o � preciso.

- De certeza? Internacionalmente... - Quero ficar sozinha.

- Como est� a minha candidata? - Bem, obrigada.

Obrigada pela outra noite, ajudou-me bastante.

Mas pensei e n�o quero mudar.

Vou manter a indexa��o do sal�rio � infla��o, nada de 10%.

Am�lie, n�o podes desiludir o Vidal. Isso � um erro!

Eles est�o muito radicalizados. As legislativas v�o correr mal.

- J� me decidi, Philippe. - Com quem?

- Como assim, "com quem"? - Com quem o decidiste?

- Comigo, n�o v�s por a�. - � um erro!

Opta pela direita, e pagas nas legislativas!

Bom, falamos depois.

Vou falar daqui a dez minutos. Beijinhos.

A� vem ela.

Bem, estamos muito felizes por nos encontrarmos. Certo?

Tudo bem?

Estou feliz por nos encontrarmos, mas...

Tenho um problema. Tens de me dizer, V�ro.

- Quem aconselha a Am�lie? - Que raio?

- A quem d� ela ouvidos? - � uma armadilha. Desculpa, V�ro.

- Tudo bem, Cyril. - V�ro, com quem fala a Am�lie?

- N�o sei, com quase todos. - Raios!

Tu conhece-la, n�o estou a mentir.

� uma treta! Tinha-a controlada.

Espera! Vamos acalmar-nos, sentar-nos e beber um caf�.

Tr�s caf�s, por favor.

Estiveste com ela ontem de manh�?

Sim.

- E? - E mais quem?

- A Dupraz, o Kalhenberg... - O Mirmont?

- N�o. Qual � o problema? - � Albi, V�ro!

N�o se aproximou do Vidal!

Como estarei numa triangular, sem a esquerda unida? Destru�do!

- Dev�amos estar todos felizes. - Cyril, n�o est�s sozinho.

H� 577 c�rculos eleitorais, se te lembrares.

Quanto mais a Am�lie subir,

melhor os candidatos se sair�o nas legislativas. N�o te preocupes.

Quero saber quem lhe p�s essas tretas na cabe�a.

O Mirmont! A direita socialista deu-lhe a volta �s ideias.

- � Bad Godesberg � francesa. - Chega, Philippe!

- N�o h� nada entre eles. - Pode ser uma t�tica para confundir.

Espera, eu � que estou confusa. Philippe, tens de confiar nela.

Tinhas raz�o com o Laugier, ouve-me com a Am�lie.

- Ela � a candidata. - Gra�as a quem? Cumpri pena por ela.

Tenho muitos defeitos, mas sou perito em assuntos pol�ticos.

E algo aqui cheira mal.

Se n�o abordar o Vidal, ser� presidente, mas sem maioria.

O melhor � o Auzanet n�o a apoiar.

- Fica imparcial. - � a FN, todos os votos contam.

Pela �ltima vez, j� ganh�mos as presidenciais. Que se lixe a FN!

V�ro, se o Auzanet a apoiar, nunca teremos a ajuda do Vidal.

- Ent�o, o Auzanet n�o a apoia, sim? - J� chega!

Ou�am! Trabalho diariamente com a Am�lie.

Ela sabe o que est� a fazer, sim?

- Sabe mesmo? - Sim.

E tamb�m tem ouvido vozes?

N�o queremos Joana d'Arc, mas quem ela salvou, Carlos VII de Fran�a.

Ela que perceba a refer�ncia. Eu sou Joana d'Arc aqui.

- Estou, Philippe? - Boudard, est� tudo certo.

- Como assim? - Falei com a Am�lie.

Amanh�, ela liga ao Auzanet.

- Vai convenc�-lo da melhor forma. - Isso � espetacular.

- Philippe... - Adeus.

Eu percebo. J� � tarde.

Fazemos isso amanh�. Prometo, logo de manh�.

Obrigado, at� amanh�.

Obrigado, Jean-Marc. Boa noite.

Andar n�o � mau.

- Vou telefonar ao Philippe. - N�o.

Sabes, Fran�ois?

Ontem, quando disseste que a Dorendeu me ia telefonar, fui condescendente,

mas, na verdade, queria muito isso.

Um pouco de do�ura num mundo bruto, foi isso que pensei.

Sou t�o idiota!

- Jean-Marc... - Que est�pido!

- Jean-Marc... - N�o, chega!

Isso digo eu!

Acabou, Jean-Marc.

Perdemos por pouco, mas ela ganhou e temos de o aceitar.

A �nica pergunta que se coloca � como vais sair.

Que marco queres deixar? Que legado?

