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Quem nos fez já foi contar que me encontrou com um novo amor sem saber
nada Vão falando porque é fácil inventar, todos inventam por aí
Acertaram sem saber que uma paixão anda agora dentro do meu coração Desta vez
podem dizer seja o que for, mas isto agora é mesmo amor Quem nos fez já foi
contar que me encontrou com um novo amor sem saber nada Vão falando porque é
fácil inventar, todos inventam por aí Acertaram sem saber que uma paixão anda
agora dentro do meu coração Desta vez podem dizer seja o que for, mas isto
agora é mesmo amor
De quem fui, de quem sou, onde vou, só eu sei, mais ninguém sabe Ninguém,
sim ou não, quem me dá a razão para tudo o que acontece
Ninguém,
se te quero, afinal, bem ou mal, ninguém nos vai separar Ninguém,
deixa lá que ninguém mudará este amor que me pertence
Ninguém, ninguém, ninguém poderá mudar o mundo.
Ninguém, ninguém é mais forte que o amor.
Já te avisei.
És mundadeira. Oves da janela.
Eu não te consigo amanhar este cabelo, rapaz. Desiste.
Leva os sapatos.
Mas é nos pés, Ernesto.
Então, mana, sabes quando ela volta?
A tua irmã está a acabar os tratamentos, filho.
E em casa da avó fica mais perto das termas, tu sabes.
Olha, isto foi o que a tia Rosa Padeira nos conseguiu dispensar. Pode ser que
haja mal alguma... Não é preciso.
Agora na escola dão-nos pão com manteiga, queijo e leite em pó. A
professora disse que foi tudo da América para os meninos pobres.
Está bem.
Então vai, não te atrases. Nossa Senhora te acompanha.
E este é para ti.
Então, o que foi agora?
Se eu e o Alfredo comermos tudo, a mãe come o quê?
A mãe já comeu, a mãe não tem fome.
De onde é que está o meu sorriso?
Pai nosso que estás no céu, santificado seja o vosso
nome, venha a nós o vosso reino,
seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a
quem nos tem ofendido.
Onde é que tu vais, Adrabão? Tu sabes, se o pai descobre, só descobre se tu lhe
contares.
Onde vais, João?
Senhor Padre, preciso de sair.
Dá-me muita barriga. Não terminámos a catequese.
Sr. Padre, estou mesmo muito aflito. Por favor, deixe-me ir.
Sabes que mentir é pecado.
Juro por tudo que é mais sagrado que estou a dizer a verdade.
Então vai lá.
E vê se tens juízo.
Vamos lá, outra vez.
Baixa do miúdo! Vai devagar que ainda te matas, pá! Fugia da escola para ouvir
canções Na telefonia dessas
mais antigas Aprendia todas as cantigas
O bilhete
Estava
aqui Deve ter caído pelo caminho.
Esses polos estão sempre cheios de buracos.
É a última vez que te volto a dizer, João. Se voltas a aparecer aqui sem
bilhete, vou fazer queixa ao teu pai.
Vá!
Basta! Quer dizer, basta! Vai!
O que é que estou bom?
Elevou um enxete a porrada.
Foi sem querer. Foi sem querer?
Sem querer do teu lado. Não, não, não, não, não, não, não, não,
não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
não, não, não, não, não, não, não,
não,
Nós estamos a casar o Joaquim António mesmo aqui ao lado e vocês nisto.
Onde é que está o João Simão?
Vem daí, rapaz.
A noiva do João António quer conhecer-te. A mim?
Sim.
Ela não acredita que nós cá em Alenquer temos um Joselito melhor que o Espanhol.
Tu já sabes que o pai não gosta quando te pões a cantar. Mas ele chega-te a
roupar o pelo e aí eu não te ajudo.
Oh, Ernesto!
É só uma canção.
Vá lá, miúdo. Vá.
Cantas uma canção e vês-te embora.
E de caminho, não?
Ainda comes o mesmo coisito.
Aí?
Então eu também vou com o soro mais velho.
Ah, eu sou mais novo.
Ora, anda.
Faz bem.
Há memória de vermos crescer na nossa terra outra criança adotada de igual
talento. A partir de Espanha, Jesus Elito conquistou o mundo.
