All language subtitles for Carlota.Joaquina.Avi.ByBeth

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Original subtitles

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Yolanda!

Yolanda, n�o fica chateada comigo, vai.

Juro que nunca mais vou rir de voc� dan�ando.

Ah, Yolanda, n�o fica chateada. Desculpa.

Olha para mim.

O.k., voc� venceu, Yolanda. Eu te dou meu Robert Burns.

- Eu n�o quero. - Voc� n�o quer?

Ent�o est� bem, Yolanda!

Olha ali no mar... � uma garrafa!

Se tiver um mapa dentro, podemos achar um tesouro e ficar ricos!

Vai l� pegar. Est� bem... eu vou.

Peguei!

Olha, um peda�o de livro sobre Salvador Dali.

J� vi que n�o � f� de Dali! Escute isto...

"Nunca fui ao Brasil, pois soube que l� h� borboletas gigantes...

que sugam o c�rebro das pessoas."

- Verdade? - Claro! N�o sabia?

De todos os problemas brasileiros, o das borboletas gigantes � o pior.

Uma vez, eu estava indo calmamente pela rua...

e, de repente, uma borboleta gigante azul veio do c�u...

e sugou o meu c�rebro pelos ouvidos!

Boba! N�o h� borboletas gigantes no Brasil nem em lugar nenhum.

O Brasil tem muitas hist�rias engra�adas. Quer ouvir uma?

- � sobre uma princesa. - Mas o Brasil n�o tem princesas.

Sei, sei, mas, antigamente, o Brasil tinha princesas.

- Era uma princesa ind�gena? - N�o, era espanhola...

e tinha a sua idade quando deixou a Espanha para se casar.

- Tinha dez anos?! - �, dez anos, a coitadinha.

Ela se chamava Carlota Joaquina e dan�ava muito bem, Yolanda.

E tinha um g�nio imposs�vel, como o teu.

E a m�e dela era incr�vel... Maria Luiza de Parma.

Sangue italiano e um enorme apetite sexual...

que invadiu a corte do rei Carlos III de Espanha.

Maria Luiza tamb�m era famosa...

por usar p�rolas no lugar de seus dentes podres.

E aquela noite era muito importante para Carlota...

Por qu�?

Era sua �ltima festa na Espanha. Seu casamento fora arranjado...

e ela partia para se casar com um pr�ncipe portugu�s.

Por causa disso, teve de fazer um teste perante a corte.

A corte toda reuniu-se para v�-la dan�ar com tanta gra�a.

Ela nunca mais iria sentir aquela felicidade, Yolanda.

Era a calmaria antes da tempestade...

que varreria muitas monarquias da Europa.

Em poucos anos, cabe�as reais rolariam...

com o novo esp�rito do Liberalismo.

O Velho Mundo do Absolutismo mon�rquico chegava ao fim...

e ninguem representou melhor esse fim...

do que Carlota Joaquina.

Carlota, minha filha, cada dia dan�as melhor.

N�o ter�s de fazer nenhuma prova na corte portuguesa.

- Achas, mam�e querida? - Claro que sim, minha filha.

Chega, Carlota, cala-te. S� te falta a pintura. Volta ao lugar!

Por favor, infanta Carlota, quem foi Vel�zquez?

Diego Vel�zquez nasceu em Sevilha em 1599...

casou-se em 1618, graduou-se mestre-pintor em 1623...

Carlota sabia tudo. Sobre Vel�zquez, Cervantes...

a B�blia de tr�s para frente.

A corte ficou impressionada com tamanho prod�gio.

M�e, eu gostaria ter um retrato igual ao da infanta Margarida...

mas com um vestido vermelho, que � muito mais bonito.

- Um dia, ter�s um retrato assim. - Antes de ir para Portugal, m�e?

Claro, claro. Antes que tu v�s.

Ent�o, vamos � festa!

Majestade! Majestade, por favor!

Alteza, tenho comigo o retrato do infante...

e o contrato assinado para entregar � infanta.

Mas antes, gostaria de felicit�-la por sua brilhante atua��o.

Carlota aprende muito r�pido, Sr. Marqu�s.

�s vezes, sua rapidez � perigosa.

Espera, Carlota...

- N�o vai abrir o retrato? - Quero abri-lo sozinha, vov�.

