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Na manhã do dia sete de dezembro de 1941,
o Antares estava a puxar uma embarcação.
O sinaleiro viu algo muito estranho.
Estava a seguir o movimento,
e tinha a mesma forma de um topo de submarino,
mas mais pequeno.
O Antares enviou uma mensagem
de que era algum tipo de invasão inimiga.
O USS Ward disparou contra o mini submarino quando o viu.
A primeira arma disparou,
a terceira arma disparou,
e um dos tiros atingiu-o entre a vela e o casco
e o submarino mergulhou.
A tripulação do USS Ward ainda não o sabia,
mas tinham feito
os primeiros disparos da Segunda Guerra Mundial.
O que os americanos também não sabiam
é o que se seguiria depois.
Um ataque surpresa de um inimigo escondido
que lhes custaria cerca de 2400 vidas...
e mudaria a história.
É um dos dias mais cruciais da história
tal como o ataque às Twin Towers, a 11 de setembro.
Sabemos que o mundo não vai ser o mesmo de antes
depois disto.
Agora, utilizando documentos raros e relatos de testemunhas,
este é o ataque a Pearl Harbor tal como aconteceu...
minuto a minuto.
Uma enorme força naval está a agrupar-se
125 milhas a nordeste das ilhas principais do Japão,
num local remoto na baía de Hitokappu.
A missão é tão secreta
que apenas um grupo dos milhares de japoneses aqui reunidos
sabem o seu destino.
A bordo dos navios japoneses,
há apenas especulação sobre o possível destino.
Pode ser apenas outro exercício de treino.
Muitos dos homens pensaram
que talvez fosse um ataque aos americanos nas ilhas Aleutas
porque seguiam para norte
mas não tinham ideia para onde iam.
A bordo de um dos seis porta-aviões
estava o bombardeiro de torpedos de 23 anos, Masamitsu Yoshioka.
Agora com 103 anos, é um dos últimos sobreviventes japoneses
do ataque a Pearl Harbor.
Normalmente, diziam-nos para onde íamos
e por que motivo.
Mas nesta missão em particular,
não nos disseram para onde íamos.
A frota que estava a juntar-se tinha como objetivo
fazer uma das operações mais complexas e ambiciosas
da história de guerra naval.
O plano de navegar uma frota de porta-aviões
3500 milhas através do oceano
e atacar a base da frota dos EUA no Pacífico
na ilha havaiana de Oahu.
Não planeavam apenas atacar o porto naval
e destruir a frota do Pacífico dos EUA.
Também iam atacar todas as pistas aéreas da ilha de Oahu.
Foi muito ambicioso mas também muito ousado.
O capitão começou a ler estas instruções,
"Confrontados pela América opressora e arrogante...
a partir de oito de dezembro...
estaremos em guerra."
Senti que todo o sangue do meu corpo
tinha saído pela minha cabeça
e caído na cabine de pilotagem.
Pensei "Agora tenho de ir.
Vai ser uma guerra enorme.
Não vou voltar."
O ataque a Pearl Harbor seria o ataque decisivo
na estratégia do Japão parra a expansão do império.
Já tinham invadido partes significativas do nordeste da China
e precisavam de petróleo para continuar a expansão.
O Japão é uma nação insular,
e muitos dos seus recursos e principais produtos, especialmente petróleo,
têm de ser importados,
e os EUA são um dos principais fornecedores.
Em agosto de 1941,
os EUA cortaram o fornecimento ao Japão depois da invasão à Indochina francesa.
As negociações diplomáticas entre Washington e Tóquio,
teóricamente, continuavam a acontecer.
A junta militar que estava a guiar o Japão conclui que
não iriam ter o acesso que necessitavam a reservas através de negociações.
A única forma era a violência.
O Japão planeava invadir as Índias Orientais Holandesas ricas em petróleo,
mas havia um obstáculo.
Sabiam que os EUA seriam a potência
que estaria no seu caminho,
especialmente porque os EUA ocupavam as Filipinas.
Já estava planeada a ocupação das Filipinas,
e para conseguir ocupá-las,
teriam de primeiro tirar do mapa a frota dos Pacífico dos EUA.
Amanhecer em Pearl Harbor,
a base do Pacífico da frota dos EUA.
Mais de 90 navios têm base aqui no seu porto natural
assim como os 84 mil militares da ilha de Oahu.
