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Original subtitles

Vão ser avós.

Quero esta criança.

Eu e a Lidia queríamos dizer-vos que vamos casar.

Que alegria, filho!

Román, isto é horrível. Não sobreviverei sete anos aqui,

juro que não.

Não podemos deixar a Maca lá dentro.

Tens uma nova família para cuidar. Deves concentrar-te nela.

Metemo-nos em algo muito perigoso.

Tens um problema

com aquilo de que gostas a dormir e quando estás acordada.

Decide-te porque estou a ficar farta de ti.

Fabio, ela tem problemas graves.

Como tem tanta certeza?

Ela inventou uma visita com um namorado que era quem lhe trazia a droga.

És uma reclusa e eu sou um guarda que tem nojo de ti.

Nunca te esqueças disso.

A Zulema vai fugir.

Se conseguirmos saber quando, apanhamos o Egípcio.

"Purifica a tua alma.

Fá-lo através da oração...

... e do fogo."

Ele disse-lhe para se imolar e ela fê-lo.

Sim, mas porquê?

Não. A questão não é "porquê", mas "para ir para onde".

A ambulância levará a Zulema de Cruz del Sur por esta estrada.

O Egípcio estará à espera algures.

Procurará um lugar remoto de onde possa controlar tudo.

Preparem-se.

- Que porra fazemos com o telemóvel dele? - Soltem-me!

- Soltem-me! - Deito-o fora?

Soltem-me!

Cala-te, cabrão!

O que estás a fazer, pai?

- O que foi? Cuidado, pai! - Soltem-me!

Pai, o que se passa?

É o teu coração?

Tira...

... os comprimidos do porta-luvas.

Não os encontro!

Cala-te, seu filho da puta!

Vou matar-vos!

- Não estão aqui. - Abram!

Filhos da puta!

- Não estão aqui. - Tirem-me daqui!

- Está bem. - Sacanas!

Tem calma.

- Soltem-me! - Pai, temos de ir às Urgências.

Não.

Soltem-me!

Temos de ir às Urgências.

- Está bem. - Pronto. Muito bem, pai.

- Já está, pai. - Não podemos ir assim.

Vou matar-vos, filhos da puta!

- Sacanas! - Põe-no inconsciente.

Põe-no inconsciente.

Filhos da puta!

Deixem-me sair!

Sacanas, vou matar-vos!

Vou matar-vos! Vou desfazer-vos a cabeça à pancada!

Juro, a próxima vai direta à tua cabeça.

Ferreiro, uma carta do teu advogado.

Olá.

Cabeça de vento, logo queres ir ao cinema comigo?

Vão dar Um Sonho de Mulher.

Não é dos meus preferidos, para ser sincera.

- E depois? Melhor ainda. - Vamos.

Sentamo-nos ao fundo e curtimos.

Saiam já daqui.

Vamos.

González Largo.

Foi pedida uma visita para esta tarde.

Que papéis são estes?

Vou apelar. Pelo ADN.

Vejamos aquele sacana negar que teve uma relação comigo.

Com isso, tem-lo na mão.

E o bebé...

Criamo-lo juntas.

Esta noite, o filme do mês: Um Sonho de Mulher...

- O que é isto? - Vão mostrar Um Sonho de Mulher,

um exemplo para as prostitutas. Aqui, todas adoramos o filme.

- Vou escrever esta carta. - Ouve.

Falo a sério sobre o bebé. Podemos criá-lo juntas.

Sim. És o pai perfeito.

Até sou melhor que o pai verdadeiro.

É verdade.

Eu sei. Vemo-nos às 20 horas. Aperalta-te.

Fofa, vem comigo.

Vamos.

Eu faço isso.

- Doutora? - Ela teve muita sorte.

Não há danos nas terminações nervosas e as queimaduras não foram profundas.

- Parece mau, mas não é grave. - Está bem.

A reclusa tem de ficar aqui ou pode voltar para a prisão?

Não, tem mesmo de ficar uns dias na unidade de queimados.

Para começar, temos de a tratar três vezes por dia, pelo menos,

para evitar potenciais infeções.

- Tente não se mexer, está bem? - Sim, Doutora.

Sai.

Sabemos que fez isto para tentar fugir.

Julga que eu faria isto a mim mesma?

Sim.

Sobretudo após termos interrogado a María Prieto, ou Casper.

Ela disse-nos que a forçou a imolá-la.

O que esperava?

Que ela confessasse e aumentasse a pena dela?

Estes anos todos...

... e ainda não vê as mentiras que as reclusas lhe contam.

Vou pessoalmente fazer

com que cumpra toda a merda da sua pena.

Noto ressentimentos.

Não se devia ter apegado tanto ao chinês.

São sempre os primeiros a cair.

Não vê filmes?

Ouça, sua cabra.

Há dois carros-patrulha em cada porta do hospital.

Seis agentes neste andar e três à sua porta.

O cabrão do seu namorado não deve tentar nada estúpido.

Sr. Castillo.

É ainda mais bonito a coxear.

Vais ficar aí o dia todo ou fazer algo útil?

Merda, Valbuena.

