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O MONSTRO
A mesma mão atacou de novo.
Como já sabem, a vítima desta vez foi uma enfermeira.
O que posso lhes dizer? Mais uma derrota, a 18ª.
Tem certeza de que é sempre o mesmo assassino?
Basta olhar o cadáver, ou melhor, o que resta dele.
- Houve estupro? - Com licença.
Estupro, aqui, é um eufemismo.
No homicídio da Rua Cervazza, há cinco anos...
duas partes do corpo da vítima nunca foram encontradas.
- Quais? - Adivinhe.
- Para trás, abram caminho! - Com licença.
Qual foi a motivação?
O motivo do crime é sempre o mesmo, sexo!
Vocês tem de saber que quem está por trás disso...
é um pervertido, e, ao que parece, é um tanto eclético...
senhoras, moças, trabalhadoras, do lar, ele não liga para isso.
Com o perdão da expressão, mas caiu na rede, é peixe.
Quando o arrebatamento erótico o possui, nada o detém.
Mas não pensem ser ele um homem asqueroso.
Com certeza é um tipo comum, qualquer.
O problema é que por trás daquela figura comum...
há um estuprador, um pervertido...
um maniaco sexual disfarçado de homem de bem!
É um monstro!
Loris, já acabou? Esqueceu o tosador?
Veja, eu já dei um jeito.
- Está perfeito. - Quem é aquela moça?
- E o cortador de grama? - O cortador...
- Por que não o guarda? - Já ia pegá-lo, mas...
- Façamos o seguinte... - O quê?
Ponha um deles aqui, e o outro...
- Quem convidou essa daí? - Quem?
- Atrás de você, a ninfomaníaca. - Ninfomaníaca?
Não olhe agora, Loris.
Mas que papo é esse de ninfomaníaca?
- Aquela que faz amor com todos. - É mesmo?
- Ela se deita com qualquer um. - Com todos?
Até com... qualquer pessoa?
Se for qualquer pessoa, pode ser com qualquer um mesmo?
- Qualquer um. - Isso é perfeito.
Não olhe agora.
E o que se deve fazer?
Basta sorrir, dar uma piscadinha.
Ela sempre está com vontade.
Primeiro, ela parece surpresa, mas depois...
- Posso olhar agora? - Não, espere.
Ela está sentada bem atrás de você...
- perto do buquê de rosas vermelhas - Aqui atrás de mim...
perto das rosas, tem uma ninfomaníaca, pronta para...
- Loris... - O quê?
- Está interessado nela? - Não, imagine!
- É uma vadia. - Sim, é mesmo.
- Uma mulher que vai com qualquer um? - E, com qualquer um...
Preciso ir embora. Já descarregou os manequins?
Não, estão na garagem. Eu já ia pegar os dois...
O da serra elétrica, que vai aqui, e do cortador...
- Oi! - Olá, venha conosco.
Podemos pôr alguns aqui com um refletor...
Como quiser, confio em você. Mas ande logo e depois os devolva.
Tudo bem, tchau. Vá, vá, obrigado.
Não se preocupe.
- Claudia, o que aconteceu? - Claudia?
Não sei, alguém...
Alguma coisa...
me...
É melhor ir embora.
Boa noite, senhora. Desculpe por antes.
Meu amigo tinha me dito que...
Ajude-me!
A serra ligou!
Pare, pare agora!
Pare, sua desgraçada!
Meu pai, pare com isso!
Não vá embora, volte aqui!
Desgraçada, volte aqui!
Mais claro, era assustador.
Assustador.
Um pouco careca...
Senhora, este é o professor Taccone, especialista em psiquiatria criminal.
- Boa noite. - Foi horrível.
Olhe, não me faça lembrar.
Chega de perguntas, por favor.
Só uma coisa, se me der licença.
Escolha uma destas bolas.
- Por quê? - Nada específico.
Rápido, sem pensar.
- A branca. - Prazer em conhecê-la.
Escolheu uma branca, é uma vítima. O que ele fez com ela?
Ela, convidada para uma festa, se sentiu agarrada por um polvo...
que tocou em suas partes mais íntimas por uns dez segundos!
- Só dez segundos? - Deixe-me terminar.
Depois, no estacionamento, suava como um peru...
e segurava uma enorme serra elétrica em posição fálica...
e gritava, "Pare, sua desgraçada"
Um caso clássico. Não me surpreende.
É evidente. Ela caiu, e ele a atacou.
E extasiado pelo orgasmo, começou a gritar...
"Pare sua desgraçada"
Venha.
Isso aconteceu na mesma área.
Já foram 18 até agora.
Esse teria sido o 19º.
- Por que não o prende? - Não, quero ter certeza.
Quero pegá-lo com a mão na massa!
É ele, é ele!
É ele! Meu Deus, é ele!
É o desgraçado que me atacou!
Finalmente nos conhecemos.
Este é o homem que tira o meu sono há 12 anos.
Meu pesadelo está diante de mim. Quero saber tudo sobre ele...
onde mora, onde trabalha, o que come, o que bebe...
e até o que ele sonha.
Esta é a face de um monstro.
Nada mal, Loris, mas precisa entender que...
a língua chinesa é uma filosofia, um modo de ser, é complexa.
Eu sei, por isso quero aprender tudo, até os dialetos.
Basta aprender alguns termos que cairão no exame...
e que utilizará no trabalho.
Professor, se essa firma de chineses me empregar...
- primeiro vou pagar suas aulas. - Até parece.
Esqueço fácil das coisas, mas não vou me esquecer...
de lhe pagar as 100 mil liras assim que conseguir o emprego.
Para ser franco, só lhe emprestei 50.
É mesmo? Me emprestou 50?
- Sim, claro. - Então...
pode me emprestar mais para completar os 100?
- Senão, depois eu me atrapalho. - Loris, vamos em frente.
As quatro estações.
Espere um pouco...
A tabuada do dois.
Por favor... Um pouco de silêncio. Estamos quase terminando.
Não deu educação a essa garota?
- A boneca! - O que você está fazendo?
Silêncio!
Aqui estão os resultados da votação na quinta-feira.
Favorável: 422, contra: 1.
A sessão... Sr. Loris, diga. Ora, estamos em uma democracia...
todo inquilino pode falar. Diga.
No entanto, a maioria decidiu.
O trabalho começará dentro de seis meses com a mesma empresa. Obrigado.
Eu serei breve.
Eu serei breve.
Sou acusado de ter mau comportamento...
à convivência do condomínio.
Em primeiro lugar,
sou acusado de enfiar o chiclete no olho mágico;
De trocar as letras nas caixas de correio do condomínio;
De limpar meus sapatos nos tapetes de outros condôminos;
De tomar posse das lâmpadas do condomínio
para uso particular. E, muito mais sério:
De escrever cartas anônimas ao amado síndico.
Nada disso é verdade!
Além disso, por causa do meu voto contra
à instalação, no jardim das estátuas, de Branca de Neve e dos 7 anões,
sou acusado de roubar um dos anões.
Mais precisamente o Dengoso.
Eu nem sei qual é o Dengoso!
Por quê eu roubaria?? Caros colegas, vamos raciocinar.
Confesso, votei contra...
a instalação no jardim da Branca de Neve e os sete anões
porque oito milhões e cem mil liras de despesas,
citado pelo aqui pelo síndico,
parecem um roubo, um assalto, uma farsa!
Senhores, precisamos de novos ares.
É preciso frescor, honestidade, serenidade...
Em resumo, um novo síndico.
Uma pessoa... Um síndico
que limite a taxa de condomínio a 30%!
Que organize festas nos terraços do condomínio.
Uma pessoa honesta, íntegra, limpa, inteligente.
Transparente, confiável! Senhores,
é com extrema humildade,
que proponho como um novo administrador!
Eu mato ele!
Antes de falar, devolva o Dengoso! Foi você quem o roubou!
