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Sério, como é que elas se embolam dentro da caixa?
Será que a transportadora sacudiu tudo como um globo de neve?
Obrigada, fofinho.
Bate aqui! Obrigada.
Luzes. Vamos escrever "luzes".
Luzes. Aqui, está vendo? Luzes.
Bom dia! Não acho um par das minhas meias de trabalho.
O que você está fazendo?
Bom, talvez eu tenha começado a tirar
os enfeites de Natal das caixas. Quer dizer, comecei, sim.
- Começou mesmo. - Não se preocupe.
- Já resolvi isso. - O que é?
Um presente de Natal adiantado
para o seu primeiro dia oficial como chefe da cirurgia cardíaca.
Eu mesma criei o desenho e mandei fazer.
Não acredito! Esses corações!
São perfeitas! Você é incrível.
Amei as meias e amo você. Obrigado.
Ei, que horas você volta?
Precisamos comprar uma árvore de Natal.
Não sei. Mas calma aí, apressadinha.
Ainda faltam três semanas pro Natal. Dá tempo de comprar uma árvore,
- decorar... - Eu sei. Só quero que este lugar
- tenha cara de lar. - Quer saber?
Este apartamento podia estar vazio que eu me sentiria em casa.
Sabe por quê? Porque você está aqui, o Cooper também,
e minha família mora logo ali na esquina.
E sua mãe? Teve notícias dela?
Ainda está naquele cruzeiro com o quarto marido,
ou melhor, o segundo Steve.
Achei que fossem três Steves.
Ela não conta o careca.
Que maldade! Tá bom, te amo.
Ei, escuta...
Quer que eu te acompanhe até o hospital?
Podíamos tomar um café no caminho,
como fazíamos na época da sua residência.
Eu adoraria, de verdade, mas hoje não dá.
Preciso chegar cedo pra uma reunião com a diretoria.
Claro, tudo bem. Então vou ficar aqui
desfazendo as malas
e, com sorte, achar suas meias.
Ei, Erin, eu sei.
Você ficou chateada por termos saído de Boston
antes do baile beneficente deste ano.
Mas deixamos tudo em boas mãos...
Em ótimas mãos. Só que...
não são as minhas.
Pois é.
Um abraço de vinte segundos?
Ah...
Pronto.
Sabe de uma coisa? Você podia participar
do baile beneficente que vão fazer aqui.
Já marquei uma reunião pra hoje à tarde
com a responsável pela fundação.
- É mesmo? - Vivienne Vandershall.
- Nossa! - Aliás,
se eu tivesse esse nome, colocaria minhas iniciais em tudo.
Dois Vs! Ela vai adorar
ter alguém com a sua experiência.
- Obrigado pelas meias! - De nada!
Te amo!
É impressionante
o que sua fundação conseguiu fazer em Boston.
Obrigada.
Arrecadamos dinheiro suficiente
para custear 62 cirurgias cardíacas gratuitas
só no ano passado. Recebemos famílias
do país inteiro.
Adoraríamos fazer o mesmo aqui no Bowman.
O doutor Connolly não contou?
Já temos uma organização sem fins lucrativos para custear cirurgias.
A Fundação Lodington.
Eu sou a diretora.
Que ótimo! O Adam esqueceu de comentar.
Mas conheço muito bem
tudo o que envolve organizar esse trabalho.
O acolhimento das famílias, o contato com os doadores,
a organização dos eventos.
Na verdade, fui eu quem coordenou
nosso maior evento beneficente do ano passado:
o baile da véspera de Natal.
Ah! Nós também fazemos um baile de Natal.
Este será o décimo ano.
Você e o doutor Connolly estão convidados, claro.
Muito obrigada!
Mas eu gostaria de participar
de outras formas, não só como convidada.
Quanta gentileza sua,
mas não sei bem em que mais precisaríamos de ajuda.
Ainda mais faltando só três semanas!
Pra ser sincera,
minha maior preocupação agora é escolher o vestido!
Eu costumava ajudar algumas das nossas doadoras
a escolher vestidos para os eventos.
Posso ajudar você também, se quiser.
Obrigada, mas minha consultora de estilo
me mataria se eu procurasse outra pessoa.
Mas, já que você gosta de moda,
acabei de pensar numa coisa que poderia fazer
na noite do baile.
Topo! O que é?
Ainda precisamos de alguém no guarda-volumes.
Olha, é uma função importantíssima, viu?
Ano passado, alguém levou embora um casaco Max Mara
que não era seu. E aí...
Já pode imaginar a confusão!
Não precisa dizer mais nada. Guarda-volumes, então.
Maravilha.
Bom, agora preciso correr,
mas foi um prazer finalmente conhecer você.
A gente se vê em breve.
Tchau, obrigada.
Olha, desculpa. Os lugares que vendem árvores
sempre fecham antes de eu sair do trabalho. Impressionante.
Podíamos passar na vendinha
e comprar uma pequenininha. - Não! Da última vez
que compramos uma pequena, o Cooper tentou carregá-la
como se fosse um graveto gigante!
Ele ficou uma graça!
Achei que agora você teria mais controle
sobre seus horários, já que virou o chefão.
Eu também. Mas acho que nós dois
já devíamos saber que, quando se trata de cirurgia,
ter horário fixo é praticamente impossível.
Eu sei, você tem razão. É que parecia diferente
- quando eu também vivia ocupada. - Eu sei.
Você fez tanta coisa pra chegarmos até aqui.
Abriu mão de tanta coisa. O que você quer fazer?
O que eu fazia antes de a gente se mudar.
Tá, mas isso não dá. Pelo menos, ainda não.
Sabe o que você podia tentar?
Não vem me mandar arrumar um passatempo.
Não ia sugerir bordado, nem nada do tipo.
É que... olha...
Eu quero que você aproveite este momento.
Era pra ser a realização de um sonho.
É, só que parece que o sonho é seu.
Ei! A cafeteria ainda está aqui. Vamos entrar.
Tá bom. Vai querer o de sempre?
Oi! O que vão querer?
Espera, você ainda lembra?
Claro que lembro.
Ah!
Chocolate amargo com pimenta-caiena e grãos de café triturados,
um fio de caramelo salgado
e dois marshmallows enormes à parte.
- Nossa! - Pois é.
Aqui está.
Uau!
- Ah! - Aí está!
- Meu pagamento. - Exatamente.
Foi aqui que tudo começou, há 25 anos.
- É verdade. - Neste exato lugar.
- Eu estava aqui... - Bem aí.
E um desconhecido chegou,
tocou no meu ombro e perguntou: "Você confia em mim?"
E ele respondeu...
"Mas eu nem conheço você."
Aí eu disse: "Meu nome é Erin."
- E o resto é história. - Pois é.
- E aqui estamos. - É.
A gente chama isso de Frankenchocolate.
Isso mesmo, Frankenchocolate.
Então... você lembra qual é o meu?
Lembro, sim.
Ah, claro. Então, pra ela vai ser...
A moça vai querer...
Não, não, não...
Não me ajude. Eu sei, é...
- Acho que leva caramelo... - Não, é...
Tudo bem, eu te ajudo.
- Tá. - Bom...
- Chocolate ao leite. - Isso...
Né? E marshmallow tostado.
- Isso. - Pedacinhos de hortelã.
- Certo. - E um pau de canela.
- Canela em pau. - Exatamente.
Então, pra moça vai ser... tudo isso que ela disse.
Claro.
Tomara que eu consiga desempacotar tudo antes do Natal.
É, sem pressa.
Desde que tenha espaço pra receber todo mundo
amanhã à noite.
- O quê? - Pro encontro de boas-vindas.
Que encontro?
Ué... Espera.
Meu pai e a família querem organizar
uns drinques pra comemorar nossa mudança.
Está no grupo da família.
Ué, eu não te coloquei no grupo?
- Não. - Nossa, esqueci. Foi mal.
Vou te adicionar agora.
Prontinho.
- Ah. - Chegaram as mensagens.
