Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
- Abastecido? - Abastecido.
Cal�os em posi��o.
- Interruptores desligados. - O senhor tem a certeza?
Quando casei, fizeram-me marechal da For�a A�rea.
Consequentemente, sou o piloto mais qualificado do pa�s
e nem sequer sei pilotar.
- Sim, tenho a certeza. - Muito bem.
- Preparado? - Preparado!
Aqui vamos n�s!
Credo.
- Est� bem? - Sim, estou �ptimo.
- � a sua vez. O comando � seu. - O comando � meu?
Lembre-se do que lhe disse.
Tome aten��o ao alt�metro e � b�ssola e mantenha a alavanca nivelada.
Muito bem, est� equilibrado.
Para a esquerda, depois para a direita.
- E nivele. Perfeito. - � barulhento, n�o �?
Est� melhor?
Meu Deus...
- N�o � maravilhoso? - � um para�so.
Combateu na Batalha da Inglaterra, n�o foi?
Sim. Fiz parte do esquadr�o 257.
- E o que pilotou? Spitfires? - Sobretudo Hurricanes.
- E matou algu�m? - Um ou dois.
N�o dever�amos ligar o motor? O ch�o parece terrivelmente perto.
Estamos demasiado baixos. Faremos a aterragem sem motor.
- O comando � meu. - O comando � seu.
Foi maravilhoso.
- Para a semana, � mesma hora? - Que tal amanh�?
INTERVEN��O DIVINA
- Os valores mais recentes. - Obrigado.
Obrigado.
INSTITUTO DE METEOROLOGIA 4 DE DEZEMBRO DE 1952
Johnson, o que acha disto?
Interessante.
Chefe?
Acho que devia ver isto.
Compreendo.
Chefe.
Meu Deus.
Desculpe, n�o pode entrar a�. Est� a ouvir?
Queira desculpar, mas acho que devia ver isto.
Santo Deus.
Temos de emitir um alerta.
Para nos protegermos.
Kenneth, como cientista-chefe, o alerta deve ser redigido por si.
Mande para o PM.
Claro que n�o o ler�, mas o importante � que o mandemos.
Vou j� mand�-lo para Downing Street.
Espere a�, por favor.
Se Vossa Majestade puder, incline-se para a frente.
Respire fundo...
E expire.
O ar est� um pouco pesado. Talvez ajude se abrirmos a janela.
N�o enquanto estiverem a ensaiar.
O que est�o a ensaiar?
O meu funeral.
Est� aqui. Menina Scott.
- Sr. Thurman. - Sr. Collins.
- Pedi isto para o senhor. - Obrigado.
N�o sou cientista, n�o posso dizer que perceba,
mas sei que n�o se recebe um alerta clim�tico assim todos os dias.
Nem todos os meses, quanto mais.
Ali�s, acho que nunca recebemos um.
O nome Donora diz-lhe alguma coisa?
Donora?
SEDE DO PARTIDO TRABALHISTA
Claro que me lembro de Donora. Foi um esc�ndalo.
Uma terriola americana, nos arredores de Filad�lfia?
Pittsburgh.
Apanharam um nevoeiro de fumo causado por um anticiclone inesperado
que reteve as emiss�es de... cobre?
- Zinco. - No nevoeiro.
- Em poucos dias, muitos morreram. - Vinte.
E milhares ficaram gravemente doentes devido a esse nevoeiro t�xico.
Uma delega��o interpartid�ria foi enviada � cidade
para redigir um relat�rio urgente.
Recomendaram que �reas de ar limpo fossem implantadas em Londres
como medida preventiva.
- Nunca cheguei a ver o relat�rio. - Faz sentido.
O primeiro-ministro deitou-o fora. Disse que n�o era uma prioridade.
- Tem provas do que diz? - Tenho, Sr. Atlee.
As actas do conselho de ministros sobre a mat�ria.
Ele insistiu que o pa�s queimasse carv�o de forma descomedida no Inverno
para dar a ilus�o de uma economia s�lida.
