Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
AS OPINI�ES ESPRESSADAS PELOS PARTICIPANTES DO PROGRAMA
S�O PESSOAIS.
Wuhan.
Prov�ncia de Hubei, centro da China.
O que um dia foi uma metr�pole vibrante,
agora � uma cidade de 11 milh�es de pessoas
sob lockdown.
A China talvez tenha implementado na regi�o
a maior redu��o de deslocamentos
que vimos na hist�ria moderna.
Por todo o mundo,
uma a uma, as cidades foram sendo fechadas.
� impressionante
a forma exponencial como se propaga.
Por isso, est� todo mundo em alerta.
Instala��es m�dicas s�o levadas ao limite
em meio � necessidade urgente de se conter o v�rus.
N�o estamos tentando impedir que o surto chegue.
Estamos tentando impedir que chegue depressa.
Como foi poss�vel que um coronav�rus nunca visto
tenha conseguido deixar o mundo inteiro de joelhos?
Por que os avan�os na medicina
n�o foram capazes de conter o surto?
E ser� que estamos vendo apenas o in�cio
de outras pandemias globais potencialmente incontrol�veis?
SURTO DE PNEUMONIA EM WUHAN
NOVO CORONAV�RUS
ORGANIZA��O MUNDIAL DA SA�DE
NOVO CORONAV�RUS 2019-nCov.
CHINA: 37251 CONFIRMADOS FORA DA CHINA: 307 CONFIRMADOS
PRODUCIDO POR PRECIPICE
PARA CNA
CORONAV�RUS: A ORIGEM
Dezembro de 2019, Wuhan, centro da China.
Algo estranho acontecia com os moradores locais.
As pessoas estavam adoecendo repentinamente.
Pessoas como o pai de Wang Wei.
Quando meu pai ficou doente,
n�o nos preocupamos tanto.
Os sintomas dele eram febre, fraqueza e perda de apetite,
e tamb�m dificuldade pra respirar.
Acreditando ser uma gripe de inverno,
a fam�lia de Wang Wei n�o quis arriscar, no entanto,
e o levou ao hospital.
Disseram que era uma prov�vel pneumonia.
Mas, no hospital,
havia uma s�rie de casos como o do pai de Wang Wei.
E os m�dicos estavam apreensivos.
Em poucos dias,
especialistas perceberam
que a gripe misteriosa
era, na verdade, um novo v�rus infeccioso.
Um que amea�ava se espalhar rapidamente.
Cientistas na China est�o tentando determinar
se uma nova variedade de v�rus � respons�vel
por um surto de pneumonia na cidade de Wuhan...
Cientistas em todo o mundo rapidamente entraram em a��o,
num esfor�o coletivo para entender esse novo v�rus,
de onde ele vinha, como ele se comportava
e, fundamentalmente, o que podia ser feito para det�-lo.
No final de dezembro,
as autoridades sanit�rias de Wuhan
relataram 27 casos de pneumonia � Organiza��o Mundial da Sa�de.
Embora nem todas estivessem em estado grave,
as v�timas tinham uma liga��o, o que alarmou os pesquisadores.
Essa liga��o era um mercado atacadista de frutos do mar
em Whuan,
onde tamb�m ocorria
a comercializa��o de animais silvestres vivos.
Todos os pacientes
o haviam visitado ou trabalhavam l�.
Esse � um lugar realmente perigoso,
ele � ideal
para a transmiss�o de um v�rus como esse.
Os cientistas v�m alertando sobre o perigo desses mercados
h� pelo menos meio s�culo.
Mas qual seria exatamente esse perigo?
O perigo seria se, de alguma forma,
o v�rus dentro do animal,
pudesse se deslocar entre diferentes esp�cies
e chegasse aos seres humanos.
Doen�as zoon�ticas
s�o aquelas transmitidas de animais para humanos.
Ent�o, nesses mercados,
voc� chega a ter centenas de esp�cies de animais vivos
comercializados sob o mesmo teto.
Em sua pr�pria busca por sobreviv�ncia,
os v�rus est�o constantemente procurando novas oportunidades
de se reproduzir e se propagar,
o que inclui a busca por novas esp�cies hospedeiras.
Os v�rus s�o os parasitas intracelulares perfeitos,
por assim dizer,
porque uma vez que eles ganham acesso
� c�lula hospedeira,
conseguem usar o maquin�rio do hospedeiro
pra produzir mais c�pias de si mesmo.
Mas o processo de transfer�ncia do v�rus
de uma esp�cie para a outra
n�o � simples.
Geralmente, ele termina em fracasso,
por causa das diferen�as gen�ticas
dos dois hospedeiros.
Mas devido
� habilidade do v�rus de se reproduzir aos bilh�es,
eles podem sofrer muta��es,
e r�pido.
A maioria das muta��es
n�o ajuda o v�rus a entrar no novo alvo,
mas por puro acaso e pela mera quantidade,
uma �nica muta��o poderia permitir
que ele fosse transferido a uma nova esp�cie.
Com o tempo,
as probabilidades
de que o v�rus conseguisse dar esse salto aumentariam.
� por isso que os mercados de animais
s�o lugares perigosos,
porque l� o v�rus tem a chance
de entrar em contacto com muitos animais diferentes.
E por tentativa e erro, quando um deles consegue sair,
ou acaba infectando um ser humano,
ou contaminando todo o mercado
atrav�s de mat�ria fecal, urina, sangue,
j� que alguns animais s�o abatidos l� dentro.
Ent�o, voc� tem sangue no local,
pessoas usando mangueiras pra tentar limpar o sangue.
E assim esse v�rus acaba infectando muita gente.
Quando um v�rus faz a transi��o
de um animal para os seres humanos,
as consequ�ncias s�o in�meras.
Das inofensivas at� as fatais.
Tem aqueles que podem causar sintomas,
mas n�o se propagam demais.
Um bom exemplo disso � a transmiss�o da raiva.