Ah, tá.
Olha seu pai!
Ele ainda termina as mensagens com "Com amor, papai".
- Que fofo. - Muito fofo.
- Tudo bem pra você? - Claro!
Ótimo. Preciso tirar este terno.
- Oi! - Oi!
Não acredito que pegou o primeiro trem
- de Boston pra cá! - Claro!
Faço qualquer coisa pela minha melhor amiga!
- Minha "BFF". - Ah.
Achei que a gente fosse dizer "bê-fê-fê".
Ai, amiga, não. Vamos concordar em discordar.
Desculpa, só estou confirmando um compromisso.
Ah, entendi! Você já vinha pra cá, não vinha?
Tá, vinha! Mas teria vindo só pra te ver também.
Por isso você está na minha lista das melhores pessoas.
E se você não tivesse arriscado
e me contratado pra fazer o bufê daquele baile do hospital,
há tantos anos, eu provavelmente ainda estaria
cozinhando pra um serviço de entregas.
Depois que você começou a preparar jantares de sete pratos
no nosso dormitório, usando uma chapa e macarrão instantâneo,
eu sabia que você ia longe.
E como vai o nosso baile?
Ou melhor, o baile que era nosso?
- Está indo muito bem. - Sei...
Eu sei que é difícil, mas tenha orgulho
do que você construiu, Erin.
Continua dando frutos mesmo sem você. É o seu legado.
É, eu sei.
Sabe que vi uma feirinha de Natal muito bonitinha
no caminho pra cá?
Que tal passear, beber alguma coisa e fazer compras?
Adoro a ideia!
Ah, que graça!
Viu? Nem precisamos comprar presentes em outro lugar.
- Aqui tem tudo! - Tudo tão lindo!
Ah!
Ei, você ainda precisa de vestido pro baile de Natal?
Por que a pergunta?
Porque, se depender de você,
vai acabar indo de uniforme de chef.
Mas seria um uniforme de chiffon!
Tá bom, engraçadinha.
Vamos ver... Ah, olha só!
Essa cor é linda!
Ia ficar maravilhosa em você.
Você acha?
Quem estou querendo enganar? Você sempre acerta nessas coisas.
E você, vai usar o quê no baile do Bowman?
Um crachá.
Hum.
É uma peça especial, não é? É única.
Meu marido é cirurgião cardíaco.
Ele ia adorar.
Ah, mas está um pouco acima do que posso pagar.
Quando o assunto é coração, não dá pra pôr preço.
É linda.
Esse vestido é da Margot Braymire!
Você tem bom olho.
Estudei o trabalho dela na faculdade.
Ah, você trabalha com moda?
Não, acabei seguindo outro caminho.
Mas os trabalhos dela são tão lindos, tão cheios de detalhes!
Eu sonhava em ser como ela.
- Olha! Acho que amei! - Uau!
Não achei que fosse ficar bem em mim,
mas acho que o Kevin vai desmaiar quando me vir assim.
E tudo bem, porque vamos estar
- cercados de médicos. - É mesmo!
Viu? Só dá pra saber experimentando.
Acho que outra pessoa também devia seguir esse conselho.
Como assim?
Erin, tem gente que daria tudo pela chance
de se mudar e começar uma vida nova!
E você está sendo obrigada a recomeçar.
Agora que sua vida não gira em torno do trabalho do Adam,
pode tentar algo diferente.
Ou voltar a fazer algo de que gostava
antes de conhecer o Adam.
Ah, agora é tarde demais pra isso.
Nunca é tarde demais.
- Mas pra mim está ficando tarde. Cadê meu casaco? - Está frio mesmo.
Eu queria tanto deixar tudo arrumado
antes de receber visitas!
E desde quando dá pra segurar esse furacão de família?
Piuí, piuí!
Tá bom.
Nossa, ficou incrível!
- Onde coloco? - Ali, por favor.
- Oi! - Oi, tia Erin!
Meu Deus, você cresceu desde o Dia de Ação de Graças?
Sou adolescente. Crescer faz parte.
Maya, menos atitude, por favor.
- Tia Erin, fui grossa? - Só um pouquinho atrevida.
O Isaac mandou lembranças. Ainda está trabalhando na Coreia.
- Mande um abraço pra ele. - E aí, gostou?
Bela árvore, não é?
Ainda consegui que dessem uma guirlanda de graça.
- Que ótimo! - Bill, está perfeita. Obrigada.
Só queremos que vocês se sintam em casa
pra nunca mais pensarem em ir embora.
- Ah! - Nunca mais mesmo.
Pode ficar tranquilo, pai. Não vamos a lugar nenhum.
Ótimo. [Ruído elétrico]
Isso é...
Quer saber? Um instante.
O zelador já tinha me avisado.
Desculpem não ter preparado nada pra vocês.
Ainda não arrumei a cozinha.
Que nada! Assim podemos experimentar
todos os restaurantes chineses do bairro.
Já é um começo.
Ah, essa aqui!
Foi no primeiro ano da residência médica.
Nossa, quanta neve!
Neve demais!
Ah! Essa foi em Viena.
Bom, eu estive em Viena.
Você só conheceu o hotel Marriott.
É verdade.
Mas valeu a pena, né? Olha só onde você chegou.
Valeu cada segundo.
O Rico e a Evelyn deram mais uma caneca de Papai Noel pra gente.
Cada Natal que a família Garcia passa com o Rico é graças a ele.
Não, é graças à Erin também.
Foi ela quem trouxe a família até mim.
Sabe o que a gente devia fazer?
Passar na feira de Natal e visitar a barraca deles.
Boa ideia.
Erin, o Adam contou que você está
ajudando no hospital Bowman.
É... Estou tentando.
Vou pegar mais uns biscoitos.
Acho que vou levar o Cooper pra passear.
Ótimo, obrigado, pai.
Erin...
Ele só está aqui graças a você.
Você sabe disso, não sabe?
É que não acho que vou conseguir fazer a diferença aqui.
Você vai encontrar seu lugar.
Como sempre encontrou.
Tia Erin, tem um suéter pra me emprestar?
Estou congelando!
Tenho, sim. Vem comigo.
Vamos ver o que encontro por aqui.
- Experimenta este. - Nossa!
Vai ficar lindo em você!
Tenho uma blusa perfeita pra usar com ele.
Combina com tudo.
Até com um vestido preto bem bonito.
Nossa, fazia séculos que eu não via isso!
- Quanta lantejoula! - Muita mesmo!
Esse ficaria uma graça.
Dourado... Nossa, bolinhas!
Meu Deus!
O que é isso?
Nossa, não vejo esses desenhos há anos.
São incríveis!
Foi você que desenhou?
Fui, há muito tempo.
Mas nem estão mais na moda.
A moda sempre volta.
Posso pegar alguns emprestados pra amanhã?
Vou encontrar uns amigos em Chelsea e queria...
Espera aí.
Sua mãe não disse que você ia estudar
pro vestibular neste fim de semana?
Ah, pra quê?
Nem sei se quero fazer faculdade mesmo.
Maya...
Maya.
Eu sei que você acha que já decidiu
seu futuro, mas pode mudar de ideia.
Não feche portas antes da hora.
Vamos combinar uma coisa.
Pode pegar emprestado o que quiser
depois que fizer a prova.
Tá bom.
Mas só porque essas roupas são incríveis, viu?
Tchau, mãe.
Obrigada por isso.
Ela precisava ouvir esse conselho
de alguém que não fosse a mãe.
Sempre que precisar, Nat. De verdade.
Vamos voltar pra junto do pessoal.
Vamos.
Sua família está tão feliz por ter você
morando perto de novo.
Na verdade, acho que estão felizes mesmo
é por ter você por perto.
E o Cooper, claro.
A mim, eles só toleram.
Pelo menos no hospital você tem uma legião de fãs.
Eu tenho fãs?
Tem, sim.
Quando saí da minha reunião outro dia,
tinha uma multidão em volta de você, feito paparazzi.
