All language subtitles for Marco Paulo 12 - Novelas Portuguesas

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Original subtitles

E aí

Está tudo bem.

Teve sorte.

A bala só o apanhou de raspão.

Ai, que bom.

Isto aqui está muito feio.

Se tiver cuidado e vier cá trocar o pênis todos os dias, vai ser árduo de

pressa. Ainda não foi desta.

Ainda vai.

Candidatas para cuidar de si não vão faltar.

Olá.

Vá, descanse.

Viste? Ele disse-me adeus. Não sejas ridícula. Ele disse adeus às duas.

Bom dia.

Bom dia.

Obrigado. Como está?

Bom,

já vi que está de saúde.

Felizmente tudo não passou de um susto.

E o responsável pelo acidente já foi devidamente punido.

Eu estou a perguntar outra.

Não vai haver outra.

Eu vim cá precisamente para informar que a sua missão em Bissau terminou.

Em breve vai regressar à metrópole.

Cuide-se.

Quem nos já foi contar que me encontrou com um novo amor sem saber nada?

Vão falando porque é fácil inventar, todos inventam por aí.

Acertaram sem saber que uma paixão anda agora dentro do meu coração.

Desta vez podem dizer seja o que for, mas isto agora é mesmo amor.

Quem nos já foi contar que me encontrou com um novo amor sem saber nada?

Vão falando porque é fácil inventar, todos inventam por aí.

Acertaram sem saber que uma paixão anda agora dentro do meu coração.

Desta vez podem dizer seja o que for, mas isto agora é mesmo amor.

De quem fui, de quem sou, onde vou, só eu sei, mas ninguém sabe Ninguém,

sim ou não, quem me dá a razão para tudo o que acontece

Ninguém,

se te quero, afinal, bem ou mal, ninguém nos vai separar Ninguém,

deixa lá que ninguém mudará este amor que me pertence Ninguém

MINGA!

Ainda esteve todo com o coração fora do peito.

Eu ainda nem acredito que tu estás aqui.

Mas eu já estou aqui, isso é o que mais interessa.

Você está muito linda, mãe.

Também estou, filha.

Então, pai.

Bem-vindo a casa, meu amigo.

Mário!

A guerra não te fez mal?

Continuas com boa pinta. Ai, eu tive tantas saudades vossas.

E saudades do meu país também, claro.

Sabes que o teu país já não é o mesmo.

As coisas mudaram bastante por aqui.

Sim. Eu agora quero é... é regressar aos palcos, é isso que eu mais quero.

Já temos muitos concertos marcados, certo? Na verdade... Alguns pelo menos.

Não temos nada, Marco.

Sabes que neste país...

Quem não aparece, esquece.

Nós vamos ter que trabalhar bastante para reconquistar o teu lugar.

O que temos de fazer é relembrar o público que o Marco Pauly existe.

Claro.

Claro, eu faço o que for preciso para investir na minha carreira e regressar

aos palcos.

E tu sabes disso?

Não, com a experiência que tu ganhaste em Bissau...

Isso vai abrir-te outras portas.

Não, pai.

Se Bissau me trouxe alguma coisa de bom, foi a certeza de que quero cantar até o

fim dos meus dias.

É isso que vai acontecer.

Já, já.

Boa noite, Marco.

Olá, boa noite.

Já deves saber o espetáculo de Córdias todas as noites que eu reparei.

Olá.

Boa noite. Tenho de pedir-te um beijo.

Claro, claro que sim.

Muito obrigado.

Será um espetáculo? Não, nós nem sequer gostamos de revista. Viemos só para te

ver.

Podemos ter uma das tuas canções.

Quando voltares a dar concertos aqui no Porto, nós vamos lá votar. Claro. Na

primeira fila. Combinado. Fica combinado. Depois falamos, está bem?

Obrigado por terem vindo. Até já.

Desculpa. Posso saber o teu nome?

Conceição.

Eu tenho que ir embora para casa. Eu queria só dar-te os parabéns.

