Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Nossa, Marga,
seu cabelo cresceu bastante desde a última vez que nos vimos.
Sim.
Quero deixar grande como o da Bad Gyal.
Não sei quem é.
Fala sério.
Não sabe quem é a Bad Gyal?
É uma cantora.
Ela é incrível.
É, e ela tem Instagram.
Você não a segue?
Não, porque eu não sei quem é.
Eu gostaria de ter Instagram.
Sim.
Um dia eu a vi na Av. Passeig de Gràcia
e ela estava de óculos escuros,
mas era ela mesma.
Que legal, Marga. Eu sempre aprendo coisas com você.
Você sabe por que está aqui?
Por causa da Laia.
Sabe por que a Laia fez você vir aqui?
É culpa da Patri
e as porcarias das bandeiras dela.
O que aconteceu, Marga?
Para mim,
o que eu mais gosto em morar no apartamento
é morar no apartamento.
E o que eu mais gosto em morar em Barcelona
são os festivais de rua.
Não o de toda Barcelona.
Não, essa não conta.
Eu digo os festivais de rua.
E o que você gosta menos em morar no apartamento?
As regras.
Não gosta das regras?
Não. As regras proíbem o que eu gosto de fazer.
Você quer dizer dormir na praia
e fazer sexo com alguém que acaba de conhecer?
Sim.
Mas...
as regras proíbem isso.
Mas as regras são para todos, Marga.
Para todos.
Eu também não posso sair por aí
mostrando a vagina aos meus vizinhos.
Mas é que eu sou retardada.
E ser retardada é pior.
Por isso acontece isso que você me falou.
Do que você está falando?
Que eu estou deprimida.
Como está indo com o remédio? Está tomando o Tripteridol?
Você me disse que eu estou deprimida
e por isso eu tenho que tomar o Tripteridol.
- É verdade. - Sim.
E eu não sou deprimida de ficar chorando.
Não.
Eu sou deprimida de foder.
Eu gosto de foder.
Eu fico contente quando eu gozo.
Eu fico feliz.
Mas as regras proíbem.
E o que eu quero é ser livre
para poder fumar e para poder foder quando eu quiser.
Mas a Laia disse que isso é ruim
e eu não sei por quê
e isso me deixa triste.
Marga,
é porque alguém poderia se aproveitar de você.
Você precisa aprender a ter controle sobre o que você faz.
Podem te fazer mal.
Você pode engravidar.
Isso não tem problema, porque é só tirar.
Não, Marga. Não.
Não.
Isso não é bom para a sua saúde.
Você entende?
Marga...
CAPÍTULO DOIS NEM TUDO QUE PARECE É LIXO
O que ela disse?
Ela é louca.
Não sabe quem é Bad Gyal.
É uma perversa, torturadora de mentes. Vamos.
Sim.
Ventura,
tem alguma possibilidade de retirarem a queixa?
Olha, Laia, eu só quero viver em paz.
Eu cedo o apartamento à Fundação por tudo que fizeram pela minha irmã,
mas aquilo ontem passou dos limites.
Sim, tudo bem, mas daí a prestarem queixa...
Olha, eu passei vergonha.
Eu também fico com pena.
A minha irmã também fazia essas coisas,
por isso não podia ficar aqui.
- Sim, mas eram outros tempos. - Dá na mesma.
Eu entendo tudo isso,
mas os vizinhos, não.
É normal que as denunciem.
Desculpa, tenho que atender.
Alô.
Sim.
Olá.
Certo.
Perfeito, obrigada.
Obrigada, tchau.
Vamos.
Olha!
Olha, é aqui.
Olha! Olha!
Nossa, Nati,
essa combina muito com você.
Gostei.
Gostei dessa.
- Sim. - Gostei.
É legal?
Demais! Parece francesa. É Chanel.
É tweed.
Tweed.
É demais.
Eu pareço francesa.
- Vou ficar com ela. - É tweed.
Como você sabe tanta coisa?
Oi, Patri! Olha!
Eu pareço francesa.
Por que estão mexendo no lixo?
Nem tudo que parece é lixo.
Foi para isso que me fizeram vir?