Uma indecis�o vergonhosa?

Mais vale glorificar os da Frente.

Os que te tra�ram na campanha e nos fizeram perder.

Um pequeno telefonema.

Que lhe custava?

Ela quer ganhar sozinha, sem ti.

- Para n�o nos dever nada. - Cabra!

N�o depende dela. Apela contra a FN para n�o acontecer.

Isto � obra do Rickwaert.

Sem o teu apoio, a Dorendeu fica na esquerda

e pode aliar-se ao Vidal nas legislativas.

Tens de a lixar, Jean-Marc.

- Raios! - P�e debaixo de �gua fria.

- Est� a queimar? Est�s bem? - Sim.

- Que se passa? - "Eu sou Joana d'Arc."

- Vai continuar uns tempos. - Sem d�vida.

O teu patr�o tem de substituir a m�quina.

- Isso agora... - O qu�?

Joana d'Arc segredou-me isso.

O Sr. Auzanet!

V� como um antigo presidente acaba t�o abjeto.

Incapaz de ultrapassar o orgulho, nem denunciou a FN.

Vou votar e n�o ser� no Sr. Chalon.

N�o quer que votem em Am�lie Dorendeu?

Deixe-me terminar.

N�o votarei no Sr. Chalon, mas na Am�lie Dorendeu.

J� tomou essa decis�o...

- Joana d'Arc n�o est� bem. - Sou presidente...

- Tudo bem? - H� cinco anos.

N�o sei se a Sra. Dorendeu far� um bom trabalho.

Tenho s�rias d�vidas disso.

- Mas h� algo que sei. - Sim, estou bem.

O Sr. Chalon prejudicaria o mercado franc�s.

"Contra os extremos", disse o candidato Auzanet,

pedindo aos republicanos para n�o votarem em Chalon.

A candidata socialista Dorendeu fez um programa de transi��o...

"Derrotava ambos no debate", zombou Chalon.

Kalhenberg insistiu no renascimento europeu...

Manifesta��o de alunos em Paris...

A dois dias do debate, a diferen�a diminui,

pois quatro sondagens confirmam a tend�ncia.

A candidata socialista perdeu tr�s pontos para Chalon.

Com 53% dos votos, Dorendeu continua � frente, mas a decair,

pois a din�mica mudou de canto, como prova um v�deo viral

com milh�es de visualiza��es em poucos dias

que ridiculariza Dorendeu e Auzanet como se fossem g�meos.

- Vejo a import�ncia do or�amento. - A import�ncia do or�amento.

Vou diminuir o d�fice. Vou controlar a d�vida.

Basicamente, vejo a import�ncia do or�amento.

A import�ncia do or�amento, n�o porque Bruxelas pede,

mas por ser a condi��o da nossa soberania.

Da nossa soberania. Vejo a import�ncia do or�amento.

- A import�ncia do or�amento. - Vejo a import�ncia do or�amento.

A import�ncia do or�amento.

CHALON PARA PRESIDENTE

Continuo a dizer...

Fa�am as sondagens mentir.

Fa�am-nas mentir � grande.

Fa�am-nas mentir dando-me uma grande vit�ria, caros amigos.

Para prevenir a contesta��o dos resultados,

porque sei que ser� a tenta��o do derrotado.

Patriotas de Fran�a e do ultramar,

chocados pela incapacidade do Estado

em vos proteger dos assaltos do califado isl�mico

e do seu quinto pilar.

A todos e todas, seja qual for a vossa ra�a,

a vossa religi�o ou condi��o social,

� um homem do povo que vos diz

para entrarem nesta nova Fran�a, que eu quero forte...

N�o, sabes bem que estamos a decair.

- O qu�? - Foi uma cat�strofe.

Ficaste assim s� com um dia?

- Bom dia. - Bom dia, Am�lie.

Fal�vamos das sondagens.

Am�lie...

Perdemos tr�s pontos em tr�s dias. Viremos � esquerda.

Claro, para a esquerda. Magn�fico!

Apanho uma multa, esquerda. A minha mulher trai-me, esquerda.

"A minha mulher trai-me?"

- O sexismo n�o melhora. - Nem o superego marxista.

Podem parar de gozar, por favor? Os dois, obrigado.

Por falar em gozar, podias ter evitado isso no BFM.

- De que falas? - Desde quando temos orgulho

de ter um programa aprovado pelo FMI?

O Daniel falou do Ferri e do Hoffler, os economistas do FMI.

N�o sobre a institui��o.

No entanto, a ideia das pessoas � a mesma do v�deo dos g�meos.

