All language subtitles for YAGA S01E01 The Burning Man 1080p AMZN WEB-DL DDP5 1 H 264-FLUX-PT(PT)

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Original subtitles

Vamos começar pelo que dizem.

Dizem que sou velha. Velha como a Terra.

Tão malvada como a noite

e tão sábia e poderosa como o mar.

Dizem que vivo sozinha no bosque, numa cabana com patas de galinha.

Que voo num almofariz e pilão, a comer crianças malcomportadas.

Os seus dedos, entranhas

e, o melhor de tudo, os seus ossos.

Dizem que sou feia e solitária.

Ninguém me vai amar, ninguém me vai foder.

Pois quem poderia amar tal monstro, esta bruxa que sou?

Mas o que realmente me afeta é isto...

Então? Devolve-me isso.

A minha filha também está a ler isto. Chama-lhe "fadas eróticas".

Billy, acreditas que a Carson gosta de ler sobre sexo entre fadas?

Billy, acreditas que alguém procriou com o Eckert?

Então?

Deve ser ele. Mesmo à hora certa.

Ele é detetive?

Investigador privado, acho eu.

Deve ser bom, para os Parks o contratarem.

Se fosse meu filho, com tanto dinheiro, até chamava o exército.

- Não acho que precisem. - Não importa o que achas.

Os Parks são bons para a cidade, para a polícia.

Se querem mandar alguém investigar, nós ajudamos.

Ele veste-se como se achasse que é detetive.

Acho que tem um ar muito fixe.

- Ninguém me viu a tropeçar, certo? - Não.

Sargento-chefe Eckert, Departamento do Xerife. Prazer.

Charlie Rapp, olá. O livro é bom?

O quê? Não, não. Quer dizer, não sei. Talvez.

- É dela. São fadas galdérias ou... - Há outro tipo de fadas?

- Sargento Carson. - Detetive Rapp. Que aperto firme.

- Desculpa, és mesmo detetive? - Sou. Bem, detetive, investigador...

- Mas não detetive da polícia. - Não disse isso.

Olá, sou o Billy. Não sou detetive.

Adiante. Tens a nossa humilde colaboração.

A minha melhor agente está ao teu dispor.

Parece muito satisfeita. Serviste nas forças armadas?

Eu? Não. É do meu avô.

Deram à minha avó quando ele morreu.

- Quando os homens eram homens. - Caramba.

- Temos de voltar para a esquadra. - Vamos convosco?

Não, ela põe-te a par. Prazer, Rapp. Dispõe.

- Um café vinha a calhar. - A Carson trata disso.

- Bobby! - Billy.

Claro. Podes espalhar isto pela cidade?

Sim, claro.

Um cartaz de "desaparecido"? Nem sabemos se está desaparecido.

Todos estão desaparecidos até os encontrarmos.

Mesmo.

Pões as malas dele no meu carro, por favor?

- Claro. - Obrigado, amigo.

- Consegues? - Sim, sem problema.

- Bom miúdo. - Sim.

Informa-me sobre o caso, parceira.

Não somos bem parceiros e não acho que seja sequer um caso.

E deixares-me decidir isso, pode ser?

Henry Park, aluno do 4.º ano transferido para a Univ. de Whittock.

Dado como desaparecido pela mãe, Sra. Dora Park. Liga todos os dias.

Não sabe nada dele desde o dia 21, há três dias.

- Visto pelo colega de casa... - Não tem colega de casa.

Tem. E parece estar em casa. Por isso estamos aqui.

- Deves querer falar-lhe primeiro. - Vai à frente, parceira.

- Não somos parceiros. - Está bem.

O Henry ainda tirou 15 mil dólares em dinheiro

da conta que partilha com os pais há uma semana.

A mãe disse que já foi para a Europa sem avisar.

- E então? - Então, acho que é um miúdo rico

a passear, dinheiro para os pais não o localizarem.

Achas que é um gasto desnecessário terem-me mandado investigar?

- Não sei quanto cobras. - Acredita, sou uma pechincha.

Está na Europa, caso encerrado?

É a tua opinião de detetive da polícia?

Ouve, estou ao teu dispor, como ele disse.

Nós fazemos o mesmo, mas eu tenho táticas que tu nem conheces.

- Não sigo as regras da polícia. - Está bem. Força, investigador.

- Senhoras primeiro. - Vai.

- Não, tu primeiro. - Está bem.

Olá.

- Logan? És o colega de casa? - Sim.

Olá, amigo. Viemos falar do teu colega de casa.

Sim, desculpem. Podem entrar.

- O Henry está bem? Encontraram-no? - Ainda não.

Raios.

- Desculpa, pareces mesmo o Henry. - Sim, dizem-nos muito isso.

Não, a sério. Parecem parentes.