O meu namorado saiu da prisão e vem ver-me hoje.

Não sei se está limpo.

Não é bonito?

Quase parece uma merda de filme de Natal.

Vai escovar os dentes. Anda.

Pode descrever os sintomas?

Dói-lhe o lado esquerdo

e diz disparates, como se não raciocinasse.

- Vamos levá-lo para dentro. - Tem uma cardiopatia.

Tem um bypass.

Calma, pai. Tudo vai ficar bem.

Leva-no daqui, para a garagem.

Vamos.

Román, querido, é a quarta vez que te ligo e não atendes.

Liga-me assim que puderes. Estou muito preocupada.

Anabel Vila Roig Garcés, 37 anos.

Proxenetismo e coerção. Venda de drogas.

Não tive absolutamente nada que ver com a alegada fuga da Zulema Zahir.

Nunca tive uma briga com a Zulema.

Ela vive a vida dela e eu a minha.

Temos de ter as costas protegidas, mas...

... tenho as minhas amigas.

Não sou a líder de um bando.

Não magoei a Zulema.

Se estivesse envolvida, ela teria sido queimada da cabeça aos pés.

Sim, é uma brincadeira. Claro.

Senta-te.

Então, a Zulema tratou da dívida da Macarena porque ia fugir.

Ela é uma cabra esperta, não é?

Até ela me pagar o que deve, serás minha.

Não, já não sou da Zulema. Agora, sou livre.

Sim.

Vais ser minha.

E sabes porquê?

Porque é melhor seres minha...

... do que de S. Pedro, lá em cima.

Não é assim, fofa?

Vejamos o que posso fazer por ti.

Olha para mim. Abre a boca.

Mais.

Aperta.

Fabuloso.

Vês?

Agora, todas sabem que és da Anabel.

Estás novamente segura, querida.

Virei procurar-te se precisar de algo.

"Meritíssimo,

escrevo-lhe para lhe pedir que me permita fazer...

... um teste de ADN fetal,

como é necessário para a minha defesa."

Loirinha, logo é noite de cinema!

O filme é sobre a vida da Anabel. Vi-o antes de Bambi.

Um Sonho de Mulher é bom, não é?

- Sim. Um conto de fadas. - Exato.

Se todos os que procuram putas fossem como o Richard Gere,

não haveria donas de casa.

Nem sequer ministras. Seriam todas putas.

- Podemos fazer outra fila atrás. - Mas aqui,

os espanhóis medianos que procuram putas seriam...

Os que pagam para uma foda são normalmente os feios.

Daí ser a profissão mais antiga do mundo.

Sempre houve feios.

Sabes que mais, Anabel? Quero lá saber quem eram os teus clientes.

Ajuda as tuas colegas reclusas e cala-te.

Está zangado porque sabe que tenho razão, não é?

Chega. Vens comigo.

Vou dar-te um aviso por desrespeito.

Já são oito. Aos dez, vais para o isolamento.

- Mas porquê? - Cala-te, Antonia!

Puta!

Pensei que eras hetero.

Tu e a Caracóis eram só amigas, mas não conseguiste evitar.

- Saray, por favor, acalma-te. - Percebi na enfermaria

que a fodeste. - Não fodi ninguém.

Não grites comigo, Saray.

Far-te-ei comer esta cadeira, cabra!

Cadeiras a voar.

Um televisor de 56 polegadas partido.

Quem começou e porquê?

Quem pensa que somos?

Umas malditas bufas?

Além disso, passei a tarde a perguntar pela Zulema e ninguém me responde.

Está no hospital. É tudo o que te podemos dizer.

Macarena, o que aconteceu?

Estávamos a resolver uns problemas pessoais,

que não vêm ao caso.

O problema é que és uma puta.

Podes parar com o desrespeito?

Ela é que me desrespeita. Anda a fazer-se à minha namorada.

Cala-te! Tem respeito e aprende a dialogar.

O seu marido não foi dar uma longa volta?

Vejamos como fala

quando vir a puta com quem ele foi.

Podes levantar-te, Vargas? Por favor.

Sabias que, a 16 de agosto de 2015, terás cumprido 50 % da tua pena?

Nesse dia, iremos reunir-nos com a comissão de liberdade condicional

para te avaliar e decidir se te concedemos ou não saída precária.

Quero que saibas que, a partir de hoje,

o meu relatório não será a teu favor.

Passarás mais três meses com a tua pena inalterada.

O que achas disso?

Tens algo a acrescentar?

Ótimo, senta-te.

Muito bem. As duas farão trabalho comunitário.

Começam hoje, vão pintar a sinalização do pavilhão 2.

- A sinalização? - As linhas amarelas.

Falem sobre isso e resolvam as diferenças.

Porque o mais pequeno confronto conduzirá ao isolamento.

Não por três, mas por dez dias. Entendido?

Saiam.

Diretora, as minhas amigas querem ver Um Sonho de Mulher.

É importante para elas. O televisor será substituído hoje?

O orçamento está esgotado.

Os filmes ficam suspensos até nova ordem.

- Não, por favor. - Não fui eu que atirei a cadeira.

