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Original subtitles

E aí

Ai, que chato.

Que disse?

Disse, que chato.

Ela sempre foi assim.

É vagarosa no vestir.

Mas já deve estar pronta.

Por que não vai apressá-la?

Sua mãe detesta isso.

E você sabe muito bem.

Pai, tu é manso mesmo.

Está falando o quê?

Que o senhor é um homem muito cordato.

Ah, sim.

É, é possível.

Será que ela ainda não terminou? A comida vai esfriar.

É uma ideia muito besta essa de trepar antes do jantar, né?

Onde está o José?

Imagina.

Quando volto?

Quando eu quiser, chama.

Sai diretamente.

Por quê? Todo mundo sabe.

O que as pessoas sabem não tem importância.

O que importa é o que se vê.

Chato!

Você não sabe dizer outra coisa?

Mas tudo é chato mesmo!

Melissa!

Quem é ele?

É Sérgio.

Bom, e daí?

Isso é apenas um nome. O que faz?

A que família ele pertence?

Qual é esse homem?

É a primeira vez que vão sair juntos.

É só o que interessa. O resto vem depois.

Onde vai?

Por aí.

Qualquer lugar.

O que pintar?

Não temos destino certo.

Vai no apartamento dele?

Não sei se ele tem apartamento ou se mora com a família.

Fale do apartamento para a encontro.

Por que não pergunta as coisas diretamente?

Você quer saber o quê? Se eu vou dar para ele a primeira noite que sairmos

juntos?

Se coloca o problema de forma tão vulgar, essa é a preocupação.

Deixa a preocupação para mim.

Se der errado, quem vai entrar pelo cano sou eu.

Boa noite.

Esta noite está bem? Logo hoje?

O que tem?

Não me diga que já... Mais ou menos.

Onde? Com quem?

Ora, Sr. Rodolfo.

Bem, isso não importa.

Mas hoje quero que me preste um favor.

Está bem.

Com qual dela será?

Com Maria ou Joana. Aquela que estiver mais no jeito.

Precisamos providenciar outras.

Mas aqui?

Como você vai fazer?

Pensaremos qualquer coisa a respeito.

Ah, o senhor manda.

Tudo bem.

Que tal? Está me tratando como turista. Também moro nessa cidade. Só que você

não vive passeando por esse bairro. É, isso é verdade.

E está gostando?

Até que estou.

Só não estou entendendo.

Entendendo o quê?

Por que não fomos para os lugares de sempre?

Porque é a primeira vez que saímos juntos.

E daí?

Está fazendo pergunta burra.

Não faz mal.

Antes burra prevenida, que inteligente cretina.

Não quero encontrar ninguém.

Só você, entendeu?

As pessoas que conhecemos não frequentam esse bairro. Eu sei, mas o objetivo

final é?

Depende de você.

Depende do quê e como?

Depende do nosso namoro. Vamos nos conhecer melhor.

Talvez gamando e o resto vem naturalmente.

Até o casamento?

Não está querendo ir depressa demais, está?

Não estou.

Vamos nos conhecer melhor, então?

Poderíamos fazer isso na cama.

Isso o quê?

Nos conhecer melhor.

Ele tá demorando. De certo que ela vai, quando ele está acordada.

Ó, não vai me machucar.

Sem reclamação.

Afinal, você tá levando uma boa nota.

Mas vai com cuidado.

Senão, não há cu que aguente.

Afinal, isso não é amor. É mexer.

A gente tem que fazer o que ele gosta.

Parece um hortão distinto, mas não passa de um sacana. Olha aqui.

Cuidado com os dentes, hein?

Adoro morder.

Mas vai morder o caralho do seu marido, não o meu, né?

Imagina fazer isso com ele.

Com o Ney Pono Seno, é só uma trepadinha honesta de marido e mulher.

Tá reclamando de quê? Ainda não acostumou?

Eu? Não acostumado.

Gosta dele?

Sou amarrada no meu homem.