Eu não quero pôr essas roupas. Que nojo.
Então vai para a Corte Inglesa, besta.
Acho que a Laia não vai gostar disso.
Sim, mas a Laia só usa roupa velha.
Bom, eu já falei. Isso vai contra as regras.
- E depois dá problema. - Você se acha muito legal, não é?
Olha, eu adoro a vida independente.
Vocês gostavam da residência?
Não, a residência é muito pior.
Tinha que tocar fogo nas residências.
Então pronto. Marga, obedece as regras.
E a Angelita tem que achar o dinheiro.
E não fica se tocando, a gente está na rua.
É que estou fogosa.
Então se aguenta até a gente chegar em casa.
Ela se toca onde der na telha.
- Olha, eu vou indo. - Certo, em casa.
Sessenta. Seis, zero.
Setenta e sete.
Sete, sete.
Cinquenta e cinco.
- Vinte. - Aqui, aqui!
Fala "bingo", amor.
Bingo! Eu! Bingo!
Bingo!
- Boa noite. - Boa noite.
Obrigado.
Boa noite.
Querida,
me dá o dinheiro do prêmio.
Olha,
tem que ser metade para cada uma.
É justo, porque eu paguei a cartela.
Você entende que isso é justo, certo?
Aqui tem o suficiente para repôr o do apartamento.
E isso é para você.
Para as suas coisinhas.
Você viu que sorte?
Sai pela porta de trás, essa está fechada.
SAÍDA DE EMERGÊNCIA
Gata,
está sozinha? Não está com algum amigo?
- Também atendemos amiguinhos. - Faço de tudo. Ganhou o bingo? Vem cá.
Olha, isso não está certo. Não dá para dormir assim.
Já pedimos várias vezes para abaixarem a TV.
Vocês são problemáticas.
Já estamos discutindo há mais de uma hora
e era só vocês desligarem a TV. Mas não querem.
Eu já disse que não estamos achando o controle.
Está na vagina da Marga, ela está batendo uma.
- Nossa... - Então desconecta.
Pega o cabo, querida, e desliga da tomada.
- Eu não consigo entender. - Fascistas!
Assim vamos chamar a polícia. Meninas, por favor.
Marga, falta muito?
Espera, espera.
- Quase. - O que está acontecendo aqui?
Que escândalo é esse?
- Por favor, dá um jeito nisso. - São duas da madrugada
e a TV está no máximo.
Marga!
Marga! Marga!
- Eles vão chamar a polícia! - Fica quieta!
Ela está quase lá!
- Que desastre! - Impossível dormir.
- Faz alguma coisa. - Certo, calma, gente.
Todos se acalmem.
Já é a terceira vez.
O que está fazendo aqui? Vai para casa.
Nós levamos o lixo de vocês a semana toda.
Se não chamarem a polícia e não prestarem queixa,
levamos seu lixo a semana toda.
Isso, a semana toda.
Espera, o mês todo.
- O mês todo? - Sim.
- De todos? - De todos! Todos! O mês inteiro.
E os recicláveis. Nós reciclamos.
Claro. Todo o reciclável também.
Certo, é bastante lixo,
mas o pornô continua no máximo, não dá para descansar.
E quem diabos é você?
- Quem diabos é você? - É meu irmão.
Eu vou cuidar disso pessoalmente, isso não vai se repetir.
Boa noite, Sr. Ventura.
- Boa noite. - Boa noite.
Desculpem.
Patricia, já para dentro!
E você sobe já! Por que ainda está aqui?
A gente vai levar o lixo deles cada uma um dia.
- Que merda. - Só você tinha que levar!
É culpa sua!
Todas somos pessoas, sua fascista!
A sociedade usa a comunidade e a ideologia para nos fazer achar
que tem diferença entre carcereiros e presos.
Dane-se!
Nati, cara...
Margarita, a gente vai levar o lixo deles cada uma um dia.
E temos que seguir mesmo isso, se não queremos que prestem queixa.
E vai tomar um Tripteridol agora mesmo.
E todas já para a cama! Estão de castigo!
Para a cama!
Nati.
O quê?
Sabe por que todo mundo se incomoda por eu tocar a minha vagina?
