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Original subtitles

A MENTIRA PERFEITA

ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO.

CENAS COM CRIANÇAS E ANIMAIS FORAM FILMADAS EM SEGURANÇA.

Não pode ser…

Só porque nos beijamos,

não significa que eu queria transar com ele.

Naquela hora, meu despertador tocou.

No horário de verão, o mercado de ações dos EUA abre às 22h30.

Podem verificar.

EPISÓDIO 2 AQUELA NOITE

E depois do beijo?

Que absurdo. Como vou falar disso?

Ela disse que foi abusada.

Não.

Nós ficamos no sofá

bebendo vinho e conversando.

E aí a Srta. Kang me levou pro quarto.

Preciso dar todos os detalhes mesmo?

O que aconteceu no quarto?

Nós deitamos na cama juntos.

Ficou por cima dela, Sr. Min?

Fiquei.

Pressionou ela na cama?

Claro que não.

Mandei ele parar. Eu não queria aquilo de jeito nenhum.

Eu não queria fazer nada.

Nós nos beijamos e…

uma coisa levou à outra.

Juro que não estava desconfortável pra ela.

Pelo contrário.

A Srta. Kang não me empurrou nem tentou me impedir.

Ela não me pediu pra parar.

Não me lembro.

Não sei como começou.

Se eu soubesse que ela…

não queria…

eu não teria feito nada.

Não sei o que ela quer com isso.

Meus sentimentos eram genuínos.

Queria sair de novo com ela.

Quem sabe ter um futuro…

Mandei mensagem de manhã e até mandei mingau pra ela.

Já confirmamos isso.

Se a gente não tivesse se divertido à noite,

eu não teria mandado mensagem, né?

Se algo assim tivesse acontecido…

Não faz sentido.

Por que logo a Srta. Kang?

Nós somos próximos.

Não contou a verdade pra ela?

O quê?

Que eu que vendi os tênis e você só me emprestou a sua conta.

Você gosta de mim, né?

Não.

Então por que me deu isto?

É falsificado?

É original, tá bom?

Então por que me deu?

Já tem bolsa e sapatos falsificados.

Queria te dar uma coisa original.

Viu? Você gosta de mim.

Não gosto nada.

- Crimes sexuais… - Não cometi um crime.

Tem certeza?

Tenho. Absoluta.

Ser perfeito também é crime.

Sei que você não faria isso,

mas estou perguntando como advogado.

Você… não acredita em mim?

Muito bem.

Vou te defender.

Não precisa.

Não se contrata um advogado pra encobrir mentiras,

e sim pra defender a verdade.

Vou descobrir por que ela está fazendo isso.

- Mãe! - Mãe!

Oi.

- Oba, a titia está aqui! - Titia!

Ainda não foram dormir?

Eles queriam te ver antes.

Nossa, ficou lindo! Mas já passou da hora de dormir.

- A titia vai dormir. - Hora de dormir.

- Amanhã vocês brincam. - Vão lá.

Mas por que vieram juntas?

Ela não estava muito bem.

O que houve? Está doente?

Não é nada. Eu só…

Vai lá pro quarto.

Falei pra ela dormir aqui. Não seria bom deixar ela sozinha.

- Entendi. - Pois é.

Desculpa.

Não, tudo bem.

Trouxe um travesseiro e uns cobertores.

Obrigada.

Ainda bem que tenho você.

Me fala a senha da sua porta. Vou buscar umas coisas pra você.

Sabe o que é DFSA, certo?

Você é médico, deve saber.

- O que é isso? - Violência sexual facilitada por drogas.

Chamam de "drogas de estupro".

Por que está me dizendo isso?

Saiu o resultado do exame toxicológico da Srta. Kang Jisun.

Está tomando café tarde.

Só chegou em casa agora?

Sim, fiz muitas cirurgias ontem.

Imaginei.

Desculpa por não ter ligado.

- Pai, você está bem? - Oi?

Só estou meio cansado.

Hyunsoo, pra ser sincero…

Ei, por que ainda não está de uniforme?

Hoje é sábado.

É mesmo.

Jisun.

Jisun.

Que horas são?

Já passou das 15h.

Como consegue dormir tanto sem comer nada?

Eu trouxe comida.

Come e volta a dormir depois, tá bom?

Tá bom.

Não vai me contar o que houve com ela?