Vamos parar de discutir. N�o entrem em p�nico, � tempor�rio.

Um acidente na Internet � passageiro.

O Chalon com 51%? � imposs�vel. Quem �?

O Erasmo?

N�o ligues, � um instituto jovem a tentar dar nas vistas.

Talvez deem n�meros aproximados por serem jovens.

- Qual � a amostra? - Dez mil.

As outras tr�s sondagens que eles est�o a discutir t�m mil.

Trata disso sem mim, por favor. Estou focada no debate.

Faltam 48 horas e tudo depende disso.

Est� bem.

As perdas de esquerda s�o terr�veis.

Tenho de recuperar o Vidal para os votos contarem.

O Michel Vidal?

Que disse temos de derrotar o liberalismo,

antes que mate tanto como o estalinismo e o nazismo?

St�phane, para governarmos juntos, primeiro derrotamos o Chalon.

"Primeiro", a palavra que te deixa fazer tudo ou nada, que � o mesmo.

Disse "primeiro", antes de enfrentar Auzanet?

Disse "primeiro", quando pedi para votarem em ti no domingo?

Garanto que nada do que discutirmos ser� questionado.

Que surpresa! Qual � o teu plano?

Formar assembleia, revogar eleitos, eliminar os tratados europeus?

Quero causar boa impress�o,

aumentando o sal�rio m�nimo em 10%.

A� est�!

Baseio-me na sinceridade e queres que alinhe

nessa ideia de arruinar o pa�s? - Arruinar? N�o exageremos.

- Ainda nos podemos unir. - Unir? Odeio isso.

Mais vale ires para o gabinete do PS.

St�phane, podemos ultrapassar isto.

Podemos? Sim, posso fazer muita coisa.

Posso governar com a tua esquerda. S�rio, moderno, concreto.

Sei que s� esta alian�a protege este pa�s de perigos extremos.

Posso fazer concess�es, como fiz.

Or�amentos s�o a base de confian�a entre o governo e os contribuintes.

Posso perder amigos pr�ximos que me podem virar as costas.

Aceito que me chamem traidor,

mas 10% no sal�rio m�nimo � muito!

� muito. Sabes o que me lembram essas promessas?

Uma repeti��o do 4 de agosto, mas mais barata e reduzida.

Ajudamos pessoas ao afundar empresas, e elas � que contratam.

Isto � um disparate. � teatro!

O pa�s precisa de seriedade, experi�ncia, temperan�a, equil�brio.

Queres causar boa impress�o? � necess�rio, claro.

Mas aplicamos aquilo com que concord�mos.

Exigimos trabalho e reformas.

Queremos flexibilidade e seguran�a.

Reunimos parceiros sociais e confiamos.

Eles prop�em, n�s supervisionamos com a lei.

Eles re�nem votos e h� efic�cia e legitimidade.

Nada de disparates.

� do centro de vigil�ncia. Perdemos o seu sinal.

- Onde est�? - No seu rabo.

Tens uma caneta?

- Aqui est�, para a cau��o. - Muito bem!

Vais ser libertado, Esp�rtaco. Como fizeste isso?

Vou escrever um livro e os editores est�o loucos. Pagaram-me bem.

- De que trata o livro? - Muita coisa, � minha maneira.

Muita coisa, n�o. � tua maneira, n�o.

Uma boa tiragem, se te ajudar a pagar os meus honor�rios, sim.

Os magistrados devem perceber que tens estado consumido

pela gravidade dos teus atos e nunca mais far�s pol�tica.

Digo que me suicido na introdu��o ou conclus�o?

Philippe, queremos que se sintam poderosos.

Se te flagelares aos p�s deles, eles t�m miseric�rdia.

- Acredita, eu conhe�o-os. - N�o me podes pedir isso.

Daqui a uns anos, todos ter�o esquecido.

Escreves outro livro sobre porque voltaste � pol�tica.

- Uma segunda obra-prima. - Daqui a dez anos?

- Philippe, tens escolha? - De n�o morrer?

- Podemos ver-nos? - Quando?

Esta noite.

Pareces derrotada.

O Vidal, o sal�rio m�nimo... Estou pronta.

- Tens de me ajudar. - Nunca pensei dizer isto, mas...

Agora, n�o devias fazer isso. Seria um erro t�tico.

- N�o vou para a esquerda. - Para as legislativas, devias.

O problema n�o s�o as legislativas, � bater o Chalon no domingo.

- A esquerda rouba-me pontos. - Se n�o for a esquerda, � a direita.

Especialmente, para os outros. Vais arruinar as tuas presidenciais.

