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- Art Subs - 11 anos fazendo Arte para você!
Legenda - JuLima -
A TESTEMUNHA INVISÍVEL
- Você é o Sr. Doria? - Sou.
Boa noite, sou Virginia Ferrara.
Seu advogado, o Dr. Paolo Levante me enviou.
- Sim, entre. - Obrigada.
Achei que a reunião fosse mais tarde.
Surgiu um contratempo e preferi antecipar.
Entre, me dê dois minutos e termino de me trocar.
Claro.
Depois da política, vamos ao noticiário.
Hoje de manhã aconteceu o funeral de Laura Vitali,
a famosa fotógrafa e artista plástica.
O único suspeito até o momento
continua sendo Adriano Doria, o jovem empresário
que há pouco recebeu o Prêmio de Melhor Empresário do Ano.
Doria, que com sua empresa de tecnologia móvel, a AD-Tech
está conquistando o mercado oriental,
declara sua inocência e se diz vítima de um complô.
No momento, ele está em prisão domiciliar.
E vamos falar...
Tentei falar com o Paolo, mas o celular está desligado.
Sim, ele está fora da cidade,
mas me garantiu que a situação está sob controle
e que está seguindo uma pista...
- Que poderia mudar tudo. - Exatamente.
Foi o que ele me disse da última vez que nos falamos,
mas eu ainda não sabia uma coisa
- e ele também não sabe. - O quê?
Há o risco que possam te prender de novo, esta noite.
- Como é possível? - Uma das minhas fontes
me garantiu que a promotoria está com uma testemunha
que poderia mudar completamente o seu caso.
Não sei quem é, mas está sendo levado à promotoria,
onde irá depor daqui a três horas.
Eu falei a verdade.
Seu depoimento tem muitas lacunas,
nem sempre é plausível,
e a plausibilidade se baseia nos detalhes, Sr. Doria.
Com os detalhes posso convencer o mundo da sua inocência.
Por isso fui contratada pelo seu advogado.
Eu nunca perdi um caso perante um tribunal,
mas você deve colaborar.
Sou vigiado pela polícia 24h por dia.
Se tivesse algo a acrescentar, já teria feito.
Eles pretendem prosseguir com a prisão, Sr. Doria.
Temos pouco tempo,
sugiro que pare de reclamar e comece trabalhar comigo.
Temos 180 minutos.
Muito bem.
Vamos começar pelo início.
Por que estava naquele hotel com a vítima?
Recebemos ordens para ir até lá.
Eu e Laura estávamos juntos há alguns meses.
Alguém deve ter descoberto e quis me chantagear.
Seguimos as instruções, Eles queriam 100 mil euros.
Melhor comprar o silêncio de alguém,
do que enfrentar um divórcio milionário.
Não, eu não queria me separar da Sonia porque a amo.
Por que aquele hotel, a 300 Km de onde mora?
Não sei.
Não achou estranho ser um local tão longe da sua casa?
Você e sua amante já haviam estado naquele hotel?
Quem se importa com isso?
Há alguém querendo me chantagear por um homicídio que não cometi.
Tudo é importante, Sr. Doria.
Mas tudo bem. Vamos falar da mensagem
que recebeu no celular.
Mandaram um SMS do seu telefone.
DIREI TUDO. QUARTO 215, HOTEL BELLAVISTA
- É uma armadilha. - Vamos sair daqui.
Adriano?
Fiquei desmaiado por alguns minutos.
Quando acordei, o pesadelo começou.
Qual é a primeira coisa que se lembra?
Estavam batendo na porta.
Abra a porta!
Mandei abrir a porta!
Abra, por favor.
Laura! Laura, não!
Socorro!
- Afaste-se. - Socorro! Meu Deus, não.
- Socorro! - Não se mexa!
- Me ajudem! - Mostre as mãos!
Não fiz nada, havia um homem aqui.
- Mãos ao alto! - Havia um homem!
Eu não fiz nada!
Podem procurar, garanto que havia um homem!
Laura! Laura!
Laura!
De acordo com o boletim de ocorrência
as testemunhas ouviram um grito, mas não viram ninguém sair.
Não vi ninguém.
A porta estava trancada por dentro com a corrente.
Ainda segundo o boletim,
nenhuma janela poderia ser aberta de dentro
porque nos meses de frio as maçanetas são retiradas.
E as janelas não foram forçadas.
Eles verificaram se daria para sair sem ser visto,
mas seria impossível sem deixar rastros
e não havia nenhum rastro.
Então, segundo a sua versão,
o assassino da sua amante evaporou.
Isso mesmo.
Mas antes de sair, ele deve ter entrado.
Ele já estava lá quando chegamos.
Mas deve ter entrado de algum jeito.
E os funcionários do hotel afirmam que você estava
com a única chave que abria aquela porta.
Toda a cena do crime foi manipulada para me culpar,
fazer a polícia crer que Laura estava apaixonada por mim
e, para salvar meu casamento, tentei suborná-la e a matei.
- Mas é uma armadilha. - De quem?
- Não sei. - Por quê?
Já disse que não sei.
Só sei que minha esposa foi embora com a minha filha
e alguém saiu impune.
Se não prestar atenção,
se não procurar nos detalhes dessa história,
- sabe o que acontecerá? - Me diga você.
Confirmará as suspeitas da polícia.
Eles dizem que não há ninguém com motivos para te destruir.
Então sua versão parece invenção, Sr. Doria.
Não é minha função achar o culpado.
Esse é o seu trabalho, do meu advogado e da polícia.
Mas para a polícia você é o culpado.
Sr. Doria,
se eu te contasse uma história como essa,
o que você pensaria?
E o que pensaria o tribunal?
Não sei o que esperava que eu dissesse.
Sabe de uma coisa?
Em 30 anos de carreira,
trabalhei com dois tipos de clientes.
Há os que aceitam as coisas e colaboram,
mesmo que isso signifique tocar em assuntos desagradáveis.
E há os que se acham mais espertos e tentam escapar
de uma condenação certa sem se sujar.
Você faz parte do segundo grupo.
