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Original subtitles

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

11 DE MAIO DE 1937

Sim?

A� est�s! Entra.

Estou a treinar para o grande dia e preciso de um arcebispo.

Podes dar-me a honra? A partir daqui.

"Est� disposto a fazer o juramento?"

Sim...

... estou.

"Jura manter e preservar in...

Invi..."

Inviolavelmente.

Significa fazer uma promessa que jamais se poder� quebrar.

Uma promessa muito sagrada.

Sim?

- Estamos � sua espera. - Ainda n�o, Tommy.

Ainda nem cheg�mos � un��o.

Tens de me ungir, sen�o n�o posso...

... ser rei.

Compreendes?

Quando o �leo sagrado me tocar,

serei... transformado.

Terei contacto directo com o divino.

Mudarei para sempre.

Ficarei ligado a Deus.

� a parte mais importante da cerim�nia inteira.

Por isso, � melhor praticarmos. N�o acha, arcebispo?

"Que as vossas m�os sejam ungidas com �leo sagrado.

Que o vosso peito seja ungido com �leo sagrado.

Que a vossa cabe�a seja ungida com �leo sagrado.

Tal como reis, sacerdotes e profetas foram ungidos."

- Caramba, � mesmo pesada. - Pesa mais de dois quilos.

J� para n�o falar no peso simb�lico.

Eis uma vis�o que esperava nunca ver.

N�o � t�o f�cil como parece.

Foi exactamente o que o rei disse.

Eu lembro-me.

Acha que posso lev�-la emprestada durante alguns dias?

S� para treinar.

Emprestada? De quem?

Se n�o � sua, de quem �?

AS APAR�NCIAS ILUDEM

N�o fa�as barulho, Anne.

Prontos?

Fecha os olhos e abre s� quando eu mandar.

- Sabe aonde foi o duque? - Sua Alteza Real foi pilotar.

- Pai? - Outra vez?

Quando � o grande dia?

A prova do brevete? Daqui a duas semanas.

- Vais a tempo de bater o recorde? - Sim. Por pouco.

- Se n�o fizer mais nada. - Ent�o, vais odiar-me.

- Porqu�? - Queria a tua ajuda para uma coisa.

Teria de ser muito importante

para me distrair de ser o mais r�pido da hist�ria do pa�s a tirar o brevete.

E �. Queria que fizesses parte da minha Comiss�o da Coroa��o.

- Em que posi��o? - Como presidente.

Mas j� tens um, o Bernard.

Pediria ao duque de Norfolk para te ceder o lugar.

Quero fazer uma declara��o p�blica da minha confian�a em ti.

- N�o � preciso seres condescendente. - N�o sou.

�s. Est�s com pena de mim e a dar-me um trabalho para manter as apar�ncias.

N�o � isso.

S� queria que pass�ssemos mais tempo juntos.

- Como assim? Estamos sempre juntos. - Isso n�o � verdade.

Est�s sempre a pilotar ou a almo�ar com estranhos.

Algumas horas por semana, querida.

Que mais posso fazer? Esperar sentado enquanto "rainhas"?

- "Rainho"? - Sim, "rainhas".

Talvez queira a tua ajuda para "rainhar".

Da forma lisonjeira que pediste para redecorar a Clarence House?

- O que fizeste muito bem. - Senti-me um maricas.

S� de volta de cortinas e pinturas. Sinceramente, � outro tipo de "rainhar".

O que implicaria?

Bem, o duque de Norfolk ficar� � frente de tudo

no que toca a organiza��o, como os lugares e o cortejo,

mas, como presidente da comiss�o,

poder�s dar ideias, inspir�-los a todos, motiv�-los.

N�o me ouvir�o. Aqueles velhos de bigode grisalho odeiam-me.

- Eles n�o te odeiam. - Odeiam.

Tratam-me como um intruso.

Uma pessoa irrelevante. Todos o fazem.

Controlo total ou nada. S�o as minhas condi��es.

Est� bem.

Mas nada de excessos.

- O que queres dizer com isso? - Quero dizer "nada de excessos".

� a minha coroa��o. Uma cerim�nia com mil anos.

- H� coisas que n�o podem mudar. - Pronto, est� bem.

BOSQUE DE BOLONHA, PARIS

Quando foi que se mudaram?

A propriedade � da cidade de Paris

e, por sorte, a cidade deixou-nos ocup�-la pagando um pequeno montante.

Por isso, mud�mo-nos no final do Ver�o.

Deve ter ficado radiante, Alteza.