- Isto � fant�stico, Clem. - Sem d�vida que � interessante.
S� n�o percebo uma coisa.
Porque � que algu�m de Downing Street, que trabalha para o governo,
me trouxe estas informa��es?
Eu li A Eneida, Sr. Thurman.
"N�o confiem no cavalo, troianos.
Temo os gregos, mesmo quando trazem presentes."
Sr. Atlee, eu estou ao servi�o do povo
e do governo, seja ele qual for,
mas tamb�m sou um cidad�o respons�vel
e n�o posso ficar de bra�os cruzados enquanto o caos reina � minha volta.
Isto n�o � um governo, Sr. Attlee.
� uma cambada de velhos hesitantes e medrosos,
incapazes de destituir outro ainda mais velho, tir�nico e alucinado.
O seu governo foi o mais radical e progressista
que este pa�s j� viu.
N�o percebo como perdeu as elei��es.
Ningu�m percebe.
Acredito que eu estaria a fazer um favor ao povo e ao pa�s,
se eu ajudasse a correr com ele e trouxesse o senhor de volta.
E, para tal, procura-me com um grande plano
que requer que crucifique os Tories por n�o conseguirem lidar com um nevoeiro
do qual ainda nem h� sinal?
Neste momento, estou a ver estrelas.
- Boa noite. - Boa noite.
OS MEUS PRIMEIROS ANOS WINSTON CHURCHILL
Menina Scott!
Obrigado pelo cuidado, mas � tarde.
- V� para casa. - Estou a ir!
N�o me serve de nada cansada. Boa noite.
- Ainda c� est�? - Boa noite, senhor primeiro-ministro.
Boa noite.
- Boa noite, Pat. - Ol�.
Nem te mexeste.
Presumo que a resposta continue a ser "n�o".
- A qu�? - Ao meu convite para ir sair.
Ou seja, irmos ao bar, sentarmo-nos a beber um copo,
fazermos olhinhos a uma cambada de ordin�rios,
deixar que nos embebedem para os trazermos para casa
s� para confirmarmos que s�o realmente ordin�rios?
N�o, obrigada.
Credo. O que vais fazer na minha aus�ncia?
Vou passar tempo na companhia de uma pessoa extraordin�ria.
"Ou�am o que vos digo, jovens do mundo inteiro,
e gritem aos sete ventos.
A terra pertence-vos, em toda a sua plenitude.
Sejam gentis, mas destemidos,
pois s�o hoje mais importantes do que nunca.
Vistam o manto da mudan�a, pois chegou o vosso momento."
PRIMEIRO DIA 6 DE DEZEMBRO DE 1952
Bom dia.
S�o 8h, hoje � 6 de Dezembro e estas s�o as not�cias do dia.
Londres parou devido a um nevoeiro denso que desceu durante a noite.
Formaram-se muitas filas nas vias principais
e h� relatos de automobilistas a abandonar os carros e a seguir a p�.
O aeroporto de Londres dever� fechar.
Santo Deus.
O Instituto de Meteorologia emitiu um comunicado
a atribuir a culpa a um anticiclone que paira sobre Londres.
O fumo das chamin�s est� preso ao n�vel das ruas,
o que intensifica o nevoeiro.
Dada a falta de vento, prev�-se que dure algum tempo.
Cuidado l� fora. � um verdadeiro nevoeiro de fumo.
O carro est� pronto?
A visibilidade reduzida n�o permite fazer o trajecto.
O qu�? 200 metros?
Foi considerado muito arriscado.
Tenho marcada na agenda uma visita � minha av�
e tenciono faz�-la.
Se conduzir � demasiado arriscado, s� h� uma coisa a fazer.
Eu vi isso.
Ser� que pode fingir que n�o viu?
A rainha est� aqui, Majestade.
- Pode ser mais espec�fica? - Majestade?
- Qual das rainhas? - A rainha Elizabeth.
- Qual? S�o duas. - A jovem.
A rainha!