Então, nesse caso, eu acompanho-te e falamos um bocadinho pelo caminho. Pode

ser?

Ai, é verdade, sim.

E não tem graça nenhuma.

Mas eu dormia agarrada ao rádio à espera de ouvir cantar. E de sábado para

domingo, quando anunciavam os artistas convidados para o programa festival, eu

nem respirava à espera que dissesse o teu nome.

De facto, vi ao Porto algumas vezes cantar nesse programa, é verdade.

Eu sei.

Foram as melhores manhãs de domingo da minha vida. Que engraçado. Quem diria

que eu tinha uma admiradora tão especial na minha plateia. Que giro.

É aqui a minha casa.

Isto é muito de conhecer com vocês.

Eu já não me livro de apanhar uma treia da minha mãe por ter chegado tão tarde a

casa, mas me faz mal.

Eu já ganhei a noite.

Se quiseres, eu posso subir. Eu falo com a tua mãe e digo que foi por minha

causa. Não, não, não.

Deixa estar.

Isso era muito pior.

Não, não.

Eu resolvo.

Até amanhã.

Já sigo viagem. Hoje foi o meu último espetáculo aqui.

Vou fazer uma turné pelo Canadá, nas comunidades portuguesas. O que é bom

também. É incrível.

E tu mereces.

Eu fico muito feliz por ti.

Posso escrever-te lá?

Sim.

Senhores espectadores, triunfou o movimento das Forças Armadas.

Triunfou, antes do mais.

o povo. E acima de tudo, viva Portugal.

Todos queriam saber notícias. Todos queriam ver com os seus próprios olhos.

Cada vez mais expectativa.

Já se espreitava lá para dentro, para observar.

E todos desejamos o começar de outra época.

Grande palco de Portugal, neste dia 25 de Abril de 1974.

As imagens da verdade.

Querida Conceição, já falta pouco para regressar a Portugal.

A viagem tem sido incrível.

Os meus concertos estão sempre lotados.

As pessoas adoram as minhas canções e, apesar do cansaço, eu sinto que tudo tem

valido a pena.

A comunidade portuguesa no Canadá tem-me recebido com muito carinho.

O que me deixa ainda mais motivado para continuar a cantar.

O meu sonho está a tornar-se realidade.

É que nem a Amália Safa,

cantora do regime.

Porra, tenham santa paciência, pá. Calma. O Ullman, que lhe fez as músicas

quase todas, chegou-te à presa em Caxias.

E a Natália Correia?

E o Ari?

Ela sempre teve a casa cheia de comunistas. Mário, calma.

Tinha amigos à direita e é exatamente isso que não lhe perdoo.

Calem-se os dois!

Calma!

Nós temos de pôr a Amália a cantar uma versão do grano da Vila Morena para ver

se calamos estes abutres de uma vez por todas. Ou isso, ou então somos

dizimados. Boa tarde. Olha quem é ele. Boa tarde.

Já deixei as malas em casa e vim diretamente para cá.

Também já soube da revolução. Nos jornais não se fala de outra coisa.

Não podes saber de tudo, com certeza.

O que é que se passa?

O que se passa é que o país está virado do avesso e as coisas aqui na edicora

estão muito complicadas para o nosso lado.

Isso quer dizer o quê?

A música ligeira passou de moda.

Com a Revolução de Abril, agora o que está a dar são as canções de

intervenção.

Mas eu não vou mudar nada.

Bom, vamos lá ver uma coisa.

O que está aqui em causa é a venda dos teus discos e o cansonetismo deixou de

vender. E nós aqui na editora não vamos apostar, nem podemos apostar naquilo que

não vende.

Deixa-nos falar com os letristas, nós vamos conversar com eles, vamos ver

aquilo que podemos fazer, o que é que podemos mudar.

Nós vamos ter de mudar um pouco o teu registro.

Desculpem, eu não vou mudar nada.

Marco... Não, eu não vou mudar quem sou.