Você tem medo do confronto direto!
Vou te dar o confronto!
Você é um ladrão! À votação!
Não!
Insisto em me propor como novo síndico.
Que retardado!
Foda-se a maioria!
É por aí mesmo.
Cuidado com o degrau.
O apartamento está ocupado, mas logo será liberado.
Venha ver isto.
Veja que bela varanda.
Tem uma vista magnífica. Estou vendendo contra minha vontade.
Mas minha esposa quer vendê-lo. Ela está me pressionando.
Tem certeza disso? É bem bonito.
- É, eu sei. - E o inquilino?
- Como? - O inquilino.
Ele está indo embora, vai partir em breve.
Venha ver a sala.
Esta é a sala...
Com licença.
É o celular, deve ser minha esposa.
Um momento.
Alô?
Olá, Glória. Como vai?
Alô?
Boa tarde, desculpe o incômodo.
Quero falar com Antonello. Muito obrigado.
Antonello!
Que bom que está aí. Como vai?
Que prazer falar com você.
Não posso Ir.
O encanamento do banheiro estourou de novo.
É, estourou ontem, mas hoje estourou de novo.
Estou esperando o encanador.
Não pagar o aluguel? Me obrigam a pagar!
Paguei o último, há uns três dias.
Quatro milhões de liras!
Paguei 4 milhões de liras por este apartamento!
Onde vai parar este dinheiro? No bolso do senhorio.
O safado adora tirar O dinheiro das pessoas.
Ele sabe tirar dinheiro de qualquer um.
É um pouco grisalho, sim. Ele é um ladrão e tanto!
Já prometeu este apartamento para umas 30 pessoas!
Pede-lhes o adiantamento, assina, pega o dinheiro...
depois diz que a assinatura não é dele. Já enganou uns 30 assim.
E ainda tem gente que cai nessa, Antonello.
Não vai dar, Antonello, não vai dar mesmo.
Não posso ir por que não dormi nada esta noite.
O alarme do vizinho disparou.
Toda noite ele me atormenta.
É toda a noite! E quando eles saem no fim de semana...
ligam todos os alarmes. Aí, basta uma mosca pousar na porta...
que todos disparam juntos. Depois, cantam sem parar...
E cantam mais.
Antonello, já chega por hora.
Vou descer para usar O banheiro do bar da esquina.
Vinte minutos então? Até logo.
Acho que já vi o suficiente. Eu ligo para você, obrigado.
Espere, ainda não viu a melhor parte, o banheiro!
Não precisa, eu vejo na próxima.
- Espere... - Adeus!
Eu ligo!
Ouça bem, tem sorte de não lhe colocar para fora.
Um passo em falso, chamo o próprio prefeito para expulsá-lo!
Pense em pagar o aluguel em vez de ficar divagando!
A ordem de pagamento ainda está com o porteiro!
- Mas ele não me deu. - Como assim? Você deve pegar!
Ele me diz que nunca o vê entrando ou saindo!
Ele deve ser um bêbado, entro e saio todos os dias.
Troque de porteiro.
Chega de brincadeiras, você está pedindo por isso!
Segure o elevador!
Eu disse para segurar!
Seus asquerosos malditos!
Desta vez eu peguei vocês!
Peguei a boneca!
- A boneca, não! - Solta!
Um dia, farei sua boneca em pedaços!
Ouviu bem, Sra. Squarciapini?
É a décima vez que sua filha Sue Ellen e esse outro pestinha...
jogam um gato morto na minha casa, esse aqui acabou de morrer!
- Bom dia. - Bom dia.
Bom dia.
- Bom dia. - Bom dia.
Até logo!
Bichano, aonde vai? E melhor ir embora...
Isso, vá embora.
Senão, vai acabar morto lá em casa, como os outros.
Assassinos.
- Pronto. - Claro.
Obrigado.
É simples, basta cobrir cada um, é fácil.
- Com licença. - Certo.
Dois cafés.
- Ruggero, venha logo aqui. - O que foi?
Não foi ele que comprou o relógio de pêndulo...
e não pagou?
Loris!
Não, Loris morreu.
Não pagou porque morreu. Coitado.
Ainda tenho o telegrama dizendo que morreu.
Mas sabe que parece mesmo com ele?
Vejamos, Loris!
- É ele! - Vai!
Seu ladrão! Estelionatário!
Pague o relógio de pêndulo!
- Bom dia. - Bom dia.
- Qual é o problema? - Vamos ver, senhora.
- Importa-se? - Sem problemas.
Com licença, com licença.
Obrigada.
Obrigada, próximo.
- O que está havendo? - Posso ver sua sacola?
- Só um instante. - Tudo bem.
O que está havendo? O que devo fazer?
Certo, vou fazer isso, obrigada.
Não precisa para ninguém, liberem todos.
Tchau, obrigada.
- Tudo bem. - Vai ficar assim o dia todo?
Estamos perdendo tempo, sem ofensas, senhor.
Eu o prenderia agora.
A história das aberrações sexuais, embora rica...
atinge seu ápice com este espécime.
Ele se chama Loris.
Um nome banal, que quase desperta ternura.
Desculpe-me.
Sente-se, por favor.
Nenhuma de vocês é obrigada a aceitar.
A missão é muito arriscada.
Estes psicopatas, às vezes, são capazes...
Resumindo...
precisamos pegá-lo com a boca na botija...
uma botija cheia de marmelada.
É aí que vocês entram na história.
Senhoritas, precisamos de sua "marmelada".
Exato, isso mesmo.
É preciso provocar um arrebatamento erótico irresistível...
que faça com que ele confronte suas obsessões sexuais!
Vocês devem fazê-lo mostrar seu pior lado, aquele que ninguém...
quer ver.
Em seus testículos, ocorre o que chamamos de...
Obrigado, doutor. Eu assumo daqui.
Agora é com vocês.
Devem fazê-lo pegar a marmelada.
Ponham-na sob o nariz dele, e, quando ele for provar...
metam-lhe a arma na boca e tragam-no aqui!
Com licença, senhor.
Mas querer fazer amor ao ser provocado, é normal.
Normal?
O termo "normal" não se aplica a este homem.
Está fora do vocabulário dele.
Rocco, dê início à projeção.
Normal...
Nós o filmamos em uma manhã qualquer.
Vejam, um homem qualquer numa manhã qualquer.
Aqui, ele acabou de sair de casa.
Parece tranquilo, até brinca com o gatinho que o segue.
Ele dobra a esquina. Deve estar acariciando o gatinho.
- Mas vejam. - Meu Deus, ele o matou!
Eu lhes pergunto, ele é normal?
Não, Rocco, não ponha de novo. Próxima cena, por favor.
Obrigado.
E agora, observem atentamente como ele conseguiu desenvolver...
uma perfeição cronométrica absoluta.
Ele tem um compromisso, mas o semáforo está vermelho.
Fica preocupado...
olha no relógio e decide atravessar no vermelho.
Seu desejo é que o guia, antes, parecia tranquilo.
Nós o perdemos aqui.
Aí vem ele.
E o que ele faz?
Chegou aonde queria. Mas para quê?
Aí está a resposta.
Pare aí. Este sujeito é um gênio.
O Mozart da perversão. Pode passar de novo?
É o melhor que já vi.
É brilhante, pena ser um pervertido.
Observem a perfeição do sincronismo. Olhem.
- Um verdadeiro gênio. - Desgraçado.
Mostre as outras cenas. Quero lembrá-las de que...
se trata do mesmo dia, um dia perfeitamente normal.
Não tenho a menor ideia do que está fazendo.
Aqui, está lendo o jornal...
normalmente.
Certo.
Vejam mais um objeto de seu desejo.
Ela está saindo de uma cafeteria.
Ele a segue.
Aí, ela deixa cair suas compras e inclina-se para recolhê-las.
Ele oferece ajuda?
No que poderia estar pensando?