Pensei que todas fossem rainhas.
- Deram-me uma lista. - E somos.
Fui a rainha enquanto o meu marido, o rei, foi vivo,
mas, ap�s a sua morte, deixei de ser a rainha
e passei a ser s� rainha Mary.
A vi�va do meu filho tamb�m era a rainha mas, com a morte do marido,
tornou-se rainha Elizabeth, a rainha-m�e.
A filha dela, Elizabeth, � a rainha actual, o que faz dela...
- A rainha. - Bravo.
As enfermeiras e as freiras sofrem do mesmo mal.
- Somos todas chamadas de "irm�". - � verdade.
Ela est� l� fora. A rainha.
Mande-a entrar, irm�.
- Venho em m� altura? - De todo.
- Como est�? - Melhoro sempre que te vejo.
E posso melhorar ainda mais, se me prometeres uma coisa.
- � s� dizer. - N�o me perguntes como estou.
Todos me perguntam o mesmo.
Se n�o morro de uma doen�a pulmonar, morro de conversas que n�o interessam.
Est� bem, eu prometo.
Mas, se realmente estiver bem, queria falar-lhe de uma coisa.
Est�s � vontade.
Eu estava a ouvir a r�dio esta manh�
e descreveram este nevoeiro como interven��o divina.
Na carta que me enviou,
a av� disse...
"Ser leal aos ideais que herdaste � o teu maior e principal dever
porque o chamamento vem da mais alta inst�ncia: Deus."
Sim.
Acredita mesmo nisso?
A monarquia � a miss�o sagrada de Deus para aben�oar e dignificar a Terra.
Para dar aos comuns um ideal ao qual aspirar,
um exemplo de nobreza e incumb�ncia para melhorar as suas tristes vidas.
A monarquia � um chamamento de Deus.
Da� a coroa��o ser numa abadia e n�o num pr�dio governamental,
sermos ungidos, n�o nomeados.
� um arcebispo que p�e a coroa na cabe�a,
n�o � um ministro nem um funcion�rio p�blico.
Como tal, tu respondes perante Deus, n�o perante o povo.
N�o sei se o meu marido concordaria.
Ele diria que, em qualquer sociedade moderna e justa,
Estado e clero devem estar separados.
Que, se Deus tem servos, eles s�o padres, n�o reis.
Tamb�m diria que viu a pr�pria fam�lia a ser destru�da
porque eram vistos pelo povo
como a personifica��o de ideais indefens�veis e inconceb�veis.
Mas ele representa uma fam�lia real cheia de oportunistas e novos-ricos
que remonta a quando? H� noventa anos?
O que sabe ele sobre Alfred, o Grande? Do Ceptro da Igualdade e da Miseric�rdia?
De Edward, o Confessor?
De William, o Conquistador, ou de Henry VIII?
� a Igreja de Inglaterra, querida,
n�o a Igreja da Dinamarca ou da Gr�cia.
Pr�xima pergunta.
Est� um caos l� fora.
Perturba��es nas linhas dos comboios, voos cancelados...
Esta manh�, na Richmond Bridge, a visibilidade oficial era de um metro.
Caso n�o saiba, � o valor mais baixo de sempre.
O nosso amigo troiano de Downing Street
anda a falar com os amigos do Instituto de Meteorologia.
Dizem que � s� o come�o. Que s� deve piorar.
Sei que quer que avance com uma mo��o de censura
e decerto me achar� demasiado cauteloso por n�o o fazer,
mas o primeiro-ministro precisa de ter uma oportunidade,
mesmo que seja s� para se queimar.
Vejamos como reage o velho caduco.
Pronto, pronto...
Cuidado! Saia da frente!
Bom dia.
Ainda bem que algu�m conseguiu vir. Ningu�m esperava por esta, pois n�o?
N�o.
Senhor primeiro-ministro? Est� aqui?
- Ainda bem que conseguiu vir. - Queira desculpar, s� estava a...
N�o, fez bem em vir. Aposto que metade n�o veio.
