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Meu coração Não sei
porquê Bate feliz
Quando te vê
E os meus olhos
ficam sorrindo E pelas ruas vão
Ora do brinde!
Vamos fazer aquela caretice.
Tem que ter.
Tem coisa mais careta que casar.
Ei, virem os dois pra cá.
Bebendo ou não?
Assim tá ótimo. Assim. X. X.
Y. Y.
Z. Z.
Primeira foto.
Oficialmente casados. Aí.
Então tá. Então é isso, né? Então vamos comer a lasanha.
Não. Não, meu amor. Peraí. Tem que jogar o quê? Tem certeza? Tem que ter. Mesmo?
Totalmente certeza. Que bobagem. Você é o único concorrente aqui, Laura. Não
precisa jogar o buquê. Não, precisa jogar. Gente, não. É uma festa de
casamento. Vamos fazer tudo conforme manda o figurino. Exato. Vamos lá. Tá
bom. Então...
Não, não, não. Pera, pera, pera. Antes do buquê. Antes do buquê, vem aqui. Ai,
meu Deus. O que você está inventando? Vem cá.
Quer buquê, Laura? Um, dois, três e... Que
legal.
Que ninguém nos ouça.
Conheci uma moça a muitos passos de uma longa jornada e namoramos.
E aconteceu conosco coisa poderosa e rara.
Sem saber o porquê, ficamos juntos.
E nada, nada nos separa.
Queira o Deus dos atores e amores que eu sempre sorria como sorri no primeiro
dia.
Que sua nudez me espante como na primeira vez.
Que me seja concedida a honra da sua companhia até meu último dia.
Pois cada vez te amo com mais delicadeza.
Queiram os deuses dos atores e amores transformar minha prosa em poesia.
capaz de cantar inspirada do corpo e alma rendida, a namorada da minha vida.
Eu não escrevi nada.
Fala o que você quiser, meu amor.
Eu te amo.
A vida é um mistério. E eu te amo.
O amor é mesmo a maior pornografia.
O quê agora?
Aliás, tá aqui, ó. Pronto.
Três, dois, um, foi!
Nossa, gente!
Eu pago pra ver qual meu lugar, que a vida é um dia,
um dia sem culpa, um dia que passa aonde a gente
está.
Ah, se eu tenho tanto a perder,
eu perdendo tudo que é sorte.
Sabe quem quer, sabe quem tem, o que se quer.
Amor é coisa celular, do destino.
É morrer inocentando o assassino. Podia ser sempre assim, né?
Por que não?
Porque a gente não ia aguentar tanta felicidade, não tem como.
Imaginemos morrer todos jovens, queimando com lenha nesse fogo.
Pra mim?
Hoje faz um mês que você voltou.
Que lindo.
Ai.
Lembra? Gente, como o tempo passa quando a gente se diverte, né? É.
A Laura tava com essa foto no celular dela.
Você lembra que eu quase dei pra você, Oliveira?
Ai, saudade da Oliveira. Daquele dia em diante, nossa vida mudou. É, daquele dia
em diante, a gente se tornou um casal.
Daquele dia em diante, mesmo separados, a gente continuou um casal.
Um casal inseparável.
Aos inseparáveis.
Como você vai ser com seu filho ou filha. Não, nesse caso aqui é amor de
mãe, é outra coisa, nada a ver. Mas então vocês dois e o Cabral?
Não, porque é amizade, não tem sexo. É. Ah, mas entre você e o Paulo, vocês são
inseparáveis. Sim, mas no nosso caso, o sexo foi um caso de amizade extrema. De
amizade extrema. Eu acho que não é nada disso, é igual a gente mesmo, meu amor.
Inseparáveis.
Será? Você acha que a gente não é inseparável?
Ninguém é inseparável.
Mas você pensa em separar?
