All language subtitles for Hush.Hush.Sweet.Charlotte.1964.720p.BluRay.H264.AAC-RARBG

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Original subtitles

Esta casa, esta fazenda,

a comunidade toda pertencia à minha família

antes de sua gente botar os pés nos navios de carga que os trouxeram aqui.

Não se atreva a me desafiar, rapaz.

Minha família viu este estado infestado de aventureiros do Norte

que entendiam ainda menos de cavalheirismo que você.

Nem consigo olhar para Charlotte sem ser tomado por pensamentos horríveis.

Antes tivesse sido com um dos meus peões.

Eu poderia tê-lo matado.

Sabe o que está me custando não matá-lo?

Minha filha com o marido de Jewel Mayhew.

Seu miserável covarde.

Meu pai sentou-se naquela varanda,

e deixou que o lugar virasse pó.

Quando morreu, só havia dívidas e poeira.

Eu transformei aquela poeira em prosperidade.

Lutei para manter e dar esplendor a esta casa.

Não tenho um filho para quem deixar.

Apenas Charlotte.

E ela não vai dá-la para você.

Você não terá minha casa nem minha filha.

Eu criei ambas e vou mantê-las.

Não cuidei de minha filha todos esses anos para algum...

para uma criatura como você tomá-la de mim.

Pois eu lhe digo uma coisa.

Sua filha não é mais uma garotinha. Haverá outros homens na vida dela.

Não tem graça.

Diga-me uma coisa, rapaz.

Qual é seu plano de fuga?

- Como pensa levá-lo a cabo? - Amanhã à noite, durante o baile,

Charlotte e eu planejamos nos encontrar na casa de verão.

Ela iria deixar as malas arrumadas e nós iríamos embora juntos.

Reservei um quarto em Baton Rouge, ficaríamos lá.

- Não quero saber. - Você perguntou, só estou respondendo.

Agora,

cale essa boca suja e me escute.

Charlotte não sabe sobre isto.

Ela não sabe que está aqui agora.

Ela nem sabe que Jewel esteve aqui ontem à noite.

Como assim, Jewel esteve aqui?

Está dizendo que minha mulher veio aqui falar com você?

Se me lembro bem, ela estava sentada bem aí.

Agora,

quero que venha ao baile com sua mulher.

Encontrará Charlotte na casa de verão, exatamente como planejado.

Mas o que vai sussurrar em seu ouvido

será algo diferente.

Venha, preguiçoso. Não dançamos nenhuma vez.

Champanhe não teria graça sem a Proibição.

Adoraria conhecer o contrabandista do Sam.

Sam Hollis sabe mesmo como dar uma festa.

Adoro Charleston.

Ginny Mae, viu Charlotte? Estou doida para contar-lhe algo.

Faz tempo que não a vejo.

Da última vez ela estava dançando com John Mayhew.

Acho que vai demorar até vê-la de novo.

Eu preciso encontrá-la...

Eu me enganei, Charlotte, só isso.

Não chore.

Sei que não serve de consolo,

mas eu a amei de verdade.

Procure compreender. Eu a amei mesmo.

Eu poderia matá-lo.

Jenks, sabe que não se abre um engradado com isso.

Acha que eu trouxe isto para quê?

- Boa noite, Sr. e Sra. Howard. - Geraldine.

- Que noite mais adorável. - Temos de ir agora.

Agradeça ao Sr. Hollis por nós. Eu não o acho em lugar nenhum.

- Farei isso. - Obrigado, querida. Boa noite.

Boa noite, Sr. e Sra. Howard.

Charlotte?

Ah, meu Deus!

Mais uma vez.

Mais uma vez.

Lá está Charlotte.

Querida,

venha comigo.

Não, papai.

Não quero, papai.

Venha comigo, querida.

- É bem assustador aqui. - Especialmente o cemitério. É bem pior.

- Andem. Está ficando tarde. - Acha que tem um fantasma?

- Quem sabe? - É claro que tem.

Lá está a casa. Ela me dá arrepios.

E se ela me pegar?

Você diz que é Jewel Mayhew

e que veio procurar pela cabeça do seu pobre marido.

Mas e se ela me pegar?

Quer fazer parte dos Spiders, não quer?

Vá entrando.

- Pegue algo que ela tenha tocado. - Cuidado com o cutelo.

Ela pode cortar a sua cabeça.

Vá indo. Não temos a noite inteira.

Vá indo.

John?

- Vamos embora. - Corram.

- Ela vai nos pegar. - A mim não.

Vamos.

Estou com medo.

Estou correndo.

Corte, corte, doce Charlotte

Corte, corte, até ele morrer

Corte, corte, doce Charlotte

Corte sua mão e sua cabeça

COM A MALDADE NA ALMA

Agora todos entendem

Por que você correu para encontrar seu amado,

Para cortar sua cabeça e sua mão

Corta, corta, doce Charlotte

Corta, corta, até ele morrer

Corta, corta...

Malditos.

Saiam da minha propriedade ou eu atiro.

Eu disse para saírem da minha propriedade.

Stan, cuidado. Lá em cima.

- Minha nossa. - Aquela maluca. Vou dizer uma coisa...

Eu não iria lá se fosse você.

O que é isso, atirando nos meus homens?

São as minhas terras que ele está aplainando.

Droga. Moça, poderia tê-lo matado.

- Se eu tivesse mirado nele, eu teria. - Srta. Hollis...

Fizemos de tudo para ajudá-la. Mas a senhora foi longe demais.

Temos de construir a ponte e a estrada. Não temos tempo para brincadeiras.

Posso cuspir no seu olho daqui sem dificuldade nenhuma.

Não estou com humor para piadas.

Vou direto ver o xerife.

Não ligo para onde vá,

contanto que vá, e leve aquilo e todos com você.

Sabe que o estado da Louisiana desapropriou toda esta área,

inclusive a sua casa, há seis meses.

Só porque um idiota assinou um papel em Baton Rouge não quer dizer nada.

Ninguém me pediu para assinar nada.

E ninguém vai derrubar a minha casa para construir uma droga de uma ponte.

Então suma da minha propriedade de uma vez.

Algumas pessoas pensam que têm o direito nato de matar.

Cuidado.