Mas me deixe esclarecer uma coisa.
Não existe salvação sem sofrimento.
E você não é mais esperto do que eu.
Está se perguntando se a pessoa que falará com o promotor
tem algo a dizer sobre isso?
RAPAZ DE MOLVENO ESTÁ DESAPARECIDO
Se é assim, você está encrencado, Sr. Doria.
Agradeço se puder responder a próxima pergunta,
porque não tenho a intenção de repeti-la.
Quem era o homem que estava naquele quarto?
Se quer que eu te tire desse infortúnio em que se meteu
e evite sua prisão, não minta mais para mim.
Tudo começou há três meses.
- Querida. - Como está Paris?
Os franceses são antipáticos.
- Como foi a reunião? - Acho que não foi boa.
Meu pai nos convidou para almoçar domingo.
Eu disse que iremos, ele quer muito ver a Alessandra.
- Está certo. - Sabe quem é? É o papai.
Fale: "Oi, papai."
Sonia, preciso ir ou perderei meu voo.
Certo. Você ficará em Milão ou virá para casa?
- Voltarei para casa. - Me ligue quando embarcar.
- Eu te amo. - Eu também.
- Quem era? - Sonia.
Que horas são?
Quase 6h, estamos atrasados. Vamos?
Oi, papai.
Vamos?
- Por que vai por aqui? - É mais rápido.
Quer que eu dirija?
Já está dirigindo.
O que foi?
Eu só minto.
Quando está comigo, não.
Sim, mas no resto do tempo, minto porque estou com você.
Você fica feliz quando está comigo.
Eu gosto do que sinto quando estamos juntos.
Lembra o que dissemos quando começamos?
Que queríamos viver assim.
Sim, e que quando chegasse o momento...
Quer se separar da Sonia?
Não.
E eu não quero me separar do Bruno.
Por isso somos perfeitos juntos.
Mas não podemos ter tudo.
É preciso abrir mão de algo.
Mas nós estamos bem.
Estamos bem.
Estamos.
O que fazemos é errado.
Você também sabe disso.
Acabou?
Sinto muito.
- Você está bem? - Acho que sim.
Está me ouvindo?
O que está fazendo?
Chamando a polícia.
Não foi culpa nossa, mas da porra do cervo.
Eu invadi a faixa dele.
Ele estava sem cinto e no celular.
Você acabou de dizer que é preciso sacrificar algo.
- O que quer dizer com isso? - É ele ou nós.
Se chamar a polícia, estamos ferrados.
Preste atenção. Veja, não tem ninguém aqui.
Ninguém viu nada, ninguém sabe de nada.
Sua vida não precisa mudar.
Sonia, sua filha, sua carreira.
Não quer perder tudo, quer?
Quer perder?
Não liga.
Dê partida, porra!
- Adriano? - O que foi?
Tem alguém vindo.
- O que está fazendo? - Saia do carro.
O que faremos?
- Espere aqui. - Aonde vai?
O que está fazendo?
- Nós batemos, certo? - O que está dizendo?
- Olá. - Precisam de ajuda?
Não.
O que houve?
Bati no carro dele, estamos trocando os dados.
- Querem que chame a ambulância? - Não, estamos ótimos. Obrigada.
Têm certeza?
Deve ser a seguradora. Já volto.
Um belo susto, não?
Um cervo passou e... Ainda estou em choque.
Alô? Sim, eu liguei.
- Tem certeza? - Tenho.
Obrigado.
Quanto acha que vai demorar?
Ótimo. Obrigada.
- Tudo resolvido. - Por sorte não aconteceu nada.
- Até logo. - Até logo.
- E se ele viu algo? - Ele não viu nada.
Quem garante? Talvez tenha visto o rapaz.
Precisamos nos livrar dele.
- Você ficou louca? - Há uma testemunha.
Se o acharem aqui nos descobrirão.
Por favor.
Espere. Espere.
Ficarei aqui esperando ajuda.
E você cuida do corpo.
- O que farei? - Não sei.
Mas deve dar sumiço em tudo.
Depois se quiser paramos de nos ver.
Acabou.
Continuei dirigindo por uma hora,
e fiquei me perguntando o que estava fazendo lá,
ao invés de estar em casa com a minha família.
Se eu não estivesse com a Laura,
se não tivéssemos acordado tarde,
se não tivesse visto...
o vídeo da minha filha,
se tivesse virado à direita, ao invés de virar à esquerda,
talvez não tivesse encontrado aquele cervo no meio da pista.
O que você fez com o carro?
Eu o joguei na água.
Com o rapaz dentro?
Ainda ouvia a voz da Laura dizendo que não era nossa culpa,
que tinha sido um acidente.
Não podíamos fazer nada por ele.
Ele não tinha futuro, nós tínhamos.
Ele era como uma daquelas sombras.
Aprendi a encarar assim, para não enlouquecer.
E o que fez depois?
Liguei para a Laura.
Usei um chip pré pago para avisar onde eu estava.
Era o mesmo que usávamos para nos comunicar.
Foi horrível.
O que aconteceu?
Olá. Meu carro deu problema.
Não, estou bem, mas preciso de um reboque.
Onde estou?
Olá, tudo bem?
Sim, quase atropelei um cervo, mas estou bem.
Você teve sorte, poderia ter sido pior.
O carro não liga.
- Já chamei a assistência. - Não se preocupe.
Existe solução para tudo.
Conheço bem essa marca, sabia? É um belo carro.
Acredita que, coincidentemente, trabalhei anos nessa empresa?
Tommaso Garri.
- Prazer. - Você tem uma lanterna?
Uma lanterna?
- O carro é da minha irmã. - Pode deixar, pego a minha.
Não dá partida mesmo.
O sensor deve ter quebrado com o impacto.
Se não houver mais danos, está tudo em ordem.
Basta tirar o módulo de controle e resetá-lo.
Se quiser, tenho tudo o que preciso em casa.
Posso guinchá-lo e levá-lo até lá para consertar.
Mas se preferir chamo o reboque e explico onde estamos.
- Quanto tempo vai levar? - O reboque?