Est� bem. Boa noite, querida.

Boa noite, av�.

Boa noite, Sr. Marqu�s.

Boa noite. E, mais uma vez, parab�ns, infanta.

Muito bem, Sr. Marqu�s.

Carlota partir� no dia 27 de abril, como combinado.

E a sa�de do infante como est�? Melhorou do sarampo?

Melhorou, Alteza, melhorou. Mas piorou novamente...

e, pela carta que recebi, teve de fazer sangria pela 4a. Vez.

Pela quarta vez?!

Parece-me, Sr. Marqu�s, que o infante n�o goza de boa sa�de.

N�o se preocupe, Majestade...

4 ou 5 sangrias em Portugal equivalem a 1 na Espanha.

E n�o acha, Sr. Marqu�s, que isso � perigoso?

Vossa Alteza sabe que sou portugu�s e conhe�o a Espanha.

� exatamente o mesmo. Os portugueses fazem 4 a 5...

os espanh�is... fazem apenas uma.

Muito bem, Sr. Marqu�s...

espero que me mantenha a par da sa�de do infante.

Boa noite e aproveite bem a festa.

Obrigado, Majestade, e boa noite.

Tu me achas muito feia, Francisca?

Claro que n�o, infanta. Ademais �s t�o inteligente!

Brilhaste com tuas respostas ante a corte.

N�o estou falando de intelig�ncia, Francisca.

Estou te perguntando sobre beleza.

Diz-me, Francisca, quem � mais bonita...

eu, ou a infanta Margarida?

N�o me lembro muito bem do quadro da infanta Margarida.

Nunca prestei muita aten��o.

Ah, n�o? Pois ent�o vamos v�-lo agora mesmo.

Quero que me respondas!

Ela era feia?

Ela era a infanta mais feia de toda a Europa.

Pensa bem no que vais me responder, Francisca.

A infanta poderia castigar-me por minha resposta?

Claro que sim, Francisca!

Se me desagradares, posso mandar quebrar todos os teus ossos...

e depois, quando estiveres quase morta, deixo-te...

v�rios dias sem sobremesa.

Claro que �s mais bonita, infanta!

Ainda bem que �s esperta, Francisca.

Mas, de qualquer maneira...

quando fizerem meu retrato, ordenarei que o pintor...

me fa�a mais bonita do que a infanta Margarida.

Vamos, infanta!

Estou partindo, infanta...

e vou me casar com um lindo pr�ncipe em Portugal.

Infanta Carlota, vamos. Est�o todos prontos.

Adeus, infanta, Margarida, adeus.

Estou pronta.

Mas, m�e querida...

quando v�o fazer meu retrato com o vestido vermelho?

N�o se preocupe com isso agora. Pense em seu esposo.

R�pido, Carlota! Est�o todos prontos, anda!

Adeus, minha querida, adeus.

N�o te esque�as nunca de que �s uma Bourbon.

N�o me esquecerei, vov�...

n�o me esquecerei jamais.

Francisca, viste os sapatos novos que a mam�e mandou fazer?

Agora tenho um para cada dia do ano!

Sim, infanta.

Foi uma longa viagem.

Carlota e Francisca sa�ram de Madri...

e atravessaram Toledo e Badaj�s...

e continuaram at� a fronteira entre Oliven�a e �vora...

onde os mundos portugu�s e espanhol foram separados.

Olha, Francisca, o pr�ncipe parece bem bonito.

- N�o achas? - �, muito bonito, formos�ssimo.

- Por que paramos? - O infante Dom Jo�o as aguarda.

- Estou bem, Francisca? - Bel�ssima!

Muito obrigada.

Sim, vim cantando com Francisca...

e fui muito saudada pelo caminho.

N�o. Podemos continuar a viagem. Falta muito?

Francisca, o infante � completamente diferente!

Que narig�o!

N�o te preocupes com isso agora.

N�o te preocupes.

Vov�, quero voltar para casa.

Oh, M�e de Deus! Olha s� que beleza!

Que bonitos s�o teus presentes! Olha s� isso!

Sim, � verdade, Francisca.

Principalmente o p�nei.

Caraca, Francisca!

Viste a pequena an� negra da rainha?

N�o � t�o pequena. Tens a mesma altura!

Porra, Francisca!