Você se divertiu hoje, não foi, mocinha?

Agora, acalme-se.

O que vai fazer, chefe?

Vou até a cidade. Mantenha os rapazes fora de vista até eu voltar.

Trarei o xerife nem que tenha de arrastá-lo.

Agora você deu um jeito de vez.

Venha.

- Eles iam escavar o túmulo do papai. - Eles nem chegaram perto.

Eles vão derrubar toda a casa mesmo.

Que diferença fará se aplainarem todo o terreno? Venha.

Eles ofereceram mover os restos mortais do seu pai. Devia ter deixado.

Eles não podem fazer-lhe mal nenhum agora.

Vá indo, acalme-se.

Já fez o bastante por um dia.

Deixe-me lhe dizer uma coisa.

Não vai levar mais de meia hora até o xerife chegar aqui.

Então fique bem bonita,

e desça para tomar seu café da manhã.

Se Luke Standish vier aqui, ele vai se arrepender.

Ora. Isso não é jeito de se falar.

Vamos, vista-se.

Velma vai lhe preparar um delicioso café da manhã.

Não se preocupe com o xerife.

Velma vai se livrar dele.

Sim, senhor.

Não é sempre que tem um homicídio onde não se acha a cabeça e a mão da vítima.

Não perderei tempo examinando suas credenciais, Sr. Wills.

Terei prazer em corroborar o que disser.

Só não tenho certeza sobre o que descobrirá.

Tivemos jornalistas nos visitando por mais de 35 anos,

e nenhum teve muito sucesso.

Não espero descobrir nada extraordinário.

Não há nada de anormal numa apólice de seguro que não foi reivindicada.

Eu só não quero perturbar ninguém.

Se puder cooperar com meu disfarce

de repórter de uma de nossas revistas criminais mais esotéricas,

eu ficaria imensamente grato.

Já que veio lá de Londres para nos ver,

acho que lhe faremos esse favor, com revistas esotéricas e tudo.

Desculpe, Sr. Standish. Precisamos que vá à residência Hollis.

Temos um problema sério desta vez.

Que coincidência impressionante.

A propósito, xerife, pode marcar uma hora para mim com Jewel Mayhew?

- Com prazer. - Muito obrigado.

- O quê? - O xerife está vindo. Livre-se dele.

Ela não é louca. Ela age assim porque é o que as pessoas esperam dela.

Pode esperar no carro.

Não pode vê-la. Ela está doente.

Toda aquela poeira e barulho daquelas máquinas a deixaram doente.

Está esperando pelo Dr. Drew vir examiná-la.

Que pena. Temos um problema com uma arma de fogo sem licença.

Esperava que a Srta. Hollis me ajudasse a achá-la.

Então terei de procurar sozinho, Srta. Cruther.

Bom dia, Srta. Charlotte.

Saia, Luke Standish, seu judas.

Vindo com esses truques mentirosos. Devia ter vergonha.

Papai lhe deu emprego nesta cidade. Sem ele você não seria nada.

Eu sei. É por isso que estou tentando ajudá-la.

Recebeu ordens para deixar esta casa há muito tempo.

Se eu estivesse fazendo meu trabalho, há tempos que você teria saído.

Se está tão ansioso para me ajudar, por que não me deixa em paz?

E diga para pararem de ameaçar cortar minha água e eletricidade.

Não posso. O que fez hoje tirou o assunto das minhas mãos.

Ameaçar é uma coisa, atirar nas pessoas é outra.

Agora tenho ordens de forçá-la a sair em dez dias.

Eles podem parar com as explosões e trabalharem do outro lado do rio.

Mas se não sair até o fim da semana que vem,

o comissário mandará prendê-la.

Mas este é meu lar.

Eu não tenho outro lugar para ir.

Eles podem construir a droga da ponte em qualquer lugar.

A ponte tem de coincidir com a estrada do outro lado do rio.

Não há alternativa.

Semana que vem esta casa será demolida.

Quando minha prima Miriam chegar, ela cuidará do comissário.

- Não sabia que a esperava. - Eu a espero.

Ela não fará diferença em relação à ponte.

- Nós veremos. - Pelo visto, sim.

Não vou tirar essa arma de você.

Espero que não planeje usá-la de novo.

A última coisa que quero fazer é prendê-la.

Então não o faça.

Por que foi contar histórias sobre a Srta. Miriam?

Ela nem respondeu às suas cartas.

Bem, ela está vindo mesmo assim.

Será o dia mais triste da sua vida se ela vier.

Sua prima Miriam só tinha uma ideia na cabeça:

cuidar dos próprios interesses.

Ela tem de vir.

Ela é a única parenta que tenho.

Miriam tem de vir.

Só ela pode me ajudar agora.

Ela tem de vir.

Houve muitas mudanças nesta parte do país desde que a senhora se foi.

- Imagino que sim. - Mas não nestas paradas,

a não ser o fato de estarem todos mais velhos.

Imagino que estejam.

Não adianta se zangar do jeito que fez esta manhã.

Quem não a conhece tão bem quanto eu

pode até pensar que sofre de algum complexo de perseguição.

Sim, Dr. Drew.

Charlotte, estão pedindo que saia da casa

porque eles vão demoli-la,

não por algum motivo obscuro que imagina.

- O que foi isso? - Por favor.

Não fique agitada por qualquer coisa.

- É Miriam. - Ela só chegará amanhã à noite.

Vamos, acalme-se.

RESIDÊNCIA HOLLIS

Bem, chegamos.

Dizem que os lugares que conheceu quando jovem parecem menores do que lembramos.

Não é verdade.

Velma.

Velma Cruther.

Quer que leve para dentro, moça?

Obrigada. Coloque-as ali.

Do jeito que a deixei.

- Quanto é? - Dois dólares e meio, moça.

- Fique com o troco. - Obrigado.

- Quase chega antes do telegrama. - Estou um dia adiantada.

Espero que não seja inconveniente para ninguém.

Não posso acreditar.

Está maravilhosa.

Em que não acredita, que esteja aqui ou na minha aparência?

Vamos, não caçoe de um velho.

Sabe que nunca fui bom em me expressar.

Não é verdade.

Você sempre foi ligeiro com as lisonjas.