N�o sou Alteza.

- Tocou num ponto sens�vel. - Apenas "duquesa".

N�o Vossa Alteza Real. Como tal, apenas "senhora".

- Senhora? - Ou "Vossa Gra�a".

Porque escolheram esta casa em especial?

Tem um terreno enorme, o que nos d� privacidade.

E permite-nos receber visitas como deve ser,

j� que � algo que adoramos.

A duquesa tem muito jeito.

Creio que o editor combinou convosco

que dariam algumas dicas aos leitores sobre como receber bem.

- Concord�mos com isso? - Sim, querida. Pagaram mais.

Sorriam!

Perfeito.

Dado o meu passado naval,

n�o dou import�ncia a grandes pormenores ou cheiros,

mas gosto de um sabonete que fa�a bastante espuma.

Que dicas de indument�ria daria aos rapazes de hoje?

Seja qual for a moda corrente, um fato bem feito num belo tecido

pode abrir muitas portas.

� este tipo de informa��es que queria?

Tem muita sorte.

Ele n�o deixa ningu�m entrar. � o seu quarto particular.

Cheio de segredos.

Segredos, n�o, querida. Lembran�as precios�ssimas.

Venho aqui todos os dias, durante alguns minutos,

para meditar e relembrar.

- Ena! Gaita-de-foles tamb�m? - Sim, eu toco.

Quando tem saudades de casa.

A minha poltrona favorita.

- E a mala? - Caixa.

O monarca recebe diariamente uma caixa vermelha do governo

com pap�is do Estado, assuntos do dia e quest�es que exigem aprova��o real.

Esta foi a �ltima que recebi como rei.

Continha os documentos de abdica��o.

Em todas as suas fotografias como rei, n�o vejo nenhuma com a coroa.

- Pode explicar-me porqu�? - N�o cheguei t�o longe.

Nunca tive uma coroa��o.

Esqueci-me de te contar. Recebi uma chamada de Sir John Weir.

- Quem? - O m�dico da minha m�e.

Disse que, na opini�o dele, ela est� nos seus �ltimos dias

e eu e minha irm� dever�amos ir l�.

Comigo?

� melhor n�o.

Mesmo que ela morra?

Esperemos que morra mesmo.

Mal de mim ter de ir l� duas vezes.

Terei de ganhar coragem.

Meu querido...

Ir sem ti para uma Londres gelada.

Uma Londres cruel.

Uma Londres infernal.

Vamos foder?

O camareiro, o camareiro-mor,

o marechal do Corpo Diplom�tico e o superintendente, Majestade.

Pedi que viessem porque tomei uma decis�o sobre a Comiss�o da Coroa��o.

Gostaria que o meu marido fosse o presidente da comiss�o.

Isso � imposs�vel. S� pode haver um presidente.

Tanto quanto sei, tamb�m s� tenho um marido.

O duque de Norfolk conta que seja ele.

- Afinal, � Earl Marshall. - N�o digo que n�o.

E Chief Butler da Inglaterra.

Seria o 16 duque de Norfolk a ter esse papel.

Presidiu � coroa��o do seu pai e o pai dele � do seu av�.

Presidir � coroa��o � fun��o dos Norfolk.

- N�o podes dar outro trabalho ao Philip? - Qual?

Arranjar um fot�grafo?

Ele quer a presid�ncia. Com autonomia total.

Portanto, � o que eu quero.

- O Norfolk pode ser vice-presidente. - Porque n�o pensas nisso?

J� pensei e a minha decis�o mant�m-se. Obrigada.

O duque de Norfolk ficar� furioso.

- Sim. E o Bernard enfurece-se t�o bem. - O que sugere?

Anuncio o Bernard e a sanidade manter-se-�.

A rainha � jovem.

E tem de aprender o que todos os jovens generais aprendem.

O qu�?

As batalhas a travar e as batalhas a esquecer.

- E o que quer que fa�a? - O mesmo de sempre, Tommy.

Exactamente o que eu mandar.

Falei com o arcebispo da Cantu�ria,

que aceitou ajudar-nos com a outra quest�o delicada.

O duque de Windsor.

- Quando chega? - Creio que esta tarde.

Que Deus nos ajude.

- E quando ir�o reunir-se? - Pens�mos no dia de amanh�.

�ptimo. Quanto mais cedo, melhor.

- Seja firme, Tommy. - Sim, Majestade.

Esse � como merc�rio. Escapa pela fenda mais �nfima.

Boa tarde.