N�o foi f�cil. At� atravessar a rua � arriscado.
Ent�o, n�o venha. � demasiado importante para n�s.
Ora, s� trago coisas para assinar e levo-as novamente comigo.
Faz com que tudo ande sobre rodas,
o trabalho seja feito e o pa�s governado.
Mas qual � a minha contribui��o pessoal?
Melhora a vida de todos � sua volta.
Um bibel�. Uma flor.
Com a minha idade, o senhor j� tinha obras publicadas
e era um oficial de cavalaria, destacado na �ndia,
que lutava contra tribos locais na fronteira noroeste.
Quem lhe disse isso?
Pediu-me para me relacionar com um jovem da minha idade.
Por isso, ando a ler a sua autobiografia.
N�o era bem isso que tinha em mente.
"Ou�am o que vos digo, jovens do mundo inteiro,
e gritem aos sete ventos.
A terra pertence-vos, em toda a sua plenitude.
Sejam gentis, mas destemidos,
pois s�o hoje mais importantes do que nunca.
- Vistam o manto da mudan�a... - Pare.
... pois chegou o vosso momento."
O senhor tinha 24 anos.
Um po�o de energia, esperan�a, paix�o e fogo.
� extraordin�rio.
Encontrou algo de que gostasse naquele jovem?
Encontrei.
Bom dia.
S�o 8h, hoje � 7 de Dezembro e estas s�o as not�cias do dia.
O nevoeiro denso que parou ontem grande parte da capital
mant�m-se esta manh�,
deixando os servi�os de emerg�ncia � beira da ruptura
e o pa�s mergulhado no caos.
Sinalizadores est�o a ser usados para guiar automobilistas na capital.
Os comboios est�o parados ou com v�rias horas de atraso
nas principais esta��es londrinas.
O PM enfrenta duras cr�ticas por n�o resolver a crise crescente.
O aeroporto voltou a fechar.
- Todos os voos foram cancelados. - Bolas.
Prev�-se que o nevoeiro persistente, j� com mais de 50 km de extens�o,
mergulhe a cidade na escurid�o �s 14h de hoje.
Est�s bem?
N�o est�s.
V�, levanta-te.
N�o, eu estou bem. Juro.
� s� porque a janela estava aberta.
Vai trabalhar. Tens o teu emprego.
Vamos come�ar pela tens�o no Egipto,
onde as paix�es anticoloniais continuam fortes
e os nossos soldados continuam a ser atacados
por insurgentes nacionalistas.
� fundamental que resistamos e defendamos o canal do Suez,
um ponto que discutirei pessoalmente com os dirigentes da Commonwealth
quando os receber em Chequers, no fim-de-semana.
- Se o tempo o permitir. - � verdade.
Quais s�o as �ltimas informa��es?
Sobre o clima?
� nevoeiro. Acabar� por dissipar-se.
Esperava uma explica��o mais cient�fica.
Ent�o, amanh�, tratarei de incluir um relat�rio barom�trico na sua caixa,
cheio de gr�ficos de press�o atmosf�rica e humidade.
O Inverno est� a ser particularmente frio
e h� um limite para as coisas �s quais eu, o primeiro-ministro,
aceito sujeitar os seus s�bditos como recompensa por ganharmos a guerra
e triunfarmos sobre o fascismo, a maldade e a tirania.
Deix�-los morrer congelados n�o � uma delas.
- N�o parece muito preocupado. - E n�o estou.
Sabe que o meu falecido pai escreveu, h� muitos anos, aos seus antecessores
preocupado com as centrais a carv�o que o seu partido estava a construir.
� um facto.
E eu acolhi com compreens�o as preocupa��es dele na �poca,
como acolho os artigos dos jornais de hoje,
sedentos de sangue, a exigir a minha demiss�o.
As pessoas precisam de ter raiva de algu�m
mas, como l�der, n�o posso reagir a tudo.
Precisamos das centrais, do carv�o.