Se repetires isso, vou mandar que a an� quebre todos os teus ossos!

Perdoa-me, infanta, tive uma impress�o equivocada.

N�o observei bem.

Est� bem, Francisca, te perd�o porque tua falta foi pequena.

- Obrigada. - Ajuda-me, Francisca, ajuda-me!

Presentes, muitos presentes.

Cada fam�lia nobre da terra enviou j�ias, ouro, seda...

para saudar a infanta.

Quando Carlota olhou � sua volta, descobriu que a corte portuguesa...

era diferente da espanhola.

Tudo parecia silencioso e triste.

Ninguem dan�ava, falava nem ria.

Apenas mastigavam sua estranha comida.

Pareciam cochichar o tempo todo.

Sussurravam porque seu rei estava morrendo.

A corte precisava casar alguem com seu herdeiro Dom Jos�...

e a �nica pessoa dispon�vel era a irm� de D. Maria...

Maria Benedita, que era 20 anos mais velha do que ele.

Pobre e doente D. Jos�...

Ent�o, dois casamentos foram realizados ao mesmo tempo.

Em nome do Pai, do Filho e do Esp�rito Santo, am�m.

Quer dizer que, se a mam�e mandasse, teria de casar comigo?

De jeito nenhum, magricela!

Ainda n�o nasceu o homem para se casar com voc�!

Sente-se a� e preste aten��o na hist�ria.

O que voc� n�o sabe � que Carlota foi para a lua-de-mel...

sem saber o que deveria acontecer.

- Ningu�m contou para ela? - Ningu�m contou...

Vai dizer que voc� sabe o que acontece na lua-de-mel?

Claro que sei. O homem introduz o p�nis...

na vagina da mulher.

�, Yolanda, � exatamente isso o que deve acontecer.

Bem, naquela noite, quando tudo isso deveria acontecer...

n�o aconteceu. Em vez disso, ela mordeu a orelha dele.

Infanta, est�s bem, infanta?

- Na pr�xima vez, eu o mato! - Infanta, ele � teu esposo.

Eu sei, mas, se ele tentar de novo, ser� meu esposo morto!

- Mas ele era tarado? - Dom Jo�o? Tarado?

Ele era quase uma mo�a, t�o doce e gordinho.

Passava o tempo olhando para as flores...

rezando e pensando em comida.

N�o recebeu uma educa��o refinada como seu irm�o...

supostamente o pr�ximo rei.

Por�m, o destino iria mudar tudo isso.

Nuvens negras cobriram os c�us portugueses.

O rei D. Pedro III morreu, e D. Jos�, tamb�m.

Por isso, D. Jo�o seria o pr�ximo rei.

Mas, para D. Maria I, tudo isso foi demais.

Mergulhou em profunda depress�o ap�s a morte do marido e do filho.

E passou, ent�o, a ser conhecida como D. Maria I, a Louca.

Era muito religiosa e fraca.

O destino do seu pa�s e os dom�nios ficaram na m�o...

de seus confessores e da Igreja Cat�lica. Por causa disso...

gastava enormes quantias construindo igrejas e...

financiando in�meras prociss�es.

E sabe o que ela fazia para pagar sua d�vida com Deus?

Lavava os p�s dos pobres e mendigos...

tentando livrar-se de sua culpa.

Calma, calma, minha senhora. O dem�nio j� foi.

Francisca, pegue a guitarra. Vou cantar para a rainha.

Que se dane, Francisca! N�s vamos terminar a m�sica...

porque boa m�sica n�o se interrompe.

Os anos se passaram num piscar de olhos.

Carlota se transformou em mulher.

Manca, � verdade, ap�s a uma queda de cavalo, mas era hora...

de consumar seu casamento.

- Coitadinha! - N�o tenha pena. Ela era feliz.

Era, enfim, uma mulher de peitos grandes e corpo fogoso.

Jo�o, cretino, vai dormir em vez de beijar-me??

Carlota era um drag�o. Teve muitos amantes, muitos...

Ela podia comer qualquer um como um monstro enlouquecido!

Por causa desses casos, muitos eram os filhos de Carlota...

e poucos os de D. Jo�o. A primeira, Maria Tereza...

com certeza, era dele, e foi sua favorita por toda vida.

Nove filhos?