Eu já falei.

- Pai, quero um canudo. - Caramba.

Cadê os lenços umedecidos?

Olha só que sujeira.

- Aqui. - Eita.

Vai lá comer. Toma cuidado.

Vai ver TV.

Me conta. Sei que ela não está doente.

É algo que não pode me contar?

Não conta pra ninguém.

Certo.

Ela saiu com o Dr. Min Junho, lá do hospital,

aquele cara de quem ela falou.

Sério?

E aí?

Não dá pra acreditar.

A polícia sabe do passado dela?

Por que teriam que saber?

Bom…

E aí, conseguiu dormir?

Vou trabalhar.

Toma café da manhã antes de ir.

Não, não quero.

Ei, Jisun.

Devia tirar mais uns dias de folga.

Estou bem.

Preciso seguir a vida.

Sala dos Professores

Sua irmã nos ligou.

Estava tão mal que não podia ligar?

Desculpa.

O que aconteceu?

Ficou muito doente?

Eu…

Sinto muito.

Na próxima, mesmo doente, você que tem que ligar.

Você é professora. Não pode faltar.

Estamos entendidas?

Sim.

Vou justificar como falta por doença e falar com o vice-diretor.

Aliás, você vai dar aula direito, né?

Vou.

Hoje em dia, os pais mandam os filhos pra escola com gravadores.

Dê as suas aulas como se os pais estivessem na sala.

Está entendendo, né?

Estou, sim.

Soyeon, mesmo atarefada, você terminou de ler o livro.

Li no carro, no caminho pra casa.

Muito dedicada.

Toma.

Profa. Kang.

O meu não tem comentários.

Tem um motivo pra isso.

- Toma, Byeongjun. - Obrigado.

Ei! O que está rolando?

O que é isso? Parem!

Min Hyunsoo, Yeon Sanghyeon. Eu mandei pararem!

Profa. Kang!

Me solta!

- Para com isso. - Me solta!

- Me solta! - Calma.

- O que aconteceu aqui? - A Profa. Kang chegou.

Quero saber o que aconteceu.

Esse idiota me bateu primeiro.

É verdade? Por que você fez isso?

- Querem levar advertência? - Não fiz nada de errado.

- Só falei a verdade. - Vou te matar!

O que você falou?

- O pai dele é um abusador. - O quê?

Minha mãe viu ele sendo preso.

Seu desgraçado!

- Não! - Parem com isso!

Eu nunca tinha visto alguém ser algemado.

Pois é.

O que está acontecendo?

Escuta, como a esposa do Sr. Min Junho morreu tão jovem?

Foi acidente?

Ela se matou.

Se matou?

Ela teve uma overdose.

Overdose…

Podem sentar.

Sua casa é linda. Tem até um quintal.

Obrigada.

É a proprietária, né?

Está hipotecada.

Mesmo assim, deve ser caro bancar sozinha.

Bom…

Faz parte da vida.

Vocês vieram ver a casa?

Não. Claro que não.

O Sr. Min foi liberado, mas a investigação continua.

Nosso trabalho é descobrir a verdade por meio da investigação.

Primeiro, você e o Sr. Min não apresentam lesões.

Preciso ter lesões pra que seja um abuso sexual?

O exame de sangue não mostrou nada incomum além de bebida alcoólica.

Testemunhas no restaurante falaram que vocês pareciam estar se dando bem.

Imagens de câmeras mostram vocês rindo no caminho de casa.

Isso foi antes de tudo!

Sim, mas…

os depoimentos são contraditórios

e não temos muitas provas, o que dificulta as coisas.

Certo. Da próxima vez, vou me lembrar de juntar provas.

Você já trouxe outros homens pra beber na sua casa?

Não. Nunca.

- Então trazer o Sr. Min foi uma exceção. - Foi.

Se não fosse a chuva, ele nem teria entrado.

O Sr. Min disse que foi você que levou ele pro quarto.

É mentira!

Então foi na cama que aconteceu…

Isso.

Você disse que deixou claro que não queria fazer nada.

- Também foi nessa hora? - Foi. Eu…

Não conseguia me mexer. Não estou mentindo!

Fazer perguntas é parte do protocolo.

Tentei empurrar ele, mas fiquei…

Fiquei em choque e não consegui me mexer.