As pessoas precisam de queimar carv�o para aquecer as casas.
- � o clima! Vai passar. - Espero bem que sim.
Nem que seja por o meu marido estar com um humor insuport�vel.
Porqu�?
Por estar preso. Por n�o poder voar.
Voar para onde?
Para lado nenhum. Ele est� a aprender a pilotar.
Para qu�?
N�o temos pilotos qualificados para lev�-lo aonde quer que precise?
Quer ser ele a pilotar.
� um sonho de inf�ncia. Algo que ele sempre quis.
Porque n�o consultou o governo?
Porque � um assunto particular. E eu sou a favor.
Nada do que suas altezas fazem � um assunto particular.
E o pai do futuro rei da Inglaterra
a arriscar a vida sem necessidade � inaceit�vel.
Pe�o-lhe que n�o restrinja ainda mais as liberdades pessoais do meu marido.
J� lhe tiraram a casa, o apelido.
Tem de haver limites.
E estabelecer esses limites cabe ao conselho de ministros, n�o a si,
algo que o seu querido pai certamente lhe teria ensinado,
se tivesse tido mais tempo para completar a sua educa��o.
E, agora, o nosso tempo acabou.
At� para a semana.
Senhor primeiro-ministro.
Relat�rio meteorol�gico...
Bom dia. S�o 8h, hoje � 8 de Dezembro e estas s�o as not�cias do dia.
O nevoeiro intenso e sufocante,
que j� causou dois dias de caos por toda a capital,
piorou durante a noite.
As grandes centrais el�ctricas a carv�o em Battersea e Fulham
tentaram reduzir as emiss�es do t�xico di�xido de enxofre,
mas foi-nos dito que � improv�vel que isso produza mudan�as significativas
na qualidade do nosso ar.
Espera-se um comunicado do governo ao fim do dia.
- V�, vamos ao hospital. - Eu estou bem.
N�o est�s nada. V�, toca a levantar.
Sapatos.
V�...
Um bra�o, agora o outro.
- N�o consigo respirar. - Faz o que te digo e agarra-te a mim.
Anda.
D�-me a m�o.
Deixem passar!
A senhora est� bem?
Estamos a perder o controlo da hist�ria.
A oposi��o est� danada. Temos de replicar.
Replicar como?
Sugiro a abertura de um inqu�rito p�blico.
Um inqu�rito � caro.
As pessoas est�o furiosas. Somos vistos como culpados.
De qu�? � nevoeiro! Nevoeiro � nevoeiro.
Aparece e desaparece.
Que bom que o primeiro-ministro ainda arranja tempo para brincar.
Talvez deva lembr�-lo da gravidade da situa��o.
Esta manh�, um comboio passou por cima de um grupo de funcion�rios da ferrovia
matando v�rios e ferindo muitos mais.
Em v�rias partes da capital, h� um colapso total da lei e da ordem.
Os hospitais est�o atolados porque os cidad�os londrinos
est�o a respirar fumos t�xicos...
�s vezes, temos sol.
Se temos sol a mais, chamam-lhe seca.
Depois, temos chuva.
Se for chuva a mais, chamam-lhe dil�vio
e tamb�m tratam de nos culpar por isso.
� interven��o divina, Bobbety. � o tempo.
Quer queiramos, quer n�o, apanhamos bom e mau tempo na ilha.
Francamente, h� assuntos mais urgentes para tratar.
- Como o qu�? - O duque de Edimburgo!
Tem uma chamada. � o marqu�s de Salisbury.
- Agora n�o. - Pede para dizer que � importante.
- Bobbety. - Obrigado por atender, Dickie.
- Est� sozinho? - Estou.
Algu�m pode ouvir o que est� a dizer?
- N�o. - �ptimo.
- � o caos! - Eu sei.
As enfermarias est�o cheias, os corredores idem.
Muitos m�dicos est�o doentes, os que est�o bem n�o conseguem vir.
Nem na guerra estivemos t�o mal.
De que precisam? Mais equipamentos? Mais m�scaras?
