All language subtitles for Grito do Silencio.Krik tishiny.2019.Web-Dl.720p.pt-br

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Original subtitles

CIDADÃOS! DURANTE BOMBARDEIOS ESTE LADO DA RUA É PERIGOSO

O GRITO DO SILÊNCIO

Baseado no romance de Tamara Zinberg "Sétima Sinfonia".

A cidade encontrava-se adormecida, toda coberta de gelo.

Montes de neve e silêncio.

Na neve, não se vê nenhuma linha de bonde.

Só se ouve o ranger das lâminas dos trenós.

Rangem e rangem, ao longo da Avenida Nevski,

trenós de criança, bem estreitos e engraçados.

Transportam pelo prado água em panelas,

lenha e tralhas.

E os mortos, e os doentes.

CERCO DE LENINGRADO. FEVEREIRO DE 1942.

Esse inverno nunca acaba.

Tem que acabar um dia.

Tomara que a gente não acabe antes.

Ei, fura-fila!

O próximo.

Você já gastou os cupons de amanhã.

E o de depois de amanhã? Afinal, já é noite.

Não antecipamos três dias.

Mas é quase noite, você pode.

E amanhã, vai fazer o quê? Pedir isso de novo?

Vá até a rua Cheskaya, lá eles dão adiantado.

Por favor, eu imploro.

Dê pão a ela!

Não posso antecipar o pão. De onde vou tirar os cupons?

Dê um jeito. Amanhã você cola no controle.

Você deve estar bem alimentada.

Não vê que ela tem cupons para criança?

Escute, dê a ela.

Amanhã eu colo o cupom no controle.

Você tem cupom para um filho e um de dependente.

Sim, sim.

É seu mesmo?

Vamos, apresse-se.

Próximo.

PÃO

Zina Voronova.

Olá.

Olá.

Pensei que vocês tinham sido evacuados com a fábrica.

- E o Aleksei? - Ele está no front.

Ele escreve que é um lugar próximo.

Já faz um ano.

Em março, ele foi enviado pra trabalhar. De lá, mandaram ele direto pro front.

Estávamos na dacha em Volossovo.

Mal conseguimos sair de lá.

Fomos bombardeados duas vezes no caminho.

Nunca senti tanto medo.

Teria sido melhor se tivessem nos matado naquela época.

Vamos morrer de fome mesmo. Quanto mais teremos de sofrer?

Zina, querida, pare com isso!

Vai enlouquecer assim. Venha até nossa fábrica.

Ontem o Borovaio foi na nossa fábrica.

Começou a evacuação da parte Norte da cidade.

- É mesmo? - Sim. Com certeza levarão vocês.

O seu Aleksei não é qualquer um.

Ele é um operário qualificado.

Ele é conhecido e respeitado. Eles vão evacuar vocês.

Sim, amanhã vou na sua fábrica.

Ei, espere.

O seu Mishka tem que idade?

O Borovaio também informou

que quem tem filhos menores de três anos,

não são evacuados, por causa da geada severa.

Afinal, com essa idade, morreriam no caminho.

Não podem ir?

Seu filho tem qual idade?

Está me ouvindo?

Deixe-me ver a certidão.

Ele está morto.

Sinto muito, moça.

Guarde bem sua identidade e o cartão de embarque.

Eles não permitirão excesso de peso.

Não leve muitas coisas.

Camaradas, qualquer excesso de peso vai ser deixado para trás.

Não suporto mais!

Não aguento mais passar fome!

Nós todos vamos morrer!

Zina!

Zina!

Aonde você vai? E o Mishka?

Estou indo embora, serei evacuada.

Eles nos levam da fábrica de carro através do Lago Ladoga.

E onde está o Mishka?

Ele morreu.

Querida!

Senhor, que tragédia.

Quantas crianças já morreram.

Aleksei já sabe?

Escreveu para ele?

Vou tomar meu lugar na fila do pão. A guarda está de olho.

Vou marcar meu lugar na fila...

antes de abrir.

Espere um minuto.

Lenochka, estou aqui.

Mamãe.

Kátia, abra!

Eu sei que você está aí!

Vá imediatamente para o abrigo.

Kátia, eu sei que está em casa.

Não está ouvindo a sirene?

Kátia, sua teimosa!

Sua teimosa!

Vão bombardear nosso distrito.

Mas que menina mais teimosa você é!

Toda vez preciso te arrancar daí!

Vamos, ande.

Corra para o abrigo.

Que menina difícil você é, querida.

Apartamento 6.

Zina Voronova. Foi evacuada hoje.

Mas que diabos. Nem fechou a porta.

Mas que megera.

Como pôde fazer isso?

Quanta maldade.

Agora estou aqui, vou cuidar de você.

Está tudo bem, vamos.

Vamos desça, cuidado.

De quem é esse menino?