Ah...
Tenho muito orgulho de você.
E espero conseguir fazer a diferença nesta cidade também.
Você vai conseguir.
Claro que vai.
Amor, assim como em Boston.
Só vai levar um tempinho.
Sabe?
O pessoal daqui vai gostar tanto de você
quanto eu e o Cooper gostamos.
Cooper...
Esqueci de comprar a ração dele pra amanhã.
Não, tudo bem.
Eu vou buscar.
- Sério? - Sério.
Você trabalhou tanto. Descansa um pouco.
Relaxa.
Obrigada, querida.
O que você quer ganhar de Natal?
Ah... Eu... Não preciso de nada.
Não foi isso que perguntei.
Acho que...
Às vezes me pergunto como seria minha vida
se eu tivesse escolhido outro caminho.
Feliz Natal.
Uau!
Nossa!
Isso é incrível!
Nossa... Sem nenhum fio de cabelo.
Impressionante!
Olha só quantos sapatos!
Meu Deus!
Olha isso...
É o meu nome.
Meu nome de novo.
Uau!
Sou muito boa nisso!
Por que está com meu nome de solteira?
Normalmente, essa é a parte do sonho
em que me atraso pra prova final de história
e não consigo encontrar a sala.
Aí está.
Sabia que era bom demais pra ser verdade.
Bom, então...
Hora de voltar à realidade.
Ah...
Que sonho!
Ah!
Adam?
Cooper, vem cá, garoto!
Bom, pelo visto o sonho continua.
Tomara que eu não esteja em coma.
Ah, café!
Agora tenho certeza de que estou sonhando, se você está fazendo... café.
Adam?
Hum!
Nem sabia que dava pra sentir gosto nos sonhos.
Interessante.
O que será que tem pra comer?
Nossa, quantos tons de verde!
Ah, quem me dera...
Não.
Não pode ser.
Você ainda não se vestiu?
O carro chega em dez minutos.
Está passando mal?
Desculpa, quem é você?
Então está passando mal mesmo.
Bebeu demais ontem no Casa Cipriani?
Nossa, consegui entrar lá?
- Senhora Shaw? - Erin.
- Não. - Como assim?
Assistentes não chamam a chefe pelo primeiro nome.
Ah, então você é minha assistente, Zoe.
Caiu no banheiro?
Eu sabia que aquele piso de mármore era perigoso.
Faz de conta que eu caí e não lembro de nada.
Quer que eu...?
Isso. Quem sou eu?
Erin Shaw.
E sou estilista?
Você é a estilista!
Tá, onde está o Adam?
- Desculpa, quem? - Meu marido.
Você não é casada.
O quê?
Ligue pro Adam.
Não encontrei nenhum Adam nos seus contatos.
Pra quem você quer ligar?
Adam Connolly.
Não encontrei Adam Connolly nos seus contatos.
Pra quem você quer ligar?
Cadê meu cachorro?
- Como assim? - O Cooper, meu cachorro!
Você não tem cachorro.
Você até evita entrar no elevador
quando tem alguém com cachorro.
Mas por que eu faria isso?
Porque um cachorro te mordeu quando você era criança.
É verdade. Como você sabe?
Está no seu perfil.
Mas escute, senhorita Shaw.
Temos um dia cheio pela frente. Vamos arrumar você
e depois dar uma passadinha no hospital.
Ou talvez eu já esteja no hospital
e nada disso seja real.
Hã?
"Abri mão de muita coisa para chegar aqui. Não me arrependo de nada."
É mesmo?
Me dê dez minutos.
O Carl tem uma dúvida sobre seu vestido para o baile.
Então ainda tem baile.
Claro. Por que não teria?
O quê?
Não acredito!
O Carl ainda acha que o decote está muito carregado.
O que você acha?
Você nunca pediu minha opinião.
Pois estou pedindo agora.
Está mesmo carregado.
E se mudarmos o ângulo da costura do corpete?
É, pode funcionar.
Então diga ao Carl para fazer isso.
E obrigada pela sugestão.
Obrigada.
- Bom, vou até... - Sua sala?
Isso. Exatamente.
Obrigada.
Nossa!
Erin Shaw.
Estilista do ano?
Ah! Ah!
O Adam vai adorar ver isso.
Se eu conseguir encontrá-lo.
Ele está solteiro?
Eu estou solteira?
Ah, esqueci de avisar:
ligaram do escritório da Margot Braymire sobre o jantar.
Eu tenho um jantar com a Margot Braymire?
Não. Ela cancelou de novo.
Acho que ainda está irritada com aquela história da Semana de Moda.
Por quê? Eu fiz alguma coisa errada?
Bom, você fez o que precisava
para conseguir encerrar o desfile, não foi?
Como você sempre diz,
não estamos aqui para fazer amigos, certo?
Certo.
Tá bom.
Quem eu sou, afinal?
Zoe.
Zoe!
O que aconteceu com este lugar?
Quase não tem enfeites de Natal.
Você disse que atrapalhavam o trabalho.
Com licença, pessoal! Atenção, por favor.
Amanhã, tragam muitos enfeites de Natal!
Obrigada.
Isso é algum tipo de teste?
Não.
É Natal!
Tá bom...
Volta aqui, Cooper!
Cooper!
Cooper, fica!
Meu Deus! Espera, o que você está fazendo aqui?
Ei! Desculpa! Obrigada. Desculpa mesmo.
- Adam! Meu Deus! - Opa!
Estou tão feliz de ver você!
Você não faz ideia de como está minha vida aqui!
E a sua? Não é uma loucura?
Desculpa... A gente se conhece?
- Muito engraçado! Continua me abraçando. - Tá bom.
Vou pegar meu cachorro e ir embora, tá?
Me desculpa!
Desculpa mesmo. Confundi você com outra pessoa.
- Deu pra perceber. - Você deve estar me achando maluca.
Maluca? Não, quer dizer...
Espera um pouco.
A gente já se conheceu?
Seu rosto me parece tão familiar...
É você, não é?
Erin Shaw, a estilista famosa!
Sou eu. Engraçado,
não imaginei que você lesse revistas de moda.
Não leio! Quer dizer... Minha sobrinha,
a Maya, adora essas coisas.
A gente quase não se vê,
e ela está crescendo e... Bom, informação demais.
Enfim, sou Adam Connolly.
Sim, eu sei.
Como é que...?
Ah, já sei! Você leu
a matéria dos 20 solteiros mais cobiçados de Manhattan?
Não tive nada a ver com isso. Fiquei tão surpreso quanto todo mundo.
Solteiro cobiçado? Em que posição você ficou?
- Só por curiosidade. - Ah, não sei... Sétimo.
Isso é bom ou ruim? Preferia estar mais acima?
Ou mais abaixo? Como funciona?
- Moro aqui. - Ah!
- É, bem aqui. - Que chique!
Nunca imaginei morar num prédio desses.
Por que não? Você é a Erin Shaw, estilista famosa!
Merece tudo isso, não acha?
Não ia querer morar num apartamento de um quarto
com um armário minúsculo, né?
Eu moro aqui.
- Sério? - É.
Ai, que bom que você ainda mora perto da família!
Tá bom, tá bom. Você leu mesmo a matéria.
Me pegou. Li, sim.
Enfim...
Olha, se algum dia precisar
de alguém para cuidar do Boop, eu posso ficar com ele.
Espera... Você disse "Boop"?
Eu disse?
Disse. Você o chamou de Boop.
É assim que eu chamo ele.
Doutor Adam Connolly. Desculpe.
Cirurgia de emergência? Sim, já estou indo.
Tenho que ir. Me desculpa.
- Então... - É, claro.
Foi um prazer. Quem sabe a gente se vê por aí.
Até qualquer hora, aqui pelo bairro.
- É. - Tá bom.
- Obrigado pelo abraço. - Imagina.
- Certo. - É.
Cooper!
Espera aí.
Se o Adam está aqui, a Kelly também deve estar.
Kelly, preciso muito falar com você! Cadê você?