Não pira, Paulo. Não, não tô pirando. Tô perguntando se você acha que pode
acontecer com a gente se separar. Eu não entendi. Você quer se separar? Não, eu
não. Claro que não. Então por que você tá falando nisso?
Tô falando porque eu achei estranho você dizer que a gente não era inseparável.
Não, eu não falei que a gente não era inseparável. Eu falei que ninguém é
inseparável. Tá bom, então... Então quem você acha separável? Ué, todo mundo...
Mas a gente não é todo mundo. Pois é. Ela tá diferente, Cabral. Ainda bem.
Gente igual a vida toda não dá perna. Sim, mas falar pra mim que não tem
certeza se a gente é pra sempre é acabar comigo. Isso aí ninguém tem. A Margarete
e eu, por exemplo, separamos já. E terminamos numa boa, numa ótima hora.
A única coisa que nunca acaba é essa falta de arminha. Cadê meu fogo? Você
não teve alta?
Não tive alta. Tive um...
Uma fuga. Cadê minha fuga? Não, Cabral, você não pode ficar fugindo do
tratamento. Pode parar com isso. Eu não posso ficar fugindo é da morte. Que da
morte? Não, você já voltou a tossir. Não,
para de falar besteira. Não brinca com isso. Não vou pular, não vou pular. Não
brinca com isso. Correr pra qualquer hora, meu caro.
Tem gente que foi ao meio dia. Sim, mas você quer ir embora agora?
Você não quer.
Quer?
Por que não?
A vida e a morte são a mesma coisa, dois espelhos.
apontados um pro outro, gerando mil imagens.
Infinitas fantasias, infinitas.
A maioria das coisas não faz sentido.
Tipo casar.
Tipo viver.
Casar também.
Eu descobri o motivo da gente casar. Ah, é? E tem um? Não separar. Você tá
falando muito em separação ultimamente. Eu tenho falado porque eu amo você.
Eu também te amo.
E não é o bastante?
Talvez não.
Ah, então você tá pensando em separação. Para de falar isso.
Vamos aproveitar a nossa vida do jeito que tem que ser, sabe? Deixa o tempo
passar. Vamos ver como a gente reage a cada uma das quatro estações do ano. No
Rio de Janeiro só tem duas estações, e olha lá.
Engraçadinho. Berlim tinha quatro.
Tá com saudade de Berlim?
Vielleicht. O que é isso?
Talvez.
Prost.
Eu exalto. Ah, imagino.
Não são nove meses, na verdade são dez.
Como assim? Você é uma espécie rara?
Pensa comigo.
São 40 semanas de gravidez, cada mês tem quatro semanas, logo dez. Dez meses.
Bizarro, né? Não, não é bizarro, Laura. É só você pensar que tem mês que não tem
quatro semanas.
Trinta e um dias.
É simples.
Ah, tá.
Nada é simples no mundo das grávidas. Você tá bem? Paulo, o tempo é uma
conspiração muito bem organizada.
Depois da segunda vem a terça. Depois da terça... Sabe? Sei, quarta. Eu ando
pensando muito sobre o tempo.
Nove meses, quarenta semanas, a vida inteira. A vida inteira são quantas
semanas? Não é possível, você não pensa nisso.
Na verdade, não. Sabe quantas semanas eu já vivi?
Duas mil e oitenta e cinco.
É estranho, eu não sei. Na verdade, eu acho mil e pouco, sabe?
Você não acha?
Não, se você fez a conta e chegou nesse número de dois mil e sessenta... Não.
Quantas semanas você já viveu?
Quantas semanas você quer viver?
Sabe quantas semanas eu vou viver com o meu bebê?
Todas?
É muito?
É, não sei, no mínimo 2.085 é pouco?
É tudo?
Você, Paulo, quantas semanas você já viveu com a Maria Alice?
Quantas semanas você quer viver com ela?
Todas? Mas calendário é uma coisa inventada, né, Laura? Não existe semana
na natureza. Mas o tempo existe.