As m�scaras s�o s� uma fachada para o governo ficar bem visto.
- O que � necess�rio? - Dinheiro, gente, pessoal treinado.
Precisamos de ajuda e com urg�ncia.
Deixe-a descansar, por ora.
Talvez possa falar com pessoas que fazem a diferen�a.
- Como quem? - O primeiro-ministro, por exemplo.
Vai a Downing Street sussurrar-lhe isso ao ouvido?
Mais ou menos isso.
O meu dia j� est� mau o suficiente sem levar com piadas de alucinadas.
Com licen�a. Enfermeira? Enfermeira?
- Vai ver. - Saia do caminho.
- Jim, onde est�s? - Aqui.
Chamem uma ambul�ncia!
Quanto tempo mais vai dar ao velho? A maioria � pequena.
Basta uma mo��o de censura e o governo ser� derrubado.
Sabe o que ele lhe chama?
Sei. Cordeiro em pele de cordeiro.
Talvez seja altura de provar que n�o o �.
Muito bem. Vamos redigir uma mo��o e informar os l�deres parlamentares.
- Boa tarde. - Obrigado.
A RAINHA
- Alguma coisa interessante? - Sim.
- Podes partilhar comigo? - N�o.
Adoraria mostrar-te diagramas de gradientes adiab�ticos
como um acordo de troca por troca.
Um planeio em troca de alguns minutos no conselho de ministros, por exemplo.
N�o? Um �ngulo diedro ou um tecto absoluto.
S�o conceitos muito interessantes que podes aprender
em troca de um relat�rio do Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros.
� preciso voltar a explicar a minha posi��o?
- N�o. - �ptimo.
"Depois de experimentar voar, passar� a andar de olhos postos no c�u,
onde esteve e para onde desejar� sempre voltar."
Sabes o que torna isto extraordin�rio?
Diz l�.
Foi escrito 300 anos antes de o Homem entrar num avi�o.
Leonardo da Vinci.
Philip, eu sei...
Lorde Mountbatten, Majestade.
- O que faz o meu tio Dickie aqui? - Sei tanto quanto tu.
- Disse que era importante. - Obrigada.
Elizabeth.
- Ol�. - Vim assim que pude.
Ent�o...
A reuni�o � com a Elizabeth, a tua sobrinha, minha mulher?
- Ou com a rainha? - Com a segunda, desculpa.
Certo, ent�o j� conhe�o o meu lugar.
- O que � que ele tem? - Nada.
S� se sente um pouco preso. Ignore-o.
Muito bem, sou toda ouvidos.
Hoje recebi um telefonema do Bobbety Salisbury.
Parece que, mesmo entre os pares, a opini�o � que o primeiro-ministro
n�o � capaz de lidar com uma crise nacional.
Pode mesmo estar a ser visto como o respons�vel por essa crise.
Os hospitais est�o atolados, as pessoas est�o a morrer.
Como soberana, tem o direito de exigir
que um governo em seu nome mostre uma lideran�a eficaz.
A oposi��o vai avan�ar com uma mo��o de censura.
Como tal, diria que chegou a hora
de convocar Churchill e...
E o qu�?
Insistir para que ele saia.
- N�o posso fazer isso. - Pode e deve.
Isso n�o seria uma viola��o da Constitui��o?
Como rainha,
tem o direito de ser consultada,
o direito de encorajar, de avisar
e de nomear um novo primeiro-ministro na eventualidade da sua incapacidade.
E muitos diriam que o comportamento de Churchill
constitui agora uma incapacidade.
- A revolu��o que venha de dentro. - Est�o a esfor�ar-se nesse sentido.
Ent�o, esforcem-se mais.
� o que far�o, mas preferiam que n�o houvesse sangue.
Por isso, pedem a sua ajuda e influ�ncia.
N�o posso nem vou fazer isso.
N�o esque�amos que foi Churchill
quem negou aos filhos do Philip o apelido do pai.