Admito que talvez eu também tivesse admirado o espetáculo.
Mas eu não agiria como ele.
E nenhum outro homem também não agiria.
Eis um homem sem controle sobre seus impulsos sexuais.
Olhem o rosto dele, no que estaria pensando?
Vejam isso. Viram o que acontece?
Ele perde o controle. Um órgão se torna autônomo.
Ele parece estar lutando com aquele órgão.
É como se dissesse, "Pare, este não é o momento!"
"Pare, este não é o momento!"
A moça continua lá como uma vítima.
Ele continua sua luta, "Não, ainda não!"
Vejam a expressão do rosto.
É aterrorizante.
Olhem como ele se debate.
É incapaz de controlar O próprio corpo.
Esta imagem nem precisa ser comentada, fala por si só.
Já vi o bastante, ele é nojento.
Agora, perde o controle do corpo todo.
Incapaz de se controlar, atira-se em direção da pobre moça...
mas felizmente ela vai embora a tempo.
Uma cenoura a mais e teríamos mais uma vítima.
Inacreditável, ele precisa de água para se acalmar.
Portanto, se é capaz de agir assim em plena luz do dia...
faria o mesmo a qualquer hora, em qualquer lugar.
Imaginem-se à noite, sozinha com ele, num beco.
É o que vão enfrentar. Olhem bem.
Parece ter terminado, mas vejam.
Longe disso, moças, vejam só.
Olhem bem o que ele faz, ele se pune!
Literalmente pune sua parte autônoma!
Vejam com atenção...
Aonde elas foram?
Pare o vídeo, Rocco.
Acenda a luz.
Policial?
Policial!
Come se chama?
Agente Rossetti Jessica.
- Rápido, Loris. - Estou fazendo o possível.
Quero que tenha cuidado. Isso é bem delicado.
A senhora ali é bem bonitona. Quem é ela?
Segure a onda, acho que saio com ela hoje.
Ótimo. Certo, muito bem, eu cuido disso.
Confio em você. Tchau, Loris.
Pascucci, só uma coisa...
muito obrigado pelo trabalho, estou precisando muito.
- Tchau, Loris. Vá. - Quando precisar, me ligue.
Posso cuidados dos manequins para você.
- Tchau. - Tchau.
Mas o que é isso?
Saia daí.
Anda.
Anda!
Não consigo me livrar de você!
Nossa, aqui vamos nós.
Assim mesmo, isso aí!
Vamos!
Isso!
Para baixo, assim mesmo.
Escritório.
Funcionário.
Comprar.
Vender.
Gerente.
O SENHORIO É UM LADRÃO
O senhorio é um ladrão.
Escritório.
- Quem é? - Seu senhorio.
Sim, e?
Preciso mostrar o apartamento a um possível comprador. Abra!
Um momento, por favor.
Estou no banheiro!
Droga, o que vou fazer com isso?
Já estou indo! Espere um pouco.
- Só um instante! - Vai abrir ou não?
O chuveiro está... Já vou!
Estou me vestindo!
Pode entrar.
Estou incomodando?
Obrigado, é muito gentil.
- Entre, fique à vontade. - Façam o que quiserem.
Venha, vou lhe mostrar o quarto.
Vamos abrir para entrar luz.
Pronto!
É um tanto esquálido, mas é só pôr algumas flores.
E também pode derrubar esta parede, se quiser.
Venha, vou lhe mostrar a sala...
O Charme da casa.
55 metros quadrados!
Não se vê mais salas como esta.
Aí está o senhor.
Posso abrir a porta da minha varanda?
Eu não falo com o senhor.
Tudo bem. Por aqui, senhorita.
Acompanhe-me, venha ver a varanda, é por aqui.
Veja só isso, é uma vista incrível.
A fachada está em obras, mas veja só que espetáculo.
Eu ficaria aqui o dia todo.
À noite, sopra uma brisa.
É frio no verão, quente no inverno.
Mas veja. Olha só como é bonito!
Sim, é uma vista e tanto!
É uma moça de sorte, telefonou na hora certa.
Vendo pela metade do preço, é praticamente um presente.
O que disse?
Venderei meu apartamento pela metade do preço.
Mas só quero um lugar para alugar.
Então houve um engano.
Eu só quero vender isto o quanto antes.
- Desculpe-me. - Não se preocupe.
- Caso mude de ideia. - Obrigada e até logo.
- Até mais ver, senhor. - Até mais ver.
Venha, por favor.
Senhorita!
Senhorita.
Senhorita.
Senhorita, venha cá. Venha, venha.
Preciso falar com você, depressa.
Mais perto, isso.
Eu disse para vir, é importante.
Bem, senhorita, ouça...
minha cabeça está explodindo.
Fique calma.
Sem querer, eu ouvi...
que procura um apartamento para alugar.
- Sim. - Muito bem.
Escute, pode ficar com o meu.
Nós o dividimos ao meio, está bem?
Vou sublocá-lo para você, quieta, quieta!
Se alguém ouvir isso, estou frito!
Silêncio! Escute, venha cá, não diga nada.
- Para quando precisa? - O quanto antes.
Certo.
Mas terá de me dar um adiantamento.
Oito meses adiantados em dinheiro vivo.
Estamos de acordo sobre o fixo e despesas eventuais.
Ninguém precisa saber de nada. Rápido! Finja que está trabalhando!
Pegue o balde, finja ser um operário.
Você sabe quem era? A esposa do síndico!
Um ladrão. Ele mora aqui.
Vai aonde? Fique aqui!
Não dê bobeira. Um ladrão! Eu me sinto vigiado!
Não me sinto confortável, como se não pudesse me mexer.
- Quanta bagagem você tem? - Duas malas.
Duas malas?
Não pode ir pela portaria.
Se eles descobrirem, acabou. Estamos fazendo algo ilegal.
Silêncio. Que horas combinamos?
Hoje às 3:00. - Bravo!
Às 3:00 da noite. Sozinha.
- Tudo bem. - Vá embora assobiando.
- O que? - Você precisa captar mais as coisas!
Vá embora assobiando, como se nada tivesse acontecido. Assobios.
Assobios. Senhorita...
O balde, jogue fora!
Assobie como se nada tivesse acontecido!
Parou bem na portaria, quer que me despejem?
Bem na porta com duas malas. Quer me matar?
Aqui, senhorita, aqui. Pelo amor de Deus!
Onde eu estava com a cabeça? A partir de agora, precisa ter cuidado.
Venha logo, e nada de barulho.
Agora, me ouça, a partir de agora, você tem de...
tem de...
- Senhorita, é a mesma pessoa? - Sou.
- Tem certeza? - Tenho.
Excelente.
É por aqui. Por favor, vamos.
Pela escada.
Depois de você.
Por aí mesmo, é no último andar.
Vá em frente!
Poderia não fazer barulho?
É sério, tem de olhar por onde anda.
Vá na frente, eu não sei o caminho.
Sim, é melhor.
Com licença.
Com licença.
Vou pôr isso aqui.
Muito bem...
agora, vou passar...
assim...
Desculpe-me.
Pois é...
aqui estamos nós.
A propósito, como você se chama, senhorita?
Jessica.
E você?
Eu me chamo Loris.
Pois é...
é um prazer.
Um imenso prazer.
Bem, está uma noite linda.
Traga suas malas, está bem?
Certo.
Nossa, o gancho, cuidado.
Perdão.
Perdão.
Apagaram a luz.
Certo, podemos ir.
É preciso ter cuidado.
Nunca se sabe O que pode encontrar.
Continue, mais um pouco.
Estamos quase lá.
Certo, por aqui...
Cuidado!
Muito bem, quieta.
Estamos muito nervosos.
Precisamos ficar calmos e quietos.
Podemos estragar tudo.
Esta é uma chance que não posso deixar passar.
Perdão, Jessica...
mas é mais forte do que eu. Preciso fazê-la em pedacinhos!