Pois. Mas não somos.

Sei que é de loucos, mas tenho olhos castanhos e óculos.

- Como está a tua mãe? - Está bem.

Caraças, meu. Que casarão! Quantas pessoas vivem aqui?

Só nós. Eu e o H.

A casa é dos pais dele, mas nunca estão cá.

- Sim, é incrível. - Como se conheceram?

Demo-nos bem no início do ano letivo.

Somos tão parecidos que pensámos que era o destino, que tinha de ser.

Eu vivia em casa. Tenho bolsa.

Ele disse: "Anda viver aqui, tenho um quarto a mais."

Ajudo-o com a música nas festas. Produzo os podcasts dele.

O áudio é a minha praia.

- Podcasts, meu. O sonho, certo? - Sim.

Caraças, vocês devem dar festas épicas aqui.

Sim. O H adora festas.

E adora disfarces e máscaras. E temas.

Mitologia subaquática foi um deles.

Uma vez, o tema foi apenas floral.

Foi de loucos.

Parece que também têm ajuda com as limpezas.

Querem algo para beber? A Lucia pode ir buscar.

- Não, estamos bem. - Aceito uma cerveja.

O que foi?

Desculpem, o meu quarto está um caos, mas aquele é o do Henry.

Giro. Partilham a roupa.

- Não, temos macacões iguais. - Fixe, meu.

Esta casa, dois bonitões,

vocês devem papar todas. - Sabe como é.

A Sra. Park diz que o Henry já fez destas viagens aleatórias.

Sim, ele tem falado muito de Praga.

Fica obcecado com os sítios.

No outono, levou a Pam a Paris para a impressionar.

Quem é a Pam? Pode tê-la levado a Praga?

Pam Russell. Não, não seria a ela.

Acabaram na semana passada no Sandeson's.

No dia 21? Na última quinta?

- Sim. - Como sabes que acabaram?

Estavam a discutir e ela gritou: "Vai-te foder, acabou." E saiu.

As miúdas são doidas.

Sim. Eu fiquei mais uma hora. Foi a última vez que o vi.

Há coisas dele em falta?

Só faltam o portátil dele, a mochila e a mala.

E máquina com que tirou estas fotos? Deve tê-la levado.

- Pode ter comprado outra. - Não, está aqui.

É de loucos, não é? Deviam ver os que tem a mãe dele.

- Eles adoram relógios. - Deu-te esse?

Este? Não. Só me deixa usá-los, às vezes.

- Não os guarda num cofre? - Não, ele confia em mim.

- E as vossas festas épicas? - Não entra cá energia negativa.

Falta outro.

Sim, ele andava a usá-lo. O André Miller, acho eu.

André Millére. Tens alguma foto dele a usá-lo?

Podia ajudar-nos a encontrá-lo.

Obrigado.

- O que é isto? - Não sei.

- Não consumimos droga. - Está bem. E isto?

Isto é uma piada privada. Já terminaram?

- Meu, estamos só a conversar... - Sei quem é, está bem?

O H falou-me sobre si.

Ai sim? O que disse?

Acho que deviam ir embora.

Tudo bem. Se te ocorrer algo mais, este é o meu número.

- Como conheces o Logan? - Ajudei a mãe dele, há uns anos.

- Passado violento. - Pai de merda e agressivo?

Tio. Era um bêbado e batia-lhe.

O Logan tentava fazer-lhe frente, mas...

E o pai?

Segundo o que sei, nunca esteve presente.

- São tão parecidos. Achas...? - Sorri.

Tu...? Não podes trazer coisas.

Relaxa, é só emprestada. Fui eu que lha dei.

Desculpa, quão próximo és dos Parks?

Estamos nalguma espécie de O Colega Misterioso da terrinha?

Só trabalho para eles e conheço-o.

- Queres ir dormir? - O tal Sanderson's tem café?

- Sandeson's. - Foi o que eu disse.

Que me dizes? Pago-te um café? Podemos falar do dia 21.

Claro.

- Então, não és daqui? - Não.

Vim da esquadra do continente, há uns anos.

- Não é aborrecido? - Temos muito que fazer.

Disputas de pesca, violência doméstica.

Mas as coisas pequenas e aborrecidas são importantes para a gente comum.

- E o Henry Park? - Os multimilionários não são comuns.

- É um miúdo desaparecido. - Se for mesmo.

- Vamos insistir nisso? - Se os Parks estão tão preocupados,

porque não vieram pessoalmente? - Estão no Japão.

Queriam que viesse alguém de confiança.

Como vais querer?

- Só adoçante. - Isso causa esclerose.

É uma conspiração. E tenho diabetes na família.

- Queres juntar-lhe esclerose? - Tu não fumas?

Nem pensar. Faz muito mal à saúde.