- Dickie. - E insistiu que morassem no pal�cio.
Como todos moraram.
E, agora, com pilhagens nas ruas
e os corredores dos hospitais cheios de mortos,
ele s� se interessa por uma coisa:
impedir o Philip de voar.
O qu�?
No conselho de ministros de hoje,
onde s� se devia falar da crise que a na��o enfrenta,
o primeiro-ministro s� quis discutir
o novo passatempo do seu marido.
- Sinto muito. - Quem s�o os pais dela?
O pai dela � um cl�rigo, de Suffolk.
- J� foram notificados. - Quero ir ao hospital.
H� uma reuni�o na C�mara na qual o senhor deve comparecer.
A C�mara que espere.
- Deseja falar comigo, Majestade? - Sim, Tommy.
Sei que o meu pai contava muito consigo
e que trabalhavam com grande proximidade,
raz�es pelas quais lhe pe�o um conselho hoje.
Parece que o primeiro-ministro,
um homem que liderou o pa�s em v�rios per�odos de crise,
j� n�o nos est� a liderar.
Foram-me feitas solicita��es
atrav�s de um intermedi�rio do governo
para interceder e pedir que ele renuncie,
passe a pasta a um homem mais jovem,
o que me traz � minha pergunta.
Quais s�o as minhas responsabilidades como chefe de estado?
O que devo fazer?
Quando � pelo interesse nacional, at� onde posso ir?
N�o sei se Vossa Majestade sabe, mas, pouco antes da morte do seu pai,
o Ministro dos Neg�cios Estrangeiros, Sr. Eden,
veio implorar que o rei interviesse,
se n�o a n�vel oficial, ent�o como amigo,
para pedir ao primeiro-ministro para renunciar.
- E o que disse o meu pai? - Bem...
Sua Majestade era, como o pai fora, muito fiel � tradi��o e �s conven��es
e jamais faria algo que violasse a Constitui��o
ou ultrapassasse os limites.
- J� tenho a minha resposta. - Mas isso foi o rei, n�o a rainha.
E eu leio os jornais, ou�o o r�dio
e a situa��o que vivemos hoje
� muito diferente daquela que viv�amos quando o Sr. Eden procurou o seu pai.
Outra situa��o, outro soberano.
Espere por mim aqui.
Senhor primeiro-ministro?
Era apenas uma crian�a.
Uma linda crian�a.
Acabo de ter not�cias do Pal�cio de Buckingham.
- A rainha pediu uma audi�ncia. - Para quando?
O mais depressa poss�vel.
"Um po�o de energia, esperan�a, paix�o e fogo."
Senhor primeiro-ministro?
- Os jornais sabem que estou aqui? - N�o.
- Mas isso � f�cil de conseguir. - Ent�o, trate disso.
E diga � rainha que irei amanh�, logo pela manh�.
Depois de sa�rem os jornais.
Hoje...
Santo Deus...
Santo Deus.
Entrem. O primeiro-ministro chegar� dentro de instantes.
- Est�o prontos. - Sim, s� um momento.
Sil�ncio, por favor!
Sr. Churchill?
Hoje presenciei, neste hospital,
cenas que n�o via desde os dias mais sombrios do Blitz.
Mas, al�m do sofrimento, tamb�m vi puro hero�smo.
E, onde h� hero�smo, haver� sempre esperan�a.
Apenas Deus pode dissipar o nevoeiro,
mas eu, como primeiro-ministro,
tenho o poder de aliviar o sofrimento.
Para tal, pe�o a disponibiliza��o imediata
de mais fundos para equipas m�dicas,
equipamento e um inqu�rito p�blico completo
sobre as causas da polui��o a�rea
UM VERDADEIRO L�DER NA CRISE
para assegurar que tal calamidade
nunca mais volte a recair sobre n�s.
Obrigado a todos.
"O primeiro-ministro foi o �nico pol�tico
a visitar hospitais e a responder � crise pessoalmente
e foi recompensado com as aclama��es e os aplausos
de quem sofre com a maior nuvem de fumo que j� vimos."