Um c�o morde um humano, os humanos pegam raiva,
mas n�o passam para outras pessoas.
E h� as eclos�es que ocorrem de tempos em tempos,
como o Ebola,
que �s vezes causa surtos, surtos bem perigosos e graves,
mas ele acaba sendo controlado e desaparece,
e depois volta a emergir.
E tem alguns v�rus que surgem no reino animal,
contaminam os humanos
e se tornam residentes permanentes.
E um bom exemplo disso � o HIV,
que acreditamos ter surgido, na verdade,
no final do s�culo 19, in�cio do s�culo 20,
e vindo de um primata n�o-humano para um primata humano.
Cientistas na China avan�aram rapidamente
e identificaram que o pat�geno era um coronav�rus.
Analisando num microsc�pio de el�tron,
a gente v� uma esp�cie de coroa em torno desse v�rus.
Por isso � chamado de coronav�rus.
A coroa em volta dele, na verdade, � prote�na.
Ela ajuda o v�rus a entrar nas c�lulas humanas.
Na verdade,
alguns v�rus s�o moradores permanentes
da popula��o humana, s�o end�micos,
causam resfriados comuns.
E h� outros que surgem de tempos em tempos
da natureza,
e em geral s�o coronav�rus
que sofreram muta��es de tal escala
que causam mais infec��es graves em seres humanos.
Um surto anterior de coronav�rus amea�ou o mundo em 2003:
A SARS,
ou S�ndrome Respirat�ria Aguda Grave.
Ela matou mais de 700 pessoas em todo o mundo.
Mas apesar da experi�ncia adquirida
no enfrentamento da pandemia da SARS,
os cientistas estavam com dificuldades
para combater o surto desse novo coronav�rus.
A SARS-CoV-2
parece ser mais transmiss�vel que a SARS,
e se espalha durante o per�odo de incuba��o.
Ou seja, no per�odo em que uma pessoa est� infectada,
mas ainda n�o desenvolveu os sintomas do v�rus.
E a SARS n�o se propagava no per�odo de incuba��o.
E por isso foi mais f�cil de conter.
Alguns especialistas � frente da investiga��o
do novo coronav�rus
localizaram sua origem no mercado de animais Huanan.
As autoridades chinesas ent�o o fecharam
e as amostras retiradas do local
sugeriram que, assim como a SARS,
o novo v�rus poderia ter vindo dos morcegos.
Os morcegos s�o mam�feros �nicos.
N�s temos cerca de cinco mil esp�cies vivas de mam�feros
e 20% delas,
ou seja, um em cada cinco, � um morcego.
Morcegos s�o os �nicos mam�feros voadores,
eles t�m um sistema imunol�gico muito especial.
Ent�o, n�o adoecem com o v�rus.
Felizmente,
a transmiss�o do v�rus do morcego pro ser humano,
� muito raro que aconte�a, e tamb�m muito dif�cil.
Ent�o hoje sabemos
que a maioria dos v�rus que os morcegos carregam
e que causam doen�as zoon�ticas em humanos
s�o transmitidos atrav�s de um animal intermedi�rio.
Para alguns, em Wuhan, o foco estava em descobrir
qual foi o elo causador.
Identific�-lo poderia ajudar a impedir outros surtos.
Existe muita especula��o sobre esse animal X.
Estamos falando aqui muito provavelmente
de um v�rus no morcego
transmitido a um hospedeiro intermedi�rio,
n�s o chamamos de animal X.
A identidade desse animal X
foi mat�ria de ampla especula��o.
Dos poss�veis candidatos, alguns sugeriram uma cobra,
outros, um civeta, e at� mesmo um pangolim.
As pesquisas ainda s�o inconclusivas,
mas Linfa Wang tem certeza de uma coisa.
Voc� sempre aprende com a experi�ncia,
ent�o o mais prov�vel � que esse animal X
seja um mam�fero.
Os cientistas se apressaram para descobrir mais
sobre o novo coronav�rus,
e no dia 11 de fevereiro de 2020,
a Organiza��o Mundial da Sa�de
o nomeou oficialmente como SARS-CoV-2,
e a doen�a que ele causa, COVID-19.
Venho declarar uma emerg�ncia de sa�de p�blica global
de grande alcance.
As tentativas cada vez mais desesperadas
dos pa�ses em todo o mundo
para conter a propaga��o iam se provando in�teis.
E com isso, surgia uma nova preocupa��o.
O v�rus estava come�ando a ganhar massa cr�tica.
CORONAV�RUS: A ORIGEM
A pneumonia viral
atingiu a cidade de Wuhan, no centro da China.
Disseram que era uma prov�vel pneumonia.
Cientistas na China avan�aram rapidamente
e identificaram que o pat�geno era um coronav�rus.
O SARS-COV-2 parece ser mais transmiss�vel que a SARS.
Venho declarar uma emerg�ncia de sa�de p�blica global
de grande alcance.
Agora coordenando seus esfor�os,
a China e a OMS
passaram a compartilhar o m�ximo de informa��es poss�vel
sobre o novo coronav�rus.
Elas conseguiram identific�-lo
como um novo coronav�rus em um per�odo muito menor.
Mas, mesmo assim, tem muitas coisas que ainda n�o sabemos.
Atualmente,
o centro coordenador de todas as informa��es
� a Organiza��o Mundial de Sa�de.
A OMS pega essas informa��es, as peneira,
busca confirmar a validade delas,
e ent�o faz uma an�lise de risco quase di�ria,
com as evid�ncias que possui,
e ent�o lan�a as recomenda��es.
S�o em salas de controle como essa em Manila
que a OMS planeja sua resposta.
Para que ela d� certo,
� crucial que os pa�ses compartilhem dados
de forma eficiente.
Em geral o que se analisa � quem est� doente.
Por que est� ficando doente, como est� ficando doente.