Nove, e o mais famoso desses casos...

foi com o jardineiro da Quinta do Ramalh�o...

a quem ela preferiu ver morto a casado.

Tu n�o vais casar-te!

Tu n�o vais casar-te!

Uma junta de m�dicos declarou que a rainha estava louca.

- A rainha est� louca! - A rainha est� louca!

D. Jo�o era um covarde.

Entrou em p�nico quando viu que seria pr�ncipe regente.

Trancou-se sozinho at� reunir for�as...

para assumir a reg�ncia de Portugal.

Se as id�ias da Revolu��o Francesa j� chegaram � col�nia...

veja a conspira��o dos oficiais de Minas Gerais, deve haver...

outros mais como Tiradentes conspirando contra v�s.

� melhor que a corte esteja na col�nia...

para evitar que a independ�ncia aconte�a.

Afinal, o Brasil � bem maior e mais rico do que Portugal.

Acho que a corte deve seguir para o Brasil.

Tamb�m gostaria de lembrar a Vossa Alteza que...

o que falo s�o conselhos vindos de Londres.

Jo�o, se estiveres pensando, ou te impuseram...

nossa mudan�a para o Brasil, aviso-te de que partir�s sem mim!

Eu jamais serei a princesa do Brasil!

- Ela cuspiu nele? - Sim, Yolanda.

E cuspiu com vontade.

E quem era esse ingl�s?

O homem que a Inglaterra escolhera para atormentar...

o medroso rei portugu�s: Lorde Stangford.

Um ministro de cabelos e personalidade cor-de-fogo.

E ent�o, Napole�o come�ou a mostrar as garras.

Acredita, Yolanda, que D. Jo�o levou...

20 dias para escrever uma carta a Napole�o?

Ele estava numa sinuca: N�o sabia o que fazer.

A Inglaterra era o inimigo do sonho imperial de Napole�o.

Ele queria uma alian�a com os pa�ses continentais...

para isolar a grande ilha e deix�-la naufragar.

E como ele faria isso? N�o deixando a Inglaterra...

ter rela��es comerciais com outros pa�ses.

Mas Portugal j� era dom�nio ingl�s...

e D. Jo�o pegou um grande abacaxi em suas m�os gordinhas...

Como agradar gregos e troianos ao mesmo tempo?

A Inglaterra deu-lhe a solu��o.

Mas claro.

Para todos os efeitos, Portugal estar� expulsando os ingleses...

e sequestrando seus bens. Ningu�m saber� que...

secretamente, Vossa Alteza lhes pagou por isso.

E D. Jo�o, se achando muito esperto, obedeceu a Inglaterra.

N�o podemos confiar nos portugueses.

Gostam muito da Fran�a e podem nos trair.

Ent�o, � melhor que leve as boas novas ao rei.

FRAN�A E ESPANHA PARTILHAM PORTUGAL

A ordem �: Ou levamos agora a Fam�lia Real para o Brasil, ou...

destru�mos sua esquadra para os franceses n�o a usarem.

Devem estar cruzando a fronteira.

Foi para isto que te reuniste com teus ministros estes dias?

Para decidir fugir? Uma ova!

Vamos ficar e enfrentar Napole�o!

Quem? Quem vais respeitar?

Um homem qualquer, que os franceses, depois de matarem...

Maria Antonieta, resolveram chamar de imperador.

Puta que te pariu!

Para mim, de nada vale a vota��o dos franceses!

Estou cagando para os franceses e para Napole�o!

Queres ser conhecido como Jo�o, o Rei Fuj�o?

� isso?

Gra�as a Deus, tenho poucos filhos que levam teu sangue.

A Fam�lia Real decidiu partir em 48 horas.

E come�ou a chover. O mundo parecia estar acabando.

Desde o terremoto em Lisboa, n�o se via tamanho pandem�nio.

O povo nas ruas entrou em p�nico.

Queria ir junto com seu rei, mas n�o havia barcos suficientes.

D. Jo�o tinha tanto medo de trov�o...

que foi preciso vendar-lhe os olhos para a fuga.

Partiu sem dizer uma palavra ao povo.

Todos ficaram gritando, indo de um lado para o outro.

Foi um terr�vel pesadelo, Yolanda, terr�vel.