O problema eram as intenções...

que às vezes eram um pouco vagas.

- Quer tudo isto lá em cima? - Eu lhe darei uma mão em um minuto.

Imagino que queira ver Charlotte.

Acho que já vi.

- Ela não vai descer? - Acho melhor subirmos.

Ela está meio chateada. Houve um problema hoje cedo.

Nada sério.

E você nos surpreendeu. Não a esperávamos até amanhã.

Foi um engano. Tive de tomar um voo mais cedo.

Que tipo de problema?

Teimosia pura e simples.

Com seu dinheiro, ela poderia viver em qualquer lugar do mundo feito rainha.

Mas do jeito que está, você terá problemas para tirá-la deste lugar.

Nós três costumávamos escorregar neste corrimão. Eu sempre ganhava.

Nós a deixávamos ganhar porque era a mais nova.

É difícil manter uma casa velha limpa.

Se conseguir arranjar alguém na cidade para trabalhar aqui,

estará de parabéns.

Não me interprete mal.

Sei como deve ser exaustivo fazer todo o trabalho sozinha.

Tem mais malas lá fora.

Charlotte, é a Miriam.

Foi tão bom receber sua carta me pedindo para vir.

Eu sabia que viria, eu sabia que sim.

- E você vai me ajudar. - Farei o possível.

Pensei em você, na mansão. É como voltar para casa.

Mas está tudo uma bagunça.

Eu não a esperava até amanhã.

Estamos juntas. É o que importa.

É claro que sim.

O quarto da Srta. Charlotte.

Lembra-se de quando me ensinou a fumar e você

- ou fui eu? - incendiou as cortinas?

Mas fui eu quem levou as palmadas.

Isso é trabalho da Velma.

Sim, mas Velma é... bem, Velma.

É que não nos vemos há tanto tempo,

devemos ter outras coisas para conversar.

Além de discutir quem vai fazer a cama.

Se quer que eu prepare o jantar,

é bom comerem cedo.

Tenho de ir pra casa.

Obrigado.

Isso é um convite?

Imaginei que ficaria rondando,

agora que a Srta. Miriam voltou.

Não há nada como um reencontro familiar. Acho que vou pegar a chave da adega.

Acha que vai pegar a chave da adega.

Eu não me lembro de ter-lhe dito onde ficava a chave da adega.

Obrigado, senhor.

Não me lembro quando jantei aqui pela última vez.

Papai dizia que esta era sua sala favorita.

Talvez porque gostasse tanto de comer.

Quando essa bobagem da casa for resolvida,

poderemos dar festas aqui de novo.

Por que não? O que há de tão difícil sobre isso?

Seria maravilhoso.

Seria bom.

Mas não está se esquecendo de que tem de deixar a casa?

Tem uma semana até segunda-feira para sair.

Fala como se fosse do Departamento de Pontes e Rodovias.

Miriam vai dar uma lição neles, não vai, querida?

Gostaria de poder.

Você precisa entender que não há nada, nada mesmo,

que Miriam possa fazer a respeito.

Eles vão demolir esta casa e pronto.

Você é tão obtuso. Eles levaram o maquinário embora, não foi?

Miriam não tem medo de um bando de políticos corruptos.

Não me surpreenderia se Jewel Mayhew estivesse por trás disso tudo.

Isso é ridículo.

É? Eles não vão tocar nas terras dela.

Vão destruir a minha casa, mas não vão chegar perto da dela.

Aluguei um carro para você. Pode ir amanhã.

- Ir aonde? - Para Baton Rouge,

colocar aquele comissário no lugar dele.

Nada me impediria de ajudá-la, se pudesse.

Sabe disso. Mas acho que Drew está certo.

Não podemos fazer nada sobre a casa.

Você tem de partir.

Por que acha que eu a chamei aqui?

Por companhia?

Pensei que fosse me ajudar.

Mas eu irei. Foi por isso que vim, para ajudá-la, para estar ao seu lado.

Estar ao meu lado?

Moro sozinha aqui desde que papai morreu.

As únicas pessoas que vejo são Velma e Drew, que vem quando quer,

para ver se ainda estou viva.

E um bando de idiotas que vêm caçoar de mim.

Pensa que eu a chamaria aqui apenas para estar comigo?

Ela só está tentando ajudar.

Estou vendo.

Ela está se matando.

Minha nossa, quanta gratidão.

Quando chegou aqui, após seu pai ter morrido,

agiu como se não fôssemos bons o suficiente para você.

- E sua mãe, uma garçonete lá do Norte. - Já basta.

Deixe-a falar, se insultar-me lhe traz satisfação.

Quando chegou aqui, papai lhe comprou um guarda-roupa novinho.

Fica insultada por ser lembrada disso?

Ele levou sua prima pobre para comprar um guarda-roupa novinho,

em uma loja barata na qual jamais a levaria.

Não servia para você? Papai não lhe deu o suficiente?

Talvez tenha voltado por isso: para pegar o resto do dinheiro dele.

Tenho uma carreira, abri mão de tempo precioso para estar aqui.

Eu sei. Como chama seu emprego mesmo?

Relações Públicas. Parece-me algo sujo.

A sujeira está na sua mente.

Não insista. Ela não veio aqui para ser insultada.

Deve ter vindo ajudar Jewel Mayhew expulsar-me da minha casa.

Você não acha isso.

Por que Miriam não conspiraria com Jewel contra mim?

Quem foi fofocar com Jewel

sobre o marido dela e mim, para começo de conversa?

Não sabia disso, sabia, Drew?

Nunca contou ao seu namorado. Não é verdade?

Não é, prima querida?

Sim, contei à Jewel. E contei ao seu pai também.

E por que não? Eu não era mais que uma criança.

Tudo que ouvia aqui era como eu era sortuda.

E seu pai sempre a favorecendo, exibindo-a como exemplo.

Por que eu não contaria a ele que sua filha, querida e pura,

estava tendo um caso sórdido com um homem casado?

Sua cadela desprezível.

Como poderia saber que acabaria em morte?

Com John sendo esquartejado?

Você não poderia saber disso.

E você não poderia saber que quando Drew descobriu,

ele teve tanto medo de ter seu honrado nome ligado ao nosso que a abandonou.