De ninguém.

Amanhã ele irá para o orfanato

ou para o centro de triagem infantil.

Talvez encontrem um parente.

Ele tem quantos anos?

Quase três anos.

Kátia, chega de perguntas bobas. Ande mais rápido.

Por que bobas? Eu só queria saber.

Saber, saber...

Tem luz naquele apartamento. Não desligaram.

Já faz meses de blecautes e eles não conseguem consertar.

Aqui, querida, pegue.

Consegue segurar?

Deixe-me ajudar você.

Segure. Isso mesmo.

Corra com ele para o abrigo antiaéreo.

Kátia, corra, não ande.

Anda, mexa-se. Está ocupando muito espaço.

Queremos lugar pra domir.

Vamos, vamos.

O pior é que...

nós...

Estamos perecendo nessa arapuca.

Sim, sim.

Leningrado se tornou uma arapuca.

E estamos presos nela.

E todos nós morreremos aqui.

Uma morte sem sentido!

No front, tudo bem...

Mas aqui...

São mulheres e crianças...

e nós...

absolutamente...

somos inúteis. É isso que assusta.

Nem sempre...

parece fácil de resolver à primeira vista,

o que é inútil...

e o que não é.

Em pleno século XX,

em uma das cidades mais belas do mundo,

somos forçados violentamente a recuar...

à Idade da Pedra.

E aqui surge a questão.

É possível transformar as pessoas

em seres das cavernas,

como deseja Hitler?

Ou não?

Eles ainda assim continuarão a ser humanos.

E respondendo a essa pergunta

cada um de nós deve...

deve resistir até a morte.

E quanto à fome ou à família,

acredite em mim...

sobrevivem não os mais fortes fisicamente,

e sim...

os que sabem se virar.

E vocês são bom nisso.

Crianças.

Se ficarmos sentados. Daqui a pouco ela vai chegar com tudo e te levar.

Por que você é tão chato?

Você só reclama.

Ele reclama da fome.

Estamos todos com fome.

Mas se todos reclamarem, o que isso vai virar?

Tente explicar isso a ele.

Tome.

Mas que frio terrível.

Calma, calma, camaradas!

Calma, calma.

Calma, sem pânico.

Não tenham medo.

Vamos acender uma vela.

Esta aqui.

Obrigado.

Sentem-se todos.

Está tudo bem.

Uma bomba caiu no prédio oito.

É nosso prédio!

Está um inferno lá.

Camaradas, mantenham uma distância de pelo menos dez metros.

Não atrapalhem os bombeiros.

Não atrapalhem!

Tem algo de comer?

Para trás!

Tem algo de comer?

Anna Vassilevna!

Garota, por que está parada aqui? Saia daqui!

Garota, estou falando com você!

Não pode ficar aqui!

Eu sei. Pra onde eu levo ele?

- Ele é de quem? - De ninguém.

Anna Vassilevna iria levá-lo ao orfanato

ou para o centro de triagem.

E ela foi morta.

Amanhã cedo leve-o ao conselho distrital. Entendeu?

No escritório número 12. Está claro? Você me entendeu?

Lá eles cuidarão dele. Saia daqui, rápido, rápido!

Para onde vamos agora? Minha casa foi bombardeada.

Ah, entendi...

Vá para a delegacia.

Aqui estão as chaves. Abra, e fique lá até amanhã.

Pegue. É naquela esquina.

Ainda tenho muito para fazer aqui.

Vá.

Estou no limite! Não se mete!

Alarme de ataque aéreo encerrado.

Alarme de ataque aéreo encerrado.

Veio me procurar?

Não.

Posso ajudar?

Fomos mandados pra cá. Nossa casa foi bombardeada.

Entre.

Sente-se.

Vamos ver...

Lugar é que não falta.

Uns foram evacuados, outros estão nos quarteis,

outros morreram.

Pode pegar um apartamento inteiro.

Não precisa, um quarto está bom.

Bem... um quarto...

E por que... não está acompanhada de um adulto?

Porque somos sozinhos.

Meu pai morreu no front.

E minha mãe morreu de fome.

Em dezembro.

Vai ser difícil para vocês. Tantos já se foram neste inverno.

Muitos mesmo.

Sua certidão.

Nikonorova...

Kátia Dimitreva.

Nascida em 10 de janeiro de 1930, em Leningrado.

E a certidão dele?

Precisa a dele também?

O que você acha?

Se ele for morar aqui, então precisa.

Ele não tem certidão.

Como assim?

Ficou no fogo.

A certidão estava em casa, e queimou tudo.

Por que você carrega sua certidão e deixou a dele em casa?

Tudo bem. Qual o nome dele?

Hein?

Ele se chama Serguei.

Serguei...

Dimitrevich...

Nikonorov.

Data de nascimento?

Ele tem três anos.