Ah... É...
Kelly! Ah!
- Ah, então vamos nos abraçar! - Que bom que você está aqui!
Nossa, você deve estar morrendo de fome.
É, desculpa. Estou faminta!
E então, como você está?
Tudo bem. E você?
Também.
Tem certeza de que está bem?
Desculpa, mas o que está acontecendo aqui?
A gente dividiu quarto na faculdade, não foi? No primeiro ano?
É, por uns dois segundos,
até você se mudar para um apartamento
com um monte de estudantes de moda.
Você nunca mais tocou no assunto.
Achei que nem se lembrasse de mim.
- Desculpa, só me dei conta agora. - Tanto faz, não importa.
Olha, se está tudo bem,
preciso continuar minhas entregas.
Claro, pode ir.
Tomara que meu bûche de Noël esteja aí.
Você nunca pede sobremesa.
E eu nem sou a chef:
só preparo os pratos criados pelo chef que é dono do negócio.
Espera, o restaurante nem é seu?
E por acaso é da sua conta, garota?
Agora sim, essa é a Kelly que eu conheço!
Ufa!
Da próxima vez, trago um bûche de Noël.
Cabelo e maquiagem chegam em dez minutos.
Pra quê?
Pra festa de Natal da revista Dazzle.
Está na sua agenda há semanas.
Ah, claro.
O que eu vou vestir?
Você sempre usa uma peça
da coleção de festas do ano seguinte, então...
É verdade, sempre uso.
E onde eu encontro essa coleção?
Aqui.
Eu que fiz tudo isso?
Sou muito boa nisso, não sou?
Você é a melhor.
Ah! Senhorita Shaw!
- Ah! - Senhorita Shaw, aqui!
Tá bom, obrigada.
Obrigada.
O Post quer cinco minutos, a Harper's quer dez.
A Woman's World quer um comentário
sobre a polêmica da vitrine da Bergdorf.
Que polêmica?
Isso, perfeito! Nem dê importância.
Aquela é a Gwyneth...?
É! Você mesma a convidou!
Convidei? Ah!
Kelly!
Oi! Já vamos trazer seus aperitivos especiais
sem glúten. Só um instante.
Eu não como glúten?
Você tem aquela sopa cremosa de castanhas?
Como sabe dessa receita?
Nunca preparei pra você.
É uma receita só minha.
Ah, ouvi falar dela.
Onde?
Na internet?
Sei...
Vou preparar um pouco pra feira de Natal.
Vou ter uma barraca lá neste fim de semana.
- Posso separar uma porção pra você. - Adorei!
- Preciso voltar ao trabalho. - Claro.
Oi! Oi! Preciso de só dois minutinhos seus.
Temos que fechar
aqueles modelos de que estávamos falando.
Erin! Ah!
Vivienne Vandershall, responsável pelo baile de Natal.
Pelo visto, nem tudo mudou.
- Certo. - Ah, Vivienne!
Você está deslumbrante hoje, Erin. Maravilhosa!
Obrigada!
Como estão os preparativos do baile?
Estamos recebendo as confirmações
de alguns doadores que vieram hoje, mas tenho certeza
de que vamos arrecadar tanto quanto nos outros anos.
Posso ajudar em alguma coisa?
Além de ser o motivo
de tanta gente aparecer por lá?
- Ah, imagina! - Ora!
Que gentileza sua dizer isso.
Todo mundo está ansioso pra ver
o que você vai vestir seguindo o tema.
Mas o tema não é Natal?
Ah!
Depois a gente se fala.
O tema é "E se...?".
- Como você soube que eu tinha esquecido? - Chutei.
Ah, senhorita Braymire! Aqui!
Margot Braymire.
Erin.
Margot.
Achei que só fosse te ver no baile de Natal.
Ah, então você vai mesmo a um evento comigo?
Por que eu perderia o evento de moda
mais importante do ano?
Mas o baile não é só sobre moda, não é?
Claro que não. É uma disputa pra ver quem se destaca.
Imagino que vá usar uma criação sua, como sempre.
- Acho que sim. - Eu também.
Que vença o melhor vestido.
Nossa, ela realmente não gosta de mim.
Você mesma me disse que, se ficar preocupada
com quem gosta de você, está na profissão errada.
Eu disse isso?
Aquele é o doutor Adam Connolly, chefe da cirurgia cardíaca
do Hospital Bowman.
Não vem atrás de mim.
Oi, vizinha.
- Oi. - Oi.
- Oi. - Oi.
Você está linda.
Obrigada.
- Fui eu que fiz. - Imaginei. Eu, é...
comprei o meu.
- Impressionante. - Muito obrigado.
- O que vão beber? - Um Santa's Sipper.
- Ei, Jack. - Diga.
Dois, por favor. No meu, troca
o bourbon por tequila e põe açúcar de bordo na borda?
- Obrigada. - Credo!
Que "credo" o quê? É uma delícia.
Você vai ver. Eu chamo de Franken-coquetel.
- Hum! - Que foi?
Qual é a graça?
Nada. Experimente fazer isso com chocolate quente.
E o Cooper, como está?
O Cooper vive tentando entrar no seu prédio.
- Sério? - Aham. Uma graça.
Doutor Connolly?
Não sabia que o senhor e a senhorita Shaw se conheciam.
Ah, sim. A gente se conhece há muito tempo.
Que maravilha!
Então quer dizer que o senhor vai ao baile de Natal?
Depois eu confirmo.
Ah.
Está mesmo pensando em não ir?
Estou ocupado. Eu...
Você é muito curiosa. Minha agenda está cheia, obrigado.
E nessas festas só tem conversa de interesse,
Não fazem meu estilo.
Como pode dizer isso?
É que não fazem meu estilo.
- Bom, já vou indo. - Eu te acompanho até em casa.
Não precisa.
A gente mora praticamente no mesmo lugar.
Quer saber? Eu posso entrar na sua órbita. Ou...
você pode entrar na minha.
Essa cantada funciona mesmo?
Não. É péssima.
- Aham. - Na minha cabeça parecia ótima,
- mas aí... - É, não foi tão boa assim.
- Vamos? - Vamos.
Certo.
Senhorita Shaw!
- Obrigada, obrigada! - Pode me dar um autógrafo?!
Senhorita Shaw!
Eu devia comprar uma árvore.
Você não tem uma?
Uma que eu possa enfeitar, quero dizer.
A do apartamento,
acho que não fui eu que decorei.
Tá, me explica seu plano. Você quer pegar
uma dessas árvores de três metros e levar
até a cobertura, de vestido chique e salto alto?
Talvez eu compre uma pra pôr na mesa.
Melhor. Certo.
Ah...
É a árvore do Charlie Brown.
- Eu sei de onde é. - Sabe? É meu favorito.
Eu sei. Também é o meu favorito.
- É mesmo? - É!
Posso até explicar o verdadeiro sentido do Natal,
Charlie Brown. Sei o desenho inteiro de cor.
Não vou recitar, mas sei. Pronto.
É essa que eu quero.
Não, deixa comigo!
Por favor, me permita.
- Ah, obrigada. - Pode ficar com o troco. Obrigado.
Ah...
No desenho ela parecia mais leve. Eu consigo!
- Meu herói. - Eu faço academia.
Ah, só um segundo. É pra mim.
Preciso atender. Pode ser do hospital.
Ah, não. Desculpa.
Pai? O quê...?
Agora?
Eu... Não, tudo bem. Vou aí ajudar.
Tá bom. Até daqui a pouco.
Também te amo.
Olha só que ironia: meu pai resolveu comprar
justamente agora uma árvore de três metros e precisa
de ajuda pra subir com ela. Então vou lá.
Acho melhor te deixar em casa antes. Desculpa.
Nunca peça desculpa por passar tempo com a família.
Ainda bem que, desta vez, eu pude ajudar.
Como assim, desta vez?
