Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Meu coração, não sei
porquê Bate feliz
quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo mais
Mesmo assim, faz de mim meu
coração.
Nunca pensei que um homem pudesse sentir tanta saudade.
Meu coração sabe o significado.
A alma procura a outra. No vazio se esgarça.
A alma procura a outra na velocidade do desatino.
Nenhum engano possível.
A alma sabe exatamente qual a outra é. É aquela em tudo maravilha que
encontrada seria uma num eterno abraço.
Eu vou continuar com o livro de semana passada do Nietzsche.
Vocês sabem que eu criei uma técnica de memorização pra palavra Nietzsche pra
ajudar? Nossa, que chatice.
Nada, você melhorou muito desde a última vez. Eu tô falando dele, Léo.
...em ordem alfabética invertida. O próprio Nietzsche já dizia, não existem
fatos. Existem fatos, sim.
O bigode do Nietzsche, por exemplo, é um deles.
É, e tem uma interpretação também de que ele era gay.
Diz isso por causa do bigode?
Não, por causa do bigode, porque ele não era casado. Você também não é casado?
Sim, mas eu não tenho esse bigode.
Ah, entendi. Então isso é a prova de que você não é gay.
Todo mundo é gay.
Vamos fumar um cigarro lá fora?
Ótima ideia.
Você tem?
Tenho.
Não pude evitar, tirou meu ar, fiquei sem chão.
Você é bem melhor que o leitor de Nietzsche, sabia?
É? Olha,
eu já fiquei com os dois e tenho lá minhas dúvidas. Que isso, Laura, que
sacanagem. Adriana, prazer.
Prazer, Paulo.
E ela?
Ela? Laura, prazer.
Ah, é você a musa dos poemas dele?
Dele? Eu não.
Isso aí é Maria Liz.
Maria Liz, a primeira e única.
Vem cá, você acha mesmo que todo mundo é gay?
Praticante ou não, quer dizer, todo mundo é o que quiser ser, né? Eu, por
exemplo, sou a nova musa do Paulo.
O quê?
Escreve mais.
Volta amanhã.
Isso aí não tem nem idade pra ser musa.
Musinha?
Escrevo por escrever, concorda? Pra não ficar sozinho comigo.
Me enfoco em tua corda. O bar vai ficando cheio. Passei do meio.
Espero Maria Alice.
Uma hora você vai chegar ou ficarei aqui esquecido no fundo do mar.
Lindo. A tristeza faz muito bem aos seus poemas.
Lindo. Eu vou mandar pra Maria Alice, então. Acho que dessa vez ela vai
responder. Paulo, vamos pra Europa?
Vamos. Você encontra Maria Alice, eu procuro a Glorinha. Ela tá em Amsterdã.
Eu preciso mais da Glorinha do que preciso de uísque. Cabral, você não tem
dinheiro, eu não tenho dinheiro. Vamos focar aqui no mundo virtual mesmo? Vou
precisar de mais uísque.
Bom, eu conheci uma menina nova.
Bem nova, aliás. Eu acho que vai me fazer bem. Pena.
Seus poemas vão piorar. Ah, vou me esforçar pra isso, meu caro.
Ser solteiro é como uma arte.
Ensinamento e diversão.
A morte. A morte passou por mim.
Neste momento estou amíngua. Lamento. Lamento e me recordo.
Lamento e me afogo. E me afogo na recordação da tua língua. Lamento e me
afogo na recordação da tua língua.
1h20. Passou a hora. Extremo assíntio.
Dois mais dois, zero. Faz quatro uísques que te espero. Faço rimas sem sentido,
compulsória. Espero Alice.
Espalhando meus pedaços por uma nova história.
Já que não estamos aqui só a passeio. Já que a vida em fim não é
recreio. Eu vou... E você escreve uns poemas lindos desse e ela não responde?
Não, não responde. Já tentei de tudo. Carta, e-mail, mensagem de voz.
Até um vídeo idiota eu já fiz. Olha só, a Maria Alice vai voltar.
Enquanto ela não volta, a gente namora, tá?
Mas namorar não é coisa de velho?
Por quê?
O destino é o mar onde vou me desfazer.
Contente a deslizar na correnteza do viver Na
boboia eu vou Vai, fala mais, fala mais. O que mais você quer saber? Eu sou
arquiteto, trabalho num escritório mega careta, mas que paga meu uísque, meus
livros e a conta de um amigo que tá desempregado. Não, eu não quero saber de
você, eu quero saber da Maria Alice.