1939.

Qual mês?

1º DE MAIO.

Primeiro de maio.

Primeiro de maio.

Quer ajuda?

Não, você está tossindo. Pode pegar algo nele.

Entre.

Coloque botas de inverno, tá?

Vamos arrumar algo.

Quem morava aqui?

Um professor.

Uma pessoa muito culta.

Ele escreveu livros.

Na cozinha tem utensílios, baldes, panelas.

Não deixe a luz acesa. Abaixe as cortinas.

Está bem.

Vamos ficar bem.

Não tem fogareiro?

Não...

Eles foram evacuados no verão.

Bem...

ocupe o terceiro aposento.

Ali do lado mora o Trifonov.

Ele consegue um fogareiro.

Diga que eu pedi, ou ele não dará.

E...

No sótão...

Há lenha guardada.

Para não precisar usar os móveis.

Há um machado também.

A chave.

Não perca, só tem essa.

Bem, vamos lá...

Vivam!

Vamos ver até quando aguentam.

Se precisar algo, me procure.

Fique aqui um pouco.

Vou conseguir o fogareiro.

Preciso falar com o Trifonov.

O diretor de habitações me enviou.

Quem está aí?

- Você é o Trifonov? - Sim, sou eu.

O diretor de habitações me enviou.

Nós mudamos para cá, nossa casa foi bombardeada.

Ele disse que você fabrica fogareiros.

E estou precisando de um para meu apartamento.

Trezentos gramas de pão, e o fogareiro é seu.

Eu não tenho pão.

Então pode ir dando o fora.

Mas não tenho pão mesmo. Não posso te dar o meu.

Tenho um irmão pequeno em casa.

Deixe que eu pago em dinheiro. Só diga quanto é.

E eu vou fazer o que com dinheiro?

Só se for pra acender o fogo.

Vá embora.

Não vendemos por dinheiro.

Eu não vou.

Não podemos viver sem um fogareiro.

Não podemos sobreviver assim. Não entende?

Então não sobrevivam. Como se alguém precisasse de vocês.

Precisam, sim. Todos são necessários

Chega disso.

Nós também queremos sobreviver.

E dá pra sobreviver com uma única ração?

Trezentos gramas de pão ou nada de fogareiro.

Acha que não tenho dinheiro suficiente?

Apenas diga quanto é.

Eu pago o que você disser.

Dou um pouco agora, trago o resto amanhã.

Quando eu receber minha pensão.

É insistente.

É a pensão do seu pai?

Sim, do meu pai.

Então ele está morto.

Também recebemos o telegrama da morte do nosso filho em outubro.

E o que a gente faz agora? Sai distribuindo tudo de graça?

Dê a ela um fogareiro, Pelageya.

Eu levo para você.

Ei, garota, aonde vai?

Aonde está indo?

Eu tenho uma criança em casa.

Para duas pessoas.

Você está morando ali?

Sim.

Quando você chegou?

Hoje.

Meu irmão e eu ganhamos um quarto.

Ele ainda é pequeno.

Um professor morava aí.

Eu sei, já me contaram.

Deve ser um lindo apartamento.

Entre e dê uma olhada.

O pobrezinho só chora.

Sempre sozinho.

Ainda não comeu nada.

Então...

Agora vai ficar tudo bem.

Vamos aquecer. Peguei lenha para o fogareiro.

Viu o fogareiro que nos deram?

Consegui pão e três torrões de açúcar.

Vamos ferver água.

Vai ficar tudo bem.

Ele se chama Serguei.

Serguei.

Ele já não deve estar bem.

Talvez nem ande mais.

Por que diz isso?

Ele está bem fraco.

Lá na casa da vizinha foi o mesmo, a filha dela morreu no mês passado.

Ficava só deitada, igual ao seu irmão.

Bem...

Quer que eu peça as coisinhas dela pra ele?

Não tem mais utilidade lá.

Pode pedir.

Ele não tem nada.

Ele precisa de um casaco,

cobertor e xale.

Vou pedir.

Mas duvido que ele vá viver muito.

Está falando de quem?

Do seu irmão.

Não é verdade! Ele vai viver!

O que tem a ver se a filha dela morreu?

Ele não vai morrer.

Não dê ouvidos a ela, Serguei!

Você que está perdida!

Ele viverá cem anos a mais que você!

E não escuta eles! Que se matem, se quiserem!

Eles vão todos morrer logo, esses malditos fascistas!

E você viverá!

E Hitler morrerá como um porco!

E você viverá!

E vai poder voltar pra escola!

E poderá comer docinho! Entendeu?

Entendi.

Pode me dar um torrão de açúcar, por favor?

Você me assustou!

Tolinho!

Até mais!

Pai, aonde está indo?

Muito obrigada!

Acabamos de ouvir a Sétima Sinfonia de Beethoven.