Pearl Harbor era uma grande base.
Se era militar americano,
não havia melhor local como base antes da guerra.
Um clima agradável, pessoas simpáticas,
bares e restaurantes e a praia,
e muito que fazer se eram militares.
O Almirante Husband E. Kimmel
estava a cargo desta base de paraíso,
e tornou-se comandante-chefe da frota do Pacífico dos EUA em fevereiro de 1941.
O Almirante Husband Kimmel
era um almirante muito bem organizado e eficiente.
É o tipo de pessoa que se admira talvez mais do que se gosta,
mas é também incrivelmente respeitado
porque se tornou o comandante-chefe da frota dos EUA
acima de qualquer almirante mais veteranos.
O Kimmel era muito dedicado aos treinos e exercícios,
atividades que seriam necessárias para preparar os EUA para a guerra
que todos sabiam que se aproximava,
Estávamos lá à 20 meses, em treino.
Estamos treinados para qualquer coisa que pudesse acontecer.
Tudo era treino para guerra, munições reais, e tudo mais,
então estava incutido em nós.
Mas não foi a preparação destes homens que foi testada primeiro;
foram os instintos de Kimmel como comandante.
A 27 de novembro,
recebeu informações com o aviso de um ataque
algures no Pacífico.
O aviso de guerra dizia
"As intenções japonesas são desconhecidas.
As suas acções vão ser imprevisíveis.
Estejam preparados."
Na baía de Hitokappu,
a força de ataque japonesa, Kido Butai, estava agora com força plena
e começava a sua viagem de 3500 milhas até ao Havai.
Juntamente com os seis porta-aviões,
com 387 aviões a bordo,
estão dois navios de guerra,
nove contratorpedeiros,
vários cruzadores de batalha, submarinos, e navios de suporte.
A maioria das forças navais utiliza os porta-aviões
para ir de encontro ao inimigo no mar e regressar até ao ponto inicial
para que os navios maiores com armas os encontrem e confrontem.
Utilizar porta-aviões como força de resistência
era uma tática naval incomum.
Foi bastante revolucionário.
Foi também bastante exigente para a força naval japonesa
porque tinham apenas 10 porta-aviões.
Mas o facto de que não tiveram de esperar que a guerra chegasse
e estivessem em solo japonês foi também revolucionário.
Para que a missão funcionasse,
a força de ataque tinha de ficar não detectada nos 12 dias de viagem.
Quando partiu, a força de ataque entrou mesmo no seu mundo isolado.
Não enviaram aviões de reconhecimento,
e foram cuidadosos sobre o lixo que deitavam para fora do navio
no caso de um submarino americano passar por perto.
Todos os navios japoneses sabiam as posições dos outros
estritamente através de meios visuais.
Usavam bandeiras e semáforos para manter a posição e comunicar.
Não havia nenhum contacto de rádio.
Os japoneses também se esmeraram
para enganar os serviços secretos americanos sobre a localização da frota.
Cada operador de rádio é bastante diferente,
como impressões digitais diferentes.
Estes homens, em grupos, ficaram no Japão
e enviavam mensagens umas atrás das outras
utilizando os sinais de chamada de porta-aviões e outros navios
como forma de engano.
Os planos japoneses para atacar Pearl Harbor
demoraram mais de nove meses a ser feitos.
O arquitecto deste plano foi o Almirante Isoroku Yamamoto.
O Isoroku Yamamoto tinha um caráter conflituoso, ou mesmo contraditório.
Tinha um lado racional.
E por outro lado gostava de fazer apostas.
Em janeiro de 1941,
o Almirante Yamamoto começou a apresentar o seu plano de ataque
mas muitos o rejeitaram.
Havia muitas pessoas na hierarquia naval
que pensavam que era uma missão-suicida
e que era desnecessária.
Não queriam, especialmente, dar-lhe tantos porta-aviões.
Com tanta oposição, o plano foi colocado em pausa
até que Yamamoto jogou o seu trunfo.
O Yamamoto ameaçou demitir-se e muitos dos seus seguidores também.
Ele era conhecido e respeitado
e ameaçar demitir-se teria bastante peso.
E então, ele triunfou.
O seu plano foi aceite em outubro de 1941,
mas muitos ainda tinham as suas dúvidas.
