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Original subtitles

Meu Deus, isso est� me deixando louca!

Fico acordada a noite toda e, quando o pequeno adormece,

algum idiota liga a sua serra de mesa.

Vou at� l�, acalme-se.

N�o importa, ele n�o vai dormir.

Pode parar de reclamar? O que eu posso fazer?

Ir l� matar algu�m s� porque o pequeno solta puns fortes?

Minha cabe�a est� prestes a explodir.

Voc� poderia parar de serrar?

H� uma crian�a dormindo aqui.

Maldito idiota!

Desligue isso.

Petr, poderia balan�ar Luk�s por um tempo?

- Tenho trabalho a fazer. - Que trabalho?

Trabalho.

O qu�?

O que h� de estranho nisso? Voc� fica com o filho, eu trabalho.

N�o grite.

Divis�o do trabalho, normal.

Droga!

Que diabos est� fazendo?

- Diga para ele parar, que inferno! - L�d�nek!

L�d�nek, desligue isso.

� s� voc� e seu maldito...

- O qu�? - Voc� e seu maldito filho.

- V� se danar! - Meu beb�...

TV TCHECA APRESENTA

ANATOMIA DE UM ASSASSINATO

TEMPORADA 5 EPIS�DIO 1

Se entendi direito, o beb� foi assassinado h� 30 anos.

Quantos anos voc� tinha na �poca?

Doze.

Estamos s� desperdi�ando seu tempo.

N�o dever�amos ter vindo aqui.

Mas agora voc� est� aqui e estou te ouvindo.

Quando eu era crian�a e ainda vivia com meus pais em Prostejov,

eu ia a Janovec por duas semanas nas f�rias de ver�o...

...com minha colega Lenka, para ficar com av� dela.

"Assassino astuto, afaste-se..."

"...da nossa porta, v� embora!"

O que costumavam ter para o jantar?

V� e coma no lago!

A porta lascada...

Quem diabos. Droga. Pare com isso.

- Precisa de tanto barulho? - Desculpe.

Por que sempre t�m que fazer um esc�ndalo?

Voc� acordou o pequeno, Magda.

N�o pode ser menos imprudente? Ele tem sono leve.

Tio, por favor, perdoe-nos.

Desculpe, senhor, eu bati minha ferida na perna.

� meia-noite, por que n�o est�o dormindo?

J� vamos.

Ent�o n�o fa�am barulho, est� bem?

V� se danar, seu idiota.

Acham isso engra�ado?

� engra�ado que o pequeno tenha dores...

...e n�o consiga ficar quieto?

Devem estar se divertindo muito.

As meninas acordaram o pequeno.

� mesmo?

Droga, m�e, claro. O que est� pensando?

Acha que sou bobo?

N�o far�o isso de novo, certo? S�o espertas.

Claro que far�o, m�e.

O �nico modo de ter paz � expuls�-las.

E esta vai primeiro.

Est�o brincando de se assustar de novo?

Vov�, n�o fique com raiva de n�s.

Vov�, mas � t�o legal e assustador.

Ent�o chega de sustos por hoje.

E amanh�, voc�s tr�s v�o pedir desculpas � tia Draha.

O garoto tem gases desagrad�veis.

Magda, de verdade, chega por hoje.

- Boa noite. - Boa noite, vov�.

- Ela j� se foi? - Boa noite para voc�s.

N�o seja imbecil!

� uma pena que n�o pudemos ler tudo.

Poderia ter um cad�ver ali.

Erben � para beb�s. Tenho algo mais suculento aqui.

S�rio?

Algo assustador de verdade?

- Mostre-nos. - Meninas.

Uau!

N�o vai gritar, vai?

N�o, se voc� n�o me assustar.

"O Pequeno Assassino."

Meninas, eu j� estou com medo.

Espere.

V� dormir um pouco. Vou acalm�-lo.

A culpa � toda sua, m�e.

Deixar esse bando de pirralhas aqui.

S�o minhas netas.

Sim, com essa gritaria, ainda por cima.

