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O MONSTRO
A mesma mão atacou de novo.
Como já sabem, a vítima desta vez foi uma enfermeira.
O que posso lhes dizer? Mais uma derrota, a 18ª.
Tem certeza de que é sempre o mesmo assassino?
Basta olhar o cadáver, ou melhor, o que resta dele.
- Houve estupro? - Com licença.
Estupro, aqui, é um eufemismo.
No homicídio da Rua Cervazza, há cinco anos...
duas partes do corpo da vítima nunca foram encontradas.
- Quais? - Adivinhe.
- Para trás, abram caminho! - Com licença.
Qual foi a motivação?
O motivo do crime é sempre o mesmo, sexo!
Vocês tem de saber que quem está por trás disso...
é um pervertido, e, ao que parece, é um tanto eclético...
senhoras, moças, trabalhadoras, do lar, ele não liga para isso.
Com o perdão da expressão, mas caiu na rede, é peixe.
Quando o arrebatamento erótico o possui, nada o detém.
Mas não pensem ser ele um homem asqueroso.
Com certeza é um tipo comum, qualquer.
O problema é que por trás daquela figura comum...
há um estuprador, um pervertido...
um maniaco sexual disfarçado de homem de bem!
É um monstro!
Loris, já acabou? Esqueceu o tosador?
Veja, eu já dei um jeito.
- Está perfeito. - Quem é aquela moça?
- E o cortador de grama? - O cortador...
- Por que não o guarda? - Já ia pegá-lo, mas...
- Façamos o seguinte... - O quê?
Ponha um deles aqui, e o outro...
- Quem convidou essa daí? - Quem?
- Atrás de você, a ninfomaníaca. - Ninfomaníaca?
Não olhe agora, Loris.
Mas que papo é esse de ninfomaníaca?
- Aquela que faz amor com todos. - É mesmo?
- Ela se deita com qualquer um. - Com todos?
Até com... qualquer pessoa?
Se for qualquer pessoa, pode ser com qualquer um mesmo?
- Qualquer um. - Isso é perfeito.
Não olhe agora.
E o que se deve fazer?
Basta sorrir, dar uma piscadinha.
Ela sempre está com vontade.
Primeiro, ela parece surpresa, mas depois...
- Posso olhar agora? - Não, espere.
Ela está sentada bem atrás de você...
- perto do buquê de rosas vermelhas - Aqui atrás de mim...
perto das rosas, tem uma ninfomaníaca, pronta para...
- Loris... - O quê?
- Está interessado nela? - Não, imagine!
- É uma vadia. - Sim, é mesmo.
- Uma mulher que vai com qualquer um? - E, com qualquer um...
Preciso ir embora. Já descarregou os manequins?
Não, estão na garagem. Eu já ia pegar os dois...
O da serra elétrica, que vai aqui, e do cortador...
- Oi! - Olá, venha conosco.
Podemos pôr alguns aqui com um refletor...
Como quiser, confio em você. Mas ande logo e depois os devolva.
Tudo bem, tchau. Vá, vá, obrigado.
Não se preocupe.
- Claudia, o que aconteceu? - Claudia?
Não sei, alguém...
Alguma coisa...
me...
É melhor ir embora.
Boa noite, senhora. Desculpe por antes.
Meu amigo tinha me dito que...
Ajude-me!
A serra ligou!
Pare, pare agora!
Pare, sua desgraçada!
Meu pai, pare com isso!
Não vá embora, volte aqui!
Desgraçada, volte aqui!
Mais claro, era assustador.
Assustador.
Um pouco careca...
Senhora, este é o professor Taccone, especialista em psiquiatria criminal.
- Boa noite. - Foi horrível.
Olhe, não me faça lembrar.
Chega de perguntas, por favor.
Só uma coisa, se me der licença.
Escolha uma destas bolas.
- Por quê? - Nada específico.
Rápido, sem pensar.
- A branca. - Prazer em conhecê-la.
Escolheu uma branca, é uma vítima. O que ele fez com ela?
Ela, convidada para uma festa, se sentiu agarrada por um polvo...
que tocou em suas partes mais íntimas por uns dez segundos!
- Só dez segundos? - Deixe-me terminar.
Depois, no estacionamento, suava como um peru...
e segurava uma enorme serra elétrica em posição fálica...
e gritava, "Pare, sua desgraçada"
Um caso clássico. Não me surpreende.