Não me lembro de mais nada depois.

Foi você que convidou o Sr. Min pra jantar, certo?

Não. Eu aceitei o convite dele!

Você convidou ele pra entrar na sua casa

e ofereceu vinho pra ele.

E daí?

Isso justifica ser abusada?

- Oi, Jisun. - Tirou as taças da mesinha naquele dia?

Não. Não tinha nada na mesinha.

Por quê?

O que foi, Jisun?

Foi o vinho.

O vinho?

Ele te forçou a beber?

O Min Junho deve ter batizado o vinho.

RELATOS DE VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL FACILITADA POR DROGAS

DEPOIS DE TOMAREM GHB, CONHECIDO COMO "DROGA DE ESTUPRO"

PODE APAGAR TUDO DA MEMÓRIA

OS SINTOMAS INCLUEM TONTURA, NÁUSEA OU VÔMITO,

MESMO SEM TER CONSUMIDO ÁLCOOL EM EXCESSO…

Lembro que as taças ficaram na mesinha,

mas ele lavou elas e guardou.

Não pode ser. Acha que ele te dopou?

Por que ele lavaria as taças?

Por isso não consegui reagir nem tentar fugir.

Por isso não me lembro de nada!

Mas nos exames não…

- Eu li sobre GHB… - Eu sei.

Sai do organismo em horas. Depois de 12h, não há mais vestígios.

Ele planejou tudo desde o início.

Moro sozinha e chamei ele pra beber vinho na minha casa,

e agora o médico bem-sucedido diz que é um homem inocente.

Jisun. Não tire conclusões precipitadas.

Como você mesma disse,

ele nem sabia que vocês viriam pra cá beber.

Supor que ele trouxe essas drogas…

Tem algo errado aí.

Deve ser próxima da sua irmã.

De vez em quando, ela falava de você.

Eu já sabia que você é professora.

Isso não é justo.

Não sei quase nada de você.

Nada além do que todos sabem: é um médico famoso e admirado

e um ótimo pai.

- Podemos conversar? - Sai daqui. Vou chamar a polícia.

- Só quero fazer uma pergunta. - Fica longe de mim!

Por que fez isso?

Eu que te pergunto.

Acha mesmo que eu

abusei de você?

Estou mentindo?

Eu não abusei de você.

Acha que eu inventaria um abuso?

Eu também estava lá.

Jisun…

Desculpa se foi tudo muito rápido pra você.

Mas…

- Se tivesse me pedido pra parar… - Eu pedi.

Não pediu, não.

Você pode até ter pensado, mas não falou nada.

- Falei, sim. - Não falou. Juro.

Já disse que falei!

Acho que vemos a situação

de formas diferentes.

Vai embora daqui.

Naquele dia…

Por que saiu comigo?

Gostei de você de cara.

Desde o dia da consulta…

Não, pra ser sincero…

desde aquele dia em que nos encontramos por acaso,

eu queria te ver de novo e te conhecer melhor.

Senti que a gente se deu bem.

Não sentiu isso, Jisun?

Não sei se você lembra,

mas, naquela noite…

tudo fluiu muito naturalmente.

Sinceramente, fazia anos que eu não tinha uma noite tão boa.

- Achei que você… - Eu confiei em você.

Eu confiei em você.

Eu queria me apaixonar,

e não ser vítima de um crime!

Você me entendeu mal.

- Eu… - Não chega perto de mim.

Sai daqui!

Jisun…

Não vai levar o caso pra promotoria?

Ela não vai se dar por vencida.

No caso de abuso sexual sem provas, qual é o primeiro critério

pra avaliar se o relato da vítima é confiável?

- Consistência. - E o segundo?

Tenho que buscar o carro.

Ei! Qual é o segundo critério?

- Fala logo. - Certo.

"Isso tem lógica?" Então é coerência.

O terceiro.

O terceiro…

Não sabemos de nenhum motivo pra ela mentir no depoimento.

Digamos que o relato da suposta vítima seja consistente.

Pode não ser coerente.

Vamos supor que seja mentira.

Pense comigo.

Ele é um médico cheio da grana e tem boa reputação.

- É o alvo perfeito. - E o teste do polígrafo?

Como isso ajudaria? Não é aceito como prova.

Foi considerado inocente?

Cabe ao tribunal decidir isso. Não é nosso trabalho.

