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::::: VICIADOS LEGENDAS :::::
Orgulhosamente apresenta:
O BAR�O DO TERROR
Tradu��o: Guilherme
Revis�o: Zebu
O Grande Inquisidor contra o herege Capravedapia...
... abjura��o na cidade do M�xico e em todo os reinos...
... estados e feudos das prov�ncias da Nova Espanha...
e a vice-realeza e governo e distrito da audi�ncia real
em todas as cidades e estados reside.
E n�s, os segundo inquisidores, reunidos em audi�ncia
nessa c�mera do segredo do Sagrado Tribunal da Inquisi��o do M�xico,
fazemos justi�a no julgamento contra o dito Bar�o,
Vitelius Destera, cuja origem � desconhecida e nunca foi confessada.
Atento � senten�a e m�ritos do julgamento...
e evid�ncias e suspeitas que dele resultem.
Rela��o da pena e da audi�ncia de tortura...
que esse Tribunal da Inquisi��o...
apresenta contra o dito Bar�o Vitelius Destera...
por ser um herege e colaborador de hereges...
...um doutrinador, por ter usado bruxaria...
...supersti��es e feiti�os para prop�sitos torpes e desonestos,
...por dedicar-se a necromancia invocando os mortos...
...e por tentar prever o futuro atrav�s de cad�veres...
...bem como seduzir mulheres casadas e donzelas.
Atentos � senten�a desse julgamento,
condenamos Vitelius Destera � ser torturado
por tudo aqui justificado,
e tendo sido prevenido com um aviso e sob juramento
que se na dita tortura ele for morto ou incapacitado,
ou sofrer sangramentos
ou ter partes do corpo mutiladas,
ser� por sua culpa e responsabilidade por reincid�ncia penitente.
Tendo sito notificado de sua senten�a...
o acusado disse para seguir em frente...
e que o santo tribunal pode tortur�-lo o quanto quiser.
Portanto ele foi levado a c�mera de tortura,
seus bra�os foram amarrados e a corda foi enrolada trinta vezes seguidas,
e o acusado riu, zombando desses atos de justi�a,
ent�o ele foi enviado para se deitar na mesa
e deitado l�, avisado, ele voltou a zombar de nossa santa autoridade.
Os cavalheiros inquisidores, tendo visto isso,
ordenaram que a tortura fosse interrompida,
n�o considerando t�-lo torturado o bastante,
e prometeram continuar t�o logo fosse necess�rio.
Ele foi notificado e disse para seguirem em frente e continuar.
Com isso, foi desamarrado...
...e levado para uma cela pr�xima a c�mera de tortura...
...de onde foi trazido para esta sala...
...para decis�o do julgamento e sentenciamento.
E agora, para adicional zombaria � nossa justi�a...
...uma testemunha surgiu diante dessa corte em defesa do acusado.
Esta aud�cia, cavalheiros inquisidores.
Vamos ter que ag�entar isso?
Traga a testemunha � essa c�mera do segredo.
Esse Santo Tribunal entende que voc� veio
apresentar argumentos em favor do acusado.
De fato, senhores inquisidores.
Voc� sabe que aquele que aparece diante desse
Tribunal da Inquisi��o do M�xico
� obrigado por juramento a sempre dizer a verdade?
Sim, eu sei.
Diga-nos, ent�o, quem � voc�?
Meu nome � Marcos Miranda,
do vilarejo conhecido como Villa de Covillana, em Portugal.
O que voc� tem a dizer em favor do acusado?
Eu quero declarar que sei que o Bar�o Vitelius Destera � um homem honesto,
de altas virtudes, respeitado por sua sabedoria,
que se dedica ao verdadeira postulado da ci�ncia
e ao bem-estar dos pobres e dos �ndios.
Eu nunca ouvi tamanha aud�cia, Lorde Inquisidor!