A transmissão foi feita a partir de uma gravação

feita pela Filarmônica de Leningrado.

Sou nova por aqui.

Não conheço ninguém.

Qual o sobrenome você disse?

Voronova.

Zina Boronova, prédio 8.

Sei qual é o prédio 8.

Onde está a Anna Vassilevna?

A antiga zeladora.

Não está mais entre nós. Morreu no bombardeio,

quando ela entrou no prédio.

Aqui as pessoas não vão para o abrigo com o alarme de ataque aéreo?

Alguns sim, outros não.

Eu mesma já cansei. No outono, todo havia alarme.

Aqui está, prédio 8.

Atenção! Atenção!

Vamos, sente-se, sente-se.

Avisamos que o distrito pode sofrer um ataque aéreo...

Bombardeios de novo?

Sim.

Como sempre.

Aqui.

Zina Nikolavna Vorovna.

Ela foi evacuada.

No dia 14 de fevereiro,

para Yaroslavl.

Ela teve sorte.

Foi pouco antes do bombardeio do prédio.

Se você tivesse vindo um pouco antes, a teria encontrado.

Para Yaroslavl?

Com o Mishka?

Quem é esse?

Nosso filho.

Mishka Voronov, nascido em 1939.

Ele tinha pouco mais de um ano quando fui enviado ao front.

Não encontro nada sobre ele nos registros.

Espere um momento, camarada soldado.

Aqui você está fora de perigo.

Você pode ser morto.

Vou mesmo assim.

Aleksei!

Voronov!

ABRIGO ANTIAÉREO

Não me reconhece?

Não, me desculpe.

Evgenia Petrovna, sua vizinha de cima.

Você está diferente.

Normal, né? Sobrou só metade de mim.

Nós mal sobrevivemos aqui.

Ficou sabendo sobre a Zina?

- Foi evacuada? - Sim, com o pessoal da fábrica.

Eu a encontrei por acaso quando ela estava indo,

no dia que bombardearam nosso prédio.

Evgenia Petrovna, o Mishka está com ela?

Então você não sabe?

Ela não deve ter te escrito.

Ou, se escreveu, a carta não chegou.

O seu Mishka morreu.

Aqui, os adultos gritam e as crianças morrem.

Aleksei, querido, quando a guerra terminar, você...

você ainda viverá com a Zina e terá muitos filhos.

Ainda terá, querido!

Acredite em mim!

Pode acreditar!

Aonde você vai?

Acredite em mim!

Camarada soldado, não está ouvindo o alarme?

Não pode ficar aqui!

Entre aqui, por favor. Entre!

Camarada soldado.

Camarada soldado, tudo bem?

Para onde precisa ir?

Eu conheço um beco ali que dá na saída para o canal.

Posso te guiar sem problemas.

Vamos?

Vamos.

Por aqui.

Rápido, rápido.

Voltem aqui! Garota!

Camarada soldado, volte aqui!

Não vê o perigo?

Eu conheço bem esses pátios.

Menina, por que anda no meio dos ataques?

É assim o ano todo. Vou ficar lá parada?

Preciso ir para casa, meu irmão me espera.

Não posso esperar.

- O que tem nesta lata? - Tem sopa.

Eu troco o cupom na cantina todo dia.

Todo dia está tendo sopa.

Venha.

É por aqui.

Cortamos caminho.

Vai direto no canal.

É aqui que moramos agora.

Ele atiraram na nossa janela.

Agora atiram nas casas que estão pegando fogo.

A gente mesmo montou a camuflagem.

Tiramos durante o dia, para que o sol entre.

Ele é muito bom para mim.

- Já vou. - Tchau.

Escute, garota.

Ei, garota!

Pegue.

Mas você não vai precisar?

Você não tem família?

Não, não tenho ninguém.

Olá, meu querido!

Cansado de esperar?

Olha só! Um soldado nos deu pão e carne enlatada.

Assim, sem motivo algum.

Fiquei tão chocada que até esqueci de agradecer!

Papai.

Você falou!

Diga de novo!

Não, querido, aquele não era seu pai.

Era só um soldado.

Acho que você encheu as calças de novo...

Tudo bem.

Ele disse que não tem ninguém.

Provavelmente todos morreram.

Quando você vai começar a falar comigo?

Hein?

Bem, vamos trocar?

Aqui fala Moscou...

Agora vamos comer um pouco de pão.

Pegue.

Por que está despedaçando? Vai esconder pra comer depois?

Coma direito, como gente.

Você precisa viver.

Toma, toma tudo.

Toma a sopa e coma o pão também.

Não precisa guardar.

Temos bastante agora.

Guardei uma parte.

Só não podemos comer tudo de uma vez.

Pegue.

Coma, coma.