Quando virei chefe da cirurgia cardíaca, pensei:
"Agora que sou chefe da cirurgia cardíaca,
vou ter mais liberdade com meus horários,
mais tempo pra minha família ou..." - Pra namorar.
É, mas você sabe como é. Simplesmente
não sobra tempo.
Sei, sim. Eu sei.
- É, imaginei que soubesse. - Pois é.
- Achei que você entendesse. - Mais do que imagina.
Tem o trabalho, mas também tudo
que a função exige. Como esses eventos.
Pois é. Exatamente. Como...
como a festa de hoje.
É. Mas, pra falar a verdade, hoje
a festa ficou bem melhor quando vi você lá.
Ainda me sinto mais à vontade numa sala de cirurgia do que num salão de baile, mas...
Deve ser incrível
ser você e poder ajudar as pessoas desse jeito.
É incrível mesmo.
Você entra no centro cirúrgico com sua equipe e, se tudo der certo,
um coração volta a bater.
Alguém ganha uma nova chance de viver.
Isso é maravilhoso.
Principalmente nessa época do ano.
Perdi meu pai há alguns anos, perto do Natal.
Eu perdi minha mãe nessa mesma época.
Foi por isso que quis vir pra cá.
Sinto muito pelo seu pai.
Não é bom ter isso em comum.
Acho que a gente nunca sabe quanto tempo ainda tem
com quem ama.
É verdade.
Eu... queria muito conversar com você
sobre o baile de Natal quando a gente se encontrar de novo.
Já vou avisando: meu conceito de alta-costura é
um uniforme cirúrgico com minhas iniciais. Então...
talvez você se decepcione.
Bom...
Ah.
Boa noite.
Boa noite.
E obrigada por me acompanhar até em casa.
Foi um prazer.
E por escolher comigo essa árvore linda.
Boa noite. Boa noite.
Estou terminando aqui na festa.
Quer que eu passe aí?
Não, não. Só preciso te perguntar uma coisa
sobre o baile de Natal.
É pro Hospital Bowman, né?
Pra custear cirurgias gratuitas?
Não. É pra coleção permanente do museu de design,
como sempre.
O quê? E como o hospital arrecada fundos?
Não faço a menor ideia.
Obrigada...
Oi! Parece que todo mundo adorou sua sopa,
mas não me surpreende. É sua especialidade.
Onde você já provou minha sopa? Não consigo lembrar.
É... na feira do ano passado.
Ah, claro. Mas faz um favor:
não conta pra minha chefe. Ela já acha que quero passar a perna nela.
Você devia abrir seu próprio negócio. Tem muito talento.
Posso perguntar por que você se interessa tanto pela minha carreira?
Sou sua maior fã. Tirando o Kevin, claro.
Kevin?
Você não é casada com o Kevin Brown?
O quê? Não. Eu...
A gente terminou depois da faculdade, quando ele foi pra Boston.
E você não foi com ele?
Mudar pra outra cidade
sem nem estar noiva? Não. De jeito nenhum.
Eu não sou tão aventureira assim.
Bom, eu morei em Boston por um tempo.
Podíamos ter dividido um apartamento.
Na primeira vez não deu muito certo.
Não foi bem... Ah, deixa pra lá.
Tem uma barraca incrível de artigos natalinos antigos
do outro lado do parque. Quer dar uma olhada?
Acho melhor eu ficar por aqui mesmo.
Tudo bem. Posso pelo menos tomar uma sopa?
Fique à vontade.
Obrigada.
- Evelyn? - Sim. A gente se conhece?
Bom...
Digamos que tenho várias peças suas.
- Ah! - Cadê o Rico?
Está em casa.
O coração dele está muito fraco.
Espera, ele não fez a cirurgia?
Ainda não. Continua na fila.
E não podemos nos dar ao luxo de deixar de trabalhar.
Evelyn, sinto muito.
Quantas canecas você tem?
- Umas vinte. - Vou levar todas.
Embrulhe cinco agora. Depois volto pelas outras.
- Sério? - Aham.
Muito obrigada!
Obrigada!
Evelyn, traga mais canecas amanhã. Estou achando
que você vai vender tudo.
Oi, pessoal! Ah, agora sim!
Isso! Oi!
Muito melhor. Olha só...
Agora ficou ótimo.
No que você está trabalhando?
Ai, desculpa! Eu não queria...
Estava só rabiscando. Nada demais.
Posso ver?
É que...
Ainda não está pronto. E eu também não.
Tudo bem. Quando estiver, me mostra. Ah!
Consegui sopa!
Ah, ótimo! Obrigado!
Hum...
Não, tem alguma coisa errada.
Adam?
Bill!
Ah, sim...
A gente se conhece?
- Oi! - Aí está você.
- Só vim trazer o Cooper. - Obrigado. Oi!
- Oi, amigão! - Mas pelo visto
ele já fez uma nova amiga.
É a minha vizinha, Erin. O Cooper
adora ela!
Prazer em conhecer você. Sou o Bill, mas
pelo jeito você já sabia.
Acho que você tem cara de Bill.
Tem certeza de que não pode ir hoje à noite?
Vamos decorar os biscoitos.
Eu sei, pai, mas você conhece meus horários.
Tudo bem. Você está ocupado.
- Estou salvando vidas. - Eu sei.
Vou guardar uns biscoitos pra você.
Tá bom. Obrigado, pai.
- Foi um prazer conhecê-la. - Obrigada.
- Comporte-se! - Cooper!
- Adam... - O quê?
Você devia passar mais tempo com sua família.
Tem razão.
Mas com uma condição.
- Pai? - Oi?
- Tem lugar pra mais uma? - Claro!
Não, não quero incomodar.
Que isso! Claro que tem.
Tem certeza?
Será um prazer receber você.
- Eu adoraria. Obrigada. - Ótimo.
- Até mais tarde. - Tchau, pai.
- Isso. - Até logo.
Pode entrar.
Deixa eu pegar seu casaco.
Nossa! Não acredito... É...
É o nosso apartamento.
- Como? - Ah...
Quero dizer, de um ensaio fotográfico.
- É... - Entendi.
É... Sabe, espero...
Só espero que eles não pensem que a gente...
Não, eu disse que somos só amigos.
Ah, claro. Só amigos.
Ah, é meu celular.
É a Zoe. Me dá dez segundinhos.
Claro, pode atender.
Oi! Ah, oi!
- Ei, alguém me ajuda aqui? - Oi, Maya! Tudo bem?
Oi, tio Adam.
Quanto tempo! Como vão os estudos?
- Ah... - Conta pra ele.
- Ih, lá vem. - Na escola está... tudo bem.
Hum. Ela faltou à prova do SAT.
Foi passear com os amigos numa loja vintage no SoHo.
- O quê?! - Erin Shaw!
- Erin Shaw! - Quem é essa?
Erin Shaw! Ela é a Erin Shaw! Você é a Erin Shaw!
- Ela não é a Erin Shaw. - É ela, sim!
- É... - Eu sou sua fã! Nossa...
Tá, então... Erin,
esta é minha irmã, Natalie... Maya!
Prazer em conhecer vocês.
E minha sobrinha...
- Maya! Eu sou a Maya! - Oi, Maya.
Eu não acredito que isso está acontecendo!
Eu avisei. Ela adora essas coisas.
Você pode... Tá aqui em algum lugar.
Pode autografar pra mim?
Nossa, é claro que posso!
- Entrem, pessoal! - Oi!
Você se lembra do meu pai.
Claro. Oi, Bill.
Bem-vinda! A casa é sua.
Ah, obrigada.
Ah, Bill, trouxe uma garrafa de vinho pra você.
Obrigado. É o meu preferido.
- Ah! - Vou guardar
pra uma ocasião especial.
Que nada, Nat. Pode abrir.
Natal em família já é uma ocasião especial.
- Ei! - Oi!
Nossa!
O Cooper te trata como se fossem velhos amigos.
Eu tinha um cachorro igualzinho a ele.
Não é, fofinho?
É que...
Vamos começar?