Se entrássemos em guerra com os EUA,
eles tinham mais aviões de combate, mais navios.
Então tínhamos aceite o facto de que
não iríamos voltar.
Em Pearl Harbor,
o Almirante Kimmel e a sua equipa refletiam
sobre as notícias surpreendentes que tinham recebido
sobre a possibilidade de um ataque japonês.
Washington enviou a todos os seus comandantes no Pacífico,
uma mensagem até então sem precedentes na história naval americana.
A mensagem dizia apenas na primeira linha:
"Esta mensagem deve ser considerada um aviso de guerra."
E dizia também "Achamos que o ataque dos japoneses
vai ser feito nas Filipinas ou no Bornéu."
Não mencionava o Havai,
mas dizia ao Kimmel "Devem preparar-se."
As bases americanas no Pacífico
receberam muitas informações bem diferentes,
que apontavam para a iminência do ataque japonês.
O Kimmel foi alertado,
mas a força militar não estava em posição de guerra.
A guerra não tinha sido declarada.
Não sabiam de onde viria.
Não sabiam como iria ser feita.
Entretanto, mais de 1600 milhas através do oceano,
a frota japonesa estava quase a metade do caminho de Pearl Harbor.
A rota que os japoneses escolheram para se aproximar do Havai
foi pelos trechos mais isolados do Pacífico Norte,
o que significava que as condições iriam ser péssimas.
Havia homens a ser levados pela água no convés.
Também estava muito frio e era muito desconfortável.
Os japoneses gastaram pouco combustível para aquecer o interior dos navios,
e usavam a água fria do mar para tomar banho.
Foi uma travessia terrivelmente fria no inverno.
Quando saímos da baía de Hitokappu,
as condições meteorológicas eram terríveis.
Jogávamos Go ou Shogi, e ouvíamos discos.
Divertíamo-mos.
Ninguém falava muito de vida ou de morte.
O Vice-almirante Chūichi Nagumo
estava a bordo do porta-aviões Akagi e era o comandante da frota japonesa.
O comandante da frota de ataque era alguém que se preocupava facilmente,
e estava sempre apreensivo
sobre se iriam ouvir alguma mensagem de Tóquio
a dizer-lhes que o ataque estava cancelado.
Mas hoje, Nagumo iria receber a ordem pela qual esperava.
A ordem dizia "Subam a Montanha Niitaka."
Isso significava que as negociações com os americanos
tinham fracassado,
e que não havia esperança de evitar a guerra.
Se tivesse havido algum progresso em Washington,
a frota que estava a caminho teria recebido um contacto de rádio
com a mensagem: "A paz foi restabelecida."
Mas as negociações não iriam chegar a lado nenhum e ambas as partes sabiam.
E neste momento,
as forças de Nagumo deveriam continuar a sua missão
e destruir a força naval americano em Pearl Harbor o mais possível.
Pearl Harbor tem características geológicas incríveis,
com a sua localização na costa sul da ilha de Oahu.
E a sua característica principal e rara era ter águas pouco profundas.
A profundidade da água era de 45 pés.
E essa pouca profundidade tornou-se num trunfo
em termos de ser ameaçada por torpedos lançados do ar.
Tradicionalmente, os torpedos lançados de certa altura
iriam afundar-se provavelmente a 40, 50, 60 pés no mar,
antes de começar a sua trajetória.
Um porto não é um bom local para atacar navios no pensamento convencional.
A solução japonesa para este problema
foi colocar barbatanas de madeira nos torpedos lançados do ar,
que serviriam de amortecedores de choque.
Quando o torpedo bate na superfície da água,
essas barbatanas de madeira absorvem o choque, quebram e destroem-se
e desta forma reduzem o mergulho do torpedo.
Também tinham reduzido drasticamente a velocidade dos aviões
e pediram aos pilotos para inclinar o nariz do avião para cima
cerca de cinco graus
para assegurar que o torpedo caísse horizontalmente na água.
Isso iria permitir ao torpedo de não afundar tanto
e ficar preso na lama do porto.
Os pilotos foram especialmente selecionados
para levar a cabo manobras difíceis.
Eram os melhores pilotos,
e isso necessário
porque a força aérea japonesa era muito pequena
e os seus recursos eram limitados, especialmente depois do embargo.