Vamos ver quão longe chegará o João de Alenquer.
Calma.
Calma. Pesquisado de dizeres que isto não tem importância nenhuma.
A cabeça do nosso filho vai encher-se de ilusões e tu ainda andas a incentivá-lo.
Então que culpa tem ele ter uma voz bonita?
Nenhuma. Mas eu, enquanto pai, não posso nem vou permitir que o meu filho se olhe
como um disparate.
O João vai ter um trabalho decente, vai ser um homem honrado e vai ter os pés
bem assentos na terra.
Ele e os irmãos.
Eu mato-me a trabalhar naquela repartição de finanças para sustentar a
família.
O João vai ter que limpar a cabecinha e deixar-se dos disparates de querer ser
artista. Não podes ser tão radical, João. Olha a minha mãe. A minha mãe
também cantava. Tua mãe cantava na missa? A Simi alguma vez deixou de ser
uma mulher honrada e honesta?
O nosso João tem a cabeça no sítio. Tu não precisas te preocupar. Quer lá ele
ser artista.
Ele não quer ser artista. Ele canta para se divertir. Mas não é miúdo para
embarcar em loucuras. Não é miúdo para embarcar em loucuras. Não é miúdo para
embarcar em loucuras. Tu vais ver o que é que eu vou fazer.
Oh, João.
João!
Acabaram-se as cantorias. Estamos entendidos?
Não gostas de estudar? Muito bem, não tens de gostar.
Mas nesta casa quem não estuda vai trabalhar.
Senhor Augusto, então explique-me lá outra vez. Isto é o quê? É o pequeno
almoço? É isso?
Duas colheres e um copo de água, mas em jejum. Em jejum? Sempre em jejum.
Pois espera meia horita.
Fazer o efeito.
A voz maravilhosa, quem é?
É o moço que aqui trabalha.
Passa o dia nisto.
Foi o pai.
O pai pediu-me o empregado aqui. Ele disse que eu não podia pagar.
Mas algo parece isso não é problema.
Ele quer é que o rapaz tenha uma ocupação para tirar da ideia certas
coisas. Olha, é pena. O rapaz tem talento.
Mas olha...
Com talento ou sem talento, se depender do pai, vai ficar mudo e calado.
Ó João, chega lá aqui, se faz favor.
Ao pequeno almoço, antes do pequeno almoço.
Diga, patrão.
Olha lá, querida, chega aqui.
Toma lá mais dois frascos, que é para lavar-se e desinfetar, está bem?
João, não é?
Nos parabéns.
Eu espero um dia poder ver-te num palco onde tu mereces estar.
Hã?
Há didetos que acreditam, rapaz.
Não desistas.
Nunca deixes de cantar. Não ouviste?
Desce?
Pronto, são as últimas coisas.
Finalmente.
Mãe, eu vou guardar isto na cozinha.
Olha.
Até é ajeitadinha, capaz de precisar de uma limpeza, mas isso também faz chá.
Tu não tinhas de te apresentar na repartição de finanças.
Então é isso que eu vou fazer e já vou atrasar. Ah, por isso.
Ó Fátima, ajuda a tua mãe a dar conta aí do recado, a pôr isto tudo em ordem.
E vocês, rapazes, não se ponham já para aí à vontade.
Quero-vos apalmelhar o barragem de uma ponta à outra, à procura de emprego.
Voltam para casa quando encontrarem a entrada. Eu já palavrei com uma oficina
cá, por telefone, vou lá à tarde falar com o patrão.
Vocês dois dividam-se pela zona industrial.
Há muitas fábricas na região. Algumado está aí a contratar-me.
Vou só buscar as minhas coisas.
Veja. Sim.
Eu estava a pensar em ir a Lisboa.
O meu de barco punha-me lá no estante.
Lisboa? Mas vou fazer o quê?
Mas tu perdeste o juízo de uma vez por todas?
É só para ver as horas e para ver a disponibilidade e os preços, pai. Eu
depois, quando tivesse dinheiro, eu inscrevia-me.