A boneca da minha vizinha!
Não se preocupe, vai levar só um minutinho.
É um assunto íntimo e pessoal.
Eu precisava disso!
Sinto-me ótimo!
Que sensação!
Vamos ver agora!
Venha, estamos quase chegando.
Por favor, senhorita.
Mais alguns passos e estaremos lá.
Isso mesmo.
Não...
Perdoe-me.
Conseguimos.
Venha.
Isso mesmo.
Bem, deixe-me cuidar destas malas.
Por favor, pode entrar.
Isso mesmo.
Você na frente.
Parabéns, entrou na toca do lobo!
Trabalho brilhante, incrível. Já está na casa dele, certo?
- Ela tem de ter cuidado. - Agora, vamos iniciar a próxima fase.
Sobe o pano, começa o espetáculo.
Você é a protagonista.
E sabe o título desse espetáculo?
"Nenhuma Trégua Para Loris"!
Deverá seduzi-lo 24 horas por dia.
Cada gesto, cada olhar, cada movimento de seu corpo...
cada som, cada suspiro, devem torturá-lo...
e despertar nele um demônio erótico.
A partir de agora, será a flor que atrai a abelha.
Ela vê o néctar que está entre as pétalas...
além do seu alcance.
É uma guerra, policial...
uma guerra sexual frustrante, dia e noite.
Nós vamos atrair Nosso assassino.
Vamos o quê?
Atrair o assassino.
Certo.
Oi, Loris.
Loris, sou eu, Pascucci.
Você está meio...
- Pascucci? - O que queria me dizer?
Pascucci, é sério.
Estou com uma mulher em casa que está sempre nua!
De manhã até a noite, de noite até de manhã...
pela casa toda, está sempre nua!
- Diga-me, ela é bonita? - Não...
Essa não é a questão. Ela está nua o tempo todo!
Não tenho um só momento de paz. Olha só.
Ela deixa a roupa cair, e aí ela caminha...
a primeira de manhã...
e aí vem com, "Desculpe", como assim? Ela não me viu ali?
Aí, ela se vira e está nua atrás também.
E se cai alguma coisa, ela se abaixa assim para pegar.
Deste jeito assim.
Ou então, no alto, assim onde você está.
Depois, vem com "desculpe" de novo, de repente, cai sobre mim.
Ela faz isso sem querer!
E ela está sempre nua.
Usa vestidinhos curtinhos!
E quando vai ler jornal...
ela lê assim, veja, isto é um jornal.
Ela lê assim.
E quando o jornal cai, ela pega assim.
Ela decida dar a volta, se senta normalmente...
como se nada estivesse acontecendo.
Aí, começa a ler e faz assim, assim, assim...
E eu estou aí onde você está.
E aqui, ela não tem nada, e eu vejo tudo.
Vejo tudo muito bem.
Ela tem aquelas coisas que as mulheres têm...
sabe aquelas coisas? Na frente, atrás...
e tudo em ótima forma, tudo, duas pernas...
sabe...
todo aquele gramado...
tudo no seu devido lugar.
Ajude-me, Pascucci, não tenho experiência nisso.
Você me entendeu? Eu jamais...
Às vezes, eu olho para ela...
e minha cabeça começa a...
eu fico pensando...
O que há para pensar, Loris? Você está babando!
Quando a mulher percebe, ela não gosta.
Cadê a dignidade, Loris?
Um pouco de dignidade. Não pense nela.
Pense em outras coisas, como restituição de Imposto de Renda.
Pense nos impostos. Entendeu?
Ela mostra o traseiro e você pensa nos impostos.
Pense...
na economia...
- Impostos, economia? - No dólar, no marco alemão.
- Dólar, marco alemão? - É modo de dizer, Loris.
Pense na inflação. Bem, até mais!
Inflação?
- Oi! - Oi!
Já lhe contei sobre a primeira vez que me apaixonei?
Eu tinha cinco anos, ele se chamava Guido.
Este é meu diário do primário.
Guido Mazzotti, escute só.
"23 de março. Hoje, vi o Guido, ele é o mais bonito da sala...
mais até que o Paulo, e também é o mais alto.
Parece até que os outros encolheram."
Esqueci de me trocar, vamos ao parque.
Que cara é essa? Parece preocupado.
Eu, preocupado? Claro que estou.
Preocupado com a inflação.
Se o custo da mão-de-obra cair meio ponto percentual...
O franco suíço vai desvalorizar a lira...
e ficaremos em apuros.
Tem um belo parque no bairro, com várias árvores.
Carvalhos, bétulas, faias, freixos, choupos, oliveiras...
tílias, abricoteiros, romãzeiras...
Onde foi que eu pus? Ando tão esquecida.
Uma volta no parque nos fará bem, há alguns ótimos na cidade.
Adoro o tamanho das árvores. Tem todo o tipo de árvore.
Aí está ela! Do seu lado.
Sabe que horas são? Nesse relógio é meia-noite.
São...
são...
16:18h.
Se for 16:18h, vou acertar o relógio.
Que horas são mesmo? 16:18h?
Como são lindos os tentilhões, Os pintarroxos, os gansos, os patos...
OS caimões, os cormorões e as gaivotas.
Meus Deus, veja o que eu fiz!
Não se mexa, eu cuido disso.
Como a natureza é bela! Eu queria muito ter uma horta...
para plantar um pouco de tudo, manjericão, cheiro-verde, tudo.
Estou estranha, zonza, minha cabeça está girando.
Talvez seja o coração. Está batendo muito forte, sinta.
De que lado fica o coração? Do direito ou do esquerdo?
Sabe que não lembro mais.
Sou muito frágil como a minha avó Dina. Já lhe falei dela?
Também fiz uma redação sobre ela no primário.
Aqui está, diário, 18 de abril. "Minha avó Dina.
Minha avó Dina foi mordida no dedo por um escorpião...
no mês de setembro, no dedo anular.
Agora estamos no mês de outubro e minha avozinha continua mal...
Nossa, deixei cair, eu pego!
Que calor! Quer ouvir O que escrevi para minha mãe?
Escrevi esta aos sete anos, em 21 de outubro...
"O meu pai..." Não é sobre minha mãe, é sobre meu pai.
Engraçado, não? É muito longa, temos de ir.
Que horas são? Estamos atrasados, já arrumei o relógio.
Rápido, vai ficar tarde!
Vamos! Se eu tivesse uma horta...
poria nela couve, couve-flor, alcachofra, cenoura...
aipo, cebolinha e berinjela.
- Loris, me dá uma mão aqui! - Estou indo...
já estarei aí.
Pare aí. Você não me viu aqui?
- Sim... - Pode me ajudar a descer?
Pronto, devagar, eu não quero cair!
Lá vou eu!
Isso mesmo, devagar...
Obrigada!
Você não tem ideia do quanto procurei pelo chapéu!
Vou me trocar. Junto da horta, eu colocaria perus...
galinhas, coelhos, pintos...
antílopes, faisões e um peixe borboleta!
Como eu queria um desses, eu amo peixe borboleta!
- Loris! - Sim, sim...
Loris, gostou deste vestido?
É bonito.
É bonito, mas...
não muito prático.
Viu só isso, se encostar em algo, ele simplesmente cai.
Vou ficar nua. Dá para acreditar?
Não, caiu embaixo da cama, Loris, meu brinco caiu...
justamente aquele que a tia Mimi me deu!
Já lhe falei dela? É a minha tia predileta!
Loris, pode me ajudar aqui? O brinco está preso no estrado!
Já vou, já vou...
Como ele conseguiu ficar preso?
Não entendo isso, coisas assim vivem acontecendo.
Como ia dizendo, não sei como minha tia Mimi consegue viver tanto...
como chegar até os 90. Sabe o que ela me disse?