Adam, você cuida dos biscoitos de suéteres natalinos cafonas.
- Pode deixar. - Eu fiz estes aqui
pra gente decorar vestidos natalinos cafonas.
- Ah! - Acho que a Erin
não vai querer fazer nada cafona.
- Eu até que gostei. - Sério?
- Gostei. - Então tá.
Vamos começar pelo azul.
Eu podia vender isso por uma fortuna.
- Maya! - Estou brincando! Mais ou menos...
Olha, acho ótimo você ter espírito empreendedor.
Isso ajuda em qualquer profissão.
Meus pais acham que vou estragar minha vida
se não fizer faculdade.
Não sei se estragar é a palavra,
mas é bom ter a possibilidade
de escolher o que quer fazer quando chegar a hora,
em vez de deixar a vida escolher por você.
E se eu já souber o que quero fazer?
Você pode não acreditar,
mas talvez mude de ideia quando crescer.
Eu estudaria bastante
pra manter todas as portas abertas.
Foi o que você fez?
Deixei algumas portas se fecharem.
Mas, de repente, elas se abriram de novo.
E agora quero mantê-las assim.
Ah, não.
O que foi, pai?
Acabou o açúcar de confeiteiro.
Não, acho que ainda temos bastante...
Não! Acabou mesmo
o açúcar de confeiteiro.
Ah, Adam?
- Oi, pai. - Por que você e a Erin
não vão dar uma voltinha até a mercearia pra comprar?
Comprar açúcar de confeiteiro?
- Isso. - Aham.
Vamos?
Tá, então vamos atrás desse açúcar.
Vou procurar deste lado.
Obrigado. Valeu.
- Pronto, missão cumprida. - A minha também.
Essas meias ficariam perfeitas em você.
Não costumo usar meias engraçadinhas.
Você gosta, sim. Só está escondido
atrás dessa aparência toda séria.
- Séria, é? - Aham.
Saiba que o meu trabalho é muito sério.
Faço cirurgias sérias. Essas meias são uma brincadeira.
E você não acha que seus pacientes,
que já ficam nervosos antes de uma cirurgia,
gostariam de ver que o médico também sabe se divertir?
Eles vão descobrir que tenho personalidade
por causa das minhas meias?
E que personalidade seria essa? Um pug natalino?
Adam, isso dá a eles um assunto pra conversar
quando estiverem com medo.
É, você tem razão. Tá bom.
E se uma estilista famosa no mundo inteiro
acha que elas são boas, quem sou eu pra discutir?
Mas agora eu também quero comprar algo pra você.
Tá bom. Ah... Hum...
- Luvas! - Hum...
Tá, pela sua cara, já vi que você não
gostou muito delas. Mas quer saber?
Se aparecerem fotógrafos, você não precisa usar.
Que nada! Já aceitei meu lado cafona.
Ótimo! Então vamos procurar um cachecol.
Não, não. Menos é mais.
Tá bom.
Obrigado por me convidar hoje.
Sua família é maravilhosa.
Fico feliz que você tenha vindo.
Não me divertia tanto assim há muito tempo.
- Nem eu. - Que bom.
- Posso te perguntar uma coisa? - Claro.
O Bowman tem algum programa de cirurgias cardíacas gratuitas?
Para quem precisa se consultar com você,
mas não tem condições de pagar?
Não oficialmente.
Recebemos uma doação bem grande há alguns anos.
- De uma amiga sua, aliás. - Minha amiga?
A mulher com quem você conversou na festa.
Margot Braymire. Operei o marido dela,
e ela até anunciou a doação à imprensa. Achei que atrairia outras,
mas parece que o mundo da filantropia em Nova York
é bem disputado.
- É... - Principalmente no Natal.
Talvez eu possa ajudar com isso.
Chegamos!
- Oi! Trouxemos o açúcar. - O quê?
O açúcar de que você precisava tanto, pai.
Ah, claro! É... Fechem os olhos.
Tá bom.
- Surpresa! - Mas o que é isso?
Você ganhou o concurso de decoração.
Parabéns!
Esse é o prêmio mais importante que já ganhei.
Sério? Mais que seus prêmios de estilista?
É. Pra falar a verdade, nem lembro direito deles.
Posso tirar uma selfie com você?
É só pra provar pros meus amigos que você veio.
Claro! Pode até me marcar na foto.
Tá bom.
Você é demais.
Só não esqueça o que eu disse antes.
Pode deixar.
- Pessoal, venham pra cá! - Ah, tá.
Nossa!
Phil, muito obrigada.
Você não imagina o quanto isso significa pra mim.
Não sei explicar.
Desde que nos conhecemos,
parece que somos da mesma família.
Erin, tive que chamar dois carros.
- Ah. - Preciso ir ao hospital.
Me chamaram para uma cirurgia de emergência.
- Claro, entendo. Boa sorte! - Obrigado.
- Adorei que você veio. - Eu também.
- Pai. - Boa noite, filho.
Ah, essas meias...
Eu sabia que tinha uma aqui.
Alô, Margot?
Posso ajudar com alguma coisa?
Não precisa. Está tudo sob controle.
O que foi? Aconteceu alguma coisa?
Não! Não aconteceu nada.
É que você fica tão à vontade na cozinha.
E o cheiro está maravilhoso.
Só não esqueça de seguir minhas instruções quando eu sair.
Ou você podia ficar pra jantar com a gente.
- Por que está fazendo isso? - Isso o quê?
Tudo isso.
A gente se conheceu por dois dias, há 25 anos,
e agora você compra toda a minha sopa
e me convida pra jantar? Não entendo.
Só acho que poderíamos ser amigas.
Por quê? Porque você gosta da minha comida?
Uma amizade precisa de muito mais que isso.
Eu sei.
Desculpa se estou forçando a barra.
Acho que só precisava de alguém pra conversar.
Tem tanta coisa acontecendo...
Deve ser bem solitário estar no topo, né?
A massa vai na água fervendo. Oito minutos, nem um a mais.
O creme está na sopeira, e as vieiras, descansando.
Vai estar tudo pronto quando seus convidados se sentarem.
Espero que seu jan...
Espero que o jantar seja ótimo.
Também espero.
Pode entrar!
Obrigada pelo vinho. Quer que eu abra agora?
- Pode abrir. - Cadê o Cooper?
Ele também foi convidado, sabia?
Ah, o Cooper?
Não ia fazer vocês enfrentarem aquela carinha irresistível.
É verdade. É impossível resistir.
Então, você...
andou fazendo muito mistério com esse jantar.
Vai contar o motivo?
Bom, pra começar, é sobre a mulher que fez esta caneca.
Evelyn Garcia.
O marido dela tem um problema cardíaco.
Ele mal consegue sair de casa e precisa justamente da cirurgia
que você desenvolveu.
Garcia... Não me lembro de nenhum Garcia.
Porque, para se consultar com você,
eles teriam que pagar como pacientes fora do convênio.
E sabemos quanto isso custaria.
Agora, Evelyn cuida do Rico,
dos filhos e ainda precisa sustentar a casa.
Sinto muito por eles. De verdade.
Mas acho que descobri um jeito de ajudar famílias como a deles
a conseguir atendimento com você.
Só preciso convencer algumas pessoas a apostar nessa ideia.
Como posso ajudar?
Sendo esse cara encantador que você é.
E finalmente vai poder usar seu charme por uma boa causa.
Isso eu consigo. Mas volta um pouquinho...
Você me acha encantador?
Estou começando a achar.
Margot, muito obrigada por ter vindo.
Parecia urgente.
Tão urgente que você até convidou sua rival-amiga.
E sim, sei o que isso significa. Não sou tão velha assim.
Margot, eu nunca pensaria em você desse jeito.
Sou sua fã desde os 18 anos!
Sério? Você tem um jeito estranho de demonstrar.
Bom, as coisas mudaram.
- Doutor Connolly! - Olá.
Desculpe não ter conversado com você
na festa. Mas pelo visto
você estava bem acompanhado.