- Est�o fazendo isso de prop�sito. - Bobagem.

- S�o s� crian�as brincando. - Aonde vai?

- L� fora. - Onde?

N�o sei, l� fora, algum lugar onde possa dormir.

Tenho que trabalhar amanh�.

Por favor.

Por que n�o v�o para a cama? Passe-o para mim.

- O pequeno j� est� dormindo. - Acha mesmo?

Magda, como voc� � boba!

As portas est�o fechadas?

Pare com isso.

Meninas, eu preciso fazer xixi.

Se eu fosse voc�, eu seguraria.

- E se ele estiver esperando l�? - Quem?

O beb�, � claro.

Ele quer vingan�a, porque voc� o acordou.

- Meninas, tenho mesmo que ir. - N�o vou a lugar algum!

Lenka, n�o seja boba e venha comigo.

E se houver um beb� l� fora?

N�o tem nenhum beb� l�.

Eu n�o teria tanta certeza.

Pare com isso, Magda, ou vou fazer xixi aqui.

- Certo, n�o h� beb� l� fora. - Isso.

- Vai pegar a lanterna? - Sim.

Mas, meninas, cuidado, pode haver uma corda na escadas.

Como voc� dormiu?

Como acha? No galp�o.

H� cheiro de gasolina por todo o lugar.

- Quer um caf�? - N�o.

Voc� � t�o insens�vel e ego�sta.

Draha, pare j�.

Pare, de verdade.

Tenho que dormir um pouco.

Diga para mam�e sair com as pragas e eu vou dormir l� em cima.

Tudo eu. Voc� s� pensa em si mesmo.

Onde est� o pequeno?

- N�o est� aqui. - O que quer dizer?

Est� com a av�. Eu n�o tinha mais condi��es.

Voc�...

Petr, sou uma m�e horr�vel.

�s vezes eu fico...

Eu imagino...

Eu imagino coisas loucas.

Vamos, por que n�o consegue? Outras pessoas conseguem.

Mas eu n�o sou como as outras.

Eu sou desprez�vel.

Horr�vel.

Veja.

Vai dar certo. Vamos sobreviver a isto.

Voc� � a pessoa certa para dizer isso.

Sim.

Sim.

Percebe o que est� fazendo?

Ou come�a a agir como pai de um beb� ou ent�o...

Certo, senhoras, bom dia.

Hora de levantar. Sim, que bom...

E segure assim, segure.

Levantem-se, vamos �s compras.

Bom dia, Sra. Trebovick�.

Vai me comprar um pouco de chocolate?

Pode apostar. Claro.

Naquele dia, tudo terminou.

Nada seria como antes.

Com licen�a.

A prima de Lenka, Magda, era dois anos mais velha.

Ela coordenava tudo.

Tipo socializar com os trabalhadores que estavam cavando...

...a vala de esgoto atr�s da casa.

Est�vamos s� entediadas, porque Draha nos mandara sair de casa novamente.

Para onde estamos correndo?

Olhem, meninos, temos visitas.

Dane-se isto.

Pare de reclamar e tome um pouco de cerveja.

- Que idiota. - Olhem, meninas.

Tragam-nos um pouco de cerveja.

Por que voc�s n�o buscam?

Porque estamos trabalhando, garotinha.

Vai nos dar dinheiro para picol�s?

Quanto custa um?

Ledn�cek � uma coroa.

Mas n�s queremos M�sa, que � mais caro.

- Cara, cuidado com ela. - Calma.

Eu tamb�m poderia comer um. Um M�sa, digo.

Nossa. Ent�o, garotas...

Tr�s cervejas em lata...

...e seis picol�s.

- Magda! - N�o v� l�.

N�o � o bastante.

Vamos ensin�-las a lamber os picol�s quando voltarem.

Pervertido.

Mas, naquela manh�, fiquei em casa.

Eu n�o pude ir �s compras, por causa do tornozelo torcido.

- D�i? - Est� melhor agora.

N�o est� mais inchado.