- Não, para consertar o motor. - Algumas horas, no máximo.
Pode ser.
Então você mora em Milão.
- E o que a traz aqui? - Minha irmã mora em Merano.
Minha esposa trabalhava lá perto,
na reserva florestal.
Ela era professora de Literatura,
mas depois adoeceu e precisou parar.
Por isso viemos para cá,
para levar uma vida mais sossegada.
Em que você trabalha?
- Tenho uma livraria. - Que interessante.
Eu sou apaixonado por Shakespeare.
"O mundo inteiro é um palco.
E todos os homens e mulheres não passam de meros atores."
Minha esposa me fez descobrir o teatro.
Foi assim que nos conhecemos,
em um grupo teatral.
Ela levava a sério, era talentosa.
Na verdade, eu frequentava para conhecer garotas.
Estou enganado ou ainda não disse seu nome?
- Rachele. - Rachele, certo.
Rachele, seu telefone está tocando.
Sim, querido.
Oi, amor, como foi a sessão de fotos?
Que horas vai embarcar?
- Eu ia te ligar, vou atrasar. - O que houve?
Um contratempo com o motor, não sei.
Avise quando chegar que vou te buscar.
Não precisa.
- Só vou comer algo e saio. - Não vá, por favor.
Laura, você está bem?
Sim, só estou meio cansada.
Não se preocupe, nos vemos em casa depois.
- Eu te amo. - Eu também.
- Oi. - Oi.
- Aconteceu alguma coisa? - Não, fique sossegada.
Essa é minha esposa Elvira. Ela é a Rachele.
Ela atropelou um cervo e o motor não liga.
Vamos ver se consigo consertar.
- Prazer. - Igualmente.
Você se machucou? Tem sangue na sua mão.
- Deve ser do cervo. - Do cervo?
- Vamos ver, se infeccionar... - Não se preocupe.
- Desculpe, estou com pressa. - Sim, começarei agora mesmo.
- Vamos entrar. - Prefiro esperar aqui.
Não vai querer ficar aqui com esse frio. Entre.
Pode aproveitar para se limpar.
Nós também já levamos vários sustos.
- Não quer comer nada mesmo? - Não, obrigada.
Este é um belo lugar para morar, mas é preciso se adaptar.
Obrigada.
Você tem filhos?
Perguntei se tem filhos porque vi que...
Não.
Meu marido gostaria de ter.
Quer dizer, eu também, mas...
Trabalho muito, sei lá.
Mas você ainda tem muito tempo pela frente.
Quando eu tive o Dani...
Digo, o Daniele. Ele não gosta que eu o chame de Dani.
Eu tinha quase 40 anos.
É verdade que um filho muda sua vida,
mas também a preenche.
Com licença.
Veja como ele é bonito.
Ele deve chegar logo e poderá conhecê-lo.
Oi, Chiara.
Não, também estou esperando, ele saiu com os meninos.
Como assim?
Você está com os meninos e o Daniele não está junto?
Sim, ele saiu às 18h.
Não, chegou do trabalho e já saiu.
Pronto, consertado.
O motor está ligando agora.
Mas precisa da chave.
Daniele.
Se ficar para o jantar, vai conhecê-lo.
Você é muito gentil, mas preciso ir embora.
- Obrigada. - Sim. Eu te ligo depois.
O que foi?
Daniele não está com os amigos e ninguém o viu.
Ele deve ter mudado de planos e não te disse.
É muito estranho, vou ligar para ele.
Fique calma. Ele precisa de espaço.
Está ouvindo?
Você também ouviu um telefone?
- Vou ligar de novo. - Isso.
Meu filho não está com os amigos e ela está preocupada.
Aqui está ele, veja.
Que estranho.
Daniele nunca sai sem o celular.
Deve ter caído e ele não notou, acontece.
Não é mesmo, Rachele?
Desculpem, preciso ir embora, está ficando tarde.
O que faremos agora?
Depende de você.
Estou em suas mãos.
O olhar dela me apavorou.
Fiz o carro desaparecer para não deixar vestígios.
Combinamos de não nos vermos nunca mais.
Quando cheguei na cidade, dei queixa do roubo do carro,
fingindo não tê-lo encontrado quando voltei de Paris.
E disse o mesmo para minha esposa.
Então fui obrigado a passar a noite aqui em Milão.
Não dormi nada, foi horrível.
Eu me sentia um criminoso, um impostor.
Alguém que levou dez anos para alçar voo
e num segundo estava prestes a perder tudo.
No dia seguinte, fui trabalhar.
Nos preparávamos para lançar a empresa no mercado asiático.
Minha ausência teria sido notada.
Passei um ano trabalhando no projeto
e não podia ferrar com tudo.
Tentei reorganizar as ideias,
antes de voltar para minha esposa e minha filha.
Precisei usar uma máscara,
para não revelar o homem que tinha me tornado.
Daniele Garri, 23 anos...
Achei que tinha conseguido.
Saiu do banco onde trabalhava por volta das 18h.
Quando aconteceu o inevitável.
Alguns minutos depois saiu de novo.
Os pais o esperavam para o jantar,
mas não tiveram mais notícias dele.
Familiares e amigos se uniram nas buscas.
Acredita-se que ele sofreu um acidente
e o carro caiu em algum barranco.
O rosto do pai dele ficou gravado na minha mente.
Eu me projetava na sua dor.
Jurei para mim mesmo que nunca mais cometeria
um erro desses na vida.
Com licença.
Sim, pode falar.
Você tem certeza?
Certo, ligue de volta se tiver novidades.
Quem era?
Serei muito direta com você, Adriano.
A testemunha está na promotoria.
Sua identidade é desconhecida, mas o promotor está chegando.
Preciso ligar para o meu advogado.
- Paolo, onde você está? - Estou entrando no helicóptero.
Virginia Ferrara está aqui pois a promotoria se antecipou.
Como assim?
Passe para ela.
Ele quer falar com você.
Obrigada.
- Paolo. - O que houve?
O Sr. Doria pode ser novamente preso esta noite.
Envie os detalhes por escrito, mas ele é todo seu.