A sociedade é formada por presos para se autorreprimir.
Você saiu da regra.
Sabe o que significa se autorreprimir?
Nati,
você é a melhor.
Marga, não se autoengane.
Obrigada, tia Monserrat.
Obrigada, bingo.
Eu dou uma olhada, mesmo assim.
Caramba, que medo desse peru.
Meu coração vai a mil.
Que chegada, mulher!
Não, é que me dá muito medo. Eu tenho asco.
Chegou o informe psiquiátrico da Margarita Baena.
- Te mandamos por e-mail. Você já leu? - Não.
- Certo. - Mas o que diz?
Bom, diz que ela não toma o Tripteridol
pois a deixa muito apática e ela não gosta.
Ela a achou mais fora da realidade do que outras vezes
e não vê o aborto que ela fez como algo ruim para ela.
E a vê mais necessitada de sexo do que nunca.
A única forma que temos de ajudá-la é
proporcionando o sexo de que ela precisa.
À Marga?
Nós?
Olha, para começar,
nem sequer existem homens, trabalhadores sexuais
que atendam mulheres com diversidade funcional. Então...
Não olhem para mim.
Então para eles, sim. Mas para elas, não.
Inacreditável.
Se não tem trabalhadores sexuais, que seja um garoto de programa normal.
Eu também quero um para mim.
E, para ela, uma vez por mês não é suficiente, já eu...
Estou falando sério.
Laia, a Fundação não tem dinheiro
para pagar pelo sexo de que a Marga precisa.
É ou não é, Álvaro?
Bom, se a Fundação tem que fazer, eu não sei.
A verdade é que não temos dinheiro, então...
É impossível.
Eu que vou acompanhá-la na ginecologista.
A Marga?
Você assinou aqui?
- Você? - Sim.
Por quê?
Porque é uma situação delicada e eu sou a maior responsável.
- Obrigada, Álvaro. - De nada.
Ótimo.
Açúcar demais. Não faz bem.
Não tem problema, Chen. Não é tanto assim.
Tem que comprar futas e coisas saudáveis.
Deu 15,50, por favor.
É verdadeira, certo?
Patri, Nati, Marga!
Com que dinheiro você comprou tudo isso?
Eu achei o dinheiro. Estava no bolso do meu casaco.
Menos mal.
Comprou cigarro?
Não, mas olha.
Tem comida, ela achou o dinheiro!
Eu comprei coisas para todas.
Droga de plástico!
Já está bom.
Não, é meu.
Abre para mim, Angelita?
Patri!
- Patri! - O que é isso?
Enric.
Não! Não!
- Ele pode refazer, certo? - Você não pode vir aqui.
- Deixa comigo. - Acabou de começar.
Olha que bonito.
- Você é muito bom. - Me deixa!
Já te disse mil vezes que esse lugar não é para ele.
Ele estaria muito melhor num acampamento para...
- Pai! - O que você sabe?
Patri...
Pai, olha, essa é a Patri.
- Olha aqui. - Oi, sou a Patricia.
- Patri. - Namorada dele, é verdade.
O Enric sempre fala de vocês.
Não, olha!
Quer que eu te mostre todo o tatame?
Enric...
Enric, você largou o exame no meio, caramba.
Depois do que passamos para chegar aqui. O que houve?
Enric, o que foi, filho?
Sem faixa preta, não pode ir à França.
- É que... - Você quer tanto ir. Vamos.
- Quanto à França, eu não sei... - Fica tranquilo. Vamos.
- Fica calmo. - Patri.
Deixa, deixa.
Fica calmo.
Vou ver quando você pode refazer o exame.
Vamos.
Patri...
LIANT LA TROCA ESPAÇO DE CRIAÇÃO
Olha para a Mercedes para ela saber onde você está.
Miguel, você aqui.
- Oi, Laia. - Olá.
- Nati? - Eu.
Oi, Nati.
Perfeito.
Nati, põe suas coisas aí, se quiser,
e fica aqui.
Vamos fazer a parte da sedução.
Certo? Já conhecem?
Certo? Fica aqui.
E seu parceiro de dança vai ser o Miguel Ángel.
