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Sertão é o penal.
Criminal.
Sertão é onde um homem tem de teadura a nuca e a mão quadrada.
É onde manda quem é forte, com as astúcias.
Sertão se diz, o seu querendo procurar, nunca no encontra.
De repente, um si.
Quando a gente não espera.
O sertão veio.
O
sertão
está em todo lugar.
Porque é dentro da gente que ele está.
Tudo aqui é perdido.
Tudo aqui é achado.
Deus mesmo, quando vier, que venha armado.
Sertão. É onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o
poder do lugar.
Viver é um descuido prosseguido.
O que ainda não se sabe.
O que aprender a viver é que é o viver mesmo.
Tantas horas de pessoas em tantos tempos, tudo miúdo, recruzado.
Agora eu, velho, vejo.
Sertão é dentro da gente.
O que vou narrar é resumo.
Coisas que formaram o passado pra mim com mais pertença.
Assim foi um fato que se deu. Um dia, se abriu. O primeiro.
Eu devia de estar com uns 14 anos, sim.
Aí, pois, de repente, vi um menino.
Bonito, claro, com a testa alta, os olhos aos grandes, verdes.
Por que foi que eu conheci aquele menino?
Você não conheceu. Milhões de milhares de pessoas não conheceram.
Pense outra vez.
Repense o bem-pensado. Pra que foi que eu tive de atravessar ali?
De fronte com um menino.
Tá me estranhando?
Você não tem medo, não?
Nenhum. Medo de quê?
Medo só.
Imediato. Eu não tenho medo de nada.
Puxei meu pai.
Quer provar?
Meu nome é Diadorim.
Riobaldo.
A mão do menino era bonita, macia e quente.
Agora eu estava vergonhoso, perturbado.
Não olha para baixo. Vira o alto, o sol.
Firme o corpo. Sente bastante o estável antes de avançar.
Essa tag aqui é do Zuka.
Ele foi o primeiro a subir.
E essa é do Doca.
E essa daqui é do Naval.
Cada qual mais alto.
Não vejo a minha que nem... No topo da coragem.
Você conhece esse sertão, Riobaldo?
Assim e assim.
Ali é o campinho. A colar usa peixe. Quadrado, caixa d'água, leve trás,
chapadão, roda de fogo. A obra do metrô. Vila Presidente, Braginho, Sussuarão.
Arco-íris, pedreira, terminal da barca. Tudo isso é o complexo do sertão.
Entendeu? O tamanho da questão.
Tudo isso é o complexo do sertão.
Eu olhava pra esse menino com prazer de companhia como nunca por ninguém eu não
tinha sentido.
Eu queria que ele gostasse de mim.
Vocês dois, ué, hein? Cadê o outro? Foi-se embora.
O que vocês estavam fazendo?
Também quero.
Tem nada, não. A gente tava fazendo sujice nenhuma.
Tô olhando as distâncias do sertão e o Pará das Coisas. Ei, mano, chega aqui.
Vem aqui mais perto.
Você é animoso.
Tu tá louco? Gostou?
Teve medo?
Mas também teve coragem.
Podia ter fugido. E não fugiu. Eu nem sabia que eu tinha.
Não deve ter precisado. Mas tem.
Passarinho que se debruça, o voo já tá pronto.
Agora eu tenho que ir.
Tem horas antigas da nossa história que ficaram mais perto na memória do que
outras mais recentes.
Contar a vida é dificultoso.
Linha reta num caminho sinuoso.
Adiante, conto, talho de avanço. O tempo passou, mas é o mesmo lugar.
Meu nome é Rio... Baldo.
Muito prazer.
Eu estudei nessa escola desde que ela era uma escolinhazinha. E vou continuar
estudando com vocês.
Mestre não é quem ensina, mas quem de repente aprende.
Hoje nós vamos estudar história.
Esse é um ex-polícia que passou pro lado do crime.
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
Um X9 malagorado deu ele pra polícia. Foi arrastado pela rua, enforcado,
cortaram o corpo dele em quatro pedaços.
Por que tanto ódio sem rumo?
Que guerra foi essa de nenhuma razão?
Causa de tudo foi o ouro. Em 1693, no sertão das Minas Gerais, os
portugueses descobriram um ouro de padrão superior, em quantidades demais.
A circulação de ouro em pó foi proibida. A entrada das minas passou a ter
patrulhas em armas, troco de conversa de vigiação. Veio autoridade, delegado em
praças, modo melhor acompanhar o comércio e a produção.
Os garimpeiros também montavam seu exército, fincavam seu território,
comerciavam a revelia do governo, até que garimpeiros e polícia fizeram um
acordo duradouro.
O governo ficava com um quinto do ouro.
Mas um quinto de quanto?
Quem ia saber quanto de ouro era achado?
Então o governo, mal agarrado na ganância, aumentou o imposto.
E alguns, às voltas de revolta, se embrasaram.
Vieram os desmandos, o roubo, o desrespeito e o desgosto.
Vocês querem virar carne moída?
O Hermógenes se quis com o Urubu.
Ah, eu ouvi aquilo demais.
O Hermógenes fez pacto com o diabo.
O Tinhô,
o Mali, o Olhotô, o Mephisto, o Tristônio, o Indivíduo, o Capirô, o
Sinistro, o Cujo, o Cocho, o Canho, o Cão, o Sujo, o Souto, o Satanão. O que
nunca se riu, os secretos, o que não existe, o que não há, o não sei que
diga, dubá-dubá.
Você tem medo de morrer?
Eu não.
Sabe por quê?
Porque eu não morro.
Não, pelo amor de Deus, moço. Pelo amor de Deus, não faz isso com a gente, não.
Eu tenho dois meninos pra criar. Pelo amor de Deus, moço. Eu tenho dois
meninos pra criar, moço. Não faz isso com a gente, não.
Por favor, não, não, não, não. Não, não, não, não.
E vejam.
Por que sinais se conhecia em favor dele a arte do coisamar com tamanha proteção?
Ah, pois.
Porque ele nunca perdia nem sofria. Não se cansava nem adoecia.
E tinha o corpo.
Agora sua sorte engordou.
Mas, se você não morrer essa vez, o prêmio é maior.
Eu deixo você viver.
Pelo amor de Deus, moço! Eu não quero morrer!
Para trás não há paz.
O real se dispõe para a gente é no meio da travessia.
A vida é muito discordada.
Tem partes, tem artes e tem as caras todas do cão.
Viver, não é?
É muito perigoso.
O nome apelativo de Tiradentes é o mártir da independência.
O que diferencia um mártir de um herói?
Nina. Um herói vive guerreando. E um marte morre pela paz.
É isso aí.
Ah, a entrada aqui é de graça. Choca, Ramiro. Ele é quem tomava conta desse
sertão nosso, mandando por lei de sobre-governo. Era o chefe cursado.
Muitos iguais não nascem assim.
Dono de glórias.
Salve, chefe.
É!
Enlouqueceram completo. Estão pedindo pra morrer.
Não se pode falhar na regra de só dar festa com sentinela na contenção. Tá
dominado, patrão. Nada, tudo na Disney.
Vocês dizem um raro trato com a polícia.
Mas eles estão aí, rodeando, fechando os outros, preparando o ataque.
O olho dos vermes cresceu demais. Estão tudo agarrado na ganância.
Vamos, pá.
A paz é o melhor investimento que tem.
Vocês preferem bala ou baile?
Baile!
Tira a dentreira, bandido.
Para os portugueses. Para os brasileiros, virou herói. No futuro, a
guerra do sertão vai ser estudada numa aula de história?