Tiveram de escolher apenas os que podiam mesmo voar bem.
Os pilotos começaram o treino no sul do Japão, na baía de Kinko,
que tinha a mesma forma de Pearl Harbor.
Os pilotos não sabiam para o que estavam a treinar.
Os instrumentos não eram bons para medir a distância ou altura,
então treinei e aprendi a medir através da linha de visão.
Estávamos a treinar para
fazer ataques aéreos com torpedos em baías pouco profundas.
Os principais alvos eram os oito navios de guerra da frota do Pacífico dos EUA
que estavam atracados no centro do porto, no cais Battleship Row.
Na perspetiva japonesa,
os navios de guerra ainda eram o bem mais valioso.
Era assim que se media o poder naval em 1941.
Então, se afundassem quatro ou cinco dos navios de guerra americanos,
iriam colocar a linha da batalha fora de serviço
e significaria o sucesso desta operação.
Os seus alvos secundários
eram os três enormes porta-aviões da frota,
que estavam normalmente atracados na zona norte da ilha de Ford,
no cais Carrier Row.
Apesar da força aérea estar a crescer em importância,
as forças marinhas mundiais ainda estavam centradas em navios,
como as suas armas navais mais importantes.
O Yamamoto esperava que destruir os navios da frota do Pacífico dos EUA,
fosse tanto um ataque psicológico
como um ataque militar.
Em Pearl Harbor,
o Almirante Kimmel encontrou-se com o chefe de inteligência, Edwin Layton.
As notícias que tinha poderiam ser cruciais para preparar para um ataque.
O chefe de inteligência dos EUA disse "Tenho de dizer-lhe, Almirante,
que quatro dos porta-aviões japoneses
não estão a dizer nada.
Não há comunicação de rádio entre eles.
Não estão a comunicar nem a receber mensagens."
Os navios japoneses já tinham desaparecido antes,
então o Kimmel e o Layton não estavam preocupados sem razão.
Ele disse: "Almirante, acho que isto significa que estão num porto
e por isso não se comunicam."
E o Kimmel concordou com o chefe de inteligência,
que o silêncio dos porta-aviões significava que estavam no Japão.
Mas foi um engano crucial.
Os quatro porta-aviões
eram quatro dos seis que estavam a caminho do Havai.
Sem que os americanos desconfiassem,
a frota japonesa estava também a receber informação essencial.
A sua fonte no Havai era um espião chamado Takeo Yoshikawa.
Estava escondido à vista de todos no meio da população japonesa do Havai
durante os oito meses anteriores.
Ele é um dos melhores espiões da Segunda Guerra Mundial.
E o seu trabalho era estudar as operações da frota do Pacífico,
onde atracavam,
as suas capacidades,
voar sobre os seus aeródromos,
ver a potência dos seus aviões.
Era um oficial da marinha experiente e sabia o que procurar.
Era também um homem muito criativo.
Era capaz de fazer coisas incríveis
para conseguir informação.
O Yoshikawa encontrou um taxista que o conduzia pela ilha
para ver locais diferentes.
Fez viagens de barco.
Por vezes, mergulhava nas águas,
e usava uma cana fina para conseguir respirar debaixo de água.
Ele reparou que não existiam redes anti-torpedo
à volta dos navios de guerra.
O Yoshikawa observou também que não existiam balões de barragem.
Os balões de barragem dificultariam os ataques aéreos.
O Yoshikawa fez um bom trabalho em recolher informações
sobre como a frota do Pacífico operava.
Estavam normalmente no porto aos fins de semana,
e isso foi o pedaço de informação crucial
que levou à decisão do Yamamoto de atacar num domingo de manhã.
Em Washington, o Presidente Roosevelt foi alertado
sobre uma mensagem diplomática interna dos japoneses
que assinalava a intenção de terminar as negociações de paz.
Essa mensagem tinha instruções
para que as embaixadas japonesas começassem a destruir documentos,
destruir livros de código, destruir máquinas codificadoras.
Isso também sugeria algum tipo de conclusão do processo de negociações
que tinha acontecido durante todo o outono.
O Roosevelt ficou bastante alarmado quando leu esta mensagem,
e falou com o adjunto das forças navais que lhe deu a mensagem
e perguntou-lhe "O que achas que significa?"