Encaixotaram os manuscritos da Biblioteca Real...

prata, ouro, tantas coisas...

que se esqueceram da maior parte da bagagem de roupas e comida...

e da pequena an� negra, chorando em completo abandono...

como todo o povo portugu�s.

Quando os canh�es de Napole�o j� podiam ser ouvidos em Lisboa...

a Fam�lia Real estava fugindo para a sua mais rica col�nia...

terra de preciosas madeiras, ouro e diamantes...

o Brasil!

E quantos fugiram?

Muitos... talvez quinze mil. Eram 36 barcos ao todo...

desde navios de guerra a navios mercantes, brigantinas...

e a esquadra inglesa, comandada pelo almirante Sidney Smith.

Por causa das tempestades, do vento ou da falta dele...

os navios se perderam e chegaram ao Brasil em diferentes dias.

Filho da puta!

Os primeiros membros da monarquia que foram, passaram maus bocados.

Sem �gua, sem comida e um sol grande e quente...

sobre suas cabe�as cheias de piolhos.

Por favor, n�o fale de piolhos!

Carlota chegou ao Brasil com a cabe�a enfaixada por causa disso.

E as pessoas acharam que era a �ltima moda na Europa.

- Verdade? - E, tr�s meses depois...

Terra � Vista! Chegaram � Bahia.

Carlota detestou o pa�s logo que colocou seus p�s l�.

Talvez porque n�o gostasse de negros.

D. Jo�o, por outro lado...

parecia intrigado com a mistura racial.

Como ela n�o quis ficar na Bahia, foram para o Rio de Janeiro...

onde o povo os esperava ansiosamente.

E os �ndios estavam esperando por eles?

Muitos �ndios, muitos europeus, muitos africanos...

alguns chineses e, talvez, at� dois ou tr�s escoceses.

Assim mesmo, Carlota encontraria entre eles...

seu �ltimo grande amor: Fernando Carneiro Le�o...

um belo e rico negro.

Todos aguardavam alegremente pela corte.

A cidade estava enfeitada com tapetes e flores.

O que fazer com toda aquela gente que viera com a Fam�lia Real?

N�o havia lugares dispon�veis. Nem hot�is, nem pens�es, nada.

Mas a pol�cia real achou um jeitinho...

Isso � tudo o que estava nas embarca��es inglesas?

O resto trar�o para c� amanh�.

- Falas espanhol, capit�o? - Muito pouco.

Gostaste da casa?

� a casa mais pobre em que j� estive. Meu Deus!

Mas olhe a vista, princesa!

Para um pa�s de macacos, negros e �ndios...

a vista n�o � o pior!

O que � isto? O que � isto?!

Formigas, Majestade. Darei cabo delas.

E assim foi para o povo brasileiro.

Sem casa, sem comida, e a confus�o econ�mica come�ou.

Os comerciantes tiravam vantagem da situa��o.

Os pre�os dispararam tanto, que os nativos n�o podiam acompanhar.

E, para piorar as coisas, o povo teve de aprender...

a se comportar adequadamente diante de uma princesa.

Ajoelha-te!

Ajoelhem-se!

Enquanto isso, naquele calor abrasador no meio da floresta...

D. Jo�o e seus ministros tramavam o que fazer...

com todas as riquezas naturais do pa�s.

Mas nada parecia bastar para a Coroa inglesa. Lorde Stangford...

com ordens superiores, queria tamb�m as prov�ncias do Prata.

A Inglaterra queria mais territ�rios.

- Quer um caramelo? - Claro.

Os brasileiros usavam ouro para pagar as coisas nas ruas?

Sim, usavam ouro em barras, usavam at� ouro em p�.

O Brasil tinha muito ouro naquela �poca...

e D. Jo�o, consciente disso, queria tudo para ele.

Ent�o, fundou o Banco do Brasil...

que ele quase quebrou ao partir. Pobre banco.

Jeito estranho de deixar uma terra que ele dizia amar.

E o que aconteceu com o ouro do Brasil?

Portugal e Inglaterra racharam meio a meio.

Esquece. Olhe, nessa �poca...

Carlota estava apaixonad�ssima pelo capit�o ingl�s...

e caiu em cima dele.

Alteza!

O que queres, Felisbindo?

Prepara o cavalo.

Obrigado.