Marcos Miranda, sua insol�ncia o sentencia a duzentas chibatadas
que ser�o imediatamente administradas a voc� na c�mera de tortura.
Tendo visto a causa desse julgamento,
e tendo os cavalheiros inquisidores sido consultados,
esse Tribunal da Inquisi��o no M�xico
sentencia o reincidente impenitente Vitelius Destera
ao auto, escudo e h�bito com ins�gnia de fogo,
relaxamento em pessoa com confisco de propriedades
e a ser queimado em campo aberto.
Parece bom para mim, mas sem as correntes.
Ao menos pagar� pela ofensa que cometeu contra voc�, aquele bastardo.
A rainha deve estar muito triste por estarem matando sua galinha, n�o est�?
Quieta, Dona Marqueta,
as pessoas da Inquisi��o tem ouvidos em toda parte.
Baltasar de Meneses.
�lvaro Contreras.
Sebasti�n de Pantoja.
Herlindo del Vivar.
Retornarei ao seu mundo em 300 anos,
quando este cometa passar pela nossa latitude novamente.
Ent�o consumarei minha vingan�a.
Eliminarei todos os seus descendentes...
...e exterminarei suas malditas linhagens!
Nossa, faltam 15 minutos para as duas, mal teremos tempo de chegar l�.
- O que aconteceu? - Por favor, perdoe-nos.
Temos que encontrar o professor no observat�rio.
O trabalho � imperativo.
Trabalhando at� t�o tarde?
Quando quer que um astr�nomo trabalhe, ao meio-dia?
Lembre-se que estou atr�s de uma verdadeira estrela.
- At� mais. - At� mais.
Desculpe nosso atraso, fomos convidados a dan�ar.
N�o se preocupe, Reinaldo. Eu estava certo que voc� estaria aqui a tempo.
Vejamos, Victoria, me diga.
De todos os nosso cometas peri�dicos conhecidos...
diga o nome dos dois mais importantes em virtude de sua periodicidade.
Aquele conhecido como Albers, que aparece a cada 72 anos,
e Halley, cada 76.
Muito bom. E voc�, Reinaldo, diga-me,
A que dist�ncia do sol o cometa Halley viaja em seu af�lio?
3.258 milh�es de milhas, professor.
E no mais pr�ximo?
- 54 milh�es de milhas. - Exatamente.
Bem, a sess�o dessa noite � especialmente importante.
Vejam. Esses livros foram escritos h� 700 anos atr�s.
Eles mencionam que um cometa aparecer�...
em outubro de 1661.
A primeira coisa que pode imaginar o investigador...
� pensar que esse � o grande cometa de 1680...
aquele que serviu para Newton provar...
que cometas, como os planetas em nosso sistema solar...
s�o governados pela atra��o do sol.
Entretanto sabemos que o grande cometa de 1680...
moveu-se dentro de uma �rbita parab�lica, tendo o sol como centro.
Entretanto, pelas predi��es das quais nos falam esses livros...
podemos assegurar que o cometa em 1661...
move-se dentro de uma �rbita el�ptica...
ou seja, � um cometa peri�dico.
O mais interessante a respeito do que estou lhes contando � isso:
De acordo com meus c�lculos...
o cometa de 1661 deve aparecer em nossos c�us...
precisamente �s 2,620,700 horas siderais.
Especificamente, aquele cometa de 1661...
dever� aparecer no campo de vis�o de nosso telesc�pio...
as 2:37 dessa manh�,
movendo-se em seu peri�lio dentro da �rbita da Terra...
� dist�ncia aproximada de 53 milh�es de milhas.
Mas, professor, est� quase na hora.
Estou vendo Andr�meda, professor, mas nenhum cometa.
N�o, n�o, n�o. Est� totalmente ao contr�rio.
Latitude 40 graus norte.
Mova-se para o sul.
Mais para o sul, no Cintur�o de Orion.
Foque na nebulosa, devemos encontr�-lo pr�ximo de l�.