DEZ MESES DEPOIS

Em dezembro, nossas tropas em Stalingrado

Continuou a avançar sobre os inimigos.

Durante a ofensiva de nossas tropas, o inimigo foi capturado...

E aí, o que me diz? Estamos aguentando, hein?

Não toque, ou você vai se sujar.

Para cada um que sobreviveu ao cerco, dois não conseguiram.

A armadura é forte E nossos tanques são rápidos

E nosso povo Cheio de coragem

Na linha de frente Estão os tanquistas soviéticos

Filhos de sua grande Pátria

Por que você não canta junto?

Você poderia aprender alguns poemas.

Vamos lá, repita depois de mim.

É preciso, é preciso se lavar

De manhã e à noite,

Senão, todo encardido, Vai passar vergonha e vexame.

E você com essa carinha que não lavou o rosto.

Bem, vou te lavar.

Vamos, vamos.

Acho que, se esse Tchukovski tivesse que carregar água da fonte,

ele ia parar de escrever esses poemas bonitos.

Acho que vou te dar um banho primeiro,

e depois termino de pintar o cartaz.

Mas primeiro vou buscar água.

Está bem? Vai esperar?

Ótimo, então!

Muito bem!

Vestimos a calça, agora a camiseta.

A camiseta.

Assim.

Coloque os braços.

Muito bem.

Agora o pulôver.

Agora você não está mais porquinho!

Né?

Está limpinho!

Acabe de se vestir

e eu vou levar o cartaz, está bem?

Muito bem.

Levante-se, vamos, levante-se.

Você está congelando.

Vamos, levante-se.

Você é pesado.

Consegue ir?

Sim.

Então, está bem.

Então, as tarefas são definidas.

Ao trabalho.

Agora, em relação à sua pergunta.

Anton Ivanovich, fiz este cartaz.

Muito bem.

Oh!

Muito bom! Muito bom!

Você mesma que pintou?

Claro que foi ela.

Por quê?

Que letra bonita!

Claro que é bonita!

Não quer ir ao hospital nos ajudar?

Claro que ela vai.

Preciso fazer um jornal de parede e alguns cartazes.

Você consegue?

Eu sempre fazia isso na escola.

Mas não posso ficar muito tempo fora.

Ela consegue, ela consegue.

Não prometo pão, mas sopa conseguiremos para você.

Olha que ótimo, querida!

Essa música não é daqui.

É da Bielorússia.

Minha mãe cantava isso para mim quando eu ainda era bem pequeno.

É a Kátia.

Nossa pequena artista.

Vou chamá-la aqui.

Kátia.

Ei, Kátia!

Me diga... com uma perna assim, alguma garota ainda vai me amar?

Acho que sim.

Pergunte a elas você mesmo.

Tudo bem, você me deu esperança.

Eu já estava ficando preocupado.

Veja a Valka. Ela nem olha pra mim.

Sua letra é bonita.

mas a palavra "paciente" é com "c", não dois "s".

Na frase de cima.

- Certeza? - Sim.

Desconfiei...

Vou corrigir.

É verdade, camarada Snegirev, que você abateu dois aviões?

Um e meio.

O segundo, quando me viu no céu, morreu de susto na hora.

Guerra por todo lado e só se escuta piadinhas...

- Tenente Snegirev. - Sim.

Volte para sua cama, vou distribuir a comida.

Já vou.

Viu? Ela está brava de novo.

Escute, temos um favor para te pedir.

Não vai negar algo para um herói, né?

Cante para nós o que estava cantando antes, por favor.

"Nossa Codorninha".

Nossa codorninha

Ficou velhinha

Nossa codorninha

Ficou velhinha

Você é minha Você é minha codorninha

Você é minha querida codorninha

E as patinhas da codorninha Ficaram doentes

E as patinhas da codorninha Ficaram doentes

Você é minha Você é minha codorninha

Você é minha querida codorninha

Muito bem!

Obrigado!

Foi como estar em casa.

Muito bem, Kátia! Muito Bem!

O que você fez, seu trapalhão?

Não grite com alguém ferido.

Era minha sopa.

Deveria ter tomado a sopa, não colocado na lata.

Você não sabe de nada.

Tenho uma criança em casa.

Uma pirralha como você não deveria falar assim com adultos.

Segura essa língua aí.

Não entendi.

Segure a língua, eu disse. O que não entendeu?

Brigando com uma garotinha...

Você esteve no front.

E aqui as pessoas já têm problemas até dizer chega.

Tudo bem, tudo bem.

Me desculpe, Kátia.

Lembrei de você!

Não quando você chegou, só agora.

Você nos deu carne enlatada e pão.

Não se lembra de mim?

Agora me lembro.

Como vai?

Você tinha mais alguém lá, certo?

Uma irmã?

Não, irmão, o Serguei.

Ah, sim.

Irmão.

Masha, quer ajuda?