Devias ter pensado melhor.

Vamos.

Solta-me, filho da puta!

Cala-te!

Se continuares a gritar, juro que te dou um tiro.

Tenho de parar a hemorragia.

Vou matar-te.

Vou matar-te a ti, a tua mãe,

o teu pai, a tua namorada,

a tua filha...

- Román? - Mãe?

O que se passa? Porque gritavas?

Mãe, ouve. Preciso de te dizer algo.

O pai teve um enfarte.

Que raio foi aquilo? Pintar a sinalização?

É um castigo escolar?

Se acha que mão pesada é um meio de reabilitação melhor,

aplique-a quando for o diretor.

Mas, entretanto, mostre respeito.

O mesmo que elas têm por si?

Entre.

Diretora, a estação de rádio telefonou. A entrevista é às 19h30.

Que entrevista?

É para o programa da Julia Otero.

Querem saber as vantagens do modelo privado.

Há muitas vantagens. Palacios, sabias

que, depois de uma luta, não tens intervalo nem sobremesa?

Olhe.

Fabio, quem impõe os castigos sou eu

e penso em cada reclusa.

A Saray é a conflituosa.

Prefiro que passe mais tempo com a Macarena do que com a Zulema.

- Talvez a influencie. - Ela é desequilibrada.

Sabe o que ela aprenderá?

A mentir e a manipular, é o que a Ferreiro lhe ensinará.

Tem algum problema com a Ferreiro?

Nenhum.

- Pintar coisas é fixe. - Com a Saray?

Ela não tardará a armar confusão.

Tens de aprender a ripostar. Está bem?

- Tens medo e não reages. - O que queres que faça?

Bate na primeira que se meter contigo. Com força.

Tentei evitar isso a vida toda. Não vou começar agora.

Olha, isto não é o liceu. Estás na prisão.

Cinco anos e dois meses.

Filhos de uma grande puta.

Mas já te deram a sentença.

Quatro anos por proxenetismo e coerção e dois anos por vender drogas.

E, agora, tráfico de seres humanos.

Aguenta-te.

Deixa-me ver.

Dei-lhes 4000 euros adiantados para virem da Bulgária de avião.

E agora que estão cá, armam-se em espertas.

"Não sabíamos", disseram aquelas cabras de merda.

Disseram que não expliquei.

Então, vendi-as.

A quem as vendeste?

A um tipo da Arábia Saudita.

Tens metadona ou algo parecido?

O Fumaça vem ver-me hoje e quero estar bem.

Que boa notícia!

Tens de mudar de visual, estás... Tens de ficar bonita.

- Então, tens? Preciso muito. - Claro, querida.

- Ótimo. - Mas não preferias cavalo?

Recebi um bom lote de heroína.

A mais pura que já consumiste.

Não posso. Quero limpar-me.

Tens a certeza?

És o quê, surda?

Não a ouviste dizer que não quer?

És uma cabra demoníaca.

É tão bom saber que queres ficar limpa.

Sim.

O Fumaça foi preso antes de ti?

Ao mesmo tempo, lembras-te?

Eu e o Fumaça fazemos tudo juntos. Fomos presos juntos,

levámos um tiro juntos,

só fodemos um com o outro. - Certo.

Estás bem? Está tudo bem.

Tere, estás bem?

- Tere. - Ela não está bem.

- Queres água? - Não, estou bem.

Toma. Oitenta euros.

Por três?

Merda. Toma.

Parece que fizeste as amigas felizes.

Alto lá!

- O que foi? - Não bebas da minha garrafa.

Chega!

Voltas a tocar-lhe e dou-te uma tareia.

Atenção ao teu génio...

... ou arrepender-te-ás.

FERIMENTO DE BALA

"Uma bala alojada no corpo

pode causar desidratação, hemorragia interna

e infeções graves.

É essencial parar a hemorragia e remover a bala.

Se estiver alojada no osso,

após cinco horas, está sujeito a infeções, causando gangrena.

Em muitos casos, a hemorragia é a causa de morte.

Mais de 40 % de perda de sangue pode causar uma situação irreversível."

Como estás, querido?

Aguardamos há horas e não há notícias.

Eu sei.

Disse-lhes que sou enfermeira, mas não me deixam passar.

Família de Leopoldo Ferreiro?

Sim, somos nós.

- Anda. - Vai, mãe. Vou já.

Não me demoro.

QUANTO SANGUE HÁ NO CORPO HUMANO?

"A quantidade aproximada para uma pessoa de constituição normal

é de cerca de cinco litros de sangue."

Román.

Ele não teve um enfarte.

Teve um AVC.

Ele não fala.

Acalma-te, mãe.

Só sabem se vai recuperar bem daqui a algumas horas.

Vou a casa buscar o pijama e os produtos de higiene pessoal dele.

Como assim, filho?

Estou a dizer-te que o teu pai tem um coágulo no cérebro.

- Não sabem o que acontecerá. - Eu ouvi-te, mãe.

Mas sabes como o pai é.

Devemos tentar tornar as coisas mais fáceis, sim?