Ih, mas eu tô achando que você tá mais apaixonada pela Maria Alice do que eu.
E gostar de alguém agora tem exclusividade?
É, você fala cada coisa tão impossível. É que eu sou filha de um ex-filósofo que
virou engenheiro e de uma socióloga aposentada que agora só vai ao cinema e
bebe uísque.
Eu acho que eu nunca disse isso pra uma namorada antes, mas me leva pra conhecer
seus pais?
Com
licença.
Você falou que vinha de gravata?
Resolvi ser solidária.
Paulo!
Ei! Opa!
Prazer. Como vai?
Prazer é meu.
Whisky? Vou te acompanhar.
Recebo. A Adriana me falou que você é arquiteto. Sou. Trabalho com
arquitetura, mas eu queria mesmo era ser escritor. É mesmo? É. Eu também.
Mentira. É.
Mas aí casei. A Adriana apareceu.
O trabalho aumentou. Enfim, eu não tinha talento. Mas certo.
Agora, cheguei a ter 14 cachorros.
E o último se chamava Quatorze.
O que vocês estão falando?
Ai, da falta de talento e do excesso de cães, pelo que eu entendi. É mais ou
menos isso. Escritor preferido? O meu Machado de Assis, sem dúvida. Opa! Que
foi? É o meu também.
Mentira! Ele é demais, né? Compositor de música clássica? Ai, eu já não entendo
muito, mas... Chopin?
Não, aí errou. Papai Venera, Beethoven.
E você, minha filha? Eu prefiro a liberdade de não saber o que eu prefiro.
Mas, ultimamente, estou escutando Baiana System e Billie Eilish.
Personalidade forte.
Vamos escutar um Beethoven?
Deixa eu olhar pra você.
Tudo bem?
Estela. Prazer.
Que satisfação.
E você não sabe o que eu fui ver hoje. O quê? Cópia restaurada, uma projeção
lindíssima. Cândido Hiroshima Monamour. Jura? Já viu?
Não, não tive a oportunidade.
Mas, meu Deus, a Adriana fala tanto de você, eu estava até ansiosa.
É. Dois pedrinhos de gelo? Por favor. Gosto, encantado. Que filme é aquele?
Linda. Que filme lindo, ensina tanto, não é?
Ah, é um momento de beleza, é uma alegria para sempre.
E os americanos sendo mais bandidos do que os alemães, coisa rara no cinema. É.
E erótico também.
E triste.
Triste, mas erótico.
Eu chorei. Bom, eu vou servir o jantar. Stella, meu amor, você me ajuda?
Afinal, o convidado é da Adriana.
Isso, vamos dois um pouquinho.
Não, não, não, gente. Pelo amor de Deus, não precisa.
Imagina, não está incomodando em nada. É, Cândido, vem aqui que eu não falei
com você direito.
O quê?
Seus pais, pelo amor de Deus. Seu pai é um cara interessantíssimo. A sua mãe,
então.
Nossa, eu estou... Apaixonou?
E gostar de alguém tem exclusividade?
Eu nunca tinha escutado concerto pra violino de Beethoven, você acredita?
Nunca! O Cândido tá mudando minha vida.
Ô!
Que isso?
Você baixou esse negócio no meu celular? Eu vou ficar sem memória. É a música
perfeita pra minha alma adolescente. Não me dá!
Negócio de alma adolescente?
Paulo, ai, caramba. Não é porque você namora uma adolescente que você se torna
um adolescente. A Adriana tem 21, Laura. É, parece 15.
Ai, e os pais dela, Laura, você tem que conhecer os pais dela, que eles parecem
meus amigos, assim. Aliás, eles são meus amigos agora, né?
E eles têm um negócio, sabe? Eles são bonitos, eles são charmosos. Paulo, por
favor, me promete que você não vai trair a sua namorada com a sua sogra. Você tá
brincando? Eu jamais faria um negócio desse com o Cândido.
Meu Deus, você tá mais preocupado com ele do que com ela.
Prevejo problemas.
Seu celular não para de tremer.
São meus matches.
Dates.
Entrei no app de relacionamento.
Você tá parecendo uma adolescente.
Quer namorar comigo, então? Não enche, vai. E o encontro de hoje é com quem?
Sogra, namorado?
Todo mundo junto? Hoje é só sexo. Há dois.