Que parecerias? Uma mulher assustada.

Abandonas o programa pelo medo. Uma presidente que entra em p�nico?

No pr�ximo atentado tamb�m entrar�s em p�nico?

J� devias ter ido para a esquerda. Agora, s� mostra medo.

E que fa�o? Oponho-me � FN?

O Auzanet fez isso e, depois, mudou tudo.

- O tal misto de P. Popular/PS. - Ent�o, triangulas.

- Com a FN? - E ent�o?

Usas os temas deles e triangulas.

O Chalon n�o se importa nada de falar de Jaur�s.

Ent�o, o qu�? O isl�o, a identidade, o burkini?

Recome�amos tudo? Demorei um m�s a safar-me disso.

Sim, e foi bom. Ganhaste cr�dito.

A direita � que triangulou, se vires bem.

- Al�m de aumentar a FN. - Mas eles s�o brutos.

Triangular � usar os temas, n�o � adotar as teorias.

N�o, n�o posso. N�o sou assim.

Se queres ser presidente, far�s muita coisa que nunca farias.

Podes atac�-lo em tudo. Se o derrotares no Daesh, ganhas.

- Desculpa? - N�o lhe chames nazi, mas islamista.

Eles querem a vit�ria em Fran�a.

Na 2.�, a extrema-direita come�ar� a enlouquecer.

- Licen�a para matar. - Philippe!

O Chalon agir� como uma virgem assustada e ser� uma guerra civil.

Incidentes racistas, repres�lias, motins, mesquitas queimadas,

ataques, linchamentos... E a resposta irrefut�vel dele

� um estado autorit�rio da FN. Erdogan nos El�sios.

Isso � de loucos! N�o posso agir segundo um cen�rio fict�cio.

Mas podes desmascar�-lo como genro ideal.

N�o comparemos reacion�rios e homens com metralhadoras.

N�o o dizes assim, mas � a tua mensagem.

Como?

- O debate � amanh�. - Como?

Tens de trabalhar, Am�lie. Quanto tempo tens?

A noite toda.

ALTO-SONA 2.� C�RCULO ELEITORAL

O Chalon tem quatro filhos, vai atacar-te com isso.

N�o, demasiado sexista. J� est� prejudicado com as mulheres.

E se ataca a nossa rela��o?

- N�s nunca existimos. - H� fotografias.

N�o se v� nada, � imposs�vel provar, mas podes negar.

Mata-lo gentilmente, � bar aberto.

Acho que ele n�o falar� disso. Muitos acham que �s l�sbica.

- Desculpa? - Nunca pesquisaste o teu nome?

Espera...

Tens rede?

- Sim. - D� c�.

Primeiro, aparece "Am�lie Dorendeu judia".

Acontecia-me o mesmo. Agora, � "Rickwaert pris�o".

- Preferia o outro. - E depois?

"Am�lie Dorendeu l�sbica", depois "socialista" e "brasa".

Brasa?

Sim, 12 mil imagens de uma entrevista tua.

Aquela da camisa branca?

- Sim. - Via-se a al�a do suti�.

Os presos agradecem-te. � excitante, mas com n�vel.

� diferente do YouPorn.

SEI QUE VAIS GANHAR. LIGA-ME.

Outra vez?

Europa e migra��o.

A minha posi��o � clara e nunca mudou.

Fran�a far� parte dos acordos estabelecidos pela UE.

- � muito! - H� quem ache que n�o chega.

Como o St�phane Thorigny?

O candidato centrista sugeriu que a Fran�a se juntasse � posi��o alem�,

mas eu n�o alinhei. - Mas o Thorigny apoia-te?

N�o significa que tenhamos programas iguais.

Mas como vais governar com ele, podes explicar-me?

Li as tuas mensagens no telem�vel.

Andas a negociar com ele? Desde quando?

- H� umas semanas. - Porque n�o disseste?

- Tens medo de qu�? - De ti.

N�o terias compreendido.

- Ent�o, mentes-me? - Philippe, agora, n�o.

Que andas a fazer com os da direita?

At� �s 5h da manh� do dia do debate, chateias-me?

Agiste mal, vais arruinar a esquerda. Nunca ter�s maioria...

S� quero salvar a Fran�a do imobilismo.

Do imobilismo? Que � isso?

O direito a trabalhar, a prote��o social?

Sim, sou de direita e cruel.

Assim, n�o podemos trabalhar juntos.

- Isso depende de ti. - N�o posso pisar os pobres.

Espera, s� uma coisa! Porque me quiseste ver?

S� honesta, por uma vez. Um pouco de respeito.

