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ANTERIORMENTE
Ele é detetive?
- Sargento Carson. - Detetive Rapp.
- Que aperto firme. - Henry Park.
Visto pelo colega de casa... Logan?
- És o colega de casa? - Sim.
- Quem é a Pam? - Pam Russell.
Acabaram na semana passada.
Vão prender todos que odeiam o ex?
Este caso é um desperdício.
Cuidado!
O que estará a fazer aqui?
- Sou a Katherine. - O que te excita?
Ossos.
O que foi aquilo?
- Mas que raio? - Apaga-o!
PARA DE ME PROCURAR
Vocês vêm à noite para um feitiço ou maldição.
Vêm ter com a bruxa com os vossos pactos e súplicas.
Vêm e levam uma vez e outra e outra.
Porém, não me oferecem nada,
nem um agradecimento, esquecem sempre o mais importante.
A magia é difícil para caraças.
O que é que aconteceu? O Rapp?
Saiu muito cedo.
Tivemos uma noite pesada.
Isto é de um galo. Pregaram-no à porta.
Uma brincadeira marada de alguém.
Olá. Chegaste cedo.
Disse às oito.
- Noite dura? - O quê? Não.
Estás a falar do...
Vou só tomar um duche rápido.
Continua o bom trabalho, Angel.
Ontem fui picado. Oxalá não sejam percevejos.
- Não coces, é pior. - Sabes uma coisa?
- Ontem recebi um SMS. - Dizia: "Estás acordado?"
- Do Henry Park. - Não está desaparecido. São amigos?
Disse que nos dávamos bem.
Não disseste isso...
Ele não me manda SMS. Alguém tem o telemóvel,
portanto, está desaparecido e querem que eu pare.
Ou não quer ser encontrado. Não manda SMS porquê?
Ele ligava-me e mandava-me embora.
E o galo?
Pois, não sei.
Porque não me mandaste SMS?
- O quê? - Ias contar-me
sobre o galo morto? - Sim...
Se vamos trabalhar juntos, tens de ser honesto comigo.
Está bem.
Sou amigo do Henry Park.
Obrigada. Mais alguma coisa?
Além disso, o galo estava a arder.
Amor! Esqueceste-te da chave.
- Obrigado. - E eu faço a cama.
- Ela faz a cama, amor. - Tem 22 anos.
- Ninguém perguntou. - Eu vi.
Ena! Que romântico.
Toda a gente da cidade trabalha na fábrica de peixe dos Parks?
Sim, de uma forma ou outra. Fazem processamento de marisco.
Sabias que os Parks se conheceram aqui?
Claro. Multimilionário solitário, vem em trabalho,
conhece empregada de mesa, deixa-a encantada.
Parece uma história de fadas eróticas com peixe.
Dizemos-te logo que possível.
Obrigada.
Pronto, pedi para localizarem o telemóvel do Henry.
Vamos ver onde deu sinal.
Aposto 50 dólares em como não foi em Whittock.
Cuidado. Já me ficas a dever 100.
Este sítio é um clássico.
- Olá. - Olá.
Lamento que ela não tenha a dela.
Disse-lhe que as artes estavam em apuros, mas ela tem
um coração de pedra.
- Para mim, são os ovos. - Claro.
Também devia pedir. São famosos, vêm da quinta.
Famosos? Têm tofu mexido?
Sou vegano.
Foda-se, claro que és. Desculpa.
- Não queria dizer palavrões. - Tudo bem, já tinha ouvido.
- Sou vegetariana. - A sério?
Sim, a minha mãe não me deixa ser vegana,
mas amo demasiado os animais para os comer.
Eu também! Muito bem!
- Vou comer uma salada. - Ao pequeno-almoço?
Sim, sou perigoso. Não sigo as regras do pequeno-almoço.
- Lily, podes chamar a tua mãe? - Claro.
E devia usar a pulseira que ele lhe deu. Foda-se, foi cara.
Miúda fixe.
A Geena que não te veja a namoriscar.
Namoriscar? É uma criança.
Uma vez, um bêbado apalpou o rabo à Lily.
A Geena esfaqueou-o. No olho.
- No olho? - Sim, com uma pinça de metal.
É o que dizem.
A famosa Geena Sandeson.
Famosa? Pela pinça de metal?
- Pelos ovos. Da quinta, certo? - Sim.