E ela já tem idade pra isso? Ah, te catar, Laura.
Eu não quero ter que ser outra.
Paula, a gente precisa conversar.
Ai, Linda, essa é a pior frase pré-sexo que eu já ouvi na vida.
Não, é... Não, sem Linda.
Sem sexo por hoje, tá?
Opa, não essa é a pior frase pré-sexo. Não sei, tô repensando umas coisas.
Ser mulher, cisgênero, num relacionamento fixo, heteronormativo,
monogâmico... Não sei.
Não é.
Já foi, né?
Bom, metade das coisas que você falou eu não entendi.
Seu sorriso. O que que tem?
Me dá tesão, sabe? Ah, então bora transar, vai.
Mas me chama de linda, nem de gostosa. Não, gostoso eu não vou conseguir.
Me chama de gostosê.
É.
Gostosê? É.
Tá.
Não, olha só, é melhor só gemer mesmo, porque senão eu vou confundir minha
cabeça toda na hora. Não vai ser bom, não.
Paulo,
que tipo de coisa você gosta de escrever?
Poemas. Aliás, se você não se incomodar, eu queria até trazer alguns pra você dar
uma lida e dar uma opinião depois. Ah, imagina, vai ser um prazer.
Ótimo.
Azar no jogo.
Como é que tá você, Adriano?
Tudo ótimo.
Ótime. Com E no final.
O importante é vocês se amarem, né? Cada amor é diferente.
Ninguém é igual. Nem corpo, nem alma.
É, eu nunca conheci ninguém como Adriano.
Nem como a Estela.
Aliás, vocês três são... São bastante especiais.
Paulo, se a alma entrasse na justiça e instalasse um processo contra o corpo,
ou vice-versa, pelos sofrimentos causados na vida, quem você condenaria?
O corpo?
O alma.
A alma é ela que destrói o corpo por negligência.
Ela enfraquece por embriaguez e corrompe.
Entende? Vem cá, você tá namorando o pai ou a filha?
Sinceramente? Não precisa nem responder, não. Vem cá, vem. Eu descobri o e-mail
da Glorinha.
Vou escrever uma carta e tentar convencê-la a largar marido, filha,
abandonar a faculdade em Amsterdã e voltar pra mim.
O que você acha?
Acho uma proposta tentadora. Acho que ela vai aceitar voando.
Sai, só tem olhos pro cão. Não, você sabe que você é o meu sessentão
preferido. Não tem sessentão. Tem sessenta sim. Sessentão é a mãe. Aliás,
a mãe é incrível, hein?
Estela!
Paulo! Oi. A Adriana tá na ioga.
Ah, então eu volto depois. Não, não, fica aí, espera comigo.
Vem ver a tarde, tá linda. Nem parece outono, tá um dia de verão. Nossa, sua
casa fica linda assim no fim da tarde.
Eu gosto muito da minha casa.
Sabe, quando eu olho uma tarde assim, eu penso que a vida deixa pra gente pelo
menos um bem precioso.
Qual?
A beleza, Paulo.
A beleza.
Tem coisa mais importante na vida?
Não sei.
Ah, mas devia saber.
Você não é poeta?
O Cândido falou que você tinha uns poemas que queria mostrar pra ele.
Ah, um momento de beleza é uma alegria pra sempre. Um momento de beleza é uma
alegria pra sempre.
Você lembrou da minha frase? Ah, não tinha como esquecer.
Estou lisonjeada.
Isso merece um uísque e um lugar pra botar essas flores.
Pra mim a vida só vale enquanto é bela.
Acho que eu sou romântica.
Eu tenho que confessar que eu nunca conheci ninguém como você.
Nem como Cândido.
E, na verdade, eu conviveria com vocês para sempre, se eu pudesse.
Se isso quer dizer que você está pensando em casamento com a Adriana, eu
aconselho testar um pouco a convivência. Não, com certeza tem que testar a
convivência. Tem.
O amor é uma coisa muito delicada.
E a convivência corrompe a delicadeza, sabe?
Depois, será que é possível amar muitas pessoas na vida?
Eu acho que não.
Não sei.
O que você acha?
Eu... não sei.
Aí, lá se foi a tarde, tá vendo? Nasceu a primeira estrela lá. Vai ser muito bom
ter você na família, de qualquer jeito.
É.
Ih, eu lembrei que eu tenho jantar com um amigo. Caramba, eu preciso ir. Claro,
claro.
As flores ficam pra mim?