Pois é. Como vai o Henry?
Ele está praticando stand-up paddle nas Ilhas Turcas e Caicos.
Nunca imaginei que um dia diria isso
sobre um homem de 70 anos.
Tudo graças a você.
É a melhor notícia que recebi nesta semana.
E queria agradecer mais uma vez
pela sua doação tão generosa.
- A causa merece. - Merece mesmo.
Ah...
Foi por isso que me chamaram?
De certa forma...
Na verdade, tem mais a ver com o baile.
Ah, vai cancelar porque sabe
que meu vestido
vai ser o mais bonito de novo.
Não tenho dúvidas.
Na verdade, quero mudar um pouco o evento.
Ah, é?
Ah, a Vivienne chegou.
Adorei! Está lindo!
Margot! Que bom ver você.
Olá, querida.
Acho ótima essa ideia de começarmos logo,
e de aproveitarmos, como você sugeriu.
- Doutor Connolly! - Olá.
Também veio por causa do baile?
Não sabia que você se interessava por moda.
Não muito. Até o ano passado, eu alugava meu smoking.
Na verdade, o doutor Connolly
não veio falar do baile deste ano,
mas do ano que vem.
Não estou entendendo a ligação.
- Nem eu. - Bom, que tal...
Por que a gente não...
Boa ideia. Vamos aproveitar a refeição
e depois conversamos sobre isso?
- Certo. - Que mistério!
Que jantar maravilhoso!
Principalmente o creme de castanhas.
Como é mesmo o nome da chef?
Kelly Babakin.
Ela aceita novos trabalhos?
Estava torcendo pra você perguntar. Vou apresentá-las.
Excelente.
Por mais que eu adore um bom mistério,
acho que já está na hora de contar por que estamos aqui.
Bom...
Vocês estão aqui porque há famílias nesta cidade
que não podem pagar a cirurgia que salvou a vida do Henry.
Mas nós quatro podemos mudar isso.
Só não vejo como ligar o hospital
a um baile de moda.
Eu tive uma ideia.
E se, a partir do ano que vem,
dez estilistas criassem vestidos deslumbrantes
para serem leiloados na noite do baile?
A renda pagaria cirurgias gratuitas no Bowman.
Em vez de disputarmos quem é mais elegante,
a competição seria para ver qual vestido
arrecadou mais dinheiro por uma boa causa.
Daria para financiar cirurgias durante um ano.
Muitas famílias teriam a chance de continuar juntas.
Não consigo imaginar presente de Natal melhor.
Você devia estar feliz. Elas aceitaram!
Eu estou.
Só queria que não demorasse mais um ano.
Muita coisa pode mudar em um ano.
Ou de uma hora pra outra.
Antes tarde do que nunca, né?
Vamos. Vem comigo.
Aonde?
Vem.
Tenho que admitir:
acho que nunca andei tão devagar por esta cidade.
Isso se chama passear sem pressa.
- É gostoso, né? - Dá até pra se acostumar.
Quer entrar?
O melhor chocolate quente da cidade.
Nunca fui muito fã de chocolate quente.
Ah... Tudo bem.
Bom, a gente já comeu sobremesa mesmo.
E estava ótima.
Posso te contar uma coisa?
Claro.
É que...
Quase não vim hoje.
Ao jantar?
Ao jantar, fazer biscoitos com meu pai... a nada disso.
E sabe por quê?
Porque, nos últimos dez anos,
venho repetindo pra mim mesmo: "Fique na sua,
trabalhe mais do que todo mundo, que vai dar certo."
Só que aí...
conheci você.
Você me faz
querer mais da vida.
Entende? Você me dá vontade de ser alguém melhor.
Obrigada.
Mas a verdade é que
essa vontade de ser melhor sempre esteve aí, dentro de você.
Você não precisava de mim pra isso.
Bom...
agora preciso.
Vamos juntos ao baile beneficente.
Achei que você ainda não tinha decidido se ia.
Não tinha. Mas agora tenho companhia.
Eu ainda não aceitei.
Mas me beijou.
Foi você que me beijou!
É verdade. Você tem razão.
Aceito, sim. Vou ser seu par.
- Bom dia! - Bom dia.
Você vai ficar linda com esse vestido hoje à noite.
E ainda vai deixar a Margot morrendo de inveja.
Não sei... Ainda não está do jeito que eu queria.
Mas vamos ver como ficou o seu vestido.
- O meu? - Uhum.
Como assim?
Bom, você deixou o caderno de desenhos aberto,
e talvez eu tenha entregado o seu modelo
pro Carl confeccionar.
Você...
Não...
- Esse é o meu vestido! - É o seu vestido!
Mas por quê?
Porque eu não queria que você esperasse tanto
a ponto de deixar sua chance passar.
Obrigada.
Nunca ninguém tinha me dado uma oportunidade dessas.
Fico feliz de poder fazer isso.
A cabeleireira quer saber quando você vai estar pronta.
Ainda nem sei o que vou vestir.
Não vai usar aquele?
Não. Ainda não está pronto.
Vou guardá-lo pro próximo Natal,
quando for a hora certa.
Acho que... este aqui serve.
- É. - É.
- Ah, e Maya? - Oi?
Obrigada pela ajuda de hoje.
Está brincando?
Foi o melhor dia da minha vida.
E ainda vão vir muitos outros assim.
Principalmente agora que você voltou a pensar na faculdade.
Maya, você se inscreveu pra refazer o exame de admissão, né?
E aquele conselho que eu te dei?
Não fez diferença?
Sem querer te ofender, mas...
o futuro é meu, e...
E eu sou uma desconhecida.
É. Desculpa.
E eu sou uma desconhecida.
♪ O Natal chegou ♪
♪ É hora de se divertir ♪
♪ Todo mundo arrumado ♪
♪ E festas por toda parte ♪♪
Muito obrigada.
Obrigada. Nossa!
No ano que vem, esse evento vai mudar tudo
pra você e pro hospital.
Eu sei. Mal posso esperar. Mas antes...
Ah, espera só um segundo.
- Cadê seu vestido? - Margot, já volto.
- Oi! - Oi.
Todo mundo adorou sua comida semana passada.
Estou tão feliz por você!
- Feliz por quê? - A Margot não te ligou?
Ligou, e eu recusei.
O quê?
Por quê? Cozinhar pra ela pode mudar sua vida!
Quem disse que eu quero mudar de vida?
Você não sabe nada sobre mim.
Feliz Natal. Espero que encontre o que procura.
Ah... É.
Feliz Natal.
Cadê seu vestido?
Como assim?
Não essa roupa de sempre. O que você estava criando.
Achei que fosse usá-lo hoje.
Não consegui terminar.
Pra falar a verdade, parece que falta alguma coisa,
mas não consigo descobrir o quê.
Pela minha experiência, quando falta algo numa criação,
normalmente o problema não é a criação.
- Então é o quê? - Quem a criou.
Já descobriu o que está faltando aí dentro?
O vestido não vai se criar sozinho.
Atenção, por favor!
Uma salva de palmas para nossas anfitriãs desta noite:
Margot Braymire e Erin Shaw!
Vamos?
Tudo bem com você?
- Devia estar, né? - Uhum.
Posso te dar um abraço de vinte segundos?
Que pedido específico.
É por causa das endorfinas, sabe...
Ah, deixa pra lá.
Tudo bem.
- Vamos continuar dançando. - Vamos.
Erin, preciso te contar uma coisa.
Vem comigo.
Ontem recebi uma ligação
do Programa Global de Bolsas em Saúde.
Vão abrir um novo centro de cardiologia.
Vai funcionar com cirurgiões voluntários
do mundo inteiro, atendendo de graça. E querem que eu
organize o programa.
- Adam, isso é incrível! - Não é?
Estou tão feliz por você!
É maravilhoso. Só que...
É ótimo, mas...
não é aqui.
Onde vai ser?
Em Genebra.
Na Suíça.
Então eu ficaria fora por um ano.
Entendi.