Mas Drew continua aqui, e vocês dois estão vivos.

E eu continuo aqui.

Mas John...

John nem ao menos...

Ela está enlouquecida. Só pode ser.

Ela está pior do que quando lhe escrevi,

mas não a ponto de ser internada.

Lamento. Não há como evitar o problema.

Há ocasiões em que ela não sabe mesmo o que está dizendo.

Por outro lado, ela descreveu bem a maneira que você me deixou.

Se for consolo, sempre me arrependi de tê-la deixado partir.

Não temos tempo para arrependimentos agora.

E há muito do que nos arrependermos.

É uma pena.

Com tanto dinheiro ela poderia ter feito coisas maravilhosas com a propriedade.

Deixá-la bonita de novo.

Como ela aguentou ficar sozinha todos esses anos?

Pessoas que vivem só, inventam companhia para si mesmas.

Fantasias inocentes tornam-se ilusões fixas.

Acho que ela nunca aceitou totalmente a morte de John Mayhew.

Pelo menos parte de sua mente.

Às vezes ela fala dele como se estivesse vivo, aqui, nesta casa.

Como se ainda pudesse sentir sua presença.

Toca a música que ele compôs para ela naquele cravo antigo.

Às vezes, à noite, ela se senta vestida,

como se ainda fosse uma jovem esperando pelo namorado.

Lembro-me de esperar algo assim também.

Ficará bem aqui? Posso passar a noite.

Você me deixou só todos esses anos.

Não acho que mais uma noite me matará.

Acho que tem razão.

- Talvez seja bom ficar com isto. - Para quê?

De vez em quando vem alguém espreitar.

- É melhor ficar com ela. - Obrigada.

Boa noite.

Meu vestido.

Alguém rasgou meu vestido.

De fato, eles eram jovens atraentes.

Foi o maior evento ocorrido na cidade.

Vejo que deu o que se pode chamar de "tratamento completo".

Não pudemos relegá-lo às páginas sociais.

Bem, fique à vontade. Achará tudo que precisa.

Esta é uma boa foto da Srta. Charlotte.

Sim, é.

Eu trabalhava na imprensa quando ela chegou em Londres.

Nenhum de nós conseguiu uma entrevista.

Disseram que Big Sam a mandou para lá para evitar que fosse julgada.

Mas não é verdade. Mandá-la ao exterior não teria ajudado.

O que ajudou foram as conexões políticas de Sam.

O promotor esforçou-se para que a acusação prevalecesse,

mas transferiram tudo para Baton Rouge.

Os amigos de Sam na capital se esforçaram porque não teve consequências.

"Falta de provas". Foi a explicação oficial.

Pelas manchetes não é o que parece.

Olá, Sr. Blake. Obrigado pelo uso do salão.

Vai publicar algo sobre o retorno de Miriam Deering?

- Só uma nota na coluna social. - Está brincando.

Este é um colega seu. Sr. Marchand de Nova York.

- Como vai? - Para quem está cobrindo a história?

Não se preocupe comigo. Meu status é de amador.

Que jornal representa?

Crimes Passionais e Crimes Clássicos.

A tal Hollis virou notícia de novo por causa da ponte.

Fizemos uma edição especial. Dê uma olhada.

Sem cabeça. Sem mão. Do jeito que aconteceu.

Bem expressivo.

Desta vez nós caprichamos.

Nunca me mostrou isto.

Na época eles não podiam mostrar o ângulo sexual como hoje.

Miriam Deering.

É bom vê-la de volta.

Jewel Mayhew.

- Joseph. - Deixe-me ajudá-la.

Deixe-me em paz.

Rezei para que nunca me mostrasse a sua cara de novo.

Depois de todos esses anos, como assim?

Pensa que o tempo pode apagar tudo o que você me fez?

Por favor, não. Não aqui em público...

Entendo. Não em público.

Não devemos falar francamente, você e eu?

Não estou preocupada comigo.

Aqui mesmo, em uma rua pública,

à luz do dia,

eu lhe direi algo, Miriam Deering:

um assassinato começa no coração,

e sua primeira arma é uma língua ferina.

Alguém poderia ter sido mais gentil com você na época do que eu?

Fique longe de mim.

Estou doente. Estou muito doente.

Não cederei mais nada a você.

Nem um minuto sequer.

Está tudo bem. Vamos indo.

Um mundo cheio de monstros.

Não mostre sua cara nesta casa de novo.

Maldição. Escutei desaforo o dia inteiro.

Uma imundície atrás da outra pra limpar. Até parece criança.

- Quem trouxe isto? - Fui eu.

Estava na caixa do correio. Alguém deve ter colocado lá.

Ela quebrou o bule de chá lá em cima.

Tem chá por todo o corredor.

A propósito, contratei umas mulheres pra empacotar. Avise-me quando chegarem.

Vou pegar algo para limpar esta sujeira.

A propósito, avise-me quando elas chegarem.

Eu disse para ficar fora.

Está se comportando como uma criança.

Ficando histérica por causa de uma banalidade.

Como pôde tocar nesse lixo?

É apenas uma revista repugnante. E apenas pessoas repugnantes a lerão.

É Jewel Mayhew infernizando-me na minha própria casa.

Pensa que foi Jewel Mayhew quem trouxe a revista? Ela não poderia.

- Por que não? - Acabei de vê-la. Ela está muito doente

Doente demais para sair por aí pregando peças.

Bem, ela merece estar doente. Ela merece morrer.

Talvez Jewel Mayhew nem tenha pensado em você há anos.

Você acha? Pensa que ela não pensou em mim?

Venho recebendo isto desde que John morreu.

Aquele idiota, Luke Standish, disse ao papai que era trote.

Mas daí um jornalista a publicou.

E então começaram a vir do mundo todo.

Mas a primeira foi postada aqui de Hollisport, e a última.

Ninguém me convence de que não foi Jewel Mayhew quem as mandou.

- Guardou todas elas? - Todas.

Para mostrar como ela pode ser má e implacável.

Bem, é hora de você se livrar delas.

- O que quer agora? - Vim dizer algo a ela.

Ela precisa escutar umas.

As suas empacotadoras chegaram.

Eu cuidarei disso.

ASSASSINA

Este é meu lugar favorito agora.