E ent�o imediatamente voc� come�a a tentar descobrir
como fazer pra impedir a propaga��o.
Uma forma de revelar os segredos de um v�rus
� analisar seu c�digo gen�tico.
Dias ap�s a divulga��o do surto,
cientistas chineses descobriram a sequ�ncia gen�tica do v�rus
e a dividiram com o mundo.
O que � muito importante � que h� cerca de 20 ou 30 anos,
n�s somos capazes de sequenciar o genoma
de um novo v�rus.
Isso significa que podemos entender
como os blocos construtivos do v�rus est�o encaixados.
E, tamb�m, podemos dizer, muitas vezes,
de onde o v�rus veio e para onde est� indo.
E uma vez que t�nhamos a sequ�ncia gen�tica
desse coronav�rus,
foi poss�vel identificar
que ele era muito parecido geneticamente,
cerca de 80 por cento de sua constitui��o gen�tica
era parecida a do v�rus da SARS.
Mas o fato de haver semelhan�a gen�tica
entre v�rus da mesma fam�lia,
n�o significa
que eles v�o se comportar da mesma forma, necessariamente.
Quando voc� tem 20% de diferen�a,
isso � uma grande diferen�a.
Ent�o, sim, eles t�m uma liga��o.
E podemos usar o que aprendemos da SARS
pra prevenir um novo coronav�rus.
Podemos usar esse conhecimento,
mas eu acho que n�o podemos apenas transferir
o que sabemos da SARS pra esse coronav�rus.
Ainda temos que fazer novas pesquisas.
A quest�o � como esse v�rus
acaba se manifestando em seres humanos.
Em Wuhan,
o novo coronav�rus causa sua primeira morte.
A v�tima � um homem de 61 anos
que havia visitado o mercado de Huanan.
E ainda mais preocupante:
Cerca de cinco dias depois,
sua esposa, que n�o havia ido ao mercado,
tamb�m � diagnosticada com o coronav�rus.
Isso mostrou, pela primeira vez,
que o v�rus era transmiss�vel de humano para humano:
Uma evolu��o assustadora.
Os v�rus podem ser transmitidos entre indiv�duos
de v�rias formas diferentes.
Alguns v�rus s� s�o transmitidos atrav�s do contacto com o sangue.
Outros v�rus s�o o que chamamos de "aeross�is",
que � quando um v�rus � capaz de se ligar
a pequenas part�culas de poeira no ar
e continuar vivendo nessa part�cula
por um tempo tal
que quando ele � soprado pelo vento,
ainda est� l�,
e consegue viajar uma dist�ncia consider�vel.
Tem a transmiss�o por got�culas,
que � quando voc� est� relativamente perto de algu�m,
e se a pessoa espirrar ou tossir,
voc� pode entrar em contacto com essas got�culas
e se infectar.
As primeiras pesquisas sugeriram
que o novo v�rus poderia sobreviver
fora do organismo
por per�odos significativos.
Ele poderia ficar suspenso no ar por horas,
e permanecia ativo por dias em superf�cies duras,
como o metal.
Estava claro para os cientistas
que esse novo coronav�rus era altamente transmiss�vel.
�s vezes, determinado indiv�duo
tem uma maior capacidade de propagar o v�rus
do que outros.
Se certa pessoa for infectada e espirrar, por exemplo,
ela pode liberar
centenas de milhares de milh�es de v�rus no ar.
Tudo depende do paciente.
Algumas pessoas, quando espirram,
s� soltam um n�mero pequeno de v�rus.
Outras, soltam um grande n�mero de v�rus.
E chamamos essas pessoas de "supercontagiantes".
Ent�o, se a pessoa infectar uma ou duas,
n�o � uma sugercontagiante,
mas se infectar mais de dez a� sim � supercontagiante.
Com os casos crescendo exponencialmente
na prov�ncia de Hubei
e escapando para al�m de suas fronteiras,
o surto escalava rapidamente
e se transformava em uma epidemia.
MORTES COVID-19
A China talvez tenha implementado na regi�o
a maior redu��o de deslocamentos que vimos na hist�ria moderna,
certamente a maior durante uma epidemia.
Da noite para o dia,
Wuhan se tornou uma cidade-fantasma.
Esta��es de trem, normalmente lotadas de passageiros,
agora estavam desertas.
Restaurantes e lojas que antes fervilhavam,
de repente se encontravam vazias.
Ruas e estradas eram bloqueadas,
enquanto os moradores de Wuhan se trancavam em suas casas.
Quando voc� lida com surtos de pat�genos desconhecidos,
com algo que voc� nunca viu antes,
� melhor exagerar do que subestimar.
� claro que existe o perigo de voc� ser acusado de errar,
mas eu acho que � muito melhor estar errado
que n�o informar e haver mortes.
Conter um v�rus novo e virulento
n�o � um trabalho f�cil.
E essa tarefa fica ainda mais dif�cil
em uma cidade
que tamb�m � um dos maiores centros de transportes do pa�s.
Wuhan fica quase no meio da China.
E existe uma rede de transporte muito extensa passando por ela.
E por isso h� um grande n�mero de pessoas
que chegam ao aeroporto de Wuhan de v�rias partes da China,
e do mundo.
Apesar do extraordin�rio esfor�o
para deixar a cidade sob q�uarentena,
o v�rus n�o foi contido.
Aparentemente,
ele tinha sua pr�pria t�cnica para passar inc�gnito:
Uma na qual as v�timas n�o mostravam sintomas
nas fases iniciais da infec��o,
o que ajudou a espalhar o pat�geno
ainda mais entre as pessoas, desavisadas.
A taxa de reprodu��o do surto desse coronav�rus
foi estimada em cerca de 2,6.
Isso significa que uma pessoa � capaz de infectar
duas ou tr�s outras pessoas.
Como resultado,
a propaga��o pode fugir rapidamente ao controle,
principalmente
quando algumas pessoas n�o apresentam sintomas
durante o per�odo de incuba��o do v�rus.