Então por que entrou nessa jogada?

Na merda em que a gente vive, você não imagina como esse dinheiro ajuda.

Isso não é para você descobrir.

Ou ele me mata, ou eu morro sozinha de vergonha.

A porta!

Olha ele aí, hein?

Então vai, prova-me, prova-me. Ele tá olhando.

Bate, bate.

Vai fundo, cara.

Tintin. A sua.

Você sabe que a noite não dura pra sempre?

Sei. Vai daí?

Não me apresse.

A pressa foi sua de vir pra esse motel.

Vai acontecer.

Pode estar certo que vai acontecer.

Ai, tesão.

Gostoso.

Isso. É bom.

Entra tudo.

Coisa que vocês costumam falar.

Fala.

Aí, cadela.

Tudo.

Gigolô de merda.

Puta. Filha da puta.

Trepa direito, escroto da minha vida.

Vem cá.

Vem cá.

Mulher porca.

Quero te passar toda a gonorreia do mundo.

Seu puto. Isso, vaca. Isso, sua vaca.

Gostoso. Vai, vai.

Por hoje é só. Obrigado.

Que coisa mais besta é essa?

Será que todo mundo é tarado?

Não sei.

Nem sei direito o que é tara.

Nem eu.

Dá o fora, eu quero dormir, tô cansado.

Não vai tirar o pijama?

Pra quê?

Pra me dar o que eu tenho direito.

Ora, todo dia você toma o que tem direito e o que não tem.

Então vamos dizer que eu quero lhe dar o que você tem direito.

Já estou satisfeito, obrigado.

Boa noite.

Mas que homem de merda!

Cansada? Não.

Quer outro?

Não.

Você sabe que horas são? Deve ser tarde.

Três da matina.

Desculpe, sim.

Porra, desculpar o quê?

Você não fez nada.

Esse é seu galho. Você não faz nada.

É disso que estou me desculpando.

Estraguei sua noite.

Ouça, eu não quis isso. Foi você que insistiu.

Poderíamos estar por aí, nos divertindo, conversando com os amigos, dançando.

Eu sei, mas eu precisava tentar.

Tentar o quê?

Ser mulher.

E não é?

Você me entendeu.

O que é, afinal?

Um sapatão arrependido?

Não. O que é, então? É seu cabaço que está atrapalhando?

Isso é o de menos, a gente tira. Ninguém morre por isso.

Sabe quantos cabaços são estourados por noite na cidade?

Milhares. Foi o tempo que esse troço valia alguma coisa.

Era mercadoria pra se negociar um casamento.

Hoje não tem mais cotação na bolsa. Os valores são outros.

Quero ser uma mulher normal, como as outras.

Só que chega na hora, fico pensando nela. Nela quem?

Minha mãe. E o que tem a sua mãe a ver com isso?

É uma matriarca, vive no seu pé.

Vive bancando o anjo guardião da sua virgindade. Não.

Ela tomou todos os homens de minha vida.

Como é o negócio?

O que eu lhe disse.

Eu quero um homem só pra mim.

Eu não quero dividir com ela.

Mas eu nem conheço sua mãe.

Vai conhecer.

Ah, boa.

Eu queria um amor só pra mim.

Esconder dela.

Só que é impossível.

Entendo a jogada.

Quer assim?

Olha, eu não quero nada.

Mas se isso te faz feliz, eu topo.

A gente podia aproveitar o resto da madrugada para dormir um pouco. O que

acha? Acho ótimo.

Assim, a gente chega em casa de dia e ela vai pensar que... Tô lá.

Bom dia, mocinha.

Bom dia.

Quem é ele?

Um amigo.

Eu o conheço?

Não. E onde vocês passaram a noite?

Por aí.

Melissa chegou agora.

Foi, é.

Você nem prestou atenção a que eu disse?

Você disse que Melissa acaba de chegar.

E então?

O que que tem?

Onde foi tão cedo?

A lugar nenhuma.