Aqui na sombra.

É muito agradável.

Diga-me. Não ficou surpreso quando concordei em recebê-lo?

Deve ter ouvido que normalmente não recebo visitas.

Mas a hospitalidade desta parte do país é extraordinária.

Além disso imagino que deva ter suas razões.

Mais alguma coisa, senhora?

Não, obrigada, Lewis.

Obrigado, senhora.

Eu tinha minhas razões.

Eu tinha.

Espero que não se arrependa,

mas eu a avisei de que terei de tocar em assuntos dolorosos.

O que me leva a confessar minhas razões para este encontro.

Tenho necessidade de um estranho no momento.

Eles têm sua utilidade, não é?

Nesta pequena cidade,

os interesses estão um pouco entrelaçados demais.

Se confia um segredo a alguém, você confia a toda a comunidade.

Quer dizer que precisa conversar com alguém?

De certa maneira.

Não estou bem. O senhor mesmo pode reparar.

Como se diz: "esta longa doença, a minha vida"?

Bem, ela está chegando ao fim.

Talvez um mês, algumas semanas. Quem sabe?

- Lamento muitíssimo. - Não, não lamente por mim.

Acho que estou até feliz.

Não importa. Deduzo que as tristezas da vida não lhe são estranhas.

A única maneira de se confiar em alguém é pelo instinto.

Quero que fique com isto.

Peço apenas que não a abra até que eu tenha partido.

Então quero que use seu bom senso e experiência.

Saberá o que fazer quando chegar a hora.

Ou o que não fazer.

- Parece-me uma responsabilidade enorme. - E é. Imensa.

Meu conselho sincero é que a recuse.

Sabe que não recusarei, é claro.

Eu sei.

Rendas rotas.

É tudo que me sobrou.

Estou totalmente quebrada, é assim que se diz?

É um alívio admiti-lo.

Mas sua apólice com a Loyd's...

Sabe como demoraria processar uma apólice antiga assim.

Quando fosse recebê-la, eu já não precisaria mais.

Acho que agora tomará outra xícara de chá, não?

Venha para cama.

Venha para cama.

Ele não está aqui de verdade, está?

Agora mesmo eu pensei ter ouvido...

Às vezes, à noite, quando eu acordo,

parece que ele está aqui de verdade.

Não acenda a luz. Não é real quando está claro.

Só é real quando está escuro.

Escuro e tranquilo.

Não vou acender a luz.

Venha. Deve ir para cama.

Ele está morto.

Não. Está tudo bem. Não tenha medo.

Ele está morto.

Parem de me olhar desse jeito.

Às vezes ela age como se fosse louca.

É o que dizem na cidade. Mas eu não apostaria nisso.

Ora, quem diria.

Eu a assustei. Eu sinto muito.

Por favor, não se vá. Sou inofensivo, eu garanto.

Quer um cigarro?

Eu também não, então.

O que faz em minha propriedade?

Minha nossa, é sua propriedade, não é?

Na verdade, estou bisbilhotando. Não há outra palavra.

- É um dos agrimensores? - Não tenho nada a ver com isso.

Então para que serve a câmera?

É uma peça de conversação.

Posso me apresentar?

Meu nome é Harry Wills.

Vim lá de Londres para conhecê-la.

Por quê?

Já nos encontramos antes.

Há muito tempo.

Em sua primeira noite em Londres, quando eu era jornalista,

fiquei próximo a você, como estou agora, por dois minutos deleitáveis.

- Mas não falei com nenhum jornalista. - Eu sei.

E tinha bons motivos, pela maneira como se comportaram com você.

Essa é uma das razões que sempre esperei poder encontrá-la de novo.

Para pedir desculpas.

- Estava mesmo lá? - Estava sim.

E posso prová-lo.

Deixe-me ver. Estava vestida com um...

meio cinza... Não, verde.

Um tailleur verde com uma espécie de boné combinando.

Estou certo?

Vê? Eu estava lá.

Desde aquela noite, li quase tudo que publicaram sobre você.

Sou uma autoridade na sua pessoa.

- É mesmo? - Sou sim.

É meu mistério favorito.

E já me desvendou?

Mas então você não seria mais um mistério, seria?

Não, não seria.

E sou seu caso favorito entre tantos outros?

Mas é natural, você tem tudo.

Não foi desvendada, talvez seja até insolúvel.

Com paixão e glamour no seu passado.

Espero que não a esteja ofendendo.

Estranhamente você não está.

Geralmente não converso com pessoas.

Não sobre isso.

Por isso fico tão lisonjeado que esteja falando comigo.

Vamos nos sentar ali e ter uma conversa.

Já que é uma autoridade em mim,

acha que sou uma assassina?

Eu pareço uma?

Bem, vejamos.

É difícil, não é? Mas é assim que deve parecer.

Disseram que sou louca.

Todos dizem que você é.

Você é?

Eu tinha certeza de que não era.

Mas recentemente...

à noite, parece...

é como se...

Não tenho mais certeza.

Mas como qualquer um de nós pode saber?

- Quer ver a casa por dentro? - Espero por isso há anos.

Venha.

Papai deu lindas festas aqui.

Elas duravam dias e dias.

Gosta muito desta casa, não é?

Vou mostrar-lhe a biblioteca de papai.

Ele restaurou o lugar.

Comprou várias das peças originais.

É a Srta. Deering. Tive o prazer de vê-la em Hollisport ontem.

- Sou Harry Wills. - Como vai?

Sua prima, muito gentilmente, está me mostrando esta linda casa.

Entendo.

Com licença.

Venha.

A biblioteca de papai era como uma sala de jogos para mim quando criança.

Esse é papai.

Ele nunca se incomodava com as minhas travessuras.

Ele sempre...

Tire suas mãos disso.

Dê-me isso. Saia daqui.

Saiam todas vocês. Estão me ouvindo?

- Saiam e fiquem fora. - Esperem por mim lá fora.

Qual o problema? O que elas fizeram?

E você também, bisbilhotando.

Sei o que está procurando.

O que importa se não tem nada para esconder?

Mas eu tenho. Coisas terríveis.

Onde pensa que as guardo? Não adivinhou?

Aqui. Uma lembrança do meu romance pecaminoso.