Há muita gente que gosta das minhas canções e é precisamente para essas

pessoas que eu vou continuar a cantar. As tuas canções vão deixar de passar nas

rádios, não percebes? Ó Mário, e o que é que eu fui fazer ao Canadá?

Eu fui ao encontro dessas pessoas, do meu público.

E é para essas pessoas que eu vou cantar em Portugal.

Sem temas novos. Isso é uma loucura. Não, eu acho que tenho temas suficientes

para continuar a fazer um bom espetáculo em Portugal.

E é isso que vai acontecer.

Eu vou andar a estrada nem que seja sozinho.

Deixei minha terra quando o dia

nasceu.

Na manhã tranquila eu deixei

de ser eu.

Bem-vindo!

Bem-vindo à nossa terra. Muito obrigado.

É um gosto aquilo aqui na nossa terra. A nossa terra, apesar de pequenina, tem

todas as condições aqui para dar um fabuloso espetáculo. Olhe, nós já

tivemos aqui grandes artistas, várias vezes.

Olhe, estamos aqui a organizar um pequeno leilão para angariar alguns

fundos para pagar-se o caixa.

Não me diga uma coisa dessa.

Então isso correu mal.

O quê? O leilão?

Olha que já não é a primeira vez que um artista sai daqui com um carreamento de

presuntos. E olha que estes são dos bons.

Pode abraçá-lo.

Pode abraçá-lo. Claro, claro.

Claro, claro que sim.

Eu acredito, eu acredito. Eu dou os autógrafos todos.

Mas se calhar pode ser depois do concerto, se não se importarem, está

bem? Pode ser, Sr. Presidente. Olha, essa nós ainda temos muito tempo, pode

desfrutar das suas fãs à vontade.

Então vamos lá, um autógrafo, está bem. Como é que se chama, minha linda?

Fátima. Fátima. Então vamos lá.

Sr. Presidente, preciso falar consigo um bocadinho. Fátima.

Então vá.

Vamos lá. Com licença, peço desculpa. Com licença, só um momento. Por aqui,

por aqui, por aqui. Peço desculpa. Só um momento. Com licença, com licença.

Peço desculpa. Por aqui, por aqui.

E então?

A mesa de som já andava a ameaçar há sei lá quanto tempo. Isto um dia tinha que

continuar a tirar vida, não é?

Então mas não há concerto?

Isto para mim é chinês, eu não percebo nada de mesas de som.

Pois não é eu.

Então e tal chamarmos aquele rapaz, o Tony?

Ele desenrascou-nos no dia do baile da paróquia. O tipo tem jeito.

O primo do Zé Manel, mas ele nem sequer é cá da terra, só vem cá nas férias.

Pois mas pode ser que ainda cá esteja.

O Zé Manoel vive mesmo aqui ao lado.

Temos lá um instantinho a andar um salto. Bom, eu trato disso.

Só um momento. Com licença.

Minhas senhoras, eu vou-vos pedir só um instante. Eu dou-vos atenção devida, mas

pedi-vos só um instante.

Vamos embora. Larga lá o rapaz, por favor.

Vamos agora, Marco. Fala o quê? Vamos embora.

Olha o abuso. Vamos lá, vamos aqui. Vamos lá por aqui.

Vem lá, Marco.

Sente-se aqui.

Deixe-se ficar aqui sossegadinho. Eu vou só tratar do sistema de som e já aqui

volto. Pelo menos aqui está a salvo.

Até já.

É nisso que ia ser fácil.

Oh, oh, Sr. Marcos. Sim? Será que há uma senhora aqui que diz que veio de muito

longe? Só para lhe dar uma palavrinha, pode ser? Claro.

Vem. Olá!

Olá!

Conceição!

Então,

estás bem?

Estou ótima, e tu?

Estou bem também.

Já sabes que eu não falho um concerto teu. Nenhum. Eu sei, eu sei. E fico

muito feliz por isso.

Olha, hoje é que eu não sei se há concerto porque acho que estamos com um

problema de som.

Mas espero que não tenhas perdido a viagem.

Claro que não.