Ela não dormia em casa.

Que novidade.

Garanto que foi passar a noite fora na casa de alguma colega.

Mas voltou inteira.

E de boa saúde.

Passou a noite forte.

Mas com um homem.

Onde? É isso que eu quero saber.

Vamos por parte.

Você que é mãe, faz com que lhe diga a verdade.

Depois tomarei a atitude conveniente.

Até parece.

O quê?

Que você é capaz de tomar alguma atitude.

Vai pra porra!

Melissa, você não devia fumar antes de tomar café.

Eu já tomei o meu café hoje.

Onde? Se veio aqui fazer o seu interrogatório, desista. Eu não vou lhe

dizer nada.

Hostilidade não vai resolver o problema.

Está bem.

O nome dele é Sérgio.

Quando vamos conhecê-lo?

Afinal, não há razão para você andar se escondendo.

Seu pai e eu somos muito liberais e queremos lhe dar todo o apoio.

Sergio Medeo, advogado.

Bom dia.

Bom dia.

Tem hora marcada para tão cedo?

Seu nome, por favor. Marina Assosso.

Marina... Desculpe, mas não há nenhuma entrevista marcada para hoje. Não

marquei nada.

Posso esperar?

Vai se arriscar a perder tempo. Não quer marcar entrevista para hoje à tarde?

Prefiro esperar.

Se quer, assim.

Onde é que ela está?

Onde é que ela está?

Saiu faz tempo.

Onde foi?

Pra gente, ela não diz, não, senhora.

Cacete! Essas duas vivem brigando.

Escritor doutor Sérgio Medeiros, bom dia.

Sim. Não, ele ainda não chegou.

Um momento.

Seu nome é Marina?

Sim, por quê?

Sim, uma senhora chamada Marina.

De nada.

Quem era? Não sei.

Não quis falar o nome.

Só sei que era a voz de mulher.

A casa é sua e você manda.

Já sei.

É do tipo inibido.

Não se preocupe com nada.

Está tudo sob controle.

Não, não. Eu não estou nervoso nem inibido.

É que eu gosto de ver.

De olhar bem.

É bonita a sua casa.

Quer dizer, não é bem minha casa.

Não moro aqui.

Peraí, me explica isso.

Não há perigo? Quem é o dono disso aqui?

Dona, a casa da titia.

De sua tia?

E não há perigo dela aparecer de repente?

Você conhece a titia?

Conheço.

Claro que conhece. Não esteve com ela ontem?

Desculpe, mas deve haver algum engano.

Eu não conheço sua tia mesmo.

Estamos perdendo tempo, meu bem. As meninas chamam de tia a cafetina que

arranja trabalho pra gente.

Ah, sim.

Agora eu entendo.

O apartamento é da madame.

Compreendo por que cobra tão caro.

Vai reclamar do dinheiro que gastou? Está me achando cara?

Não.

Desculpe mais uma vez.

Eu não quis ser imeditado.

Não. Quer beber alguma coisa?

Não.

Quer ouvir música e dançar?

Também não.

O que quer, então?

Quero ver.

Pois então, veja. Vou lhe mostrar tudo.

Não, espera aí.

Não é isso.

É outra coisa.

É como vejo minha mulher, os empregados lá de casa.

Tudo. Já sei.

A madame me disse que o senhor tinha os galhos.

Pois é.

A senhorita entende, não é mesmo? Sei.

Gosta de ver os outros metendo?

Mais ou menos.

Vou telefonar pro meu namorado. E ele vem num instante. E a gente dá uma

trepada espetacular pra você olhar.

Não, não.

Hoje... Hoje eu quero ver a mulher sozinha, fazendo coisas.

Que coisas?

Coisas.

Coisas diferentes.

Instantes. Não entendi, não.

Eu vou explicando e você fazendo.

É, nessa vida a gente tem que topar o tarado que aparece e paga.

Me acha um tarado?

Esqueça, não tem importância. Vamos para o quarto?