Regressei a Londres para visitar a minha m�e, a rainha Mary,

que, e muito me apraz dizer, melhorou imenso nos �ltimos dias.

Muito obrigado.

Minha querida...

Londres est� horrenda e infernal,

carregada de parentes meus do mais presun�oso e horr�vel que h�.

Todas as tardes vou ver a minha m�e

e, apesar de n�o parecer t�o mal quanto os m�dicos me preveniram,

nunca mais poder� sair dos seus aposentos, quanto mais aparecer em p�blico.

O que foi?

N�o v�s.

N�o vou a lado nenhum, mam�.

� das coisas mais dif�ceis que j� tive de suportar.

Passar tanto tempo com uma mulher que tem sido t�o m�

e desumana contigo, minha querida, est� a deixar-me esgotado.

Entre.

- Desculpe incomodar, Alteza. - O que foi?

O secret�rio particular do arcebispo da Cantu�ria ligou

a solicitar uma reuni�o consigo.

Sobre o qu�?

Ele n�o disse. Gostaria que fosse amanh�.

Tenho alguns compromissos, mas o arcebispo que venha almo�ar.

Na verdade, sugeriram que fosse �s 16h.

- Est� bem. Serviremos ch�. - No Pal�cio de Lambeth.

Claro.

N�o sendo rei, serei eu a ir ter com eles.

- Obrigado. - Boa noite, Vossa Alteza Real.

Sua Alteza Real, o duque de Windsor, vossa Gra�a.

O que vem a ser isto?

- � uma emboscada? - De todo.

Apenas uma reuni�o de velhos amigos

que vieram, juntos, apelar ao senhor duque em pessoa,

na esperan�a de que fa�a o que todos achamos que seria...

O mais acertado.

- Em rela��o a qu�? - � coroa��o.

O que tem a coroa��o?

Reconhecemos que, como...

Como membro da fam�lia da rainha, tem o direito de comparecer,

mas tamb�m pensamos

que a presen�a nesta cerim�nia sagrada

de algu�m que, independentemente das raz�es,

n�o se sentiu capaz de assumir

ele pr�prio as obriga��es

poderia causar m� impress�o e seria muito perturbador.

Para quem?

- Para todos os intervenientes. - N�o lhe perguntei, Tommy.

Isto � coisa da Bolacha, n�o �? Da rainha-m�e?

Tem os dedos rechonchudos dela por toda parte.

Ela pediu-lhe que fizesse o servi�o sujo e o arcebispo concordou. Que vergonha.

Pois eu irei se quiser, e quero, e a minha mulher tamb�m.

A resposta a isso � n�o.

Claro que a fam�lia real � obrigada a convid�-lo, como duque real,

mas a obriga��o n�o se estende � duquesa de Windsor

e � meu dever inform�-lo, em nome da fam�lia real e do governo,

com quem mantemos rela��es estreitas, que a sua mulher n�o ser� convidada.

� de loucos.

A cobardia e o esp�rito vingativo n�o conhecem limites.

A abdica��o foi h� 17 anos.

- N�o podemos enterrar o passado? - H� coisas que n�o se esquecem.

Quem de n�s, por exemplo, esqueceu o Somme?

Compara o amor e o compromisso p�blico que assumi com a minha mulher

com um massacre numa guerra mundial?

Porque n�o usar uma celebra��o como esta,

a investidura de uma nova soberana, uma jovem linda,

s�mbolo da modernidade, da mudan�a e do progresso, para virar a p�gina?

Decerto que a sofistica��o de uma sociedade

pode ser medida pela sua toler�ncia e capacidade de perdoar.

Pela sua fraqueza tamb�m.

�s vezes, � preciso estabelecer limites.

O Tommy � uma vergonha para a institui��o que serve

e para o pa�s a que ela serve.

Aceito um serm�o sobre vergonha nacional de muitos, mas n�o do senhor.

Convenhamos, tudo isto � uma palha�ada.

J� sabiam a resposta para a escolha que me deram

e � a mesma que causou essa inj�ria:

se eu faria algo para excluir ou desrespeitar a mulher que amo.

N�o, jamais. Dito isto, n�o virei � coroa��o da sobrinha

da qual sempre fui o tio favorito.

Saiba que a voz dela foi uma das mais ouvidas.

N�o me diga! Bem, j� sabemos a quem foi buscar o lado frio

e n�o foi ao meu querido e fraco irm�o.

O falecido rei n�o tinha nada de fraco.

Sei que falo por todos os presentes quando digo que foi um her�i.