Creio que esta reuni�o n�o ter� muito proveito.

Jamais faria nada contra a minha fam�lia.

As prov�ncias do Prata s�o espanholas.

Trata-se de algo maior do que uma ofensa � sua fam�lia.

� um modo de proteg�-la, bem como os interesses ib�ricos...

das garras de Napole�o, que, sem d�vida...

n�o tardar�o a chegar a terras americanas.

� a primeira vez que uma proposta inglesa me parece interessante.

Mas quem � este senhor que pode ouvir planos secretos?

� Jos� Presas, que acaba de chegar das prov�ncias do Prata.

� a pessoa mais indicada para auxiliar a princesa a escrever...

um manifesto apresentando aos espanh�is e a todo o Universo...

Vossa Alteza como herdeira da Coroa, na falta de seus irm�os.

Vossa Alteza.

Um espanhol, por fim!

Parece que o calor tropical lhe fez muito bem, Lorde Stangford.

Rainha.

Eu serei a rainha do Prata!

D. Jo�o disbribuiu mais t�tulos no Brasil...

do que toda a dinastia portuguesa em sua Hist�ria.

Na �poca, quase todo mundo era nobre.

Era a �nica forma de pagar os servi�os que lhe prestavam.

O Sr. Correia, que contribuiu para os manifestos sa�rem a tempo.

E esta � sua encantadora, esposa, a D. Cust�dia.

D. Jo�o se sentia mal com a id�ia de Carlota ter qualquer poder...

e com o caso que ela mantinha com o almirante ingl�s.

Princesa!

� assim que me cumprimenta agora?

Sem sequer me dar um beijo, meu capit�o?

Lamentar muito, Alteza, mas n�o entender direito.

O pr�ncipe deseja ter uma s�ria conversa com o senhor.

Majestade, posso explicar tudo.

Por favor, capit�o, apenas escute.

Por seus servi�os, que foram de grande ajuda em nossa fuga...

o pr�ncipe o presenteia com uma fazenda em Santa Luzia.

O pr�ncipe era s�bio, � sua maneira.

Dar presentes era o modo de afastar os amantes de Carlota.

Que merda! O que est� havendo com o maldito Jo�o?

- Mas o que foi, princesa? - Olha, olha!

Filho da puta! O que � que eu vou fazer, Presas?

Conhe�o muito bem essa merda de pr�ncipe!

Com rela��o � pol�tica e aos neg�cios, tem duas caras.

Est� aprendendo com os ingleses!

Aos ingleses interessa o mercado do Prata.

A princesa deveria fazer como a rainha Isabel de Castela...

e doar vossas j�ias � causa do Prata...

como fez ela para a conquista da Am�rica.

Ningu�m quis comprar aquelas j�ias.

D. Jo�o dera ordens para os comerciantes n�o aceit�-las.

Mas, visconde, sua fama...

� a de ser o mais rico entre os ricos daqui.

Mas um navio chegou da Espanha com boas not�cias para Carlota.

Mam�ezinha querida, como sinto saudades tuas!

Ela jamais se esquece dos meus sapatos.

Agora tenho sapatos novos para cada dia do ano.

Poderei gast�-los tranquilamente nas horr�veis ruas do Brasil.

Vit�ria! As cortes de C�diz reconhecem seu direito.

N�o acredito.

Bons ventos trouxeram este navio espanhol ao Brasil!

Agora tenho meus sapatos e minha coroa.

Que se fodam! Sou a rainha do Prata!

Jo�o, n�s conseguimos! As cortes me reconheceram...

como leg�tima herdeira do trono do Prata!

Puta que pariu! N�o est�s falando s�rio.

Teus filhos? Tudo bem, Jo�o!

Seus filhos s�o quatro, eu irei com os outros cinco!

Merda!

E assim acabou seu sonho de ser a rainha do Prata.

O que est�s dizendo?

O pr�ncipe me intimou a partir hoje para as Can�rias.

Filho da puta!

Jo�o sabe muito bem como me atingir.

Que covarde, que traidor. Que torpe � o Jo�o!

Temos de fazer algo. Ajuda-me, Presas.

Trabalhei estes anos sem receber. Nada tenho para voltar � Espanha.

- Seria bom que me desse dinheiro. - Como assim?

Jo�o nunca te deu nada?