Vais, mas é à procura de trabalho como aos teus irmãos. E quando o conseguires,
então aí, tu logo pensas o que é que has de fazer com os teus tempos livres.
Anda à frente, vai-se a ver.
Nesta casa, as responsabilidades vêm sempre primeiro.
Tens que fazer as coisas à maneira do teu pai.
Se Deus quiser, esta é a última mudança. É só mais uma adaptação.
Vai correr tudo bem.
Tens de ter fé, filho.
Amém?
Sei onde os teus olhos vão, perdidos ou não Mas sonhando
por uma canção Vem, vem comigo e
cantar E amanhã o mundo virá para te amar
Deixa a música ficar
Deixa a música ficar
O Sr.
António Calvário ainda está lá dentro.
Espere só um bocadinho.
Muito bem, muito bem. Os ombros, os ombros mais para baixo. Isso, mais para
baixo. Muito bem.
Atenção.
Bravo!
Bravo!
Pina querida!
Tinhas toda a razão. Tens aqui um aluno extraordinário.
A Sinalia é minha amiga há muitos anos. Eu falei de ti. Espero que não te
importes. Claro que não.
Dona Cidale Meirelles, é um prazer conhecê-la.
Pessoalmente, posso lhe dar um beijinho? Claro!
Eu gosto muito de ouvir e a minha mãe não perde um programa seu. Ah, que bom!
Então, nesse caso, eu acho que ela vai gostar muito de te ver por lá.
Estás disponível na próxima semana?
Se eu estou disponível?
Sim, para isso cantaram o meu programa.
Não tenho nenhuma música minha. Ah, por favor, que isso não seja impedimento. Eu
falo com o damas ou com o peião e escrevem-te alguma coisa. Então, aceitas
o convite?
Oh, rapaz, diz alguma coisa.
Fala. Queres ou não queres cantar na televisão nacional?
Nem toda a gente tem essa oportunidade.
Portugal inteiro vai ficar a conhecer-te. Querido, que lindo!
Tu
já
deves ter essa canção na ponta da língua.
Desde que chegaste não tiras os olhos do papel.
Gostas da música ou não?
Gosto, gosto. Eu só não tive tempo para me preparar.
Mas espero que esteja tudo bem. Vai correr, querido.
Descontrai. Tu és bonito.
Tens presença, tens voz.
Vai ser um sucesso, João Paulo.
Simão, eu sou João Simão. Oh, Janinha, tem-me as pinças, querida.
Tu agora vê lá.
O João que não se atrasa, estás a ouvir?
O teu filho não costuma atrasar-se.
O dono da fábrica está muito contente com ele.
Ah, é?
Passou-me lá nas finanças a dar-me os parabéns e tudo.
Então estás a ver, não tens motivo para te preocupar.
O João pode ter lá os seus sonhos, mas ele nunca nos falha.
Vá, até logo.
Até logo filho.
Ai filho, que até me assustei.
Bom dia.
É aqui que fica o senhor João Paulo?
Não. O meu marido chama-se João, mas Paulo não.
É exatamente com aquele João Paulo que ouseis falar.
Bom dia.
Com licença. O meu nome é João Simão, mas diga. Se chama Mário Martins. Sou
produtor na editora Valentino Carvalho. Já ouviste falar?
Claro.
Nós vimos-te no programa da Cidali Meireles e achamos que tens tudo o que é
preciso para seres a nossa próxima estrela.
A Valentim de Carvalho quer contratar-me.
É exatamente para isso que eu aqui estou. E olha que não gosto de perder
tempo à toa.
Então, o que é que dizes?
Estás interessado em fazer carreira na música?
Lindo, confiante. João, um sorriso para a câmara.
A vontade João, solta-te, solta-te.
Mais perto, mais mais perto.
Espera, espera, espera.
Chega-te um bocadinho mais atrás para termos agora aqui mais este fundo todo.
Isso, isso, muito bem. Um beijo João, um beijo para os seus fãs.
Isso, lindo.
Isso, isso, isso.
Chega-te um bocadinho mais daqui agora, meu senhor.
Exatamente, mais daqui, sim.
Muito bem, muito bem.