A mão do meu amante. Veja.

Isto é tudo que me sobrou dele.

Uma canção de amor que ele compôs para mim e me deu em uma caixa de música.

Cara Srta. Charlotte, por favor.

Acho melhor que vá agora.

Eu só queria ajudá-la.

Se não tivesse vindo, talvez isto não tivesse acontecido.

Lamento.

Quem colocou a caixa ali?

Como eu saberia?

Deixe-me entrar.

Os espelhos.

O que aconteceu com os espelhos?

O que foi que fez?

Foi papai. Ele parecia tão alto e tão zangado.

- Ele ainda não me perdoou. - Não, ele a amava.

- Ele não a teria machucado. - Foi papai.

- Sei que foi. - Foi apenas impressão.

Ele estava lá. Estava mesmo.

- Estava de verdade. - Vamos.

Amanhã nós conversaremos.

- O que está fazendo? - Vou levá-la daqui hoje.

- Drew e eu conversamos a respeito. - Achamos um lugar confortável.

- Eu não vou. - Irá de qualquer jeito na segunda.

Eu não vou. Não enquanto Jewel Mayhew continuar lá embaixo.

Ela não vai me ver sendo levada daqui.

Prefere que ela a veja indo para a cadeia?

Luke Standish não faria isso.

Haverá policiais e repórteres por todo lado.

Depois de ontem à noite você deve ir.

- Ontem à noite? - Na sala de música.

Os espelhos.

Aonde vai me levar?

Para um lugar agradável, onde as pessoas serão gentis com você.

Você verá.

Mas não irei de dia, não até que escureça.

- Jewel vai me ver. - Que diferença faz?

- Jewel saberá mais cedo ou mais tarde. - Deixe Charlotte dormir.

Vou descer e cuidar da arrumação.

- O que vai fazer comigo? - Descanse o máximo possível.

Vai se sentir muito melhor se dormir um pouco.

Eu não quebrei os espelhos. Eu juro.

É claro que não quebrou os espelhos.

O quarto do Sr. Wills. Rápido, por favor.

Disse para eu ligar caso...

Falo com o senhor mais tarde.

- Só estava usando o telefone. - Estou vendo.

A Srta. Charlotte vai partir hoje à noite.

Receberá o salário integral do mês.

Está tentando me despedir?

É que seus serviços não serão mais necessários.

É mesmo?

E quando ela voltar? Ou ela não vai voltar?

Já que a casa não estará aqui, acho que é irrelevante.

Você acha? Sabe o que eu acho?

Acho que se ela sair desta casa, ninguém mais saberá dela.

Recebo ordens da Srta. Charlotte e não de você.

Deve estar claro que minha prima não tem condições de administrar uma casa.

É mesmo? Há muitas outras coisas que estão bem claras para mim.

Os truques infantis que vem aprontando

são razões mais do que suficientes para dispensá-la.

Truques?

O que chama de truques?

Não fui eu quem rasgou seu vestido velho.

Mas parece saber que foi rasgado.

E eu não mencionei a ninguém.

Além disso, não é só o vestido.

Não sei do que está falando.

Mas sei de uma coisa.

Está com ciúme porque a Srta. Charlotte sempre me protegeu.

Está tentando me trapacear da herança que ela me prometeu quando morrer.

Que encantador.

Muito encantador.

Minha prima está um pouco doente e você já está dividindo o espólio.

Eu não disse isso.

Eu não disse isso e você sabe muito bem.

De qualquer jeito, não tem direito de ser tão presunçosa.

Eu vi a correspondência internacional que vem recebendo.

Pensa que não reconheço um pagamento quando vejo um?

Sempre quis se livrar de mim. Sabe por quê?

Porque sei muito bem quem você é.

Não me enganou antes e não me engana agora.

Minha querida Velma, eu nem sonharia em tentar.

Mas está despedida. Não precisamos mais de você.

Não vou embora só porque você disse.

Eu cuido dela muito antes de você vir para cá.

- Onde pensa que vai? - Vou contar o que você anda aprontando.

Não se atreva a incomodá-la.

O que está acontecendo lá em cima que não quer que eu veja?

A Srta. Miriam pode muito bem cuidar da Srta. Charlotte,

e da mudança.

Quer dizer que estão de conluio?

- Você e ela. - Deveria ter vergonha.

A Srta. Charlotte está doente.

Não vai ajudá-la a se recuperar com toda essa agitação.

Muito bem, eu vou embora.

Mas vocês vão se arrepender,

vocês dois.

Do que ela pensa que vamos nos arrepender?

Ela sempre teve um ciúme doentio de Charlotte.

Ela não consegue ser racional a respeito.

- Você não tem muitas provas. - Eu tenho o que sei, não?

Sei do estado da Srta. Charlotte desde que aquela mulher chegou aqui.

Ela não teria quebrado aqueles espelhos

se alguém não a houvesse provocado.

Ela adora aquela casa.

De verdade.

Mas mesmo que haja motivos para preocupação,

o que posso fazer?

Pode fazer alguma coisa.

Ela gosta do senhor.

Eu vi como ela se comportou com o senhor.

Se fosse lá e dissesse para ela

não dar ouvidos a eles,

acho que ela o atenderia.

Devo admitir que parece estranho.

Se eles levarem a Srta. Charlotte, eu nunca mais a verei.

Eu sei que não.

Está se sentindo bem?

Alguém tem de fazer sua mala para você.

Não quer deixar suas coisas para trás, quer?

Papai.

Papai, tenho de deixar a casa.

Eu tentei mantê-la, mas vão demoli-la.

Não posso fazer nada.

Não fique zangado.

Vivi aqui sozinha todos esses anos para protegê-lo. Sabe disso.

Só porque eu amava o John mais do que amava você,

não tinha o direito de matá-lo só para me punir.

John nunca o magoou.

John nem ao menos...

Só mais uma vez, querida.

Só mais uma vez.

Obrigado. Lembre-me de mandar uma cópia no Natal.

O que é?

Como ela está?

Ela ficará bem.

Temos de nos livrar disto.

Até parece verdadeiro demais, não é?

Seu amigo artista em Nova Orleans é bem talentoso.

E muito pouco curioso.

- Acha que teve o efeito necessário? - Ainda não.