Desculpem. Vamos levá-lo para os cuidados intensivos.

- Podem ir vê-lo. - Obrigado.

Anda.

Não demoro, mãe.

Juro que não demoro.

Desculpa... puta.

Qual é o teu problema?

Não suporto raparigas como tu.

Estás a rir-te de mim?

Onde está a graça, porra?

A Caracóis não te deixou por mim. Foi porque não te ama.

Deixou de me amar quando chegaste.

A sério? Ela estava contigo quando cheguei?

Saray, procura alguém que te faça feliz.

Se tens algum problema, é contigo mesma.

A exibição do filme desta noite foi cancelada.

Repito, a exibição do filme desta noite foi cancelada.

Ouve lá, cabra. A culpa é tua. Sabes disso, certo?

E agora? Não podemos ficar sem televisor.

Antonia, foi um acidente.

Sabes quanto tempo esperámos por aquele filme?

Sim, eu sei, e lamento.

E então?

- Arranjas-nos um televisor? - Não é importante.

É a loirinha!

Queres ver o filme?

Vou trazer um televisor, para veres a merda do filme.

Nunca me toques, porra!

O que fazes, Ferreiro?

Calem-se!

É melhor que o faças.

Cala o raio da boca!

O que aconteceu? Estás bem?

Importa-se?

Nem por isso.

Então, largue-me.

Fabio.

Vamos, Fabio.

Porque estavas a segredar?

Aquela rapariga é tão estúpida. Irrita-me.

Irrita-te? Eu vi-te, Fabio.

Ias fodê-la, no outro dia na capela.

Tiveste sorte por ter sido eu lá ou estarias desempregado.

- Ou preso. - Eu sei.

As coisas mudaram muito.

- O quê? Como foi que mudaram? - Está bem.

Agora são um casal? Tiveram uma discussão?

É espantoso.

Antonio, ela é desequilibrada. Ouviste?

- É uma puta mentirosa. - Claro.

Não quero saber dela.

Para quem não quer saber, estás muito chateado.

Deixa-me em paz.

- Bata-lhe, Palacios. - Meto-te no isolamento.

María Prieto Téllez, 25 anos.

Eu desconhecia o plano da Zulema de fugir da prisão.

Eu precisava dela e, às vezes, ela precisava de mim.

Aqui todas precisam de proteção.

Quando me mandam fazer algo, não faço perguntas.

Ela pediu-me para o fazer, por isso, fiz o que me foi dito.

- Olá. - Olá.

Ela vai ter de se despir. Importam-se de esperar lá fora?

- Levará cinco minutos. - Faça-o em três.

- Conseguiu descansar? - Não.

Muito bem. Vou tratar de si, sim? Cuidado.

Devagar.

Isso mesmo, cuidado.

Agora, volte a deitar-se, lentamente.

Vamos ver como estão estas bolhas.

Vejamos.

- Vou fazê-lo lentamente. - Certo.

Diga-me se a magoar.

- Assim está bem? - Está ótimo.

Pronto. Diga-me se sentir algo.

Dê-me o seu telemóvel.

Dra. Arriaga Sanchís.

Já!

- Hanbal. Onde estás? - Desculpe?

Estou? Quem fala?

Sou a esposa do Leopoldo. Ele não pode vir ao telefone.

É urgente. Quando posso falar com ele?

Olhe, menina, o Leopoldo está no hospital.

Desculpe, mas é tudo o que posso dizer.

Compreendo. Que hospital?

O de Torrejón. Quem fala...

Apague a chamada.

Agora.

Estes ferimentos...

Doem-me muito. Fi-los a mim mesma.

Imagine o que lhe poderia fazer a si e à sua família.

Far-lhes-á um favor não falando.

Não direi nada.

Se disser, procuro-a.

Arrancarei tantos órgãos que, embora seja médica,

não os conseguirá distinguir.

A dor...

Continue a tratar-me...

... Dra. Sanchís.

És estúpida?

- Nunca me apercebi. - De que te ris?

Um verdadeiro Power Ranger.

Power Ranger? Levanta-te. De pé.

Mas, Valbuena, estou bem.

Sua palhaça, de que falas?

Vais limpá-lo com o teu cabelo.

Está a gozar?

Pareço estar a gozar?

- Filho da puta. - Se eu quisesse, limpavas-me o pénis.

Largue-me!

- Foi sem querer. - Sim?

Eu vi. Largue-a.

Quem vai acreditar em ti?

Ninguém.

Mas há aqui três câmaras.

És esperta, Ferreiro.

Mas não te esqueças, não há câmaras em todo o lado.

Merda. Fomos a Marrocos.

Na verdade, foi a única viagem que fizemos.

Parecemos ótimos, não?

Que porra, foi há apenas quatro anos

e vejam-me agora.

Se me tivesses visto antes de vir para cá,

perguntar-te-ias: "Que bucha a comeu?"

- Tere, ele vai adorar, sabes? - Está bem.

Vais ficar sensual.

- Não, uma brasa fumegante. - Em chamas.

Ele terá uma ereção mal te veja.

- Fixe. Ele tirará um olho. - Os dois olhos.

