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Original subtitles

Capítulo anterior.

Encontrei o amor da minha vida.

Brigitte, quantos amores você já teve só esse ano, hein? Com o Kleber rolou uma

conexão muito forte.

Eu acho que o Tiago tá dando em cima de mim.

Hum, gostei dessa aproximação.

Mau Mau?

Que? Calma.

O que houve? Que você tá muito nervoso.

Desculpe, dona Pilar, mas o Toniel e a Adriana saíram daqui de carro. Foram

atrás da mãe da Adriana, que resolveu passar uns dias num sítio em Botucatu.

Eles pegaram a estrada?

Pegaram. Saíram aqui de mala e cuia. Pensei que a senhora fosse gostar de

saber, não é?

Você tem certeza disso que você está falando?

Tenho, tenho. A dona Elisa saiu aqui de manhã. Aí ela passou mal. E aí a Adriana

e o avô estão indo pra lá.

Eu vim dizer que a Adriana Brandão, investigada pela morte do meu irmão

Arthur, Ela está fugindo do Estado nesse exato momento.

O plano é sair do país e ir para o Paraguai via Mato Grosso do Sul.

Adriana de Moraes Brandão?

Sim, sim, sou eu mesma. Temos um mandato de prisão preventiva contra a senhora.

Fique agora com o capítulo de hoje.

Moça, olha só, eu não posso pra delegacia, tá? A minha mãe tá doente,

ela tá no hospital, a gente tá indo ver ela agora. Acho que você não entendeu,

isso não é um convite, a senhora tá presa. Como presa? Dá licença, minha

senhora. A minha neta, ela não é nenhuma bandida, pelo amor de Deus. A minha

filha, que é a mãe dela, tá internada.

Eu acho que vocês não estão acreditando, então faz o seguinte, segue a gente. De

carro, você está indo lá no hospital, vocês vão ver que é verdade.

É só seguir a gente. Quem vai nos acompanhar aqui é a senhora. Mas pelo

amor de Deus, gente, é isso absurdo, eu não fiz nada. Como é que eu vou ser

presa? Calma, porque senão as coisas podem ficar feias. Meu amor, eu preciso

de uma mãe. Minha mãe está no hospital. Mas fica calma, olha o que ela falou.

Procura ficar calma.

E já falamos que a tua mãe está no hospital. Eu não estou entendendo, não

tem motivo nenhum para a senhora me prender. Você está entendendo? Estou

ficando nervosa de novo, porque eu não tenho motivo para ser presa. Já que você

está resistindo, você vai ser algemada. Como é que é?

Não é possível.

Não é possível isso.

Não, por favor, eu não fiz nada.

Olha só, eu não fiz nada, eu não cometi crime nenhum, você não pode... Não, de

jeito nenhum, moça.

Minha neta não é nenhuma bandida. E vocês vão levá-la pra onde?

Pra delegacia, onde o caso dela tá sendo investigado. Não é possível.

Olha só, o senhor segue, tá? O senhor segue, o senhor vai pro hospital.

Fica com a minha mãe, cuida dela. E por favor, não conta nada disso que

aconteceu, tá? Filha, vai, se tem como.

Mantenha só sua calma.

Não fica pensando nisso agora. Tá. Mas vamos tirar você de lá.

Você é inocente, eu sei disso. E nós vamos provar isso. Obrigada, avô. Olha

só, liga pro Pedro. O senhor liga pro Pedro.

Fala tudo que aconteceu e pede ajuda pra ele. Fala que eu tô indo pra delegacia.

Filha, fé em Deus, pelo amor de Deus.

Eu... Pera aí. Eu não vou deixar de acreditar, avô.

Calma, calma.

Escuta.

Minha neta.

Filha, a gente vai tirar você disso, viu?

Meu senhor, por favor.

A senhora é minha neta, não é nenhuma bandida. A senhora pode esperar um

minutinho só.

Filha, pense em Deus que vai dar certo, filha.

Eu estou saindo, moça. Obrigada.

Isso é uma injustiça, hein?

Isso é uma injustiça!

Brigitte? Oi, Sumido.

Oi.

Eu mandei várias mensagens pra você, mas você visualizou e não respondeu.

Desculpa, olha só, muita coisa, né? Fiquei com uma correria, não consegui

dar atenção antes.

Ah, mas tem que arrumar um tempinho também, pra você poder viver, né?

Vem cá, até tenho uma surpresinha pra você.

Eu fiz uma listinha de várias coisas que a gente pode fazer junto.

Uma lista? Olha.

Eu pensei que a gente pode ir ao cinema, porque eu adoro cinema, você gosta?

Eu também adoro. E também a gente pode fazer um piquenique juntos.

E tem uma pousada também que é maravilhosa. Uma pousada que é muito

romântica. É, Brigitte... Não, mas tudo bem. Tudo bem. Se você não puder ir,

tudo bem. Eu entendo. Eu adoraria, mas... Enfim, agora eu tô muito sem

tempo. Muita coisa pra resolver.

Tá, tudo bem. A gente deixa pra depois, então.

Mas um café você não vai negar. Um café... Não, não é isso.

Brigitte, olha só. Eu amei te ver, tá bom? Mas eu tenho que estudar o caso.

Preciso me concentrar aqui agora.

Sua cozinha não é funcional.

Eu vou mudar todos os móveis de lugar. Mas, ó, você vai relaxar muito mais

depois que a gente ver um tempinho juntos.

Vamos logo ao que interessa?

Eu tava morrendo de saudade de você.

Com licença, senhora. Sua mesa está pronta. Ah, ótimo. Por favor.

Ai, adoro essa mesa.

É a melhor da casa. Hum, redondinha. Adoro. Deixa eu ver. Meu Deus, está tudo

tão caro aqui.