Ficam.
Que bom.
É um segredo nosso.
Eu vou correr.
Quantas vezes por semestre você pensa em coisas práticas, como limpar a casa?
E ao mercado?
Dizem que durante os incêndios das florestas, os grilos giram em torno das
chamas. Sal, por exemplo, é uma coisa importante de ter na casa.
Água, um bom saco de arroz.
Eles são atraídos pela luz e não conseguem de jeito nenhum sair dali.
Vão se aproximando cada vez mais, cada vez mais, até que morrem todos
queimados. Aqui ninguém vai morrer queimado, porque não tem gás. Eu vou
escrever.
A Tragédia do Grilo na Chama, um poema épico de Paulo Vieira. O grilo é você, a
chama é sua sogra e a tragédia é nosso jantar, gemada com cerveja.
Gemada com cerveja, não. Vamos sair, eu pago o jantar. Quer dizer que o resto eu
acertei? A chama é a sogra?
Paulo. Paulo. Ei.
Precisamos conversar.
Sério? Sério.
O seu poema é impressionante.
Nossa, que alívio!
Quer dizer, obrigado, obrigado.
Você gostou de verdade?
Muito, porque esse tema da tentação a qualquer preço é difícil e você domina
muito bem.
O seu grilo pode lançar-se à chama.
Como assim?
Desculpa te dizer isso, mas você é um escritor.
Desculpa, por quê? Porque eu sei que escrever é um peso, é... É solitário, é
difícil, é angustiante, mas ao mesmo tempo é maravilhoso, é fundamental.
Não pare de escrever.
O mundo precisa de escritores. Nossa, Cândido, é uma pena que os meus credores
não pensem como você.
Porque a inteligência e a arte, que é a sua forma maior, são as pontas do
iceberg desse grande mistério. E é só por isso que vale a pena viver.
Nossa, eu nunca ouvi ninguém falando assim, Cândido, de verdade. Eu estou
apaixonado por você.
Todos. Eu tô vivendo uma orgia, Maria Alice.
É uma orgia.
Eu tô vivendo três paixões ao mesmo tempo.
Quer dizer, quatro.
Feliz por você.
Eu queria tanto que você estivesse aqui.
Tenho certeza que a Adriana ia entender.
Quer dizer, ela ia até gostar, eu acho. Tá, peraí. A Adriana é a mãe ou é a
filha? Não, a mãe chama Estela. A filha é a Adriana, que é a minha namorada. De,
namorade. Porque agora a gente tem isso, né?
A palavra pode parecer estranha por enquanto, mas pelo menos não discrimina
ninguém, né?
Eu te amo tanto, sabia?
Às vezes eu fico pensando que eu tô traindo você se eu vejo alguma coisa
muito bonita e você não tá perto. Eu também te amo, mas eu preciso desligar.
Uma pena.
Adeus. Adeus. Não quer dizer adeus nada. Até logo.
Oi, linda.
Ai, meu Deus. Não posso te chamar de linda? Lindy? Não. O problema não é como
você me chama, é como você me vê. Mas eu vejo você linda. Você quer que eu faça o
quê?
Paulo, eu adoro você.
Só que eu tô saindo com uma garota. E ela tem um namorado. E a gente tá saindo
a três.
Mas você quer terminar comigo ou tá me chamando pra uma orgia?
O que você chama de orgia, eu chamo de poliamor.
Você não entendeu, né? Eu não entendo, mas se você me explicar direitinho, pode
ser que eu entenda.
Eu adoro você.
Eu amo que você ama meus pais.
Aliás, isso configura poliamor?
Inclusive, eles vão passar o feriado na casa de Araras. Te convidaram você pra
ir com eles. Ah, é?
Uhum. O meu pai vai no sábado.
Talvez eu vá com ele.
Talvez? Por quê? Ah, não sei. Sei lá. Vamos ver o que que rola. Mas a minha
mãe vai sexta. Te convidou pra ir com ela.
Você vai amar a casa. Você não tem atenção.
Ó.
Assim. Aí a gente faz uma fogueira.
Aí a gente fica lento. Meu pai, né? Meu pai pega aquele livro e depois...
Ali é Órion.
Você conhece, né?
Caçador. Isso.
E aquela estrela da ponta ali, mais perto do horizonte, sabia que ela é 200
vezes maior que o Sol.
Uma pena o Cândido não ter vindo, né?
Amanhã ele tá aí.