Deve de ir. E quem vai ser o bandido?
Depende de quem ganhar no fim.
E o fim quando é?
O fim derradeiro é a paz.
Vai demorar.
A paz não lhe enjoa. A luz é o que acontece.
A paz não é boa, tigueira?
Então por que ela enjoa assim mesmo?
Natureza da gente, mal completada.
Hum, a saudade que eu tenho de pegar um soldado desse tal.
Pois fala da vaca cega.
Mas primeiro castrar.
Tem o trato que o Jacaramiro fez com os polícias. Que trato?
É treta!
A gente precisa de um tiroteio a vera.
Pra poder reforçar.
Você vai por onde?
Pela baixa.
Tem muita arma por lá. Tem arma em todo lugar.
Nina,
pera aí que eu vou com você.
Qual é a ordem de baixa? Não faz nada.
Bandido é bandido. Polícia é polícia. Nós vamos pra cima com tudo.
A gente veio do inferno. Nós todos.
Esses que mataram uma criança, se vê.
Que vieram de lá antes do prazo.
Subiram pra punir os outros. Exemplo de nunca se esquecer do que tá reinando por
debaixo. Uns lugares inferiores, tão monstro, medonhos, que Cristo mesmo
lá... só conseguiu aprofundar por um relance a graça da sua substância
lumiável em as trevas de véspera para o terceiro dia da sua ressurreição.
A vida é vez de injustiças assim.
Quando o demo leva o estandarte.
Viver é muito perigoso.
Aquela criança, chefe, culpa nenhuma não tinha.
Quem sabe?
Por certo, noutra vida revirada, ela tocava o terror e tinha um crime no
corpo pra ser cobrado. A culpa foi nossa.
Pode ter sido bala da polícia.
Nós que rompemos o trato.
Jogar rameiro próprio mata a gente. E o diabo carrega a alma.
Vamos dividir as culpas.
Você assume com o joga.
E eu assumo com o diabo.
A Nina era, ainda é, muito querida, sempre vai ser.
Cada vez que escuto o nome, parece que ela está viva.
Minha vida agora mudou para uma segunda parte.
Eu guardei as coisas dela.
A Nina gostava muito, muito da escola.
Era a vida dela.
Virou a morte.
O mundo tá desgovernado nas juntas. O sertão vive na guerra.
Olha as armas que ela tinha pra se defender.
Um repórter da televisão pediu licença pra mostrar o velório.
Pra que eles querem mostrar uma coisa tão triste?
Eu não quero ver minha filha morrer de novo na televisão.
Pra assim não ser, não foi, não é, não fica sendo.
Ô, Tassília, esse é o coronel José Bebelo.
Dona Tassília, sou eu quem vai chefiar o destacamento do sertão.
O senhor veio pedir desculpas pela morte da minha filha.
Não cabe pedir desculpa pelo que não pode ser desculpado, dona Tassília.
Eu vim lhe trazer meus pêsames e promover justiça. Contra quem?
Quando matam uma criança, todo mundo é culpado.
Quando matam uma criança, até Deus está errado.
Uma criança?
Mas podem ter matado. Como podem ter matado uma criança? Fomos atacados,
coronel. E refitamos. No meio de um tiroteio, patrão.
Bala perdida e achada.
De frente de uma escola, na luz do dia pleno. Atacar a polícia.
E na frente de uma escola.
Procure saber.
Quero tudo vasculhado. Por quê, o porquê, o qual, o como e os etc.
Sim, coronel. Quem foi o miserável que desobedeceu minhas ordens? É culpa da
bebida, mestre.
Falecido tigre envenenou do juízo. Largou a falar besteira.
Diz que xingou da paz.
Que com polícia não tem trato, é treta.
Aí partiu pra cima.
Pagou seus pecados.
Nada paga a morte de uma criança.
Assumo o comando para sair pelo sertão guerreando a boa batalha.
Prometo o fim de tudo, que seria romper o empenho de bando em bando, liquidar
com os bandidos até o último.
é limpar o mundo da bandidagem braba!
Viva a lei!
Tudo tinha se torcido para o mesmo lugar.
Guerra. Muita guerra.
Zé Bebelo mandou limpar o vento de quem não tinha ordem de respirar.
Jota Ramiro, a bala com bala repostou.
Atiraram grosso.
Aqueles sabiam brigar. Desde nascença, querendo morrer à brava.
Depressamente.
Você já viu guerra?
Demais é que se estar muito no meio de nada.
Água! Água pra morrer!
Fofo faço, professor, e em prazo. Vou arrombado uma vez com essa cambada
canária de bandido. Desentrando na justiça e tudo destruindo do civilizado
legal.
Somente eu tiver feito tudo isso, entro direto pra política.
O sertão precisa de menos política, mais paz, coronel. A paz vem no fim da
guerra, professor.
Então vem a política para se transformar esse sertão com as benfeitorias para um
bom governo para este ó Brasil.
Remediar a saúde, preencher a pobreza, estrear mil escolas para educar e
socorrer as infâncias, ultimar o metrô.
Temos de render este serviço à pátria.
É melhor o senhor não falar já de política, não divulgar. Podem pensar que
quer o poder só.
Sua razão é boa.
Mas, quando chegar o momento, peça o seu discurso. Diabolo!
Pra falar em meu nome.
O quê?
Por recado, não posso dizer.
Seu pacificando sertão nem vai precisar de mim. A cujo vou, professor?
Vou. Zé Bebelo? Ah, o comum.
Com Zé Bebelo, virava diferente adiante. O passado pra mim é mesmo passado.
Não voga mais. E poder de entender demais nunca chega em outro. Quero saber
de tudo.
Dispor de tudo pra tudo alterar. Seguro já nasceu assim.
Zureta, avoado, criatura de confusão. Trabucar duro pra dormir bem.
Morrendo eu, depois você descansa.
Me esbarrava quieto. Mas eu não morro.
Sem menos, se entusiasmava com o que houvesse.
Choveu, louvava a chuva. Prazo de minuto depois, prezava o sol. O que temos é de
caprichar em viver.
Gostava com o despropósito de dar conselhos.
A gente tem precisão de fingir às vezes.
E a raiva tem.
Mais raiva mesmo.
Nunca se deve tolerar de ter. E homens felizes feitos a bebelo. Juro, nunca não
vi. Viva Deus!
Viva!
Foi das pessoas nessa vida que eu mais prezei e apreciei.
Já periciaram a bala que matou a inocente? Foi nossa, mas já pedi pra
perícia mudar a bala de lá. Não, senhor!
De nada!
Quero tudo vos conformes. Tudo bem divulgado. Nós só revidamos ao ataque
dos bandidos, coronel!
Por causa de um acidente, nós podemos prejudicar sua futura eleição? Pode ser.
Pode ser.
A causa é boa.
A tropa até já lhe apelidou. O deputado!
Mas por hora, vamos segredar sobre a política.
Zé Pepele é inteligência. Você precisa ver a qualidade rara de cabeça que a
natureza deu pra esse homem. O sertão vai mudar.
Uma coisa é por ideias arranjadas, outra é lidar com um país de pessoas, de carne
e sangue, de mil e tantas misérias.
Cada um querendo seu cada qual, colocação de emprego, comida, saúde,
riqueza. Ser importante.
Uns querendo chuva, outros querendo sol. Rapaz, todo mundo quer igual.
E por que ela é tão difícil?
Ela vem, mas devagarinho.
Tarsilha! Ô, Tarsilha!
Que rumo é esse que vocês vão? É o rumo que a gente vai.
A central da polícia é pra lá. Eu sei o rumo da sua casa.