E ele disse "Se houvesse uma hipótese em mil
de manter a paz ontem, hoje é uma num milhão."
O sábado à noite anterior ao ataque,
era uma noite típica na cidade para muitos dos militares.
Estavam a beber, a comer, a passar tempo com os amigos.
E havia também uma competição de bandas nessa altura.
Era uma competição de bandas dos navios de guerra,
e acho que tínhamos chegado a meio
e a nossa banda ainda estava em primeiro.
Tocávamos muita música de marchas ou música clássica leve,
e talvez um pouco de música latina.
Éramos a banda favorita.
A última música que tocámos chamava-se White Heat.
Era rápida e barulhenta.
O vencedor era escolhido pelos aplausos,
então acho que tínhamos mais. Tínhamos mais colegas lá,
então ficamos em primeiro lugar.
A força de ataque japonesa estava agora a 400 milhas do Havai
e quase na sua posição final de ataque.
A comando do porta-aviões japonês Akagi,
o Vice-almirante Nagumo recebia a mensagem final
do espião de Pearl Harbor.
Na véspera do ataque, parecia que não iria haver
nenhum porta-aviões americano no porto.
Isso foi uma desilusão,
mas ao mesmo tempo, havia também o conhecimento
de que existiam muitos navios de guerra
e outros alvos para abater.
A noite antes do ataque foi muito calma.
Em relação a uma possível morte,
uma vez que entrássemos no avião e descolássemos,
tínhamos de estar preparados para isso.
Não tinha particularmente medo de morrer
apenas porque íamos para o Havai.
Nesse momento, mesmo fora de Pearl Harbor,
marinheiros americanos viram um tipo de submarino estranho
na área de defesa.
Passaram a informação, mas desapareceu.
Pearl Harbor foi um experimento de novos instrumentos militares
que não tinham sido utilizados até agora na Segunda Guerra Mundial.
Uma das armas desenvolvidas foi um mini-submarino.
Seriam levados pelos submarinos grandes e depois lançados.
Havia sempre essa ideia
de que as barbatanas de madeira nos torpedos não iriam funcionar.
Então os japoneses tinham um segundo plano
que eram estes cinco mini-submarinos.
Tinham cerca de 80 pés de comprimento,
seis pés de largura na parte mais larga,
e eram muito apertados.
Apenas cabiam duas pessoas dentro.
As condições eram muito quentes,
cerca de 100 graus Fahrenheit (38 graus Celsius).
E, basicamente,
o objetivo deles era entrar em Pearl Harbor
para ter uma força de torpedos extra.
Em Washington,
a última parte da mensagem do governo japonês que sublinhava
os planos para terminar as negociações, foi interceptada pela marinha
e revelou os planos do Japão.
A mensagem mencionava que
na opinião do governo japonês,
todas as negociações deveriam ser terminadas.
E foi quase lida como uma declaração de guerra.
Mas isto era tudo parte do plano japonês.
O motivo pelo qual o Japão fez isto foi porque queriam afirmar depois
que avisaram os americanos.
Com este intuito, a mensagem instruía o embaixador japonês
que fosse entregue às 13h, hora local de Washington
que eram as 7h30 da manhã no Havai.
Isso causou a preocupação
de que algo iria acontecer por volta das 13h,
e Washington começou a preparar mensagens
para o Havai e outros lugares
para alertar sobre o significado disto.
Mensagens de aviso tão cruciais
seriam normalmente enviadas através de meios militares,
mas havia um problema.
O problema era que
os circuitos de rádio entre Washingtom e Honolulu não estavam a funcionar bem.
Então tiveram de enviar essas mensagens por meios normais.
A mensagem crucial foi enviada através da Western Union.
E chegaria apenas ao Havai às 7h33 da manhã,
apenas 15 minutos antes do ataque japonês começar.
Entretanto, a bordo do porta-aviões Sōryū,
os pilotos e a tripulação preparavam-se para atacar.
Sentíamos que se fossemos atingidos
e tivéssemos de saltar de pára-quedas seria terrível
porque seríamos prisioneiros de guerra.
Então decidimos não usar equipamento de pára-quedas
e voamos para o Havai
sem usar pára-quedas.
Todos, toda a gente.
Às 6h da manhã,
a força de ataque chegava à sua posição de ataque,
a 180 milhas nordeste do Havai
e a primeira onde de aviões descolou dos porta-aviões japoneses.