É evidente. Ela caiu, e ele a atacou.
E extasiado pelo orgasmo, começou a gritar...
"Pare sua desgraçada"
Venha.
Isso aconteceu na mesma área.
Já foram 18 até agora.
Esse teria sido o 19º.
- Por que não o prende? - Não, quero ter certeza.
Quero pegá-lo com a mão na massa!
É ele, é ele!
É ele! Meu Deus, é ele!
É o desgraçado que me atacou!
Finalmente nos conhecemos.
Este é o homem que tira o meu sono há 12 anos.
Meu pesadelo está diante de mim. Quero saber tudo sobre ele...
onde mora, onde trabalha, o que come, o que bebe...
e até o que ele sonha.
Esta é a face de um monstro.
Nada mal, Loris, mas precisa entender que...
a língua chinesa é uma filosofia, um modo de ser, é complexa.
Eu sei, por isso quero aprender tudo, até os dialetos.
Basta aprender alguns termos que cairão no exame...
e que utilizará no trabalho.
Professor, se essa firma de chineses me empregar...
- primeiro vou pagar suas aulas. - Até parece.
Esqueço fácil das coisas, mas não vou me esquecer...
de lhe pagar as 100 mil liras assim que conseguir o emprego.
Para ser franco, só lhe emprestei 50.
É mesmo? Me emprestou 50?
- Sim, claro. - Então...
pode me emprestar mais para completar os 100?
- Senão, depois eu me atrapalho. - Loris, vamos em frente.
As quatro estações.
Espere um pouco...
A tabuada do dois.
Por favor... Um pouco de silêncio. Estamos quase terminando.
Não deu educação a essa garota?
- A boneca! - O que você está fazendo?
Silêncio!
Aqui estão os resultados da votação na quinta-feira.
Favorável: 422, contra: 1.
A sessão... Sr. Loris, diga. Ora, estamos em uma democracia...
todo inquilino pode falar. Diga.
No entanto, a maioria decidiu.
O trabalho começará dentro de seis meses com a mesma empresa. Obrigado.
Eu serei breve.
Eu serei breve.
Sou acusado de ter mau comportamento...
à convivência do condomínio.
Em primeiro lugar,
sou acusado de enfiar o chiclete no olho mágico;
De trocar as letras nas caixas de correio do condomínio;
De limpar meus sapatos nos tapetes de outros condôminos;
De tomar posse das lâmpadas do condomínio
para uso particular. E, muito mais sério:
De escrever cartas anônimas ao amado síndico.
Nada disso é verdade!
Além disso, por causa do meu voto contra
à instalação, no jardim das estátuas, de Branca de Neve e dos 7 anões,
sou acusado de roubar um dos anões.
Mais precisamente o Dengoso.
Eu nem sei qual é o Dengoso!
Por quê eu roubaria?? Caros colegas, vamos raciocinar.
Confesso, votei contra...
a instalação no jardim da Branca de Neve e os sete anões
porque oito milhões e cem mil liras de despesas,
citado pelo aqui pelo síndico,
parecem um roubo, um assalto, uma farsa!
Senhores, precisamos de novos ares.
É preciso frescor, honestidade, serenidade...
Em resumo, um novo síndico.
Uma pessoa... Um síndico
que limite a taxa de condomínio a 30%!
Que organize festas nos terraços do condomínio.
Uma pessoa honesta, íntegra, limpa, inteligente.
Transparente, confiável! Senhores,
é com extrema humildade,
que proponho como um novo administrador!
Eu mato ele!
Antes de falar, devolva o Dengoso! Foi você quem o roubou!
Você tem medo do confronto direto!
Vou te dar o confronto!
Você é um ladrão! À votação!
Não!
Insisto em me propor como novo síndico.
Que retardado!
Foda-se a maioria!
É por aí mesmo.
Cuidado com o degrau.
O apartamento está ocupado, mas logo será liberado.
Venha ver isto.
Veja que bela varanda.
Tem uma vista magnífica. Estou vendendo contra minha vontade.
Mas minha esposa quer vendê-lo. Ela está me pressionando.
Tem certeza disso? É bem bonito.
- É, eu sei. - E o inquilino?
- Como? - O inquilino.
Ele está indo embora, vai partir em breve.
Venha ver a sala.
Esta é a sala...
Com licença.
É o celular, deve ser minha esposa.
Um momento.
Alô?
Olá, Glória. Como vai?
Alô?