E muito.
Eu não sei mais fazer feijão.
Imagina, tá uma delícia.
É, Paulo, a sua cara tá ótima mesmo. Tá ótima. Eu tava distraído aqui. Mas tá
gostoso.
Tá faltando um pouquinho de sal, só.
Ah, pera. Faltar sal não é defeito. Eu pego sal pra você, meu amor. Se não é
defeito, então tá ótimo.
Também exagera, né, Paulo? Vou ficar quieto, então.
Você acha que a nossa vida tá sem sal?
Você tá falando isso porque a gente tá transando menos?
Não.
Porque faltar sal não é defeito, né?
Então tá ótimo.
Não exagero.
Quer transar hoje?
Acho que não, né? E aí foi isso.
Não transamos.
Cada coisa no seu tempo.
Sexo não é tudo. Uma falta de sexo pode ser um sinal, sim senhora. Eu amo a
Maria Alice, mas eu não tô mais apaixonado por ela. Isso é grave. Isso é
normal. É coisa de momento, Cabral.
Paixão é uma coisa exaustiva. Vocês se amam? Tá na cara?
Não, o casamento tá ótimo. Quer dizer, a Maria Alice tá ótima. O casamento tá...
Tá estranho. Mas amar é querer o bem do outro mesmo quando tá estranho.
Mesmo quando não tem sexo.
Mesmo... A não ser que você já esteja pensando em outras mulheres.
Eu tô pensando em outras mulheres.
O homem só é fiel patologicamente.
Vem cá, isso aqui é cantoneira?
Cantoneira. Ou é cavilha?
Cavilha, cavilha, cavilha. Uma crise no casamento e vocês dois já tão aí falando
de traição. Não, ninguém tá falando de traição. Tô pensando.
Quer saber de alguma coisa? A paixão é a única moeda cósmica que temos à nossa
disposição. É isso, Cabral, é isso. É isso, é isso. Eu só queria viver uma
última vezinha na minha vida essa paixão.
Então temos um baita problema aqui.
Qual? Por mais que você ame a Maria Alice, mais cedo ou mais tarde vai ter
que separar.
Aposto que não. Eles são inseparáveis.
Dizem que o amor...
Faz a gente sofrer Sem meu grande amor Não
poderei viver Se eu disser que sim A gente parou de fazer
festa, foi um erro. Pois é, a gente tem que manter a tradição, hein?
Concordo, e digo mais, eu proponho um sexo rápido antes da festa. Não, mas se
chegar alguém... Ninguém vai chegar nos próximos cinco minutos. Ah não, cinco
minutos não, Maria Alice. Você vai propor sexo de cinco minutos? Sei lá,
foi só uma ideia.
Não, tá? Então vamos. Também, quanto tempo a gente não transa? Tem uma
semana? É, e fazia cinco minutos que a gente não discutia.
Vai ser aonde, hein?
Aqui, no quarto?
Ah, vamos aqui na bancada da cozinha, que faz tempo que a gente não vai. Ai,
meu Deus, eu esqueci a sobremesa.
Vamos fazer morango, brigadeiro. Pega o leite condensado, por favor.
Já vou chegar.
O que eu faço primeiro? Cadê, cadê a chanelinha? Já tá virando uma tradição.
Vem, vem, damos, damos. Oi, oi, oi.
Finalmente. Tem sorvete?
Precisando de um negócio geladinho.
E aí?
Vê lá na... Tô com um pouco de febre, vou tomar um uísque. Ó, eu quis levar
ele no médico, mas ele só quer saber dessa festa. Não, senhor, amanhã não tem
escapatória não, viu? Vamos no médico e eu vou junto com você.
Maria Alice?
Paulo!
Os inseparáveis voltaram.
Vocês dois são um modelo de casal pra gente. São um casal perfeito. Não, mas
sério, eu tô falando de vocês pra minha mãe. Não tinha uma fotinho aqui?