Conseguiremos o resto com esta droga, mas não será permanente.

- Pode ser detectada quimicamente. - Então teremos de fazer o resto?

Não se preocupe. Após a última fase do tratamento,

não haverá um médico na Louisiana que não a interne.

Estabelecer seu direito de administrar os bens não levaria mais que...

apenas alguns dias.

Bom dia.

- Onde está Velma? - Dispensou ela ontem. Você a despediu.

- Despedida? - Não vai mais precisar dela.

Tive um sonho horrível.

- Horrível. - Eu sei.

Eles vão cessar quando sair daqui.

Tome seu café da manhã.

Virei mais tarde para ver como está.

O que eles vêm lhe dando?

É alguma droga, não é?

Pensei que tivesse ido embora.

Eu tinha. Eles me expulsaram.

A Srta. Miriam e seu amigo, Dr. Drew.

Eu contei ao Sr. Wills, mas ele não acreditou.

Não pode ir por ali. Tenho de pegar seu casaco.

Seus sapatos. Não pode ir para lá.

Venha.

Tenho de tirá-la daqui. Venha, querida. Temos de ir.

Deite-se. Não diga nada.

Fique quieta. Não diga uma palavra.

Pronto.

Não diga nada.

Mais tarde conseguirá comer algo.

Vou levar isto embora.

Quer algo antes que eu vá?

Darei uma olhada em você mais tarde.

Agora descanse.

Venha, precisa acordar.

Fique quieta. Vamos, coloque as pernas aqui.

Isso mesmo. Coloque o casaco.

Coloque sua mão aqui. Vamos. Isso mesmo.

Dê-me a outra mão. Muito bem.

Enfie a mão. Vamos.

Dê-me a outra.

É impossível manter os porcos longe da gamela.

- Vim pegar minhas coisas. - Minha prima é uma delas?

Vou tirá-la daqui, longe de você.

A única coisa que vai tirar daqui é você.

Finalmente está mostrando a outra cara.

Bem, eu a vejo o tempo todo.

Você vem dando a ela algum tipo de droga.

Está forçando-a a se comportar dessa maneira.

Vou à cidade,

contar o que vem aprontando.

Dr. Bayliss, por favor. Sim, Bayliss.

Depressa, por favor.

Sente-se.

Está nervosa demais.

Ele sempre lutou para manter duas coisas: a filha e o dinheiro.

- Agora perderá ambos. - Sim mas,

ele segurou as duas por um bom tempo, mesmo depois de morto.

De certa maneira foi culpa da Charlotte.

Se ela não houvesse iludido a si mesma de que foi

o pai quem matou John Mayhew,

talvez ela não tivesse ficado aqui, guardando o suposto segredo.

Talvez tivesse gastado toda a fortuna.

- Tem certeza de que não há problema? - Certeza do quê?

Não brinque comigo.

Quer dizer Velma.

É claro que não há problema. Ninguém vai saber que não foi acidente.

Exceto eu, é claro.

O que me faz sócio sênior em nosso pequeno negócio, não é?

Charlotte ainda dorme. Quer que eu lhe dê algo mais?

Ela ficará bem do jeito que está.

Acho melhor dar as caras na cidade.

Ora, não comece a fraquejar agora.

Talvez esta seja nossa última chance de adquirir a riqueza

a qual eu gostaria de me acostumar.

Até mais.

FUNERÁRIA IRMÃOS JAMES

- É todo seu. - Obrigado.

Aposto que é a primeira vez que viu um legista

operar em uma funerária.

- De onde eu venho é um pouco diferente. - É diferente na maioria dos lugares.

Ainda assim, para uma cidade deste tamanho é conveniente.

Acabei de saber sobre a morte de Velma Cruther na oficina do jornal.

Foi a Srta. Cruther que ele veio ver?

Ah, sim. Foi um acidente muito feio.

- Quer ver o corpo? - Não, obrigado.

Entre assim mesmo.

Posso perguntar como aconteceu?

Parece que ela caiu da escada.

Ela devia estar consertando o telhado.

O telhado sempre gotejou.

Gotejava há anos.

Quer dizer que aconteceu na casa da Srta. Cruther?

Eu não chamaria de casa, senhor.

Mas ela caiu no próprio quintal.

Entendo.

- Quem a achou? - Isso eu não sei.

Mas foi o Dr. Bayliss quem a trouxe.

John, espere. Não vá.

Não vá embora.

Por favor, não vá embora.

Papai?

Sua idiota. Idiota miserável.

Ele está morto.

E você o matou.

Não chame o xerife.

As pessoas me olhando e me odiando, será como na noite em que John morreu.

Mas você matou Drew. Não podemos fingir que não aconteceu.

Não sabe como é quando só existe ódio.

Não me odeie também.

Por favor, Charlotte. Não, por favor.

Não tive intenção de matá-lo. A arma apareceu na minha mão.

Quando o vi, ele parecia horrível.

Como na noite em que os espelhos se quebraram.

E na noite em que vi aquela cabeça.

Por favor, não chame o xerife.

Eu não suportaria.

Não faça assim.

Podemos nos livrar do corpo. Podemos escondê-lo.

Pensarão que foi outra pessoa. É o único jeito.

Tenho muito dinheiro.

Eu o darei para você, todo ele.

Nós podemos nos livrar do corpo, se você me ajudar.

Por que eu vim para cá?

Vou pegar o carro. Apague as luzes.

Vá indo.

Entre ali e fique quieta.

Entre ali.

Perdoe-me aparecer a esta hora.

Estava dirigindo com um amigo e notei as luzes acesas.

Soube sobre a morte de Velma Cruther.

Que coisa terrível. Ela era uma pessoa tão leal.

A Srta. Hollis deve ter ficado abalada.

Há algo que eu possa fazer?

É muita gentileza sua, mas não há nada.

Charlotte ficou mesmo abalada. Dei um sedativo e a coloquei na cama.

Foi um choque terrível para ela.

Eu lamento. Por favor, dê-lhe meus pêsames.

- Perdoe por não convidá-lo a entrar. - Não há problema.

Eu não deveria ter vindo. É muito tarde. Eu só estava de passagem.

- Você entende? - É claro.