Boa tarde, desculpe o incômodo.
Quero falar com Antonello. Muito obrigado.
Antonello!
Que bom que está aí. Como vai?
Que prazer falar com você.
Não posso Ir.
O encanamento do banheiro estourou de novo.
É, estourou ontem, mas hoje estourou de novo.
Estou esperando o encanador.
Não pagar o aluguel? Me obrigam a pagar!
Paguei o último, há uns três dias.
Quatro milhões de liras!
Paguei 4 milhões de liras por este apartamento!
Onde vai parar este dinheiro? No bolso do senhorio.
O safado adora tirar O dinheiro das pessoas.
Ele sabe tirar dinheiro de qualquer um.
É um pouco grisalho, sim. Ele é um ladrão e tanto!
Já prometeu este apartamento para umas 30 pessoas!
Pede-lhes o adiantamento, assina, pega o dinheiro...
depois diz que a assinatura não é dele. Já enganou uns 30 assim.
E ainda tem gente que cai nessa, Antonello.
Não vai dar, Antonello, não vai dar mesmo.
Não posso ir por que não dormi nada esta noite.
O alarme do vizinho disparou.
Toda noite ele me atormenta.
É toda a noite! E quando eles saem no fim de semana...
ligam todos os alarmes. Aí, basta uma mosca pousar na porta...
que todos disparam juntos. Depois, cantam sem parar...
E cantam mais.
Antonello, já chega por hora.
Vou descer para usar O banheiro do bar da esquina.
Vinte minutos então? Até logo.
Acho que já vi o suficiente. Eu ligo para você, obrigado.
Espere, ainda não viu a melhor parte, o banheiro!
Não precisa, eu vejo na próxima.
- Espere... - Adeus!
Eu ligo!
Ouça bem, tem sorte de não lhe colocar para fora.
Um passo em falso, chamo o próprio prefeito para expulsá-lo!
Pense em pagar o aluguel em vez de ficar divagando!
A ordem de pagamento ainda está com o porteiro!
- Mas ele não me deu. - Como assim? Você deve pegar!
Ele me diz que nunca o vê entrando ou saindo!
Ele deve ser um bêbado, entro e saio todos os dias.
Troque de porteiro.
Chega de brincadeiras, você está pedindo por isso!
Segure o elevador!
Eu disse para segurar!
Seus asquerosos malditos!
Desta vez eu peguei vocês!
Peguei a boneca!
- A boneca, não! - Solta!
Um dia, farei sua boneca em pedaços!
Ouviu bem, Sra. Squarciapini?
É a décima vez que sua filha Sue Ellen e esse outro pestinha...
jogam um gato morto na minha casa, esse aqui acabou de morrer!
- Bom dia. - Bom dia.
Bom dia.
- Bom dia. - Bom dia.
Até logo!
Bichano, aonde vai? E melhor ir embora...
Isso, vá embora.
Senão, vai acabar morto lá em casa, como os outros.
Assassinos.
- Pronto. - Claro.
Obrigado.
É simples, basta cobrir cada um, é fácil.
- Com licença. - Certo.
Dois cafés.
- Ruggero, venha logo aqui. - O que foi?
Não foi ele que comprou o relógio de pêndulo...
e não pagou?
Loris!
Não, Loris morreu.
Não pagou porque morreu. Coitado.
Ainda tenho o telegrama dizendo que morreu.
Mas sabe que parece mesmo com ele?
Vejamos, Loris!
- É ele! - Vai!
Seu ladrão! Estelionatário!
Pague o relógio de pêndulo!
- Bom dia. - Bom dia.
- Qual é o problema? - Vamos ver, senhora.
- Importa-se? - Sem problemas.
Com licença, com licença.
Obrigada.
Obrigada, próximo.
- O que está havendo? - Posso ver sua sacola?
- Só um instante. - Tudo bem.
O que está havendo? O que devo fazer?
Certo, vou fazer isso, obrigada.
Não precisa para ninguém, liberem todos.
Tchau, obrigada.
- Tudo bem. - Vai ficar assim o dia todo?
Estamos perdendo tempo, sem ofensas, senhor.
Eu o prenderia agora.
A história das aberrações sexuais, embora rica...
atinge seu ápice com este espécime.
Ele se chama Loris.
Um nome banal, que quase desperta ternura.
Desculpe-me.
Sente-se, por favor.
Nenhuma de vocês é obrigada a aceitar.