Posso lhe fazer uma pergunta?

A vontade.

Você só gosta assim e nunca fodeu uma mulher de verdade?

Já sim.

Mas faz muito tempo.

Eu já fiz até uma filha.

Mas não me dava muito prazer.

Sabe, um dia numa fazenda, eu vi um garanhão trepando numa égua.

Aí eu gozei de verdade.

Gozei até me molhar todo.

E foi aí que eu descobri a coisa.

O bom mesmo é ver.

Olhar.

Nunca mais quis comer uma mulher?

Depois disso, nunca mais levantou.

Só quando olho.

Você diga que eu faço.

Não vai ficar nu?

Não é preciso.

Quer que eu acaricie seu saco? Quero que você fique calada.

Onde vai?

Fica aí.

Vou procurar umas coisas.

Pra quê?

Esse é a dose.

Está aí.

O que eu faço com tudo isso?

Para você enfiar e eu ver.

O quê?

Prazer é prazer, meu bem.

Bom dia, Dr. Sergio.

Esta senhora me espera faz uma hora.

Perdão, não sabia que tinha entrevista marcada.

Não tinha.

Vamos me avisar. Vamos para o gabinete?

Sente-se, por favor.

O que foi? Está sentindo alguma coisa?

É uma forte dor de cabeça.

Isso me dá sempre.

Um comprimido resolve?

Imediatamente.

Devo ter alguma coisa aqui.

O seu... o seu comprimido.

Eu descobri que esse não é o remédio adequado.

O que eu preciso é uma boa trepada.

A senhora é surpreendente.

Creio que não recusará de curar minha dor de cabeça.

Não.

Deixa eu ir por cima. Assim.

Assim está melhor.

Já foi tudo ou ele é pequeno mesmo? Como?

Agora me lampe, me chupa, me beija.

Virgato, meu anjo. Pode deixar. Espera. Vem, agora.

É, é isso mesmo.

Por trás.

Vai firme.

Faz igual ao torreiro.

Aí, aí.

Está estucada.

Em terra afunda sua espada dentro deste touro bravo.

Ai, ai, sim, querido meu, sabe, foi um grande prazer conhecê-lo.

Mas já esqueci seu nome.

Como se chama mesmo?

Me chamo Sérgio, advogado fora da capital.

A seu serviço, madame.

Mas, defende primeiro uma coisa macho, que eu defendo minha de fêmea. Pode

deixar, madame.

Quero ver o Sérgio agora mesmo.

Desculpe, marcou sua hora? Não, não marquei. Ele está ocupado. Com quem?

Uma cliente. Qual o nome dela?

Não é de seu interesse.

Quer fazer o favor de sentar e esperar?

Sérgio, quem está aí com você?

Sérgio! Porra, que situação.

Sérgio!

Quem é?

Uma namorada meio quadrada.

O nome dela é Melissa?

Como sabe?

É minha filha.

Caí feito um patinho.

Comi a mãe antes da filha.

Acalme-se. O Dr. Sérgio atenderá quando a cliente sair.

Você é uma besta. Não está entendendo nada.

Meu Deus, uma maluca.

Meu bem, não sabia que você visitava seus namorados de manhã.

Venha, vamos comigo.

Vem cá, menina. Para.

E larga.

Vou anunciá-la. Qual o seu nome?

Não precisa.

Caralho.

Querida, você é imprevisível. Me surpreendeu aparecendo assim.

Eu estava atendendo uma cliente meio neurótica, mas agora eu posso dedicar

-lhe toda a atenção.

Você entende as mulheres?

Pergunta a cretina, não?

O que disse?

Ah, vai tomar no rabo. O quê?

E é com imbecis como esse que temos que arrumar nossa vida.

Vem cá. Vem cá.

Quer me fazer um favor?

O senhor manda, seu Rodolfo. Me chama de garanhão.

Só isso.

Me chama de garanhão.

Garanhão.