Vamos arquivar o caso sem levar pra promotoria.

Como não há provas, vai ser encerrado sem acusação.

Sem acusação? Isso não faz sentido.

Ele lavou as taças. Por que faria isso?

- O que você acha? - Pra destruir as provas.

Tenho certeza de que ele me dopou.

Como você já sabe,

não saiu nada no exame de sangue.

É GHB. A droga de estupro!

Eu sou a vítima. Como liberaram ele sem falar comigo?

A polícia não precisa do consentimento da vítima

pra tomar uma decisão.

Se quiser, pode abrir um pedido de acesso às provas.

Teriam feito isso

se a vítima fosse parente de vocês?

Como não vou ficar com raiva de uma coisa dessas?

Entendo como se sente, mas…

essa foi a conclusão com base na investigação.

Ninguém está livre de passar por isso.

Vai entender quando for com você.

Peça desculpa antes de ir.

Você que devia me pedir desculpa!

Ela ameaçou uma policial, é isso mesmo?

CHAMADA RECEBIDA JUNGHYEON

Sabe como mulheres podem evitar sofrer abuso sexual no verão?

Não sei. Escolhendo melhor a roupa?

Não tem como.

Assim como não se culpa uma criança por um abuso.

Qualquer um pode ter o azar de ser abusado.

- É claro. - Mas viu só?

Você falou da roupa,

como se fosse culpa da vítima.

Não trate todo mundo como criminoso.

Quero matar aquele cara.

Você tinha algo pra me contar.

É sobre o Min Junho.

O quê?

Sabe como a esposa desse cretino morreu?

Ela se matou com uma overdose.

- Não acredito. - Pois é.

Parece que ela tinha depressão. Ele é médico.

Ou foi negligência ou foi proposital.

Dois casos com drogas relacionados a ele. Não é muita coincidência?

Ele é médico, mas não é psiquiatra. Ainda precisaria de receita.

Quando uma clínica fecha, os remédios sempre somem.

Se um médico quiser roubar, nada pode impedir.

Quem sabe o tipo de remédio que esse desgraçado tem em casa?

Não quero usar a morte de alguém pra me ajudar no caso.

Vou esquecer isso.

Vem cá.

Para com isso.

Já chega.

Por que foi preso?

Me falaram que você foi preso no hospital. Por quê?

- Quem te disse isso? - Quero saber o motivo!

Hyunsoo.

"Pai, me contaram que tal coisa aconteceu. É verdade?"

É assim que você deve perguntar.

Cometeu abuso sexual?

Eu… conheci uma mulher.

Achei que fosse uma pessoa legal.

Achei que ela podia ser

uma boa mãe pra você.

Não preciso de uma mãe.

Ela não quis sair da primeira vez que convidei.

Da segunda vez, ela topou.

Então nós saímos pra jantar,

fomos pra casa dela, bebemos vinho e conversamos…

Foi divertido.

Ela foi a primeira…

depois da sua mãe.

Depois eu vim pra casa.

Só isso?

Sim.

No outro dia, a polícia me procurou.

Falaram que cometi um crime.

Fui interrogado,

mas me liberaram por falta de provas.

Por que ela faria isso com você?

Não sei.

Talvez…

ela quisesse algo de mim.

Dinheiro?

Provavelmente.

Ela é uma pessoa ruim.

Lembra quando você foi pra delegacia

porque te pegaram tentando vender aquele par de tênis falsificado?

Eu sabia que você não era o culpado.

Como?

Eu confio em você.

Sei que você não é assim.

Você também confiava em mim,

mas se sentiu traído e por isso estava agindo assim.

Não importa.

A escola toda já está sabendo.

Min Hyunsoo.

Cabeça erguida.

Eu sou uma vítima, e você também.

Vítimas precisam manter a cabeça erguida pra que haja justiça.

Bom dia.

Pelo jeito, você não dormiu bem.

Por quê?

A insônia me faria confundir um encontro com um crime?

Já lidei com muitos casos assim.

Vejo de cara se a pessoa é uma vítima mesmo.

É tipo um instinto que eu tenho.

Mas, neste caso…

Olha, está difícil.

Exame toxicológico?

A Jisun pediu?

É de rotina.

Não é normal alguém tratar como criminoso um cara com quem saiu.

Você não perguntou o resultado.