Mas que mancada! Eu tamb�m n�o posso dar nada.

Sabes melhor que ningu�m que a mesada que recebo � rid�cula.

Todas as princesas recebem pelo menos duas vezes mais!

Sim, Presas, o dobro. Vamos, negrinho.

N�o d� nem para minhas despesas. Devo 3 vestidos � modista...

ao joalheiro, a espada de brilhantes de Sydney Smith...

e at� o a�ougueiro!

D. Jo�o era um p�o-duro famoso.

E mais famosas eram as d�vidas de Carlota pelo Rio de Janeiro.

Quando Presas partiu para a Espanha...

Carlota tinha apenas uma carta para instruir...

a fam�lia a receb�-lo e a pag�-lo.

Mas isso de nada lhe serviu. Ele n�o recebeu sua recompensa.

Mais tarde, como vingan�a, escreveu um livro:

"As Mem�rias Secretas de Carlota Joaquina"...

contando s�rdidos detalhes da sua vida pessoal.

E ent�o, de repente...

ela conheceu Fernando Carneiro Le�o...

seu grande e �ltimo amor.

Come�ou a entender que a mistura racial poderia ser interessante.

Jamais gostei de negros, Fernando. N�o sei por que, tinha medo.

Suportava a presen�a de um ou dois, mas muitos juntos, jamais!

Sim, claro.

Filhos! J� tenho tantos filhos diferentes.

� verdade. E o Jo�o Bob�o nem notaria!

Ai, Fernando, meu amor...

Precisa de algo, senhora?

Que interessante.

A senhora me foi recomendada por Presas, um bom amigo.

Creio que nos entenderemos muito bem.

A senhora entende o que eu falo?

Gra�as a Deus!

H� muito tempo preciso saber...

dos costumes desta cidade.

Ent�o, vamos?

Est� muito calor.

Vou tomar um banho de mar.

As pessoas ficaram estarrecidas com Carlota...

pois ningu�m usava o mar para se banhar, s� os �ndios.

E esse era o jeito que os nobres do Brasil viviam...

vendendo favores reais.

D. Maria, a velha rainha, cada vez piorava mais.

Passava seu tempo no Brasil completamente isolada...

exceto por alguns passeios pela Ba�a de Guanabara...

sempre cercada pelos �ndios.

Chegava o momento em que D. Jo�o seria o rei.

Fernando...

Como vai, Sr. Carneiro Le�o?

Vejo-te no sal�o de cima.

Ai, Fernando, ai, Fernando, que falta me fazes!

Preciso tanto de ti!

Esqueceste dos meus beijos?

Do que minha boca faz em teu corpo?

Jamais esquecerei os teus beijos.

Ent�o, beija-me

Imigrantes chegavam sem cessar neste momento hist�rico.

At� franceses foram contratados para documentar a coroa��o.

Pedro era epil�tico, mas era como sua m�e...

adorava sexo...

seu apetite era famoso por toda a cidade.

Todas as mulheres faziam seu gosto...

francesas, polacas, negras e �ndias.

Um de seus mais not�rios casos...

foi com uma cantora francesa, Noemi, seu primeiro amor.

Leopoldina era a encomendada da �ustria, de D. Jo�o para Pedro.

Inteligente e nobre, mas n�o era o tipo de que o pr�ncipe gostava.

E D. Jo�o virou rei.

Seus problemas dom�sticos pareciam estar resolvidos...

com Pedro casado com Leopoldina e Carlota sem o amante.

Mas estou horr�vel!

N�o gostei das cores. Agora vamos ver o quadro da pra�a.

N�o havia tanta gente, tenho certeza.

O problema � que Debret n�o � Vel�zquez, Miguel.

O pior � que D. Pedro conservou o beb� embalsamado...

durante anos em seu gabinete.

Voc� j� est� dormindo? Est� na hora de ir.

- N�o, estou ouvindo. - Est�, sim. Aposto.

- E o que � Constitui��o? - �, talvez esteja ouvindo.

A monarquia estava no fim. Os reis tinham de assinar um papel...

que dava direitos aos cidad�os. A Constitui��o serve pra isso.

E por sua ajuda nesse processo constitucional...

o povo brasileiro aprendeu a amar e a respeitar D. Pedro.