Vai ficar tudo bem amanh�, voc� ver�.

Se n�o fosse por voc�, Deus sabe o que poderia ter acontecido.

Eu preciso trocar as fraldas dele.

Posso lhe ajudar com algo?

Espere por mim. N�o me deixe para tr�s.

Voc� pediu desculpas � tia Draha pela gritaria de ontem?

Eu? Foi a Hana.

Que vergonha, ainda coloca a culpa na amiga.

- Bom dia. - Bom dia.

Dorme, nen�m

Que a Cuca vai pegar

N�o pode ser.

Meu beb� est� dormindo! Fa�am sil�ncio!

Dorme, nen�m

Sombrios e desolados s�o os reinos aquosos.

Metade na escurid�o, Metade na luz do dia.

Espa�osas s�o as casas dos duendes Ali h� muita riqueza

Mas quem quer que os visite Torna-se uma presa

Se para al�m dos port�es de cristal um viajante deve explorar

Nunca mais com seus entes queridos Poder� nesta vida estar

Entre os port�es fica o duende Redes de pesca ele costura

Enquanto a jovem esposa ao lado Cuida de seu beb� com do�ura

� chegada a noite

L� fora, o homenzinho verde Inspeciona o quintal

Em seu quarto A menina e a m�e se agacham

A porta apertada e trancada

"N�o se assuste, filha querida, nada vai te machucar� aqui"

"O assassino do lago n�o tem poder..."

"...em terra seca e dura."

N�o aguento mais.

Desligue essa droga.

Hanka...

Em seu sangue, dois objetos jogados

Trouxeram-lhe medos fundados

Cabe�a de beb� sem corpo Corpinho de beb� sem cabe�a

Vivemos com isso h� trinta anos.

Na verdade, vim pedir uma coisa.

Acha que eu poderia olhar o arquivo da investiga��o?

Quero comparar as mem�rias da minha esposa...

...com a vers�o oficial do que realmente aconteceu.

E sua esposa fez parte da investiga��o?

Se com isso quer dizer se ela foi considerada suspeita, ent�o n�o.

Ela tinha 12 anos.

Acha que podemos ver o arquivo?

Um caso de 30 anos. Eu acho que pode.

Vou ligar para o arquivo, mas vai levar tempo.

Ligo de volta.

Uma jovem mulher, Drahoslava Trebovick�,

matou seu filho de seis meses com uma serra de mesa...

...na casa da sogra,

onde morava com o marido, Petr.

O qu�? Serra de mesa?

Os investigadores a acusaram do crime...

...segundo os relatos de v�rias testemunhas.

Ela, sua filha de 12 anos,

uma amiga da sobrinha com dificuldade para andar...

...estavam na casa...

no momento do assassinato.

� Kolihov�, com quem falei.

Al�m disso, no momento do crime,

ningu�m entrou na propriedade da fam�lia Trebovick�.

� um espa�o fechado, acess�vel somente a partir da rua.

A sogra com os netos...

...encontrou sua nora no quintal, coberta de sangue,

segurando o beb� morto nos bra�os.

Drahoslava Trebovick�, no entanto, nunca deu depoimento.

Ela se matou na cela de deten��o,

o que interpretaram como uma forma de confiss�o.

E que parte disso acha suspeita?

Duas coisas.

O quanto o racioc�nio deles foi direto.

N�o digo que ela n�o tenha feito isso, mas ela nunca confessou.

Uma das garotas, essa Kolihov�, disse que viu algu�m l�.

Mas o arquivo n�o diz isso.

Marie, � um caso encerrado.

O assassino deve ter sido algu�m da casa.

As �nicas pessoas l� eram Kolihov� e Trebovick�, de 12 anos.

Como ela se matou?

Cortou os pulsos com vidro quebrado.

N�o entendo como deixaram isso acontecer.

Eles a trancaram na cela sem uma consulta psiqui�trica.

Parece que conclu�ram que tinham um culpado claro.

Ent�o acha que ela n�o fez isso?