Concordo.

"Senhor arcebispo

Que desnaturado me saiu

E quando v� algu�m em baixo Consegue ser ainda mais vil

Piedade crist� � coisa que nunca ouviu

Maus velhos tempos evoca

Maior hip�crita nunca se viu"

Uma rima composta para o seu p�rfido antecessor

na altura da minha abdica��o.

Estranhamente, acho que tamb�m se aplica a si.

Se fizer um comunicado, pode rev�-lo?

Com certeza.

Sei que � normal que monarcas n�o reinantes

estejam presentes na coroa��o.

Talvez possamos estender a cortesia a antigos reis.

Para me poupar o embara�o, pode ser que os desoriente.

Parece-me uma solu��o elegante.

E estou certo de que o conselho a apoiar�. Tommy?

Falarei com Suas Majestades e logo lhe darei uma resposta.

Recebemos uma chamada da Marlborough House.

� sobre Sua Majestade, a rainha Mary.

Minha querida...

Enfim, terminou o supl�cio.

A minha m�e passou mal � tarde

e come�ou com hemorragias durante a madrugada.

Os m�dicos encheram-na de calmantes e morfina

para que n�o sofresse.

No fim, morreu durante o sono.

Claro que fiquei triste,

mas n�o esque�o o rancor que guardou por mim,

o primog�nito, at� ao fim.

Acho que o seu sangue era t�o gelado em vida

como � agora que est� morta.

Mais tarde, todos os familiares se reuniram

para escolher os pertences com os quais mais gostariam de ficar.

Disse � Shirley Temple o que queria

porque n�o queria estar l� quando os chacais chegassem.

N�o me pareceu boa ideia.

Que gentinha desprez�vel s�o os meus familiares

e que bando de hienas tristes muitos deles se tornaram,

mas estou cansado de falar sobre isso.

Anseio pela nossa vida perfeita juntos,

longe dos membros rabugentos e maldizentes da Corte.

Amo-te, minha querida,

mais do que possas imaginar,

e estou furioso por n�o estares comigo, como � teu direito.

Enquanto a rainha Mary foi viva,

algo dos grandes reinos da rainha Victoria e de George V

pareceram viver com ela,

o que s� prova que o car�cter �, e continuar� a ser,

a for�a basilar da monarquia brit�nica.

Aonde quer que fosse, era sempre saudada com um aplauso

que advinha da mais profunda afei��o e respeito.

J� reparaste? � id�ntico ao funeral do teu pai.

� igualzinho. Cada pormenor, cada convidado.

E sempre se considerou uma serva do nosso pa�s,

o qual serviu at� o fim.

Assim que algu�m da tua fam�lia bate as botas, eles perguntam-se:

"Como fizemos da �ltima vez? Vamos fazer exactamente igual."

Entretanto, o povo est� trancado l� fora.

N�o deixarei que a tua coroa��o seja assim.

�s uma mulher jovem e simbolizas uma nova era

num mundo moderno, em constante mudan�a.

Acho que a tua coroa��o deve reflectir isso.

Desculpa. Desculpa, querida.

A terra � terra, as cinzas �s cinzas, o p� ao p�,

na esperan�a certa e inabal�vel da ressurrei��o para a vida eterna

perante nosso Senhor Jesus Cristo,

que morreu, foi sepultado e ressuscitou por n�s.

Senhoras e senhores...

Temos de ir.

Bom dia!

Aten��o.

Qual � o colectivo de um grupo de velhos presun�osos de Eton?

Rebanho? Alcateia?

Cardume?

Obrigado.

Meus senhores,

quero come�ar por dizer que me sinto muito honrado

por trabalhar hoje, nesta sala, com tamanhas mentes e talentos,

estando reunidos para organizar a melhor coroa��o para a minha mulher,

a rainha.

Todos estamos cientes a dimens�o do desafio que nos espera.

Os olhos do mundo incidir�o em n�s,

a Inglaterra estar� exposta e temos de causar a melhor impress�o.

Dadas as circunst�ncias,

a tenta��o ser� desenrolar o tapete vermelho

e seguir o exemplo das grandes e bem-sucedidas coroa��es do passado,

mas procurar inspira��o no passado seria um erro, a meu ver.

A Inglaterra de hoje n�o � a das coroa��es anteriores.

Suposi��es feitas aquando da coroa��o do meu sogro,

h� 17 anos, n�o podem continuar a ser feitas.

� por isso que penso que devemos adaptar a cerim�nia.