A missão é muito arriscada.
Estes psicopatas, às vezes, são capazes...
Resumindo...
precisamos pegá-lo com a boca na botija...
uma botija cheia de marmelada.
É aí que vocês entram na história.
Senhoritas, precisamos de sua "marmelada".
Exato, isso mesmo.
É preciso provocar um arrebatamento erótico irresistível...
que faça com que ele confronte suas obsessões sexuais!
Vocês devem fazê-lo mostrar seu pior lado, aquele que ninguém...
quer ver.
Em seus testículos, ocorre o que chamamos de...
Obrigado, doutor. Eu assumo daqui.
Agora é com vocês.
Devem fazê-lo pegar a marmelada.
Ponham-na sob o nariz dele, e, quando ele for provar...
metam-lhe a arma na boca e tragam-no aqui!
Com licença, senhor.
Mas querer fazer amor ao ser provocado, é normal.
Normal?
O termo "normal" não se aplica a este homem.
Está fora do vocabulário dele.
Rocco, dê início à projeção.
Normal...
Nós o filmamos em uma manhã qualquer.
Vejam, um homem qualquer numa manhã qualquer.
Aqui, ele acabou de sair de casa.
Parece tranquilo, até brinca com o gatinho que o segue.
Ele dobra a esquina. Deve estar acariciando o gatinho.
- Mas vejam. - Meu Deus, ele o matou!
Eu lhes pergunto, ele é normal?
Não, Rocco, não ponha de novo. Próxima cena, por favor.
Obrigado.
E agora, observem atentamente como ele conseguiu desenvolver...
uma perfeição cronométrica absoluta.
Ele tem um compromisso, mas o semáforo está vermelho.
Fica preocupado...
olha no relógio e decide atravessar no vermelho.
Seu desejo é que o guia, antes, parecia tranquilo.
Nós o perdemos aqui.
Aí vem ele.
E o que ele faz?
Chegou aonde queria. Mas para quê?
Aí está a resposta.
Pare aí. Este sujeito é um gênio.
O Mozart da perversão. Pode passar de novo?
É o melhor que já vi.
É brilhante, pena ser um pervertido.
Observem a perfeição do sincronismo. Olhem.
- Um verdadeiro gênio. - Desgraçado.
Mostre as outras cenas. Quero lembrá-las de que...
se trata do mesmo dia, um dia perfeitamente normal.
Não tenho a menor ideia do que está fazendo.
Aqui, está lendo o jornal...
normalmente.
Certo.
Vejam mais um objeto de seu desejo.
Ela está saindo de uma cafeteria.
Ele a segue.
Aí, ela deixa cair suas compras e inclina-se para recolhê-las.
Ele oferece ajuda?
No que poderia estar pensando?
Admito que talvez eu também tivesse admirado o espetáculo.
Mas eu não agiria como ele.
E nenhum outro homem também não agiria.
Eis um homem sem controle sobre seus impulsos sexuais.
Olhem o rosto dele, no que estaria pensando?
Vejam isso. Viram o que acontece?
Ele perde o controle. Um órgão se torna autônomo.
Ele parece estar lutando com aquele órgão.
É como se dissesse, "Pare, este não é o momento!"
"Pare, este não é o momento!"
A moça continua lá como uma vítima.
Ele continua sua luta, "Não, ainda não!"
Vejam a expressão do rosto.
É aterrorizante.
Olhem como ele se debate.
É incapaz de controlar O próprio corpo.
Esta imagem nem precisa ser comentada, fala por si só.
Já vi o bastante, ele é nojento.
Agora, perde o controle do corpo todo.
Incapaz de se controlar, atira-se em direção da pobre moça...
mas felizmente ela vai embora a tempo.
Uma cenoura a mais e teríamos mais uma vítima.
Inacreditável, ele precisa de água para se acalmar.
Portanto, se é capaz de agir assim em plena luz do dia...
faria o mesmo a qualquer hora, em qualquer lugar.
Imaginem-se à noite, sozinha com ele, num beco.
É o que vão enfrentar. Olhem bem.
Parece ter terminado, mas vejam.
Longe disso, moças, vejam só.
Olhem bem o que ele faz, ele se pune!
Literalmente pune sua parte autônoma!
Vejam com atenção...
Aonde elas foram?
Pare o vídeo, Rocco.
Acenda a luz.
Policial?
Policial!
Come se chama?
Agente Rossetti Jessica.