Nada, professor.
Isso n�o � poss�vel. Algo deve estar errado.
Professor! Professor! Olhe! Olhe isso.
Sim, l� est�! � isso mesmo!
Reinaldo, eu n�o estava errado.
Olhe para essa extraordin�ria vis�o.
Pode emocionar mesmo o mais insens�vel dos homens. Veja isso.
Por favor, me permita.
Venha, vamos ver l� fora.
L� est�.
Veja.
Como � lindo!
Isso � esquisito. Uma luz estranha emanou do cometa.
Venha, vamos investigar.
Senhor, voc� viu um meteorito cair?
- Um meteorito? - Sim.
N�o. Voc� deve estar achando estranho me ver por aqui.
Eu normalmente dou meu passeio noturno a essa hora.
Eu deveria explicar tamb�m.
Somos astr�nomos. Est�vamos observando um meteoro.
Reinaldo, esse cavalheiro n�o deve entender o que voc� diz.
Eu entendo muito mais do que imagina, senhorita.
Para mim a astronomia � uma das ci�ncias mais importantes.
Eu at� mesmo dediquei boa parte de minha vida a ela.
- Verdade? - Sim.
Nesse caso permita-me oferecer-lhe meu cart�o.
Quando quiser nos visitar,
eu lhe mostrarei os trabalhos de meu professor, senhor Saturnino Mill�n.
Eu ficarei feliz em ir.
- Boa noite, senhor. - Boa noite.
Quem � voc�?
N�o o vi chegar.
Sinto muito, mas n�o h� servi�o a essa hora.
Oh, ele � um velho amigo. Sirva-lhe uma bebida, por favor.
O mesmo.
Certo, mas apenas uma.
Sirva-lhe um conhaque.
Voc� pode ir, n�o precisa esperar.
Voc� sabe?
Sinto como se eu e voc� j� tiv�ssemos nos encontrado antes,
mas n�o consigo me lembrar onde.
Por favor, n�o pense que estou fugindo de voc� agora...
mas Roberto n�o gosta de me ver com outros.
Ele acha que eu n�o deveria ter amigos... como voc�.
Sa�de.
Voc� n�o me disse uma palavra desde que chegou aqui...
...mas diz tanta coisa quando olha para mim.
Eu fico com medo quando olha para mim dessa forma.
Eu n�o gosto.
Eu quero que continue olhando para mim.
� in�til.
Em todos os anos em que trabalho nesse lugar...
...nunca havia encontrado um caso como esse.
Os cr�nios dessas duas v�timas foram perfurados...
por uma furadeira, provavelmente el�trica.
Digo isso por causa da precis�o,
o dom�nio com que os orif�cios foram feitos.
E a coisa mais incr�vel, cavalheiros...
� que a massa encef�lica foi completamente extra�da.
Vejam por voc�s mesmos...
o mesmo orif�cio, exatamente no mesmo lugar como o do outro cr�nio.
Sim.
As caracter�sticas s�o id�nticas.
N�o h� d�vidas que � o mesmo criminoso.
Ele tamb�m tem um grande conhecimento de anatomia.
� para fazer isso ele usa seus conhecimentos sobre anatomia?
Para se tornar um man�aco perigoso?
Que estranha coincid�ncia.
Noite passada algu�m roubou o banco internacional.
Levou j�ias e dinheiro dos cofres, sem deixar vest�gios.
Mas o que isso tem a ver com essas mortes, chefe?
O banco est� na mesma rua que o bar onde relataram a morte da garota.
Voc� acertou em cheio, chefe.
Suponhamos que ela tenha testemunhado o roubo
e o criminoso, para silenci�-la...
Muito bem, mas e quanto ao outro?
Esqueceu que ele foi encontrado...
...� beira da estrada, bem longe da cidade?
Sim, � verdade.
Abandone as investiga��es do caso, n�o h� motivos para continuar...