Torn�-la menos ostentosa, mais igualit�ria.

Mostrar mais respeito e sensibilidade para com o mundo real.

Temos uma nova soberana, jovem e mulher.

Vamos dar-lhe uma coroa��o

que seja adequada �s mudan�as que ela representa,

a modernidade e o progresso,

numa altura em que descobertas tecnol�gicas empolgantes

est�o a proporcionar-nos coisas com as quais nunca sonh�mos,

o que me leva ao pr�ximo ponto.

� uma vulgariza��o inconceb�vel.

A que dist�ncia prop�e que estas c�maras fiquem?

A uma dist�ncia muito discreta.

Nenhum close-up?

Planos aproximados.

N�o, tudo ser� feito com a maior sensibilidade

e respeito pela ocasi�o.

Mas tive uma ou duas ideias sobre a cerim�nia em si.

Como?

Ambos vemos o que se passa.

Temos um jovem casal a brincar

com os elementos mais estimados da nossa hist�ria e das cerim�nias.

A rainha n�o concordaria com nenhuma destas propostas radicais.

A televis�o � s� a ponta do icebergue.

A rainha s� est� a tentar manter a paz no quarto,

promovendo o marido e mantendo-o feliz, ocupado e viril.

- � isso que est� a acontecer, Winston? - Porqu�? O que � que ele prop�s mais?

- Primeiro-ministro. - Majestade.

Diga-me que a sua visita nada tem que ver com o meu marido.

Eu disse-lhe para n�o se exceder.

Ningu�m questiona os motivos do duque de Edimburgo

nem a sinceridade das suas cren�as.

Estou a ver. Ele excedeu-se.

As mudan�as que ele prop�e a uma antiga, sagrada

e jamais alterada liturgia...

... foram de uma ponta � outra.

E se fosse s� um neg�cio, decerto que seria aplaudido,

mas n�o � um neg�cio, � a Coroa.

E � importante que nos perguntemos...

Qual � o prop�sito da Coroa? Da monarquia?

A Coroa sujeita-se � vontade do povo para ser avaliada e responsabilizada

ou ser� que se deve manter acima de quest�es passageiras?

O que � que o senhor acha?

N�o. O que � que a senhora acha?

A decis�o � sua.

N�s regemo-nos por si.

Est� bem.

- O que � isto? Escondidas? - Disse para n�o te excederes.

E eu deixei claro: controlo total ou nada.

Sindicalistas e empres�rios? Na Abadia?

- Se te queres manter no trono, sim. - Uma coroa��o passada na televis�o?

Se queres evitar uma revolu��o, sim.

Esqueces-te de que vi em primeira m�o uma fam�lia real ser deposta

por n�o se entender com o povo.

Sa� da Gr�cia numa caixa de laranjas. O meu pai teria sido morto.

O meu av� foi. S� te estou a tentar proteger.

De quem? Do povo brit�nico? N�o sabes quem s�o nem o que querem.

Claro, sou o estrangeiro que n�o entende. Tudo bem.

Se queres uma cerim�nia que custe uma fortuna

enquanto o resto do pa�s vive de ra��es, for�a.

Depois n�o venhas chorar

quando a tua cabe�a e as dos meninos estiverem em espetos.

Se as pessoas t�m fome, querem algo que as anime.

E como as prop�es animar, se elas nem sequer podem ver?

As pessoas v�em a monarquia como algo superior a elas.

Uma inspira��o. Um ideal superior.

Se a levarmos �s suas casas e deixarmos que a vejam ao jantar...

Vais democratizar o processo! Inclu�-las, faz�-las compreender...

Est� bem!

Est� bem. Vou apoiar a transmiss�o.

N�o te vais arrepender.

Com uma condi��o.

Que te ajoelhes.

- Quem � que te contou? - O meu primeiro-ministro.

Disse que pretendias recusar.

S� perguntei se achava bem que, nos dias de hoje,

o consorte da rainha, seu marido,

se submetesse a ela em vez de ficar ao seu lado.

N�o te vais submeter a mim.

� o que vai parecer e vou sentir.

Sentir-me-ei um eunuco, uma ameba a ajoelhar-se diante da mulher.

Estar�s a ajoelhar-te perante Deus e a Coroa, como todos n�s.

Tu n�o te ajoelhas para ningu�m.

N�o me ajoelho porque j� estou esmagada com o peso.

Poupa-me a falsa humildade. N�o vejo nada disso.

- O que v�s? - Que est�s a gostar.