Na manchete l�-se "Um Verdadeiro L�der na Crise".
O primeiro-ministro chegou.
"Os paralelos entre a sua apari��o de ontem
e os anos da guerra foram impressionantes
e a sua popularidade junto do povo mant�m-se inc�lume."
Estou?
Clem, ainda est� a�? Estou? Clem?
Clem, consegue ouvir-me? N�o? Est� bem...
O primeiro-ministro, Majestade.
Vossa Majestade.
- Mandou chamar-me? - Mandei.
H� uma quest�o delicada
que achei que devia tratar consigo pessoalmente.
E que quest�o � essa?
O seu lugar.
O meu lugar?
Sim, o seu lugar...
... como primeiro-ministro.
Prossiga.
Nessa altura, ela hesitou e pediu-me
para escolher entre Khawaja Nazimuddin, do Paquist�o,
ou Sidney Holland, da Nova Zel�ndia.
- Para qu�? - Para ficar ao p� de mim no jantar.
N�o posso crer. Ela chamou-te para isso?
N�o, acho que me chamou para me dar um raspanete por causa do nevoeiro,
mas a neblina dissipou-se
e ela teve de tomar uma decis�o ali, naquele preciso instante, no sal�o.
Dava para ver as engrenagens por tr�s dos olhos dela
e ela mudou de t�ctica sem hesitar, a espertalhona.
- Espertalhona, n�o. Arguta. - Porqu�?
Porque me desarmou e tamb�m me obrigou a mudar de t�ctica.
Em rela��o a qu�?
A deixar que o Philip aprenda a voar.
- Agora j� pode. - �ptimo.
Mas ainda deve pedir permiss�o para dar voltas e reviravoltas.
O que foi, minha querida?
E se o nevoeiro n�o se tivesse dissipado?
E se o governo tivesse continuado a debater-se?
E se as pessoas tivessem continuado a morrer?
E se Churchill tivesse continuado agarrado ao poder
e o pa�s tivesse continuado a sofrer?
N�o me parece certo, como chefe de estado, n�o fazer nada.
- � o mais certo. - �?
Mas n�o fazer nada � n�o trabalhar.
N�o fazer nada � o trabalho mais dif�cil de todos.
E consome toda a tua energia.
Ser imparcial n�o � natural, n�o � humano.
Haver� sempre quem queira que sorrias, concordes ou franzas o sobrolho
e, ao faz�-lo, marcas uma posi��o, um ponto de vista.
E � a �nica coisa, como soberana, que n�o tens direito de fazer.
Quanto menos fizeres, disseres, concordares ou sorrires...
Ou pensar? Ou sentir? Ou respirar? Ou existir?
... melhor.
Isso � bom para a soberana,
mas como � que eu fico?
Diga l�.
Quanto tempo demoro a tirar o brevete?
Um aluno passaria, normalmente, 100 a 120 horas num destes.
Acha que consigo em tr�s meses?
Isso seria invulgar.
Aprendo depressa e, acredite, n�o tenho mais nada que fazer.
Reparei que encheu o dep�sito.
- D� 68 litros? - Sim.
- Vamos almo�ar a Edimburgo? - Edimburgo?
Sendo duque de Edimburgo, devia ir l� de vez em quando.
- A n�o ser que tenha compromissos. - N�o, Alteza.
�ptimo. Vou ajustar as rota��es e a velocidade para um voo longo.
Teremos de pousar para reabastecer no RAF Finningley.
- A s�rio? Onde fica? - Em Doncaster.
Em Doncaster? Est� bem.
O Grande Nevoeiro persistiu de 5 a 9 de Dezembro de 1952.
Um relat�rio revelou posteriormente que matou entre 3500 a 4000 pessoas.
Estudos mais recentes indicam uma taxa de mortalidade de at� 12 mil.
A Lei do Ar Puro de 1956 foi promulgada para evitar a repeti��o da crise de 1952.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.