Não, não tem perfeição. Não, imagina.
São os seus olhos. São almas gêmeas, tem que estar assim, juntinho.
Sabe o que vocês poderiam fazer? Tipo, daí, que vocês poderiam fazer uma
tatuagem de casal.
Caraca, eu tô com boleta.
Com aquelas iniciais.
Precisamos conversar. Eu odeio essa frase.
Pera aí, rapidinho, que a gente já volta, tá, gente? Um segundinho só.
Vamos ver a festa, gente.
Você é horrível! Você tá vendo o que tá acontecendo lá fora? Estamos condenados!
Com certeza! Nós somos inseparáveis!
Insuportáveis! É péssimo!
Ai, você ouviu aquela parte?
Melhor casal, alma gêmea. Meu Deus, que horror!
Eu amo você.
Eu também te amo.
Felizes pra sempre é uma sentença de morte.
Pra sempre não existe.
Lembra, eu não gosto de juramentos eternos. Nem eu.
Mas eu não quero me separar de você.
Nem eu.
Então só tem um jeito.
Gente, abaixa um pouquinho o som, por favor. Só um pouquinho, por favor.
Essa festa comemora duas coisas ao mesmo tempo. É, o nosso casamento e a nossa
separação.
Não, gente, não, não, não, não. Pera aí, só um segundo. Gente, por favor, é
sério. Eu e Maria Alice, a gente decidiu se separar.
Porque a gente realmente não tá mais feliz no casamento. A gente não queria
decepcionar nenhum dos amigos.
Mas a partir desse momento, nós não somos mais um casal. Exato. Nós estamos
separados. E somos separáveis. Calma, gente.
A gente não tá feliz junto. A gente decidiu ter uma vida mais livre.
Aprender coisas. Exato. A fonte do prazer é a fonte do conhecimento. A
frase é sua. Gente, olha só. A Maria Alice decidiu assim, então é assim que
vai ser. Eu decidi? Você que falou primeiro.
Meu amor, isso não faz a menor diferença.
Meu amor, não. Você não precisa mais me chamar de meu amor. Pode parar de fingir
que todo mundo aqui já está sabendo. O que é isso? Vai chorar agora, Maneli?
Você vai gritar comigo agora?
Eu estou gritando com você. Eu estou simplesmente falando. Quer saber? Eu
acho até muito bom todo mundo conhecer o verdadeiro Paulo. Que verdadeiro? É um
cara ciumentíssimo.
controlador, me controla o tempo inteiro, pede até às vezes pra ver
dentro da minha geladeira. Pega às vezes, eu pedi uma vez pra você. Pra
saber se tem alguém na minha casa. Quer dizer, a gente não tava nem namorando.
Eu não tô acreditando. Eu tava brincando com você, Marielice. Olha só, eu fico
chateado de verdade de você estar usando o momento íntimo nosso como prova de
ciúme. Você diz que é brincadeira.
Mas você se arrependeu depois de ter dito. É verdade. Tanto é que pediu ajuda
de uma profissional.
Então, que brincadeira é essa? Que brincadeira é essa que fala as coisas e
gera culpa na pessoa?
Fala, aí fica quieto umas horas, fica murmurando, fica ruminando que nem um
camelo. Maria Alice, eu fico conversando comigo, que eu tenho vida interior.
E você não vai embora e vai me largar sozinha falando numa festa inteira aqui,
não. Maria Alice!
Maria Alice, sua casa é aqui. A sua mãe vai achar que eu expulsei você.
Quem disse que eu vou pra casa da minha mãe?
Como assim? Você tem outro, Maria Alice? Casamento incestualiza. Você que diz
isso. Na verdade, essa frase também é do Cabral. Volta para a festa.
Ou o que sobrou dela.
Meu amor.
Ai, que saudade que eu tava de ouvir isso.
Sua mãe tá aí?
Não, ela não veio aqui há três anos.