O que lhe aconteceu ao pulso?
Agentes, adoraria conversar...
Ele não é da polícia.
Só temos umas perguntas para si sobre o Henry Park.
Aquele tipo, o desaparecido?
É cliente habitual, certo?
Sim, adora vir cá. Adora a minha comida.
Costuma contratar-me para o catering das festas temáticas.
- Vou fazer a de hoje. - Uma festa?
O Logan não nos disse nada.
Sim, é o Solstício Negro.
Máscaras obrigatórias. Credo. Idiotas.
Desapareceu e vai dar uma festa?
Ele pega adiantado. Não me importa onde está.
O Henry e o Logan Casey estiveram cá na quinta, dia 21, com a Pam Russell?
- Sim. Após o turno dela. - A Pam trabalha aqui?
A tempo parcial. Dei-lhe uns dias por causa da discussão.
- O término? - Não, porque ela o esmurrou,
mesmo na boca. Tem um gancho esquerdo tramado.
Até lhe partiu o dente.
Certo. Então, a Pam sai, e depois? E os rapazes?
- Ficaram aqui umas horas. - A fazer o quê?
A beber muito café e...
... a ser estranhos.
Estranhos como? Bêbados?
Não. Atordoados.
Iam discutindo, de vez em quando.
O Logan foi embora. Acho que o Henry ficou até às 22h00.
O miúdo estava tão perturbado que deixou o telemóvel na mesa.
Tive de ir atrás dele e apanhei-o antes
de ele entrar num carro preto chique.
Não terá a matrícula do carro preto?
Por acaso, tenho.
Senti que viria a ser muito importante.
Está bem. Obrigada pela ajuda, Geena.
Vou acrescentar à conta. Já acabaram?
- Aqui têm. - Obrigada.
- Tem... - É só uma mancha de sangue.
Pode comer na mesma.
Sim, força nisso, Carson.
Aposto que querias uma salada, certo?
- Quando, Billy? - No dia 18.
- Está bem. - Falamos depois.
Sim. Obrigada.
O Henry sempre apanhou o ferry, mas não foi no dia 21,
foi dias antes. O Billy mostrou um cartaz.
- Lembravam-se dele. - Boa!
Cartazes a dominar.
Disseram que comprou ida e volta, voltou no último ferry dessa noite.
Na segunda. O dia em que tirou os 15 mil dólares da conta conjunta.
Talvez para uma compra grande no continente? Droga?
- Seria muita droga. - Pode traficar por diversão.
Deve ser um presente.
O Henry é como o pai, adora dar presentes, sobretudo às senhoras.
É assim antiquado.
Adoro que aches antiquado.
Mas o Henry e a Pam ainda namoravam.
Não achas que ela mencionaria algo assim?
Podia não ser para ela.
Ela disse que ele o traía com várias miúdas.
- A empregada, miúdas nas festas... - A professora a que chamam...
Foda dos Ossos?
Que tal qualquer professora da Pam Russell,
do Henry Park e do Logan Casey?
- E só professoras mulheres? - Sim, por favor.
E mulheres homossexuais?
Sim, sem dúvida.
Há uma.
Dá aulas de Biologia, Antropologia e Estudos Osteológicos.
A Mna. Russell e o Sr. Park tiveram aulas com ela no último semestre.
Mas não é homossexual, acho eu.
Não podemos perguntar.
Está bem. Sabe porque é que os miúdos lhe chamam Foda dos Ossos?
Vai dar agora uma aula mesmo aqui em frente.
Podem ir ver.
Parece divertido. Obrigado.
Muito obrigada.
A natureza ensina-nos que a melhor forma de matar algo é ser invisível.
Fundir-se com o ambiente, disfarçar-se de algo
que a presa simplesmente não vê.
Prazer em vê-lo, detetive.
Conhece-la?
Silêncio.
Vamos pegar na santola e a sua presa, a formiga cephalotes atratus.
Quando a santola consegue matar a formiga, não a come. Não logo.
Pega no cadáver de forma a que pareça às outras formigas
que a cabeça da sua colega é agora a cabeça da santola.
No fundo, usa a formiga como chapéu.
E funciona.
Imaginem que um humano conseguia fazer isso.
Usar a cabeça da sua vítima para se disfarçar,
enquanto por baixo, as santolas do mundo,
os monstros invisíveis, estão à espera do seu momento,
a olhar para as imbecis das formigas
e a pensar: "Isto vai doer."