N�o ligue para mim, chefe.
Obrigado, doutor, desculpe incomod�-lo.
N�o foi problema nenhum.
Vamos.
Com licen�a, doutor.
Caf�, Reinaldo?
- Victoria, Olhe isso. - O que?
"Dois corpos foram encontrados essa manh�.
Um � beira da estrada...
...outro alguns metros de dist�ncia, dentro de uma bar de damas.
O primeiro era um homem que ainda n�o foi identificado. A segunda, uma mulher.
O estranho...
� que ambos apresentavam a mesma perfura��o no cr�nio e...
de acordo com a autopsia, nenhuma grama de massa encef�lica".
Isso � horr�vel. Para que leu isso para mim?
Lembrei-me, por um instante, do homem que vimos noite passada.
Eu pensei que ele tivesse sido a v�tima.
Mas n�o, eles s�o completamente diferentes. Veja.
N�o quero. Me aborrece.
Falando naquele homem...
Eu tenho a sensa��o de que j� o vi em algum lugar...
...mas n�o sei onde.
Deve ter sido em outra encarna��o.
"Em frente a esse lugar...
havia o local onde a Inquisi��o fazia crema��es...
entre 1596 e 1771.
Administra��o dos Monumentos Coloniais da Rep�blica".
Veio para ver os arquivos?
Sinto muito, mas j� � hora de fechar.
Julgamentos da Inquisi��o.
Ano: 1661.
Don Baltasar de Meneses.
Don �lvaro Contreras.
Don Sebasti�n de Pantoja.
Don Herlindo del Vivar.
Pode acender meu cigarro, bonit�o?
O que disse o m�dico, chefe?
� um crime igual aos dois anteriores...
Cr�nio perfurado por um objeto pontiagudo ou uma furadeira.
Total aus�ncia de massa encef�lica.
Vamos, chefe, eu estava mesmo gostando da minha torta.
�, sem sombra de d�vida, um caso de esquizofrenia.
N�s precisaremos estabelecer vigil�ncia por toda a cidade.
Aqui est�o os tacos com recheio de c�rebros.
Isso n�o � poss�vel.
O cometa deveria estar dentro do campo de vis�o e eu n�o posso ver nada.
Um cometa n�o desaparece, cai ou sai de �rbita sem raz�o.
� um verdadeiro absurdo.
Voc� precisa descansar agora, professor.
N�s temos trabalhado dia e noite por duas semanas.
E se for tudo uma alucina��o?
Alucina��o? N�o, Reinaldo, n�o.
O cometa existe. N�s o vimos.
- Professor. - Obrigado.
L�pez... nada.
Cuc...
...nada.
Monte Palomar... nada.
Nada. Ningu�m sabe de nada nem viu o cometa.
"Bar�o Vitelius Destera
tem a honra de convid�-los para a recep��o...
que ele realizar� em sua resid�ncia em Loma del Halc�n,
na ter�a-feira, dia doze desse m�s, as 21 horas.
Bar�o Vitelius Destera?
Voc� o conhece?
A verdade? N�o.
Mas isso n�o � importante.
O que importa � que...
n�s iremos esquecer do cometa por uma noite.
Finalmente o encontrei, chefe.
J� somos pessoas importantes. Fomos convidados para uma festa sofisticada.
Bem, voc� foi convidado.
Bar�o Vitelius Destera.
Isso n�o � um convite, homem.
� uma ordem para que n�s vigiemos a festa.
Haver�o muitas j�ias, e isso atrai ladr�es.
Bem, se podemos ir a uma festa de gra�a, vamos.
Servi�o, por favor!
Senhor e senhora Luis Meneses
Senhora Meneses, senhor Meneses, poderiam me acompanhar?
� uma honra para n�s, Bar�o.
Obrigada.
Senhorita Ana Luisa del Vivar e senhor Francisco Coria.