E é pra lá que você deve ir! Pra onde? Pra onde estão indo?
Estão levando pro alto do sertão. Vão matar.
Moradoras do sertão, o mal não dorme mais.
Vão executar mais seis meninos no alto do sertão. Por que agora são as mães que
enterram seus filhos e não o inverso como devia ser?
Esses meninos são nossas crianças.
O que sucede é o que antecede, capitão. Uma revolta contra a ação policial,
coronel. Dona Prascilha, por causa de uns assim que a sua filha morreu.
E as mães desses, coronel, vão sofrer igual a mim quando eles forem
executados? Executados?
Quem disse?
A gente tem ciência, coronel. Quando vocês trazem pro alto, é pro golpe
fatal. É verdade isso, capitão? Os eleitores querem pulso, coronel.
Ah, é?
De jeito nenhum.
Não consinto covardia de privacidade, nem sistema de matar prisioneiro.
Pera a volta! Pra trás!
Recuar! Pro X é que vão. Sim, coronel!
Viva a lei!
Viva!
Hoje foi forte coisa.
Você precisa de longe e sossego demais.
Tudo de cada banda que eu vá são pessoas matando e morrendo e eu não pertenço a
razão nenhuma.
Não guardo fé, nem faço partos. Bem dali do meio do fel do desespero, a vida traz
esperança. Comigo não tem amanhã e anteontem, nem hoje.
É sempre. Você hoje salvou a vida de cinco meninos.
Será que vai vir mesmo um tempo em que não se usa mais matar a gente?
Você começou a enxergar o amanhã.
Acho que o sentir da gente volteia, rodeia em si, mas por regras.
O prazer muito vira medo. O medo vai virar esse ódio. O ódio vira esse
desespero. Desespero é bom que vire a maior tristeza. Constante, então, para
um amor. E a desesperança já vem.
100 anos depois da Guerra do Ouro no Sertão dos Gerais, um outro sertão se
abrazou. Dessa vez, o da Bahia.
O centro da guerra era a comunidade de Canudos. De início, o governo achava que
a vila se rendia num dia.
Mas a guerra descampou de seu poder.
E durou mais de ano.
Tu tem tudo?
Munição, arma?
A estrela tá comigo.
É pra rastrear redobrado ao redor. Medir e remedir a área a olho e faro. Licença
pra ir, chefe. Você bota atento a toda coisa, viu? Zé Bebelo botou a sentinela
muito mais além de Vila Presidente Angico.
O que será vai ser ou vai não ser.
Vai. E no caminho não morre.
Quer me matar, brota?
Eu até quero que venham de uma vez, pelo definitivo.
Sebebelo estava com posição fincada, desde a roda de fogo até Cidade Alta. A
polícia sempre chorava ainda mais por beber vinganças.
O ar todo do campo cheirava a pólvora e a soldados.
Alvo subindo pela viela do Riachim.
Chegando na principal em 10, 9...
Tranca.
Recebi um estremecer.
De súbito, conheci.
Um moço era.
Pois sabe você quem?
Mas quem mesmo?
Era o menino. O menino, sim, senhor. Teodorinho.
Que subiu num prédio comigo.
Não acorda bamba toda vida.
Vamos sair.
Tá com medo?
Tenho medo, mas também tenho coragem.
Passarinho que se debruça. O voo já tá pronto?
Na minha vida...
Agora que vejo as coisas importantes todas, um caso curto de acaso foi que se
conseguiram. Pelo pulo fino de sem ver, se dá a sorte momenteira.
Por cabelo, por um fio, um tris de um triscado de pala.
Para o carro, chefe.
Desce devagar, sem olhar pra trás, se quiser viver mais um dia.
Será que tem um conto certo dele e a gente não podendo mais voltar pra trás?
Onde pegou? Foi de raspagem.
Mas perdeu muito sangue. Vale, só um pedacinhozinho de metal.
Tem que ir pro hospital.
Ir pro hospital não.
Deve estar cheio de polícia atrás de gente baleada. Tito!
Por que foi que eu precisei encontrar novamente aquele menino?
Mas se não fosse...
Cada caso não tivesse sido, qual teria sido, então, meu destino seguinte?
Mas o acontecido é acontecido.
E foi nesse lugar, no tempo dito, que os meus destinos foram fechados.
Chefe, esse é o meu amigo, Riopaldo.
Cumpriu-lhe favorecer pela vida salva. Já está pago. Diadorim foi leal comigo,
me deu proteção quando menino.
Pois o que o senhor fez pelo Diadorim foi como se tivesse sido por um filho.
A amizade de vocês já me paga.
É cedo.
Visite aqui comigo por três dias.
Ele não pode voltar.
Me deu boa proteção.
A polícia já sabe. Sabe atirar?
Não.
É tempo de aprender.
Posso ensinar.
Durante o combate, arrume um jeito de mudar de lugar sempre que puder. Quando
apontar para um alvo vivo, atire duas vezes.
Vai garantir de acertar.
Mire e veja.
Para lhe proteger, sonhei que você estava morto. É perigoso vir aqui.
Zé Bebelo mandou um recado. Que ninguém vai lhe prender se voltar e contar o que
viu. Sou traidor, não. Você não nasceu para isso. A gente nem sabe para que
nasci. Ainda ontem, você era só um pobre morador sujeito à instância do crime.
Desde chegarem lá praticar maldades contra a sua pessoa.
Como que pode estar em seus amigos você gostar de fazer parte?
Gostar ou não gostar, isso é coisa diferente.
O sinal é outro.
Meu destino tá preso.
O avante da minha vida agora é esse.
Já se arrependeu de ter vindo pra cá, sentido?
Eu vim mais, só mesmo por conta da nossa amizade.
Você para a ponta bem diante da parte de cima do gogó pra se cravar deslizado com
bom apoio. Daí, é só se soltar que pelo peso, o fato se dá.
Eu me peguei, relutando, contra o querer gostar de Diadurin. Por ponto de não ser
possível dele gostar como queria, no honrado e no final.
Então, você me perguntará, o que era aquilo?
Ah, o poder da vida.
Eu estava gostando dele.
Em dormência. Sem mais perceber.
No fofo do costume.
A ver que a gente não pode explicar essas coisas.
De manhã cedo, você esbarra pra pensar que a noite já vem vindo?
De manhã à noite, a afeição nossa era de uma cor e de uma peça.
Era um Delen que me tirava pra ele.
O irremediável extenso da vida.
Era ele estar perto de mim.
Nada me faltava.
Era ele fechar a cara e estar tristonho. Eu perdia meu sossego.
Ei, de medo, o coração bate solto dentro do peito. Mas de alegria, ele bate
inteiro e duro, que até dói. Rompe para diante da parede.
Sufismei. Se Diadurin segurasse em mim com os olhos, me declarasse a
todas as palavras.
Eu não posso mais, por meu próprio querer, me separar de você por lei
nenhuma. Mas Diadurin parava normal, estacado, olhando tudo sem importância.
Quer mais passada?
Diadurin, você não tem, não terá, assim, alguma irmã, Diadurin?
O que vocês fazem apartado todo o tempo?
Tá com ciúme? Quer que eu lhe sirva também?
Meu bem.
E o baldo deixa?
Pra você só.
É delicado.
O coração cresce pra todo lado.
Quer vermelho?
Que o inimigo é longe daqui.
Só querem que Valentia tenha jeito de machiza.
Você faz tempo que já provou seu valor, Diadurin.
Eu não podia de gostar tramadamente assim de Diadurin.
Eu tinha de calar qualquer palavra.