Assim não.

Com alma.

Com gozo.

Com vontade.

Vontade de quê?

Qual é a vontade de uma mulher quando acha o homem um garanhão?

Dá pra ele, né?

Isso. Já me entendeu.

Agora

repita

com força, com desejo, com emoção.

O senhor que me comece é o Rodolfo.

Não fale tanto.

Diga apenas garanhão.

E traga a palavra de dentro, do fundo, do útero, da vagina.

Xiii! Vai melar. Tô menstruada hoje.

Retire-se, por favor.

Desculpe se eu... Retire-se!

Calma, para que tanta pressa?

Para de aborrecer as empregadas.

São umas imbecis.

Elas? Ou você?

Que nem foda não sair de cima.

Você devia seguir meu conselho e ir ver um psicanalista.

Para quê?

Ele pode me curar.

E eu adoro minhas taras.

Preciso encontrar um caminho.

O portão é para aquele lado.

Quem é o senhor?

O meu nome é Flávio.

Se você precisa de ajuda, você encontrou o cara certo.

De onde veio?

Do céu.

Sou o seu anjo da guarda de plantão.

Sabe, o negócio é meio complicado, mas se você quer mesmo me ajudar... Diz aí.

Qual é o lance? O problema é a minha mãe.

Ah, não.

Com velhota na parada, a coisa fica complicada.

Que velhota? Minha mãe é uma devoradora de homens.

Como é mesmo?

É isso mesmo, entendeu?

É, mas coroa comigo não tem vez.

Não mesmo?

Não.

Ô Melissa, como é que eu faço?

Vai jantar lá em casa hoje à noite.

Tá legal.

E como é que eu vou?

Vai bem bacana. Ah, já sei. Com o telinho de missa.

Isso.

Tchau.

Tchau, gatona. Te vejo logo mais.

Até lá.

É, eu acho que vou me meter em encrenca.

Boa noite. Boa noite. O senhor está nervoso? Não.

Estou muito calmo até.

Então por que esse barulho todo?

Estava chamando Melissa.

Não seria mais fácil tocar a campainha da casa?

Venha. O senhor é... Rodolfo, pai de Melissa.

E o senhor?

Me chamo Sérgio.

É namorado dela ou coisa parecida?

É, digamos que eu sou coisa parecida.

É. Muito prazer.

Prazer.

Venha comigo.

Não, você pode estar certo de uma coisa.

Que a partir de hoje eu sou seu amigo.

Aliás, você pode ser franco comigo.

Você e Melissa já... Eu Melissa já o quê?

Não, eu estou perguntando se você e Melissa já se amaram. É isso que eu

quero dizer.

Ainda é cedo para falar em amor.

Estamos começando nosso relacionamento.

Perguntei outra coisa.

Então. Não entendi a pergunta.

Perguntei se já fizeram amor.

Se dormiram com o outro. Se foderam.

Falando na linguagem de vocês de hoje.

Já transaram?

Esse cara é doido.

Tudo bem?

Boa noite.

Oi, minha querida. Conhece aqui o Dr. Sérgio?

Sim.

Conheço.

Conhece?

Conhece de onde?

Uma consulta. Boa noite. Consulta do quê?

Está doente?

Ele é médico?

Sou advogado. Por que precisa de advogado? O que veio fazer aqui? Assunto

meu. Eu vim te ver.

Só que eu não quero te ver.

Assunto teu é uma merda. Está me preparando o homem. Quero te explicar.

Cochão, não seja mal educado. Não quero saber de nada.

Conheço muito bem, mulher.

Te conheço muito bem.

Mas tem que me ouvir. Chega.

Precisa me ouvir, pô.

Chega.

Parem com essa bagunça.

Desculpe, meu bem. Eu não tinha ouvido seu chamado.

Vamos entrar já?

Me dá uma dica aí sobre sua gente.

Não dá tempo.

Gente, esse é Flávio.

Boa noite, Sr. Flávio. Muito prazer.

