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Original subtitles

DEUS � MULHER E SEU NOME � PET�NIA

Meu Deus. O que foi?

- Levante-se. - � muito cedo.

Sua entrevista ser� em uma hora.

Um emprego dar� a voc� seguran�a social, uma pens�o...

Voc� n�o � mais t�o nova.

N�o diga mais isso.

N�o quero que trabalhe como gar�onete.

Coma.

Este � o endere�o do homem com quem falar� hoje.

Vizinho da Tia Ellie. Ele falou que te conseguiria um trabalho.

- De que tipo? - Voc� ver�.

N�o quero ir. � muita humilha��o.

� sempre a mesma coisa. Eu vou, espero com a secret�ria,

- ele me chama e nada. - Ele n�o tem secret�ria.

Quer que eu seja secret�ria?

N�o. S� quero que vista algo legal.

M�e, eu sou sua filha. Eu sa� da sua vagina.

Voc� me acha t�o feia assim?

- Voc� � bonita. - Mas gorda, certo?

Vista-se r�pido. Voc� � bonita.

Tenha d�. Se n�o de mim, ent�o do seu pai.

Vista-se.

Eu me sinto livre sem roupa.

Por mim, ficaria pelada o dia todo.

E congelaria at� a morte.

� a minha menina.

- Espere, tenho que falar com voc�. - O que diabos est� fazendo?

- Nada. - V� embora.

- Est� me envergonhando. - N�o interessa.

- N�o me ouviu? Eu vou gritar. - Pode gritar.

V� para casa.

- Eu n�o fiz nada. - N�o ouviu? V� embora.

- Estou cuidando da minha vida. - Pare.

Eu queria falar com voc�.

- Espere, por favor. - N�o ouviu?

O qu�?

O que foi?

Pare. V� para casa.

- V� para casa. - N�o.

- Ent�o, eu vou. - N�o v�.

N�o fale sua idade exata. Diga que tem 24 ou 25.

- M�e, por favor, pare. - Tem 25.

- Pare, m�e! - Tem 25.

V� embora.

Saia daqui.

Cale a boca. 25 soa melhor.

Pronto, j� vou.

Por que est� t�o feliz?

- Ele vai me pegar no feriado. - N�o diga.

A vida n�o � um conto de fadas.

Poderia ser.

O que foi agora?

- Ele tem mulher e tr�s filhos. - E est� transando com ele.

Espera que ele os deixe e fique com voc�.

- Uma secret�ria desesperada. - N�o sou secret�ria dele.

- Eu gerencio a boutique. - Chama isto de boutique?

- Est� com inveja. - Inveja de voc�?

Vai estragar uma fam�lia, uma unidade sagrada de Deus.

Unidade sagrada? Nossa!

O que voc� tem hoje?

Desde quando fala de Deus e besteiras do tipo? D� um tempo.

Idiota.

Desde ontem.

Parab�ns.

N�o estou t�o desesperada, sabe?

Desculpe, est� bem? Desculpe.

- Desculpe, est� bem? - Quero ouvir de novo.

Desculpe.

Desta vez, n�o quero o de sempre. Eu quero um vestido.

Voc� me surpreende.

Tente alguns truques novos na entrevista hoje.

Diga que seu nome �

Pepi.

Ou Pippy. Petra combina com voc�.

Meu nome � Pet�nia. O que tem de errado?

- Oi, vov�. - Boa tarde.

Certo. Ent�o, voc� quer um vestido.

Tem alguns muito bonitos.

Sim. Vou coloc�-los online. Posso vend�-los por 300 euros.

Logo ter� um espa�o para transar.

Quer ouvir uma hist�ria?

Claro.

Era uma vez, em Roma, uma virgem.

Estava na hora de ela se casar.

Um cara queria se casar com ela,

mas o pai n�o deixava.

Ele queria que ela continuasse virgem.

Ele a deixou doente.

E, quando ela melhorou, ele fez de novo.

E continuou fazendo isso at� que ela morreu virgem

e virou uma santa.

- Ent�o, o pai era um cretino? - Totalmente.

Quer saber o nome dela?

Pet�nia.

Voc� tamb�m � virgem?

Este tamb�m caber� em voc�.

� uma cabe�a de homem.

Ela estaria mais feliz assim.

Ele � meu.

N�o bagunce tudo.

- J� est� uma bagun�a. - Mas � minha bagun�a.

Com licen�a, onde est� o gerente?

Ent�o, est� buscando trabalho.

Sente-se.

O que foi? O gato comeu sua l�ngua?

Sim, procuro um trabalho.

Sabe costurar?

- E por que est� aqui? - Eu...

Procuro um emprego de secret�ria.

Certo. E?

Sou Pet�nia Eftimovska. Eleonora Georgievska me mandou.

- Ela � minha tia. - Eleonora Georgievska.

Quem � ela?

Eu acho que...

� sua vizinha.

Ela falou que voc� era mais nova.

Diga, o que posso fazer por voc�?

Preciso de algu�m que fa�a pedidos, entenda de contabilidade

e fa�a caf� quando necess�rio.

- Pode fazer isso? - Eu acho que sim.

Voc� pode ou acha que pode?

