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Obrigado, pessoal, mas já preparei o discurso.
Que tal? " Após se formarem, saiam de Wisconsin...
ou acabarão em um moinho de queijo pelo resto da vida."
Em primeiro lugar, não é verdade. Está bem?
E segundo, é fábrica de laticínios, não moinho.
Terceiro, muitas tÊm ótimos benefícios.
Sério, Dave? Quais?
Poder levar queijo escondido dentro do macacão?
Quarto, nem todos em Wisconsin usam macacão.
-Que seja, Dave. -E quinto...
os macacões são confortáveis e funcionais...
para quem trabalha.
Algo que vocÊs, urbanitas cínicos, ignoram.
É verdade. Tenho um macacão...
que eu uso nos finais de semana.
Achei que usasse pijamas de pezinho nos finais de semana.
Sim, claro, uso, mas quando saio...
visto um macacão sobre o meu pijama, e boto para quebrar.
-O que está havendo? -Dave tem de discursar...
para os garotos do colegial.
Só estou fazendo um vídeo com alguns conselhos.
O professor de inglÊs me pediu.
-Não dava para escapar? -Eu não queria.
Aprendi mais com o Sr. Thernstrom que em todas as outras matérias.
Ah, entendi. Como: " não use drogas" .
Não. Ele tem aversão a clichÊs.
A mensagem dele era "tome-tome drogas" ?
Não. É que o padrão dele era mais sofisticado...
-Desculpe. -Sim, Matthew?
"Tome-tome."
Sim, isso mesmo, Matthew.
Tome-tome.
Tome-tome. Come-come.
Dave, esse tipo de material teria sido melhor em um moinho...
mas aqui está além da nossa compreensão.
-Da minha, não. -Nem da minha.
Obrigado, querida...
-Beth, o que há com suas mãos? -Tenho síndrome do túnel carpal.
Nossa, isso é terrível. As pessoas tÊm isso...
-por digitarem muito? -Sim.
-Como arrumou isso? -Não faço idéia.
-Se precisar se ausentar... -Tudo bem.
-Uma inconveniÊncia mínima. -Sim.
-Obrigado. -De nada.
-lmporta-se? -Não.
Obrigada.
WNYX.
Não, ele não está no momento. Quer deixar um recado?
Prossiga. Mas poderia falar mais devagar?
Obrigada. Às 1 4 horas?
Certo.
Sabe? Poderia ligar de novo...
pois está me dando câimbra.
Deputados esperam a aprovação do projeto antes do recesso.
Mais notícias a seguir.
Sabe, posso ajudá-la a solucionar isso se quiser.
-A solucionar o quÊ, Max? -O seu problema de fala.
Não tenho problema de fala.
Claro que tem. É o exemplo clássico do " esse sibilante" .
O meu esse não é sibilante.
O meu " essse" não é " sssibilante" .
Não falo assim.
-Não falo " asssim" . -Pare com isso.
-Pare com "issso" . -Cale-se.
Cale-se! Ssss.
-Só estou tentando ajudar. -Joe pôs ímãs para mim.
Legal, hein?
Tem luz o suficiente?
Relaxe. Vai dar certo.
Está levando esse vídeo muito a sério.
Sr. Thernstrom foi uma inspiração para mim.
E a professora de inglÊs para mim.
lmagino que ela não usava sutiã.
E, cara, se alguém precisava usar era ela.
Nossa, cara.
-Eu tenho problema de fala? -Não. Por quÊ?
Max diz que o meu esse é sibilante.
Ah, isso? Sim, sim.
-Mas é charmoso. -Como assim?
-É bonitinho. -Diga " sussurro" .
-Sim, sim. -Diga " sussurro" .
-Esqueça. -Ah, vamos.
Adoro quando ela diz " sussurro" .
Eu também. É bonitinho, não?
-Está bem, vamos lá. -Em trÊs, dois, um.
-Saudações, amigos... -E ação.
Saudações, amigos Grizzlies, e claro, Sr. Thernstrom.
Aqui é Dave Nelson, da turma de 83.
Naquela época, um sábio homem me deu dois valiosos conselhos.
Mire alto e nunca desista.
-Quando digo mire alto... -Cara. Tenho de parar.
-Algo errado com a câmera? -Não, é o discurso.
-O quÊ? -É um lixo.
Ótimo. Obrigado.
Largue a câmera. Eu mesmo faço isto.
-Está bem. Sim. -Certo. Obrigado.
-Saudações, amigos Grizzlies. -Perdão. Não posso permitir.
O que há? Estou dizendo para mirarem alto.
Eu mirei alto. Que bem isto me fez?
É um dos melhores eletricistas autodidatas...
e teoristas da conspiração que existem.