Com a Adriana.
É.
Vocês estão bem?
Eu e a Adriana? É.
Mais ou menos.
A grana tá diferente.
Ai, Paulo, fica bem aqui debaixo desse céu.
Eu sou tão feliz debaixo desse céu.
Eu tô tentando.
Nossa, você parece tanto o Cândido quando era moço.
Perturba, sabe?
Não sei nem o que dizer.
Fala nada.
Vou dormir.
Oi. Alô, Laura. Me distraia, por favor, antes que eu faça uma besteira. Eu tava
mesmo precisando da sua ajuda. Eu vou te mandar duas fotos pra você me ajudar a
escolher, tá?
Que?
Nossa, só tem essas duas opções?
Os únicos que topam sair hoje.
Me dá bem nesses aplicativos. Você já não tem problemas suficientes?
E aí?
Não, é minha sogra. Ela... Paulo?
Fala!
Que... Ih, Laura.
Ela tem um amante. Meu Deus do céu, a família do poliamor. Ótima ideia.
Eu vou sair com os dois caras.
Poliencontro. Poeta simpático, policial carinhoso.
Beijo, adoro. Tchau.
O meu com duas pedras de gelo. Cândido.
Ué, cadê a Adriana? Não veio?
Ela não te avisou, não?
Cândido, eu não sei mentir, nem vou tentar. Estela tem um amante.
Eu sei.
Agora... Whisky.
Ele era um rapaz assim como você.
Isso tem uns 10 anos.
Você apaixonou por ela.
Isso pode acontecer.
Ela é apaixonante, você não acha? Eu não.
Mas e você?
A Estela não pode viver sem paixão e eu demorei a entender isso.
Um dia ela me comunicou, não quero mais sexo com você.
Eu sofri muito, mas eu não quis a separação. A Adriana era uma criança.
Bom, mas agora ela não é mais, né?
Agora eu posso me separar. E ela tem você.
Vocês estão bem, então?
Estamos, numa boa. Ótimos, ótimos.
Você então dormiu sozinho?
Sim, dormi que nem uma pedra. Foi ótimo, descansei.
Acordei também angustiadíssimo, porque se eu terminar esse relacionamento, o
Cândido vai ficar sentido e aí vai ser o fim da nossa amizade. Ótimo, assim você
esquece ele e volta pra mim. Ai, que bonitinho.
Cabral com... Ana!
Ai, desculpa. E a sogra? A sogra é puro charme, mas a sogra nunca quis nada
comigo, nada. Vem cá, tá bom aqui?
Acho que deu, né? Tá bom. Agora se a Maria Alice... Ah! Ah! Para de falar
Maria Alice! Tá, tá, tá, já entendi.
Tá bom.
Tá coçando?
Calma.
Ah, é a Adriana. Vai falar que quer me ver e que não quer transar. Eu vou falar
pra ela que não dá.
Aliás, eu vou falar que eu não... Eu não vou falar. Eu não sei o que fazer,
gente. Fim.
Paulo,
o papai foi hospitalizado com urgência. Eu preciso de você.
Como foi hospitalizado? Adriana, você me avisa assim com mensagem.
Você não vai me abandonar, hein?
Tô aqui ao seu dispor.
Quero voltar pra minha casa.
Não vai voltar logo, logo. Calma. É só mais alguns dias. A Adriana falou.
Paulo, eu sei que você não vai mentir pra mim.
Eu vou morrer.
Ah, eu menti pro Cândido sobre a gravidade da doença dele, né? Mas você
tem certeza sobre a gravidade da doença dele? Porque às vezes é melhor a gente
ser gentil.
Quase sempre é melhor a gente ser... Sempre é melhor a gente ser gentil, né?
Ele vai ficar bom.
Você acha?
Você não?
Espero que sim.
O Cândido é o amor da minha vida.
Mas você acha que a Estela mente quando diz que o Cândido é o amor da vida dela?
Provavelmente não.
E você, Maria Alice, mentiu quando disse que me amava?
Nunca menti pra você, eu não minto. Eu sei.
E eu?
O que tem em você?
Eu fiz uma promessa.
Se ele não morrer, eu vou ficar na família de vocês pra sempre.
Você não devia prometer algo assim.
O Cândido me chamou pra conversar em particular. Você acha que eu devo falar
a verdade ou ser gentil? Você sabe qual é a verdade?
Não. Então, primeiro, por que você não escuta o que ele tem pra te dizer?