N�o sei. Tudo aponta para ela.

Como se n�o tiv�ssemos o bastante para fazer...

Posso comer este bolo?

Sabe quem trabalhou no caso, ent�o?

Sei.

Mr�z, que fofo.

Essa barriga n�o me surpreende, considerando sua dieta.

Vou voltar ao trabalho.

Mas eu...

Vou levar o arquivo para Kolihov�.

N�o, vamos nos afogar. Magda!

Magda, Magda!

N�o vou pular de jeito nenhum.

Na �poca, eu n�o sabia que eram minhas �ltimas f�rias l�...

...nem do modo horr�vel como iam acabar.

Eu e as meninas zomb�vamos de Draha, dizendo que ela era louca,

que ela ia enlouquecer.

Acho que Magda tinha inveja dela,

porque todas as aten��es estavam sobre Draha e a crian�a.

Hoje, eu mesma sendo m�e, sei que ela estava morta de cansa�o,

e que provavelmente teve psicose p�s-parto.

Mas a vov� Trebovick� era gentil,

e tentava ajud�-la com tudo.

Acho que Draha se sentia uma alien�gena naquele ambiente.

A av� sabia como cuidar bem do beb�,

e isso deve t�-la feito achar que ela era incompetente.

Perante a sogra, assim como o marido.

Acho que deveria contar mais uma coisa.

Talvez seja bobagem,

mas gost�vamos de nos assustar...

...lendo livros de terror.

Eu n�o podia me livrar do sentimento, e eu ainda o tinha dentro de mim...

...de que talvez n�s...

...causamos o que houve depois.

Por causa disso, Hanka foi ao psic�logo.

Eu mesma tinha medo de ter filhos.

Lembro-me constantemente.

Todo mundo diz que foi Draha que matou o beb�.

Acha que causaram isso lendo livros de terror?

Houve tamb�m um acidente.

Que acidente?

O pequeno Luk�s tinha problemas para dormir,

e a �nica coisa que o fazia dormir era andar com ele no carrinho...

...em alguma superf�cie esburacada.

Mas, naquele dia,

nem assim ele dormia.

Chorava e come�ava a se engasgar com l�grimas.

E exatamente porque Draha n�o correu atr�s do carrinho,

espalhou-se o boato de que ela fez isso de prop�sito.

Ela teria perdido a paci�ncia...

...e soltado o carrinho de prop�sito no declive.

O que voc� acha?

Acho que foi acidente.

Acho que o que teve um grande papel nisto...

...foi o que houve depois.

Draha foi acusada de tentar matar o beb�,

e muitas pessoas viram isso como uma primeira tentativa.

Malsucedida.

Eu vi.

O qu�?

A pessoa que matou o beb�.

Vai parecer incr�vel, e parecia bobagem at� ent�o,

como se fosse de um livro de Erben.

Todo mundo pensou que eu estava inventando,

que estava tentando aparecer.

Mas, vendo todo o horror...

Tr�s mortos, o beb�.

Draha na cadeia e a vov� enfartando no hospital.

Quem acreditaria em mim ao dizer que vi um duende aqu�tico...

...sob o salgueiro, perto do carrinho?

Mas eu o vi.

Ele tirou o beb� do carrinho e sumiu com ele.

Ent�o todo mundo pensou que Draha fez isso, porque ela confessou.

Mas n�s j� sabemos...

...que ela nunca confessou ter matado o pequeno Luk�s.

E eu sei o que vi, e n�o era Draha.

Havia disputas por im�veis na fam�lia.

O filho mais velho da Sra. Trebovick� ficou furioso por ela ter dado...

...todo o dinheiro da venda do jardim para o filho ca�ula.

E se fosse alguma forma louca de vingan�a?

Assassinar uma crian�a por vingan�a?

Por que n�o?

Ol�, tem algu�m em casa?

Vou pegar outra garrafa agora.

Tenho que dirigir.

Para mim.

Espero que n�o pense que eu abriria outra garrafa...

...antes de terminar a anterior.