O Sr. Min não se preocupou com o resultado.

Um de vocês está mentindo.

Mas não é só uma mentira.

Ela está entrelaçada à verdade.

Tem como descobrir qual é a mentira?

Você aceitaria fazer o teste do polígrafo?

Ele também vai fazer, né?

O que foi?

Disseram que o Dr. An ia fazer a cirurgia.

ÁREA RESTRITA EMERGÊNCIA

Dra. Kang.

- Diz pra sua irmã… - Não fala da minha irmã.

Por favor, dá o meu recado.

Não sei o que deu nela,

mas, naquela noite,

eu estava feliz.

É claro que já contei muita mentira na vida,

mas isso é verdade.

Se não posso operar nem atender ninguém,

é pra eu ir embora do hospital?

Senhor. Já encerraram a investigação.

Fui inocentado. Não tem processo.

Foi uma acusação falsa. Sou a vítima. Como isso prejudica o hospital?

Eu entendo.

Sua imagem de homem perfeito já era.

Não, calma. Não era só fachada.

Você é perfeito mesmo.

Uma interesseira te enganou, né?

Não foi bem assim.

Não seja tão ingênuo.

Nós, médicos, somos respeitados aqui dentro.

Lá fora, somos só otários à mercê de malandros.

Eu confio nas pessoas.

Não foi nada de mais.

Então tá bom.

Por isso te soltaram rápido.

Relaxa. Acontece muita coisa aqui, e todos têm memória curta.

Mas, se o chefe mandou, é melhor ficar uns dias sem operar.

E acho bom procurar outros hospitais.

Boa sorte.

Alô?

Ainda temos algum assunto pendente?

Por que você lavou as taças de vinho?

Vai perguntar por que lavei a tábua de queijos também?

Como você sabe, eu que cuido da minha casa.

Tenho o hábito de lavar tudo assim que uso.

Ela ia trabalhar no outro dia,

então achei que a manhã dela seria corrida e lavei tudo.

Isso é crime agora?

Não.

O atendimento se baseia na confiança entre médico e paciente.

Mas agora minha vida está desmoronando.

Até onde isso vai? Quando tudo vai acabar?

Peço a sua compreensão até que a investigação seja encerrada.

Pode prestar queixa por calúnia

e provar a sua inocência.

Ela é professora do meu filho.

Pelo bem dele,

não quero piorar ainda mais a situação.

Acho que a Srta. Kang não pensa assim.

Ela aceitou fazer o teste do polígrafo.

Com os depoimentos contraditórios, se o teste for favorável a ela,

vamos ter que reabrir a investigação.

O teste do polígrafo nem é aceito como prova no tribunal.

Pode ser usado como prova indireta, dependendo das circunstâncias.

Devem julgar a verdade com consciência, não por meio de uma máquina.

Não podemos entregar o último resquício de dignidade humana pra uma máquina.

Não é só uma máquina. É ciência.

O teste é confiável.

Eu sou médico.

Quando alguém mente, ocorre uma alteração psicológica,

e essa alteração provoca uma resposta fisiológica correspondente.

Mas essas alterações e respostas podem não ser consistentes.

No fim, é só estatística.

Estatística também é ciência.

Se não tem nada a esconder, por que não faz o teste?

Se você não mentiu,

pode ajudar a provar a sua inocência.

Não menti sobre nada.

Exatamente.

Seu nome é Kang Jisun?

Sim.

É professora responsável pela biblioteca?

Sim.

Já foi casada?

Não.

Você tinha interesse no Sr. Min Junho?

VOCÊ TINHA INTERESSE NO SR. MIN JUNHO?

Sim, de início.

Mas…

estou curioso.

As pessoas não acreditam em mim. Será que uma máquina vai acreditar?

- Então… - Eu topo.

Vou fazer o teste.

Seu nome é Min Junho?

Sim.

Você é médico?

Sim, cirurgião cardiovascular.

Você é homossexual?

Não.

Você lembra se sofreu assédio sexual na infância?

Sim. Na escola.

Foi a primeira vez?

Sim.

Minha irmã estava num passeio da escola, então voltei pra casa sozinha.

Você conhecia os envolvidos?

Não lembro. Foi há muito tempo.

Eles moravam no meu bairro, eu devia conhecer de vista.