O novo v�rus estava mostrando
uma tend�ncia maior a se reproduzir
do que at� mesmo a SARS.
Em apenas um quarto do tempo, por exemplo,
o n�mero de casos de SARS-CoV-2
j� era dez vezes maior.
N�s sabemos que o covid-19 se propaga
logo no come�o da doen�a.
A SARS se espalhou particularmente em hospitais,
quando os pacientes estavam mais enfermos
e carga viral era maior.
Essa doen�a � diferente.
Nessa, a transmiss�o � principalmente comunit�ria,
e a propaga��o come�a muito cedo,
logo nos primeiros dias da doen�a.
Inclusive j� tivemos exemplos de transmiss�o
antes dos sintomas come�arem.
Aparentemente, n�o h� nada que os cientistas possam fazer.
� um v�rus altamente esquivo,
e est� se espalhando entre as pessoas
muito mais r�pido do que se imaginava.
Dez dias antes do lockdown sem precedentes
que a China implementou para prevenir sua propaga��o,
o v�rus j� havia aparecido em solo estrangeiro.
CORONAV�RUS: A ORIGEM
Em Wuhan,
o novo coronav�rus SARS-CoV-2 havia causado a primeira morte.
A v�tima, um homem de 61 anos,
era um dos primeiros pacientes
dos casos vinculados ao mercado de animais de Huanan.
1 MORTE COVID-19
A quest�o � como esse v�rus se manifesta em seres humanos.
Quando voc� lida com surtos de pat�genos desconhecidos,
� melhor exagerar do que subestimar.
Da noite para o dia,
Wuhan se transformou em uma cidade-fantasma.
No dia 23 de janeiro, havia 570 casos informados,
17 mortes na China
e 11 milh�es de pessoas em quarentena em Wuhan.
Apesar do lockdown,
o v�rus j� havia ultrapassado as fronteiras chinesas.
O primeiro caso internacional foi na Tail�ndia.
A Tail�ndia informou o primeiro caso
do coronav�rus de Wuhan fora da China.
Impelidos a agir,
cientistas em todo o mundo trabalharam contra o tempo
para desacelerar a propaga��o,
e a OMS estava no centro desse esfor�o conjunto.
A China detectou essas doen�as desconhecidas
e identificou o coronav�rus em um curto per�odo.
E dividiu a sequ�ncia gen�tica com outros pa�ses.
Ent�o receb�amos diariamente essas informa��es,
analis�vamos as informa��es,
e depois as compartilh�vamos com os pa�ses-membros.
Al�m do compartilhamento de dados,
um passo vital para controlar a propaga��o de um v�rus
� rastrear cada pessoa
com quem o paciente infectado teve contacto.
Rastreamento de contacto � identificar todas as pessoas
que tiveram contacto
com outra pessoa que foi infectada,
antes ou depois dos sintomas come�arem a aparecer,
e essas pessoas, elas s�o isoladas,
ou se solicita que fa�am auto isolamento
ou elas �s vezes
s�o colocadas em quarentena e monitoradas
por um per�odo de at� tr�s semanas
para ver se desenvolvem sinais e sintomas da doen�a.
Na China,
o trabalho de rastreamento de contacto
foi um empreendimento de grande escala.
S� em Wuhan,
mais de 1.800 epidemiologistas
rastrearam dezenas de milhares de contatos por dia.
Mas o esfor�o rapidamente provou o seu valor:
Entre 1% a 5% dos contatos
acabaram dando positivo para COVID-19.
Mas havia um grupo de poss�veis casos
que confundia os cientistas.
Havia algumas pessoas
que podiam estar infectadas com o v�rus
e em nenhum momento desenvolveram qualquer sintoma,
qualquer um,
ent�o n�o sentiam cansa�o ou dores musculares.
Elas eram assintom�ticas.
E isso pode ser bem preocupante,
porque ficamos sem saber
qual � a extens�o da infec��o do v�rus
na popula��o.
Com a explos�o dos casos,
governos de todo o mundo
dever�o prestar mais aten��o � um surto local iminente
e preparar
suas pr�prias estrat�gias de combate ao surto.
As linhas a�reas come�aram a suspender voos,
enquanto o medo pela epidemia de coronav�rus dispara.
A ag�ncia nacional de avia��o
pediu que aeroportos e linhas �reas
come�assem a monitorar passageiros desembarcando
do Jap�o e da Coreia do Sul.
A conten��o
agora era uma estrat�gia crucial contra o covid-19.
Para minimizar os riscos de importar pessoas infectadas,
os pa�ses come�aram a restringir voos das regi�es afetadas.
Os pa�ses est�o fazendo v�rias coisas pra se protegerem.
Uma delas � simplesmente monitorar
o que est� havendo na China
pra tentar entender
o que est� dando certo e o que n�o est� dando.
Um segundo ponto
� que alguns pa�ses j� adotaram medidas
pra reduzir a quantidade de viagens
entre a China e eles,
ou pessoas que chegam da China
est�o sendo colocadas sob quarentena.
Eu voltei da China quatro dias atr�s.
Eu era parte da miss�o conjunta da OMS na China.
Ent�o, assim como ocorre em Cingapura,
e na verdade, em v�rios pa�ses do mundo,
a ordem � pra que haja uma quarentena de 14 dias
para as pessoas
que est�o retornando de �reas de alta transmiss�o.
Ent�o, eu estou em casa, estou trabalhando normalmente,
mas estou fazendo isso da minha casa,
do meu home office.
Mesmo com a suspens�o
cada vez mais disseminada das viagens em todo o mundo,
os cientistas n�o podiam se dedicar a deter o v�rus.
Eles tinham um objetivo diferente, mais pragm�tico.
N�o estamos tentando impedir que o surto chegue.
Estamos tentando evitar que chegue depressa.
Se ele vier r�pido demais,
os sistemas de sa�de v�o ficar sobrecarregados.