Talvez eu consiga informações sobre o caso.
Volto a te ligar em algumas horas.
O que ele disse?
Está tudo sob controle, não se preocupe.
Vamos continuar, onde tínhamos parado?
No momento em que pensei que eu tinha conseguido.
Mas então a polícia chegou.
Com licença, já volto.
Como você sabe disso? Não há boletim de ocorrência.
Os detalhes, Sr. Doria.
A polícia de Molveno achou vestígios de colisão
a 5 Km de onde o rapaz morava,
mas não recebemos denúncia de nenhum acidente.
Mas o pai do rapaz socorreu uma mulher que se acidentou aqui
no mesmo dia do desaparecimento.
Você a conhece?
- Que história é essa? - O que interessa ao meu cliente
o que houve em Molveno enquanto ele estava em Paris?
A mulher disse ao pai...
Ela disse ao pai do rapaz que colidiu com um cervo.
Mas os vestígios de um segundo veículo na estrada
nos obrigam a considerar que tenha acontecido algo
e que ela tenha ocultado com a ajuda de alguém.
- E daí? - A placa do veículo da mulher
corresponde à da BMW que está no nome do seu cliente.
E foi roubada do estacionamento naquele fim de semana.
Está insinuando que o Sr. Doria está mentindo
para encobrir um acidente do qual você não tem provas?
De acordo com a denúncia,
ele não forneceu o cartão do estacionamento
para provar que o carro estava lá.
Eu o perdi.
Teoricamente, ele deveria estar no meu bolso,
mas deve ter caído.
Você disse isso quando depôs. Muito conveniente, não?
Um momento, a informação sobre a placa do carro
foi dada pelo pai do rapaz?
Isso sim é muito conveniente, é um indício não corroborado.
É o que tentamos fazer, corroborar.
Não devia incomodar meu cliente para provar sua viagem a Paris,
bastava pegar o telefone
e ligar para a secretária dele para obter os detalhes.
Já terminamos?
Por que está tão nervoso?
Não posso te ajudar se não me contar tudo.
Você está envolvido no sumiço do rapaz?
Eu não estava em Paris. Estava com uma mulher.
Então sua secretária não pode provar a viagem.
Que ótimo.
Pode fazê-los acreditar no contrário?
Arranjar um álibi?
Não acho que estou em condições de negar.
Paolo, foi um erro.
Eu terminei com ela
e não quero que essa história destrua meu casamento.
Da próxima vez que me chamar, comece contando tudo.
Tem mais uma coisa.
O boletim de ocorrência
precisa desaparecer.
Eu cuido disso.
Confirmado o álibi de Paris, a polícia encerrou o caso.
Paolo não conseguiu fazer o trabalho direito.
Minha fonte achou seu nome no arquivo da polícia.
Suponhamos que a promotoria também tenha achado.
Eu não teria feito nada se não fosse pela Laura.
O que ela fez quando você contou
que a polícia pediu para identificá-la?
- Não contei para ela. - Sei que você a contatou.
Os ricos querem continuar sendo ricos
e protegem seus bens.
E eu sei fazer meu trabalho muito bem.
Não ache que sou tão burro de contatar a Laura
quando sabia que a polícia estava me conectando a ela.
Quando e por quê?
E então?
Quando eu não sabia mais o que fazer...
A conta da mesa 17.
A polícia descartou a hipótese que Daniele Garri,
desaparecido há três semanas, tenha sofrido um acidente.
Eles acreditam que Garri simulou o sumiço para fugir.
Ele pode ter se apropriado de 50 mil euros
do banco onde trabalhava.
Garri teria desviado pequenas quantias
das contas de clientes antes de sumir.
Tem um telefone aqui?
Laura não desistia quando queria algo.
Ela sempre agiu assim.
E continuava fazendo o mesmo para esquecer o ocorrido.
- Alô? - Por que acham que Daniele fugiu?
- De onde está ligando? - De um restaurante.
Nos vemos em quatro horas no ferro-velho.
O que faremos agora? Iremos com meu pai?
Tudo bem?
Preciso voltar para o escritório.
Está certo.
Até mais tarde.
- O que é isso? - A carteira do rapaz.
Peguei quando o colocamos no porta malas.
Achei que poderia ser útil.
Depois do acidente, Bruno trabalhou em casa.
Decidi encerrar o assunto do único jeito possível.
O que está me contando?
Que sua amante, além de fotógrafa,
era especialista em sistemas bancários?
E teria roubado o dinheiro jogando a culpa no Daniele?
Acha que o promotor é imbecil?
Ela conheceu o marido trabalhando no banco.
A tecnologia avança a passos largos.
Você sabe disso melhor que todos.
Sua amante se atualizava e se dedicava à fotografia?
Mas o marido pode ter ajudado.
Ela pode ter contado para ele
e não me disse porque queria me deixar fora disso.
Você não conhecia a Laura.
Usava a sedução para conseguir o que queria.
O arquétipo perfeito da femme fatale.
Você tem noção do que fez?
Se tivesse deixado vestígios, não estaríamos aqui.
Por que me olha com essa cara?
Você não chamou a polícia porque era a coisa certa.
Não, não era a coisa certa.
- Se eu cair, você cai junto. - Não me ameace.
- A polícia me procurou. - Não me ameace você.
Minhas fotos mostram que não esteve em Paris.
Os dias seguintes não foram nada tranquilos.
Minha empresa tinha fechado o negócio
com a mais importante empresa de tecnologia do mundo.
Eu era o homem do momento.
- Como se sente? - Muito feliz.
A imprensa me assediava.
O Prêmio de Melhor Empresário do Ano
vai para Adriano Doria.
Mas era tudo fachada.
Obrigado.
Algo dentro de mim havia se quebrado, há tempos.
Sr. Doria, com licença.
Um jornalista quer conversar, ele disse que te conhece.
Sr. Doria, lamento incomodá-lo num dia especial.
Você sabe quem sou eu?
Não, mas sei que não é Ivano Soru.
Sou o pai de Daniele Garri.
Não sei se viu os noticiários.