Porque �s como o Chalon.

Ultraviolento, transgressivo, agressivo e sem limites.

Era o que precisava para amanh�.

A Frente Nacional nos Eliseu?

"Bancarrota", "fracasso",

"vergonha", "desonra"...

Isto afirmou, a semana toda, o habitual cortejo de catastrofistas,

reivindicando os valores sacrossantos.

Apesar de, durante 30 anos, eles...

Ali�s, voc�s terem escolhido o dinheiro acima do povo,

as estat�sticas acima da vida e o imp�rio do pensamento �nico,

que vos cegou ou pior.

Ou seja, a amea�a vital do fundamentalismo isl�mico,

dos desertos �rabes �s nossas cidades destru�das.

E somos n�s, os patriotas, que somos o perigo?

Eles antecipam a cat�strofe, mas � o medo deles que fala.

O medo deles de perderem privil�gios.

Franceses e francesas...

Meus caros compatriotas, este medo � deles.

Por voc�s, grande povo de Fran�a, ao inv�s, a esperan�a regressar�.

Deem-me a vossa for�a. Deem-me a vossa for�a de povo unido.

De povo corajoso.

A vit�ria est� aqui. Agarrem-na!

Viva a Rep�blica! Viva a Fran�a!

Obrigado, Sr. Chalon. Sra. Dorendeu, a sua conclus�o.

Obrigada.

Na conclus�o do debate, diz-se que nunca se deve reagir ao advers�rio,

mas sim falar diretamente com os franceses.

Por�m, Sr. Chalon, quero responder-lhe e f�-lo-ei.

Afirma que ama a Fran�a, mas, na realidade, j� a descurou.

Pois, esta noite, o que fez foi desacredit�-la,

humilh�-la e denegri-la.

E o pior � que a abandonou quando a nossa Rep�blica laica

trava uma guerra ideol�gica contra um inimigo que pretende abater-nos.

O islamismo radical.

� a todos os seguidores dessa ideologia que me quero dirigir,

em nome de todos e de todas n�s.

A voc�s, jihadistas que querem arrolar a juventude de Fran�a

para o fanatismo e a viol�ncia.

Pregadores de morte, essa filosofia medieval n�o nos assusta.

Observem a Fran�a, observem os franceses.

N�s n�o temos medo.

Sr. Chalon, tamb�m evocou o medo.

Medo? Veja as minhas m�os.

Elas n�o tremem. Veja a minha cabe�a, est� erguida.

N�o tenho medo.

N�o tenho medo de ser mulher, solteira e sem filhos,

mesmo que Fran�a nunca tenha tido uma presidente mulher.

N�o tenho medo de ser progressista.

N�o tenho medo de ser republicana.

N�o tenho medo de si.

Porque os franceses e as francesas,

impulsionados por cora��es generosos e a esperan�a de uni�o,

ter�o m�os firmes e cabe�as erguidas

para votar pela p�tria republicana.

Meus caros compatriotas,

no domingo, iremos viver um desses momentos republicanos

que atestam a grandeza da nossa Hist�ria.

Um desses momentos em que damos vivas � democracia,

�s grandes leis da educa��o,

� laicidade e ao direito de greve.

Vivas ao direito de trabalhar, ao progresso social

e � emancipa��o das mulheres.

Viva a Rep�blica! Viva a Fran�a!

Philippe, fala o Michel Vidal. Ganhaste.

Gostei do que vi e ouvi da tua Am�lie.

A minha filha chamou-lhe guerreira

e o meu filho disse gostar da guerra dela.

Amanh�, darei uma confer�ncia de imprensa a explicar o meu apoio.

Ligo-te depois.

�timo! Quer�amos uma estimativa.

S�o 56.

- Que � isto? - Est� nos 52,4%.

- Quem � o teu contacto? - S�o 52,4%.

Ele vai ser destru�do.

Primeira centena � sa�da das urnas.

Esperem! N�o temos o n�mero certo.

� o 0607802738.

� bastante bom. �timo!

A Ipsos?

Obrigada. S�o 52,7%.

S�o 52,9% na BVA.

A Odoxa, a Viavoice, a Sofres...

Nada abaixo dos 52%.

E o instituto pequeno, o Erasmo?

- Tens a�? - Espera, j� passei.

Algu�m viu o Erasmo?

Est� nos 53,2%.

Am�lie...

Ganhaste.

�s a primeira presidente mulher da Rep�blica.

DUNQUERQUE

PASCAL CARTHAUD O PRIMEIRO MEMBRO DE DUNQUERQUE

Tradu��o: Lara Kahrel

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