E a taxa de mortalidade dispara
quando os sistemas de sa�de entram em colapso.
A maioria dos sistemas de sa�de
j� opera quase no m�ximo de sua capacidade.
E o surto tinha o potencial de sobrecarregar alguns.
A recomenda��o dos cientistas era para tentar ganhar tempo.
Os hospitais t�m um trabalho muito dif�cil.
Eles precisam cuidar de pacientes com seguran�a,
mas tamb�m precisam garantir
a seguran�a dos profissionais da sa�de.
Ent�o, eles precisam garantir
que haja quartos o suficiente para os pacientes.
Tamb�m precisam de transportes seguros,
como ambul�ncias.
Voc� precisa de um sistema de sa�de,
um hospital ou uma cl�nica
que possa cuidar dos pacientes com seguran�a.
Em Wuhan,
os hospitais estavam com dificuldades
para lidar com o fluxo de pacientes.
Li Wah, um morador da cidade,
teve uma amiga infectada pelo v�rus,
mas ela n�o estava recebendo nenhum tratamento m�dico.
Bem no in�cio, quando ela teve os sintomas,
ela foi no hospital
e o m�dico a diagnosticou com a doen�a,
mas n�o conseguiu intern�-la no hospital,
porque eles estavam muito limitados, sabe,
de m�dicos e leitos no hospital,
ent�o a mandaram pra casa, pra ficar de quarentena.
Mas eu acho que � uma situa��o especial
em que os recursos s�o muito limitados, n�?
Com os olhos do mundo voltados para Wuhan,
as autoridades chinesas se sentiram impelidas
a ampliar seus esfor�os.
Em uma a��o sem precedentes,
as autoridades constru�ram e readaptaram 16 hospitais
em quest�o de semanas.
Foi gra�as a esse empenho
que pacientes como a amiga de Li Wah
puderam finalmente receber tratamento m�dico.
Demorou uma semana
desde que ela foi internada no hospital.
Mas ela me disse que est� melhorando.
Na fronteira com a China,
outro pa�s com uma grande popula��o
tamb�m estava se preparando para o surto:
�ndia.
Lar de mais de um bilh�o de pessoas,
e cuja popula��o s� � menor que a do pa�s vizinho.
Em meados de dezembro,
quando formos informados dessa incomum pneumonia
que estava se espalhando na China,
eu reuni uma equipe de cientistas
e disse a eles que precis�vamos de especialistas de prontid�o.
Um m�s ap�s o surto,
a �ndia confirmou seu primeiro caso de covid-19.
Priya e sua equipe n�o iriam arriscar.
Fomos os primeiros a iniciar testes por todo o pa�s.
Os tr�s primeiros positivos foram detectados aqui.
No laborat�rio de Prya,
outra amostra para um poss�vel caso
chegou para a testagem.
Conhecido como teste PCR, uma amostra,
como um muco coletado na garganta,
� retirada do paciente.
O teste escaneia o material gen�tico
dentro da amostra
e procura pela presen�a do RNA do coronav�rus.
Poucas horas depois,
ele aponta se o resultado � positivo ou negativo.
At� agora,
usa-se principalmente detec��o molecular contra o v�rus.
Mas j� existem alguns produtos
sendo testados na detec��o de anticorpos,
com os quais voc� poderia detectar
a resposta do anticorpo a esse v�rus.
E eu acredito que com o tempo
poder�amos monitorar uma popula��o inteira.
CULTURA DE V�RUS I
Uma abordagem focada nos anticorpos
poderia levar a um melhor rastreamento
e a uma maior vigil�ncia do surto
em determinada popula��o.
Mas enquanto n�o ocorre,
muitos cientistas dependem do teste PCR.
A amostra no laborat�rio de Prya retornou positivo.
� apenas mais um passo
na aparentemente incontrol�vel propaga��o global do v�rus.
� impressionante a forma exponencial como se propaga.
Por isso, est� todo mundo em alerta.
No in�cio de fevereiro,
o n�mero total de casos confirmados
havia aumentado
para mais de 31 mil ao redor do mundo,
incluindo 638 mortes.
E havia outro fato alarmante:
Adultos aparentemente saud�veis podiam ser mortos pelo v�rus,
incluindo um dos primeiros m�dicos a identificar o surto
em Wuhan.
O perfil da covid-19 que se estava estabelecendo
era que se tratava de uma doen�a mais perigosa
para certos subgrupos da popula��o.
A grande maioria das pessoas que morreram
tinham mais de 60 anos de idade.
Mas n�s tamb�m vemos
que h� um pequeno n�mero de pessoas
que se imaginava relativamente em forma,
saud�veis, e na faixa dos 30,
que tamb�m morreram com o v�rus.
E... ainda n�o se sabe bem por que isso ocorre.
Mas com pouco tempo dispon�vel para estudar a covid-19,
ainda havia muitas perguntas
que os cientistas n�o conseguiam responder.
Por exemplo,
ser� que as crian�as
de alguma forma s�o menos vulner�veis ao v�rus?
Na China,
crian�as de at� nove anos
representam apenas o 1% do n�mero total de infec��es.
Se isso se trata de um panorama preciso,
ou se, por exemplo,
a infec��o nas crian�as
� geralmente leve demais para ser detectada,
ainda est� sendo avaliado.
Apesar dos muitos desafios,
existe um aspecto da covid-19
que vem dando alguma esperan�a aos cientistas:
A alta taxa de sobreviv�ncia entre os infectados.
638 MORTES COVID-19
O coronav�rus parece ser
um v�rus que se espalha facilmente,
mas parece que nesse momento,
a mortalidade � relativamente baixa,
2% � a conta.
Pode ser at� menos,
porque a gente ainda n�o considerou
todas as pessoas que foram infectadas,
mas n�o t�m sintomas.
Geralmente medimos
apenas o n�mero de pessoas sintom�ticas.