Estava escuro quando começamos a descolar
então não conseguia ver bem.
Nove aviões de combate descolaram antes de mim.
Um dos aviões não conseguiu ganhar altitude suficiente
e caiu no mar.
O plano deles era voar em duas fases, uma depois da outra,
com os bombardeiros de torpedo a começar o ataque no porto
e os aeródromos a ser atacados logo de seguida.
A primeira fase tinha 40 bombardeiros de torpedo,
que iriam tentar naufragar os navios de guerra americanos.
E depois havia 50 bombardeiros de alto nível
que iriam atacar os navios no interior.
Eram apoiados por bombardeiros e aviões de combate
liderados pelo Comandante Mitsuo Fuchida.
Em Pearl Harbor,
os americanos avisaram novamente um tipo de submarino.
O USS Ward avistou-o e disparou contra ele.
O primeiro disparo falhou, mas o segundo disparo atingiu-o,
e tinham a certeza de que tinham abatido este tipo de submarino.
A tripulação do Uss Ward ainda não o sabia,
mas tinham feito
os primeiros disparos americanos da Segunda Guerra Mundial.
Uma mensagem foi enviada para Pearl Harbor,
"Disparamos e abatemos um submarino
que operava na área de defesa."
Esta mensagem, infelizmente, chegou apenas a algumas pessoas.
Houve tantos relatos de submarinos
que eram falso alarme,
que o relatório não chegou a nenhum lugar.
Entretanto, em Opana Point, no ponto mais a norte de Oahu,
os operadores de radar viram o que parecia ser
um grande número de aviões a aproximar-se rapidamente.
Os soldados Joseph Lockhart e George Eliot
do sistema de avisos aéreos
repararam num alvo grande que apareceu nos seus osciloscópios.
Era maior do que qualquer outro visto antes.
E observaram durante alguns minutos,
e disseram "Temos mesmo de comunicar isto."
Trinta minutos depois do avistamento,
ligaram ao telefonista
que passaria a mensagem, ao oficial a cargo,
o Primeiro Tenente Kermit Tyler.
O Kermit Tyler lembrou-se do que lhe disse um amigo
sobre quando os voos dos B-17 americanos chegaram à costa oeste,
o KGMB transmitiu música havaiana toda a noite para guiá-los.
E quando o Kermit ouviu isto,
lembrou-se que tinha ouvido música havaiana no carro
e pensou "Devem ser os B-17."
Ele não sabia nada sobre radares,
e apenas estava aí porque tinham dito para ficar a noite inteira
para que pudesse ver como a identificação com radar funcionava.
E ele disse aos dois homens de Opana Point: "Não se preocupem."
A mensagem atrasada de Washington
a avisar as bases militares para estar em alerta máximo
chegou finalmente ao telégrafo RCA de Honolulu.
Um mensageiro chegou e colocou-o num envelope,
e subiu para o seu motociclo.
Mas devido ao trânsito em Honolulu a essa hora,
ele levou muito mais tempo
a conseguir sair do trânsito e chegar a Pearl Harbor.
E a mensagem chegou demasiado tarde.
Ao mesmo tempo,
o Almirante Kimmel preparava-se para jogar golfe
quando as notícias do mini-submarino chegaram.
Quando o Kimmel leu isto,
que um submarino tinha sido atacado na entrada de Pearl Harbor,
causou obviamente muita preocupação.
Cancelou o seu jogo de golfe com o General Short,
e estava a preparar-se para regressar à base,
para conseguir entender melhor o que se passa.
Perto da costa de Oahu,
a primeira onda de aviões japoneses chegava à ilha.
Quando desci de altitude,
as nuvens mudaram
e tinham metade da espessura de antes,
então podia ver claramente que estava por baixo de nós.
Vi uma linha branca com forma circular.
Sabia de imediato que tínhamos chegado a terra.
Os residentes do Havai disseram
"Oh meu Deus, este é mais um desses treinos ridículos."
E por bastante tempo, não prestaram atenção nenhuma.
Os aviões japoneses encheram os céus de ahu
e esperava o sinal do seu líder, Mitsuo Fuchida,
para atacar.
Se uma flama fosse avistada, a surpresa tinha sido bem sucedida.
Se fossem duas flamas, não tinha sido uma surpresa.