Também acho.

Eu, quando quero tomar um café, vou na padaria da esquina.

Eu vou querer um suco de laranja.

Hum.

Suco de laranja.

Ótima pedida.

Com licença.

Ah, não, não.

Não, não. Eu vou querer, na verdade, um café coado.

Café coado.

Uma boa escolha também. Com licença.

Não, garçom.

Não. Mudei de ideia. Eu vou querer uma água com gás.

Lógico.

Com licença.

Não, não, não.

Desculpa. Eu mudei de ideia novamente. Eu vou querer uma água...

Sem gás. Na casa.

Já volto.

E lá se vai minha gorjeta.

Olá. Oi, Silvana, querida.

Quanto tempo.

Tudo bem? Tudo ótimo.

Obrigada. Eu gostaria de um docinho.

O que você me recomenda?

Crème brûlée. O daqui é uma maravilha. Ótimo. Vou querer um e uma água com

caspa. Duas colheres.

Eu já trago para as senhoras.

Eu fiquei muito surpresa com a sua mensagem.

Mas por que, Silvana?

A gente se conhece há tantos anos. Aliás, eu acho que a gente devia ter se

aproximado há muito tempo.

Eu te admiro tanto.

É mesmo?

Por algum motivo em especial?

Ah, o fato de você ser uma intelectual, professora universitária, com doutorado

e tudo.

Eu me arrependo de não ter seguido uma carreira.

É, eu imagino.

Mas me diga.

Qual é o motivo desse nosso encontro no fim da tarde?

Eu quero conversar com você, Silvana, sobre o Tiago e a Bruna.

Nossa, silêncio.

Parece até que eu entrei na casa errada.

Pois é, estou aproveitando esse silêncio para ler meu livro.

Você vai sair?

Agora não. Vou pegar o cinema com a Déia mais tarde. Quer vir?

Não. Acabei de falar momento raro na minha vida. Prefiro ficar aqui lendo meu

livro.

E aquele carinha lá?

O das flores?

Nunca mais vi.

Você podia dar chance pra ele, né?

Ele tá aí, todos se esforçando.

Você pelo menos agradeceu as flores?

Não.

Não? Não.

Você é fria, né?

Nossa, Rafael, assim, na boa, você e a Andrea, vocês estão indo pra

onde, assim?

Como assim?

Pra onde? Você vai pedir ela em casamento, alguma coisa assim? Porque é

o que ela tá esperando, né? Sei lá, não pensei nisso ainda.

Ah, não pensou nisso ainda? Então se você não sabe pra onde você tá levando o

seu relacionamento, me poupa de dar palpite nos meus.

Vai tomar conta da tua vida.

Nossa. Eu só fiz uma pergunta.

Vou testar meus produtos lá no quarto.

Chato.

Ah, eu sou chato. É, chato. Eu sou chato. Chato. Ah, insuportável.

Saco.

O que você acha, Dinah?

Não fica melhor assim? Não valoriza mais o quadro?

Ah, tá ótimo. Qualquer lugar que você puser, tá bom. Pra mim?

É impressão minha.

Ou tem alguma coisa estranha acontecendo por aqui?

Não, é coisa da sua cabecinha.

Tudo está dentro da mais absoluta normalidade.

Eu não nasci ontem. Fala logo, Dinó. O que você está tanto olhando aí nesse

celular? Está vendo o aplicativo de pegação? Que isso?

Eu sou uma mulher séria.

Então me conta.

Que aflição é essa?

É que se acontecer o que eu estou esperando...

Hoje vai ser o dia mais feliz da minha vida.

Tá torta?

Fala, Sr. Otoniel, como é que é?

Ô Pedro, você consegue me ouvir direito?

Consigo ouvir, sim, tô ouvindo. O que é que o senhor tá com essa voz?

Deixa eu te explicar, eu tô precisando de ajuda.

Aconteceu um... Aconteceu uma coisa terrível aqui, Pedro.

O que aconteceu, senhor Daniel?

Aconteceu alguma coisa com a Adriana? Pode falar para mim.

Infelizmente foi. Foi com ela, sim.

É que nós estávamos indo para o interior, né? Para ver a Elisa.

A minha filha foi passar uns dias lá em um sítio e aí ela passou mal.

Sim. O Edivaldo comentou comigo que estava indo para Botucatu, eu acho, não

é isso?

Então, quando nós estávamos indo para lá, um carro de polícia parou a gente.

Aí, ô Pedro,

a Adriana foi presa.

Sr. Toniel, presta atenção.

Não, calma.

A calma.

Eu vou descobrir que delegacia é essa que a Adriana tá. Eu vou resolver isso

agora. Vou direto pra lá.

Tá?

Tá bom, Sr. Toniel.

Eu mando notícia. Tchau.

Sabe, cheio de saudade de mim, né?

Saudade?

Quando for assim, não fica com vergonha, não.

Pode me ligar.

Esse celular, eu tenho que... Não, você não pode atender. Não, não, pode ser

importante. Você tá ocupado agora.

Não. Pode ser muito importante.

Pedro. Oi, Pedro.

Como é que é?

Adriana foi presa?

Adriana foi presa?

Eu sempre achei o Tiago um rapaz tão...

Tão educado, tão trabalhador.

Ele sofreu muito a morte do Belmiro, não foi? Ele era muito apegado ao pai, não

era? Foi um baque muito grande pra ele, sim, Carmita.

Até hoje esse assunto é um tabu dentro de casa. Eu imagino. Eu imagino.

Pra Bruna também foi um horror.

Quando o Walter morreu, ela era louca pelo pai.

São perdas muito difíceis, né?

É por isso que eu penso, Silvana, que a aproximação dos dois pode fazer muito

bem a eles. Um pode ajudar o outro a superar essa falta da figura paterna.