E transformou-se em her�i...

quando proclamou a independ�ncia um ano depois.

Ah, desgra�ado.

Conseguiste encontr�-lo?

Merda!

Sem o seu Fernando, ela sofria muito.

Mas o pior, Yolanda, foi o que aconteceu com o rosto dela.

P�los? Ent�o, ela olhou no espelho...

e o rosto estava cheio de p�los?

Pobre Carlota! Eu ia morrer de tanto gritar!

N�o � que seu rosto estivesse cheio de p�los...

mas alguns pelinhos fazem um estrago na cara de uma mulher.

Talvez ainda n�o entenda isso.

- Ah, cala a boca, vai! - Mas voc� sabe...

� que, depois disso, Carlota entrou em desespero total.

Vomit�rios?

O que quer dizer?

Que vou ter p�los no rosto at� o fim dos meus dias?

Meu Deus!

E para resolver seus problemas...

Carlota mergulhou na cultura brasileira.

Parece que a macumba funcionou. De s�bito, Fernando apareceu.

Gra�as a Deus!

Gra�as, Senhor!

Estou melhor assim?

N�o, Felisbindo, deixe-o esperando.

"Vossa Alteza"?

� assim que me tratas agora?

Antes eu era a tua Carlotita, a tua Lola.

Mas sou a mesma, Fernando!

Sim, sou eu... eu, a que muito te ama!

Desgra�ado! E a mim? N�o me deves nada?

Tu n�o me amas mais?

Tu n�o me amas mais! Eu estou sentindo isso!

Puta que te pariu!

Preocupa-te com o rei, com as pessoas, com o dinheiro.

E com o nosso amor?

S� te importa o poder, Fernando, o poder!

N�o � isso?

Fernando! Eu n�o posso viver sem ti!

Que ousadia invadir os aposentos da rainha!

Guarda! Felisbindo, chama os guardas!

Filha da puta!

Fora daqui! Vai-te antes que eu te mande a�oitar.

Mulata! Vagabunda!

Carioca vil! Vaca!

Vais me pagar caro. Juro-te!

Ainda mando que quebrem...

todos os teus ossos!

Disseste que me matarias se viesse buscar Fernando?

Felisbindo, a�oita sem piedade essa mulata vagabunda!

Ainda verei tuas filhas num bordel!

Disses que me matarias se viesse buscar o Fernando?

D. Jo�o queimou os autos que acusavam Carlota do crime.

Isso n�o foi tudo. Sua posi��o na Europa estava amea�ada.

Portugal chamava pelo retorno do seu rei.

E foi triste para D. Jo�o deixar o Brasil.

Jamais veria suas fant�sticas palmeiras crescerem no...

Jardim Bot�nico que ele fundara e que era a sua paix�o.

Ademais, o Brasil foi o lugar onde ele se tornou rei...

um verdadeiro rei...

pois, em Portugal, era considerado s� um infante...

que, por sorte, chegara � Coroa.

E suas �ltimas palavras foram...

E o que aconteceu com Carlota?

Quando Carlota voltou para Portugal, estava muito feliz.

Gra�as a Deus!

Desta terra, eu n�o quero nem o p�.

Estava feliz, pois pensava que, na Europa...

seus problemas se resolveriam magicamente.

Mas, ela estava terrivelmente enganada.

Quando chegou a Portugal...

queria ver seu amado filho Miguel, tido como bastardo...

como rei, traindo D. Jo�o.

Por isso, foi exilada por 9 anos em seu pal�cio em ru�nas...

a Quinta do Ramalh�o.

Louca, miser�vel e abandonada por seus filhos...

finalmente se suicidou.

Sim, � verdade, eu matei.

Eu matei o jardineiro.

Eu matei Gertrudes...

mas o Jo�o, n�o. Eu n�o matei o Jo�o!

Perdoa-me, Senhor.

Perdoa-me.

D. Jo�o morreu tomando sopa de galinha.

Alguns dizem que estava envenenada...

e que Carlota tramara tudo.

- E foi ela mesmo? - Quem sabe, Yolanda?

O problema com a Hist�ria � que quanto mais se l�, menos se sabe.

Cada um tem uma vers�o diferente para o mesmo fato.

"Quem sabe?" Essa � a sua resposta.

Ripped by BraveDOG�

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