Boa ideia.
É sobre a Elisa.
Quem é a Elisa?
Peraí, deixa eu entender. Você tem um amante ou sou sapeca?
O Cândido fala muito de você. Ele gosta de você que nem um filho.
Tava bebendo um pouco de vinho. Você quer? Um pouco?
Ah, eu aceito uma tacinha. Liga pra ela.
Explica a minha situação.
Ela deve estar preocupada. Como é que ele tá?
Me conta tudo.
Entra. Eu preciso que você faça isso por mim.
Ela mora em Marechal Hermes. Eu vou transferir um dinheiro pra sua conta.
Você leva pra ela. E leva flores também.
Você acha que ele vai ficar bom?
Nós vamos torcer pra que sim, né?
Aqui, ele mandou.
Eu nem mereço ver ele.
Ela me ama mesmo.
Muito.
Muito mais do que a Estela. Jamais, meu amor.
Você acha que ele tá sofrendo muito? Você tá indo lá todo dia. Se eu pudesse
ir lá ficar com ele, eu teria que me arrancar de lá pra eu sair. Eu nunca
vivi muito esse lado da vida. Eu nem sabia que existia. Um dia ela me pegou
pela mão e me levou pra banheira pra fazer amor.
Na banheira.
Eu vim pro Rio cedo, sabe como é?
Vim trabalhar como secretária numa firma e foi isso.
E o Cândido...
Me ajuda, às vezes.
Mas também, se ele não puder mais, não tem problema. Eu me viro. Eu nunca
precisei de homem pra viver.
O Cândido gosta tanto de você. Eu também... Eu gosto muito de você. Ele
fala muito bem de você também. Você quer mais uma taça? Eu vou pegar mais uma
taça. Não sei se... Ah, fica. Fica só mais um pouquinho.
Paulo, a Elisa precisa saber que ela pode contar contigo, Silvio, quando eu
morrer.
Tá, eu vou ficar um pouquinho só, então. Não fala de você. Você é arquiteto, não
é? Sou.
Ai, eu acho lindo.
É, mas eu não tenho a menor vocação. E você escreve poesia, que eu sei. O
Cândido me conta tudo.
Minha vontade mesmo era de escrever uma peça de teatro, Sani.
Se você quiser, eu posso te contar uma porção de histórias. Já vi tanta coisa.
Ai, nossa, me deu uma tontura. Você tá tudo bem? Você não quer tirar essa
camisa, não? Tá calor aqui, não tá?
Você é tão jovem. Ai, na cama, Paula.
Na cama.
Na cama. O Cândido pediu pra avisar que ama muito você.
Ele é um doce, né? É.
Mas eu não quero mais falar disso, não. Vamos falar de você. Você gosta de fazer
o quê?
Normal. Eu gosto de ir ao cinema, sair com os amigos.
O que é sexo? Oi?
Deve gostar, né?
Ser igualzinho a ele.
Você acha que eu tô bêbada?
Acho que não. Não, porque quando eu tô bêbada, eu passo cada vergonha. Eu fico
falando alto, eu não consigo parar de dançar.
Ah! Eu vou tocar uma musiquinha. Você quer ouvir uma musiquinha?
Vou também apagar um pouco essas luzes.
Fere a minha vista um pouco.
Eu adoro um escurinho.
Mas quando eu tô sozinha, eu fico com um pouco de medo.
Ai, eu tô sentindo um aperto no coração.
É? A vida é uma aventura maravilhosa.
Mas a fatalidade é soberana.
E eu lembrei que eu tenho que ver a Estela e a Adriana, que eu preciso dar
notícia pra elas. Você desculpa. Olha, eu adorei conhecer você, eu adorei o
vinho, eu tenho que ir embora.
Eu vou ligar amanhã pra saber se você ficou bem. Eu vou ficar bem.
Adorei também.
Tá bom.
Peraí, tá tocando, eu preciso atender.
Adriana, sou eu.
Alô. O papai piorou. Ele tá em coma.
Coma? Quê?
Com quem você tá?
É, eu tô com uma amiga, mas eu já tô correndo pro hospital já.
Eu não sei, você precisa vir.
Talvez não dê tempo de você chegar.
É... Tá.
Ele entrou em coma.
Tá... Tá desenganado.
Será que a morte é o maior dos prazeres?
Como seu poema, o grilo finalmente abraça a chama.
Paulo, faz uma mim.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.