Embutidos. Como salame todas as manhãs...
presunto apimentado no almoço de domingo...
quando digo "apimentado", é para valer.
Há uma tímida reação na produção interna.
O dólar continua subindo, fazer pressão na moeda local...
é insensato, a não ser que haja alguma mudança...
na política monetária, de qualquer forma...
a renda per capita está abaixo do PIL do índice MIB.
No leilão do COT acabaram os bônus. Estou arruinado!
Estou pronta, vamos. Não quero perder o pôr do sol.
A visão do parque é incrível! E muito silencioso...
inacreditável, já falei muito, você vai ver, é belíssimo!
Fale baixo.
Aqui vamos nós, lá no parque, eu poderei gritar à vontade...
vamos rir e brincar. Vamos nos divertir tanto!
Sinto algo errado, é como se alguma coisa...
estivesse me machucando, me apertando. O que será?
Já sei o que é!
Sinto-me bem melhor.
Para o parque!
Sr. Jekins, acalme-se.
Olá, muito bem.
Desculpe-me, doutor, mas fiz de tudo.
- O que houve? - Nada, este é o problema.
Apenas parece que nada acontece. Conte-me o que fez até agora.
Quer saber o que eu fiz? Já fiz de tudo e nada funciona.
Até fiquei com ele no parque até às 03:00h da madrugada.
Estava praticamente nua, fazia um frio do cão...
eu dizia coisas como, "Puxa, estamos apenas nós aqui.
Gostaria que alguém se aproveitasse de mim".
Subi em árvores e fiquei de pernas abertas...
tomei um banho no chafariz, saí nua e colhi florzinhas...
na frente dele por uma hora, nenhuma reação.
Em suma, passei a noite toda com a bunda na cara dele!
Fascinante.
E como ele reagia? O que dizia?
O que dizia? O senhor mesmo vai ouvir.
Ouça.
A alta na cotação do dólar continua pressionando o iene.
A Reserva Federal se mostra calma, mas Wall Street segue preocupada...
com a alta repentina...
É isso, não sei mais o que tentar, acho que estraguei tudo.
Ao contrário, senhorita!
Foi melhor do que imaginamos!
- Nós o pegaremos na hora certa. - Mas ele não fez nada estranho!
Sabe qual o termo técnico para esse seu "nada estranho"?
Apatia catártica pré-arrebatamento.
Resumindo, se trata da calmaria antes do furacão atacar violentamente!
Policial, agora, essa missão ficará muito perigosa.
Se ao menos eu pudesse vê-lo, tocá-lo...
eu poderia prever o dia, a hora e o minuto exato...
em que ele explodirá!
Deve haver alguma forma.
Escute, precisamos fazer algo muito arriscado...
mas que também servirá para protegê-la.
É preciso que eu o visite...
Tensão muscular craniana do metatálamo...
pressão sanguínea, pressão ocular...
DNA, ROS, altura, peso, reflexos!
Não temos tempo a perder.
Marque um encontro o mais rápido possível.
Por exemplo, diga que sou um alfaiate amigo seu...
e que quero fazer um terno. Não pode suspeitar que seja médico!
"Anexa segue a...
fatura". Fatura? Claro.
"Pagar imediatamente.
Cordiais saudações...
- o general diretor." - Não.
Isto é, "diretor".
- "Diretor geral"? - Muito bem. Terminamos.
Ótimo.
Professor, muito obrigado por me ajudar.
Se o senhor soubesse o quanto este exame é importante para mim.
O que mais importa neste momento é que eu passe no exame.
Imagine, vice-diretor da Hwang Shai-Hung...
Importação & Exportação. Hong-Kong, Xangai, Pequim Itália!
- Vice-diretor, calma, Loris. - O importante é passar no exame.
Estando dentro da firma, falando com os chineses...
acabo aprendendo, não é?
Agradeço muito.
O que é isso?
É o vasinho Lao-Tsé, um amuleto.
Fique com ele, vai ajudá-lo no exame.
Obrigado, vou precisar de sorte. Muito obrigado!
- Bem, já vou indo. - Eu o acompanho.
Obrigado mais uma vez, professor.
Acho que estou preparado.
Preciso passar.
Muito obrigado!
Só mais uma coisa que eu sempre quis saber...
O que está escrito ali, naquele capacho, o que diz?
Significa "bem-vindo", Loris, acho que estudamos isso.
Estava na ponta da língua. É que a escrita está meio gasta.
- Então, até amanhã no exame. - Até amanhã, vá com Deus.
- São simpáticos? - São ótimos, marido e mulher.
Ela é uma senhora delicada...
e ele, um dos melhores alfaiates da cidade.
- E o que vamos servir no jantar? - Precisamos fazer compras.
E os operários estão lá fora, o que vamos fazer?
Odeio esta persiana, ela sempre despenca!
Também caiu comigo.
Segura que vou dar um jeito.
Vou prender com a chave de fenda. Cuidado aí, Jessica.
Pronto, está segura.
Já podemos ir.
Quer saber?
Vamos encarar a situação e sair pela portaria principal.
É mesmo?
Espere um pouco, agache-se, siga-me e faça como eu.
Abaixe-se.
Vamos andar assim.
Olá!
Como vai?
- Olá! - Olá!
Não, não... Abaixada.
- Bom passeio. - Obrigado.
Obrigada.
- É sua esposa, não? - Sim, é minha esposa.
- Muito prazer. - O prazer é meu.
- Muito prazer. - O prazer é meu.
Pensam em ter filhos?
Filhos?
- Vamos ver... - Logo, logo.
Logo? Sim, logo.
O tempo mudou, ficou feio de repente.
Preciso ir ao estacionamento pegar o meu carro.
- Então, até logo. - Um bom passeio para vocês.
- Obrigada. - Um ótimo dia.
- Tchau! - Até mais ver!
- Até mais tarde. - Tchau!
- Quem é ele? - É uma história complicada.
- Não entendi nada. - Vamos, pode levantar agora.
Vamos, vamos...
O que está havendo?
O alarme sempre quebra.
Jessica, estes óculos são para você.
São lindos!
Eu sei.
Ficou ótimo, vamos andando, temos um jantar para preparar.
A que horas chega o alfaiate?
- Às 21:00h. - Então dá tempo.
Eu dou um jeito nisso.
- Paride, quero voltar para casa. - Não.
- 18. - 18 o quê?
Ele já matou 18, vá você sozinho.
Não, não, não... Sozinho é perigoso.
Se ele descobre que sou um psiquiatra...
Precisamos agir naturalmente, como um alfaiate e a esposa.
Além disso, eu já lhe disse, não há com que se preocupar.
Só precisa sorrir e cumprimentá-lo olhando-o bem nos olhos.
Iolanda!
- Aqui, tome isto. - Já me deu duas ao sairmos.
Tome mais duas.
Não, tome três.
Ande logo.
Pronto.
Estamos um pouco adiantados.
Melhor assim.
Poderia sorrir um pouco?
Assim.
- Paride! - Boa noite, esta é minha mulher.
Iolanda, agora chega! Venha cá.
- Ficamos muito felizes em vir. - Claro.
- Esta é Jessica. - Veja como é simpática.
É um prazer.
- Onde ele está? - Loris está preparando os bifes.
Bem, vamos entrando.
Preciso ir ao banheiro.
- Minha mulher quer ir ao toalete. - Eu a levo lá.
- Primeira porta à direita. - Obrigada.
- Onde podemos conversar? - No meu quarto, venha.
Certo, estou com um problema.
Preciso fazer a análise sanguínea, um check-up neurossomático...
depois, uma cintilografia RKS...
Paride?
Paride?
Paride?
Paride?
Quem é? Jessica?
Jessica?
Eu...
Vamos querida, tome isto.
Vai ajudá-la a se acalmar.
Vamos, beba tudo.
Isso.
Agora, vai descansar um pouco.
Precisa arrumar a porta, sempre tropeça nela.