Com licença.

Carmita, eu não estou entendendo essa conexão que você está tentando fazer

entre os nossos filhos.

Sabe o que é, Silvana? É que a Bruna, ela anda tão tristinha. Ela anda tão

amoada. Ela não parece aquela menina cheia de energia, forte, que sempre foi.

Sabe? Sei.

Entendo, sim. Entendo bem.

Obrigada. Mas é compreensível, né?

Afinal, a Bruna acabou de terminar um namoro com o Pedro. Pois é. É por isso

que eu acho que a única coisa que faria minha filha sair desse estado de

desânimo seria um novo interesse romântico.

Ah, e você pensou justamente no meu filho. Não, eu não, não, eu não, eu não,

de jeito nenhum, não fui eu não. Foi a Bruna que comentou sobre o Tiago esses

dias. A Bruna? Uhum.

Pra você ver.

E pra falar a verdade, Silvana, eu acho que o Tiago também tem uma quedinha pela

Bruna.

Olha, Carmita, eu não acho.

Ah, não? Não.

Até porque o Tiago costuma ser muito discreto em relação à vida sentimental

dele. Ah, claro, claro, claro. Filho homem não se abre sobre essas coisas com

a mãe. Mas vai por mim, Silvana. Eu sei o que eu estou falando.

Aqueles dois formariam um lindo casal.

Eu não sei, Carmita. Por que não?

Eu vou ser sincera com você.

Fiquei muito mal impressionada sobre aquela mentira da Bruna em relação ao

filho. Ah, não.

Não, não, não, não, não. Minha querida, aquilo fui eu. Fui eu, fui eu.

Totalmente eu. Eu sou 100% culpada daquilo. A Bruna não tem nada a ver com

aquilo. Só eu.

Inclusive, eu me arrependo diariamente de ter feito o que eu fiz. Eu nunca mais

vou me meter na vida amorosa da minha filha. Nunca mais.

Nunca. Mas é exatamente o que você está fazendo agora.

Imagina, que isso, Silvana?

Essa aqui é uma conversa entre duas mães cujos filhos estão se aproximando. Duas

pessoas adoráveis que podem ser muito felizes juntas e que nós podemos apoiar.

Só isso.

Oi, gente.

Desculpa o atraso. Estamos na audiência.

Imagina, a Adriana nem chegou ainda.

Não tive prazer de ver aquela bandida entrando pela porta. Mas pelo tempo que

já passou, deve estar cheia. A gente devia ter pedido pra fazer essa busca de

helicóptero. Ah, para. Não, devia, porque a gente não estaria tão

angustiado. Exagera, filha.

Olha lá quem chegou, o defensor dos fracos e oprimidos.

O que você aprontou pra Adriana?

Oi, vô.

Tudo bem?

Ele me tirou o acesso.

Cadê a Adriana? Está estacionando? Daqui a pouco eu já falo sobre a sua irmã.

Tá. Filha.

Filha, desculpa te acordar aí, né?

Pai, que bom que você está aqui.

Pensa, pai.

Deus te abençoe.

Cadê a Adriana?

O imprevisto que ela teve lá, enfim, ela ficou lá pra resolver.

Mas sabe como é que eu sou, né? Eu vim na frente.

Teu pai tá aqui com você, minha filha.

Tá bom, obrigada.

O enfermeiro chegou, você vai ter que fazer mais um exame, tá bom? Mais exame?

Não aguento mais, já tô toda furada, me furaram toda. Mãe, é exame de imagem

dessa vez, não vão te furar de novo. Isso aí é importante, filha. Viu? É pro

seu bem, com cuidado.

Não é mais exame demais.

É bom que o médico vê tudo direitinho. Vai devagar. Você não tá com tontura,

não? Tô não, pai. Tá tudo bem.

Fiquei muito tempo deitada. A gente fica mais mole mesmo.

Obrigada.

Vai, filha.

Meu Deus do céu.

Vô.

O que aconteceu com a Adriana, hein?

Ela me falou que vocês estavam vindo juntos pra cá.

A sua irmã foi presa, Maurício.

O que é ela?

Adriana!

Ela algemada, hein, menina? Foi você que abriu pra mim. Vocês bandidos, vocês são

todos bandidos.

Vocês armaram pra mim?

Não responde, não responde. Eu sou advogado dela.

Eu não tava fugindo, Pedro. Eu só fui ver minha mãe. Eu queria ver minha mãe

no hospital.

Eu só queria ver minha mãe no hospital.

Eu tô aqui pra livrar você dessa situação. Você calma.

Já já a gente vai conversar. Você calma.

Eu estou cumprindo o mandado de prisão da senhora por indícios claros de

tentativa de fuga em meio à investigação de assassinato. A minha cliente não vai

se pronunciar nesse primeiro momento, delegado.

Agradeço. A sua defesa está presente, mas a senhora pode ficar em silêncio

agora e falar mais tarde.

Meu Deus.

Meu Deus, não é possível.

Eu tenho que pagar por um crime que eu não cometi.

Não é possível.

Com

licença.

Delegado, acabei de fazer umas ligações e confirmei a suspeita que eu tinha.

A mãe da minha cliente não tem passado bem nos últimos meses, estava na

estrada, caminho de um sítio em Botucatu, acompanhada do filho mais

novo, passou mal, o filho levou ela para o hospital e a Adriana foi chamada para

encontrá-los no hospital. Foi isso que aconteceu.

Isso é o que alega a sua cliente.

Mas veja que conveniente, existe uma rota de fuga para o exterior, seguindo

essa mesma estrada até a fronteira do Paraguai, via Mato Grosso do Sul.

Eu acredito que exista essa estrada e essa rota de fuga, mas eu acho que uma

prisão baseada nessa alternativa é, no mínimo, frágil.