Hoje estão dizendo que ele fugiu com o dinheiro.
Só quero fazer umas perguntas, se não tiver problema.
Só sei aquilo que a imprensa diz sobre seu filho, lamento.
Veja bem, Sr. Doria,
meu filho não é ladrão
nem fugiu para lugar nenhum. Meu filho...
está morto.
E há alguém brincando comigo e com minha esposa.
No dia...
que você foi falar com a polícia,
nós também estávamos lá.
Eu sei o que vi, ponto final.
Daniele usou o celular até pouco antes do meu marido
encontrar aquela mulher na estrada.
O celular não poderia estar em casa.
Só ela pode ter levado até lá, com certeza.
Só pode ter acontecido isso, não tem outro jeito.
E ela não estava sozinha, havia alguém dirigindo.
- Como tem tanta certeza? - Quando entrou no carro,
ela regulou o banco e o espelho retrovisor.
Ela não estava dirigindo.
O carro é da minha irmã.
Ela mentiu para mim. E ninguém mente assim, à toa.
Ou ela mentiu para se proteger
ou mentiu para proteger alguém
que estava com ela.
Você tem fogo?
Aquela mulher escondia algo.
E você também, Sr. Doria.
Acredite em mim, garanto que não sei nada.
Além do mais, eu estava em Paris.
A polícia me disse isso.
Mas uma passagem aérea
e a reserva de um hotel não provam nada.
Nós confiamos na capacidade da polícia
e voltamos para casa.
Mas alguns dias depois a polícia foi nos informar
que nosso filho estava sendo acusado de furto.
Naquele momento, Sr. Doria,
nós percebemos que era uma armação.
Porque nosso filho não era assim.
Daniele nunca fez mal a ninguém.
Minha esposa teve um colapso depois disso.
Já eu, nunca deixei de procurar.
Fiz tudo o que podia para descobrir algo.
Segui a única pista que tinha.
Você.
O que aconteceria se descobríssemos
que aquele dia você não estava em Paris,
mas sim com aquela mulher?
Fui contar para a polícia, mas eles não me deram ouvidos.
Foi quando me dei conta do quão poderoso você é.
Mas é o medo
que faz o lobo ficar maior do que é.
Mas eu não tenho medo do lobo.
Após passar pela experiência de ter um filho desaparecido,
sem que ninguém se importe, o medo deixa de existir.
Tudo deixa de existir.
Logo perceberão que sou um intruso aqui.
Diga a verdade, onde está meu filho?
Acredite em mim, eu garanto
que não sei nada.
Claro que sabe.
Você estava no carro com aquela mulher
que não se chama Rachele.
E houve um acidente exatamente onde a encontrei.
Posso saber onde foi parar o carro do meu filho?
Foi você que se livrou dele? E o que fez?
Isso?
De pai para pai, me conte.
Eu e minha esposa sabemos que nosso filho morreu
só queremos achar o corpo e dar o descanso que ele merece.
- Senhor, venha conosco. - Sim, não encoste em mim.
Se fosse a sua filha no lugar do meu filho,
você teria inventado um culpado para incriminar alguém.
Você o conhece?
Querido, você o conhece?
Não.
Ninguém poderia me relacionar ao caso. Nem ele.
- Nome e sobrenome? - Tommaso Garri.
Paolo fez meu nome desaparecer do caso.
Então ele era só um pai que não aceitava a realidade.
Ele deve ter voltado para casa só para consolar a esposa.
Sei que ele teve que pagar um preço muito alto,
mas desde então, não tive mais notícias.
Ótimo.
Agora temos todas as cartas na mesa.
Duas vítimas, dois cadáveres.
O assassinato de sua amante
parece ser consequência da morte de Garri.
Para a polícia só existe um homicídio,
pois só existe o corpo de Laura Vitali.
E você é o suspeito.
Mas para nós e os pais de Daniele Garri
há outro cadáver, outro corpo.
O do rapaz desaparecido.
E os Garri suspeitam que você e sua amante
são os culpados.
Visto que Laura morreu, resta só você.
O que esse quebra-cabeça te sugere?
E o que sugere para você?
Me faz pensar no mistério do quarto do hotel.
No homem que, de acordo com você,
matou sua amante e sumiu magicamente.
Outra pessoa ligada a Daniele Garri.
Há mais alguém que sabe de algo, além dos pais.
- Olá. - Precisam de ajuda?
Quer que o promotor acredite que foi o motorista
que atraiu vocês ao hotel?
Por qual motivo, se posso perguntar?
Para nos chantagear pelo que sabia.
Ambos éramos culpados e talvez ele tenha descoberto
que Laura não era minha esposa.
Os detalhes, Sr. Doria.
Saiba que o promotor acreditará na sua teoria tão distorcida
apenas se os detalhes forem verossímeis.
Ainda não contei por que fomos ao Hotel Bellavista.
- Sr. Doria, isto é para você. - Obrigado.
REMETENTE: DANIELE GARRI
Sei o que você e aquela mulher fizeram.
Se eu não receber nada,
ainda hoje enviarei essa foto para a polícia,
assim encontrarão Daniele Garri.
Às 17h em ponto
estejam na frente da estação de Soprabolzano.
Sejam pontuais,
ligarei no orelhão do estacionamento
para avisar aonde devem levar o dinheiro.
Foi enviada há três dias de Molveno.
Está assinada por Daniele Garri.
Foi aqui?
Se esse não for o lugar, parece muito.
Você prestou atenção na lua?
Hoje a lua está cheia.
Está do tamanho das lacunas da sua história.
Como explica que o motorista sabia do lago?
Ouvi um barulho enquanto jogava o carro no lago.
Vai me dizer que talvez fosse um cervo.
E se o motorista tivesse notado que Laura mentia?
Por sorte não aconteceu nada.
E se ele me seguiu? E se escondeu para espiar?
Certo, entendo seu problema.
Você está tentando excluir da sua versão
a morte de Daniele Garri.
Como é?
O motorista é motivado por dinheiro.
Você acha que se concentrando naquele chantagista sujo
e ignorando o pobre rapaz, parecerá menos culpado.