Eu não tropecei, quando abri a porta, ela estava me encarando...
como se eu fosse um fantasma. Levei um baita susto.
Mulheres... Tudo sob controle.
Ficará bem em instantes.
Vou deixar se conhecerem.
- Paride. - Prazer, Loris.
Desculpe por chegarmos adiantados.
Para ser mais preciso...
exatamente 29 minutos adiantados.
A circulação estava difícil.
De certa forma...
foi melhor assim.
Melhor chegar adiantado do que atrasado. Permita-me.
- Paride e Loris... - Sim?
Por que não vêm aqui para uma bebida na varanda?
Claro. Um drink é sempre bem-vindo, certo, Sr. Paride?
A propósito, quero pedir desculpas pelo ocorrido com sua esposa.
- Sinto-me péssimo... - Não precisa, acidentes acontecem.
Veja o que preparamos para vocês.
Um, dois e três!
Isso ficou ótimo!
Parece que foi o disjuntor.
Deixei o forno ligado, vou ligá-lo novamente.
- Volto já! - Não acha que está indo longe demais?
Não, apenas me ouça...
O pulso dele está mais do que normal, praticamente 73 BPM.
Glândulas seminais quase estourando, olhos injetados...
como eu suspeitava, está no limite.
Pode explodir a qualquer instante.
Bom trabalho, meus parabéns.
Paride?
Paride?
Paride?
Com licença, senhora.
Posso entrar? Desculpe lhe incomodar.
Sou apenas eu. Loris...
Está me reconhecendo?
Quero me desculpar por antes, espero não ter magoado a senhora.
Coisas do tipo vivem acontecendo comigo.
Sempre fico animado assim quando conheço outras pessoas.
Fico até meio nervoso, apenas isso.
Quando se sentir melhor, basta me dizer!
Já cuidei do seu marido e da Jessica lá na varanda.
Estou apenas esperando pela senhora.
Não se mexa.
Não há porque ter pressa, temos todo tempo do mundo.
Relaxe um pouco, continue deitada.
Quando estiver pronto, estarei esperando!
Nos vemos mais tarde, está bem?
Vamos nos divertir, desculpe pelo que houve antes.
Tchau, Iolanda!
Desculpem pela demora!
Aqui estamos nós!
O que acham?
- Há algo que quero lhe perguntar. - Certo.
Há três portas, uma branca, fechada...
uma vermelha, aberta e uma marrom, entreaberta.
Qual escolhe?
Fácil. A vermelha, que já está aberta!
Certo, Jessica?
- Escolha uma bola. - Esta aqui, que está mais perto!
Ótimo, há mais uma que quero perguntar.
O senhor tem três vacas...
ou melhor, o senhor entra em casa e vê sua mulher caída.
Um, ela está morta...
dois, está desmaiada, três, está brincando.
O que acha?
Está morta! Vou desligar o forno.
Volto já.
Acertei a resposta?
Esse cara é profundo.
Que bom que já esteja de pé!
Aonde está tentando ir?
Lugar nenhum, não fique zangado.
Eu não estava fugindo.
Fugindo do quê?
Preciso de ar fresco.
Preciso de...
Posso?
- Claro. - Obrigada.
Ouça, se precisar de algo...
A veneziana está quebrada, aguente aí!
Vou lhe ajudar em instantes.
Quieta! Pode parar!
Cuidado!
Fique parada!
Não faça isso!
Tire as mãos de mim!
Estou sendo atacada!
Meu Deus!
Mais um pouco!
Venha, vamos!
Jessica, venha aqui, é a maldita persiana!
Eu já vi. Vou puxá-la, você levanta a persiana!
Pode desligar o som? Estou ficando nervoso!
Pelo amor de Deus!
O que houve?
Fui tomar ar na janela, ele veio e...
Tranquila, estou bem aqui.
Isso, assim mesmo, assim.
Agora, acalme-se, não há motivo para pânico.
- Foi apenas uma janela. - O que houve? Não entendi.
Foi a persiana, ela não fica lá em cima.
Quando viu a cabeça dela...
caiu direto no pescoço, apenas tentei ajudar, desculpe.
Viu isso, querida? É só uma janela!
Ele tentou lhe ajudar...
Não vá embora, não me deixe aqui com ele!
O vestido...
Rasgou todo o meu vestido!
Perdi até o botão!
Se quiser se trocar, pode usar minhas roupas.
- Pode escolher o vestido que quiser. - Viu só? Escolha o que quiser.
- Quero ir para casa. - Ela vai ficar bem.
Vão, vão, eu cuido disso. Acalme-se, querida, foi um acidente.
- Coisas assim acontecem. - Ele me prendeu e me pegou...
Eu vi o que fez, ele lhe pegou de jeito...
mas isso não é nada.
Não pagarei mais um centavo sem que consertem a janela!
28, 29, 30.
Tome. Não, espere um pouco.
Assim está melhor.
Tome isto, assim.
Vamos lá, mocinha. Vai se sentir melhor.
Olhe para isso, ainda está saindo fumaça.
Está perfeito! Na China, isto se chama "tchai-tah"!
Torta de tartaruga, mas usei batatas, é a mesma coisa.
Vou comer pouco, quero estar em forma...
para o exame de chinês.
- Eu vou fazer. - Obrigada, Paride!
Não consigo negar nada para você, Jessica.
- Por que não? - Não entendeu?
Paride vai fazer um terno para você.
Endireite as costas. Vai fazer exatamente o que eu mandar.
Não quero cometer nenhum deslize.
Só trabalho com a máxima precisão.
Assim está bom.
Os alfaiates atualmente me envergonham.
Esqueceram a ciência.
Preciso conhecer meus clientes profundamente.
O terno conta a história de quem o usa, suas esperanças, ilusões, sonhos.
Abaixe e flexione os joelhos, agora, levante uma das pernas.
Isso, não se mexa.
Não se mexa!
Suba na balança, isso, braços para o alto.
Mantenha-os lá em cima, pode sair da balança.
Agora, vou medir o seu colarinho...
mas preciso medir a elasticidade interna da garganta.
Abra bem.
16,5.
Parado!
Não me olhe assim.
Muito bem, examinemos a manga em detalhes.
Cuidado, não se mexa, aguente aí.
- Eu avisei para ficar parado. - Furou o meu dedo!
Só um segundo.
Esta lâmina foi desinfetada.
- Mas o quê... - Levante os braços sobre a cabeça...
Olhos para o teto, braços para o alto.
- Está bem. - Parado aí.
Isso mesmo, não se mexa.
Inacreditável. Só um pouco mais!
Pronto, pode relaxar.
Que alfaiate, que precisão!
- Obrigado! - Não me agradeça ainda.
Foi apenas a manga.
Ainda falta a calça. Aqui...
Vamos medir a bacia e as panturrilhas, deite-se.
Encoste a cabeça, tire tudo.
Não pode fazer isso na frente dela! Está brincando!
É verdade, vamos para o quarto.
Espere aí!
- Posso ir andando. - Minha maleta.
- Mostre-me o caminho. - Tchau, Jessica!
- O que devo fazer? - Tossir, por exemplo.
Isso, continue.
Prenda a respiração, vamos.
Pare de respirar.
Ótimo!
Agora respire.
Isso basta para os sapatos. Agora, o chapéu.
Eu não uso chapéu!
Um terno sem chapéu é como um bispo sem solidéu.
Parado, não está doendo, está?
Qual é o objetivo? Eu lhe disse que não uso chapéu.
Pense em sua mãe e não se mova. Pronto? Pense.
Está pinicando um pouco.
Nossa, puxa...
Jessica...
são as medidas para o chapéu.
- Certo, está firme aí? - Sim.
- Ótimo, excelente! - Mas o quê...
- Estou quase terminando. - Como assim?
Como eu disse, os alfaiates não sabem mais fazer...
um terno decente.