Por favor, não toque nisso.
Devia ter-lhe pedido um chá.
Já não posso beber café tão tarde.
- Como consegue? - Bem, sou mais nova, por isso...
Café simples com adoçante para a menina dos diabetes na família
e café com natas e açúcar para a menina dos insetos.
- Só pedi leite. - Foda-se, desculpe.
Não faz mal. Vamos tratar disto.
Merda, este é o seu. Bebi um bocadinho de nada.
- Juro que não tenho doenças. - É seu parceiro?
Não, sou da Polícia de Whittock.
- Ele não é meu parceiro. - Mas estão juntos?
Trabalhamos juntos.
Tem aqui um esqueleto muito fixe.
Que idade tem, Sr. Rapp?
Detetive Rapp. Por favor, chame-me detetive Rapp.
Não fui para a escola de detetives para ser o Sr. Rapp.
- Que idade tem? - Cinquenta.
- Não parece ter mais de 45. - Obrigada. Estava ótima aos 45.
- Está ótima agora. - Está a interrogar-me?
Não, só tenho umas perguntas sobre um aluno seu.
É solteira?
- É relevante para a investigação? - Não.
Desculpe, queria perguntas difíceis?
- Sem dúvida. - Está bem, que idade tem mesmo?
- Sessenta. - Não parece ter mais de 50.
- O que acha do aborto? - Pró.
- Suicídio assistido? - Depende.
- Etíope? - Comida? Adoro.
Vamos continuar a combater
ou vão fazer perguntas a sério?
Combater, gosto disso. Não acha divertido?
Até é uma pessoa afável.
Essa palavra não existe.
- Afável? Existe. - Fodeu-me bem!
- Jamais. - Mas está a namoriscar.
Dra. Hargrove, conhece o Henry Park?
- Conheço, sim. - Conhece bem?
Muito bem? Nada bem? Intimamente?
Conheço como aluno. Teve aulas comigo no semestre passado.
E sei que está desaparecido. Vi um cartaz.
- Cartaz. - Não a entrevistou para o podcast?
Sim, entrevistou.
Vieram falar comigo porque entrei no podcast?
Bem, não. Sabe...
A Pam Russell, ex-namorada do Henry, disse-nos que tem
uma alcunha engraçada. Como era, Carson?
- Foda dos Ossos. - Sim.
Fera dos Ossos. Porque sou dura.
E ensino sobre ossos. E animais.
- E sexo. - Não ensino sobre sexo,
escrevo sobre isso. E muitos professores têm alcunhas.
- É uma piada. - Não entendo.
A Pam também insinuou que a professora e o Henry...
Está bem, têm um podcast, uma alcunha
e uma insinuação da Pam.
- O que sugerem? - Não, seria de loucos, certo?
Porque é muito mais velha do que ele.
- Ele é um aluno. - Sim, mas já não é seu.
Foi no semestre passado. Não lhe chamo predadora.
Embora o seja, tecnicamente.
Mas como é mulher, é menos sinistro,
embora ele seja muito mais novo.
- Tinha quê, 19, 20? - Rapp.
Tinha 22. Mas acho que sabe, detetive.
- A Pam disse que estava obcecado. - Se estava, não é problema meu.
Talvez a Pam tenha ciúmes.
Lamento pelo rapaz e espero que o encontrem, mas a Pam odeia-me.
Quase a reprovei no semestre passado e ela tem andado dramática
e violenta, segundo dizem. - Quem "le" disse?
"Lhe". Quem lhe disse.
E se estão preocupados com o Henry, falem com a Pam ou o Logan Casey.
Os três andam sempre juntos.
E verifiquem as fontes antes de andarem por aí
a fazer acusações sobre pessoas que podem ter impactos financeiros.
Tem razão. Exagerei. Peço imensa desculpa.
E o Henry não faz o meu género.
- Qual é o seu género? - Rapp.
Tenho mais uma pergunta. Onde estava na noite do dia 21?
E que carro conduz? Duas perguntas.
Dia 21...
Estava a jantar com a minha mãe e podem confirmar com ela.
E ando de bicicleta.
- Preciso de um advogado? - Se usar capacete, não.
Não, não é necessário.
- Anda, Rapp, vamos embora. - Está bem.