Despertou um lado teu autorit�rio e prepotente que eu nunca tinha visto.

E, em ti, uma fraqueza e inseguran�a que eu nunca tinha visto.

- �s minha mulher ou minha rainha? - Ambas!

Quero ser casado com a minha mulher.

Sou as duas e um homem forte ajoelha-se diante ambas.

- N�o me ajoelho para a minha mulher. - N�o � ela que o pede.

- A minha rainha ordena? - Sim.

Imploro que me abras uma excep��o.

N�o.

Despacha-te! Devem estar a chegar!

David! �s o anfitri�o, querido.

Vou j�.

Pela sexta vez na hist�ria de Inglaterra, uma rainha recebe a coroa.

� um grande dia para o povo brit�nico,

que vive uma �poca maravilhosa desde o fim da guerra.

Vemos a sair do Pal�cio de Buckingham

o coche hist�rico que leva a rainha e o duque

e se dirige � Abadia de Westminster...

Pessoal, ela est� a chegar

no horroroso coche real.

Foi feito em 1760 e � o ve�culo mais desconfort�vel que j� existiu.

TRANSMISS�O

Verifica��es finais, por favor.

- Porta oeste. - Porta oeste.

- Trif�rio. - Trif�rio a postos.

- Transepto sul. - Transepto sul a postos.

- �rg�o. - �rg�o a postos.

- Trif�rio 2. - Trif�rio 2 a postos.

Meus senhores... Tr�s, dois, um. Obrigado.

TRANSMISS�O

A rainha passa por baixo da ab�bada de Westminster,

na sombra de reis adormecidos,

soldados e poetas que, durante s�culos, viram a grandeza da Inglaterra.

- Quem � aquele? - Quem?

� Lorde Mountbatten, tio do duque de Edimburgo.

O homem que perdeu a �ndia e a pr�pria mulher.

Encornado por Nehru, na verdade.

Trif�rio 2. Vire � esquerda, por favor.

Esquerda. Esquerda.

Aproximam-se agora quatro cavaleiros da Jarreteira,

os duques de Wellington e Portland, o conde Fortescue e o visconde Allendale,

com um p�lio dourado para ocultar Sua Majestade

durante o mais sagrado dos rituais da coroa��o: a un��o.

Em tr�s, dois, um...

TRANSMISS�O

Onde � que ela se meteu?

Chegou a altura da un��o.

O momento mais santo, solene e sagrado

de toda a cerim�nia.

Ent�o, porque n�o o podemos ver?

Porque somos mortais.

Vossa Majestade est� disposta a fazer o juramento?

Sim, estou.

Jura manter e preservar...

Inviolavelmente?

Eu juro.

Que as vossas m�os sejam ungidas com �leo sagrado.

Que o vosso peito seja ungido com �leo sagrado.

Que a vossa cabe�a seja ungida com �leo sagrado.

Como reis,

sacerdotes e profetas s�o ungidos

e como Salom�o

foi ungido rei

por Zadok, o sacerdote, e Natan, o profeta,

sede v�s tamb�m ungida, aben�oada

e consagrada rainha dos povos que o Senhor vosso Deus

vos deu para reinar e governar,

em nome do Pai, do Filho e do Esp�rito Santo.

�men.

�men.

�leos e juramentos. Orbes e ceptros.

S�mbolo sobre s�mbolo.

Uma rede insond�vel de mist�rios e liturgias arcanas

de tal modo indefinida

que nenhum cl�rigo, historiador ou jurista

jamais conseguiria desembara�ar.

- � de loucos. - Pelo contr�rio, � perfeitamente s�o.

Quem quer transpar�ncia, quando se pode ter magia?

Quem quer prosa, quando se pode ter poesia?

Se afastarmos o v�u, o que resta?

Uma jovem comum de capacidades modestas

e pouca imagina��o.

Mas se a vestirem assim e a ungirem com �leo...

Abracadabra! O que temos?

Uma deusa!

Deus salve a rainha! Deus salve a rainha!

Deus salve a rainha!

Deus salve a rainha! Deus salve a rainha!

Deus salve a rainha!

E pensar que abdicou de tudo isto...

A oportunidade de ser um deus.

Abdiquei por algo superior.

Por amor.

Eu, Philip, duque de Edimburgo,

submeto-me a v�s de corpo e alma e prometo a minha adora��o terrena.

Tereis a minha lealdade e honestidade

enquanto viverdes e at� morrerdes, contra tudo e contra todos.

Que Deus me ajude.

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