Quem é ele na hora das coisas?

Meu namorado.

Espera aí.

Se ele é seu namorado, o que está fazendo o Dr. Sérgio aí?

Eu não sei.

Pergunte para sua mulher.

É cacho dela.

Vai começar tudo de novo.

Será que podemos nos entender direito?

É simples.

O problema é que não conseguimos ficar todos juntos.

É melhor nos separarmos um pouco.

Venha comigo.

E você?

Que família de merda.

Oi, José.

Acho que hoje podemos.

Outra vez?

Excepcionalmente. A situação é propícia. Com qual delas? Com as duas.

Joana não vai topar. Duas noites de seguida? É demais pra ela.

E ela anda com medo danado do Nepomuceno descobrir.

Mas eu cuido delas. Deixa por minha conta, tá?

Vai me fazer esperar muito tempo?

Que loucura é essa? Ele pode chegar a qualquer momento.

Não se preocupe com o Rodolffo. Não vejo já esse turno.

Ele nem me incomoda.

Olha aí.

Nem teve cuidado de trancar a porta.

Não é necessário. Mas se faz tanto, melhor.

Agora pode passar à vontade.

Você só tem a ganhar com isso.

Até que estou precisada.

O problema é o meu nepomuceno.

Não se preocupe com isso.

Conhece aquela história, Lavosta Nova?

Se ele descobre, me mata.

Ele não vai descobrir.

Estamos acertados, então?

O Nepomuceno tá desconfiado de tanto dinheiro que leva pra casa.

Tá querendo vir falar com o patrão.

Deixa, boba.

Ele vem, o patrão confirma que te paga isso mesmo, e tu fica numa boa. É.

E até que esse dinheiro ia ajudar ela em casa.

É isso aí, entendeu?

Ela devora todos os homens que eu arranjo.

Mas como é que pode se apaixonar assim?

Tolo. Que paixão.

Nessa história, não existe amor, não. É só sexo.

Sexo sem amor, sem sentimento.

Sexo pelo simples prazer do sexo.

É isso aí.

E o teu velho nisso tudo?

Ele é manso, é?

Pra ser corno, precisa sentir ciúme, sofrer, ligar pra coisa.

Ele não tá nem aí.

Não?

Tem lá suas manias, mas quer que o resto se foda.

Eu tô entrando nessa história como, hein?

De palhaça?

Ela está ocupada agora com o Sérgio.

Você vai ser só meu.

Seu namorado, é claro.

Como já te disse, coroa não faz o meu gênero.

Que namorado?

Vai ser o meu piso.

Como?

É, vou dar pra você numa boa.

Mas você tem que me prometer uma coisa.

É tudo o que quiser.

Nunca vai fazer sexo com ela.

O negócio é maneirar. A gente tem que fingir um pouco.

Senão não há saco que aguente.

Mas ele fica de olho na gente.

Presta atenção em tudo.

Não dá pra enganar.

Tô lascado.

Só espero que aquela doida, aquela patroa, não invente essa noite.

Fica descansado. Ela tá dando pro outro cara.

Ainda bem.

Você vai começar por onde?

Por onde o quê?

Vai comer o quê?

Um frango assado?

Ah, porra, assim você tá me desbordando, pô.

Vem cá, me dá um beijinho.

E aí

Nesta minha noite de glória, três de uma vez.

Como começamos? Pra mim, tanto faz.

Começa chupando ele e eu te chupando. Tá.

Amém.

E aí E aí

Parem viu, eu já volto.

Não me mexa.

Vamos, depressa. Outra vez?

Boa noite, maravilhosa.

É mesmo.

Que... que noite, Melissa.

Ah, gostei tanto de te conhecer.

Eu também.

Você está bem?

É,

para mim também foi.

Eu acho ótimo.

Volte sempre.

Foi um prazer.

A casa é sua. Muito obrigado.

Vem que eu te dou um macarrão. Ah, legal, obrigado.

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