- Ambos. - Ele vai cegar-te.

Quem sabe em que estado está ele.

Na prisão de Topas, ele consumia o que arranjasse.

Depois, em Alcalá Meco, ele estava muito mal. Agora, não sei.

Vais estar espantosa e isso vai ajudá-lo.

Sim, é o que quero. Mostrar-lhe que ainda podemos sair.

Está bem. Onde começo com esta cara?

Que tal a tua monocelha?

Porra, se as tuas sobrancelhas são assim, como é lá em baixo?

- C'um caraças, Tere. - Parece uma montanha.

Não está preparada para um biquíni.

Deixa lá, não é uma visita conjugal. Resolveremos isso para a próxima.

Por aqui, querida. Não vejo nada.

- Procura a sombra castanha. - Não está aqui.

Ouve.

Não te quero dever...

... por isso, vou só avisar-te.

Se não arranjares o televisor, elas vão perseguir-te.

Mas é só um televisor estúpido.

Ainda não compreendes como funcionam as coisas na prisão.

Primeiro, é sempre algo estúpido.

Um maço de cigarros que não é devolvido,

um tabuleiro derrubado,

um televisor partido em noite de cinema.

Então, essa coisa estúpida irrita alguém.

E assim começa.

Elas viram gente contra ti, mentem,

metem ideias na cabeça das pessoas.

Conheces o jogo do telefone?

É assim, mas com filhas da puta.

Por fim...

... aqui, as pessoas aborrecem-se.

E influenciam as outras.

No fim, só querem partir-te as pernas.

Não importa porquê. Elas não se vão lembrar.

O que devo fazer? Como arranjo um televisor?

Não sei. Tens uma mãe...

... com dinheiro, certo?

- Um donativo. - Claro.

Obrigada.

Não. Como assim, "obrigada"? Estamos quites.

Não somos amigas. Nem agora, nem nunca.

Se me disseres quem posso ou não amar, tiro-te a alma.

Sinceramente!

Amarei quem eu quiser.

Inspetor.

Estou a preparar a alta da Zulema Zahir.

- Preciso da sua autorização. - Vai deixá-la ir?

Sim. As queimaduras não são tão graves como pensávamos.

Pode assinar, por favor?

Espere lá, Doutora.

Insistiu que a Zulema precisava de ficar aqui alguns dias.

Agora, não há motivos para ela estar aqui.

Não era o que queria, levá-la de volta?

Qual é o problema?

Acho que se passou algo que não me está a dizer.

Não, está enganado. Não aconteceu nada.

O seu diagnóstico mudou após a tratar?

O que é isso no seu pescoço?

- O que aconteceu ali dentro? - Já lhe disse, não aconteceu nada.

Está bem, se não me pode dizer aqui, terá de o fazer na esquadra.

Ela ameaçou-me. Tive de lhe dar o meu telemóvel.

- Dê-mo. - Ela obrigou-me a apagar a chamada.

Localizaremos o número, não se preocupe. Anote o seu número, por favor.

De que se lembra? Disseram algo?

Ela falou em árabe, depois em espanhol.

Alguém estava no hospital. Foi muito breve.

Jalapeño, liga para a esquadra.

Eles têm de seguir a chamada

e localizar o hospital mais próximo do sinal onde receberam a chamada.

É para já.

Daqui a 30 minutos, falaremos com a próxima convidada,

Miranda Aguirre Senén, diretora da penitenciária Cruz del Sur...

Sole! Adivinha quem vai estar na rádio.

- A diretora. - Olha.

Muito bem, rapariga!

- Estás linda, Tere. - Vês?

Devias estar sempre assim.

Estás tão linda, que o Fumaça te pedirá em casamento.

- Mamas perfeitas. - Lindas.

Sorri. Os teus lábios estão ótimos.

A sério.

Meninas...

Merda.

Foda-se.

Merda, sinto-me muito mal.

Deixa lá, querida. Refaremos a maquilhagem, não custa nada.

Claro. Em cinco minutos, estarás tão linda como antes.

O telemóvel é de um tal Mohamed Outhmani.

É uma identidade falsa.

Provavelmente uma das muitas usadas pelo Egípcio.

Onde estava o telemóvel quando a Zulema ligou?

O sinal corresponde ao Hospital de Torrejón.

Preciso de uma lista do pessoal, dos médicos e dos doentes.

- Posso obtê-la. - Perfeito.

Vê se fecham todos os acessos e isolam o Hospital de Torrajón.

Aqui tem uma lista dos doentes. Obterei uma lista do pessoal.

AVC

Não acredito.

O Leopoldo Ferreiro foi admitido de urgência após sofrer um AVC.

No hospital para onde a Zulema ligou.

Que raio se passa?

Olá, daqui Román. Deixe mensagem.

Román, sou eu, a Maca.

Não enlouqueci,

mas preciso de um televisor de casa para a prisão.

Hoje, é urgente.

Vão mostrar hoje Uma Mulher de Sonho.

Por favor, liga-me logo que possas.

Parece estúpido, mas não é. É importante.

Por favor, liga-me logo que possas. É urgente.