Camarada capitão,

eu até deixaria você dançar, mas o médico iria brigar.

Demorou...

mas, como dizem,

a carta encontrou seu herói.

Está dormindo?

Era carta da sua esposa?

Era esposa.

Não tenho mais esposa.

Entendo.

Mas a vida segue.

Vá dormir, Volódia.

Já está tarde.

Aguente firme, irmão.

Aguente.

"Querido Aleksei,

não escrevi antes para você não vir me procurar.

Não nos veremos mais.

Nosso Mishka morreu, não voltarei mais a Leningrado.

Não vou ter coragem de te ver.

Conheci aqui uma pessoa com quem, talvez, eu seja feliz

porque com dele não me sinto culpada.

Se puder, me perdoe.

Zina."

Ah, é você?

Está fazendo muito plantão.

No nosso prédio, quase não sobrou ninguém.

Por isso venho pra cá.

Ou me encosto no fogareiro, ou fico aqui largada.

A primavera está chegando.

Estará mais quente.

Está muito frio hoje.

Tá um silêncio...

Por quanto tempo?

Vai ver já se cansaram disso tudo.

Não é?

Bem...

É tiro, é bomba… e nem uma cebola no mercado.

Talvez...

Talvez...

Espero que não caia mais bombas.

Tudo isso vai acabar logo.

Aqui estão seus papéis, camarada Voronov.

- Você recebeu a ração seca? - Sim, obrigado.

Como você é de Leningrado, eu te dei mais três dias em casa.

Eu não tenho mais casa.

De toda forma, descanse na cidade.

Morava na Avenida Stachev, né?

E eu na Fontanka.

A cidade ficará linda na primavera.

E no verão também.

Muito obrigado, doutora.

E para você eu desejo...

como dizia a música da minha juventude no Komsomol,

"Se for a morte, que seja rápida,

Se for ferido, que seja leve."

Isso mesmo.

Até a próxima.

Até a próxima, camarada capitão.

Até logo, Valentina.

Esse até logo é para quando?

Quer voltar para o hospital?

Para onde vai agora?

Eu mesmo não sei.

Vá me visitar.

Eu saio do turno às oito da noite.

Eu não moro longe.

E ainda tenho um pouco de vinho.

Vamos sentar e conversar.

Podemos ouvir música. Que tal?

E então?

Acho que sim.

Ótimo! Vou te dar o endereço.

Posso pegar uma folha?

- Esqueceu algo? - Não.

- Tchau. - Tchau.

Até de noite!

Kátia.

Achei que já tivesse ido.

Vamos nos despedir.

Não precisa me acompanhar.

Não tenho para onde ir, Kátia.

Meu apartamento foi bombardeado.

Ah, grande coisa. Minha casa também foi destruída.

Tivemos que ir para outro lugar.

Você morava onde?

Ei, irmão, tem fogo?

Obrigado.

Posso te acompanhar um pouco?

Até sua nova casa.

Se você não se importar, claro.

Olhe!

Você o assustou.

Deixe ele voar por aí.

Vai esquentar.

Ele voltou.

Serguei!

Bem...

Agora eu vou.

É melhor ficar conosco.

Ah, fico sem jeito... Não vou incomodar vocês?

- Olá, Sveta. - Olá.

Não, você não incomoda!

Mesmo?

Então, vamos.

Moramos aqui.

Olá.

Qual seu nome, garotinho?

O nome dele é Serguei.

Serguei.

Bem, vamos entrar.

Estamos indo bem.

Pode deixar suas coisas bem aqui, atrás do armário.

Vamos pegar uma cama pra você.

Há muitas camas de ferro no pátio,

das casas que foram destruídas.

Também posso dormir no chão.

Por que no chão?

Vou alimentar o Serguei,

e depois vamos lá buscar, é logo ali.

O Serguei dorme ali?

É a cama dele.

Quantos anos ele tem?

Vai fazer quatro em breve.

Ah, o meu Mishka...

hoje teria a mesma idade.

Ele tinha a perna tortinha, igual o Serguei.

Kátia, deixa que eu faço isso.

Isso ainda é tarefa de homens.

E o Serguei vai me ajudar, não é?

Muito bem.

Vou ali correndo e já volto.

Agora temos água no pátio.

Quem é aquele com você?

O soldado.

É uma visita. Alexey Petrovich, um amigo nosso.

Ele saiu do hospital e vai voltar ao front em breve.

Olha que malandra, e é só uma garotinha.

Malandra por quê? Não sou malandra.

E não é? Eles recebem rações, oras.

Todo tipo de produto.

Pão, enlatados.

Certamente vai compartilhar com você.

Você é uma estúpida, Sveta.

Pode ser adulta, mas é uma estúpida.

Eu te entendo, você precisa alimentar seu irmão.