Eu posso fazer caf� e trabalhar com n�meros.

- Algum treinamento pr�vio? - Eu tenho diploma universit�rio.

- Algum treinamento de escrit�rio? - N�o, sou historiadora.

Historiadora.

O que eu fa�o com uma historiadora?

Aonde vai?

Sente-se. Vamos, sente-se.

Estou brincando com voc�. Eu sei quem voc� �.

Sente-se.

- J� trabalhou antes? - Ainda n�o.

- Em nada? - N�o.

- Nadinha mesmo? - Sim, nadinha.

Quantos anos voc� tem?

Vinte...

Tenho 32.

Parece que tem 42.

Nunca trabalhou.

Por qu�?

� dif�cil encontrar trabalho como historiadora.

Tudo bem.

Podia trabalhar com outra coisa.

J� trabalhei com outra coisa.

Deixe-me adivinhar: gar�onete?

Olha...

N�o sou um idiota.

Sua tia � legal.

Mas voc� tem que saber

que isso n�o vai dar certo.

N�o sabe costurar.

N�o tem nenhuma experi�ncia.

Nunca trabalhou em um escrit�rio.

E sua apar�ncia � p�ssima.

Eu nem conseguiria te foder.

E a vaga j� foi preenchida.

- Seu chefe � um cretino. - O qu�?

Nada.

Gracinha.

Aonde vai, amor?

Aleluia. Louvamos ao Senhor.

Senhor, tenha piedade de n�s.

Em nome do Pai, do Filho e do Esp�rito Santo.

Em nome do Pai, do Filho e do Esp�rito Santo. Am�m.

Nos tempos antigos, este feriado era celebrado

com o Natal, o nascimento de nosso Salvador Jesus Cristo.

Mas n�o era apenas sobre o Esp�rito Santo...

Vamos, padre. Jogue a cruz.

Jogue, padre.

Olhe a garota do outro lado do rio.

Talvez seja Jesus.

Nosso Senhor Jesus Cristo passou a vida louvando o Pai Santo.

Ele se rendeu ao plano divino pela humanidade.

Louvamos a Tua grandeza, Senhor. Teus caminhos s�o misteriosos

e nenhuma palavra poderia descrever Tuas maravilhas.

Louvamos a Tua grandeza, Senhor. Teus caminhos s�o misteriosos

e nenhuma palavra poderia descrever Tuas maravilhas.

Vamos.

...nenhuma palavra poderia descrever Tuas maravilhas.

- Vamos, padre. - Que absurdo.

Est� frio, padre. Estamos congelando.

- ...aben�oar essa �gua. - Am�m.

- Jogue logo a cruz. - Vamos!

Onde est�?

Est� ali.

- Vai nessa, garota. - Bravo!

Devolvam a cruz.

Ouviram?

Onde pensam que v�o? Devolvam a cruz.

Voc�s me ouviram?

Devolvam.

� uma vergonha.

Que vergonha. Devolvam.

Fui eu que peguei.

� uma vergonha.

Devolvam a cruz! Ela a pegou!

Agora!

Qual �, padre?

A cruz � nossa, padre. N�s a pegamos.

Outras pessoas saltaram da ponte.

� nossa!

Nossa!

Uma vida longa e pr�spera a todos.

Ano que vem, vamos peg�-la de novo.

A gente se v� no bar hoje.

Calma, calma. Fiquem calmos.

N�o gritem tanto. Quem pegou a cruz?

Onde est� a cruz?

Eu peguei a cruz.

- A cruz � minha. - Calma.

- Se eu pulasse de l�, seria minha. - N�o fui a �nica.

Padre, ela � mulher, n�o devia ter saltado.

Acalmem-se.

Que eleg�ncia! Mas est� molhada.

Vamos trocar de roupa.

A tradi��o confirma isso, senhor. Pe�o desculpas, padre.

Mas n�o devemos esquecer que ela foi a primeira a pular pela cruz.

Agora a pol�cia est� procurando por ela.

Quais as regras que regem esse evento bastante peculiar?

Estamos aqui com o superintendente?

- Comandante. - O comandante da pol�cia local.

- Sr. Milan Stojchevski, certo? - Isso.

Por favor, d�-nos mais detalhes e informa��es sobre o evento.

Olha, fomos chamados por oficiais da Igreja.

Procuramos a mulher misteriosa.

Quando a encontrarmos e obtivermos as informa��es necess�rias,

- agiremos conforme a lei. - Obrigada.

Pegue suas coisas, vamos � delegacia.

Obrigada.

Perd�o, mais uma pergunta.

Por favor, segure isto por um minuto. E isto...

� mesmo um problema que uma mulher tenha pegado a cruz?

Como vou explicar?

- Tente. - Eu vou.

Ensinamos �s crian�as que s� os homens podem pegar a cruz.

- Quem ensina, a Igreja? - A Igreja, os pais, todo mundo.

Mas por qu�?

Os c�nones religiosos afirmam que s� homens podem participar.

- N�o sei se me entende. - N�o entendo.

- � parte de... - Se... Posso falar?

Se mantivermos a tradi��o, nunca progrediremos.

Senhora.

- Srta. Janeva. - Desculpe, senhorita.