-Sim, mas tive sorte. -O que...
Escute. Quando estava na faculdade...
Fez faculdade?
Disse que era um local de desova para os escravos da elite dominante.
Nem todas as faculdades. Só a Ohio State.
Na faculdade, não queria fazer matérias fáceis como...
lnglÊs, História ou Comunicação.
Sim, eu fiz Comunicação, Joe.
É mesmo?
Mas então, quis escolher algo que me desafiasse.
Escolhi Matemática Aplicada.
Era a matéria mais difícil que poderia escolher.
Sem brincadeira.
Sim, por isso que um ano e meio depois fui jubilado.
Não quero que eles passem pela mesma humilhação que passei.
-O que está dizendo é... -Mire baixo.
Mire baixo. Um grande conselho. Mire baixo.
Mire baixo... Se tivesse diploma, acha que estaria aqui, agora?
Não. Estaria na Área 51 , com os grandões.
Seria engenheiro de tecnologia alienígena.
Não desperdiçaria minha fita isolante...
em máquinas de café, torradeiras e...
Esquece, cara. Divirta-se com seu discurso.
-Joe. -Bom dia, senhor.
-Vamos, Joe. -Disse: bom dia, senhor.
-"Sede sempre por saciar." -De novo.
-"Sede sempre por saciar." -De novo.
-"Sede sempre por..." -Pare.
Lisa...
de que parte de Boston vocÊ é?
Morei lá só até os sete anos. Como sabe?
-De qual parte? -Hyde Park.
Hyde Park?
Acho que não.
Parece ser de West Roxbury.
Estávamos no limite de West Roxbury...
-mas nosso CEP era de Hyde Park. -Claro.
Já vi isso antes.
E aos sete anos se mudou para...
-Connecticut. -Correto.
As crianças da escola nova riam do seu sotaque, então se livrou dele.
Pedi aos meus pais para fazer fono.
Um charlatão que " curou" o seu sotaque de Boston...
mas a sobrecarregou com os esses sibilantes.
-Max, isso não faz sentido. -"Sede sempre por saciar."
"Sede sempre por saciar."
-Saciar. -Saciar.
-Saciar. Senhor. -Saciar.
-Senhor. Senhor. -Senhor.
-Perfeito. -Tenho de ir.
Espere.
Perfeição não basta. Temos de ser super-humanos.
Para os ouvintes...
somos deuses.
-Não somos. -Ainda não.
Não até termos erradicado o esse sibilante.
Agora...
-répétez. -Répétez.
Não...
Não diga " répétez" .
-É " de novo" , em francÊs. -De novo o quÊ?
-Sede sempre por saciar. -De novo.
-Sede sempre por saciar. -Bom.
Agora, mais cinco mil vezes.
Mais freqüentemente do que imaginava...
deixamos de lado o raciocínio intelectual...
e seguimos o coração.
Quando eu digo " sigam o seu coração" , digo...
Olá, Wisconsin.
Ei, este é o meu chefe...
-Sr. Jimmy James. -Oi.
Algum conselho para os líderes de amanhã?
Sim, sempre usem camisinha.
E se sentem-se constrangidos de comprar na farmácia...
furtem. É fácil.
Obrigado, senhor. Vou ter de recomeçar.
-Desculpe. -Tudo bem.
O que está lhes dizendo sobre seguir o coração?
No colegial, achava que podia racionalizar as decisões.
Sim, entendi. Já lhe contei sobre a Margie?
-Marg... Acho que não. -A minha namoradinha, Margie.
Nossa, amava aquela menina.
Sim, mas após nos formarmos...
ela foi fazer faculdade no Oregon, e eu não queria largar meu emprego.
Fiquei na Flórida. Dissemos que escreveríamos.
Mas perderam contato, e se pergunta...
o que teria acontecido se tivesse seguido seu coração.
Não, Dave, segui o meu coração.
Deixei o emprego. Fui para Oregon, e me mudei para o dormitório dela.
Sim. E então foi tudo para o inferno. Eu não tinha emprego.
Ela tinha que roubar comida do refeitório...
A polícia do campus a pegou roubando bandejas.
Ela me culpou. Eu me alistei para me vingar dela.
Passei os dois anos seguintes, escapando de morteiros na Ásia.
Sim, mas se não tivesse seguido seu coração...
se perguntaria para sempre o que teria acontecido.
Ah, sim. Vamos pensar um pouco nisso.
Vejamos, um cozinheiro com dor de cotovelo em Ocala, Flórida...
ou um alvo humano depressivo em Cam Ranh Bay?
Teve maus momentos. Mas, senhor, o princípio...
Vou falar o que dizer a esses porcarias.