Obrigada, Sr. Wills. Boa noite.

Soube que deixará esta casa em alguns dias, você e sua prima.

- Mas, é claro, não temos planos ainda. - Naturalmente.

Sr. Wills, desculpe-me,

mas tenho de ver a Charlotte. Com licença, por favor.

Boa noite.

Não acho que posso ajudá-la.

Não pode me ajudar?

Sou eu quem a está ajudando.

Quer que eu chame o xerife?

Muito bem, então.

Acenda os faróis.

Devo ser a pior pessoa do mundo por ter matado Drew.

Quer, por favor, calar a boca?

Não posso tocar nele.

Não me obrigue.

Saia.

Faça o que eu mandar.

Então?

Quer parar com isso?

Eles o acharão logo. Eles farão perguntas.

Não acho que conseguirei mentir.

Terá de dizer que não tenho condições de responder às perguntas.

Eles descobrirão se não disser.

Maldita.

Quer calar essa boca?

Você vai me obedecer, se eu disser para mentir, você fará isso também.

Nunca mais vou sofrer por você de novo.

Nunca.

Você entende?

Saia e suba para o seu quarto.

Vá indo.

Vou limpar lá atrás. Vou subir logo.

Vá indo.

Suba para seu quarto.

Vá indo.

Calma, calma, doce Charlotte.

Desculpe tê-lo feito esperar.

- À sua boa saúde. - Você está arrebatadora.

Obrigada.

Aposto que Lázaro não se sentiu tão bem quanto eu.

À Veneza na primavera.

Na verdade, não tenho certeza se quero morar na Europa.

Não sei se seu desejo ditará aonde iremos.

Esquece que a morte trágica de Velma

permitiu tornar-me sócio sênior em nosso pequeno negócio.

Tem certeza de que tem o cérebro para ser o sócio sênior?

Não sei se a entendo.

Quem você pensa que aprontou essa charada com a prima Charlotte

mandando aquelas cartas charmosas?

Naturalmente foi Jewel Mayhew.

Ela não faz outra coisa há anos a não ser me manter no conforto.

Até que seu dinheiro acabou.

Eu mandei as cartas para Charlotte.

E Jewel Mayhew?

Minhas cartas a Jewel tinham um propósito mais prático.

A única coisa boa que me aconteceu nesta casa

foi ver Jewel Mayhew ir até a casa de verão naquela noite.

Ela me pagou generosamente por essa indiscrição.

Ela lhe pagou?

Jewel matou o marido,

e fez com que ela e Charlotte sofressem por isso

todos esses anos?

Sim, querido. Foi exatamente o que fiz.

Ainda pensa que tem imaginação para ser o sócio sênior nesta parceria?

Obviamente não.

Eu não sabia que tinha um tom de voz tão doce.

Você foi à escola dominical quando eu fazia parte do coro.

Juntou-se ao jogo mais adiante do que imaginava.

De fato.

Se soubesse, você teria confiado em mim para colocar as balas de festim na arma?

Eu acho que não.

Temos de tomar cuidado para não comemorarmos cedo demais.

Ainda temos mais uma atuação logo cedo.

Cedo assim?

Virá uma comissão do hospício local.

Terei de esfregar as mãos em pesar e humilhação

pelo vexame de ter um membro de nossa nobre família

internado no manicômio local?

Nobre família! Sam Hollis não passava de um ladrão farsante.

Além disso, ele e John Mayhew

eram os maiores mulherengos

em todo o estado da Louisiana.

Querido, todo aquele dinheiro que Big Sam suou tanto para conseguir.

Enquanto o gastarmos feito água,

Charlotte estará fazendo cestas de palha.

Não se aflija, querida, não há nada de ruim em fazer cestas.

É claro, nunca curou ninguém, mas é muito terapêutico.

Até posso ver o rosto de Charlotte

quando os médicos do hospício o chamarem

para confirmar a opinião deles.

Quando me vir, ela dará um grito tão grande que eles nunca a soltarão.

Soube que a tal Deering estava com um vestido todo transparente.

Foi o que escutei também.

Ela e aquele Dr. Drew.

Não é preciso adivinhar o que estava se passando lá.

Se vai morar com uma maníaca assassina

é porque está pedindo.

Ela estava tresvariada.

Aposto que não vão conseguir botar a culpa nela, como da outra vez.

Martha. Dora. Mas que dia.

- Tem gente morrendo por todo lado. - O que aconteceu?

- O quê, Nellie? - Vocês não vão acreditar, mas é verdade.

Jewel Mayhew - e eu sei porque ouvi direto da Bessie.

Jewel Mayhew caiu morta esta manhã.

Ela teve um terceiro derrame e morreu antes que pudessem chamar o médico.

- Adivinhem como. - Como?

Quando soube o que aconteceu aqui ontem à noite.

- Não é a coisa mais extraordinária? - O quê?

Foi só um pensamento.

Imagine que foi Jewel Mayhew quem matou o marido em 1927.

E imagine que houve uma testemunha.

E?

Isso explicaria por que ela não sacou o seguro do marido.

Ela teve medo de que uma investigação de rotina revelasse a sua culpa.

Permitindo que a testemunha tirasse proveito do silêncio e a chantageasse,

até a última gota.

O que isso nos daria?

Daria ao momento da morte de Jewel Mayhew,

e tudo isto, uma espécie de estranha ironia.

- Não acha? - Não está brincando, está?

Significaria que Charlotte Hollis sofreu a vida inteira

por um homicídio que ela não cometeu.

- Quer dizer que é verdade? - Como eu saberia, amigo?

Estou apenas adivinhando. Somente especulando, só isso.

Lá vem ela.

- É Charlotte Hollis. - Veja, lá está ela.

Ela vem vindo.

Aqui.

Outra pose.

Obrigado.

Posso tirar uma também?

Ela está magra, não está?

Às vezes eles têm momentos sãos, como você e eu.

Talvez, mas você não viu o Dr. Drew e a tal Deering mortos no chão.

Ela deve ser completamente louca.

Pobre mulher. Eu não queria estar no lugar dela.

Srta. Hollis, esta carta é para você.

Acho que vem esperando por ela há muito tempo.

Desculpe, todos para trás.

Tudo bem, vamos.

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