Deve haver muito mais gente possivelmente infectada.
Outra abordagem para combater o novo coronav�rus
envolveu o conceito de "imuniza��o de rebanho".
Se uma quantidade suficiente de pessoas for exposta ao v�rus,
e ent�o desenvolver imunidade,
poderia ocorrer uma interrup��o natural na transmiss�o.
Mas quantos casos seriam necess�rios,
e a que custo?
E o que tamb�m � crucial:
Essa ideia presume
que as pessoas n�o podem se infectar mais de uma vez,
algo que ainda n�o se sabe.
Mas dada a velocidade com que o v�rus se propagava,
a teoria corria o risco de se tornar realidade.
Se todo mundo continuar se infectando,
digamos tr�s pessoas,
e a cada quatro dias houver outra gera��o,
fica evidente que em um m�s voc� pode ter milhares de casos.
A implementa��o da imuniza��o de rebanho, no entanto,
apresenta v�rios empecilhos.
Os hospitais ter�o que lidar
com uma entrada massiva de pacientes,
sobrecarregando recursos m�dicos j� limitados.
E a quest�o de saber
se as pessoas realmente se tornam imunes
permanece sem resposta.
O v�rus pode evoluir rapidamente,
burlando qualquer imunidade que possamos desenvolver.
Esse tem sido o caso de uma das mais persistentes
e escorregadias infec��es virais que existem,
e que todo mundo j� enfrentou:
A gripe comum.
Como os nossos sistemas imunol�gicos
conseguir�o responder ao novo coronav�rus
ainda � um grande mist�rio.
Os humanos n�o t�m imunidade a esse v�rus
porque nunca foram expostos a ele.
Ent�o, quando um novo v�rus como o covid-19
entra na popula��o humana,
todos correm risco.
Mas tem uma diferen�a:
A influenza j� encontra uma popula��o imune,
o que de alguma forma, suaviza a infec��o,
e n�o a torna t�o violenta quanto um novo v�rus
que atinja os seres humanos pela primeira vez.
Os riscos da in�rcia coletiva contra um v�rus t�o novo
s�o imensos.
Um estudo do Imperial College de Londres
ressalta o tamanho da devasta��o do v�rus
e como seus sintomas castigaria a popula��o global
se o surto simplesmente tomasse o seu curso.
Os pesquisadores estimaram
que impressionantes
sete bilh�es de pessoas seriam infectadas
e 40 milh�es morreriam da doen�a se n�o houvesse uma interven��o.
Mas que, ao se tomar a��es dr�sticas
e se reduzir o contacto social,
esses n�meros certamente
poderiam diminuir de forma consider�vel.
Eu n�o acho que possamos aceitar v�timas de nenhum v�rus,
ent�o precisamos desenvolver ferramentas
contra outras doen�as, doen�as como o coronav�rus,
porque esses s�o v�rus comuns
e se continuarem surgindo, precisaremos da vacina.
Enquanto op��es novas, n�o testadas e te�ricas
estavam sendo consideradas,
s� restava uma forma concreta
de conter a propaga��o do covid-19.
E essa forma era atrav�s de testagem agressiva,
rastreamento e supress�o
mantendo os mais doentes nos hospitais
para serem tratados,
e garantindo que a popula��o continuasse isolada,
prevenindo assim uma maior transmiss�o.
Uma combina��o dessas estrat�gias
tem o potencial de salvar dezenas de milh�es de vidas.
Tudo isso, enquanto cientistas correm contra o tempo
para criar uma vacina.
CORONAV�RUS: A ORIGEM
O n�mero total de casos chegou a mais de 31 mil
em todo o mundo.
� impressionante a forma exponencial como se propaga.
Por isso, est� todo mundo em alerta.
Se ele vier r�pido demais,
os sistemas de sa�de v�o ficar sobrecarregados.
E eles entram em colapso
se a taxa de mortalidade aumentar.
Os humanos n�o t�m imunidade a esse v�rus
porque nunca foram expostos a ele antes.
Enquanto um n�mero cada vez maior de pa�ses
implementava uma quarentena estrita
e um r�gido controle comunit�rio
para diminuir a propaga��o do novo coronav�rus,
os cientistas estavam em uma corrida contra o tempo
para criar uma vacina.
Uma vacina � algo que em geral se injeta.
E ela previne as infec��es.
Ent�o, com a vacina,
voc� se protege da infec��o de um v�rus em particular.
A forma como uma vacina funciona �:
Voc� recebe uma fra��o
ou uma vers�o desativada do v�rus.
Seu corpo cria uma resposta imunol�gica a ele,
e ele se lembra disso.
Ent�o, se voc� tiver contacto com o v�rus novamente
meses ou at� anos depois,
essa resposta � muito mais r�pida
e protege voc� desse v�rus.
Existem muitos fatores envolvidos
na elabora��o de uma vacina.
Cientistas desse laborat�rio em Oxford, na Inglaterra,
est�o focados em criar um ant�geno.
Um ant�geno � a prote�na na superf�cie do v�rus
que leva o nosso sistema imunol�gico a reagir.
Parte crucial de uma vacina,
um ant�geno faz o nosso corpo ficar em modo defensivo.
Assim que a sequ�ncia do v�rus ficou dispon�vel,
n�s a usamos para sintetizar
algumas das prote�nas da superf�cie do v�rus.
Podemos fazer e purificar a prote�na
e ent�o disponibiliz�-la para empresas
que pesquisem vacinas,
empresas de diagn�stico ao redor do mundo.
Uma vez que o ant�geno esteja dispon�vel,
ainda h� muitos passos cient�ficos complexos
na elabora��o da vacina,
incluindo testes em animais.
Isso tudo,
antes dos testes cuidadosamente controlados em humanos,
que s�o realizados
para assegurar que ela seja segura e eficaz.
S� ent�o uma poss�vel vacina poder� ser oferecida ao p�blico.