Fosse uma mulher, eu me encorajava no dizer paixão e no fazer.
Pegava, diminuía ela dentro de meus braços. Mas dois guerreiros? Como é?
Como eu pudesse gostar?
Sem vergonha, esse reina tão pertencidamente que, por primeiro, não
se crê no sincero sem maldade.
De nós dois juntos, ninguém nada não vai mais maldar. Nem tem de quê.
Eu gosto de você, mas só como amigo.
Riobaldo, homem com homem, de mão dada.
Só se a valentia deles for enorme.
Algum problema, coronel?
Tráfico de arma na nossa unidade.
Nomes? Vários.
As suas ordens? Pois por mim, matavam por um.
Polícia que vende arma pra bandido. Pra bandido matar seus amigos?
É pior que bandido.
Mata os amigos por dinheiro.
É um assassino e um covarde.
De acordo, coronel. É bom.
Consta que o senhor é o chefe da quadrilha.
Eu... Não mate suas mentiras! Já sente suas canalhagens!
A vida que lhe resta é pra me obedecer enquanto eu precisar.
O senhor vendeu arma pra bandido?
Agora vai vender mais.
Quem foi que disse que a guerra é ruim?
Essa aqui eu vou guardar pra você.
Vamos embora!
A cruz faz o chumbo estirassar dentro do corpo.
Pra que isso?
Bala desse calibre mata igual. Dói mais?
O estrago é o maior.
Por que Jó Carramiro consente ter como seu fiel um sujeito feito esse
Hermógenes, remarcado no mal? Você acha que a gente corta carne com faca ou com
colher de pau?
Você queria homem bonzinho pra com eles a gente dar combate a Zé Bebelo e os
cachorros do governo?
O Hermógenes é duro, mas leal.
De toda confiança.
Caminhão partindo em direção ao bairro torto.
A fortaleza deles deve ser pras bandas do Voivai.
Chegaram. É no terreno de uma indústria de ferro velho vizinha à estação de
trem.
Tem licença alguma pra transitar?
Vitamina, chefe. É muita bala, mais de 10 mil tiros, sem granadas.
Armamento pesado, M16, HK automático. De onde vem?
De sempre, Albina.
Guerra no meio, polícia vendendo bala pra matar a polícia. Governo paga pouco.
Com Zé Bebelo mandando de sobregoverno.
Vai ver no fim o coronel também tendo negócio.
Zé Bebelo nunca queria.
Repira tudo!
Aqui, patrão.
Rastrearam a gente. Vamos retirar a comissão. Agora passou a hora.
Os policiais vão ficar com tudo, mestre? Não vão, não.
Achamos, coronel.
E as armas?
Abandonadas parafundamente no calpão.
Confisquem e aguardem. Estou chegando com reforços para o ataque final.
Nós requerem vingança feita por ser nossos irmãos.
Na semente de um pai e na madre de uma mãe gerados num tempo.
A vida é assim.
Esquenta, esfria.
Aperta, depois afrouxa.
O que ela quer da gente é coragem.
O que se tem é de apertar o cerco.
Nosso prazo é acabar sem dar dança com a coisa.
Nós não vamos morrer aqui, acuado em buraco.
Vamos atacar de chupetão.
Coragem contra coragem. Vocês valem os melhores.
O inimigo tá com pouca munição.
Ódio e valentia é o que se quer.
Vamos formar todo mundo de guerreiro. E vamos gastar nossa munição total toda
num dia só.
O cumprir de nossa vingança vem perto. Vamos em boa paz inteira nesse sertão.
Dessa vez a gente dança em guerra.
E o exército de jogar a mira.
Eu tinha de matar gente humana?
Mas
o meu querer
não correspondia ali.
Por conta nenhuma.
Eu nem conhecia aqueles
inimigos. Tinha raiva nenhuma deles.
O que o outro cozinhou quente demais.
Professor!
Ora, viva! Sempre a gente tem que se avistar.
Digo mais a você. Eu gostava de Zé Bebelo. Um homem daquela qualidade,
ideia dele, tudo que eu sabia e conhecia.
Como era possível, assim, com a minha ajuda, a morte dele?
Nessas coisas, pensei e gritei.
Joca Ramiro quer esse homem vivo.
Quem disse?
Joca Ramiro disse.
Deu ordem.
Zé Bebeiro pode ter reagido depressamente pra não admitir derrota.
Jogar a mira não precisa saber de tudo.
Ele vai saber.
Hermógenes se amargou.
Engoliu de boca fechada. Se eu berrasse fogo nele, mandasse de volta pro
inferno. Tomava castigo mortal na frente de Deus. Vejo as que tomasse.
Dê respeito, chefe.
Você é o grande vencedor, mas eu sou seu igual.
Se acalme. Você tá preso.
Preso?
Preso!
Estou, pois sei que estou.
Mas então o que você vê não é o que você vê.
É o que você vai ver.
Vejo um homem valente preso. Isso sim.
Agora, se eu tô preso, é outra coisa. É o quê, coronel? É o mundo à revelia de
bandido prendendo polícia.
É a lei da guerra.
Se é pra matar, matem logo!
Tem que matar.
Coronel da polícia? Vai matar tão quieta da gente?
Tem que mostrar quem é quem manda, quem é que pode.
E você, professor?
Acha o quê de quê?
O direito que se devia era prender sem zumbaria.
A gente não tem cadeia. Tem outro despacho que dá esse não.
Vamos derrubar.
Mandar pro saco. E a arte tá acabada e acertada.
Só quero perguntar se Zé Bebelo topa nós dois.
Resolvemos só facar pra briga de duelo.
Precisa de mais discussão, não?
Aí já é sentença.
Depois a gente vê.
Sim, senhor.
Se é pra matar, vamos matar.
Mas antes, vamos dar julgamento, se merece morrer.
A toda hora eu estou em julgamento.
Pra que isso?
Doideira de todos.
Quem tem capacidade de pra podre, cê é bebê no julgamento. Perdeu a guerra. Tá
prisioneiro nosso.
Aqui!
Submetido diante, está só um inimigo vencido em combate, que agora vai
receber continuação de seu destino.
A palavra agora está com os principais, que vão referir a acusação aos crimes
que houver, todas as ações de Zé Bebelo, seus motivos e propor condena.
Eu, como de lei, deixo para dar minha opinião no fim e baixar a sentença.
Acusação! O que a gente acha é que se devia de amarrar esse cujo
feito um porco.
Ou então botar ele atravessado no chão. E nós tudo passava de carro, de moto,
por cima dele, pra ver se vida sobrava.
Pra não sobrar.
Eu sigo a razão de meu mano Hermógenes.
Esse Hermógenes precisa de muitas vinganças. A justiça é de Joca. Posso
dar uma resposta, chefe?
Acusação tem de ser em sensatas palavras.
Não é com afrontas de ofensas e insultos.
Homem não abusa homem.
Não alarga a voz.
Me agravou, chefe.
Mesmo estando assim vencido, meu direito é acabar com ele.
O julgamento segue, compadre.
Compadre Tito, que crimes indica nesse homem?
Crime? Crime não vejo.
Ele quis vir guerrear, veio.
Achou guerreiros, perdeu.
Mas brigou valente, mereceu.
Crime que sei é praticar estupro.
Roubar na comunidade, traição.
Não cumprir a palavra.
Falou bonito, tio.
Meu voto é com Manu Tito.
Cada com cada.
Crime não há.
Matar, não. É isso.
Vamos passear, vamos passear.
Que o preso agora tenha a ordem de falar corrida à sua defesa.
Sua licença, Padre Pooh.
Agradeço os que por mim bem falaram e os que puniram.