- Rápido, Loris. - Estou fazendo o possível.
Quero que tenha cuidado. Isso é bem delicado.
A senhora ali é bem bonitona. Quem é ela?
Segure a onda, acho que saio com ela hoje.
Ótimo. Certo, muito bem, eu cuido disso.
Confio em você. Tchau, Loris.
Pascucci, só uma coisa...
muito obrigado pelo trabalho, estou precisando muito.
- Tchau, Loris. Vá. - Quando precisar, me ligue.
Posso cuidados dos manequins para você.
- Tchau. - Tchau.
Mas o que é isso?
Saia daí.
Anda.
Anda!
Não consigo me livrar de você!
Nossa, aqui vamos nós.
Assim mesmo, isso aí!
Vamos!
Isso!
Para baixo, assim mesmo.
Escritório.
Funcionário.
Comprar.
Vender.
Gerente.
O SENHORIO É UM LADRÃO
O senhorio é um ladrão.
Escritório.
- Quem é? - Seu senhorio.
Sim, e?
Preciso mostrar o apartamento a um possível comprador. Abra!
Um momento, por favor.
Estou no banheiro!
Droga, o que vou fazer com isso?
Já estou indo! Espere um pouco.
- Só um instante! - Vai abrir ou não?
O chuveiro está... Já vou!
Estou me vestindo!
Pode entrar.
Estou incomodando?
Obrigado, é muito gentil.
- Entre, fique à vontade. - Façam o que quiserem.
Venha, vou lhe mostrar o quarto.
Vamos abrir para entrar luz.
Pronto!
É um tanto esquálido, mas é só pôr algumas flores.
E também pode derrubar esta parede, se quiser.
Venha, vou lhe mostrar a sala...
O Charme da casa.
55 metros quadrados!
Não se vê mais salas como esta.
Aí está o senhor.
Posso abrir a porta da minha varanda?
Eu não falo com o senhor.
Tudo bem. Por aqui, senhorita.
Acompanhe-me, venha ver a varanda, é por aqui.
Veja só isso, é uma vista incrível.
A fachada está em obras, mas veja só que espetáculo.
Eu ficaria aqui o dia todo.
À noite, sopra uma brisa.
É frio no verão, quente no inverno.
Mas veja. Olha só como é bonito!
Sim, é uma vista e tanto!
É uma moça de sorte, telefonou na hora certa.
Vendo pela metade do preço, é praticamente um presente.
O que disse?
Venderei meu apartamento pela metade do preço.
Mas só quero um lugar para alugar.
Então houve um engano.
Eu só quero vender isto o quanto antes.
- Desculpe-me. - Não se preocupe.
- Caso mude de ideia. - Obrigada e até logo.
- Até mais ver, senhor. - Até mais ver.
Venha, por favor.
Senhorita!
Senhorita.
Senhorita.
Senhorita, venha cá. Venha, venha.
Preciso falar com você, depressa.
Mais perto, isso.
Eu disse para vir, é importante.
Bem, senhorita, ouça...
minha cabeça está explodindo.
Fique calma.
Sem querer, eu ouvi...
que procura um apartamento para alugar.
- Sim. - Muito bem.
Escute, pode ficar com o meu.
Nós o dividimos ao meio, está bem?
Vou sublocá-lo para você, quieta, quieta!
Se alguém ouvir isso, estou frito!
Silêncio! Escute, venha cá, não diga nada.
- Para quando precisa? - O quanto antes.
Certo.
Mas terá de me dar um adiantamento.
Oito meses adiantados em dinheiro vivo.
Estamos de acordo sobre o fixo e despesas eventuais.
Ninguém precisa saber de nada. Rápido! Finja que está trabalhando!
Pegue o balde, finja ser um operário.
Você sabe quem era? A esposa do síndico!
Um ladrão. Ele mora aqui.
Vai aonde? Fique aqui!
Não dê bobeira. Um ladrão! Eu me sinto vigiado!
Não me sinto confortável, como se não pudesse me mexer.
- Quanta bagagem você tem? - Duas malas.
Duas malas?
Não pode ir pela portaria.
Se eles descobrirem, acabou. Estamos fazendo algo ilegal.
Silêncio. Que horas combinamos?
Hoje às 3:00. - Bravo!
Às 3:00 da noite. Sozinha.
- Tudo bem. - Vá embora assobiando.
- O que? - Você precisa captar mais as coisas!