Só por este abraço já o vi.

Tivemos sorte.

O Tony ainda estava em casa do primo.

Viu a mesa e já conseguiu resolver. Não, não resolvi.

Desenrasquei porque aquela mesa está a pousar. Vamos ter concerto, é isso?

Em princípio sim, mas eu fico aqui para dar algum apoio.

Muito obrigado. Então você é que é o Tony?

António Coelho. Tony para os amigos. Já temos o Tony, temos a mesa e agora só

falta o grande Marco Paulo subir ao palco.

Ah, vamos a isso então.

Muito obrigado. Que boas notícias.

Estamos cheios de sorte.

Força, força. Vai correr bem, vai correr bem. Vai brilhar como sempre.

Vou-lhe dar um beijinho. Olha, espero que gostes. Claro que sim, eu vou

adorar. A gente já se vê, está bem? Está bem, está bem. Até já.

Está feito.

Se o senhor Marco não precisar mais de mim, eu... Ah, não. O senhor trata-me

por tu à vontade.

E olha, eu é que agradeço. Foi incrível, impecável mesmo.

Parece, não tenho nada a que agradecer.

Aliás, se quer um conselho... Se queres um conselho... Sim, quero, claro. Se

queres um conselho, a próxima vez que aceitares um concerto aqui numa terra

pequena como esta, pergunta primeiro pela menina do sol, para não ter

surpresa.

Boa tarde. Tu queres ser meu técnico de som?

É porque eu já tenho alguns concertos agendados para o país inteiro, como

deves calcular.

E se tu tivesse disponibilidade, se calhar, seria perfeito.

Pois eu acho que vais precisar de alguém para tratar aqui das tuas fãs. Para isso

não tem jeito nenhum.

Para

isso

já tenho quem me ajude, como podes ver.

Agora, eu vou precisar de ti.

Aceitas o desafio?

O que é que

houve?

O que foi?

Estás em cima da hora para a entrevista da rádio. É agora às 10. Mas que horas

são?

Eu queria ir à cama com uma pedra depois do concerto. Eu nem ouvi o tipo. Eu

também não, pá. Toma-se um do chão. 15 minutos, vens ter comigo lá fora. Sim,

eu vou já. 15 minutos. Está bem, vou já, vou já. Até já.

Então, pá.

Penteado é esse.

O que é que tem?

Deixa lá, olha bem assim agora.

Os seus concertos têm sido um enorme sucesso por todo o país.

Por onde passa, o Marco deixa muita gente rendida à sua música.

Sobretudo, as mulheres.

Bom, as minhas canções são românticas.

Naturalmente que as mulheres são a minha grande fonte de inspiração.

Eu costumo até dizer que são as minhas musas.

Quer falar-nos da sua mudança de visual?

Serve para marcar uma mudança na sua carreira.

Toda a gente quer saber o que vem por aí.

Marco Paulo.

Coisas boas, espero.

Em breve vou voltar a estúdio para gravar novos temas.

E já que me falou do meu visual, deixe-me dizer-lhe que estes caracóis

são fruto do acaso.

Aconteceram porque tive uma manhã inesperada. Foi só isso.

Dicção, Marco.

Outra vez.

Outra vez, outra vez, outra vez.

Agora mais rápido.

Não consigo.

Isso,

melhor, isso.

Queres interromper?

Já interromperam.

Eu não estou a conseguir. Eu não consigo.

Desculpem lá, o António José quer pôr-me a cantar uma letra que é impossível. Ele

expressa um trava-línguas.

Marcos, se o Joe Dolan consegue, tu também vais conseguir. Claro que vai.

E quem der ao Joe Dolan ter os caracóis do Marco.

A nova imagem de Marco Paulo no relançamento da sua carreira.

E essa também é outra.

Quer dizer, eu digo ao jornalista que não tive tempo para me arranjar e ele

escreve isso. É porque não acreditou em mim. Já ligaram várias pessoas a elogiar

o seu novo visual.

Estás a brincar?