Frágil? É frágil. A Adriana Brandão, investigada por assassinato, foi detida

numa conhecida rota de fuga do país, com mala e tudo.

Enquanto ia visitar a mãe num hospital, com provas de que isso aconteceu e

testemunhas de que isso aconteceu.

Essa historinha aí é uma cortina de fumaça pra ela fugir do país e levar a

família toda com ela.

Seria uma bela forma de se livrar da cadeia depois de matar o Arthur Brandão.

O senhor vai me desculpar, mas eu acho que essa teoria do senhor é uma furada.

Furada? Desculpa dizer.

Acho que tem sobras de prova de que não foi isso que aconteceu.

Furada ou não, a investigada vai ficar detida.

Então eu gostaria de conversar com a minha cliente agora.

Por favor.

Você tem todo jeito.

Obrigado, doutor.

Eu vou falar com a carceragem para encaminhar a moça para a sala reservada.

Dá certo.

A Adriana foi presa provisoriamente.

Vai ser submetida a uma audiência de custódia para o juiz avaliar se a prisão

foi legal.

Então ela pode ser solta? O juiz vai decidir se mantém a prisão preventiva.

Se mantiver, a defesa pode pedir um habeas corpus.

Mas, se for negado, a Adriana fica presa até o julgamento.

Mas é isso.

É isso que eu quero.

Aquela mulher presa até o julgamento.

Oi, Adriana.

Como é que você tá?

Eu sou desesperada. Respira, calma.

Tá muito difícil, não sei o que vai acontecer.

Calma, respira comigo.

Eu tô fazendo tudo pra tirar você daqui.

A gente precisa conversar. Senta um pouquinho, a gente vai conversar.

Calma, tá?

Eu posso imaginar o quanto você tá se sentindo injustiçada com tudo isso que

tá acontecendo com você.

Mas, Adriana, numa hora como essa, a gente tem que se apegar na verdade.

Você tá do lado da verdade.

É nisso que você tem que pensar.

O que mais tem são pessoas que querem distorcer a verdade, Pedro.

Que querem que eu seja responsável por uma coisa que eu não fiz, por um crime

que eu não cometi. E tudo isso por dinheiro.

Sim, Adriana, mas você não podia ter saído da cidade.

Eu sei. Você não podia ter catado as suas malas sem avisar ninguém, ido pra

outra cidade. Você tá sendo investigada.

E eu conversei sobre tudo isso com você. Você não podia ter feito isso. Eu sei.

Eu sei que eu andei mal.

Eu não pensei em nada, Pedro. Eu só saí. Eu queria encontrar minha mãe. Eu queria

chegar naquele hospital onde ela estava. Eu queria saber se ela estava melhor. Eu

não pensei em nada.

Eu só estava... Você tem notícias dela? Tenho. Ela está bem. Sua avó ligou.

Falou que ela está bem.

Falou que ele trouxe ela de volta para casa. Porque assim, se ela passar mal de

novo, ela tem uma assistência melhor aqui. Eu achei que tudo certo.

Ah, sim. Não, ótimo. É melhor isso. É melhor? Melhor.

Pedro.

O quê?

Você acha que eu vou ficar muito tempo aqui?

Eu vou brigar com todas as minhas forças pra você sair daqui o quanto antes.

Mas eu não posso garantir nada.

Mais uma vez, você vai ter que ser forte.

Muito forte.

Não tem vergonha não do que você está fazendo, hein? Seu pai não merece. Eu

não tenho que dar satisfação para o meu pai, Ulisses.

E muito menos para vocês.

Eu não sei nem porque vocês estão conversando comigo. Eu não tenho nada

para conversar com vocês.

Ainda é tempo de recuar, filho. Recuar de quê?

É tempo de recuar de quê?

De defender uma pessoa inocente contra essa palhaçada que vocês estão fazendo

contra ela?

Desculpa, eu não vou recuar.

Engraçado, né?

Engraçado, porque é louco mesmo o que uma menina jovenzinha, bonitinha, pode

fazer com a cabeça de um moleque. Mas sabe o que é louco mesmo? É o que a

herança de um irmão não faz com a cabeça de uma mulherzinha. Para, chega.

Cafona, que nem você.

Pedro. É o Pedro.

Para. Eles podem falar o que eles quiserem ou eu não posso responder?

Não, assim, você quer respeitar o seu pai e todos nós que estamos aqui. Eu

respeito quem se dá o respeito, Ulisses, que não é o caso de nenhum de vocês.

A começar por você, né, pai?

Então fala assim.

Por quê?

Pedro.

Ai, Ademir.

Fala comigo, filho. Deixa ele.

Você devia ter dado umas palmadas a mais nesse menino. Você mimou ele. Mas é

verdade. O Ademir já tá sofrendo o suficiente com essa história do pelo

ficar contra ele. Ele estragou o cheiro. Não precisa ficar falando. Tô falando a

verdade. Ah,

filha! Filha, vem cá, vem cá, vem cá. Senta aqui comigo. Senta aqui comigo. Eu

tenho uma novidade maravilhosa pra te contar. Vem, vem, vem. O que foi?

Eu estive hoje com a Silvana.

Foi um encontro muito produtivo.

Produtivo como?

Nós conversamos sobre Tiago e Bruna.

E nós gostamos muito dessa aproximação de vocês.

Peraí, que história é essa agora?

Você tá achando que você pode escolher com quem eu me envolvo?

Mas filha, foi você que me falou do Tiago? Não, não, não, senhora. Eu falei,

um, que ele é legal.

Dois, que ele tá me ajudando.

Três, que ele tá afim de você. Não, não, não, nada.

Mamãe, eu amo o Pedro.