Beijos.

Quatro, um.

Palacios.

- Está tudo bem, Ferreiro? - Sim.

Bem, não. Quero trazer o televisor da sala de pessoal.

Só para um filme.

- Por duas horas. - Não. Vai-te embora.

Não estou a falar consigo. Deixe-me falar só com o Palacios.

- Não. - Porque não?

Há futebol?

- Não é possível. - Por favor.

Elas estão ansiosas pelo filme. Prometi que traria um televisor.

Por favor, Palacios.

Por favor! Pare e ouça-me.

Se eu não trouxer o televisor, elas batem-me.

Não, não e não. Estamos entendidos?

Partiste o televisor numa luta. És estúpida?

Vamos.

Tenho de remover a bala. Se não, morres.

Mas preciso de te tirar daí.

Loirinha!

Vem para o pátio. A diretora está na rádio.

Porquê?

Não sei.

Para dizer que este é um lugar fantástico, suponho eu.

No exterior, matam, roubam, traficam,

mas mal chegam aqui, todas melhoram.

Anda.

Arranjas um telemóvel?

De onde?

Das caixas pessoais das Admissões. Tens um turno hoje.

Há sempre câmaras focadas em mim.

Se quiseres mostrar-lhes as mamas para os distrair, ajudo-te.

Lamento muito.

Passei muito tempo no isolamento.

Lamento.

Não te preocupes.

Como está ele?

Está a melhorar com a medicação,

mas só podemos avaliar a recuperação dele daqui a 24 horas.

Desculpe, Doutor. Ele está sozinho? A família dele sabe?

Passaram a tarde aqui, mas saíram há bocado sem dizer nada.

Obrigado.

Não saias do lado dele. Diz-me se alguma coisa mudar.

E você, não saia daí.

Esta é uma prisão privada.

É proibido levar para lá bens pessoais

ou usar roupa que não seja do centro.

Joias, chaves,

carteira, telemóvel.

Tudo no tabuleiro, por favor.

Muito bem.

Desculpe.

Esqueci-me de desligar o telemóvel.

Isto é para ti.

Esqueci-me de desligar o telemóvel.

Passa-se alguma coisa?

- Quanto tempo te deram? - Três anos. Porquê?

Três anos? Não te preocupes, daqui a três anos, estará desligado.

- Toma, isto é para ti. - Próxima.

Tens de beber algo.

Olá, querida. Desculpa não te ter ligado. Tenho estado muito ocupado.

- O que se passa? - Olá, Román.

Olá, amor.

Hoje recebi as notas. Queres que tas leia?

Claro. Como podia não querer?

Tive 7,5 em Arte.

Muito bem. Isso é fantástico. Parabéns.

Um oito em Tecnologia de Design.

Isso é quase perfeito.

- Fantástico, ótimo. - Sim!

Mas um cinco a Ginástica.

O importante é que passaste. Não te preocupes, Lucía.

Só tens de melhorar um pouco.

Este verão, podemos praticar na praia.

Fixe!

Lucía, o meu chefe está a chamar-me. Diz à mãe que ligarei mais tarde.

- Adeus. - Pronto.

- Adoro-te, Román. - Adoro-vos às duas. Adeus.

Román.

Estás em casa?

Vou já, mãe. Estou a ir.

- Román? - Só um minuto, mãe.

Vou já!

O que fazes aqui?

O pai está bem?

Senta-te.

Eu perguntaria ao teu pai...

... mas ele não pode falar.

Sabes decerto a resposta, seja como for.

O que é isto, Román?

Olha para mim. O teu pai tem dois telemóveis porquê?

Não sei.

Porque saíste com tanta pressa?

Não saí à pressa.

Vim buscar as coisas do pai.

Vais dizer-me o que se passa nesta casa,

onde está o dinheiro da família, as balas, a espingarda, tudo.

Ou ligarei à Polícia.

- Polícia. - Mãe, por favor.

Estamos em apuros, mas é para ajudar a Maca.

Vou contar-te tudo porque não sei o que fazer.

Inspetor Castillo. Abram, por favor.

- Boa tarde. - Boa tarde.

Sou amigo do Leopoldo. Preciso de falar convosco.

Queria-lo, tem-no.

Obrigada.

A minha recompensa?

- Que recompensa? - Não sei.

Uma foda?

Caracóis, não te vou foder só porque me fizeste um favor, ouviste?

- Estou só a brincar. - Que engraçada.

Toma.

És tão provocadora. Dá-me o telemóvel.

Podes dar-mo?

Sinto-me bem, por isso, troco-o por um beijo.

Enfia o telemóvel no cu.

Se te der um beijo, é porque quero.

Estamos entendidas?

Pronto, não fiques toda altiva.

- Tive de tentar. - Tudo bem.

Não te atreverias.

Toma, leva o estúpido do telemóvel.

Obrigada.

Portão quatro, dois.

Passa, mulher bonita. Vai.

O quê? Aperaltaste-te para o teu namorado?

Deixe-me em paz, Valbuena. Estou de bom humor.

Já te disse que nem muito pedrado te papava.