Não consegui parar de pensar em tudo isso.
No que você disse sobre melhorar e querer mais da vida.
Sobre ajudar as pessoas. Aquilo me deu
a vontade de fazer alguma coisa já. E agora...
eu posso.
Graças a você. Você...
Você me inspirou.
É, te inspirei tanto que você vai embora.
Mas eu volto.
A tempo do baile do ano que vem. Prometo.
Certo.
E o que existe entre nós?
É muito bom.
A gente estava começando algo,
mas sinto que preciso fazer isso. Então...
Me desculpa, Erin.
Eu sei que não seria justo pedir que você esperasse.
Espera. Acho que...
ainda não estou pronta.
Tudo bem.
Acho que conheço alguém que já está.
Ah! É mesmo?
Então tive concorrência esse tempo todo?
Mais ou menos. Quer dizer, não...
- Estamos separados. - Ah.
Mas ele tenta mudar o mundo há 25 anos,
e eu sempre estive ao lado dele.
Só cometi um erro.
Nunca disse a ele do que eu precisava.
Você não parece ser do tipo
que guarda uma coisa dessas pra si.
Não sou mesmo. Não mais.
Acho que só não queria que ele se sentisse culpado
por tudo de que abri mão por ele.
Não que ele tenha me pedido pra abrir mão de nada.
Talvez você só precise contar que mudou.
Quem me dera poder.
Ei, escuta.
É Natal.
Nunca se sabe.
É.
É.
Espero que ele saiba a sorte que tem.
A sortuda sou eu.
Por favor, me leva pra casa.
Não!
Por favor, eu só quero voltar pra casa.
Por favor, me deixa ir pra casa.
Por favor, por favor...
Eu só quero ir embora.
Cooper?
Cooper, como você entrou aqui? Meu Deus!
Ah, que saudade de você!
Ah, Cooper...
Achei que era isso que eu queria.
Mas descobri que já tinha tudo de que precisava.
O que...
está acontecendo?
Ei, o que houve?
Nada, nada. Só... estou tão feliz que você está aqui.
E onde mais eu estaria?
Em Genebra.
O quê?
Deixa pra lá. É bobagem.
Cooper, o que está acontecendo?
Espera... Cadê?
Você está bem? O que houve?
Eu tive... um sonho muito estranho ontem à noite,
mas parecia tão real.
Certo.
E me fez perceber
que tem uma coisa que morro de medo de dizer em voz alta.
Bom...
- Você pode me contar qualquer coisa. - Eu sei. Só que...
eu nunca contei.
Até agora.
Olha, seu trabalho é importante.
Pessoas como o Rico Garcia
vivem mais e melhor graças a você.
E eu nunca quis que você achasse que isso me custou alguma coisa.
Mas custou?
Faz muito tempo que deixei de querer coisas pra mim.
Eu dizia a mim mesma que seu trabalho era mais importante,
mas isso não foi justo.
Com nenhum de nós dois.
Me desculpa. Eu atrapalhei seus planos.
Não.
Adam, você nunca me pediu pra desistir dos meus sonhos.
Eu fiz isso por conta própria.
Eu... nunca falei o que queria.
É.
Mas eu também nunca perguntei.
Me perdoa.
Me conta qual é o seu sonho.
Prefiro te mostrar.
Por favor.
Eu me lembro desse caderno de desenhos.
É. Ficou perdido por um tempo, mas...
agora eu o reencontrei.
Nossa!
São lindos!
Eu ficava imaginando
se um dia conseguiria viver disso.
Agora sei que consigo.
Claro que consegue!
E quer saber? Não precisa fazer isso sozinha.
Eu estou aqui pra ajudar. No que você precisar.
Busco café, aponto seus lápis,
carrego sua máquina de costura por aí...
Eu nem tenho máquina de costura.
Então vou comprar uma pra você.
Talvez duas, de presente de Natal.
O que eu quero é você ao meu lado.
Ah, e um...
abraço de vinte segundos?
Isso eu posso dar.
- Deixa que eu atendo. - Tá.
Alô? Oi, Kelly!
- Oi, doutor Conolly! - Kelly!
Oi! Só passei pra deixar uma sopa de frutos do mar antes de sair.
É que ela teve um sonho bem realista esta noite.
Não, foi uma loucura!
Você terminou com o Kevin, nem se mudou pra Boston,
e, pior de tudo, a gente nem era amiga!
Nossa, isso parece um pesadelo.
Mas que bom estar de volta! Ah, me faz um favor?
Claro, qualquer coisa. Você é minha melhor amiga!
No ano que vem, deixa a véspera de Natal livre.
Combinado.
Essa foto ficou boa.
Nem me lembro de a gente ter tirado.
Eu lembro.
Quer tomar um chocolate quente?
Quero.
Oi. Certo.
Pra ela vai um...
Chocolate ao leite, marshmallow tostado,
confeitos de hortelã e um pau de canela.
Nossa, você lembrou!
Só precisei de um empurrãozinho.
- Pra mim, o mesmo, por favor. - É pra já.
Que foi? Eu posso mudar.
Estou vendo.
Ah, chegaram. Obrigado.
Ah, espera aí.
- Sua gorjeta. - Ah!
Obrigada.
Zoe?
A gente se conhece?
Digamos que nossos caminhos já se cruzaram.
- O que está fazendo aqui? - Esperando minha chefe.
Você é assistente da Margot Braymire?
- Sou. - Senhora Braymire.
Quero apresentar minha esposa, Erin.
É um prazer conhecê-la, se...
senhora Braymire.
Seu marido é um cirurgião brilhante.
Ele salvou a vida do meu marido há alguns anos.
Ah, ele é ótimo no que faz.
Vou arrumar uma mesa.
Assim como a senhora é ótima no seu trabalho.
Aliás, hoje à noite vou usar um dos seus vestidos.
Sério? Qual é a ocasião?
Um evento beneficente para um hospital.
Fico feliz em fazer uma doação. Zoe...
Na verdade, tive uma ideia
de como a senhora poderia ajudar ainda mais no ano que vem.
Podemos conversar um minutinho?
Claro.
Vai, Zoe, mostre seus desenhos. Aproveite a chance.
Como você...?
Eu sei de umas coisas.
♪ O que vou comprar pra pôr debaixo da árvore? ♪
♪ A loja brilha, cheia de possibilidades ♪
♪ Todo mundo quer realizar seus desejos ♪
♪ E achar o presente perfeito de Natal pra você ♪♪
Olha, é a Zoe!
Obrigada.
Ah!
Ali está a Kelly.
Seu vestido está maravilhoso!
Que bom que você conseguiu terminar.
Obrigada. Finalmente descobri o que estava faltando.
Está todo mundo comentando
sobre os novos estilistas esta noite.
Aliás,
tem um vestido em especial chamando muita atenção.
O da Zoe?
Me ligue em janeiro.
Acho que podemos fazer um belo trabalho juntas.
Ai, tomara que isso seja verdade!
É claro que é. E sabe de uma coisa?
Você merece.
É por isso que estamos aqui.
Todo mundo está radiante hoje, Erin!
- Ah! - Obrigada!
Que bom que conseguimos tirar você do guarda-volumes.
Obrigada.
Você conseguiu.
Na verdade, todos nós conseguimos.
- Erin. - Oi?
Preciso te dizer uma coisa.
O quê?
Tenho muito, muito orgulho
de ser seu marido.
Eu te amo.
Também te amo.
♪ O frio chegou, as velas se acenderam ♪
♪ É Natal outra vez ♪♪
Onde a gente arranjou isso?
Foi um presente.
Gostei.
Tem mais de um significado, né?
Acho que foi por isso que me deram.
É a nossa cara.
É a nossa cara.
Uhum.
Já imaginou
se você não tivesse vindo falar comigo naquela cafeteria,
todos aqueles anos atrás?
Onde a gente estaria hoje?
Não quero pensar no que poderia ter sido,
quando sou tão feliz com o que a gente tem.
Difuze
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