Continuem, continuem, se calhar mais atrás agora um bocadinho. Belo senhor,
continuem, deem-me só um segundo.
Rui!
João, estou a atrapalhar ou quê? Nada, não atrapalhas nada, pelo contrário.
Vamos usar o teu carro na sessão fotográfica.
Usa, usa, mas é pagar onde virar.
Ah, podes cobrar à vontade, é isto que pagas.
João, estás bom?
Venham, venham, venham, venham. João, chega cá.
Vamos fazer aqui umas fotografias com o carro.
Belo senhor, anda.
Neste carro? Sim, está.
Vais dizer que não gostas do poste do patrão, não?
Gosto, gosto, mas eu não tenho carpa sequer. Ah, mas não vais ter que
conduzir, não te preocupes. Para já só tens de cantar.
Isso,
lindo. Como se a carpa fosse eu.
Põe-a bem daqui, assim, no fundo.
Sorriso, sorriso.
Lindo.
João é um nome banal. Se é para avançarmos com isto, temos que arranjar
um nome sonante, que fique no ouvido.
Mas há algum problema com o meu nome?
João Simão é curriqueiro. Nós precisamos de um nome artístico forte para lançar a
tua carreira como cantor romântico.
Tu vais ser a próxima estrela da Valentina Carvalho.
Tens alguma preferência?
Não sei, eu nunca pensei nisso.
Eu sempre gostei de Paulo.
Paulo?
Sim.
Epá, não.
Paulo não. Não pode ser. Desculpem lá. Esqueçam. Já existe o conjunto académico
João Paulo. Toda a gente conhece isso. Não pode ser. Tem calma. Nós podemos
acrescentar um outro nome.
Marco.
Marco Paulo.
Marco Paulo.
Isso é bom, pá.
Isso é bom.
Esta é miúda, não é? De vez em quando tem boas ideias.
Obrigada, Mário. Não é muito fácil cometer com um gênio como tu.
Marco.
Salve o Imperador Romano.
Transmite força, virilidade.
Caráter.
Marco Paulo.
Eu gosto.
Eu gosto.
Se tu gostas e se estão todos de acordo, vamos a isso.
Ganha a maioria.
Júlia, liga já os advogados e pede-lhes que comecem a tratar da redação do
contrato. Está prestes a nascer uma estrela.
Marco Paulo?
Mas quem é o Marco Paulo? Deixa-me ver, deixa-me ver.
Ah, eu até nem desgosto, mas é um bocado estranho ver aqui a tua cara com o teu
nome. Não, parece que meteram o cromo na caderneta errada.
Espera aí, toma lá, vá.
Estou impressionado desta história do nome artístico. Mas agora temos de
chamar a marca, é isso? Ai, filho, isso era o que mais faltava. Não.
Bem, quer dizer, se os teus patrões acham que é melhor para a tua carreira,
para o teu trabalho, então que seja, mas desta porta para dentro, és o João.
João, mas eu marco Paulo.
E o pai não vai dizer nada?
Pai? O
que
eu faço com essa senhora?
Diga-me o que é que eu faço.
Marco? Marco?
A orquestra está pronta.
Marco? Está tudo bem?
Mário, desculpe.
Eu não sei se é dos nervos, estou a ter uma alucinação, mas eu parece
que vi a Dona Amália passar por aqui.
Sim, era mesmo a Amália. Está cá a gravar o presente.
Eu posso apresentar-te, se quiseres. Não, não, não.
Quer dizer, agora não.
Mas um dia gostava de conhecer a Dona Amália, claro.
É uma grande referência para mim, é uma inspiração.
Mas se calhar gostava de a conhecer um dia como colega de profissão.
Não só como admirador, pode ser?
E estás no bom caminho.
Se tudo correr bem, daqui a uns meses tens o teu EP nesta parede.
Só espero é que a voz não me farde.
É a minha primeira gravação, estou nervoso. Espero que esteja à altura.
Só há uma forma de descobrires.
Entrares aqui dentro e dares o teu melhor.
E não te demores, que a orquestra é paga à hora. Vamos lá.
Que grande feito.
O meu irmão em rádio.
Parabéns, puto.
Conseguiste. Canta tão bem, não, João? Não canta.