- Senhor. - Bar�o.
- Bem-vindo. - Obrigado.
Professor Don lndalecio Pantoja.
Professor, � uma honra para mim receber t�o admir�vel historiador.
Voc� � muito gentil, Bar�o.
A honra � minha, em ser convidado por t�o ilustre cavalheiro.
Por favor, entre.
Senhorita Victoria Contreras,
professor Reinaldo Miranda e professor Don Saturnino Mill�n.
Senhorita Contreras, Reinaldo, � um prazer v�-los novamente.
Meus parab�ns, professor Mill�n.
Voc� tem dois estudantes que o admiram de verdade.
Eu tenho orgulho disso.
Eles s�o, de fato, meus mais distintos colaboradores.
Por favor, venha.
- Posso? - Obrigado.
Professor.
Obrigado, Bar�o.
E voc�?
Eu nunca bebo.
Em virtude de uma velha doen�a, n�o posso consumir bebidas.
Sinto muito, Bar�o.
Se sente doente agora?
Ligeiramente indisposto.
Sintam-se em casa. Por favor, me desculpem.
Voc� precisa estar muito alerta.
Essas festas da alta-sociedade s�o muito atraentes...
para ladr�es experientes.
H� muitos tipos suspeitos aqui, certo, chefe?
Obrigado.
Fique perto da entrada. Eu vou caminhar nas proximidades da entrada principal.
Minha admira��o pela cultura pr�-hisp�nica...
me fez permanecer mais tempo nesse bonito pa�s.
Eu tenho documentos preciosos...
que eu ficarei grato em disponibilizar a voc�, Bar�o.
Eu agrade�o.
Lembre-se que prometeu ir ao nosso casamento, Bar�o.
Ser� um privil�gio para mim, senhorita.
N�s ficaremos encantados.
Muito obrigado, senhor.
Eu reitero minha oferta, Bar�o. Ser� uma honra t�-lo como convidado.
Agrade�o novamente.
O prazer foi meu.
Muito obrigado.
O observat�rio est� a sua disposi��o para quando quiser visit�-lo.
N�o esque�a, Bar�o.
Um dia desses lhe farei uma visita, professor.
Boa noite, Bar�o.
Boa noite, senhorita Contreras.
Boa noite.
O vejo em breve, Bar�o.
Boa noite.
Estamos indo embora, certo?
Provavelmente os ladr�es sabiam que n�s vir�amos...
...e nada aconteceu.
Voc� est� certo. Vamos embora.
Todas essas minutas pertenceram a Inquisi��o.
S�o da segunda metade do s�culo XVII.
Olhe isso.
"Don Sebasti�n de Pantoja".
Bem, hoje � um pouco duro...
...falar sobre a Inquisi��o e seus m�todos de justi�a.
A Lenda Negra...
Boa noite, senhor.
Minha filha, Mar�a de Pantoja, Bar�o Vitelius.
Prazer em conhec�-lo.
Minha filha � meu maior orgulho, Bar�o.
Ela tem estado do meu lado desde que sua m�e morreu.
Ela ir� concluir um doutorado em Hist�ria esse ano.
Parab�ns, senhorita. � uma especialidade fascinante.
E ela � uma verdadeira autoridade em hist�ria das religi�es.
Oh, papai, por favor.
Essas s�o minutas interessante.
Pela forma como est�o escritas,
n�s podemos ver claramente o obscurantismo religioso da �poca.
Veja isso.
Que estranho.
Aqui eles mencionam o julgamento de um r�u cujo nome era o mesmo que o seu.
"Contas da audi�ncia de tortura e senten�a...
...no julgamento da Santa Inquisi��o realizado na cidade do M�xico...
...no ano de 1661...
...contra Vitelius Destera...
cuja origem � desconhecida e nunca foi confessada,
por ser um herege e colaborador de hereges...
...um doutrinador, por ter usado bruxaria...