ESTOU EM WHITTOCK. DIZ-ME ONDE ESTÁS.

Olá, obrigada por esperar. O que vai ser?

Dois cafés para levar e dois queques, por favor.

E, já agora, viste este tipo?

Esteve aqui na última quinta à noite. Henry Park.

Quinta?

Não estava cá. A minha mãe estava, mas hoje não está cá na ilha.

Achas que posso deixar estes cartazes?

Podias pôr um no quadro de avisos e outro na montra.

- Tenho de perguntar à minha mãe. - Claro.

Tudo bem. Levo também estas duas.

- Não acredito! Fui eu que fiz. - Não acredito. Levo três,

apoio a comunidade de artistas de contas de Whittock.

Então, devia levar quatro.

Vendidas. És boa a negociar.

Este é o teu. E trouxe-te um queque.

- Não, obrigada. Não tenho fome. - Como queiras.

Tem leite e açúcar.

- Pediste adoçante. - Deixa lá. Eu bebo.

- Faz-te melhor. - Disse que bebo.

E trouxe-te... Desculpa, podes ir ao meu bolso?

Não havia "Melhor Parceira", tens "Melhor Amiga" ou "Namorada".

- Estou a usar a minha. - Não vou usar isso.

- Vamos falar com a ex doida. - Ela não é doida.

Todas as miúdas são doidas.

- Isto é o campus. - É difícil entrar nesta faculdade?

Não se os pais fizerem uma biblioteca nova.

O treinador da Pam diz que ela treina aqui.

Pam Russell? Pare. Polícia de Whittock. É um segundo.

- Estão a lixar o meu tempo. - Quatro minutos e meio por km?

Quatro minutos.

- Corre? - Uma vez ou outra. Não como tu.

Mna. Russell, foi para Paris com o Henry Park?

Em setembro, quando começámos a namorar.

- Quando o viu pela última vez? - Na semana passada, acho eu.

Esteve com ele e o Logan Casey no Sandeson's na quinta, dia 21?

Provavelmente.

Sabe porque é que ele levantou 15 mil em dinheiro?

Não. Porquê perguntas sobre o Henry? Está morto ou assim?

Isso é uma piada de merda sobre um desaparecido, não achas?

Não sabia que estava desaparecido. E tipos de merda deviam morrer.

Tu e o Henry acabaram naquela noite no Sandeson's, certo?

O Logan disse-vos isso?

E desculpem lá, sou suspeita?

- Porque acabaram? - Vão prender todos que odeiam o ex?

Não. Teríamos de me prender. E às minhas ex.

Pam, ouve. Não quero ter de apertar contigo.

Porque não? Podia ser divertido.

Podemos fazer estas perguntas na esquadra, se preferires.

Para que conste, acabei porque ele me traiu.

Era uma relação aberta, mas tenho limites.

- Como assim? - Foi muita gente.

Malta daqui, estudantes, pessoas aleatórias nas festas,

a empregada e o raio da Foda dos Ossos.

- A...? - Foda dos Ossos.

Tão patética que nem é um abuso de autoridade sensual.

- É uma professora? - Sim.

Entrevistou-a para o podcast idiota e ficou obcecado por ela.

Tenho de voltar ao treino.

- Meu Deus. - Rapp.

- Sim? - Não estava pronta. Outra.

Outra.

Vá lá.

- Que foi? - Não podes namoriscar.

Não foi namoriscar. Vais saber quando for.

Estás a minar a minha autoridade.

Sinto que nem estás a tentar.

Estou a avaliar as provas porque sou polícia a sério.

É o meu emprego e tenho trabalho a fazer.

A sério? Como o quê? Resolver disputas de pesca,

miúdos bêbados no campus, um tio merdoso ou outro?

Tu és um aspirante novato a investigador privado

ansioso por entrar no quarto dele e beber um uísque

e montar um triste quadro de suspeitos.

Suspeitos? Agora temos suspeitos. Agora é um caso real.

És tu quem não leva isto a sério.

O Henry Park é o meu trabalho.

Se estivesse na Europa, teria levado um carro no ferry

ou o helicóptero e nós saberíamos.

Se és tão boa polícia, esforça-te. Mesmo que não gostes de mim.

Este caso é um desperdício do meu tempo e competência,

talvez até dos teus. - Cuidado!

Que raio foi aquilo?

Está aqui.

Ainda está viva.

- O que estará a fazer aqui? - Não sei.

- Porque é que a galinha...? - Para.

Devias dar-lhe um tiro. Acabar com o sofrimento dela.

Não posso usar a arma para isso.

Está bem.

Anda cá.

Pronto.

Competências de uma juventude rebelde.

Sei que sou intenso, mas é porque me importo com os meus empregadores.

Apesar de serem multimilionários, também são gente comum.