Diga a eles para que sigam a cabeça, sim?
A cabeça. Porque se o coração começar a falar...
faça com que a cabeça o mande calar a boca.
Não acredito que me fez ficar triste.
Por que trouxe o assunto da Margie à tona?
Bem, senhor, não trouxe. Senhor, senhor.
Eu não...
O quÊ?
Quer que eu a tire do ar. Por quÊ? Por quÊ?
lnflamação na garganta de novo? Beth?
Ligue para o médico faça com que atenda Lisa já.
-Dave, acabei de pôr o meu sapato. -Beth...
Bem...
Qual é o problema?
O problema é que eu fiz trÊs anos de fono...
tentando encobrir este horrível sotaque de Boston.
Após 45 minutos com Max, voltei à casa da sopa...
servindo bacalhau àqueles idiotas de Harvard.
O esse sibilante se foi.
Sou milagroso, ou não?
Dane-se, seu perdedor.
Obrigado, Beth, mas já ouvi muitas histórias pessoais...
deprimentes por um dia.
Dave, não é deprimente, é animadora, e é para os garotos.
Está bem. Estava na sétima série, certo?
Os meus pais me colocaram em uma escola particular...
então comprei o uniforme completo. A saia xadrez e as meias brancas?
Fui à escola no primeiro dia, e era a única de uniforme.
Acontece que esta escola específica não exigia uniforme.
Todos riram de mim.
-Deus, por favor, pare. -Só quis chorar, sabe?
Tive vontade. Mas não chorei.
Eu os acompanhei e ri, como se fosse piada.
E no dia seguinte, vesti o uniforme.
E se tornou a minha marca.
A garota que veste roupas malucas. Ha, ha, ha.
Como faz até hoje, não?
Sim, Dave. Porque quando começa, não consegue parar.
Ou vão achar que está se acovardando.
Passam-se 1 9 anos, e é uma mulher adulta que se veste como uma...
Não sei mais com o que me pareço.
Quer dizer, sabe?
Obrigado. Foi animador.
Diga aos garotos, Dave.
Conformem-se. Não se sobressaiam.
Adaptem-se.
Sejam "Maria vai com as outras" . Certo?
Ninguém deveria acabar assim, Dave.
Está um pouco emperrada.
Joe, não há nada errado com a minha gaveta.
-Talvez seja esta aqui. -Nada errado com essa.
-Lisa, pode me emprestar? -O grampeador?
Meu Deus, o que é isso na sua mesa?
-lsto? -Sim, como chama isso...
-lsso de novo? -Meu computador?
"Computador."
Não é engraçado, pessoal. Já chega.
Lisa, o que é isto na sua mesa?
Um lápis.
-Desculpe, não quer dizer "lápis" ? -Foi o que eu disse.
Sim, certo.
Vou pegar um refrigerante.
Pode me trazer uma garrafa de água?
Dave, diga-lhes para pararem de me provocar.
Diga vocÊ. É mais engraçado.
Pipoca. Boa escolha.
Obrigado.
Como está indo a produção do discurso?
Sem dificuldades. Muito bem. Não quero conselho.
Obrigado. Adeus.
Tem certeza? Pois tenho conselhos para os pequeninos.
Por favor, não.
-Por que não? -Por que não?
Porque seus colegas me convenceram a dizer aos garotos...
para se enquadrarem, mirarem baixo, e não seguirem o coração.
O extremo oposto do que eu lhes diria.
-Sim? -la dizer para eles mirarem alto.
Sabe, continue tentando.
Tente ser diferente, e faça o possível...
para realizar seus sonhos.
-Bem, sim. Sim. -Exatamente. Entende?
São boas regras para se viver a vida.
-Não? Não. -Não, não são. Não, senhor.
O que acha que me transformou no que sou?
Eu deveria saber.
Dave, a sua pipoca.
Dave?
Dave?
Lisa...
Desculpe. Quero me desculpar por...
Nós a atormentamos demais.
-Deixa para lá. -Não, eu... Certo.
É sério, é sensível a isto, e desculpe se a magoei.
Obrigada.
A sua mãe fala assim o tempo todo?
-O quÊ? -Desse jeito feio.
Como está falando agora.
Ela fala feio assim o tempo todo, ou...
Podemos deixar a minha mãe fora disto?
Só estava pensando se a sua mãe falava assim.
Deve ficar constrangida quando ela abre a boca.
Matthew, estou de pavio curto hoje.
Não, não. Estava pensando, tenho sorte...
porque todos na minha família falam como gente normal.
E acho que nem todos tÊm esta sorte, certo?
Certo, sim. A minha mãe fala assim...
meu pai e meus irmãos também.
E quer saber? São muito mais inteligentes do que vocÊ.