Existem candidatas � vacina dispon�veis,
mas elas ainda precisam passar pelo processo de testes
antes de serem consideradas seguras
pro uso em qualquer pa�s.
Na busca urgente
por uma defesa contra a covid-19,
v�rias vacinas,
com formas diferentes de gerar imunidade,
passaram a ser desenvolvidas.
Entre as candidatas est� uma projetada
com base na caracter�stica prote�na perfurante do v�rus,
que ele usa para se conectar a e infectar c�lulas humanas.
A esperan�a
� que a vacina "treine" nossos sistemas imunol�gicos
para reconhecer e responder a essas prote�nas no v�rus.
A complexidade da elabora��o de prote��es duradouras
sugere que s� haver� uma vacina
para ser administrada na popula��o em alguns meses.
A tarefa pode ficar ainda mais desafiadora
se considerarmos o fato
de que os v�rus muitas vezes sofrem muta��es.
E uma vez que isso ocorre,
uma vacina desenvolvida
para uma cepa espec�fica de um v�rus,
pode se tornar ineficaz.
Os v�rus sofrem muta��es na natureza
porque �s vezes,
quando eles se reproduzem, eles cometem um erro.
E ent�o isso � conservado no DNA e na gen�tica daquele organismo,
e continua em futuras gera��es.
Outra muta��o deriva
de um rearranjo celular inesperado,
que � quando h� uma confus�o entre dois v�rus na mesma c�lula
e eles acabam combinando seu material
de tal forma, que geram um novo v�rus.
Alguns cientistas em Pequim j� afirmam que o v�rus evoluiu
e se dividiu em duas cepas diferentes.
A "Tipo I" e a "Tipo S".
Como � a primeira cepa, � mais prov�vel que a "Tipo S"
tenha surgido quando o v�rus saltou de animais para humanos.
A Tipo-I veio logo depois disso.
Mas, de acordo com pesquisadores,
� a cepa mais prevalente.
Mas outras vozes,
incluindo a da Organiza��o Mundial de Sa�de,
dizem que essas muta��es s�o normais em qualquer v�rus,
e por isso, s�o insignificantes.
Elas tamb�m n�o parecem afetar a forma como o v�rus age
e os sintomas que ele causa.
Paralelamente � corrida pelas vacinas,
um amplo leque de abordagens cl�nicas
era rapidamente testado,
incluindo o reposicionamento de rem�dios j� existentes.
Essas abordagens incluem algumas estrat�gias novas,
como o uso de plasma sangu�neo dos pacientes recuperados.
Em seu sangue
elas apresentam essa mol�cula chamada anticorpo.
Isso pode prevenir um v�rus de infectar outras pessoas
ou ao menos reduzir os sintomas.
Basicamente, voc� tira o sangue de pacientes recuperados,
purifica esse sangue,
e faz a transfus�o para pacientes em tratamento.
Mas essa t�cnica ainda cont�m v�rios riscos,
e mais pesquisas s�o necess�rias
para confirmar o grau de efici�ncia
e de seguran�a.
� muito dif�cil usar esse tipo de terapia
em larga escala
e seria dif�cil imaginar
como poder�amos tratar milhares de pessoas dessa forma.
Uma outra abordagem proposta pelos m�dicos
envolve antivirais:
Uma classe de medicamentos que combate o v�rus
ao suprimir sua habilidade
de se reproduzir dentro do hospedeiro.
Se pudermos encontrar um tratamento antiviral
que funcione,
ent�o isso com certeza vai mudar todo panorama
porque se tivermos um tratamento pra doen�a,
ent�o obviamente o impacto na propaga��o
vai ser diferente.
Em Wuhan,
alguns dos primeiros pacientes a ficarem em estado grave
come�aram a se recuperar.
Ao receber suporte respirat�rio
e uma s�rie de inje��es de anticorpos
para auxiliar seu sistema imunol�gico,
o pai de Wang Wei passou a ter esperan�a.
Durante o tratamento,
ele conseguiu respirar sozinho e passou a comer melhor.
O pai de Wang Wei recebeu alta e voltou para casa.
Mas seus pais continuaram cautelosos.
Desde que meu pai deixou o hospital
e veio para casa,
ele e minha m�e
est�o ficando em quartos separados.
Eles est�o mantendo a energia positiva.
No geral est�o felizes,
j� que o tratamento foi um sucesso.
O pai de Wang Wei teve sorte de sobreviver,
gra�as ao tratamento m�dico
usado para combater seus sintomas.
E enquanto o mundo esperava uma vacina,
mais solu��es pr�ticas imediatas
passaram a ser implementadas.
Lavar as m�os minunciosamente com sabonete
ou usar gel higienizante para m�os
se tornou o mantra
na preven��o da propaga��o do v�rus.
O rastreamento de contacto foi intensificado
com casos suspeitos colocados sob quarentena.
Para o resto das pessoas,
a dist�ncia social foi encorajada
com o intuito de limitar a propaga��o do v�rus.
E em alguns pa�ses,
o governo imp�s toque de recolher.
FIQUE EM CASA, SE CUIDE
DEVIDO AO CORONAV�RUS, A ASSOCIA��O DE COMERCIANTES
Essa � uma doen�a que se espalha atrav�s da comunidade
e por isso a solu��o est� na comunidade,
e ela precisa ser honesta.
Sabe, se voc� for procurado e for colocado em quarentena,
por favor, obede�a, siga a etiqueta ao tossir,
pratique o distanciamento social...
O distanciamento social
foi considerado uma estrat�gia crucial
para achatar a curva da pandemia.
Devido � escala exponencial com o que o v�rus se espalha,
at� mesmo uma redu��o parcial no contacto entre as pessoas
pode levar a uma grande queda na transmiss�o.
Se uma pessoa infecta outras 2,5 pessoas em m�dia,
ap�s 30 dias,
cerca de 406 pessoas ter�o sido infectadas
pelo caso original.