Mas eu nem sequer me arranjei. O público é soberano, meu querido. Se o público

gosta de ver o mar pau com caracóis, vamos apostar as fichas todas nos

caracóis.

Quem nos fijar foi contar que me encontrou com um novo amor sem saber

nada.

Vou falando porque é fácil inventar, tudo se inventam por aí.

Acertaram-se a saber que uma paixão anda agora dentro do meu coração Desta vez

podem dizer seja o que for, mas isto agora é mesmo amor Quem nos fez já foi

contar que me encontrou com um novo amor sem ver nada Vou falando porque é fácil

inventar, todos inventam por aí Acertaram-se a saber que uma paixão anda

agora dentro do meu coração Desta vez podem dizer seja o que for, mas isto

agora é mesmo amor De quem fui, de quem sou, onde vou, só eu

sei, mais ninguém sabe

Ninguém, sim ou não, quem me dá a razão para tudo o que acontece.

Ninguém,

se te quero afinal, bem ou mal, ninguém nos vai separar.

Ninguém,

deixa lá que ninguém mudará este amor que me pertence.

Ninguém, ninguém...

o nosso querido artista, Marco Paulo, o seu primeiro disco de ouro pela venda de

30 mil exemplares do single Canção Proibida, Ninguém, Ninguém.

Bravo, bravo!

Obrigado. Parabéns, Marco.

Parabéns, Marco.

Muito bem!

30 mil discos vendidos, é um feito histórico.

Como se sente ao ver o seu trabalho a ser reconhecido desta maneira pelo

público português?

Bem, eu estou realmente muito agradecido.

Não tenho palavras.

Resta-me dizer-vos muito obrigado a todos.

Sim, com licença.

Finalmente! Finalmente, 12 anos depois!

E ninguém merece este prémio mais do que tu. Ninguém, ninguém, é caso para dizer.

Muitos parabéns pelo teu primeiro disco e eu tenho certeza que muitos mais

virão. Agora é continuar a trabalhar, que é isso que eu quero fazer, é

trabalhar. Agora eu quero que tu aproveites este momento que tu mereces

muito, não estejas a pensar no futuro e aproveita.

Sim, só que fico triste.

Os grandes rádios ignoram as minhas canções. Só por isso. Isso não é

verdade. A canção proibida está farta de passar na Renascença. Está farta de

passar na Renascença porque alguém se lembrou de dizer que era uma canção de

intervenção. Mas eu só quero que me conheçam como um cantor romântico. É só

isso. Mais nada. Calma, Marco. Calma. É o seu tempo. Confia em mim.

Confia em mim.

Eu tenho a certeza que toda a gente vai falar do Marco Paulo como o rei da

música romântica portuguesa. Isto sim merece um brinde.

Ai, por favor.

Ai, dê-me só um.

Tony!

Meu amigo!

Desculpa o atraso.

Fui ficar a Lourdes a casa, atrasámos, apanhámos trânsito na ponte. Ai, esta é

que é a famosa Lourdes, anda cá!

Está cá um beijinho?

Muito gosto em conhecer-te, é oficial?

É oficial.

Apresento-te para a minha namorada.

Muito gosto em conhecê-lo. Trata-me por tu, não tratas por você. Fica à vontade.

Eu já acompanho o teu trabalho há muito tempo, Marco.

Agora vou seguir ainda com mais atenção.

Ainda bem.

Então vá.

Juntem-se a nós, que hoje é um dia de boas notícias e vamos fazer aqui um

brinde todos.

Vamos lá.

Vamos lá.

Um brinde, vamos lá.

Com licença.

À nossa.

Ao futuro.

Ao futuro.

Sejam bem-vindos à minha nova casa.

Ai,

que beleza.

Não, mas é que isto enche mesmo o olho.

Parece quase a casa de um ministro, não sei.

Parabéns, filho.

Obrigado. Tu mereces.

E o que é que traz para aí que eu disse para não se incomodar, não foi? O meu

filho não incomoda nada. Então isto é uma cericaia que tu gostas.