...supersti��es e feiti�os para prop�sitos torpes e desonestos,
...por dedicar-se a necromancia invocando os mortos...
...e por tentar prever o futuro atrav�s de cad�veres...
...bem como seduzir mulheres casadas...
...e donzelas".
Ser� interessante descobrir qual foi seu castigo.
"Ap�s ter sido torturado por tudo justificado...
...esse Tribunal da Santa Inquisi��o...
...o sentenciou ao auto, escudo...
...e h�bito com ins�gnia de fogo...
...relaxamento em pessoa...
...com confisco de propriedades...
e, sendo impenitente, foi queimado".
Vitelius Destera era um ancestral seu?
N�o.
Eu nunca tive descendentes.
Eu fui queimado vivo pela Inquisi��o...
...pelo seu ancestral Don Sebasti�n de Pantoja.
Eu sou Vitelius Destera.
Perdoe-me, Bar�o, mas essa � uma piada muito sem-gra�a.
Isso � imposs�vel.
O mesmo m�todo para assassinar suas v�timas.
Esse homem � mais perigoso do que pens�vamos.
Agora ele os queima para eliminar suas impress�es digitais.
Leve-os ao laborat�rio. Devem ser cuidadosamente examinados.
V� com eles e me informe quando tudo estiver pronto.
OK, chefe.
Voc� ouviu.
Leve esse lixo para o laborat�rio no quartel general.
Eu preciso examin�-los e descobrir quem os furou.
Talvez algum man�aco que adora cofrinhos.
Por favor, numere os ossos.
Se eu perder um, perco minha honra.
Olhe que trag�dia, Reinaldo.
O que �?
"O not�vel historiador Don Andalesio Pantoja e sua filha...
morreram v�timas de um man�aco assassino".
Imposs�vel!
Infelizmente � verdade, professor.
Pobre homem, que morte horr�vel.
E estavam ambos t�o cheios de vida na festa na casa do Bar�o.
Mais relat�rios, professor.
Obrigado, garota.
Nada.
Nada aqui tamb�m.
S�o Francisco.
N�o.
Paris.
Nada.
Nada, ningu�m viu nada.
Ningu�m sabe nada sobre o cometa.
Isso � desesperador.
Mas existe, eu mesmo vi e voc�s o viram tamb�m, n�o viram?
Claro, professor.
Tr�s pessoas n�o poderiam ter se enganado dessa maneira.
Diz aqui.
Vamos ver.
Aqui est�.
Aqui.
N�o, aqui.
Vejam, aqui.
Cometa maldito...
� enfeiti�ado.
Eu sinceramente congratulo voc�.
A fundi��o � realmente maravilhosa.
Agora vejo por que � considerado um dos mais importantes do pa�s.
Obrigado, Bar�o...
...mas � apenas o resultado dos sacrif�cios e esfor�os de meu marido.
Eu n�o seria ningu�m sem minha esposa.
Vamos ao laborat�rio.
Eu quero especialmente que veja o forno...
...onde fa�o meus experimentos com fus�o.
Siga-me por favor.
Estou certo que posso provar minha teoria.
Com essa fus�o...
farei um metal extremamente resistente, que suportar� temperaturas muito altas.
Voc� acha que esse forno serviria para seu experimento?
Sim, senhor.
Esse forno nos dar� temperaturas de at� 8.000 graus.
D�-me os metais e compostos qu�micos que listei...
e eu o farei.
Seria maravilhoso. Ficar�amos muito ricos.
Claro. Desculpe-me, Bar�o.
Eu sei que o aspecto financeiro � de pouco interesse para voc�.
Claro que n�o.
Luis Meneses, descendente do maldito inquisidor Baltasar de Meneses...
que ordenou me queimar vivo.
Voc� pagar� com sua vida pela vida que ele tomou tr�s s�culos atr�s.