Ai, o Pedro, o Pedro. O Pedro nem sabe mais que você existe.

Aceita logo isso e vira essa página, filha.

Olha, o Tiago tem uma ótima posição na joalheria. A própria Silvana tem uma

situação financeira muito boa.

Fora que se a tal Adriana for mesmo condenada, eles vão receber junto com o

resto da família toda a fortuna do Arthur.

Mamãe, presta atenção numa coisa.

Eu não sou um dos seus quadros que você bota pra vender quando você precisa.

Eu tenho sentimentos, poxa.

Sentimento... É no seu... É no seu futuro que eu tô pensando, filha. Filha,

é no seu futuro que eu tô pensando.

Ah, inferno. Não tem jeito.

Pros filhos, a mãe tá sempre errada. É inacreditável isso.

Meu filho, deixa eu te fazer uma pergunta?

Sim, mãe, o quê?

Você tem algum interesse pela Bruna?

Que isso, mãe.

Assim, do nada, me perguntando por quê.

Fui tomar um café com a Carmita e ela veio com uma conversa de que vocês estão

se vendo.

De que a Bruna tem procurado por você, que vocês combinam.

Ué, calma aí.

Você tá querendo me dizer que a Bruna tem interesse em mim, é isso? Foi a

Carmita que te disse? Não, ela não falou com essas palavras, Tiago.

Ela falou o quê?

O que ficou claro e óbvio é que a Carmita vê com bons olhos essa

aproximação entre vocês.

Então quer dizer que eu tenho uma aliada.

Ah, então é verdade. Você gosta dessa moça? Sim, mãe. Eu gosto dela. Eu acho

ela interessante.

Eu acho ela linda. Eu acho ela descolada também.

O que foi?

A Bruna!

Descolada, Tiago. Sim, mãe, eu acho ela descolada. E também acho ela um pouco

desprotegida. Acho que ela tá precisando de uma proteção, sabe?

Ela é órfã de pai, filho.

É. E também com aquela mãe, a Carmita.

Olha, Tiago, a Bruna até faz parte do meu círculo, mas ela não tá no melhor

dos mundos, né, filho?

Não, mãe, não fala assim da Bruna, por favor.

Tô sendo honesta. Ela tá desprotegida, tá precisando de uma fortaleza.

Um brinde ao filho fortaleza.

Vamos lá entrar. Oi, Edivaldo. Eu sinto muito o seu descanso ter sido

interrompido. Imagina, eu tô bem, tô bem.

Ô, seu Toniel, deixa que eu ajudo o senhor. Tá certo.

A mãe já tá melhor agora. A gente voltou exatamente pra ficar mais perto do

médico caso aconteça alguma coisa, né, vô? É certo. É mais seguro aqui. Sim, eu

vou levar aqui.

E toda hora essa mulher tem o piripaque.

Já tá fazendo hora extra na terra.

Que voodoo de não.

Ah, fica quieta. E a Adriana?

Ela não tá em casa?

Ela foi atrás da senhora com seu pai.

Vocês estão escondendo? Estão escondendo alguma coisa?

Não estou escondendo nada, filha. Fala, pai.

Não estamos escondendo. Ela estava indo comigo, mas no meio do caminho lá... O

que aconteceu? Fala logo.

No meio do caminho apareceu a polícia e a Adriana foi presa, filha.

Presa? A mamãe.

Presa?

Ai, meu Deus.

Então era isso que você disse que estava esperando para tornar o seu dia mais

feliz? Era isso que eu estava esperando, que eu estava querendo, porque a Adriana

matou o doutor Arthur e ela vai pagar por isso.

Você está sendo cruel, Dina.

Ninguém pode afirmar uma coisa dessas.

Na verdade, você está querendo é se vingar da Adriana por ela ter se casado

com o seu grande amor.

Pronto, falei.

E vou dizer mais.

Se duvidar, Foi você que acordou na noite do casamento envenenada pelos seus

ciúmes?

E empurrou o doutor Arthur da varanda.

Você tá maluca? Nunca mais! Nunca mais repita isso!

Nunca mais!

Você tá louca, amargurada?

O que é isso?

O que foi, Edivaldo?

Ela me deu na cara, Tilde. Quem? Quem te bateu? A Diná, aquela amargurada.

Não aguentou o que eu disse pra ela e foi... Foi covarde comigo.

Mas o que você disse pra ela? Deve ter sido grave pra ela reagir dessa forma.

Eu disse que ela pode sim ter empurrado o doutor Arthur da Baranda por puros

ciúmes. Por ele não ter correspondido ao amor dela e se casado com a Adriana.

Caraca, você falou isso na cara dela?

Falei, falei, Tilde.

E eu vou te dizer, hein?

Pela reação que ela teve, faz todo sentido, Tilde.

Mas o que a senhora quer exatamente falar com a Adriana Brandão?

É coisa minha.

Me desculpe, mas as visitas não são permitidas a essa hora da noite.

Se não fosse pela minha denúncia, a essa hora a assassina do meu irmão estaria

jantando no Paraguai.

Você não acha que eu mereço uma exceção?

Tô tão feliz que você chegou até aqui.

Tá na pior, né?

Eu disse pra você não se meter comigo, menina.

Você não tem cacife pra bater de frente com uma brandão de verdade.

Você inventou esse embate na sua cabeça.

Eu nunca fiz nada pra você.

Nada. Como assim que você não fez nada?

Você iludiu o Arthur com essa sua cara de...

Santa, você se fez de amiga dele.

Mas você queria era meter a mão na fortuna toda da família, né? Inclusive,

o que foi pior... É que quando você conseguiu entrar na

vida do Arthur, ele se afastou da gente. Ele se afastou da família dele, de

verdade.

É que vocês têm me envolvido em problema.

Eu não tenho culpa de nada.