Obrigada pelo seu tempo, Dra. Hargrove.
Escreveu dois livros, incrível. Eu mal leio.
Leve-o para treinar. Autografei-o.
- O meu cartão. - Não terei nada a dizer.
Caso queira comer comida etíope, um dia destes.
INVESTIGADOR PRIVADO
- Estás sempre fula comigo. - Não estou fula.
- Aquilo foi pouco profissional. - Falas de quê?
Tudo. Aquilo tudo.
Namoriscar, acusações de sexo com um aluno.
E o que foi aquilo do café?
Enganas-te nos pedidos de propósito.
- Porque fazes isso? - Reparaste?
- É uma tática minha. - Tática de investigador?
Dás a alguém algo que não quer
e vês que tipo de pessoa é.
Há três tipos de pessoas. As que não bebem,
as que te mandam buscar outro
e as que bebem para não te sentires mal.
- É parvo. - Não menosprezes.
Está bem. O que diz sobre a Mrs. Robinson?
- Não sei quem é. - É de um filme.
- Chamado Mrs. Robinson? - Céus.
Vês? Estás fula porque não conheço um filme.
Ouve. Tens de respirar, patroa.
"Patroa" é tão condescendente.
Não é essa a ideia.
Estou a empoderar-te. A mostrar que tu mandas.
Acredita, isto vai correr bem para nós.
Ela vai ficar obcecada por mim.
Olha, está a ver-me ir embora.
Jesus Cristo.
- Fala a Carson. - Olá.
- Sim? - É o Billy.
- Enviei as coordenadas. - Ótimo.
Sim. Obrigada.
O telemóvel do Henry deu sinal por aqui.
É perto da casa dos Parks.
Achas que ainda está lá? Escondido, à espera?
É possível. Seja como for, parece que vamos a uma festa.
- Tira a camisa. - O quê?
O uniforme. Não podes ir assim à festa.
Diz logo que és da polícia, não achas?
- Usa a minha camisola interior. - Não, vou a casa.
Já estamos aqui.
A menos que queiras ser responsável pelos meus sarilhos
numa festa universitária excêntrica.
- Deve cheirar mal. - Não cheira.
Eu viro-me. Não espreito, juro.
Vi isso.
Cala-te.
Carson. Cisne ou doninha?
Esquece, quero a doninha.
Descontrai, Carson. É uma festa!
- Estou descontraída. - Pareces mesmo.
- Tenta ver o Henry. - O que achas que estou a fazer?
- Vou por aqui. - Está bem.
Estás bem? Muito bem.
- Está bem. - Olá, amor.
Sou eu, a Angel.
Olá, amor.
Queres provar?
Sempre.
O que estás a fazer?
- Pode ser droga. - O que queres que faça?
- Pôs-mo na boca! - Ninguém te mandou chupar.
- Deixa a polícia e procura-me. - Está bem.
Quer dizer, nunca na vida!
- Está melhor, patroa? - Procuramos o Henry ou não?
Sim, procuramos.
O que estás a fazer?
O teu perfume.
- É incrível. - Não pus perfume.
Céus, estás mocado?
Não...
Não. Talvez.
- Não sei bem. - Meu Deus. Controla-te.
Carson, Carson.
- Diz-me para continuar. - Continua.
- Diz o meu nome. Diz, foda-se. - Meu Deus, estás todo lixado.
- Como me chamo? - Henry.
Henry.
- Henry. - Henry?
Mexe-te.
Mas que raio?
Henry! Espera!
Henry!
Rapp! Aonde vais? Rapp!
Logan?
- Para! Fala comigo! - Não se metam nisto!
Logan!
Logan!
Olá.
Estás bem?
Consigo cheirar-te, sabes?
Estás a divertir-te, detetive?
Eu...
Uma pestana.
Fecha os olhos.
Pede um desejo e sopra.
Puf. Foi-se.
Rapp!
Onde estiveste?
- Procurei-te em todo o lado. - O quê?
Eu só...
- Segui o Henry até aqui. - Não era o Henry!
Era o Logan. Eu tinha-o,
mas ele fugiu.
Rapp, estás bem?
Por isso, pergunto-me porque contam histórias da bruxa velha e malvada,
quando ninguém sequer fica para me conhecer.
Sou muito engraçada, sabiam?
Tradução: Cláudia Pereira Iyuno
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