Alguém te viu entrar? Nenhuma música.
Conseguimos? Conseguimos. Nós somos os melhores atores desse mundo. Os
inseparáveis são, na verdade, insuperáveis.
Ai, me dão medo agora.
Bobagem. Tem uísque?
Será que a gente não foi longe demais?
Nossa, você tá linda nessa luz.
Você tem que me visitar três vezes na semana. E a gente tem que se falar por
telefone pelo menos uma vez por dia.
Combinado. Cada um vivendo a sua vida, mas juntos.
Mais do que um... Ai, é um belo sonho.
E um banheiro pra cada um.
Agora tem que pegar uma cópia da chave, hein? Me lembra.
Não sei, hein? Não sei.
E não sei como assim, Maria Alice? Não sei. Isso aqui não é a nossa casa, só
que num lugar diferente? Não, essa é a minha casa, onde a gente vai se
encontrar.
Não, mas eu vou te dar uma chave. Vou te dar uma chave. Você pode vir sempre que
você quiser, a não ser que... A não ser que? É, a não ser que essa correntinha
esteja fechada.
Daí é um sinal...
De que eu não quero que você entre.
Eu não gosto dessa ideia.
Mas, ao mesmo tempo, ela me excita. Eu sugiro um sexo de comemoração. Eu
concordo.
Peraí, a gente vai contar?
Pros outros, não.
Imagina. Não, Paulo. Um pro outro. Se a gente ficar com outras pessoas.
Não, né?
Acho que não. Mas se a gente mentir, a gente vai perder a confiança.
E aí vai começar a sofrer também, achando que o outro tá com alguém,
quando na verdade nem tá, ou tá, né? Então a gente vai contar?
Vamos, vamos contar, com todos os detalhes.
Não, Paulo.
Detalhe não, né? Pelo amor de Deus. Maria Alice, a gente só vai se amar de
verdade quando a gente não tiver mais ciúme um do outro.
Isso não é real, Paulo. E quem falou que o que a gente vive é real?
Isso é uma fábula.
A lenda dos inseparáveis.
É, não custa tentar.
É.
Vamos transar?
Eu tô morrendo de medo de dar tudo certo.
Se der certo, a gente entra pra história, meu amor.
Não existe história de amor com um final feliz, não. A nossa vai ser diferente.
Diferente? Então aproveita, anota tudo e escreve aí uma peça de teatro. Eu?
Você não escreve poemas?
Já ganhar mal como arquiteto vai ser praticamente a mesma coisa. E aproveita
que comédia romântica tem muito público, hein?
Minha vida com Maria Alice não é uma comédia romântica. Tem romance.
Tem. Sexo.
Encontros e desencontros.
Tem. Tem choro, distância, traição, retomada, casamento, separação e
encontros de escondida. Tem, tem até cachorro.
Gol. Com cachorro, meu filho, é gol. Estamos diante de um sucesso.
Maria abre a porta e entra na festa sorrindo.
Uma luz se acende no palco sobre ela, que tem o aspecto de uma deusa, e entra
uma... Peraí, peraí, peraí.
Deusa? Menos, Paulo. Maria Alice, a sua personagem é a mais encantadora que o
teatro brasileiro jamais viu. Eu não sou assim.
Mas a sua personagem é.
Tô começando a ficar com os filmes dessa Outra Maria.
Não existe Outra Maria, só existe uma você, meu amor.
Vai ter cena em Berlim, com neve artificial?
Vai ter todos os efeitos especiais que você merece.
Essa peça tá começando a ficar cara.
Você já tem patrocínio? Então, agora eu tô aí atrás de um empresário que seja
romântico, apaixonado e que goste de cultura.
Mas eu vou achar, eu vou achar, eu juro pra você que eu vou achar.
Você falou que é só sonhar, eu vou...
Paulo, esse é o Augusto.