"Parece que ambos, o engenheiro e sua esposa...
pereceram durante o inc�ndio causado pela explos�o".
Por mais que eu queira, n�o posso deixar de pensar...
...que Bar�o Vitelius atrai m� sorte.
Pantoja e Meneses estavam em sua festa, lembra?
E veja.
Pare com bobagens e apresse-se, temos que voltar ao observat�rio.
Bar�o Vitelius Destera.
Eu chamarei o Bar�o.
Como posso ajud�-los, cavalheiros?
Boa noite, Bar�o.
Perdoe-nos pela intrus�o, mas precisamos de algumas informa��es.
Estou a seu dispor.
Voc� est� a par dos crimes cometidos pelo man�aco assassino?
Sim, li a respeito nos jornais.
O senhor j� sabe quem � ele?
Isso � exatamente o que estamos investigando.
E voc� sabe que, alguns dias atr�s, Pantoja, o historiador, foi assassinado?
Eu li a respeito tamb�m.
E que na noite passada, num inc�ndio...
...o engenheiro Meneses e sua esposa morreram sob circunst�ncias similares?
N�o diga, inspetor. � uma verdadeira pena.
Eles estiveram aqui alguns dias atr�s.
Foi por isso que vim visit�-lo, Bar�o.
Porque sendo amigo deles, talvez voc� possa nos dar alguma informa��o.
Eu entendo, inspetor, mas infelizmente...
...eu n�o era �ntimo das v�timas.
Um amigo comum nos apresentou na Europa...
...e eu os convidei juntamente com outras pessoas. Isso � tudo.
Lembre-se, eu estou no pa�s h� apenas algumas semanas.
Isso � verdade, voc� mencionou isso outra noite.
Bem, isso � mal. Desculpe-me.
Pelo contr�rio, estou sempre �s ordens.
Inspetor, por favor, entenda aos familiares das v�timas...
minhas mais sinceras condol�ncias.
Isso n�o ser� poss�vel, Bar�o.
Nenhuma das v�timas tinham familiares.
Com licen�a. Vamos.
Agora que todos os convidados se foram...
quero aproveitar a oportunidade e lhes desejar toda felicidade do mundo.
Por favor, perdoem minha demora em fazer isso...
...mas eu tinha algo a fazer.
Sua presen�a basta.
Obrigado pelo presente, Bar�o. Foi o melhor de todos.
Por favor, madame, foi um prazer.
Esperamos que possa nos visitar em breve, Bar�o.
Ficarei encantado.
N�o pare por mim. Est� partindo agora?
N�o at� a pr�xima semana, Bar�o.
Tenho assuntos pendentes.
N�s iremos contat�-lo assim que retornarmos.
Eu desejo a voc�s toda felicidade.
At� mais.
Pensamos que n�o iria chegar a tempo, Bar�o.
Sim, eu j� me desculpei.
Como est�, Srta. Contreras?
Cansada. Muito trabalho.
N�s trabalhamos demais.
O desaparecimento do cometa nos deixou loucos.
O professor n�o sai do laborat�rio. Portanto n�s tamb�m n�o.
Ent�o voc�s ainda continuam pensando sobre aquele cometa?
Sim, porque o vimos. Certo, Victoria?
Apareceu na noite em que nos conhecemos.
Como eu poderia esquecer? Foi o in�cio de nossa amizade.
Obrigado, Bar�o.
Voc� ouviu o que aconteceu com os Pantojas e os Meneses?
Eu os conheci na sua casa.
Sim, eu li nos jornais. Que horr�vel, n�o � mesmo?
Uma verdadeira coincid�ncia.
Ambos estiveram no mesmo lugar algumas horas antes.
Em sua casa, Bar�o.
Sr. Miranda, n�o me diga que o homem da ci�ncia como voc� � supersticioso.
N�o � uma supersti��o, � curiosidade.
Bar�o!
Voc� me assustou. Eu n�o o ouvi chegando.