Vim guerrear de peito aberto.
Não vim com escondidos e loucos.
Agradeço esse sincero julgamento sem tremer de medo nenhum.
Nem agência de adulação.
Se a minha contêiner for as ásperas, com minha coragem me amparo. Agora, se
receber sentença salva, com minha coragem vos agradeço.
Perdão pedindo um peço.
O que eu acho? Que quem pede pra escapar com vida, merece a meia-vida em dobro de
morte.
Sem mais por dizer, agradeço vossa distinta sentença, chefe.
Chefes.
Tem aí no meio dos bichos soltos.
Tem algum que tenha necessidade da palavra para defesa ou acusação que
possa depor.
O senhor me dê licença. Que licença eu peço.
Zé Bebelo é um homem valente de bem.
Samango, a gente costuma matar!
Agora você quer mudar.
Tento e paz, mano.
Acusação e condena a gente deixa pro fim.
Demore, que logo vai vir.
A guerra foi grande.
Durou o tempo que durou, encheu o sertão.
Nela todo mundo vai falar, o país inteiro vai ver.
Pois então, hão de se dizer que aqui se vieram reunir os chefes todos.
com seus soldados valentes, montoeira completa, e sobre o governo de Jorge
Ramiro, só pra no fim, fim, se acabar com um homenzinho sozinho? Se condenar
de matar Zé Bebelo feito fosse um boi de corte, um fato desse é honra ou é
vergonha? É vergonha!
A verga fosse ele que vencesse! E nós não!
Onde é que numa hora dessa a gente estava?
Se a gente der sentença de absolvido, soltar esse Zé Bebelo a mãos vazias,
punido somente pela derrota que carrega, aí eu acho a fama grande.
É fama de glória.
Porque primeiro vencemos, depois soltamos.
Seja fama de glória. E todo mundo vai falar nisso por muitos anos. Mas vacilo,
mestre. Sinal de medo.
O julgamento é meu!
Sentença que dou vale para todas as comunidades.
A decisão você reconhece?
Reconheço.
Reconheço. Então fica determinado.
Você põe palavra de dar baixa da polícia e deixar esse estado por quanto tempo eu
for vivo?
Aceito.
Aceito com o empenho da minha palavra.
E minha palavra dando, minha palavra as mil vezes cumpro. Sendo assim, eu lhe
dou permissão de soltura.
Grande chefe. Então, honrado vou.
Devo o exército de San Ramiro!
Jogar a mim!
Jogar a mim!
Manos, meus manos guerreiros.
Hoje vencemos grande batalha, onde nenhum outro antes de nós estivesse.
Esse aí comeu o mesmo feijão, a mesma farinha que nós. Agora pensa que é Deus.
Glória ao vencedor.
Vida delícia já salvou pra mais de dez vezes.
Ganhou o quê?
É meu amigo. Me considera? É, teu padrão. Só faz o que quer.
Pronta a comida, desfrutar o amor, bom repouso e companheiragem.
Segue o...
A noite, depois de cada forte fogo, me dá uma desinquietação, uma coceira na
mente, aquele lugarzinho mortal.
Sopra da esquentação curtida nas horas de tiroteio.
Se já viu guerra, sabe. E se não sabe, como é que não vai saber? São coisas que
não cabem fazer ideia.
Medo da guerra que vira valentia.
Você, você, teve medo?
Nem deu pra ter.
É outra coisa, diferente.
Sempre que a gente começa a ter amor a alguém, o amor pega e cresce. É que de
algum jeito a gente quer que isso seja.
E vai na ideia querendo e ajudando.
Assim era o meu amor por Otacília.
Essa guerra não acaba nunca.
Eu já tô pegado no costume de viver assim.
Eu não.
Quero largar essa vida e ir embora daqui.
O sertão me produziu, depois me engoliu.
Depois me cuspiu do quente da boca.
Estou grávida, Riobaldo.
Não quero perder mais um filho.
É meu?
Você quer mesmo saber?
Não vai mudar sua decisão.
Meu amor pro Otacílio era verdadeiro, mas se dava num rameirão da vida.
Mas existe também amor que é um destino dado, dispensa de querer,
interiço fatal.
Amor desse cresce primeiro, brota é depois.
Esse era meu amor pro Diadorim.
Riobaldo, você ainda tá gostando dessa moça?
Não, Diadorim. Eu já estou desistindo dela.
Atravesse pelo meio da tristeza, amigo.
Você quer ter filhos?
Você quer?
Sem mais, não.
Reubaldo, escuta.
Amizade nossa.
Não quero acontecidas simples, no comum, sem calço.
Por isso, tem um segredo que eu...
Preciso lhe revelar.
Eu não me chamo de Adorin de verdade.
Esse é nome apelativo, inventado.
Razão de quê?
Necessidade minha.
Eu tenho os meus fados.
Guarda esse meu segredo como prova de nossa amizade.
Esse é o nome verdadeiro.
Ainda falta pra eu lhe falar.
Falta o quê?
Falta a gente adivinhar o que quer um do outro.
Te adorei.
Te adorei.
Eu sou homem, muito homem.
E homem por mulheres.
De um aceso de mim, eu sabia.
E o que compunha a minha opinião era que eu, às loucas, gostasse de Diadurin.
E, recesso do modo, a raiva incerta por não ser possível dele gostar como eu
queria, num honrado, no final.
Como se obedecer do amor não fosse sempre ao contrário.
Aquela fêmea provei e desgostei.
Aquela!
Gostei, mas só no trivial do momento.
Aquela ali, que é o teu prazer.
Quer falar com você?
Muita gente quer. Conhece ele, não?
Sei quem é. Melhor você vir. É que eu tô acompanhada. Vai mal não, problema dele,
vamos. É do bando também, uma loucura. Quem?
Oi, moço da barba feita.
Tá lembrando de mim, não, Riobaldo?
Eu não esqueço de nada. Esquecer pra mim é que nem perder dinheiro.
Jorinha. Ui, já sentei.
Você é casado?
Sou bicho solto.
Todo bicho solto é preso em alguém.
Chega aí. Eu estou acompanhando. Não dá mais.
Volta a moça, culpado.
Quer morrer. Calma aí.
Deixa, eu vou.
Eu vou. Posso morrer, mas a moça não vai. Ela vem e você morre.
O que é que foi e o que não foi?
Só mulher só, padrão.
A moça tá com quem?
Pudesse. Eu ficava com os dois.
Mas não posso dividir. Então melhor não ficar com nenhum.
É pra não atrapalhar o bem viver de vocês.
Vocês.
Gozar ao geral, mas com educação, sem as desordens.
Vamos divertir amigavelmente, sem os abusos com a população.
Só quer mandar, só.
Tem a gerência de tudo.
Eu não me vale tanto quanto o dele, compadre. Se é qual o mandado dos
outros, só depende de nós.
Ainda lembra de mim, Riovaldo?
Esquecer pra mim é igual perder dinheiro.
Acabou a festa?
Começando agora.
Senhorinha, uma amiga minha de correta amizade.
Com licença.
Você sabe do seu destino, Belon?
Quem é que sabe?
Tudo tinha vindo por cima de nós, feito um relâmpago em fato.
João Carremiro podia morrer.
Como podiam ter matado?
Para inimigo, você deu um passo em que rumo qualquer.
Lá em sua frente, você encontra o mal.
Esse Hermógenes eu já odiava de dantes, de sempre.
Mas que ódio é esse que não precisa de nenhuma razão? Era feito um nojo por si.
Eu já apressentia.
O Hermógenes fez o pacto. Provei.