O vinho me d� vaz�o para os sentimentos de injusti�a...

que n�o abandonei.

� um �timo vinho.

S� um pouco, o que acha?

Certo.

- Oi. - Oi.

- Obrigada. - Viktor!

Tem algu�m a�?

Venha e n�o se maravilhe com nada.

Viktor!

Tem um novo companheiro, e que fala?

N�o cala o bico.

Estou surpreso que consiga suportar outro ser vivo.

Minha esposa o comprou, para eu n�o me entediar.

E que esp�cie � essa?

- Arara. - E qual � o nome dela?

Arara. Minha esposa n�o conseguiu bolar outro nome.

Oi. Ol�.

Veja isto!

Ela n�o dorme sem Tchaikovsky.

O Lago dos Cisnes.

O Lago dos Cisnes. Tchaikovsky � um idiota.

- N�o ensine isso a ela. - Viktor � um idiota.

A� est�. Aqui.

Dizem que � t�o inteligente quanto uma crian�a de tr�s anos.

Ap�s duas garrafas de vinho, ficamos no mesmo n�vel.

J� te chamei para sentar, n�o �?

- Sim. - Ando muito esquecido.

Ent�o, o que h�?

Lembra-se deste caso?

Eu me lembraria dele at� se tivesse Alzheimer.

Foi o ano em que voltei para o departamento criminal, 1987.

Eu quase me arrependi.

Nunca vi tantos policiais vomitando juntos.

Havia muitos novatos,

que estavam substituindo mais velhos...

...que estavam de f�rias.

Depois que viram o horror,

vomitaram em metade da cena do crime,

n�o, dois ter�os.

Muito v�mito, j� entendi.

Mas quero saber � o que voc� se lembra da cena do crime.

Prepare-se para a minha mem�ria de elefante,

a �nica em Olomouc, at� voc� chegar.

Crian�a decapitada, m�e louca com sangue por toda parte,

uma velha morrendo e tr�s crian�as paralisadas pelo choque.

Por que o interesse? Faz 30 anos.

Por que tanta certeza de que foi a m�e?

Quem mais poderia ser?

Tinha que ser algu�m da casa.

O sujeito que nos chamou estava lavando o carro na rua.

Ao mesmo tempo, tr�s homens que cavavam uma vala.

As cinco testemunhas declararam congruentemente...

...que n�o havia ningu�m l� no momento do crime.

Havia Trebovick� em casa e uma das garotas.

A garota tinha gesso na perna, algo assim,

e nem uma gota de sangue nela.

A �nica que sobrou foi a tal Trebovick�.

Era maluca, enlouqueceu.

Depois que ela se matou,

n�o havia nada mais para investigarmos.

Mas a garota da perna disse que viu um cara...

...inclinar-se sobre o carrinho de beb� na hora.

Est� no arquivo.

Por que ningu�m prestou aten��o nisso?

O Major Vozenil fez isso, mas ele j� est� morto.

Eu acho que estava claro para ele.

A garota estava fantasiando, estava em choque.

E como � que ningu�m ouviu a serra de mesa?

Sabe quantas serras de mesa tem em uma vila assim?

- N�o fui de muita ajuda? - N�o, n�o foi.

Eu pensei que se lembrava de mais.

Boa tarde, Petr Trebovick�?

N�o vou a lugar algum. S� me vesti.

- Perd�o, sou... - Quer minha identifica��o?

Deve estar achando que sou outra pessoa.

Voc� � do pessoal da licen�a m�dica?

N�o. Sou da pol�cia.

- Entendo. - Meu nome � V�rov�.

Vim sem avisar, mas gostaria de falar com voc�, se n�o se importa.

Sobre o qu�?

Sobre a morte do seu filho.

Minha nossa, o que houve com Ruda?

N�o. Desculpe. Fique tranquilo.

Eu quis dizer Luk�s.

- E por qu�? - Posso entrar?

Est� uma bagun�a.

Estou de licen�a m�dica e minha esposa est� com as crian�as.

Sim, entendo.