- Oi, Nati. - Nati, você tem que seduzir o Miguel.
Certo?
E cada um na sua posição inicial.
Vamos lá. Música.
Marcando o ritmo inicial.
Muito bem. Cada um encontrando sua própria linguagem.
E começa o diálogo.
Começa um,
como num jogo de tênis.
E o outro responde.
Olhem-se nos olhos.
Nati,
olha nos olhos do Miguel Ángel. Deixe-se levar.
Respira. Solta, Nati. Solta.
Relaxa.
Muito bem. Vamos nos aproximando.
Vamos nos aproximando até ter
contato físico.
Primeiro é "me olha, mas sem me tocar".
Certo? Perfeito. Solta.
Tenta seduzir. Tenta seduzir
o Miguel Ángel, Nati.
Relaxa. Tranquilo.
Cada um precisa do seu tempo.
Cada um encontra sua linguagem.
Deixa o outro te tocar. Relaxa, Nati.
Uma hora um levanta o outro.
Uma hora
- você perde o contato... - Não, não...
Não! Não!
Não!
O que foi?
Não pode!
Ele não pode me levantar! Ele anda de cadeira de rodas e vai me machucar!
Não pode, seu charlatão, fascista de merda!
E vai à merda essa bosta de integração!
Vamos ver, Marga,
até agora, esse ano, você teve cinco infecções.
Tivemos que fazer um aborto em você.
DIU você não pode pôr, porque te dá infecção.
E os anticoncepcionais você não toma.
Eu não gosto de tomar comprimidos.
Nós estamos aqui para que você sofra o menos possível.
Sim.
Minha mãe é o Governo da Catalunha.
Sim.
É.
E você... Você quer ser mãe?
Não sei.
Você se acha capaz de criar um bebê?
Não sei.
Você sim. Você sim.
Você vai cuidar bem dele?
O melhor possível.
Você sabe o que é laqueadura?
Não.
É uma cirurgia muito simples.
Nós ligamos as trompas para que você não possa engravidar.
Vão costurar minha vagina?
Não, não. É por dentro.
Certo?
E a vagina vai ficar igual?
Exatamente igual.
Não vou mais ter que tomar pílula?
Anticoncepcionais, não.
Mas a camisinha vai ter que usar do mesmo jeito,
para evitar infecções.
Olha, Marga,
é a melhor coisa.
Você está com a documentação?
Olha,
essa é a solicitação de laqueadura.
Tem que ler com muita atenção.
Ela não sabe... Posso ler para você?
- Sim. - Eu leio.
Vamos lá.
"Documento de consentimento
para procedimento de ligação de trompas."
Certo?
"Declaro que me foi explicado que é necessário e conveniente
realizar na minha situação uma intervenção de oclusão tubária
como método irreversível de esterilização.
Por isso me foi passada a seguinte informação..."
- Pronto? - "Riscos por conta da anestesia,
pode haver falha na ligação das trompas e complicações específicas
intraoperatórias e pós-operatórias.
Também há as complicações específicas intraoperatórias e pós-operatórias."
Pronto?
Um segundo. "Entendi as explicações que me foram dadas
em linguagem clara e simples.
E os profissionais que me atenderam me permitiram fazer observações
e tirar todas as dúvidas."
- Pronto? - Sim.
"Manifesto que estou satisfeita com as informações recebidas,
entendo os riscos do tratamento proposto."
É só um consentimento para começar os trâmites.
A última palavra é do juiz,
que é quem determina se podemos fazer ou não.
Quer assinar ou vai pôr o dedo?
Eu assino.
Certo. Tem que assinar aqui, onde está escrito "paciente".
É uma margarida.
Você gosta de morar aqui, querida?
Sim, eu adoro morar no apartamento. Muito, muito.
Claro. Esses bairros são tão autênticos, não são?
Minha mochila.
Enric, querido, a mochila.
- Patri! - Você é uma graça.
Patri, a mochila!
Obrigada.
Você vem um dia nadar em casa?
Quero dizer na piscina.
Você nunca me viu de maiô.
Você vai amar.
Bem, queria, até mais.
Certo. Pronto.