Senta-te.

Como vai isso, Tere?

Estás lindo.

- Arranjaste os dentes? - Sim.

Logo após sair da prisão.

Vivo num apartamento com uma assistente social.

E vou fazer os meus exames.

- Sim? - Como querias.

Estou tão feliz por te estares a sair bem.

Veremos.

Seja como for, nada é como antes.

Igualmente. Vê as minhas unhas.

Nem uma merda.

Quando tiver uma saída precária,

também arranjarei os meus dentes e iremos à ópera.

Se não quiseres ir à ópera, iremos a um concerto de rock.

O que se passa, querido?

Tornaste-te gay?

A assistente social diz que...

... se me quiser manter limpo, tenho de largar

tudo da minha vida antiga.

Tenho de começar de novo.

Então...

... não te preocupes. Começaremos de novo. Juntos.

O que te interessa agora?

Pop...

Não, Tere. Não iremos começar de novo.

Irei eu.

Eu. Sozinho.

Fumaça, por favor.

Chamo-me Alfonso.

Está bem.

Alfonso.

Alfonso, ouve-me.

Também já estou limpa.

Ouviste? Podemos começar de novo. Juntos.

O que é? Tens um caso com a assistente social ou o quê?

Não é isso, Tere. Não me lixes.

Está bem, ouve-me.

Olha, uma coisa... Espera só um segundo.

Faltam-me seis meses, no máximo.

Tenho quatro trabalhos apalavrados, sabes?

Saímos, começamos de novo. Conversamos, vemos o que acontece.

Alfonso, sinceramente...

- Lamento muito. - Não digas isso.

- Não há nada de errado. - Desculpa.

Amor, espera.

Vamos.

Antonio, ouve-me, caraças!

Não te atrevas a entrar ali. Ouviste?

Não podes pedir à diretora para voltar a pôr o televisor.

Vou dizer-lhe que trarei um da minha casa.

Também vais impedir isso?

As reclusas precisam de castigo, não de recompensa.

As reclusas ou a Macarena?

Parece que, ultimamente, só queres lixar a Macarena.

Deixa a Macarena fora disto. O que tens com ela?

- O que tens tu? - Eu? E tu?

Guardas rancor e estás a ser injusto.

- Sabes porquê? - Não sei, nem quero saber.

- Porque ela te rejeitou na capela. - A sério?

- Sim, e sabes que mais? - O quê?

Não só vai contra as regras, como é nojento.

Não consigo parar de pensar na Carolina

e que o meu melhor amigo é um idiota

que baixa as calças pela primeira rapariga que lhe aparece.

Sabes o que é o pior?

Ela ainda te daria outra oportunidade.

A ti, o homem mais indesejável do mundo.

O que estão a fazer?

Estou a meio de uma entrevista.

Entrem no meu gabinete.

Sim, é sem dúvida um modelo pioneiro em Espanha.

Eu esperava que estivessem no hospital com o Leopoldo.

Tive de vir a casa buscar umas coisas.

Estivemos lá,

mas temos de esperar para saber a extensão do AVC.

Como aconteceu? Ele estava sozinho?

Estávamos no carro e, de repente, ele sentiu-se mal.

Aonde iam?

Comprar adubo e coisas para o jardim.

É um pouco longe, não é?

Não podem comprar adubo mais perto?

Vim cá no outro dia e encontrei esta bala.

Ela foi disparada nesta casa.

Nesta sala.

- Um tiro aqui? - Sim.

Aqui. Contra esse sofá.

- Aqui? - Levante o cobertor, por favor.

Bateu naquela parede.

Fizemos uma análise de balística.

A bala veio da mesma arma que matou a Paloma Garrido,

uma funcionária em Cruz del Sur

e um polícia.

Pertence a Hanbal Hamadi, também conhecido como Egípcio,

um assassino internacional procurado pela Interpol.

Mas porque dispararíamos nesta casa?

Digam-me vocês.

Preferem que eu o faça?

Faça favor.

O Egípcio pode ter vindo aqui à procura de algo que vocês têm.

Uma pista para os nove milhões de euros.

Ou talvez dinheiro desenterrado. Algo o assustou.

Um ruído, ou assim, e ele disparou.

Está correto?

Sinceramente, não sei o que dizer, Inspetor.

Tudo bem.

Entreguem-me todas as armas.

Segundo a licença do Leopoldo, ele tem um revólver .38 e uma espingarda.

Sim, o revólver está lá em cima.

Acho que está na garagem. Eu vou, não te preocupes.

Não.

Deixe a sua mãe ir. Quero falar consigo a sós.

Aqui está.

Qual é a diferença entre uma prisão privada e uma pública?

Posso garantir que as nossas medidas de reeducação e reabilitação

são um autêntico êxito.

Desculpe, Miranda. Alguém quer dar a opinião.

Com certeza.

Sou a Macarena Ferreiro, uma reclusa em Cruz del Sur.

Isto é uma surpresa.

Maca? Meu Deus, é ela.

O que quer dizer?

Esta manhã, atirei uma cadeira e parti um televisor numa luta.