Esse caso n�o � t�o importante para voc� cobrir.

Eu decido isso. � o meu trabalho, est� bem?

Tudo bem. Se seu trabalho � investigar mulheres malucas.

E qual � o seu?

Uma multid�o quer aquela mulher, e o que voc� est� fazendo?

Faremos todo o poss�vel para encontr�-la.

N�o tenho certeza disso. Obrigada.

- Adeus. - Tchau.

Estava contando para seu pai sobre sua entrevista.

Como foi?

Foi boa.

Ele riu quando eu disse que me formei em Hist�ria.

Que �timo!

N�o se preocupe, querida.

E?

Not�cias de �ltima hora.

A cerim�nia tradicional da cruz foi realizada em Shtip hoje,

e um esc�ndalo sem precedentes ocorreu.

Uma mulher n�o identificada pulou na �gua e pegou a cruz.

- Nossa rep�rter... - V�o me ligar na sexta.

Por favor, d�-nos mais detalhes...

Eu sabia.

O que aconteceu exatamente?

Hoje uma mulher n�o identificada pegou a cruz.

Ou, segundo � multid�o enfurecida, roubou a cruz.

Mas o que enfureceu a multid�o foi o que ela fez depois.

A mulher fugiu h� 2 horas,

e a pol�cia est� procurando por ela,

sem resultados ainda.

A mulher, ou a fugitiva,

como descrita pela pol�cia,

n�o estava preparada para o evento.

Ela pulou na �gua gelada usando um vestido.

Certamente saberemos mais sobre os motivos dela

quando a pol�cia a encontrar.

Abra.

Pet�nia.

- V� embora. - Estou mandando abrir a porta.

Vou derrubar esta porta. Abra.

Eu disse para me deixar em paz!

Sou eu. Blagica.

- Abra. - Minha m�e est� com voc�?

N�o.

Abra, vamos.

Deixe de joguinhos. Ouviu?

A cruz...

- O que voc� fez? - Nada.

Qual �?

Eu s� quero ver.

O que tenho que fazer para ela me dar sorte?

N�o sei.

Ser� que � s� tocar nela assim

ou talvez pression�-la contra o peito?

� bem bonita.

�, n�o �?

Voc� n�o liga.

Voc� a pegou.

Ter� um ano de sorte.

Voc� � doida.

Sabe que a cidade inteira est� atr�s de voc�?

Todos est�o em p� de guerra.

- Se ficar aqui, v�o peg�-la. - Ela � minha.

- Nem todos pensam assim, querida. - Que se danem.

Est� bem. Que se danem.

Algu�m fez um v�deo com o celular.

Viu?

Filmaram voc� pulando.

Voc� � uma campe�.

E � bem legal, s�rio.

E depois...

Bem...

Eu acho voc� demais.

Teve muitas curtidas.

Os caras v�o come�ar a puxar papo com voc�.

Ser� popular.

� a sua m�e?

- Eu vou ver. - N�o.

N�o � nada demais.

- Acho que isto � seu. - �.

- Obrigada. - Obrigada.

Eu que agrade�o.

Onde est� a cruz?

N�o fique olhando para mim.

Onde est� a cruz?

- Deixe. � minha. - Sua monstrinha ingrata.

Burra. � um objeto sagrado e n�o � seu.

Voc� � um monstro. Um monstro.

� minha e n�o pode provar o contr�rio.

- N�o � sua. - Deixe ela em paz.

Qual o seu problema?

- Ingrata, suma daqui! - N�o pode provar que n�o � minha.

Isso � sagrado.

- Essa cruz n�o � sua! - Cale a boca.

- Monte de estrume. - O que quer?

- Monte de estrume. - O que quer?

- Isso n�o � seu, ouviu? - Me solte!

- N�o � seu! - Me solte!

- Saia daqui. - O que voc� quer?

- A cruz. - Por qu�?

- Vaska. - Cale a boca.

- O que foi agora? - Esque�a. Eu vou te deserdar.

- Vaska, pare. - Cale a boca.

D�-me a cruz.

Vou arrancar seus cabelos.

Saia daqui. Suma!

Eu juro por Deus que vou te deserdar.

Voc� � uma desgra�a, um animal!

O que os vizinhos v�o dizer? Meu Deus.

Meu Deus. Meu querido Deus.

Voc� liga para fofocas?

Danem-se voc�s!

Sua vaca med�ocre!

Calma. Vai matar ela.

N�o � sua.

Estou cansada de voc�s.

Estou cansada desta casa.

- Danem-se. - Calma, Pet�nia.

Vai se arrepender.

- Por que est� vestindo isso? - Para ficar bonita para voc�, m�e.

Sua idiota.

Aonde est� indo?

- Para a casa da Blagica. - N�o vai, n�o.

Que �timo. Grande amiga voc� �.

Isto aqui � meu! Voc� entendeu?

Pol�cia. Abram a porta.

Como puderam?

- Boa tarde. - Boa tarde.

- Pet�nia Eftimovska est�? - Entrem, por favor.

Boa tarde.

Pet�nia?

Sou eu.

Identidade, por favor.

Obrigado.

- Chefe? - Sim?

- N�s a encontramos. - Pode falar.