Por que diabos quer falar disso de novo?

Estamos analisando casos mais antigos.

Queremos conferir se os resultados s�o indiscut�veis.

- Por qu�? - Procedimento de rotina.

Ent�o, posso lhe perguntar algumas coisas?

Definitivamente n�o a mim.

N�o vou falar sobre nada disso com voc�. Tchau.

Concordou com as conclus�es da investiga��o naquela �poca?

Por que pergunta?

Porque � uma pergunta fundamental.

Concordou com os resultados da investiga��o?

Isso importa?

Faz diferen�a?

Depois de tanto tempo?

Luk�s teria 31 anos agora. J� teria se formado.

Perdi meu filho, minha m�e e minha esposa em uma semana.

Dizimou totalmente minha fam�lia.

Levei 25 anos para parar de ter pesadelos sobre isso.

E agora voc� aparece aqui assim!

Porque quer xeretar nisso de novo?

Algumas perguntas surgiram.

Que bobagem � essa?

O que poderia ter surgido depois de 25 anos?

S� me diga se concordou com a investiga��o.

N�o sei. N�o sei o que estava pensando.

Luk�s, mam�e, Draha, todos morreram.

Major Vozenil, pol�cia.

Senhor Trebovick�, sou obrigado a lhe dar uma mensagem triste.

Seu filho foi v�tima de um crime e morreu.

Ele foi morto de maneira violenta. Sinto muito.

Meus sentimentos.

Preciso lhe dizer que h� razo�vel suspeita...

...de que sua esposa tenha cometido o crime.

Sr. Trebovick�.

Chame-os.

- Sr. Trebovick�. - Chame-os. Ligue para o 5...

Sr. Trebovick�, venha, sente-se.

Sr. Trebovick�. Sente-se, por favor.

Sr. Trebovick�. Vamos l�.

Vamos l�.

Sente-se, por favor. Sr. Trebovick�.

Vamos l�.

Sabe que n�o me deixaram ver Luk�s?

Que eu nem pude dar adeus a ele?

E depois a pol�cia me diz que foi Draha,

que ela ficou louca.

Acha que policiais comunistas falavam com voc�?

Eles vieram e disseram, "Sua esposa o matou."

"Ela confessou ao cometer suic�dio, e foi isso."

O qu�?

O pequeno Luk�s teve um funeral e nos disseram que Draha estava morta.

- Foi no dia do funeral de Luk�s? - Sim.

E n�o deixaram sua esposa participar?

N�o, eles a mantiveram trancada,

aparentemente para sua pr�pria seguran�a.

Fizeram um bom trabalho.

Realmente excelente.

Sr. Trebovick�, acredita que tenha sido sua esposa?

- Foi o que todo mundo disse. - Quem?

Todo mundo.

E disseram que ela havia confessado.

N�o, Sr. Trebovick�.

Sua esposa nunca confessou expressamente o crime.

Interpretaram o suic�dio dela como uma confiss�o.

Consegue se lembrar quem disse que sua esposa confessou?

N�o h� nada assim no arquivo.

N�o sei.

Todo mundo disse isso.

Ent�o est� dizendo que n�o foi Draha?

Seria uma conclus�o prematura.

Est� investigando de novo.

O caso est� encerrado. Estamos verificando conclus�es.

Sabe o que eu passei?

Todos esses anos...

N�o pude perdo�-la, nunca.

Se ela n�o fez isso, ent�o por que se matou?

Ela perdeu o filho, Sr. Trebovick�. Ele foi assassinado.

Ela simplesmente n�o suportou.

Por que ela n�o se defendeu?

Eu n�o conhecia sua esposa.

Luk�s estava morto, ela foi vista como culpada e desistiu.

- Desistiu? - Acho que sim.

Passei cinco meses no hospital psiqui�trico,

entrei em colapso por causa disso.

Eu tamb�m n�o fui ao funeral de Draha. Desisti.

Os policiais erraram tudo na �poca e agora voc� investiga de novo.