O demônio? Montado mole nas costas do Hermógenes, indicando todo o rumo.
Contra ele a gente ia.
Contra o Demo. Se podia.
Joker tão bonito.
Tão bom ainda agora ele era.
Cães aqueles.
Atiraram pelas costas.
Vieram no veneno.
judiar, estragar o rasgável da alma da gente.
Quem mais tava junto dele?
Os bravos.
Eu abandonei meu posto de guarda.
Ia servir pra morrer só.
Não!
Morrer com ele ia ser melhor.
Melhor estar vivo.
Cobrar as muitas vinganças.
Diabo.
Cão!
Caracal! Destampado, demônio!
Ele já deve estar sentindo isso nas peles de dentro, no sombrio do corpo,
no arranhado dos órgãos, como um dia vai ser por meu conforme.
Doge em diante, noravante!
Sempre temo de si!
Ele, o Hermógenes,
Meu inimigo de morte.
Ele é quem tomava conta desse ser tão doce Mandando o ex ou demorando,
é o chefe cursado Muitos iguais não nascem assim Dono de
glórias, dono de glórias
Vim render palavras e homenagens a quem a vida há pouco me salvou de morte.
Em boa veio, coronel.
É o que todos representamos.
Joca Ramiro morreu como um decreto de uma lei nova.
Agora tudo principia terminado.
Só resta guerra.
Mão do homem, suas armas.
Joca Ramiro, faça a solene promessa de pôr cobro à sua vida.
Liquidando com justa vingança. Com esses bandidos! que desonram o nome da pátria
nacional. Pois é assim, coronel.
Por que é que não combinamos o nosso destino?
Juntos estamos, juntos vamos.
Amizade e combinação eu aceito, parceiro.
Já juntar, não.
Só abro o que muito mando.
Nasci assim.
Só sei ser chefe. Chefe de quem, se o senhor deixou a polícia? Meu próprio.
Soldado de si pra si.
Zé Bebelo sabe lutar.
Já provou.
Tanto conhece os bandidos quanto a polícia. Suas formas diversas de
guerrear.
E mostrou que é leal.
Votou pra vingar Joca Ramiro por obrigação própria. Seu próprio motor.
Votem, Zé Bebelo.
Põe votação.
Marimbondo, Jefferson, Domingão, da Guimba, José, Jusá, Tito, de todo poder,
todo mundo leal da... Esperamos suas ordens. Então tomo posse!
Está pronto em armas para ajudar a gente na vingança de rachar os traidores.
Combatemos o quanto mais pudermos.
Está aí.
Consoante começou no bairro alto, perto da pedreira. Os Judas fugiram para o
Morro do Cucuruto.
Demos fogo no Kutika, eles voaram para Caxangá.
Campinho, Estrelinha, linha do trem, tudo igual.
Estávamos pegando o ar.
Como eles conseguem escapulir das unhas da gente?
Eles avançam calados, escorregam.
Atravessam no meio de nós, sem a gente perceber.
Os Judas.
Peita pra ver, brota! Ninguém sobra pra ver nem a própria derrota!
Tito e Suzate, vigiem a porta!
Dia de vocês já tava cantado! Vai tudo morrer decapitado!
Jorge dessa banda, meio quilo do outro lado!
Geral vai se mudar pro inferno!
Mergulhar sem cabeça no fogo eterno! Fôlego e fé, camaradas! É só repuxar o
dedo dobrado! Vamos derrubar, passar, botar no saco, mandar todo mundo pro
buraco! Vou lhe contar um segredo!
Quem xinga é que está com medo.
Essa chora pede perdão. Se prepara, vocês vão ver a
morte com muitas caras.
Mataram o vado porca-sombra e maluco. Teodoro está matando. Mataram o MC.
Polícia, não falta?
Tem fogo forte no Largo dos Tucanos. Manda um batalhão pra cá. Vão achar os
dois lados enfraquecidos.
Aguardo suas instruções, capitão.
Fazendo minha sombra? O que foi?
Sebebelo chamou seus amigos da polícia. Gente com poder no exato, ouvido mente.
Deu localização, pediu ordem. Vem!
A polícia vai atacar Hermógenes primeiro.
Budiar ele igual cão caçante, fazendo nele muito estrago. Aí se foge.
Isso é difícil.
É mais pego. É nosso recurso. Se não, se outra que sauda que temos.
Pode ser. Na confiança da lei. Pode.
E também não pode. Aí morre todo mundo.
O senhor, chefe, o senhor é amigo dos soldados do governo.
Se o lelé é a audácia, é o carramiro.
Minha lei agora é a sorte dos homens valentes que eu estou comandando. É, mas
se o senhor se reengraçar com os soldados, o governo lhe premeia. O
senhor é da política, pois não é?
Escuta, Robaldo. Eu tenho você por amigo, vislumbrei sua boa marca.
Agora, se você está desconcordando da minha lealdade, se eu soubesse disso,
certo, olhe. A morte de homem é uma só.
Isso vai valer.
Tá bom.
Vamos acudir os rapazes.
Se Zé Bebelo guardava uma atenção honesta, por que não punha todo mundo
ciente do tramado?
Só uma decisão firme me transtornava. Na hora da polícia da UBAC, eu ia ficar
perto de Zé Bebelo. E se ele fizesse feição de trair?
Cumpria. Matava uma só vez.
Tu ainda aguenta brigar? O que posso?
Em nome de Deus, eu sou seu parceiro, meu guerreiro, o que posso? Então vai,
menino! Faz vingança!
Faz vingança!
Estão vindo, Rio Baldo! Estão vindo, Rio Baldo!
Bala!
Bala! Bala, bala, bala!
Isso é bala de polícia!
Estão vindo!
Chegando! Alcançando!
O tiroteio deles pegando os remotes de supetão!
Surpresa bruta de retaguarda! Nossa hora de fuga é já!
Só na escapula!
Vamos juntos, bora!
Você acha que Zebebelo chamou a polícia? É um modo de se escapar dali a gente a
salvos? Ou tava macumunado com o governo? Sem a vinda dos soldados, nós
não estávamos perdidos.
Estávamos? Zebebelo não foi quem chamou os soldados? Foi, mas pode ter desistido
de trair por causa da minha vingação.
Aqui. Tem tempo de olhar pra trás, não, Riobal.
Campo dos infernos.
Chefe, vamos correr até a saída. Ei, aqui não tem passagem pra gente viva.
Eu tô retaguarda.
Tá me deduzindo? O que o senhor quer com a polícia?
Se você perdeu a confiança em mim, me mate logo.
Professor, dessa vez eu vou botar fora de vez minha ocasião de ganhar galardão
na política.
Meu nome é José Rebelo Ado Antunes.
Quem não me conhece, pergunto por aí, pelo Coronel Zé Bebelo. Deu doidice
nesse.
Atiro bem qualquer quilate de arma.
Sempre certeira a pontaria.
Há muita cautela, Coronel.
As vés!
Medo! Ou cada parente de medo.
Aqui...
E tambor.
E cornetas. E metais.
Mas... Mas... A
gente tem que sair do sertão.
Mas só se sai do sertão.
Viva a lei.
Viva a lei.
Zé Bebelo foi prezado por todos, bandidos e polícia.
Mas não viveu pra ver nem colher.
Eu tive desconfiança da sua lealdade. Mas ele deu a vida, provou.
Tudo mais é porém. A morte não, a morte é.
Viadorinho, vamos embora daqui.
Nós dois juntos.
Eu não posso ter alegria nenhuma, nem a minha mera vida mesmo, enquanto aquele
monstro não for bem acabado. Os vivos também têm de viver por só si.