Oh, João.
Tens aqui uma carta para ti.
Outro mais um momento tão importante. A carta não pode esperar.
O importante seria anunciarem o fim da guerra em África. Não é o caso.
É do Ministério da Defesa.
Então,
foste dispensado?
Eu tinha toda a esperança que ele fosse chamado.
Há males que vêm por bem, não é?
A tropa vai fazer de ti um homem.
Mais dois!
O zero também é número!
Dois!
Três!
Quatro! Saudade de Silva!
Está com vontade de cantar, é?
Seis! Não, Sargento!
Mais alto!
Não, meu sargento! Mais alto!
Não, meu sargento!
Mais vinte, eu abri o chão!
Zero!
Um!
É
hoje
o grande dia, hein?
Nosso artista vai atuar no festival da canção.
O Sargento Nuno já sai daqui aquecido.
É só tomar um dos rápido e... e pirma. Até ele, Chilo.
Mas é isso. Olha como está todos a ver-te na televisão, hein?
Tens que representar bem o nosso regimento.
Sou tão... Sou tão feliz...
Vem para a pinta do... Parece que vai visitar a madrinha.
Cala-te.
Estás é com inveja.
Que filho da mãe, com carinha de anjo e vozinha de roxinol, a cantar no festival
da canção. Vais ter as miúdas todas a caírem-te aos pés assim.
Mas isto é para quem pode, não é para quem quer. Está claro.
É para quem pode, não é para quem quer.
Nem mais.
Os senhores.
Soldado Silva.
Sim, meu sargento. O carro da editora já está lá fora à sua espera.
Dá-me licença para sair?
Silva!
Ele se atreve a fazer má figura no festival.
Boa sorte.
Muito obrigado.
O Eduardo Negra vai atuar agora.
Eu quero-te no estúdio quando entrar com o Eduardo no chinelo. Não há quebras, és
logo a seguir.
Estás-me a ouvir?
Marco?
Sim.
Os vencedores das edições anteriores vão estar todos na primeira fila a ver quem
é que lhes vai roubar o protagonismo. António Calvário, Madalena Iglesias,
Simón de Oliveira... Estás a ajudar.
Eu vi todas as edições do Grande Prémio da Canção Portuguesa. Eu vi com a minha
mãe.
Só pode estar a usar.
Mãezinha? Então, filho.
Tens estado aqui colado à duvida ou à espera que tu entres?
Aconteceu alguma coisa?
Não, está tudo bem, mãe.
Era só para ouvir a sua voz.
O pai está consigo.
Tenho aqui os teus irmãos. Também estão uma pilha de nervos à espera.
O pai não. O pai estava com uma grande dor de cabeça. Teve que descer e deitar.
Mas ele está por ser perdido. Sabes que está.
Eu tenho de ir. Um beijo, mãe. Até já. Um beijo. Uma sorte.
Vamos passar em seguida a canção número 3.
é cantada por Marco Paulo. O seu título, Sou Tão Feliz.
Ora com quem estão?
O grande Marco Paulo.
Bem, antes de mais amigo, parabéns em seu belíssimo último
lugar.
Espetáculo.
Teve bem o menino, não teve?
Cara linda, assim não te vais chafar a guerra, sabias?
Sou tão feliz...
na selva.
Deixa falar.
Milhas ouídos.
Silva, tu estiveste bem.
Estiveste bem.
O teu som foi fraco.
Num concurso de canções. Ou para todos os nossos maus fossem esses.
Há lá.
Achas que em breve nos vão chamar para a guerra?
É o que nós temos de mais certo.
Mas eu não posso. Eu tenho contrato com a minha editora. Eles precisam de mim.
E tens... Também tens pais ricos, tens pais influentes.
Tens?
Não.
Tu podes esquecer.
Mesmo que tivesses ganho o primeiro lugar no festival, tu ias lá parar na
mesma. Vamos lá, atenção, meus senhores.
Recebemos ordens superiores.
para embarcarmos para a Guiné daqui a uma semana.
Ainda é esta tarde.
Vamos para Estremouche e de lá para o Ultramar.
Chegou a nossa hora de defender a nossa pátria.