Você tem uma ideia melhor?
Farei três perguntas agora. Se responder ao menos uma,
eu levarei adiante sua teoria inverossímil.
Um: por que recebeu aquela mensagem incriminatória?
Dois: por que o assassino não levou o dinheiro,
se era o que queria?
Três: como fez para entrar e sair do quarto
como se fosse um fantasma?
Viu só?
Assim você dará à promotoria o que eles querem.
Absurdos desconexos
que demolirão sua bela história de aparência sólida e coerente.
Não recomece, por favor.
Me surpreenda resolvendo um dos seus questionamentos.
Sim. Direi o que pode ter havido baseado na sua história.
Vamos voltar para a estação
onde o chantagista deveria contatar vocês às 17h.
Deve ser ele. São 17h, vamos.
Espere, é melhor não sermos vistos juntos.
Espero vocês no Hotel Bellavista.
Chegarão lá com o teleférico que opera no vale.
Reservei o quarto 215.
Tem mais uma coisa.
Deixe seu celular na lixeira ao lado do orelhão.
- Vou checar, espere aqui. - Tudo bem.
- Boa tarde. - Boa tarde.
- Tenho uma reserva, quarto 215. - Sim.
No nome de Adriano Doria?
Preencha o formulário, vou pegar a chave.
- Obrigada. - Às ordens.
- Alguém te viu? - Não.
O que faremos agora?
Não sei, precisamos esperar.
Mandaram um SMS do seu telefone.
Vamos.
Adriano?
Adriano.
Não tenho nada com isso, não fui eu.
Um momento.
Você desconfia que Tommaso Garri estava no quarto?
Você não?
É uma hipótese verossímil para construir uma defesa,
algo que poderia convencer o promotor.
Tommaso Garri tem um motivo muito forte
para cometer um homicídio.
Se um pai sabe que a polícia protege os responsáveis
pelo sumiço do filho, ele só tem uma opção.
Obrigá-los a se expor.
Ou matar um de nós e jogar a culpa no outro.
Exatamente.
Garanto que havia um homem!
E funcionou perfeitamente.
Todos te consideram culpado:
a polícia, sua esposa, seus sócios.
Tommaso Garri não só te culpou pelo homicídio da sua amante,
mas também arruinou sua vida e sua empresa.
Talvez só o Paolo pudesse te livrar da prisão,
usando um vício processual na corte de apelação.
Vocês criaram juntos a teoria do complô
e suspeito que ele me contratou
porque não era capaz de fazer tudo sozinho.
Seu advogado sabia
que se tivesse me convencido com sua história
eu teria convencido o promotor.
Conseguiu quem me prepare para enfrentar o processo?
Sim, ela é a melhor em preparar testemunhas.
Há duas semanas ela anunciou a aposentaria,
mas decidiu pegar seu caso
e garanto que não pretende perdê-lo.
Então, o único jeito de provar que você não matou sua amante
é envolver Tommaso Garri.
E isso significa confessar.
O que aconteceu com o filho dele?
Mas isso é inútil,
se não entendermos como ele entrou e saiu do quarto
sem deixar vestígios.
E te garanto que quando acordei
não havia ninguém lá.
Socorro! Laura!
Já ouviu falar no conceito de pensamento lateral?
É uma técnica que consiste em mudar a perspectiva
para poder analisar os vários fatos.
Vou dar um exemplo.
Suponha que em um celeiro completamente vazio
um homem é encontrado enforcado no meio da viga central.
A corda utilizada tem três metros.
Os pés pendem a 30 cm do chão.
A parede mais próxima está a seis metros.
Não é possível subir nas paredes, nem na viga,
ainda assim aquele homem se enforcou sozinho.
Como ele conseguiu?
Como ele conseguiu?
Ele subiu num bloco de gelo que derreteu com o calor.
Esse é o nosso celeiro.
O arquivo fotográfico policial do seu caso.
A resposta deve estar na sua declaração dos fatos.
Não entendo o que espera encontrar aqui.
Os detalhes, Sr. Doria.
Concentre-se neles,
eles sempre estiveram na nossa frente.
Mas precisam ser analisados por um perspectiva diferente.
E se a resposta para o enigma não estivesse dentro do quarto,
mas do lado de fora?
Não é coincidência,
o fato de termos sido levados a um hotel tão longe e afastado.
Tommaso Garri jogou a isca e vocês morderam.
Ele deve ter enviado o envelope
para forçá-lo a montar o quebra-cabeças errado,
assim você duvidaria do que realmente aconteceu.
Quarto 215.
Só assim ele acharia a peça que faltava.
Não faz sentido, ele não tinha como saber do lago.
A região onde enterrou o rapaz é cheia de lagos.
Os moradores sabem.
Bastava Tommaso Garri jogar uma moeda
e esperar que você a pegasse.
Isso?
E foi o que você fez.
Foi tão fácil?
Você se traiu e entregou a Laura.
- Boa tarde. - Boa tarde.
Tenho uma reserva, quarto 215.
No nome de Adriano Doria?
Preencha o formulário, vou pegar a chave.
Dessa forma, Tommaso Garri conseguiu entrar no quarto
sem deixar vestígios.
Ele só precisou esperar que vocês fossem para o quarto.
De lá enviou a mensagem do celular da Laura.
Mandaram um SMS do seu telefone.
Depois ele te acertou e te tirou do caminho
para poder cometer o crime perfeito.
Se é assim, Garri deve ter preparado a cena para te culpar
e em seguida fugir por onde a esposa sugeriu.
Ele deixou o dinheiro para incriminá-lo,
deixou o celular da Laura no quarto
e fez com que encontrassem suas digitais na arma do crime.
Está tudo bem?
- Vocês viram alguém sair? - Não.
Vão até o quarto 215.
Abra a porta!
Mandei abrir a porta!
Abra!
Abra, por favor.
Afaste-se.
Parado.
Não fiz nada, havia um homem aqui.
- Mãos ao alto! - Havia um homem!
Podem procurar, garanto que havia um homem!