Prazer. Tudo bom? Prazer. A Laura fala muito em você. Ah, é? E eu gosto de tudo
que a Laura fala.
Então, eu já gosto de você também.
Ela me falou da sua peça. Sim. Como é o nome?
Dá licença, vou sentar aqui. É Destinos.
Destinos. Mas o título é provisório. Graças a Deus. É provisório. É a
história de duas pessoas que se amam e que são predestinadas a viver juntas.
Então é sobre eu e a Laura.
Não, na verdade é sobre eu e Maria Alice.
Como assim o resto da vida juntos? Vocês não tinham se separado?
Não, na vida real estamos separados, eu imagino. Não vejo Maria Alice, tem...
Como é que ela tá? Tá bem? Que papinho é esse?
Sérgio, você me engana? Aposto que vocês já voltaram.
Que isso?
Voltamos, estamos separadíssimos, Laura. Pelo amor de Deus, eu tô até de olho já
naquela loura que tá ali no balcão. Quem?
A Vân, minha amiga.
Chama ela aqui, Vân.
Ih, que coisinha.
Aí eu vou.
Quando estreia a sua peça?
Então, isso depende.
Por quê? Porque agora eu estou justamente atrás de um empresário que
seja apaixonado, romântico, que queira investir em cultura. Mais romântico e
apaixonado do que eu?
Impossível. Então eu dei sorte. Quero ler a sua peça. Vai ler. Vai ler e vai
adorar. Eu tenho certeza.
Você vai ficar apaixonado. Aliás, um brinde à paixão. Um brinde. Um brinde às
loucuras que a paixão pode nos proporcionar.
Pois é, né?
Tipo patrocinar a peça do melhor amigo da namorada.
Você sente seu rosto na pele.
Você aceita ser minha namorada?
É aqui que estão brindando a paixão?
Aí é que foi o problema, entendeu? Porque eu tinha que desenrolar o assunto
do teatro, do patrocínio. E a Laura começou a se agarrar com o namorado
dela. E aí eu tive que dar uns beijos na menina, mas o patrocínio saiu graças a
Deus.
O quê? Você já ficou com outra pessoa?
Não, não fiquei com outra pessoa. Foram uns beijinhos só, não foi nada demais.
Bom, então, eu vou tentar não ficar também com alguém.
Maria Alice. Eu não sei.
Não sei se eu vou conseguir, não prometo nada. Não é isso que eu tô falando.
Maria Alice, presta atenção.
Eu fui praticamente obrigado a fazer o que eu fiz. Senão a Laura ia descobrir a
nossa mentira. Você não precisa fazer isso. Não, precisar eu não preciso, mas
eu posso.
Tenta só me impedir.
Eu te amo, eu já disse que eu te amo. Eu te amo é a frase que mais se diz nessa
casa, não é esquisito?
O que você vai fazer?
Não vou anotar, porque essa frase é excelente. Vou usar na peça.
Mas se fala, não é esquisito. Esquisito.
Pronto. Pode continuar.
E que nós somos livres e tudo bem. A gente combinou de ficar com outras
pessoas, mas... Você foi muito rápido.
Eu não sei se isso vai dar certo. Claro que vai dar certo, Maria Alice. Pelo
amor de Deus, a gente não tem nem motivo pra se separar. E são importantes os
motivos da separação?
Ou são como os nomes das doenças que matam?
Não vai anotar essa?
Não precisa.
Nenhuma Maria Alice no mundo seria capaz de falar essa frase com tamanha beleza.
São importantes os motivos da separação ou são como os nomes das doenças que
matam? Como os nossos queridos apaixonados caíram das janelas baixas da
paixão até esse sorte do festival de sofrimento?
Oi, eu sou a Pink.
Foi perfeito.
Perfeito, perfeito.
Você achou mesmo? Achei de verdade.
Achei, foi triste, foi sensual, era o que era pra ser.
Nossa, que honra, Paulo.
É toda minha, pô.
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