Quando eu conheci o Arthur, você estava tentando interditar seu próprio irmão.

E todo mundo dos seus parentes já tinham se afastado dele.

O Arthur estava sozinho, infeliz, acabado. Porque ele sabia muito bem que

o que vocês queriam era arrancar centavo por centavo até o fim.

Cala a boca.

Cala a boca que você não sabe do que você está falando.

Eu não vou calar a boca, eu vou gritar bem alto até todo mundo me ouvir. Que eu

sou inocente!

Eu sou inocente! Tira ela daqui!

Leva essa mulher embora!

Mas olha, esse tom de pobre machuca o meu ouvido. Você pode gritar o quanto

você quiser, que ninguém vai ouvir.

Já não percebeu?

Ninguém vai dar atenção pra mulher que fugiu da própria culpa.

Fugitiva.

Até nisso você foi perversa.

Se aproveitou que eu tava desesperada tentando acudir e salvar a vida da minha

mãe.

Essa história aí foi uma cortina de fumaça pra você fugir, né?

Mas não deu certo.

Ó, você se prepara, tá?

Porque isso aqui é só o começo da sua unha.

Cala a boca!

Sai fora daqui!

Alguém, polícia!

Leva essa mulher embora!

Bota ela pra fora daqui!

Ela não pode ficar aqui!

Fala assim, que horror!

Não precisa gritar desse jeito.

Ei, eu vou embora, eu vou sair daqui.

Ah, inclusive, tá cheio de rato aqui, tá cheio de barata.

Eu tenho nojo, sabia?

Muro de nojo. Eu vou.

Tô indo.

Mas você vai ficar.

a minha filha. Calma, filha, eu nem sei direito, tenho a menor ideia de como que

ficaram sabendo da nossa viagem, como é que sabiam que estavam na estrada. A

polícia apareceu e levou presa a nossa Adriana, filha. Mas mãe, não pensa nisso

agora, senta um pouco, você precisa cuidar de você também. Tem como não

pensar nisso, meu Deus do céu, a minha filha, eu quero ir lá, eu quero ir lá.

Não adianta, por hora a gente não vai conseguir falar, nem ver, Adriana.

O Pedro vai explicar pra gente o que é que tá acontecendo. Tá todo mundo assim.

Ele foi pra delegacia, filha. Olha, olha, eu lamento demais tudo isso. Eu

gosto muito da Adriana e de vocês.

E eu vi como o doutor Arthur mudou pra melhor depois que ela entrou aqui.

Eu quero ver minha filha agora.

Ai! O que foi? O que foi? Ai, ai!

Filha! Ai!

Pelo amor de Deus. Pelo amor de Deus. O que foi?

Não, não, explica. Eu vou pegar água.

Tá doendo aonde? Em tudo, pai.

Em tudo como, filha? Fala comigo.

Eu vou chamar um médico. Chama aí. Vai, por favor, Edvaldo. Chama esse médico.

Não fica assim.

Ô, minha filha, querida. Olha pra mim. Já vou chamar aqui. Nossa menina, mãe.

A nossa menina vai ter cuidado, filha. Não fica assim, pelo amor de Deus,

filha.

Vou lá encontrar com a família da Adriana.

Teve um jeito. Precisei passar em casa pra tomar um banho, Kleber. O dia foi

tenso hoje, velho. Nossa, aí vou te falar, Pedro.

A Adriana não merecia essa preventiva não, irmão. Claro que não merecia, né,

Kleber? Claro que não merecia.

Chegar na cadeia algemada como se fosse uma bandida.

Tinha necessidade nenhuma de ter levado ela algemada.

Pior ainda foi ver a cara da Pilar e do Ulisses com aquele arzinho de vitória na

cara, cara. Fiquei com ódio deles, velho.

Fiquei com ódio deles.

Mais ódio ainda ver meu pai enfiado no meio deles como se não soubesse quem são

essas pessoas.

Irmão, eu imagino quão difícil deva ter sido isso aí. Não, foi difícil mesmo.

Muito difícil.

Acabei esquentando a cabeça lá, discuti com eles, falei coisas que eu nem queria

falar. Meu pai falou de novo pra eu largar o caso. Falou que eu posso estar

defendendo uma assassina.

Pedro... Irmão, nisso aí eu vou concordar com seu pai.

A gente não conhece a Adriana, muito menos a família dela.

A Adriana ia sair da cidade.

Sim. Quem garante que a Adriana não ia sair do país? Eu garanto que ela não ia

sair do país, porque esse raciocínio dessa rota de fuga não faz sentido

nenhum, Kleber.

A não ser na cabeça do Ulisses e da Pilar, porque é conveniente para eles.

Na cabeça de uma pessoa inteligente, em sã consciência, sabe que ela foi cuidar

da mãe doente, não foi sair do país.

Pedro, eu entendo.

Entendo que a história é conveniente. A história é conveniente.

Sim. Mas não necessariamente está errada, Pedro.

Eu tenho certeza que a Adriana é inocente. Ah, Pedro.

Você está apaixonado por ela. Não começa.

Não começa. Não começa o quê?

Não começa o quê, Pedro?

Eu não estou dizendo que a gente não vai defender a Adriana caso ela seja

assassina, você está entendendo?

Eu estou entendendo. Para isso que existem os advogados. Eu estou

entendendo. Para defender até os criminosos. Eu acho que se você pensa

assim, Kleber, você tem que sair fora desse caso.

Porque a Adriana é inocente.

E é isso que eu vou provar.

Olha, tem esse terninho aqui.

Isso, maravilhosa. Você, que é gênio, tem a missão de saber dar uma bossa pra

ele, entendeu?

Finalmente! Perfeito, beijo. Estamos em casa.

Hum, eu tava te esperando.