N�o, Sr. Trebovick�, eles fecharam o caso adequadamente.

Assassinato prescreve em 30 anos.

Ent�o por qu�? O que est� procurando?

Quero conferir se o veredito foi correto.

N�o foi correto porque Draha nunca mataria seu filho.

Agora mesmo voc� acreditava que ela tinha feito isso.

Sabe quem realmente odiava o pequeno Luk�s?

Magda.

Aquela adolescente malvada e ego�sta.

Incitava todos contra Draha o tempo todo.

Uma pirralha mimada, filha �nica, sabe como �.

E o pai dela, Ota,

meu irm�o mais velho, virou a fam�lia contra mim e Draha com suas conversas.

Que conversas?

Mam�e deu a mim e a Draha todo o dinheiro para dar a entrada...

...e um apartamento cooperativo.

Ele n�o p�de superar isso. O Oto. Ele era riqu�ssimo,

mas queria a sua parte, um ter�o do que mam�e recebeu com a venda.

Ele falava disso o tempo todo.

E a pirralha pegou isso dele.

Ela zombava e provocava o tempo todo.

Ela obviamente odiava o pequeno Luk�s.

T�nhamos medo de deix�-lo sozinho.

E a segunda sobrinha?

Lenka.

Uma imbecil.

Mas obedecia cada palavra que Magda dizia.

Mas Magda ainda era uma crian�a.

Uma crian�a muito m�.

Como acha que sua sobrinha fez?

Ela n�o havia ido �s compras com a av�?

Claro, n�s sabemos.

Sim, a madame foi �s compras.

Meu irm�o encobriu bem.

Ent�o nem voc� sabe disso?

Perd�o? O que ele encobriu?

Eles brigaram, a pirralha atrevida com mam�e.

Quero dizer, vov�.

Por causa do pequeno Luk�s, � claro. Ela fugiu.

E deixou a mam�e carregar as compras todo o caminho de casa sozinha.

Ela ficou l� por muito tempo antes de mam�e e Lenka chegarem.

Como ela pegou um atalho, ela passou pelo campo,

por nosso antigo jardim e entrou pela porta dos fundos.

Por que isso n�o est� nos relat�rios?

� o que estou lhe dizendo.

Meu irm�o mais novo. Ou a esposa dele, na verdade.

O nome Nat�lie Trebovick� significa alguma coisa para voc�?

- N�o. - N�o? E quanto a L�nov�,

Nat�lie L�nov�, nada?

Minha cunhada. A esposa do meu irm�o Ota,

Nat�lie era vice-presidente do comit� regional do partido.

Certo, meu irm�o se casou com uma comunista.

E que comunista!

Ela era o clone mental de Svorcov�.

Est� tentando que a esposa do seu irm�o interferiu...

...em um caso de assassinato por conta de sua posi��o no partido?

Ela estava l� quando o policial... Qual era o nome dele?

- Major Vozenil. - Sim.

Ela estava l� quando Vozenil interrogou Magda.

E ningu�m disse nada sobre Magda estar l� mais cedo.

- E como prova isso? - O qu�?

Que Magda estava na cena do crime mais cedo.

Sei porque meu irm�o me disse. O mais velho.

- Meu segundo irm�o, Krystof. - O pai de Lenka?

Sim.

Por que n�o mencionou isso no seu depoimento?

Porque descobri isso muito mais tarde.

E o que eu diria?

Eu pensei, todo mundo pensou que Draha havia confessado.

Voc� est� em contato com suas sobrinhas?

N�o.

E seus irm�os ainda est�o vivos?

E a sua cunhada?

N�o mais. Ela morreu por causa de diabetes.

Mas a esposa de Krystof, Pavla, est� viva.

Vou precisar do n�mero dela, Sr. Trebovick�.

Vai falar com a Magda?

Sim.

Ent�o espero que des�a a lenha naquela l�sbica maldita.

Perd�o?

Esse n�mero, Sr. Trebovick�.

Petr.

Petr.

Petr.

Petr.

Petr.