Pronto.
Já deu. Vamos.
Até mais.
- Tchau, Patri. - Tchau!
Tchau, querida.
Ele quer que nos levantem para a gente passar por ridículas.
Nati, você é muito teimosa.
O idiota quer nos dar a medalha da dança fascista da integração.
- Olá! - Oi.
Olá.
- Marga. - Como foi?
Bem.
Vão costurar minha vagina.
O quê?
O que você quer dizer?
Ela solicitou a laqueadura.
- Laqueadura? - Olá!
Os pais do Enric me trouxeram de carro.
Nossa, que carrão!
E me convidaram a nadar na piscina deles.
Quer ser chique, mas é só uma retardada.
Nati, por favor!
Me conta.
É o melhor para ela, Laia.
Mas você sabe o que... Marga?
Marga,
você sabe o que é laqueadura?
É para não ter filhos.
- Sim. - Claro.
- Você pode ter filho se quiser, Marga. - É? E quem cuida?
Ninguém cuidou da gente.
Eu quero ter filhos.
Isso não é uma assembleia. A Marga decidiu por ela mesma.
- Grande merda. - E também ainda falta o juiz aprovar.
- Vai fazê-la passar por uma audiência? - Não, é uma coisa rápida,
- não vai ser traumático. - Por isso quis levá-la, não é?
Não vamos fazer nada que ela não queira.
- Você a acha capaz de decidir? - Você a acha capaz de ser mãe?
Quero ir com ela à audiência.
Tudo bem, não tem problema.
Não tem problema nenhum, claro.
É a vez de quem fazer o jantar?
- Minha. - Então vai, Nati.
Eu vou indo.
- Até amanhã. - Eu também vou.
Está bem?
Dá para varrer um pouco, por favor? Está cheio de areia.
Eu varro, eu varro.
É a minha vez de levar o lixo.
Vou levar o lixo. Sim.
Já foi embora com a moto.
Com licença,
você veio recolher o lixo, não é?
Sim.
Você tem cigarro?
Eu, não. Mas meu pai tem.
Vai subir?
Entra.
Vou fechar.
Vem cá. Aqui é o meu quarto.
- Esse é você? - Sim.
Não, não. Esse, não.
Esse é o Rojuu.
Não é você?
Não, não. Eu não pareço com ele.
Bom, e o cigarro?
É mesmo. Desculpa.
O cigarro.
Olha, você tem isqueiro?
Tenho.
Por que está me olhando?
Gostou de mim?
Quer ver meus peitos?
Sim, sim, eu acho que sim.
Eu sou gostosa, fala sério.
Quer chupar?
Vem.
Vai.
Vem.
Vamos lá.
Vem, vamos lá.
- Marga, vamos. - Sério,
não vai acontecer nada, só uma conversa. Vem.
Você solicitou a esterilização voluntária?
Vão costurar minha vagina,
mas é por dentro.
O que o promotor tem a dizer?
Devido à sua compulsão por sexo
e a falta de disciplina com o anticoncepcional,
o relatório pericial aconselha e aprova a esterilização,
pelo bem da solicitante e da sociedade, está claro.
Por que você quer fazer a laqueadura?
Perdão, Excelência.
Mas é pela situação especial da Margarita.
Ela está tutelada.
Sim.
Você sabe o que é laqueadura?
Costurar minha vagina por dentro
para eu não ficar grávida.
Muito bem explicado.
Você não quer ser mãe?
É uma operação irreversível.
Você sabe o que isso significa?
Excelência, não tenho certeza de que ela sabe.
Sim.
É quando costuram minha vagina
e não posso ter filhos nunca mais.
E vou ser livre.
Sim, senhora. Entendeu perfeitamente.
Sim.
Faz muito bem.
Aprovado. Pode prosseguir.
Fiz muito bem.
Fiz muito bem.
Fiz muito bem, sim.
Fiz muito bem.
- O que houve? - Não, não.
É essa.
Bem, então...
Nos vemos.
- Certo. - Ótimo.
Posso te levar?
Não.
Quer ir andando sozinha, tranquila.
Certo.
Está com você!
Você não me pega!
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.