Já estou avisando, doerá um pouco, mas será rápido.
Deite-se aqui e relaxe.
Loris, tem algo queimando na cozinha!
- Venha logo, vamos! - Preciso ir lá.
Mas faltou o cachecol!
Tenho de ir, desculpe.
- Puxa! - Mas isso é importante.
- O que está queimando? - Nada, está tudo bem.
É que às vezes Paride exagera em sua precisão.
Obrigado, eu percebi que algo estava acontecendo.
Para ser franco, ele é bem estranho!
Para fazer as luvas, me perguntou o que eu sonho...
se já vi meus pais fazendo amor, se tinha medo de água...
O que são estas marcas?
Estas? Foi quando ele tirou...
a medida para os suspensórios...
Bem, ele disse que era importante.
Volto tomar um banho rápido.
Tchau, Jessica. Já volto.
Policia!
Policial, venha logo!
Feche a porta.
Você acha que ele é um cara normal, certo?
Bem, veja o que achei no armário dele.
- O que é isso? - O que é? Leia!
Dengoso. Dengoso?
Isso mesmo.
- Dengoso? - Não percebeu, policial?
Um anão no armário!
Branca de Neve e os Sete Anões!
Branca de Neve...
contos de fadas...
Preciso pensar a respeito.
Nem eu vou acreditar no resultado das análises.
Mas ela...
Iolanda!
Espere, não!
Meu Deus! Machucou?
Venha cá, não pode ficar aí fora.
Eu peguei você, venha, vamos.
Quieta!
Pelo amor de Deus, pare o escândalo!
Vamos, para com isso!
- Iolanda! - Está piorando tudo!
Tenho de fazer algo a respeito. Não!
Iolanda!
Iolanda!
Minha maleta!
Qual é o problema dela? Ela pôs seu vestido, este aqui...
mas ele caiu...
ela ficou nua, se assustou e começou a gritar na escada!
Olhe, eu sinto muito, mas a sua mulher...
Ela é assim mesmo, quando acha que ficou tarde, ninguém a segura.
- Mas ela só gritava! - É o seu modo de se despedir.
É alegre, faz assim, vai entender.
Boa noite, o jantar foi delicioso.
Vamos nos falando.
Iolanda!
Iolanda, me espere.
Estou indo, querida!
Iolanda, eu sei que pode me ouvir!
Sabe, Jessica...
acho que ele não vai mais fazer o terno para mim.
Professor, quanto tempo dura o exame?
Depende do andamento.
Ele acabou de entrar, mas quanto mais demorar, melhor...
- porque significa que... - Loris?
- Sinto muito. - Está bem.
Professor, diga-me uma coisa, de que região esses chineses são?
- Não dá para entender nada! - O que eles perguntaram?
Como vou saber? Não entendi nada.
- São chineses mesmo? - São chineses, Loris.
Já entendi, você se deu mal. Eu avisei que não era fácil.
- Podemos tentar de novo. - Não, obrigado.
Só vou sentir falta das aulas porque eu me divertia.
Isto é seu, aqui está.
- O que é isso? - Chama-se Lao-Tsé, um amuleto.
- Mas não adiantou. - E.
Bem, então até mais.
Lamento muito.
- Até mais, senhorita. - Até mais, professor.
- Acredito nisso? - Fizeram perguntas difíceis?
Difíceis? Dificílimas!
Fizeram uma de arrepiar, não dava para entender nada.
Falavam um dialeto, sei lá. Para mim, eles não são chineses...
Achei um ótimo, ouça isso.
- Leia para mim! - "Presidente de empresa bem sucedida."
Aí vai mais... "Três meses de férias ao ano.
Necessário conhecimento de línguas escandinavas."
Por que não? Quantas línguas escandinavas existem?
Devem ser todas iguais.
Por que não procura outro?
Doutor!
- Aqui está a solução. - Para quê?
- Para o anão! - Que anão?
O Dengoso!
Passei a noite em claro. E ele, como está?
- Normal. - Normal...
Passei a noite relendo o último ensaio de Anderson...
"Os Fantasmas e as Fadas no Estupro Moderno...
dos Três Porquinhos ao Monstro da Ucrânia", ele me iluminou.
A solução está nesta fantasia...
da Chapeuzinho Vermelho!
- Vista-a e entenderá. - Não, já chega, doutor.
Policial, isto não é uma Iniciativa pessoal.
O chefe de polícia lhe ordena que vista a fantasia...
e fique com o revólver à mão.
O arrebatamento será imediato e devastador!
É com você, policial.
Mas tenha cuidado, você pode se expor ao perigo.
Boa sorte.
Aí vai mais um, ouça isso...
"Procura-se vice-presidente..."
Não, "vice" eu não gosto.
Quem será a esta hora?
- Quem é? - Sou eu, o senhorio!
Meu Deus...
- O que quer? - Mostrar a casa a uma moça.
É uma potencial compradora.
Jessica, é o...
Sim, eu já vou, eu...
Eu já vou!
Eu estou...
Estou muito doente, não o avisaram?
Mas o que está dizendo?
Estou doente, estou...
Estou doente, muito doente!
É uma doença muito contagiosa, estou avisando!
Pare de palhaçada e abra a porta!
Bom dia. Que belo menino!
Deixe-me acariciá-lo, entrem, entrem.
Obrigado, mas estou atrasada para um compromisso!
Tenho de ir embora, tchau!
Senhora, espere, eu posso explicar!
Mas que pena.
Veja só o que aconteceu comigo.
Já estou assim há mais de um dia.
Acordei com a cara cheia destas coisas!
Que vírus será?
Sabe-se lá!
Não tenho a mínima ideia.
O senhor é um patife, vai pagar por isso, eu juro!
Segure o elevador!
Droga!
Jessica...
Jessica, era o senhorio.
Ele queria trazer alguém, mas...
Jessica?
Jessica, posso entrar?
Minha nossa.
Se o senhorio vir você assim, vai colocá-la no jardim.
Aonde vai?
Visitar minha vovó doente na floresta.
E todas essas malas?
Sua coisas... O que está havendo, Jessica?
Loris, preciso ir.
Não me pergunte para onde, como, quando, por quê.
Não posso mais ficar aqui com você.
Não faça perguntas.
Mas como? Para onde? Por quê? Quando?
Eu sabia que ia perguntar mesmo eu dizendo que não era...
para perguntar, você nunca me ouve!
Preciso entrar pela janela que despenca, descer de quatro...
- É para não me despejarem! - Seria bem feito!
O relógio atrasa, vive se escondendo aqui, ali...
Isto não é uma casa, é um videogame!
Todo dia me acorda com o café da manhã e não consigo mais dormir!
Basta, eu vou embora, alguém virá buscar as malas!
Fique aí onde está e não diga nada!
- Mas Jessica... - Está vendo?
Viu como nunca me ouve? Depois diz que estou inventando coisa!
Fique aí! Eu vou embora!
E isto é meu!
Mas o que houve?
Querida Jessica, você achará esta fita dentro de sua mala.
Confesso que você foi um pouquinho...
mal educada em relação a minha pessoa.
Aqui se encerra nosso contrato de locação.
Foi bom ter lhe conhecido, saudações.
Querida Jessica, você achará esta fita dentro de sua maia.
Confesso que você foi um pouquinho...
mal educada em relação a minha pessoa.
Aqui se encerra nosso contrato de locação.
Foi bom ter lhe conhecido, saudações.
Provavelmente você nem percebeu. Quando escutar isto, estarei longe.
São 03:00 da madrugada, faz muito silêncio.
Não consigo dormir.
Entrei no seu quarto e você estava dormindo.
Como dorme sem travesseiro?
Sentirei falta desta casa.
Loris, não imagina o quanto eu quero lhe dizer o que sinto...
Se ele descobrir quem é você, estragaremos tudo!
Quando o rato está perto da ratoeira, o queijo vai embora!