Vá embora assobiando, como se nada tivesse acontecido. Assobios.
Assobios. Senhorita...
O balde, jogue fora!
Assobie como se nada tivesse acontecido!
Parou bem na portaria, quer que me despejem?
Bem na porta com duas malas. Quer me matar?
Aqui, senhorita, aqui. Pelo amor de Deus!
Onde eu estava com a cabeça? A partir de agora, precisa ter cuidado.
Venha logo, e nada de barulho.
Agora, me ouça, a partir de agora, você tem de...
tem de...
- Senhorita, é a mesma pessoa? - Sou.
- Tem certeza? - Tenho.
Excelente.
É por aqui. Por favor, vamos.
Pela escada.
Depois de você.
Por aí mesmo, é no último andar.
Vá em frente!
Poderia não fazer barulho?
É sério, tem de olhar por onde anda.
Vá na frente, eu não sei o caminho.
Sim, é melhor.
Com licença.
Com licença.
Vou pôr isso aqui.
Muito bem...
agora, vou passar...
assim...
Desculpe-me.
Pois é...
aqui estamos nós.
A propósito, como você se chama, senhorita?
Jessica.
E você?
Eu me chamo Loris.
Pois é...
é um prazer.
Um imenso prazer.
Bem, está uma noite linda.
Traga suas malas, está bem?
Certo.
Nossa, o gancho, cuidado.
Perdão.
Perdão.
Apagaram a luz.
Certo, podemos ir.
É preciso ter cuidado.
Nunca se sabe O que pode encontrar.
Continue, mais um pouco.
Estamos quase lá.
Certo, por aqui...
Cuidado!
Muito bem, quieta.
Estamos muito nervosos.
Precisamos ficar calmos e quietos.
Podemos estragar tudo.
Esta é uma chance que não posso deixar passar.
Perdão, Jessica...
mas é mais forte do que eu. Preciso fazê-la em pedacinhos!
A boneca da minha vizinha!
Não se preocupe, vai levar só um minutinho.
É um assunto íntimo e pessoal.
Eu precisava disso!
Sinto-me ótimo!
Que sensação!
Vamos ver agora!
Venha, estamos quase chegando.
Por favor, senhorita.
Mais alguns passos e estaremos lá.
Isso mesmo.
Não...
Perdoe-me.
Conseguimos.
Venha.
Isso mesmo.
Bem, deixe-me cuidar destas malas.
Por favor, pode entrar.
Isso mesmo.
Você na frente.
Parabéns, entrou na toca do lobo!
Trabalho brilhante, incrível. Já está na casa dele, certo?
- Ela tem de ter cuidado. - Agora, vamos iniciar a próxima fase.
Sobe o pano, começa o espetáculo.
Você é a protagonista.
E sabe o título desse espetáculo?
"Nenhuma Trégua Para Loris"!
Deverá seduzi-lo 24 horas por dia.
Cada gesto, cada olhar, cada movimento de seu corpo...
cada som, cada suspiro, devem torturá-lo...
e despertar nele um demônio erótico.
A partir de agora, será a flor que atrai a abelha.
Ela vê o néctar que está entre as pétalas...
além do seu alcance.
É uma guerra, policial...
uma guerra sexual frustrante, dia e noite.
Nós vamos atrair Nosso assassino.
Vamos o quê?
Atrair o assassino.
Certo.
Oi, Loris.
Loris, sou eu, Pascucci.
Você está meio...
- Pascucci? - O que queria me dizer?
Pascucci, é sério.
Estou com uma mulher em casa que está sempre nua!
De manhã até a noite, de noite até de manhã...
pela casa toda, está sempre nua!
- Diga-me, ela é bonita? - Não...
Essa não é a questão. Ela está nua o tempo todo!
Não tenho um só momento de paz. Olha só.
Ela deixa a roupa cair, e aí ela caminha...
a primeira de manhã...
e aí vem com, "Desculpe", como assim? Ela não me viu ali?
Aí, ela se vira e está nua atrás também.
E se cai alguma coisa, ela se abaixa assim para pegar.
Deste jeito assim.
Ou então, no alto, assim onde você está.
Depois, vem com "desculpe" de novo, de repente, cai sobre mim.
Ela faz isso sem querer!
E ela está sempre nua.
Usa vestidinhos curtinhos!
E quando vai ler jornal...
ela lê assim, veja, isto é um jornal.
Ela lê assim.
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