E isso alteraria a forma como o ataque aconteceria.
Chegaram lá, viram que ninguém os esperava,
então o ataque foi surpresa.
O Mitsuo Fuchida utilizou a pistola de sinalização
mas achou que um dos seus líderes não tinha reparado
porque não adotou a forma correta.
Então decidiu disparar novamente a pistola de sinalização
para garantir que todos vissem.
Mas outro dos líderes, depois de ver a segunda flama,
pensou que tinham sido duas flamas,
e começou imediatamente o ataque.
Então saiu da formação levando os seus aviões ao ataque.
O mal-entendido significa
que os bombardeiros e aviões de combate atacariam agora os aeródromos primeiro,
e os bombardeiros de torpedos esperavam que eliminassem as defesas americanas.
O que deveria acontecer é que os aviões com torpedo atacavam primeiro,
porque teriam de atacar lentamente e a baixa altitude,
ficariam muito vulneráveis a ataques anti-aéreos.
Então queriam que essa parte do ataque acontecesse o mais rápido possível
antes que os americanos fossem alertados para ter mais hipóteses de sucesso.
O aeródromo Wheeler, no centro de Oahu, foi o primeiro a ser atingido
seguido da estação aérea Kaneohe no este da ilha.
Estávamos a caminho do pequeno-almoço,
e quando saímos do quartel, um avião japonês sobrevou-nos.
E já que o exército tinha estado a fazer treinos,
pensei: "Olha, o exército está a fazer isto parecer mesmo real.
Pintaram um avião como se fosse japonês,
e estão a fingir que nos estão a atacar."
Tinha ficado alocado ao avião que sobrevoava a água nesse dia.
Tínhamos planeado o treino, e estava a preparar-me para isso.
Ouvi um avião a sobrevoar e olhei para cima,
e vi que era uma formação de aviões a chegar.
Não sei se fui atingido nos primeiros ou segundos disparos,
mas podia ver onde as balas estavam a entrar
e via pequenos esguichos de água a entrar pela base.
E depois uma bala, obviamente, entrou no tanque de combustível
e o avião ficou em chamas muito rapidamente.
Bombardearam o nosso hangar.
Corremos em direção ao hangar e quando chegamos,
tinham bombardeado a maioria dos nossos aviões.
Os aviões nos aeródromos de Oahu
tinham sido posicionados para que fosse guardados facilmente.
O exército agrupou-os juntos em vez de os separar,
porque tinham medo de sabotagem por parte dos japoneses americanos da zona
muito mais do que temiam ataques de aviões.
O exército deu de bandeja aos japoneses
os aviões que conseguiram destruir facilmente.
Tentamos mover alguns deles.
Conseguimos separá-los, porque alguns estavam em chamas,
para que não se incendiassem todos.
O resultado foi um prejuízo tremendo dos americanos.
Hangares a arder, aviões destruídos,
muito fumo, vítimas mortais.
Fiquei queimado ao sair.
Tive de nadar através do combustível que estava em chamas na água.
Tínhamos três ou quatro aviões na água,
e acho que fui o único a sair de lá com vida.
Nesse momento, com os bombardeiros japoneses,
os bombardeiros de torpedo, aviões de combate a aproximar-se de Pearl Harbor,
não havia nenhum avião americano a voar.
O Comandante japonês Mitsuo Fuchida, que sobrevoava Pearl Harbor,
enviou uma mensagem em código
repetindo a palavra japonesa para tigre "Tora, tora, tora"
que significava "Conseguimos uma surpresa completa."
Ele pediu ao operador de rádio para escrever a mensagem.
Foi nessa altura que começaram o ataque ao porto.
Era claro que não havia esperança de os americanos evitarem o que aí vinha,
que seria um ataque completamente devastador.
No próximo episódio...
Os japoneses colocam em ação a força total das suas armas
contra a frota do Pacífico em Pearl Harbor.
A bomba entrou mesmo no centro do navio
e fui atirado para fora do convés.
Perdemos 1177 homens em 10 minutos.
Temos a sorte de estar vivos.
Estava a gritar comigo para entrar num desses barcos.
"Não vou deixar os meus irmãos. Eles estão aqui.
Tenho de os encontrar."
As portas do inferno tinham sido abertas.
O cenário era mesmo catastrófico.
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