Quer se vingar dos rapazes que te assediaram naquela época?

Me vingar?

Quer que eles sejam punidos?

Quero que eles tenham consciência do que fizeram.

Está com raiva do Sr. Min Junho?

ESTÁ COM RAIVA DO SR. MIN JUNHO?

Sim.

Quer matar o Sr. Min Junho?

ALGUM ACONTECIMENTO DA SUA INFÂNCIA TE MARCA ATÉ HOJE?

Quando tinha nove anos,

eu vi um gatinho parado na janela olhando pra mim.

O que você fez?

Abri a janela pra ele.

O gatinho voltou outras vezes?

Não.

Dei um chocolate pro gatinho, ele comeu e acabou morrendo.

Sentiu atração sexual pela Srta. Kang Jisun?

Sim.

Se lembra de ter visto o gatinho morto depois de comer o chocolate?

Sim.

Você cometeu abuso sexual naquela noite?

BALA SKITTLES

Botei o café da manhã e o almoço pra fora.

Quero falar com a minha pipoquinha. Cadê ela?

Pipoquinha, logo o papai volta pra casa.

Até lá, vê se não dá muito trabalho pra mamãe.

E você? Está se alimentando bem?

Sempre me alimento direitinho. A comida da marinha é ótima.

Hwayoung, e se você ficar fraquinha sem conseguir comer?

Eu misturo tudo que é saudável

e faço um suco, então estou bem nutrida.

NOVO E-MAIL

O que foi?

É um e-mail importante sobre um caso.

RESULTADO DO TESTE DO POLÍGRAFO

Onde você estava?

Passei meio mal.

Dá pra perceber?

Claro que dá.

Nenhum segredo dura muito por aqui.

Se descobrirem, eu conto.

Não sei se vai te ajudar,

mas a minha esposa passou os nove meses enjoada.

Belo jeito de me consolar.

Sabe que eu não minto.

E aí, contou pra eles o resultado do teste do polígrafo?

Caramba… Não dá mesmo pra saber o que se passa na cabeça dos outros.

Eu mal como em casa. Por que ele fez tanta coisa?

Ele sempre exagera.

Agradece ao Hyeongsu por mim.

Você tem dormido bem?

Tem conseguido dormir?

Eu…

Se não quiser ficar sozinha, pode ir lá pra casa.

O Hyeongsu não liga.

Vai casar com ele de novo na próxima vida, né?

Você vai ter que me contratar.

Saiu o resultado do teste do polígrafo.

Aconteceu algo parecido na escola em que ela trabalhava.

Ela acusou um cara de assédio sexual e acabou com a vida dele.

QUEIXA: A RECLAMANTE AFIRMA QUE…

Só tem mato pra comer nesta casa?

O resultado do teste mostrou que todas as declarações

do Sr. Min Junho eram verdadeiras.

Ela é persistente.

Ela insistiu até não dar mais e acabou conseguindo um acordo.

Você caiu no golpe dela.

Precisa reagir, não pode dar mole. Ou ela vai destruir a sua vida também.

- Não pode ser verdade. - E daí? O que importa é o boato.

Acorda. Ninguém liga pra verdade. Pensa na sua reputação.

- Ela não é assim. - É, sim.

Tem histórico. Ela se faz de vítima por dinheiro.

- O que isso significa? - O que você ouviu.

O Sr. Min Junho não estava mentindo.

Como assim?

As pessoas podem interpretar a mesma situação

de perspectivas diferentes.

Não falei o resultado do seu teste.

- Claro que… - Srta. Kang, as suas declarações…

mostraram indícios de mentira.

É impossível.

Como o resultado pode ter dado tão errado?

Tem algo errado. É o contrário!

De vocês dois, quem mentiu foi…

você.

A MENTIRA PERFEITA

Deve ter algum motivo.

Quer que eu admita que menti? Agora?

Ela deve ter algum problema psicológico.

Aquela mulher era você?

Ela não vai desistir tão fácil.

Como vou seguir a vida depois do que ele fez comigo?

O que você fez… E está tentando jogar a culpa em mim.

Vou pedir pra investigarem tudo de novo.

Foi uma mulher que denunciou. Está na cara quem foi.

Te pegaram mentindo pra mim.

Agora quer que eu minta também?

A MENTIRA PERFEITA

Legendas: Bárbara Bassi

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