- Pet�nia Eftimovska. - Entendido.

O endere�o:

St Ivan Ribar Lola, 153.

- N�mero 153? - Isso.

O n�mero da identidade:

1504986455125.

Confirmado.

- � ela. - Est� bem.

C�mbio.

Senhorita.

Vou pedir que nos acompanhe at� a delegacia.

O comandante quer v�-la.

- Prepare-se para o interrogat�rio. - Certo.

A cruz.

- Mo�a, voc� est� com a cruz? - Estou.

Mostre.

Est� bem. Guarde-a, por favor.

Desculpe.

- J� podemos trabalhar? - Sim, vamos come�ar.

Senhora, por favor.

Qual a sua opini�o sobre a mulher que pegou a cruz hoje?

V� para o inferno.

Obrigada, senhora.

- Ol�. - Boa tarde.

Posso lhe fazer uma pergunta?

- N�s somos do Canal Plus. - Claro.

Pode ficar de p� bem aqui? Assim.

Qual a sua opini�o sobre a mulher que pegou a cruz hoje?

- A mulher que pegou a cruz? - Sim.

Que tal pegarem os criminosos do governo?

Nosso povo mal consegue sobreviver. Quem liga para essa coisa da cruz?

- Obrigada. Tenha um bom dia. - Obrigado.

Que �timo!

Ningu�m � maluco, n�o �?

O que � t�o importante?

Futebol.

Apostas?

Tente viver com o meu sal�rio.

Eu vivo.

Acha que meu sal�rio � maior que o seu?

Que piada.

Al�?

N�o, n�o estou em Skopje.

Blagoja, n�o estou em Skopje.

N�o grite comigo.

O qu�?

N�o, voc� deveria ir busc�-la.

Esse foi o combinado.

N�o, n�o estou em Skopje.

Blagoja, ela � sua filha tamb�m.

N�o se atrase.

Problemas no para�so?

Vamos.

Com licen�a.

Por que pegou a cruz? Voc� vai devolv�-la?

Acha que pertence a voc�, mesmo sendo mulher?

- Por favor, para tr�s. - � discrimina��o contra a mulher?

- Para tr�s. - Por favor.

Posso saber o nome dela? Qual o nome dela?

Pet�nia. Agora v� embora.

O que foi?

O que est� acontecendo?

Dissemos para esperar.

Estou esperando h� muito tempo. Qual a minha situa��o?

- Que situa��o? - Por que estou aqui?

- Voc� sabe por que est� aqui. - Seu relat�rio.

- Eu estou presa? - Algum problema?

- Se n�o estou presa, posso ir. - Chame o padre, por favor.

- Quem disse que n�o est� presa? - N�o leram meus direitos.

Ela acha que est� em uma s�rie de TV.

Devia ter pensado bem antes de pular.

Padre. Desligue o telefone. Vamos resolver isso primeiro.

- Devia ter pensado antes. - Eu estou presa?

Paci�ncia. Vamos interrog�-la daqui a pouco.

Voc� se acha t�o inteligente. Temos regras aqui.

Pode me dar um copo d'�gua?

Sim, s� um segundo.

Al�?

M�e, eu j� disse, n�o posso falar agora.

Consegue imaginar a indigna��o do Arcebispo?

Ele teme que esse fiasco seja uma profana��o blasfema

de nossa tradi��o sagrada.

Imagino. E ele tem raz�o.

V� com calma. � bem forte.

Sa�de.

Kosta...

Sabe que n�o pode for��-la a devolver a cruz, certo?

Milan, entenda, ela quebrou as regras.

Padre, que regras?

� uma mulher.

Pet�nia Eftimovska, tem uma liga��o.

O que quer dizer?

O telefone. Siga-me.

- Al�? - Pet�nia?

- Sim. - � Slavica Janeva, a jornalista.

Lembra-se de mim? Olhe para a direita.

Estou na porta. Olhe para a direita. Isso.

Estou aqui para ajud�-la. Preciso de informa��es.

N�o sei de nada. N�o quero falar nada.

- Espere, voc� est� presa? - Eu acho que n�o.

Ent�o me escute.

Se n�o est� presa, eles n�o podem mant�-la a�.

Acredite em mim. Pergunte...

- Deixe-me em paz, por favor. - Espere...

- Ou�a... - Fale.

Precisa apresentar uma queixa,

dizendo que ela roubou a cruz, e uma ordem de devolu��o.

Espere. Dizer o qu�?

- Escute. - Eu sei.

Por favor. Ela n�o a roubou.

- N�o me force a mentir. - Est� bem.

Ela pulou e pegou a cruz. Todos viram.

- Certo. - Agora quer que eu minta?

Tenho que seguir as regras de Deus.

Kosta. E eu tenho que seguir o direito comum, entende?

N�s vivemos em um Estado de direito, certo?

Olha...

N�o posso iniciar o procedimento sem isso.

Terei que solt�-la.

Kosta...

Dever�amos estar em Skopje. Acontece muita coisa l�.

- Como as apostas? - Qual �?

Ou�a.

Voc� precisa se concentrar.

Isso aqui

pode ser a nossa grande chance.

Qual � a gra�a? Falo s�rio.