Sim, de facto. A Macarena é um bom exemplo porque está a fazer serviço comunitário,

em vez de ir para o isolamento.

Aceito o castigo, mas não é justo

que todas paguem pelo meu erro.

É a cabra manipuladora de que lhe falei.

Procure-a e cale-a.

Esse televisor é tão importante porquê?

Porque, esta noite, vão mostrar Um Sonho de Mulher. E...

... é muito popular.

Quanto a mim, nunca gostei do filme, mas...

... hoje, percebi

que não importa se somos prostitutas...

- É proibido correr, chefe. - Cala-te.

... traficantes,

vigaristas ou janadas.

Onde está ela?

Todos precisamos de acreditar que alguém virá

tirar-nos da lama...

... e dar-nos uma oportunidade.

Não é justo que todas paguem pelo meu erro.

Diretora, e o bem maior?

Onde está a boa vontade de que sempre fala?

Ou vai dar-me de comer aos leões?

Não!

Acabou-se, sonho de mulher.

Cara de anjo, alma de diabo.

Vai levar-me para o isolamento?

Olhe, Julia, não sou eu que mando...

... são as regras.

Não. Foi o que pensei. Quer saber porquê?

Porque, no fundo, algo lhe diz que está errado.

A Macarena tem razão.

Aqui, tudo é exagerado. O bom e o mau.

Daí as regras serem necessárias,

elas fornecem um ponto de referência.

Um dia, irá pedir-me desculpa por me tratar injustamente.

Cala-te! Mexe-te.

Devido às regras,

é-me impossível dar-lhes um televisor esta noite.

O meu carro?

Deixei-o estacionado na baixa

e, por várias razões, não pude ir buscá-lo.

Onde o estacionou?

Não sei a rua exata, mas foi na baixa.

Há quanto tempo?

Há cerca de um ou dois... Há dois ou três dias.

Acho que foi há mais tempo.

Foi encontrado num terreno baldio.

Socorro!

Parece mesmo que foi roubado, não é?

Porque não o comunicou?

Porque não sabia.

Porque cancelou o seu telemóvel?

Perdi-o. Veja, tenho um novo.

Está aqui.

- Onde o perdeu? - Não sei.

Se eu soubesse, não teria sido perdido.

Foi encontrado no terreno baldio onde estava o carro.

Está bem.

Então, creio que o deixei no carro.

Certo, e o ladrão perdeu-o.

Ou livrou-se dele por não ter saldo.

Se não ia comunicar o carro ou o telemóvel,

porque estava na esquadra

a prestar esta declaração que nunca assinou?

Inspetor.

Aqui está a arma.

Ponha-a na mesa, por favor.

Não sei onde está a espingarda.

Querem dizer-me algo mais?

Não.

Quer um café, Inspetor?

Não, obrigado. Tenho de ir.

Está bem.

Volto a perguntar.

- Têm algo a dizer-me? - Não. Temos?

Não sei o que quer que digamos.

Certo, dir-vos-ei o que acho.

Acho que o Egípcio vos ameaçou.

Acho que disparou dentro da vossa casa e não fazem queixa dele

nem auxiliam a investigação porque têm medo.

Não têm armas. Só eu vos posso proteger.

Se me disserem o que sabem, garantirei a vossa proteção.

O vosso testemunho pode ajudar todos.

Sobretudo, o seu.

- Pense nisso. - Obrigado.

Ligue-me.

Mãe, preciso da tua ajuda.

Eu sei.

Senta-te, por favor.

Obrigada, mas estou bem assim.

Se me vai castigar por causa da rádio, lembre-se

de que, neste país, temos liberdade de expressão.

Eu só disse a verdade.

- Não é isso. - O que é, o telemóvel?

Não me importo que me meta no isolamento.

Macarena, todos tivemos um dia complicado,

mas preciso que te sentes. Só por um minuto.

Não compreende o que se passa.

- Não faz ideia. - O Inspetor Castillo ligou.

O teu pai teve um AVC.

Não fala, mas terão de esperar 24 horas

para avaliar os danos.

Os médicos esperam que ele reaja bem ao tratamento.

Deixei uma mensagem aos teus pais para te ligarem o mais cedo possível.

Macarena, se pudermos fazer algo por ti...

Posso ir ao hospital?

Não.

Posso parar de pintar?

Claro.

Ouve lá, cabeça de vento. O televisor?

- Adeus, Antonia. - Adeus.

És surda?

Onde está o televisor que nos prometeste?

Está aí alguém? Onde está o televisor?

Deixem-me em paz!

E agora, puta?

Inspetor Castillo.

Estamos a iniciar a transferência.

Está bem.

GUARDA CIVIL

NO PRÓXIMO EPISÓDIO

Diretora, este ano, o Natal chegou cedo.

Seu filho da puta!

Não sabemos que porra se passa!

As decisões tomo-as eu!

Diz-me, avô

O que vais fazer?

Continuar atrás do dinheiro Ou salvar a vida do pequenino?

Que bela confusão orienta aqui, Diretora.

Se soltares o Egípcio, acabou-se!

Legendas: Ana Paula Moreira

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