Meus sentimentos, Petr. Todos ficamos sabendo no trabalho.

Dizem no trabalho que aparentemente era seu...

Draha est� no hospital.

Eu estava s�...

J� dep�s � pol�cia?

Sobre o qu�?

Sobre quando veio trabalhar ontem.

Sabe que chegou �s 12h30 e n�o �s 11h30.

Pensei que seria melhor dizer que ele veio mais cedo.

Se os policiais descobrirem que menti, posso ter problemas.

Deus sabe se h� motivos para isso.

Ent�o s� quero saber se estou ou n�o em apuros.

Eu disse a eles 11h30.

Sim, est� bem.

�timo. Obrigado, Petr.

Espere, cara. Se precisar de qualquer coisa...

Eu s� queria te apoiar.

N�o tem um psic�logo forense no seu departamento?

Sim. Mas eu n�o confiaria em um psiquiatra homem...

...com menos de 30 anos.

� por isso que pergunta a uma solteirona sem filhos...

...sobre depress�o p�s-parto e psicose p�s-parto?

N�o, pergunto � melhor psic�loga que conhe�o, entende?

Aposto que conhece centenas.

- Vai funcionar, Kl�ra, vamos l�. - Vamos.

Esta depress�o decorre da incapacidade...

...de lidar com o papel de m�e,

da aparente incapacidade de cuidar de um beb�.

De exaust�o absoluta.

M�es querem renunciar,

desejam voltar para a vida que tinham sem um beb�.

Mas eu realmente n�o sei...

...se � comum tal depress�o levar ao assassinato da crian�a.

Tenho que consultar a literatura.

- Vamos l�, n�o pare. - N�o pare.

Eu pessoalmente vejo essa Trebovick�...

...como uma m�e excessivamente ansiosa, preocupada...

...que cuidar do filho n�o estava sendo como ela imaginava.

Mas isso � normal hoje, veja.

Da minha experi�ncia, muitas mulheres est�o frustradas com isso.

Especialmente devido � internet.

Tamb�m porque h� montes de livros sobre como ser uma superm�e.

Ent�o n�o acha que ela � uma assassina.

N�o. N�o sou psic�loga forense, mas acho que n�o.

E o suic�dio dela?

Nesse caso, o suic�dio n�o pode ser interpretado como uma confiss�o.

Vamos ver como essa mulher cometeria o assassinato.

Ela jogaria o beb� no ch�o,

ou o jogaria pela janela,

mas quem pensaria em cortar a cabe�a dele com uma serra de mesa?

Uma mulher assim sequer sabe usar uma serra de mesa?

Eu nem saberia como lig�-la.

Tinha que ser algu�m quem usasse a serra regularmente,

algu�m que soubesse como oper�-la.

Algu�m para quem ela seja uma coisa...

de uso comum, como uma...

...colher ou uma panela.

Qual seria o motivo para faz�-lo?

�dio furioso.

Acho que o assassino n�o tinha experi�ncia com crian�as pequenas,

pelo menos n�o t�o pequenas.

Isso explica o jeito como fizeram.

Como com um tronco de madeira.

Uma pessoa normal n�o pensaria nisso.

Para essa pessoa, ele n�o era um ser humano.

� assim que os sociopatas agem, desprovidos de empatia.

Jogam filhotes de cachorro na vala � beira da estrada...

...ou os colocam diretamente no lixo.

As crian�as simplesmente n�o s�o seres humanos para eles.

S� os veem como uma pilha de m�sculos e pele.

N�o...

Ele precisaria se livrar da crian�a porque isso a incomodava,

perturbava ou limitava de alguma forma.

A maneira como foi feito � importante.

Esse humano era insens�vel,

mas muito, muito eficaz.

A morte foi r�pida e bem pensada.

E na verdade tamb�m sem dor.

Um, dois segundos e acabou.

E ele poderia ir para casa.

Acabou de me fornecer o perfil do assassino.

Solu��o masculina t�pica. Direta.

Sem levar em conta as consequ�ncias.

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