- Quer dizer para voc�, n�o? - N�o.

Uma chance para voc� e para mim.

Sabe o que est� acontecendo?

Que circo.

Temos que abrir os olhos do p�blico, est� bem?

Pode dar uma declara��o?

- Oi. Eu sou o comandante. - Eu sou Pet�nia.

Minha filha, sinto muito mesmo por esse mal-entendido.

Mas isso pode terminar bem se devolver o que n�o � seu.

A pol�cia vai falar comigo ou isso aqui � uma igreja?

Vamos.

� esquerda.

- Identidade? - Sim. Est� a�.

Diga seu nome, sobrenome, data de nascimento e forma��o.

- Pet�nia Eftimovska, 15/04/86... - Devagar.

- Data de nascimento? - 15 de abril de 1986.

Sou formada em Hist�ria.

Muito bem.

- Trabalha? - Estou desempregada.

Casada?

N�o.

Pronto.

E?

- O que aconteceu no rio hoje? - Sabe bem o que aconteceu.

Mo�a, por favor...

Responda � pergunta.

Eu peguei a cruz sagrada.

O padre falou que voc� a roubou dele.

O evento viralizou na internet. Pode conferir.

Tem um v�deo do evento no YouTube.

Mo�a.

Voc� � religiosa?

- E isso � relevante? - Por favor...

Apenas responda.

Voc� � gay?

- Entende a sua situa��o? - Entendo muito bem.

N�o vou responder a perguntas pessoais.

Nem tenho que falar com voc�. Estou presa ou n�o?

Tudo bem.

Como quiser.

Fique sentado.

- Seu bot�o caiu? - Desculpe, vou consertar.

Darko.

Fique aqui.

Vasil.

Vasil.

Encontrem-no.

Venha aqui.

- Darko? - Oi.

- Por que est� escuro aqui? - Economia de energia.

- Esta c�mera funciona? - Sim.

- Vamos prosseguir, sim? - Claro.

Voc� quebrou todas as regras. Percebe?

- Que regras? - N�o banque a ing�nua.

S� homens podem pular pela cruz. Est� se fazendo de burra.

- Eu n�o sabia da regra. - Essa � a regra.

Mas n�o � uma lei.

N�o � uma lei? N�o � mesmo.

A igreja quer a cruz de volta.

E por que estou na delegacia?

Darko.

Saia da sala, por favor.

J� esteve na TV?

N�o estamos na TV.

Eu tenho uma filha.

Ela tem nove anos.

O nome dela � Dora.

Ela � bem-educada e bonita.

Mas...

se ela se comportar assim quando for mais velha,

eu vou quebrar cada osso do corpo dela.

Felizmente, meu pai me apoia.

Voc� conhece a hist�ria do lobo e o cordeiro?

Al�...

Nunca ouviu essa hist�ria?

O lobo devora o cordeiro, eu entendi.

N�o.

O cordeiro se vestiu com uma pele de lobo

- e deu uma surra nele. - N�o foi o contr�rio?

N�o.

Os cordeiros se vestiam como lobos e gostavam de enganar a todos.

Sua vaca est�pida. Voc� est� brincando comigo?

V� se foder! A cruz � sagrada!

O que vou falar para o padre agora?

Eu j� tomei caf�.

N�o vai demorar.

Sinto muito pela situa��o da sua filha.

Ela n�o fez nada de errado.

Eu acredito, obviamente.

Mas, por favor, repita isso para a c�mera.

Prontos?

Olhem para mim, n�o para a c�mera.

Fa�am de conta que a c�mera n�o est� aqui.

E sintam-se livres para mostrar emo��o.

O povo est� do seu lado. Sabem dessa injusti�a.

Prontos?

Microfone, por favor.

- A fam�lia Eftimovi, certo? - Sim.

- Vaska e Stojan. - Eftimovski.

� mesmo.

Estamos aqui na casa de Pet�nia Eftimova.

Estamos com seus pais, Vaska e Stojan Eftimovi.

Obrigada por estarem conosco esta noite.

Voc�s sabiam do plano de sua filha de participar

na cerim�nia tradicional? Ela deve ter treinado bastante.

O que voc�s acham sobre o ato dela?

Lutar contra as normas e a discrimina��o de g�nero?

Pura coincid�ncia ou um ato claramente desafiador?

Pet�nia � uma jovem boa, inteligente e trabalhadora.

Infelizmente, como a maioria de seus colegas, est� desempregada.

- Ent�o... - Ela...

Ela se formou em Hist�ria e era uma aluna excelente.

- Ent�o ela est� desempregada. - Isso.

Pode parecer uma pergunta pessoal,

mas � muito importante. A sua fam�lia � religiosa?

- N�o. - Sim.

Seguimos todos os feriados religiosos.

Podemos concluir que voc�s n�o sabiam

das inten��es de Pet�nia de participar da cerim�nia.

E que ela n�o � muito religiosa.

Qual a opini�o de voc�s? Por que ela fez aquilo?

Dediquei minha vida a oferecer um futuro melhor...

uma vida melhor para minha filha.

V� o que est� acontecendo? N�o faz sentido.

Como posso descansar em paz,

sabendo que ela est� nessa situa��o?