Pois é.

Onde é que eu ponho isto?

Pode pôr ali na cozinha. É sempre frente, não tem nada que enganar.

Então, pai.

Gosta da casa?

Fique à vontade, não tenha cerimónias.

Fizeste obras nisto, não foi?

Sim, contratei um empreiteiro e um arquiteto para pôr tudo ao meu gosto.

Os teus irmãos ajeitam-se tanto com este tipo de trabalhos.

E os lhes teres pedido a eles, quer dizer... Sempre era... Sempre ficava

mais em conta.

Pai, deixe lá as finanças agora.

Posso lhe dar um beijo?

Pede lá os beijos à tua mãe.

Mas eu sou seu filho.

Está a ver, mãezinha?

Esta carta é de uma faminha de Luxemburgo. Ela já me escreveu imensas

vezes. Há umas 20 cartas. É muito querida.

Tens muitas cartas de fãs. É verdade.

Olha, eu não te trouxe as flores. Havia lá tantas, mas elas tinham que ficar em

água. Se não se tratavam, se fariam. Não se preocupe com isso, mãe.

O crédito da nossa casa mais parece um jaziga, aquilo.

Não é?

Mas se começas a dar esta nova morada, que é para perceber lá essas... Essas

tralhas.

Olha, pai, não são tralhas.

São presentes que as minhas fãs me dão com muito carinho.

Bem, não sabes a melhor.

Vê lá tu, no outro dia apareceu lá uma moça à procura de Marco Paulo, queria a

força ver o Marco Paulo. E eu disse, olha, o Marco Paulo está a trabalhar,

não está aqui.

E ela estava lá, aparece o Ernesto, então não é que começaram a conversar e

agora namoram, vê lá tu.

Namoram com o Ernesto? Sim, e como a moça é do Norte, eles correspondem-se

por carta. Ele diz que é uma coisa séria, eu lembrei-me que causa das

cartas. Pois é, pode ser que dê casamento, vamos lá ver.

Os teus irmãos dão bem encaminhados, felizmente.

São bons trabalhadores.

Não ganham mal.

E a vida orientada.

Eu não tenho pai.

Olhe lá bem à sua volta.

Esta casa fui eu que construí com o suor do meu trabalho.

Estou a fazer um caminho muito honesto na música e já recebi um disco de ouro.

E você não vai reconhecer?

Não vai reconhecer de uma vez que eu tenho mérito, pai?

Tenho calma, João. Eu estou calmo, mãezinha.

Mas é que já me irrita estas injustiças.

Acho que está na altura de reconhecer que se enganou.

Quando disse que a música não me iria levar ao lado de mim.

Tu fazes sucesso com uma música, uma.

E compras uma mansão.

Qual é a tua ideia?

Ou será que és um grande artista e já ostenta a riqueza? É isso?

E se a próxima música correr mal?

E a outra a seguir é essa?

Como é que vais pagar isto tudo?

Não se preocupe que eu não lhe vou pedir nada, pai.

Ai, valha-me Deus.

Acabou. Eu estou cansada, quero ir para casa.

Desculpa, filho. Que chatice.

Parece que o pai gosta de estragar os meus mentes de felicidade, já viu?

meu filho só quero ver-te bem

é uma maneira muito estranha de demonstrar

O que dizes?

Eu não posso cantar isto.

Não podes cantar isto?

Como assim, Marco?

Eu estive a trabalhar durante semanas na letra.

António, desculpa, eu não quero pôr em causa o teu trabalho, mas... Este tema

não tem nada a ver com o meu registro, nem sequer com o meu perfil.

Eu tenho dois amores.

Que em nada são iguais, mas não tenho a certeza de qual eu gosto mais. Eu nunca

vou cantar isto. Nunca. Porquê? Eu não percebo. Não percebo qual é que é o

problema. Vai funcionar.

Vai funcionar.

Confia. É uma letra diferente.