Oi? Eu tava te esperando.

Demorou? Não, eu tava na delegacia.

O que que aconteceu?

Ele não foi preso, preventivamente.

Presa?

Ai, tadinha.

Não, bem que a Fábio comentou que a Pilar teria ficado sabendo que a Adriana

estava fugindo.

Você acreditou nessa história?

De que lado você está? Dela ou do meu?

Eu não acredito que essa moça tenha matado o Arthur.

Bom, a Pilar está obstinada em colocar a Adriana atrás das grades.

Gera, será que ela...

Estava fugindo ou ela estava indo ver a mãe, como ela disse?

Não sei quem vai decidir, seu juiz. Amanhã é audiência de custódia. Ai, ai,

ai, ai.

Bom, audiência de custódia, provavelmente ela vai ser conduzida para

o presídio.

Aí o Pedro pode sempre abrir as corpos.

Vamos ver. Vamos ver o que vai acontecer.

Mas você encontrou com o Pedro?

Sim. Pelo seu jeito não foi bom.

Não.

Ele insiste em defender a Adriana, não tem como... Fica difícil da gente se

entender. Ai, ai.

Eu tenho medo que essa história toda acabe afastando vocês de vez.

Eu também.

Criminosa, tá?

Lepreza.

Vocês sabem que isso significa que...

A justiça, ela vai ser feita, feita.

Calma, a prisão é preventiva ainda. Vocês explicam pra ela que a Adriana

ainda pode sair dessa?

Mas olha só, se a Adriana foi pega na estrada com mal e tudo, o juiz vai

entender que ela tava numa fuga.

Ingrid, sai da minha cadeira.

Sai agora.

É claro que ela tá numa fuga. Sai!

Tava fugindo.

Tava fugindo porque ela não quer acertar contas. Ela não quer acertar contas com

a lei porque ela é bandida. Essa coisa de gente bandida, gente que não presta.

Você não acha tudo isso muito óbvio demais, não, mãe?

Porque se isso realmente aconteceu, então quer dizer que a DNA é muito

purra, né?

Matar o tio Arthur?

No dia do casamento dela?

E a facina tá burra mesmo.

A Adriana também pode ter agido por impulso.

Vai que ela e meu tio estavam discutindo, ela perdeu a cabeça. Não

importa mais.

Nada disso importa mais, minha filha. Não importa, sabe por quê?

Agora, com ela presa, a gente tá assim a um passo da herança do tio Arthur.

Mãe, é que eu acho que você não pode comemorar ainda.

Porque são muitas variáveis.

Ela pode ser julgada, não ser condenada. Ela pode não ir no julgamento.

Ela pode ter um grau de parentesco com o juiz.

Cuidado, mete nele 15 minutos antes.

É que a nossa mãe está correndo um pouquinho com as conclusões. Um

pouquinho muito, né?

Vamos falar para vocês.

São um bando de gente estraga prazer. É isso que vocês são, porque eu cheguei na

minha casa querendo comer as minhas comidas e comemorar que a vagabunda

empregadinha tá presa. Agora eu posso?

Não! Eu não posso!

Posso sim, porque eu vou pro meu quarto fazer isso.

Entendeu?

Chatos!

Pensa, quer uma água, um chá, um café? Não, não quero nada não. Eu vou falar de

uma vez que eu não tô me aguentando. A Adriana foi presa.

Presa? Presa. Por quê? Eu não sei.

Eu não sei. Parece que a polícia entendeu que ela tava tentando fugir,

mas a coitadinha só tava querendo visitar a mãe. Como assim, mãe? Explica

essa história direito. Eu não tô entendendo. A Elisa, a Elisa, ela viajou

pra Botucatu.

Aí ela foi passar uns dias lá, porque precisava descansar no sítio do amigo do

Otoniel, sabe?

Bom, enfim.

Aí ela passou mal, minha filha. Só que o Mau Mau levou ela pro hospital de lá

mesmo. A Adriana, quando ficou sabendo disso, entrou numa agonia só. Você não

conhece sua amiga? Não sabe como é que ela é? Então, falou com o Otoniel e os

dois resolveram viajar pra encontrar com eles.

Mas por que ela foi presa?

Ô, minha filha, que difícil.

Porque avisaram pra polícia.

Avisaram que eles estavam saindo da cidade.

Aí a polícia entendeu que ela tava tentando fugir. Meu Deus.

Preciso ver minha amiga.

Eu preciso ver a Adriana. Não, minha filha, calma.

Não, não vai apanhar nada.

Respira calma. Tá?

Tá. Eu vou ver o que vai acontecer e aí eu te aviso.

Até porque agora não vai adiantar de nada, porque só o advogado consegue

falar com ela.

Amor, amor, olha isso. Você viu?

A cidade de Botucatu amanheceu em choque.

Não, precisa ver isso aqui? Olha a matéria.

Viúva alegre é presa tentando fugir.

Meu Deus, você é maldosa.

Minha amiga não é esse tipo de mulher, não. Não sou eu que estou falando, é o

que está escrito aqui. E ainda falou assim, para ficar rica, se livrou do

velho. E ainda ia fugir. Para com isso, Tom.

Parece que você não conhece a Adriana.

É impressionante, né?

Eu fico pensando assim, você não cansa de ser desagradável? Mãe, por favor.

Não, eu mãe nada, minha filha. Espera aí.

Você tem que ter respeito, querido.

Eu conheço essa menina desde que ela era pequena.

Dona Rosa.

As pessoas mudam.

Só você que não.

Não entendi.

Você não entendeu?

Não, eu não entendi, não. Eu estou em casa. Ela vem ficar discutindo.

Leva na boa. Tem que levar na boa.

Eu estou conversando com a minha mãe. Deixa eu terminar aqui.