Mas se o distanciamento social puder reduzir
apenas � metade o n�mero de transmiss�es
a partir do primeiro dia,
ap�s 30 dias,
somente 15 pessoas estariam infectadas.
Existem muitas coisas que a comunidade pode fazer
para combater o v�rus.
Na verdade,
o engajamento das pessoas
precisa ser mais um aspecto dessa luta.
No in�cio de mar�o,
o mundo chegou a um ponto cr�tico.
O n�mero de casos fora da China
estava crescendo mais r�pido que na pr�pria China.
E tinha todas as caracter�sticas de uma pandemia.
Seu desenvolvimento poderia ser afetado
pela sazonalidade.
No passado,
mudan�as no clima ajudaram a reduzir as doen�as.
Eu n�o acho que foi o Ano Novo Chin�s
que tenha causado o movimento de massa
que disparou o surto.
Acho que foi o inverno, o frio da esta��o,
e a aglomera��o nos mercados de animais.
Os v�rus sobrevivem mais longamente
em ambientes com temperaturas menores.
Essa � uma das teorias, que sugere que o frio do inverno
poderia favorecer a propaga��o do v�rus,
e que ele poderia retornar no inverno do hemisf�rio norte.
Mas isso ainda n�o � consenso cient�fico
e alguns duvidam de que o v�rus seja afetado pelo clima.
Ser� que ele volta no pr�ximo inverno no hemisf�rio norte?
Dizer isso � sugerir que ele est� indo embora,
e eu diria que isso � improv�vel.
Eu acho que podemos continuar antecipando futuros epicentros.
A completa erradica��o de um v�rus
� uma tarefa dif�cil.
Mesmo que esse coronav�rus
consiga ser erradicado em humanos,
se continuar vivo em sua forma natural,
dentro de animais hospedeiros,
poderia reinfectar a humanidade.
E poderia, inclusive, se estabelecer
como um v�rus respirat�rio comum.
Acredita-se que a emerg�ncia dessa SARS seja um evento �nico,
e acredita-se tamb�m que ela seja um acontecimento natural.
Mas ainda n�o est� claro qual vai ser o desfecho, sabe.
Existe o perigo de novas infec��es.
O problema n�o � o conhecido, mas o desconhecido.
Nunca sabemos qual � o potencial de um v�rus quando ele surge.
O surto da SARS em 2003 pegou o mundo de surpresa.
O v�rus circulou por nove meses
at� ser erradicado em todo o planeta.
Especialistas preveem que a Sars Covid-19
e a doen�a que ela cria
podem durar muito mais tempo.
Mas parece que os pa�ses que foram diretamente afetados
pelo surto da SARS
responderam de forma mais eficaz,
implementando estrat�gias cruciais de conten��o
com rapidez.
Aprendemos que a comunica��o � vital.
Que compartilhar informa��es � vital.
As estrat�gias convencionas de resposta � epidemia funcionam.
E elas t�m que ser feitas com velocidade, rigor e min�cia.
E precisam ser implementadas
com o engajamento total da comunidade.
Se n�o mudarmos a forma como vivemos,
como plantamos,
como comemos,
ent�o sem d�vidas, vir� outro surto.
No final de mar�o,
houve um leve raio de esperan�a
para aqueles que retornaram ao marco zero em Wuhan.
O que se v� s�o os casos caindo drasticamente.
O povo da China tratou isso como uma guerra,
contra um inimigo invis�vel, sabe.
Sem d�vida, sentimos que estamos muito perto
de derrot�-lo.
Com uma queda acentuada
nos novos casos dom�sticos da covid-19,
a China come�ou a levar vantagem sobre o v�rus.
� medida que foi emergindo
do outro lado do campo de batalha,
o pa�s, assustado, abalado, mas otimista,
passou a oferecer sua merecida e suada expertise
ao resto do mundo,
cuja luta contra o v�rus est� no auge.
Enquanto outros pa�ses sofrem
com um n�mero de casos cada vez maior,
a China, e at� mesmo Wuhan,
come�am a reduzi-los, ou pelo menos cont�-los.
Em determinados lugares,
os moradores foram autorizados a sair da quarentena
pela primeira vez em semanas,
e os neg�cios come�aram a reabrir.
� muito libertador, sabe,
depois de quase dois meses de quarentena
voc� simplesmente caminhar pelas ruas da vizinhan�a.
As pessoas ainda est�o usando m�scaras ao sair,
e v�o continuar mantendo o distanciamento social,
porque agora todos em Wuhan sentem a responsabilidade
de n�o deixar isso voltar a acontecer.
A cidade reabriu gradualmente,
mesmo com o resto do mundo agora se fechando.
PORTA DA �NDIA FECHADA DEVIDO AO CORONAV�RUS
Por enquanto, as a��es dr�sticas tomadas pela China
parecem ter contido a amea�a.
O mundo deveria impor medidas restritivas,
para que as piores previs�es n�o se concretizem.
A corrida por uma vacina contra a Covid-19
ainda vai demorar algum tempo.
E n�o h� garantias de que funcione.
� por isso que os especialistas
dizem que a melhor prote��o contra a pandemia
talvez n�o esteja nos laborat�rios cient�ficos...
� um erro achar que a medicina pode impedir a propaga��o.
O que pode impedir a propaga��o � a ci�ncia do comportamento,
� as pessoas entenderem o que causa a infec��o
e como elas podem se proteger.
� o melhor caminho a seguir.
� a melhor forma de conter uma epidemia.
ESTE PROGRAMA FOI REALIZADO
DURANTE OS MESES DE FEVEREIRO E MAR�O DE 2020.
ALGUNS DADOS PODEM ESTAR DESATUALIZADOS.
PARA SABER AS �LTIMAS NOT�CIAS DA PANDEMIA,
CONSULTE �RG�OS OFICIAIS.
Legendas MasterDubbing
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.