Posso ajud�-lo?
Francisco est� no banho e...
Bar�o, por favor... o que est� acontecendo com voc�?
Francisco! Francisco!
Seu ancestral, o inquisidor Don Herlindo del Vivar,
condenou-me a ser queimado vivo.
Voc�, Ana Luisa del Vivar, pagar� por isso!
N�o!
Obrigado. Vamos.
N�o seria bom sairmos desse local abarrotado, chefe?
Vamos.
Os mesmo furos no cr�nio e nenhum massa encef�lica.
Baltasar de Meneses, �lvaro Contreras,
Sebasti�n de Pantoja,
Herlindo del Vivar,
Luis Meneses,
Indalecio Pantoja,
Ana Luisa del Vivar,
Victoria Contreras.
Quando eu terminar as autopsias lhes darei o relat�rio pertinente.
Muito bem, doutor.
Como poderia saber, comandante?
Eles sa�ram aproximadamente uma hora atr�s.
Algo aconteceu?
Professor, precisamos saber onde eles est�o.
� um assunto de vida e morte.
Voc� me assusta, comandante.
Reinaldo e Victoria foram convidados para um jantar...
...na casa do Bar�o Destera em Loma del Halc�n.
Obrigado, professor. Vamos ver se conseguimos chegar a tempo.
Ent�o, para a casa do Bar�o?
Mas primeiro para o quartel general.
Agora pode ir o mais r�pido que puder.
Est� certo, chefe.
Continua sofrendo por causa de seu problema de sa�de, Bar�o?
Menos, felizmente.
Voc� est� se cuidando?
O que � preciso, Victoria. Apenas o que � preciso.
Estou muito curioso para saber os dados...
que voc� disse poder nos dar, para localizarmos o cometa de 1661.
N�o seja impaciente, senhor Miranda.
Ainda restam 20 minutos.
A prop�sito, preciso tomar minha medica��o. Me d�em licen�a.
Senhor Miranda, eu estava pensando que...
uma vez que voc� ir�o se casar...
eu gostaria que voc� me permitisse dar uma j�ia � Victoria de presente.
Seria um presente de casamento.
Nunca poderia expressar a amizade e afeto que sinto por ambos.
Bar�o, voc� nos conquista com sua gentileza.
Voc� n�o deveria se incomodar.
Pelo contr�rio, senhor Miranda, � meu prazer.
Posso?
N�o dever�amos fazer isso mais tarde?
Ainda restam 20 minutos para que possamos localizar o cometa.
Est�o no meu escrit�rio.
Eu gostaria que Victoria escolhesse uma j�ia para si sem nenhuma influ�ncia.
Voc� duvida de mim?
De maneira nenhuma, Bar�o.
Voc� pode confiar inteiramente em Vitelius Destera, Reinaldo.
Elas s�o lindas, n�o s�o?
Mas nenhuma delas pode ser comparada a voc�.
Voc� n�o pode ser minha da maneira que eu gostaria.
Eu quero amar voc� e adorar voc� acima de tudo o mais.
Mas n�o posso. Meu �dio � mais forte que meu amor.
Est� acima de tudo!
Por que tinha que ser voc�...
justamente voc�, Victoria Contreras...
...descendente do maldito inquisidor �lvaro Contreras...
...que me queimou vivo 300 anos atr�s?
Eu, Vitelius Destera?
Mas eu voltei para me vingar de meus executores...
...e voc� � a �ltima descendente de um deles.
Reinaldo! Reinaldo!
Afaste-se. Eu preciso concluir minha vingan�a.
Seu ancestral me defendeu 300 anos atr�s.
N�o me fa�a esquecer isso.
Afaste-se. Voc� n�o ser� capaz de me deter.
Fuja, Victoria! Fuja!
Reinaldo! Reinaldo!
FIM
Tradu��o: Guilherme Revis�o: Zebu
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