Desculpe. Não entendi nada.
Poderia repetir?
-Matthew? -Sim?
-Gosta de maçãs? -Claro.
Derrubou sua pipoca. Gostaria que fossem maçãs?
Mim não gosta.
O quÊ? Qual é o problema?
-Quer me agarrar? -Não. Não.
Quero bater um papo de menina com vocÊ.
Beth, não sou menina.
Sei disso, Joe. Mas tentei falar com Lisa.
Quando ela disse "sinceramente" , ri.
-Só preciso de informações. -Tenho de agir como garota?
-Se quiser. -Não quero.
Que bom. O problema é o seguinte.
Não tenho síndrome do túnel carpal. Não há nada com minhas mãos.
-Eu inventei. -lsso é idiotice.
Se pudesse agir um pouco mais como menina.
-Não. Um efeminado é o limite. -Fiquemos assim então.
Certo. Querida, por que fez uma tolice dessas?
lsso, ficou bom. Bom, bom, bom.
Hoje cedo, achei que seria ótimo...
misturar os meus esmaltes para ver no que dava.
Só que a cor ficou horrenda.
-Não tive tempo para tirar. -Enrolou as suas mãos...
-e fingiu um problema médico? -Sim.
Diga-me o que acha desta cor. Estou me cansando dessa bandagem.
Ficou boa.
Certo, é o efeminado falando ou é o homem falando?
Não sei.
Não sei.
Beth, é muito importante que me agarre agora.
Ei, garotos.
É isso aí, Grizzlies.
As drogas são ruins, não?
Mas podem beber.
Dave, onde está Max?
-Por quÊ? -Por quÊ?
Sim, por quÊ?
Em Hollywood, acharam um fã obcecado na casa de Madonna.
O porta-voz da cantora diz que ela prestará queixa.
A hora na WN YX: 1 6h30.
-Não é maravilhoso? -Não, não é, Max.
Vá até lá e desfaça o que fez.
Reconectar Lisa com a criança doce e corajosa...
no interior de si mesma?
Não. Estragou o sotaque de Lisa...
para eu tirá-la do ar e vocÊ pedir aumento.
Ah, isso.
Um efeito colateral infeliz.
Ah, esqueça. Tenho de fazer tudo sozinho.
-Como está indo aquele discurso? -Cai fora, Max.
Tenho um conselho para os garotos.
Qual? Desistir. A vida é horrível. Tenha câncer cedo.
Não. O que houve com vocÊ?
Desculpe. Já recebi muitos conselhos...
do pessoal daqui.
-Ah, aí está o problema. -O quÊ?
Receber conselhos de fracassados.
Não são fracassados, Max.
Por que acabaram trabalhando aqui?
Primeiro, não é um lugar ruim de se trabalhar.
Segundo, por que alguém acaba em algum lugar?
Começa seguindo uma direção e acaba em outro lugar.
Estas pessoas tiveram problemas sérios, mas fizeram o melhor.
Não quero que os chame de fracassados porque trabalham aqui.
-VocÊ entendeu? -Sim, desculpe.
Qual o seu conselho para os garotos?
Só queria dizer a eles que não há mal em ser fracassado.
Porque sou um, e deu muito certo para mim.
-De novo. -Sede sempre, senhor.
Não, de novo.
-Sede sempre... -Não, de novo.
-Dave, acabou o discurso? -Quase. Acho que consegui.
-Que bom. -Estou contente com ele.
-O que resolveu... -Não.
-O quÊ? -Desculpe. Força do hábito.
-Agora é com vocÊ. -Certo. De novo.
-Certo. Sede sempre... -Não. De novo.
-Posso ajudar com isso. -Obrigado, Max.
Já causou muito estrago.
-Não, não ela. VocÊ. -O que há comigo?
-Outra vez. Diga. -Outra vez.
-Ocala, Flórida. Estou certo? -Sim.
-Ao sul das estradas de ferro? -Sim.
A sua casa na infância tinha chão de madeira.
Tente a porcaria de " era uma vez" comigo...
e ficarei "fora de si" .
-Fora de mim. -Max.
Estou saindo.
O que estou tentando dizer é que...
não importa o quanto achem que conhecem alguém, olhem bem.
Até os amigos mais próximos podem ser mais complexos do que imaginam.
E entendê-los...
entendê-los de verdade...
é a chave para a compaixão e para o perdão...
e para a amizade.
Obrigado, Grizzlies.
E acima de tudo, obrigado, Sr. Thernstrom.
Palavras profundas. Não, turma?
E inspiradoras.
-Sr. Thernstrom? -Estou no meio de uma aula.
Claro, mas está na hora do seu remédio.
Muito bem. Turma dispensada.
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