Vingança não é promessa a Deus. Eu prometi, foi pra mim.
Não posso falhar.
Eu juro que no dia em quando você tenha terminado de cumprir a vingança por Joca
Ramiro, eu largo tudo.
Não vai ter depois.
O mais certo é a gente morrer. Eu não posso fugir do caminho certo, estreito
de meu viver.
Você paga tão pouco por mim.
Não, Riobaldo. Aqui digo.
Por você é que minha coragem se faz. E você não diz?
É que a sua vingança vale mais do que a nossa amizade.
Hoje em dia eu nem sei o que sei.
Oi, moço da barba feita.
Oi, moça do pelo macio.
Vem assim sem avisar?
Vim pra me despedir de você.
Vai viajar?
Vou. Volte na volta.
Alimentar saudade pra quê?
É que não vai ter volta de onde eu vou.
Miorinha, pimenta branca, boca cheirosa, bafo de menino
pequeno, gosto bom ficado em meus olhos e minha boca.
Era bom.
Os olhos tão dela mesma.
O fio do lombo mexido em curvos desabusava.
Recebeu meu carinho no cintinho do pelo.
A alegria que foi.
Eu sei que você foi pra onde.
E a intimação? Agora ela sabe onde a gente tá.
Minhorinha, não vai delatar ninguém.
Não se pode arriscar a vida dos manos.
Aquela vai ter que morrer.
Isso daí é ciúme?
O Judas algum na faca, você não sabe? Pois fizerem, eu saio do meio de vocês
pra todo nunca.
Você já paga tão pouco pela morte de Joca Ramiro. Que ele fosse feito Cristo,
nosso senhor, o exato. A morte de um inocente já é pagar demais.
Que o baldo escuta.
Joca Ramiro era o meu pai.
Acalmou meu fôlego?
Me encerrou aquela surpresa?
Sentei em cima de nada.
Vontade minha foi declarada. Pois eu estou com você, mano.
Assente em todo o sistema e com a memória de Joca Ramiro. Mas foi o que eu
não disse.
Pois pra mim, e pra quem eu vi, Nhorinha fica sendo minha irmã.
Tem barulho não, mano.
Se acalme.
Sabe cozinhar?
Tem que aprender.
Pra agradar, porque a beleza passa, mas a fome não passa nunca.
Tá uma delícia. Eu boto um prato pra você.
Vou demorar, não.
E o Baldo gosta de comer?
Ele sabe cozinhar. Ele sabe que você nasceu mulher?
Quem lhe disse?
Precisa.
Eu disse que era mulher?
Não disse.
Você não sabe?
Sei sabendo.
O corpo sabe.
Se não entende, adivinha.
Sabe que eu até prefiro?
E você?
Meu nome verdadeiro é Deodorina.
Deodorina.
Deodorina nasceu naquela vez enquanto Joca voltou pro sertão.
Tito, Marimbondo, Damião, Jose, Pão de Lixo, Taguima.
Vamos repartir o bando.
Eu sigo com esses na antecedência.
Hermógenes comanda a segunda banda e dá retaguarda.
Certo, patrão.
Joca Ramiro.
Era um homem bonito, caprichado em tudo.
Primeira vez que você via?
Era. E não era.
Foi quase antes do muro ficar pronto que esse grande fato se deu.
O que foi?
O bonde de Joca está retomando o sertão. Vem.
Mas eu quero ver as vitórias de Joca. As alegrias dele.
Guerra não é brincadeira, não.
Depois do fim, ele vem?
Quem entende a travessia de vida dele? Se eu pudesse me encontrar com Joca, de
vez me alegrava.
Também me assustava. De tanto que eu gostasse dele.
E se ele não gostasse de mim?
Tiro de R15.
É a jovenina de Joca.
De tanto desafiar a morte, ela termina cobrando dele.
Joca não morre não, mãe.
Joca Ramiro era seu pai?
Só podia.
Mas ele queria.
Você cresceu.
Não vai me dar um abraço do seu pai?
Trouxe um presente.
Você devia parar de se vestir que nem menino. Qual seu nome? Você sabe. Qual
seu nome? Você sabe.
Deodorina, eu que escolhi. Mas agora eu me chamo de Adorim.
Você pode até se chamar, mas pra mim vai continuar sempre tendo o nome de
minha... Boa mira.
Me ensina a atirar. Você é uma criança.
Mas eu quero ir pra guerra quando crescer. Em guerra não cabe mulher.
Ninguém vai saber que eu sou o quê.
Se prendem você, fico à mercê.
Ninguém vai saber que você é meu pai. Mas eu sou.
E quero você estudando.
Olha, eu fiz que nem a sua.
A estrela de cinco pontas esbarra os manifícios. Eu vou pra guerra de todo
jeito. Melhor que seja com você.
Quando a gente tá num combate, arruma um jeito de mudar de lugar sempre que
puder. Quando apontar pra um alvo vivo, atire duas vezes.
A garantia que acertou.
É mirar bem.
E... E sentar o dedo. O resto é maior com Deus.
Você fica na escola até os 16.
Desde então, virei de Adorim. De Adorim só.
Você gosta de mim?
Gosto.
Se eu fosse mulher só, você ia gostar mais?
Coração mistura amores.
Tudo cabe.
Riobaldo sente culpas em Aberto.
Ele pediu pra você ir com ele.
E eu pedi pra ele esperar a guerra acabar.
Você vai contar pra Riobaldo que a gente se encontrou?
Vou.
A gente é feito de uma peça só.
Ah, você já paga tão pouco por jogar o Carramiro pra se deitar com uma X9?
Confio que ela vai andar pelo certo, que nem você falou. Primeiro você chegou pra
matar. Mudou de ideia depois. É hora da gente estar junto, meu mano.
O inimigo é o Hermógenos.
Você aí faça o que em seu querer esteja. Eu viro minha boa volta, não sigo mais
com vocês.
Kiobaldo, você pensa bem. Você jurou vingança.
Você é leal. Eu não posso concordar.
Me acendeu o bando todo em louca revolta por causa de sua vingança em Sega. Já
não basta os tantos que morremos.
E o Judas que matamos pra documento do fim de Jô Carmiro?
Vai sempre na gente todo o amor achável que um dia foi desprezado. Eu nunca
supri outro amor nenhum.
Ele vai voltar.
Eu não. Amanhã a gente invade o sertão.
Desista pra trás.
O resumo da minha vida desde menino é pra dar cabo definitivo do Hermógenes.
Essa é a metade de ódio.
E a outra?
A de amor.
Essa é você que vai cumprir.
Deixe de ciúme.
Amor é melhor.
Quero ser sua fiel. Você tem valia nenhuma.
Só quer ser dos tantos homens. Se não tem valia nenhuma, por que tantos e
tantos me querem?
Você gosta pra valer, lindeadorim.
Qualquer amor é um pouquinho de saúde.
Descanso na loucura.
O amor que Diadorin lhe tem é especial.
Eu gosto mais de você.
Você não pode deixar Diadorin. Ele sabe que eu quero ir.
E disse o quê?
Nem ligou.
Mentira sua.
Você é a única mulher que eu vi ele gostar.
Foi o próprio Diadorin que pediu para que eu fosse com você. Por quê?
Para lhe consolar.
Me assisti. Ele disse que pode morrer.
Saudade da amizade pontual dos dois. Eu gosto de você. Eu gosto de Adorin. Eu
atendi. E Adorin não pode morrer, hein, Aurinha?
O que se pode fazer?
Derrotar o Hermógenes.
Não. Ele tem o corpo fechado. Ele vai matar você.