Ent�o, a Pet�nia mora aqui com voc�s.

Mas...

ela tem namorado?

Ela precisa de um emprego.

Ela � esfor�ada e trabalhadora.

Eu sei que pessoas boas est�o nos assistindo.

Por favor, deem um trabalho para minha filha.

Ela n�o queria causar nenhum mal.

- Precisa de trabalho. Obrigada. - Pare, Vaska.

Pet�nia precisa de um emprego, � isso?

- Sim. - Muito bem.

Isso vai ser no final.

Pronto?

Ent�o...

Desculpem.

Esta noite, falamos com os pais da Pet�nia.

Pet�nia � a garota que pegou a Cruz Sagrada em Shtip.

Eles tamb�m ficaram surpresos com o que ela fez

e imploram por um trabalho para a filha.

Para eles, esse � o �nico problema que Pet�nia est� enfrentando.

� linda, n�o?

- Mas por que voc� fez isso? - Para ter sorte.

Voc� n�o faria o mesmo?

Tudo bem. Pode guardar.

- Pode segurar se quiser. - N�o, obrigado.

- N�o � religioso? - Sou, mas isso � diferente.

Diferente como?

N�o sou fan�tico como voc�.

Eu tamb�m n�o sou.

Ent�o, por que pulou para pegar a cruz?

N�o sei.

Mas...

Foi uma forma de...

provoca��o?

Isso, foi uma provoca��o.

S�rio?

Eu n�o entendo.

Acha que a pol�cia n�o tem mais nada a fazer

al�m de perder tempo com o seu salto pela cruz?

Primeiro, eu peguei a cruz.

Segundo, eu concordo com voc�.

H� muito mais coisas com que se preocupar.

Al�?

Eu vou...

Sim, o pai est� atrasado.

Teve uma emerg�ncia. Ele j� vai.

� a �ltima vez, eu prometo.

Certo.

Muito obrigada.

Obrigada. Tchau.

Ou�a, essa foi a �ltima vez que eu salvei sua pele.

Cansei de voc�.

Eu...

Que se dane.

O que est� olhando? Cuide da sua vida.

O que foi, Brad Pitt? Me acha bonita, n�o �?

Babaca.

- Cad� ela? - Est� l� dentro?

Cad� todo mundo? Est�o vindo.

- Vamos. - Com licen�a.

Podem me dar sua declara��o sobre o acontecimento?

- Claro. - Certo.

Pronto?

Estamos na delegacia em Shtip,

onde um grupo de cidad�os se reuniu.

Eles participaram da competi��o pela cruz.

Vamos ouvir as declara��es deles sobre a vencedora. E ent�o?

Aquela mulher � L�cifer em pessoa. Ela n�o � a vencedora.

Ela roubou a cruz e a queremos de volta.

Mas ela foi a mais r�pida. N�o podem negar isso.

Deixe-me explicar. Deus disse que roubar � pecado, certo?

Ladr�es eram apedrejados.

- E massacrados. - Isso.

N�o sairemos daqui at� que ela devolva a cruz.

Ela a roubou. Queremos de volta.

Com licen�a.

- Prontos para a segunda pergunta? - Sim.

Fomos informados de que o vencedor do ano passado

tamb�m foi uma mulher.

O que podem me dizer?

� a primeira vez que uma mulher vence.

- Mesmo? - Sim.

Ent�o, voc� acabou de confirmar que uma mulher pegou a cruz.

- N�o �? - N�o.

- Voc� acabou de dizer. - N�o, ela roubou.

Voc� j� pode ir. Vamos.

- Tem certeza? - V�, mo�a.

Mo�a?

Por favor, v�.

Tudo bem.

Sua mochila.

- Podemos conversar de novo? - N�o, eu vou para casa.

Filha, eu tamb�m j� vou.

Somos todos filhos de Deus, n�o se esque�a disso.

Voc� tamb�m est� no cora��o de Deus.

Deus cuida de voc�.

Ele a perdoar�, n�o importa o que voc� fa�a.

A Igreja tamb�m ir� ajud�-la, para que possa se casar de gra�a.

Pet�nia, uma pergunta.

Voc� devolveu a cruz? Est� com voc�?

Vagabunda!

Venha c�!

Devolva a cruz!

Devolva!

Vou trazer uma toalha.

Pet�nia.

- As pessoas devem saber. - Que pessoas?

- As que est�o l� fora. - Jogaram �gua nela.

Uma multid�o n�o pode ter uma opini�o. � um rebanho.

Por favor, repita isso para a c�mera.

Meu cinegrafista est� ali. Vou cham�-lo.

Pode repetir isso?

Vai ter que ficar aqui por um tempo.

Temos que controlar essa situa��o, est� bem?

Pare.

Voc� precisa ser forte e fazer uma declara��o.

- Voc� precisa ir. - Quem?

Voc�.

Por qu�?

Quem disse?

Ele?

N�o, eu estou dizendo...

- � ele que manda? - N�o.

- Eu vou ficar com ela. - Precisa ir embora.

N�o me toque!

- Sem viol�ncia. - Pe�o desculpas.

- Se eu for, ela vai tamb�m. - Ela n�o vai a lugar algum.

Voc� vai.