Eu não disse por mal, Kátia.

Você que é uma estúpida.

Doidinha.

Aí está.

Gostou?

É um relógio de pulso.

Um metrônomo, né?

Só que menor.

[ENDEREÇO DA ENFERMEIRA]

Já acendi o fogo. Agora é com você.

Vamos, Serguei, venha lavar as mãos.

Kátia, o que houve?

Não houve nada.

Kátia.

Sente-se e coma, Serguei.

Não precisamos de nada.

Pegue seus produtos.

Isso é seu.

Kátia, que deu em você?

Sente-se.

A chaleira já ferve.

Pois bem, Kátia.

Isso não vai funcionar.

Não gosto das coisas assim.

Prefiro passar a noite no escritório do comando.

Eu não estava preocupada com seus produtos.

E quem estava achando isso?

Acha que eu pensei isso?

Não pense essas coisas, Kátia.

De onde você tirou essa cabeça?

Já estava no apartamento.

Não sabemos quem é.

Chamamos carinhosamente de Vasya. Não é, Serguei?

Esse nome não é bom?

Vasya?

Vasya... pode ser...

Ótima cama.

Na primavera, vamor ter que cortar capim.

Secará rápido.

E poderá fazer um colchão de palha.

E cobre com a capa de chuva.

Nem vai dar tempo do capim crescer...

Eu vou partir em dois dias.

Minha esposa tinha um xale felpudo igualzinho ao dele.

Já faz tempo...

Ele é legal com você?

Sim.

Ele é um bom menino.

Nunca pede nada. Nunca reclama.

Nós dois teríamos morrido

se você não tivesse dado seu pão para nós aquele dia.

Fiz sopa com a carne enlatada, durou uma semana.

Ele estava muito fraco.

Sergueizinho.

Ele nem andava mais.

Você o salvou.

Você o ama muito?

Sim, muito.

Não vou dá-lo a ninguém.

A pessoa sofre quando ninguém a ama.

E é pior ainda se não tem alguém para amar.

Toda pessoa devia ter alguém pra amar.

Senão, acaba morrendo por dentro.

Não é verdade?

Talvez seja.

Não está congelando?

Por que ele nunca fala?

Você não o ensinou a falar?

Vamos desmontar a cama. Vai ficar mais fácil de levá-la.

Serguei, venha aqui.

Só não pense que ele é retardado.

Ele é muito esperto.

Acho que ele não fala porque fica muito tempo sozinho.

Eu só fico com ele de manhã,

e à noite, quando eu chego, ele come e já vai dormir.

Mas eu deixo o rádio sempre ligado.

E ele não pode ir para o jardim de infância?

- Ou ainda estão todos fechados? - Não, não estão.

Já estão funcionando.

Eles dão mingau no almoço.

E à noite, ainda dão 50 gramas de pão.

Mas só se você tiver os cupons.

Mas o Serguei não foi aceito.

Disseram que, como eu não trabalho, posso cuidar dele.

A diretora é muito rígida.

Eu já fui lá.

Amanhã vou lá conversar.

O que temos a perder?

Vou dizer que ele é meu.

Eles não vão olhar meus documentos.

- É sério? - E por que não?

Por uma boa causa, uma mentirinha não faz mal.

Também acho isso.

É aqui.

Bem...

A bala teme o bravo, A baioneta também.

Me dê os documentos.

A caderneta e a certidão. Não perca.

Muito bem.

Serguei Dmitrievich Nikonorov.

JARDIM DE INFÂNCIA N. 7

Acho que é aqui.

O que deseja?

Pronto, chegamos, viu?

É aqui.

Estamos muito contentes.

Bom dia!

Eu queria ver com meus próprios olhos a diretora mais rígida de Leningrado.

Muito prazer.

Camarada capitão, tente me entender, por favor.

Não me interrompa.

Ela está sozinha, sem ajuda de ninguém.

Colocou o garotinho de pé.

Salvou a vida dele.

Ela sobreviveu e o salvou. Você está me ouvindo?

Serguei, não se assuste.

A menina é pequena, ainda é uma criança.

E aí, aceitaram ele?

- Claro que sim! - Viva!

Que tempo é esse!

- Vamos dar uma volta na cidade? - Vamos.

Ele fica no jardim até às cinco.

Que bela cidade temos.

Sim, muito bela.

Nem a guerra conseguiu destruí-la.

Olha só, os Atlantes.

Uma vizinha do nosso prédio morreu nesse lugar.

Ela ficou de plantão no hospital a noite toda.

De manhã, estava indo pra casa.

Os aviões atiravam para todo lado,

atirando na multidão.

Um projétil explodiu e a atingiu no peito.

Nosso vizinho Anton Ivanovich também ficou ferido.

Mas ele conseguiu correr para aquele lado.

Ele só perdeu o braço, mas ela morreu na hora.