Vai não.
A resolução final que tomei, consciência, era eu ir à meia-noite, dar
uma encruzilhada, chamar o maligno. Se o dito... O cujo toma espécie, se forma,
se fecha o trato. O pacto se diz.
Você sabe.
Se assina com sangue de pessoa.
Pagar é a alma. Muito mais depois.
A noite viesse rodeando.
Hora chegada. Eu ia.
Eu. Eu.
Eu.
Deus ou o Demo. Para o bandido Riobaldo.
Quem é que era o Demo?
O sempre sério. O pai da mentira.
Ele não tinha carnes de comida da terra. Não possuía sangue derramável.
Viesse.
Viesse.
Mas trato de iguais com iguais.
Primeiro eu era que dava a ordem. Vinha pra me obedecer.
Mas o que eu queria?
Acho que eu não queria mesmo nada.
de tanto que eu queria só tudo.
Uma coisa.
A coisa.
Esta coisa eu somente queria era ficar sendo.
Ao que primeiramente a pessoa vai, em meia-noite, a um ermo que tinha de ser,
melhor, um círculo de terra limpa, onde o pai do mal dança. Ah, já que eu estava
ali, eu queria, eu podia, eu ali ficava, a pé firmado.
Se eu fatiei pra me intestar com ele, eu mais forte do que ele, do que o
parvó dele, que vinha lamber o chão e aceitar minhas ordens, eu
muxoxava, exprimia pra ali, amassava, nós dois, e torna o piu de pé de vento,
e ro ro girar, muda fora, muda ocupar, funil de final, desses redemoinho!
Lúcio!
Satanás!
Existisse.
Viesse.
Nada.
Silêncio só.
Você sabe o que o silêncio é?
É a gente mesmo demais.
O Demi existe ou será um falso imaginado?
Vendi minha alma a algum? Vendi minha alma a quem não existe?
A quem vendi?
Mas eu supri que ele tinha me ouvido.
Ouviu, conforme a ciência da noite e o envio de espaços que medeia, como que
adquirisse minhas palavras todas.
Fechou o arroz do assunto.
O demônio não precisa de existir para haver.
A gente sabendo que ele não existe.
Aí mesmo é que ele toma conta de tudo.
Isso era um sinal?
Porque os prazos principiavam.
E o que eu fazia era que eu pensava sem querer. Pensar de novidades.
Tudo agora reluzia com clareza.
Ocupando minhas ideias.
Teadorin.
O inimigo é o Hermógenes.
Que sim, certo.
É contra ele que a gente vai.
Eu estou com você.
Assente em todo o sistema e com a memória de Jokamir.
Eu tô feliz, Jeobaldo.
Vamos dar um baque no sertão. Pegar o junto das traitores, a traição.
Lei a lei como a roupa, dente a dente. Chega quente, bater forte de frente.
Mudar a boa batalha em boa hora.
Subir pelo canudo da vitória. O sertão é a arma, nós o gatilho. Viva o exército
de Choca Ramiro.
Melhor adiar, chefe.
A polícia reforçou ainda mais a entrada.
A gente vai entrar no sertão, mas é por baixo do chão. Vamos!
Guiadorim, nós somos amigos de destino fiel.
Amigos. Pois eu morro e vivo sendo amigo seu.
Eu quero morrer pensando em você, Diadurin. Reubaldo, o cumprir de nossa
vingança vem perto.
Daí, quando tudo estiver repago e refeito, eu vou contar a você meu nome
verdadeiro. Tudo que você disser pra mim vira sete vezes.
Tudo ajudou a gente.
O caminho mesmo se economizava.
Assim achado, tudo e o mais, sem sobranço nem desgosto.
Eu girava leve e assoprado.
Mas daí tive um pensamento.
O bem, você sabe? Que ele tanto me ajudasse, que quanto de mim ia tirar
cobro? Deixe. No fim, é a jeito que eu disse comigo.
Triste engano.
Lembrei que a bula do demônio é essa. Aos poucos você vai crescendo e se
esquecendo. No pinga-fogo tem uns órfãos meus lá.
Tive que matar o pai deles.
Comando para o principal.
Comando para o principal.
Principal, manda o caô.
Tá vindo pra dar um baque no sertão. De que jeito?
Rastejando pelo metrô. Vamos esperar.
Eles aí.
Alerta geral.
Inimigo brotando na Cidade Alta.
Inimigo brotando na Cidade Alta.
Chegou a hora dessa vingança de desporto.
Ah, vamos, meus manos.
Hoje se faz o que não se faz.
Toma cuidado, Riobaldo. Te arma bem, mano, meu mano.
O que eu senti não foi receio, nem estupor, nem arrocho.
Medo mais nenhum algum.
O que eu senti foi nada.
Coisa nenhuma.
Coisa nenhuma em branco ao redor da minha movimentação.
Só minha coragem regulada somente pra diante.
Agora viesse, corra e me achavam.
Me achavam, ah, bastantemente.
Tiros vinham, balas, teve três, e o trapote das nossas telhas despentando.
As balas que rachavam obreiras das janelas, estraçalhavam, esfarelavam,
zasqueia. Tiros, gritos, é, baque, puleu, urros nos tiros, e coisas
repetáveis.
Bater, papuca, lascar, estralar, drovejar, bruxa. A guerra agora tinha
ficado enorme.
O
mundo
é nosso, mas é demorado.
Obrigado.
Largo não!
Adurin tinha morrido mil vezes, mente, para
sempre de mim.
Como é que eu vou contar o que você sentiu em meu estado?
Você sobrenasceu lá?
Você conheceu de Adurin? Você?
Você mesmo? Você pode imaginar de se ver um corpo claro, morto, a mão baleado,
tinto, todo de seu sangue?
e os lábios da boca descorados no branquiço e os olhos de um terminado
estilo meio aberto, meio fechado.
Você pode conceber de alguém auroriar de todo amor e morrer como só
pra um.
E essa pessoa de quem você gostou, que era um destino, uma surda esperança em
sua vida, você...
Me dê um silêncio.
Eu vou contar.
Demo me protegeu e tirou corpo de Diadurin.
Diadurin sempre que decidiu seu próprio destino.
Desde menino.
Desde menina.
Está em si.
A dor não pôde mais do que a surpresa.
Ela era tal que assim se desencantava num encanto tão
terrível. Como é que eu não tive um pressentimento?
Por que ele nunca me falou nada?
Falou o quê?
A flor do amor tem muitos nomes.
Escolher pra quê?
Jadorim? Era Jadorim.
E só.
Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo.
Estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável.
Eu não sabia por que não me chamar.
E exclamei-me doendo. Meu amor.
A flor do amor tem esse nome só.
Diadorim.
Aqui, a minha história acabou.
Aqui, a minha história acabada.
Aqui... A minha história acaba.
Amável, você me ouviu? A minha história registrou? Agora peço que me declare a
puridade.
O diabo existe?
Você acredita na pessoa dele?
Acha que a minha alma eu vendi, pactário?
Acredita, acha fio de verdade nesse palavrório de contemo se trata pacto?
Um falso receio. Todos desfalam o nome dele.
Dizem só o que diga. No nada.
Doideira.
A fantasiação.
O diabo não existe.
Ele vige dentro do homem.
Ou é o homem arruinado. Ou é o homem dos avessos.
O diabo não existe real.
O que existe...
É um homem humano.
E aí
Jaca Rami!
Jaca Rami!
Jaca Rami!
Jaca Rami!
Jaca Rami!
Jaca Rami!
Se entra em combate.
A guerra acaba, vira paz.
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