Fomos atraídos para aquele hotel pela mãe do rapaz
que depois ajudou na fuga do marido
para que eu parecesse culpado.
A polícia nunca a relacionou a você
porque Paolo retirou seu nome do caso do filho deles.
Licença.
Sim, pode falar.
Confirmado?
Tem certeza?
Certo, entendi. Obrigada.
É sobre a testemunha?
Ainda não temos o nome, mas agora sabemos quem é.
É o motorista.
Isso nos obriga a pensar rápido.
Também significa que estou fodido.
Não completamente, se me obedecer.
Suponhamos que no dia no acidente
não estivesse na cabana com sua amante.
Você estava em Paris, de acordo com seu álibi.
Foi a Laura que reservou o lugar no nome dela,
então você não estava presente no local do acidente
que matou Daniele Garri.
A placa e as outras provas são circunstanciais
e por lógica foi a Laura que executou o plano
para culpar o rapaz pela fraude.
Precisamos convencer o promotor que você era uma vítima da Laura
e que estava naquele hotel porque ela te pediu ajuda.
Você poderia não saber nada de Daniele Garri até então
e o pai te acusou injustamente do desaparecimento.
Preciso virar uma vítima da Laura?
Falta apenas uma conexão direta com o corpo de Daniele.
E o que planeja fazer?
Devemos esconder algo da Laura no carro do rapaz.
Só ela deve ser incriminada pelo desaparecimento do Daniele.
Seu único crime será não ter comunicado o crime.
Onde o escondeu?
Daremos anonimamente a posição do cadáver.
Você não precisará admitir nada.
Mas se não há corpo
não há crime.
Sem crime não poderemos convencer o promotor
que o assassinato da sua amante não foi crime passional.
Vamos nos ater aos fatos só o necessário
para que não se queime.
Como vou me salvar
se a prova mais importante está com a promotoria?
Precisam de ajuda?
O motorista confirmará que eu estava lá.
A promotoria não tem nenhuma testemunha.
- Como é? - Ninguém procurou o promotor.
É uma invenção que construí
usando os detalhes que você me deu.
Está de brincadeira?
Por que não falou a verdade desde o início?
Para ver se eu podia tirar Tommaso Garri do quarto.
Eu sempre soube que ele era o culpado.
Não foi difícil descobrir
que a esposa trabalhava no hotel.
E por que esperou que eu dissesse?
Para garantir que posso colocar minha vida nas suas mãos.
Certo.
Agora pode me contar.
Onde o escondeu?
Eu o afundei bem aqui,
neste lugar.
Tem outra coisa que não contei.
Achávamos que ele estava morto,
eu juro.
Laura tinha ido longe demais.
Não dava mais para voltar atrás.
Se a polícia achasse o corpo, teria sido meu fim.
Minha missão é mantê-lo fora da prisão,
não te salvar de si mesmo.
Você é um ser desprezível, Sr. Doria.
Terá que engolir tudo o que eu disse, porque...
Ele parecia morto.
Foi tudo muito rápido.
Não minta para si mesmo, você é um assassino.
Está me testando para ver minha reação com a promotoria?
O que você disse muda tudo.
Você agora está nas minhas mãos e me contou o necessário.
Se eu contar ao promotor, você está acabado.
Você não pode fazer isso, fui claro?
É isso que a promotoria está querendo,
seu desespero, e veja como foi fácil te provocar.
Quer me xingar? Fique à vontade.
É isso que o promotor quer,
mostrar o imbecil arrogante que há dentro de você.
Chega. Você está aqui para me defender,
então me defenda.
Não deixarei seu caso manchar o último dia da minha carreira.
De agora em diante, faremos do meu jeito.
Preciso ter certeza que não há mais pendências na sua história.
- Não há. - Não?
Eu disse que não.
Creio que ainda está me manipulando,
testando comigo sua versão alterada dos fatos
- e me usando como marionete. - O que não faz sentido?
Tudo pode ter acontecido como você disse, claro.
Mas e se você quebrou a promessa de não se verem mais
ao invés da Laura?
Por que a polícia acha que Daniele fugiu?
Nos vemos em quatro horas no bar em frente ao ferro-velho.
- Está certo. - Não se atrase.
Tudo bem, estarei lá.
A polícia acredita que Garri simulou o sumiço para fugir.
Talvez você tenha pego os pertences do rapaz.
- O que é isso? - A carteira do rapaz.
Peguei quando o colocamos no porta malas.
Faça o que deve fazer.
Você sempre teve os meios e os contatos
para mudar o curso dos fatos sem deixar rastros.
Isso é falso.
- Você não pode provar. - Você também não.
Vamos rever tudo ao contrário.
E se você tivesse tomado a iniciativa de tudo?
- O que está fazendo? - Chamando a polícia.
Não foi culpa nossa, mas da porra do cervo.
- O que está dizendo? - Até logo.
Ninguém viu nada.
E se Laura foi arrastada nessa situação incontrolável?
Após encontrarem o corpo da Laura,
a autópsia revelou que ela usava ansiolíticos.
E as receitas são da época do seu suposto retorno de Paris.
E daí? Até alguém forte como ela poderia ter um colapso.
É isso que não faz sentido na sua história.
Se ela tivesse instigado tudo,
você iria querer salvar o rapaz.
Mas você o afogou.
Então foi ela que ficou com o peso na consciência
que a consumiu aos poucos.
Adriano Doria recebeu o Prêmio de Melhor Empresário do Ano.
Ela percebeu que tinha apenas uma possibilidade
de recuperar sua dignidade.
Estou muito feliz.
Ela não poderia devolver o filho aos pais,
mas poderia fazer outra coisa: contar a verdade.
Eles combinaram de se encontrar no hotel
onde a mãe do rapaz trabalhava,
um lugar isolado, onde poderia executar o plano.
Ela foi para Molveno atravessando o vale.
Quando chegou à estação do hotel,
te ligou de um telefone público para que não suspeitasse.
Alguém sabe do acidente e está nos chantageando.
Ela te fez crer que o motorista tinha visto algo.
Falei para não me ligar!
E contou da chantagem.