E são boa gente. E o filho também.

E está desaparecido. Merecem ajuda.

Sei que não é a opinião oficial de detetive da polícia

da minha única amiga aqui, mas espero fazê-la mudar de ideias.

Posso pagar-te uma bebida?

Tens de conhecer algum bar bom, certo?

Não é um encontro, prometo.

Conheço um bar.

Boa.

- Está bem. - Está bem.

Obrigado, patroa. Um segundo, vou buscar as minhas coisas.

- Olá. - Olá. É para fazer check-in?

- Sim. Charlie Rapp. - Charlie. Sim.

Ena. Linda tatuagem.

Obrigada. Fiz a maior parte delas cá na cidade.

Não tenho nenhuma, mas tenho pensado em fazer.

Asas de anjo. Nas costas.

- Asas de anjo? A sério? - Sim.

- De onde terá vindo a ideia? - De te chamares Angel (=anjo).

ONDE RAIO ESTÁS?

Está bem.

- Cerveja a 14 dólares em Whittock. - Não conta como despesa de trabalho?

Sei que tens algum rancor aos multimilionários, e bem,

mas o Henry é um dos bons. Acredita, é mesmo.

E com o Logan, vê um miúdo pobre com bolsa,

convida-o para viver em casa dele. É típico.

Basta de me fazeres sentir culpada. Amanhã vamos à Geena Sandeson.

O Eckert já está a ver se o Henry usou o humilde ferry.

Boa.

Se ele estiver na Europa, deves-me 50 dólares.

Cinquenta? Dou-te mil. Abres uma banca de limonada.

- Nunca disparaste a tua arma? - Claro que já.

Com a galinha, pareceu-me que ficaste...

- Tenho de preencher um relatório. - E tens medo.

- Não tenho. - Ficas com pele de galinha?

Tu é que ficas. Sou boa atiradora.

- Sim? - Que tal foi com o Sherlock Holmes?

- Os Parks querem novidades. - Um segundo. Pede outra.

Desculpa. Ela estava a beber o quê?

Do cavalheiro.

Boa.

Obrigada pela bebida.

Detetive Rapp. Charlie.

De nada. Não vou mentir, foi bem mais cara do que esperava.

- Isso costuma ser dissuasor. - Duvido.

- Devias dizer o teu nome. - Porque o compraste com a bebida?

- Não... - Estou a brincar. Sou a Katherine.

- És casada, Katherine? - Não.

- Estás a sair com alguém? - Não.

- Viúva? - É preciso mortos para ser solteira?

- Tenho de voltar a isto. - E fazes o quê?

Que pergunta incrivelmente aborrecida.

Está bem.

- O que te traz a Whittock? - Outra vez.

Peço desculpa.

O que te excita?

Sexo. Ossos.

Ambos, suponho.

Caraças, escreveste um livro.

Dois, na verdade.

Qual é a coisa mais sensual que sabes sobre os ossos?

- Quanto tempo tens? - Tenho a noite toda.

Bem, sabias que a coluna vertebral foi concebida

para movimentos lentos e intencionais?

Dobrar. Arquear.

Ondular.

Não. Não sabia isso.

E as mãos.

As mãos são expressivas graças aos ossos e articulações.

Os pulsos rodam, os dedos dobram-se,

os nós dos dedos articulam-se.

Uma sinfonia de ossos e os dedos são os instrumentos.

E ainda dizem que o romance morreu.

E por fim...

... os ossos do ouvido vibram para transformar o som em significado.

Um sussurro.

Um gemido.

Um suspiro.

Os ossos ouvem.

Antes de o cérebro entender, os ossos dizem que sim.

Antes da boca.

Acho que o teu livro se vai sair lindamente.

Obrigada.

Esse relógio é incrível.

Um amigo tem um igual. É um André Millére?

É, mas duvido. É vintage. É muito especial, foi um presente.

Nunca vi nada assim.

Ótimo.

Estás a vibrar.

Desculpa. Deixa-me desligar.

DESCULPA, TIVE DE IR EMBORA. VOU BUSCAR-TE ÀS 8H00. CARSON.

- Então, espera... - Pareces muito distraído.

Vá lá.

Estás claramente muito ocupado.

OLÁ, É A ANGEL. SAÍ AGORA. QUE FAZES?

Não, vá lá. Estávamos só a começar, certo?

O que foi aquilo?

- Mas que raio? Merda! - Apaga-o!

- Estás bem? - Estou.

Merda.

Dizem que sou feia, velha e estéril.

Dizem estas coisas como se eu não as ouvisse.

Dizem estas coisas como se não houvesse mais nada.

Dizem estas coisas e agora é altura de ouvir.

PARA DE ME PROCURAR

Estão a ouvir?

Tradução: Cláudia Pereira Iyuno

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