Isso é tudo muito triste, Kátia.

Mas não tenha mais medo, ouviu?

Em breve nos livraremos desses fascistas malditos,

e viveremos felizes.

Já são quinze para as cinco. Precisamos buscar o Serguei.

Você pode ir até lá?

Claro. Mas você vai pra onde?

Quero caminhar um pouco sozinho.

Não se importa?

Não, claro que não me importo.

Só não se atrase para o jantar.

Serguei!

Coloque lá.

Quer que eu faça algo com esta madeira?

Um navio?

Quer?

Que ótimo!

Pegue mais.

Isso.

Isso, vamos lá.

Isso mesmo, meu pequeno.

Almoço para o carpinteiro!

Muito bem.

Vamos lavar as mãos.

Agora só falta terminar o navio.

Iremos juntos lançá-lo na água.

Como ele vai se chamar?

Acho que...

o Serguei vai escolher, não é?

Assim vai começar a falar, não é? Vamos.

Vamos escolher juntos.

Você virá nos visitar?

Vou aprender a fazer tortas e assar aos domingos.

Torta com geleia, amo!

Por enquanto, só dá pra sonhar com isso.

Tortas com geleia também são minhas preferidas.

Desde antes da guerra, nunca comi uma sopa assim.

Fale sério.

Essa sopa só existe por sua causa.

Ah, pare de dizer isso.

Senão vou ficar convencido.

Eu volto ao front amanhã.

O tempo corre.

Acho que só vamos terminar nosso navio amanhã.

Foi mal, garoto.

Mas, sabe de uma coisa?

Coisas incríveis às vezes acontecem.

Não é, Kátia?

Hein?

Talvez.

Bem, vamos voar!

Vamos, vamos.

Aqui fala Moscou.

Nas últimas horas...

Após um ataque bem-sucedido,

inimigos foram capturados.

Nossas tropas, tomaram a cidade...

e o entroncamento ferroviário de Velikiye Luki.

Devido à recusa em depor as armas,

a guarnição alemã foi exterminada.

Comitê Soviético de Informações.

Bem, tenho que ir. Corra, não se atrasem para o jardim.

A diretora é realmente rígida.

Tenho que ir.

Ferido.

O quê?

Quem está ferido, hein?

Ele falou! O Serguei falou!

Ele realmente falou.

Você disse que coisas incríveis acontecem!

Como você é inteligente, meu querido Serguei!

Não é?

Fui ferido mesmo, parecia que fui engolido.

Prédio ferido.

É verdade.

A cidade inteira está ferida.

E ainda assim é linda.

Ela permanece firme e não se dobra.

Que espertinho!

Hora da despedida.

Kátia.

Não ande mais sob ataque.

Escutou?

Está bem.

Você promete?

Sim, prometo.

Venha nos visitar novamente. Por favor.

A gente vai esperar muito, muito por você.

Derrote esses malditos fascistas.

Vença por todos nós.

E volte vivo.

Tem que voltar.

Nós amamos você.

Combinado.

E você precisa de alguém para amar.

Se não fosse o Serguei,

talvez eu também tivesse acabado na avenida Stachek.

Quando a bomba caiu em nossa casa,

só a Anna Vassilievna conseguiu me tirar de casa

e me mandar pro abrigo.

Moravámos lá há seis meses, e minha mãe morreu de fome.

Anna Vassilievna?

Não era a zeladora do prédio 8?

Você disse que morava na avenida Stachek?

Você a conhecia?

Naquele dia, ela voltou para o prédio

e me entregou ele na mão, lá no pátio.

Eu menti que o Serguei é meu irmão.

Eu que dei esse nome a ele.

Não sei o nome verdadeiro dele.

Mas você mesmo disse,

por uma boa causa, uma mentirinha não faz mal.

Ele não é seu irmão? Em que andar ele morava?

Apartamento 6, no segundo andar.

Ele estava sozinho no apartamento da Zina.

Talvez seja filho dela.

Mishka! Querido!

Meu querido filho!

Filhinho!

Está vivo!

Como tudo isso é possível?

Que felicidade!

Obrigado, Kátia!

Minha boa menina!

Vou sempre te agradecer! Obrigado por meu filho!

Então o meu Serguei é seu filho?

Você é meu pai?

Sim, filho!

Está vendo, Kátia?

Está vendo?

Eu explico tudo para você depois.

O mais importante é vocês se cuidarem.

Vocês dois.

Eu voltarei em breve.

Voltarei com certeza.

Vou voltar.

E estaremos todos juntos novamente.

Para sempre, todos juntos.

Estão ouvindo?

Me ouvem? Todos juntos!

Todos juntos.

Eu juro para você, Kátia!

Papai!

Pegue.

Cuide-se!

Tradução e legendas: Troskim @troskimlegendas

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