Laura queria compensar os pais pela perda do filho.
Não queria confessar tudo de mãos vazias.
Então entrou no quarto do hotel e não fez nada além de esperar
e colocar em ação a segunda parte do plano.
Ela programou uma mensagem do próprio celular,
pois sabia que você se negaria a confessar,
porque você se importa apenas com uma coisa:
consigo mesmo.
Assim que você chegou no hotel, garantiu que ninguém te visse
e entrou no quarto onde Laura te esperava.
Mas ela já tinha trilhado um caminho sem volta.
Quando ela contou o que queria fazer,
você se descontrolou.
Por que me fez vir aqui?
Se acha que me entregarei, está muito enganada.
Não vou estragar a minha vida.
Eu já contei tudo, Adriano.
Cheque seu telefone.
Depois você recebeu o SMS no celular
e percebeu que tinha caído numa armadilha.
Este quarto está reservado no seu nome.
Agora daremos o dinheiro para eles,
você contará onde escondeu o filho
e nos entregaremos.
Chega, Adriano.
Não dá para voltar atrás.
Eu não a matei.
E jamais confirmarei isso diante do juiz.
Você a matou.
E ficou preso num quarto de onde não dava para fugir.
Está tudo bem?
- Vocês viram alguém sair? - Não.
Tem alguém aí?
Você pensou que o SMS poderia ser útil
e procurou elementos para basear sua teoria fantasiosa.
Abra a porta!
Mandei abrir a porta!
Está certo, você quer jogar?
Então vamos jogar.
Diga-me por que Tommaso Garri e a esposa não falaram nada.
Se é verdade que Laura contou tudo para eles,
por que não procuraram a polícia?
Eles sabem que você jamais confessará
e nem dirá onde escondeu o corpo do filho deles.
E sem cadáver é difícil provar um homicídio.
E eles também sabem
que você é capaz de tudo,
inclusive de culpá-los pela morte da sua amante.
Veja, Sr. Doria.
Segunda janela à direita do penúltimo andar.
Preste muita atenção.
É Tommaso Garri.
Ele parou de confiar na polícia há muito tempo.
Desde então, está te vigiando
para fazer justiça com as próprias mãos.
Você supõe coisas que não sabe.
Sei mais sobre ele do que imagina.
- Por quê? - Use sua inteligência.
Responda a pergunta.
Quando Tommaso e a esposa chegaram no hotel,
souberam da morte da Laura
e entenderam o que tinha acontecido.
Eles devem ter estudado as possibilidades
e não sabiam o que fazer.
Desconfiando da polícia, o que restava?
Observar o inimigo e esperar.
Só restava te vigiar.
Tommaso Garri se tornou a sua sombra.
Achou um apartamento num prédio na frente do seu
e conseguiu alugá-lo anonimamente.
Desde então, está mantendo você
e todos ao seu redor na mira.
Cada encontro, cada conversa, cada movimentação suspeita,
ele está lá, pronto para aproveitar.
Obviamente, isso me inclui.
Quem era aquele homem?
O que fazia na frente do meu escritório?
Descobri que ele chegou ali seguindo o Paolo
e comecei a vigiá-lo.
Foi o pai do rapaz que te trouxe até mim, não o contrário.
Ele mostrou as pistas para chegar em Daniele Garri.
Mas esta foto...
Esta foto confirma a minha teoria.
Você continua sem ouvir,
sem prestar atenção nos detalhes.
A mãe do rapaz estava naquele quarto.
Ela não trabalhou nesse dia.
Ela foi até lá com o marido para encontrar a Laura.
Mas ela está na foto.
Esta foto é falsa, foi adulterada, é uma montagem.
Preste atenção no reflexo do espelho.
Está vendo? A mãe do rapaz não está refletida no espelho.
Os detalhes.
Agora me diga,
você quer minha ajuda?
Quer que o promotor não te considere um assassino?
Muito bem, então admita que matou a Laura.
Eu a matei.
Adriano, você está em casa?
Seu celular está desligado, me ligue quando puder.
Eu cheguei e o milagre que esperávamos aconteceu.
Ligue de volta, parece importante.
Dez minutos de pausa e retomaremos.
Ele já preparou a estratégia para a sua defesa.
Fique calmo.
Sairei um pouco para espairecer. Tem café aqui?
Sim, claro.
Vamos precisar, será uma longa noite.
Senhora Ferrara?
Obrigado.
- Paolo. - Eu estava te procurando.
Sei lá, meu celular desligou. Pode falar.
Eu o encontrei
e você nunca esteve naquela estrada.
Ótimo. Você tem certeza?
Totalmente.
E como foi com a Virginia Ferrara?
- Precisei contar tudo. - Tudo?
- Tudo. - E como se sente?
Você tinha razão, ela é ótima, podemos confiar nela.
E o que foi aquela história da promotoria?
Fazia tanto barulho que não ouvi nada.
Nada de importante.
- Paolo? - Adriano?
- Que barulho é esse? - Alô?
A promotoria não tem nenhuma testemunha.
Ninguém procurou o promotor.
É uma invenção que construí
usando os detalhes que você me deu.
- Esta foto... - Foi adulterada, é montagem.
Sei mais sobre ele do que imagina.
- Por quê? - Use sua inteligência.
Responda a pergunta.
Eu e minha esposa sabemos que nosso filho morreu.
Só queremos achar o corpo e dar o descanso que ele merece.
O que restava? Observar o inimigo e esperar.
Se eu contar ao promotor, você está acabado.
Você agora está nas minhas mãos.
Adriano, você está em casa? Seu celular está desligado.
Está tudo sob controle, não se preocupe.
Os Garri suspeitam que você e sua amante são os culpados.
Visto que Laura morreu, resta só você.
Onde o escondeu?
Não existe salvação sem sofrimento.
E você não é mais esperto do que eu.
- Polícia. - Aqui é Tommaso Garri.
Você é o Sr. Doria? Sou Virginia Ferrara.
O pai de Daniele Garri.
Eu sei o que realmente aconteceu com meu filho.
- Art Subs - 11 anos fazendo Arte para você!
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