Abra.

Abra.

Vagabunda.

Vagabunda.

Darko.

Onde est�o os cobertores?

- Cobertores? - Sim.

- Para qu�? - � muito cedo para dormir.

Darko! Para que os cobertores?

A garota est� molhada...

- E est� com frio. - Aumente o aquecedor.

E da�? N�o � nosso trabalho mant�-la aquecida.

Darko, voc� est� na TV.

O "Pr�ncipe Aquecido" dela.

Ela pediu por aquilo.

Est� colhendo o que plantou.

O que quer?

Nada.

Est� com frio?

Pegue isto.

Acha que eu deveria falar com ela?

Com ela quem?

A jornalista.

N�o sei.

Todos gostam de ver TV...

Pode ser de grande ajuda.

Acha que preciso de ajuda?

Sinceramente, eu n�o sei.

Nunca quis causar problemas.

Isso n�o importa. N�o � da minha conta.

Voc� � sortudo. Tem um emprego e tudo.

Sortudo? J� viu com quem trabalho?

Eu queria...

ter a sua coragem.

N�o foi coragem.

Eu pulei sem pensar.

Como um animal.

Como o qu�?

Eu me sinto...

Eu me sinto um animal.

Vista isto para n�o morrer de frio.

N�o, para mim � exagero

fazerem esse esc�ndalo s� porque uma mulher venceu.

Como na Idade M�dia.

O enredo � bastante claro.

Como assim?

N�o consegue ver a ordem patriarcal �bvia?

N�o v� o poder e o dom�nio masculino

perdoados pela tradi��o?

Queremos ver o padre.

N�o, escute. Nosso dever � informar o p�blico.

Voc� n�o acha?

N�o.

Mesmo que ningu�m goste...

N�o, essa � a realidade. O p�blico tem que saber disso.

N�o importa de quem � a culpa, entende?

Sorte nossa a mulher n�o pedir um advogado.

Ent�o, levante-se

e diga � multid�o para ir embora.

Para eu poder solt�-la.

- Enfrentar o rebanho? - Sim.

- E depois? - Diga para irem embora.

Fa�a voc� isso.

- Mesmo? - Sim.

Foi voc� que falou sobre perigo na minha sala.

N�o venha me falar de perigo.

Kosta, est� arriscando seu pr�prio pesco�o.

Voc� tem cinco minutos para mand�-los embora

ou vou prend�-los.

Percebe o que voc� fez? Que vergonha.

Menina, vamos.

Por favor. Eu entendo voc�s, mas t�m que me entender tamb�m.

Acalmem-se e v�o para casa.

Certo, claro. Vimos que ela est� com a cruz.

- Isso mesmo. - Ouviram o que eu disse?

V�o para casa. Pegaremos a cruz amanh�.

Hist�ria, certo?

Qual o seu per�odo favorito?

Aposto que � Alexandre, o Grande.

A Revolu��o Chinesa.

- N�o gosta da nossa hist�ria? - N�o.

Me interessa a integra��o do comunismo

nas estruturas democr�ticas.

Hoje lutamos por mais igualdade...

Pet�nia.

Deixe-me fazer uma pergunta.

N�o sou muito religioso,

mas gostaria muito de ver a cruz.

Se poss�vel.

Muito bem.

Devagar.

Sinto muito, mas meu trabalho � proteg�-la.

A cruz � minha.

Eu j� disse que n�o fui eu.

- Olha para ela. - Sente-se.

- Por que n�o prendem ela? - Cale a boca e n�o se mexa.

Era uma vez, em um reino distante, uma princesa.

Ela era esnobe e mimada,

uma solteirona arrogante e frustrada.

Vaca.

Vagabunda.

Voc� roubou a cruz.

Vai apodrecer no inferno. Vagabunda.

- Vadia. - Ei, cale a boca.

Sua vaca.

- Vagabunda! - Qual � a sua, cretino?

- Voc� se acha um rei? - Calma.

Sua vagabunda. V� se foder!

- O que faz aqui? - Sinto muito, minha filha.

N�o pode sair.

O promotor est� vindo para resolver tudo.

Por favor, eu posso entrar? N�o vou demorar.

Sou a m�e dela.

- Tudo bem, seja r�pida. - Obrigada.

Onde conseguiu essa jaqueta? A cor � horr�vel.

N�o combina com seu tom de pele.

- Por que disse isso? - O qu�?

M�e, eu tenho valor.

Coma.

Por que voc� me persegue?

- N�o estou entendendo. - Mesmo?

Estou perguntando por que voc� est� sempre me perseguindo.

- N�o � verdade. - Est� bem.

- E o que me diz dessa manh�? - Aquilo?

S� um pequeno lembrete da sua idade.

Tenho 32 anos. Por que voc� n�o v� que sou capaz e tenho valor?

N�o vou embora.

Foda-se, imbecil.

Al�?

Certo, eu j� vou.

J� vai? Ou�a.

Voc� pode ir, mas eu vou ficar.

Est� bem?

Eu tenho que ir ou vou perder meu emprego por aquela maluca.

Maluca? Agora ela � maluca. Eu s� ou�o insultos.

Fique. Vamos terminar a mat�ria.