Rasgar. Vai agitar as águas. As pessoas vão falar nela. Nós precisamos de agitar

as águas neste momento. É o que nós queremos mesmo. Mas eu nesta altura,

nesta altura da minha carreira, eu não posso arriscar ter um fracasso. Não

posso. Ah, não podes arriscar ter um fracasso. Muito bem.

que este tema sair cá para fora vai ser um êxito. Vais ter toda a gente na rua a

cantar Eu Tenho Dois Amores. O Mário tem toda a razão. Isto é uma música que fica

logo no ouvido. Isto pode perfeitamente valer-te mais um disco de ouro. Já

pensaste sobre isso? O meu sucesso deve-se à verdade com que canto os meus

temas. E eu não posso cantar este tema no qual eu não acredito. Não posso.

Desculpem, mas não vai acontecer. Desculpem. Vá, calma.

Mas fazer uma coisa.

Vais para casa, vais pensar sobre isto.

Se depois logo me dizes alguma coisa, me tens que decidir. Está bem? Vamos lá.

Que nunca esquecerei Andam nos meus pensamentos Tal como os

deixei Muitos sonhos entontecem E ficamos só

Porque os sonhos acontecem Só dentro de nós

Tantas coisas que recordo Coisas que perdi

Eu voltarei qualquer dia Para junto de ti

Não, não há final jamais

Muito acima de nós Então pá?

Então?

Estás a pagar alguma promessa para dormires aqui ao relento?

Ai que frio!

Ai que frio!

Estás aqui a fazer?

Fiscaram-me umas letras.

Para ver se saía alguma coisa de jeito e... ...dormi-me-se aqui.

Ai... Eu não tenho a ver com essa cara.

Eu tenho que lançar um tema urgentemente que seja um sucesso, sabes disso?

Marco... Eu tenho que provar a mim mesmo, à minha família...

...e principalmente ao meu pai.

Que eu sou capaz.

Está sempre a dizer que eu não devia ter metido na música e eu quero... Eu quero

provar que ele está completamente enganado.

É isso.

Tu não tens de provar nada a ninguém.

Tu tens o maior dom que podias ter. A tua voz.

E é com ela que tu tocas nas pessoas.

Que as fazes sonhar.

Que as emocionas.

Se tu queres ser feliz, tu tens de te libertar desse peso uma vez por todas.

Tu nunca vais conseguir agradar a toda a gente, Marco. Nunca.

E tu não és letrista.

Tu és cantor.

O maior cantor que Portugal já viu alguma vez.

Confia em ti, Marco.

Confia em ti e nas pessoas que estão aqui à tua volta.

Vá.

Pode botar. Obrigado.

Senhoras e senhores, convosco, em estreia absoluta, Marco Paulo e o seu

novíssimo tema Eu Tenho Dois Amores.

Eu tenho dois amores Que em nada são iguais

Mas não tenho a certeza De qual

eu gosto mais Mas não tenho a certeza

De qual eu gosto mais Eu tenho dois

amores Que em nada são iguais

É melhor amar as duas sem uma de outra saber.

Que este encanto não te acabe, eu já pensei tanta vez. Pois enquanto ninguém

sabe, somos felizes os três.

Quem nos já foi contar que me encontrou com um novo amor sem saber nada?

Vou falando porque é fácil inventar, todos inventam por aí.

Acertaram sem saber que uma paixão anda agora dentro do meu coração.

Desta vez podem dizer seja o que for, mas isto agora é mesmo amor.

Quem nos já foi contar que me encontrou com um novo amor sem saber nada?

Vou falando porque é fácil inventar, todos inventam por aí.

Acertaram-se a saber que uma paixão anda agora dentro do meu coração.

Desta vez podem dizer seja o que for, mas isto agora é mesmo amor.

De quem fui, de quem sou, onde vou, só eu sei, mas ninguém sabe.

Ninguém, sim ou não, quem me dá a razão para tudo o que acontece.

Ninguém, se te quero, afinal, bem ou mal, ninguém nos vai separar.

Ninguém, deixa lá que ninguém mudará este amor que me pertence.

Ninguém...

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