Lamento, mas estou convicta de que estão enganados.
Ele estava em nossas mãos!
Policial...
o que deu em você?
Estávamos perto de pegar um monstro!
- Doutor, o senhor o viu. - E minha mulher também!
- Mas professor... - Aquele monstro a convenceu!
Tem razão, ele é um gênio!
Como ele reagiu quando disse que ia embora?
Parecia triste, um tanto surpreso, emocionado, bastante normal.
- Normal, normal, imagine só! - Com licença.
Sou eu.
Devagar, não entendo...
O quê? Onde? Há uma meia hora?
Em plena luz do dia? Ele matou outra vez!
Mesmo procedimento, mesma região.
Entendi, ouça...
quero Loris preso, cerquem o prédio dele.
Mande todo o material sobre ele às estações de TV
Não saia do telefone, estou a caminho!
Vamos, doutor.
Esta pobrezinha ficará na sua consciência por toda a vida.
Jamais viverá em paz!
Mas isso é impossível.
- Ele é tão assustador assim? - "Assustador" é elogio!
Ele é arrogante, histérico nunca pagava as contas!
Se não o apanharem, apanhamo-lo nós!
Vamos despedaçá-lo como ele fez com aquelas pobres moças!
- Muito bem! - Eu sempre soube que era ele!
Precisamos da pena de morte! Da pena de morte!
- Vamos linchá-lo! - Com licença, é a polícia!
É verdade que ele trancou-se?
Mas o que aconteceu?
Não sei, cheguei agora.
Dizem que mataram uma mulher.
- Mataram uma mulher? - Mais de vinte!
Vinte? Onde, neste condomínio?
Sim, o assassino mantinha um anão no armário e o torturava!
- Mas que assassino? - O monstro!
O que despedaçava as mulheres.
Parece que o pegaram.
O monstro que despedaçava mulheres?
- Mas é aqui do condomínio? - Parece que sim.
- Ele era morador? - Não sei, pode ser.
- É o síndico. - Sei lá.
Nunca gostei dele.
É ele, é ele!
Fujam, ele é perigoso!
É ele, afastem-se!
- O monstro! - O que está havendo?
- É o assassino, bem ali. - Abram caminho, para trás!
- É ele! - Cuidado!
É o monstro!
Vamos manter a calma.
Assim, ninguém se machuca.
Monstro... Eu? Um monstro?
Não se mexa, eu mandei não se mexer!
Cuidado com ele!
Parem!
Parem todos!
Quietos!
Quietos!
Aonde ele foi? Ele sumiu.
Será possível?
Será que foi para lá?
Foi sim, lá está ele!
Corram!
O que está acontecendo? Nunca ouvi tantas sirenes!
Vai saber.
Ruggero, olhe ali.
Aquele sujeito se parece muito com aquele que nos enganou.
O morto do telegrama, o do relógio!
- É o Loris! - Não se mexa, não se mexa.
Loris, Loris!
Só quero conversar, Loris.
Não se mexa, fique aí.
Loris, espere...
Venha aqui.
Volte aqui!
Pare onde está!
Pare, ladrão!
Eu vou mandá-lo para o cemitério!
Mas quanto...
Mas quanto ele deve a vocês?
Olha só quantos ele enrolou.
Que ladrão!
Deu o golpe em metade da cidade!
Ele está pego.
Ali está ele, nós o pegamos!
- Ele escapou! - Não acredito nisso.
Professor?
Professor...
toquei a campainha, mas ninguém atendeu.
Então tomei a liberdade de entrar pela janela.
Sou eu, professor.
É o Loris, não tenha medo.
Professor, está me ouvindo?
Professor?
Professor...
- Oi, Jessica. - Oi.
Que coisa, não?
É repugnante.
Ainda não encontramos todas as partes do corpo.
Com licença.
Professor?
Professor?
Professor, eu entrei pela janela.
Sou eu, o Loris...
Loris, lembra-se?
Estudei chinês como você.
Entrei pela janela.
Professor, não tenha medo.
Não precisa se preocupar, talvez nem esteja sabendo.
Sabe aquele monstro...
que despeça as mulheres?
De alguma forma, aquele monstro sou eu.
Ou melhor, estão dizendo que sou eu.
Professor, um monstro está fazendo essas coisas...
Como foram ter essa ideia? Estão atrás de mim.
O senhor poderia ser meu álibi.
Se ligarem e perguntarem se viu o monstro, negue.
O dia todo tinha gente me batendo, correndo atrás de mim...
a polícia, todo o condomínio, o senhorio...
e gente que eu nem conhecia! Eu, o monstro?
Como é possível pensarem isso?
Um policial me metralhou!
Eles ficaram...
De quando...
29 de abril? Cuidado, está vencido, pode fazer mal.
Bem, eles me...
O dia todo!
Quando cheguei em casa, nem percebi nada.
Cheguei em casa tranquilo, sem saber de nada.
Aí, "Monstro!", começaram a me chamar de monstro...
assim, à toa, de repente...
como se eu vendo o senhor todo suado, sujo...
com umas manchas vermelhas na roupa, eu chegasse...
E dissesse, "Olha o monstro! Ele é o monstro!"
Só porque alguém tem uma mancha vermelha, o leite vencido...
uma mão de mulher no bolso do casaco...
só por isso, vira um monstro?
Agora todo mundo é monstro?
Não se pode andar por aí com a mão de uma mulher no...
Bem, professor...
preciso ir agora.
O tempo voa quando estamos nos divertindo.
Só passei para fazer uma visitinha.
O senhor está ótimo, até mais.
Eu ia lhe dar a mão, mas vejo que já tem uma.
Esfriou, sabe? Estava ventando quando eu vim para cá...
Fique calmo, professor.
Professor, fique aí.
Não!
Primeira porta à esquerda.
Cubram os fundos.
Parados, não se mova! Calado e mãos na cabeça, agora!
Silêncio. Pode sair, devagar.
Isso mesmo, devagar.
Continue, devagar, não precisa ser rápido.
Passe da porta, devagar. Venha, venha.
Desça a escada, devagar.
Assim mesmo, isso mesmo, venha.
- Jessica! - Cale-se, parado!
- Não! Pode soltá-lo. - Mas, Jessica...
- É O cara errado. - O professor está lá dentro.
- Está armado? - Não.
Está confuso, parece mal.
Leve-o daqui. Vão, vão!
Boa tarde, professor. Como vai?
Não muito bem.
Venha, professor, acabou.
Espere, um momento!
Para trás!
Absolutamente pavoroso, entre.
Eu assumo daqui.
Ouça com atenção, o senhor tem três camelos...
um vermelho com uma corcova, um preto com três...
e um branco sem nenhuma.
Preste atenção!
O senhor tem três camelos...
Espere um instante.
Tem certeza de que o senhorio não tem nada a ver com a história?
- Quem? - O senhor... Deixe para lá.
É inacreditável. Diga-me uma coisa...
é que tem algo que quero saber, então se eu lhe desse um beijo...
um daqueles, você atiraria em mim?
Não sei. Depende de como você se saísse.
Mas se eu... Mas que história!
Não entendo...
Precisa me explicar isso.
E se eu, quando você abaixava para pegar o que caía no chão...
- eu a agarrasse... - Sim.
- Você atiraria? - Não sei.
- E se eu... - Se você...
Se eu...
Se eu lhe desse um...
Bom, vou lhe dar um exemplo, senão não vou entender nada.
E se eu fizesse assim com você?
Cuidado aí!
Se eu fizesse isto, olhe.
Se eu tentasse isto...
- Boa tarde. - Boa tarde.
Boa tarde para vocês.
Lamento incomodá-los, mas preciso do carro.
- Desculpe! - Não, eu é que peço.
- Bom passeio. - Obrigado.
- Obrigada. - Tchau.
Boa tarde.
DEDICADO A GUIDO
O MONSTRO
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