N�o. Disseram para eu ir embora.

- Quem disse? - O chefe.

- E vai embora? - N�o tenho escolha.

- Deixe a c�mera. - Como?

- Deixe a c�mera. - N�o.

- Deixe a c�mera. Eu sei usar. - Nem pensar.

- � alugada. - E da�?

Eu assino por voc�. Sempre te ajudei.

- N�o posso. - Seu celular.

- Al�? - Isso, puxe o saco do chefe.

- "Claro, eu levo a c�mera". - Ela quer a c�mera.

"Ela vai levar porque ele � um maricas".

- Deixe a c�mera aqui. Cai fora. - Voc� est� demitida.

Cai fora. Ei, olha aqui um segundo.

- Isso. - Legal. Adeus.

Chupa essa!

Imbecil.

Imbecil.

- O concurso de canto. - O que tem?

- Lembra-se do concurso? - N�o.

Eu ganhei o primeiro pr�mio.

Eu tinha apenas sete anos.

Eu era t�o feliz.

A crian�a mais feliz do mundo.

Sabe o que voc� me disse? Lembra?

- Lembra? - N�o.

Voc� disse que eu venci porque subornou o juiz.

- N�o � verdade. - �. O que deu a ele?

Pare. Me deixe.

"Eu dei um presentinho ao juiz."

"Um presentinho para o juiz."

- Eu tinha s� sete anos, m�e! - Vamos.

N�o tem sinal aqui.

- N�o, eu... - N�o, n�o.

- Hoje, na entrevista de emprego... - Sim?

Aquele homem, o amigo...

Ele disse que eu n�o era boa para nada.

Ele concorda totalmente com voc�.

Disse at� que nem conseguiria me comer.

N�o seja t�o grosseira.

� verdade, m�e.

Voc� deve ter entendido mal.

Ele � um homem s�rio.

Est� dizendo que ele me comeria?

Sem sinal. Eu preciso ir.

Tenho que ligar para seu pai. Ele est� muito preocupado.

Eu j� vou.

Voc� n�o entende e n�o tem problema.

Eu aceito isso.

De verdade.

Eu j� vou.

Ainda est� aqui?

Tenho que esperar o promotor.

� t�o ruim assim uma mulher pegar a cruz?

A cruz n�o � sua.

� de Deus.

Eu preciso garantir o bem-estar da minha congrega��o.

Mas e eu?

N�o tenho o direito de ser feliz?

Est� enfrentando acusa��es criminais.

Por provocar o nacionalismo, bem como o �dio racial e religioso.

A pena � de at� cinco anos de pris�o.

Eu fui atacada duas vezes.

Eu estou presa ou n�o?

Algu�m pode me responder?

- Eu estou presa ou n�o? - N�o, n�o est�.

E por que estou aqui?

Tamb�m me pergunto isso.

- Eu posso ir? - N�o.

- N�o? - N�o.

Voc� j�...

ouviu falar sobre a prociss�o?

Sabia que nenhuma mulher jamais participou?

Sim.

Eu sou mulher, n�o burra.

Garota...

Por que n�o devolve a cruz?

N�o est� comigo.

O comandante a pegou.

Por favor, saia.

J� ouviu aquela hist�ria sobre o lobo e a ovelha?

Voc� se refere...

�quela em que o lobo

se veste com a pele de cordeiro?

Sobre o cordeiro que se veste com a pele do lobo.

Certo. J� sabemos disso.

Sabemos que � o cordeiro.

Uma v�tima.

J� entendemos isso.

Acho que acabei de virar o lobo.

Supostamente, voc� � amigo de Pet�nia.

H� quanto tempo se conhecem?

O que pode nos dizer sobre esse esc�ndalo?

N�o entendo a indigna��o das pessoas.

Isso � �bvio. Porque a cerim�nia � proibida para as mulheres.

Conforme os costumes religiosos, essa � a regra.

N�o entendo por que � um problema

nem por que a prenderam.

O que fariam se Deus fosse mulher?

Obrigada.

Essa � a quest�o.

E se Deus fosse mulher?

Seguiremos informando.

Eu soube que o promotor do caso acaba de chegar.

� 2018, mas ainda parece a Idade das Trevas na Maced�nia.

Talvez por isso chamam nosso pa�s de "eterno".

Eternamente presos na sombria Idade das Trevas.

Isto � seu.

Pode pegar.

- Pode ir agora. - Obrigada.

S�o Pedro disse: "Tudo o que vai, volta."

Feche a porta. Agora.

Padre, de que lado est�?

N�o fale comigo assim.

Fiquem l� fora. Acalmem-se.

N�o xinguem.

Voc� pegou a cruz e agora pode ir embora.

- Padre, pode ir tamb�m. - Posso?

- Sim. - Est� bem.

- Sua jaqueta. - N�o preciso dela.

Vamos manter contato.

Pet�nia.

Pet�nia.

Boa sorte.

- Pode ficar com ela. - Mas voc� a pegou.

Sim, mas n�o preciso dela.

O senhor precisa, e eles tamb�m.

Est� bem.

Eu te desejo sorte.

Posso pegar a cruz agora?

DEUS � MULHER E SEU NOME � PET�NIA

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