Eu em breve estou de volta também.
Está bem mesmo.
Agora tu vê lá, não te
esqueces de escrever.
Tua mãe não vai aguentar sem notícias de tudo.
o meu sonho tem valor
e a terra o meu sonho
Hoje não tem felicidade.
Hoje só tem saudade.
Primeiro Cabo Silva, o Brigadeiro quer falar contigo no seu gabinete.
Comigo? Sim, contigo.
Anda.
Pois é, então toda a gente neste quartel já sabe quem é o primeiro Cabo Silva e o
que é que fazia na metrópole antes de ser destacado.
Sente-se, homem.
O Marco Paulo é um artista subejamente conhecido dos portugueses.
Eu, nesse sentido, acho que não estamos a tirar o devido proveito do facto de
termos aqui connosco.
Eu acho que não estou a acompanhar como está a dizer o meu brigadeiro. Bom, como
sabe, nós temos aí o conjunto João Paulo, que foi destacado aqui para
Bissau, para animar as tropas.
Os homens precisam de...
Alguns momentos de descontração e lazer no cenário limite em que nos
encontramos. E nesse sentido, eu gostava de perguntar se está disposto a usar dos
seus dotes artísticos para servir a pátria.
Está a pedir-me que cante para as tropas, é isso?
Nós temos aí um bar de oficiais em Bissau e, enfim, para além das suas
competências como escriturário,
Eu gostava de saber se não se importa de fazer alguns espetáculos. O que é que me
diz?
Eu ando perdido, perdido na vida, como horas perdidas
que pedem meus pais.
Horas e horas perdidas,
horas que são meu castigo.
Como horas perdidas que
esperem meus pais.
Então, há mais uma noite de sucesso.
Parece que está descoberto o segredo para deixar as mulheres felizes. Não há
segredo nenhum, basta termos aqui com o Marco Paulo a cantar.
As enfermeiras são as suas maiores fãs. Não têm perdido uma noite. É verdade.
Eu tenho a certeza que há uma senhora solteira que não se importava ter a
companhia aqui do nosso cantor.
Porque tem leitos que não faltam, Silva.
Se quiser, posso apresentar-lhe uma das beldades.
A noite passa-se.
Melhor com companhia.
Olha,
olha, olha!
Quem é ele?
É o chofeiro, malto.
Silvio!
O protegido do brigadeiro.
Já não se mistura aqui com a ralé.
Mas estiveste a beber, tu.
E eu estou a dizer alguma mentira, por acaso?
Calma, manio.
Toda a gente aqui sabe que tu és o shib dos oficiais.
E essa história que tu inventaste das canções não passa da merda de uma
fachada porque tu não tens de ir para a frente de combate como todos nós aqui.
Bora com isso, manio. Sabes o que é que tu és?
Sabes, Silva?
Tens um cobarde, seu merdas!
Deixe o seu gajo em paz, Amandio!
Volta! Volta!
Houve uma pescada no mato!
Foda-se!
Tivemos vítimas! O Pires e o Caldeira!
Para com isso! Para com isso!
Calma aí! Calma aí!
Para com isso, Amandio!
Amandio, para!
Para!
Eu vou te largar!
Eu vou te largar! Eu vou te largar!
Quem nos fez já foi contar que me encontrou com um novo amor sem saber
nada.
Vão falando porque é fácil inventar, todos inventam por aí.
Acertaram sem saber que uma paixão anda agora dentro do meu coração.
Desta vez podem dizer seja o que for, mas isto agora é mesmo amor.
Quem nos fez já foi contar que me encontrou com um novo amor sem saber
nada.
Vão falando porque é fácil inventar, todos inventam por aí.
Acertaram sem saber que uma paixão anda agora dentro do meu coração.
Desta vez podem dizer seja o que for, mas isto agora é mesmo amor.
De quem fui, de quem sou, onde vou, só eu sei, mais ninguém sabe Ninguém,
sim ou não, quem me dá a razão para tudo o que acontece
Ninguém,
se te quero, afinal, bem ou mal, ninguém nos vai separar Ninguém,
deixa lá que ninguém mudará este amor que me pertence Ninguém
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