Não vai lá pra cima.

Ela falou pra você ir lá pra cima.

Para de pensar essas coisas, Adriana.

Para.

Não sei como é que você aguenta isso, minha filha.

Se as pessoas ficaram pensando agora igual o Tom.

Se todo mundo ficasse influenciando, como é isso? Deus me livre.

Deus me livre que isso aconteça.

Ô, Pedro.

Ô, seu Tom. Meu rapaz, que bom ser aqui. Vai te dar uma notícia boa da minha

neta. Me diz, ela vai sair? Como é que ela tá? Vamos conversar. Sim, vamos. A

situação da Adriana não é fácil.

O delegado acreditou que ela tava tentando fugir com vocês, que ela tava

tentando sair. Tem uma rota de fuga, vocês deram azar. Tem uma rota de fuga

nessa estrada que vocês pegaram. Ele acreditou nisso, por isso ele pediu a

prisão preventiva. Não, mas a Adriana só tava indo visitar minha mãe no hospital.

Inclusive fui eu que liguei pra ela avisando. É, mal, mal, eu sei. A gente

sabe disso, mas pro delegado a gente tem que provar. Não adianta saber.

Mas é isso, ela vai dormir hoje na prisão, é isso?

Ela vai dormir hoje na prisão. Ela tá na cela, na delegacia, não tem jeito,

gente. Amanhã, amanhã.

na audiência de custódia, eu vou argumentar tudo o que eu puder para

tentar provar que a Adriana não estava tentando fugir, que ela não estava

tentando atrapalhar as investigações.

Isso é coisa de doido, está louco. Pelo amor de Deus, Pedro.

Traz a minha neta para casa, Pedro.

Essa menina não merece passar pelo que ela está passando. Ela é inocente. Eu

vou fazer tudo o que tiver ao meu alcance para tirar a Adriana de lá o

mais rápido possível.

E se o juiz não revogar a prisão, eu entro com o pedido de habeas corpus e a

gente vai conseguir tirar a Adriana de lá.

A gente tem que pensar que a Adriana tá com a verdade do lado dela. Às vezes

isso é a coisa que mais importa.

Filho do céu, eu sei. Mas essa verdade não tá adiantando nada.

Ela é inocente. Acabou. E daí?

E se esse juiz amanhã, quando vier esse negócio aí da custódia aí?

Se ele não se convencer?

O que você quer dizer pra mim? Que a minha neta vai parar no presídio? É isso

aí?

É.

Mas a gente vai pensar num passo de cada vez, a gente vai agir devagarzinho, e o

que eu preciso agora são todas as provas, Mau Mau, todas as provas de que

realmente a Dona Elisa estava doente, que ela foi hospitalizada, e que por

isso a Adriana foi encontrar ela. Eu trouxe, eu trouxe tudo do hospital, tem

receita, tem exame, tem tudo. Pega, pega lá, pega lá.

Tem que dar certo isso aí, não é possível. Vai dar certo, senhor.

Calma. Desculpa.

Oi, doutor. Tudo bem?

Desculpe, aqui estamos com outros problemas.

Como é que está a minha filha? Agora ela está dormindo.

Ela estava com muitas dores no corpo e o remédio que eu dei para aliviar dá um

certo sono.

É, bom, pelo menos ela descansa, né? Eu vou pedir também uns exames mais

específicos para ver se a gente chega a um diagnóstico mais preciso.

Mas todos os exames que foram feitos já não acusaram nada? Os exames básicos,

eles não explicam esses desmaios, essa dor difusa.

Eles só afastam as causas mais simples e acabam abrindo um campo bem mais

complexo.

Qual assim, complexo? O que é isso? É que pode ser um quadro relacionado a

doenças reumatológicas, artrite reumatoide, lúpus, mas eu não quero

arriscar nenhum diagnóstico precipitado.

Ok.

O senhor tem razão, claro. A gente vai fazer esses novos exames, vamos

acompanhar a evolução clínica, e às vezes o diagnóstico não vem de um exame

específico, mas de um conjunto, entende?

Entendo. O professor fica sossegado que ela vai fazer tudo certinho, viu?

Bom, eu entro em contato. Eu vou estudar mais um pouco, tirar algumas dúvidas

para afastar algumas possibilidades. Tá bom.

Pode atender.

Tudo bem, doutor? Eu vou acompanhar o senhor. Não precisa, o senhor não se

incomode. O senhor desculpe, hoje aqui é uma correria. Tá aqui, Pedro.

Mostra aí.

Os exames, tem receitas, trato do banco, do hospital, tem tudo. Ótimo.

É isso que eu precisava.

Ô, Pedro.

Isso tem que dar certo.

Dá certo.

Tá certo.

Alô? Alô, dona Pilar?

Fala, Dinah.

Alguma novidade?

A senhora já sabe o que aconteceu, né? A Adriana foi presa. Eu sei.

Você sabe o que eu sei? Porque eu fui até a delegacia, fiquei horas lá

esperando a vagabunda chegar.

E eu te juro, Dinah, valeu a pena. Cada segundo que eu esperei, foi lindo.

O Pedro tá lá na sala, conversando com a avó dela.

Ah, ele tá aí.

Esse menino aí sempre foi um desgosto pro Demir.

Mas ele não é páreo pro pai. Pai dele, não é?

Sabe o que acontece? Eu tô muito preocupada com a minha situação.

Porque Divaldo entendeu que eu disse pra alguém que a Adriana tinha saído daqui

com malas.

Se ele abrir o bico, se ele abrir a boca, eu vou se mandar embora.

Imagina, meu amor.

Olha só.

Fica despreocupada, viu?

Porque assim que eu colocar as mãos na herança do Arthur, você vai ser muito

bem recompensada, querida.

Obrigada. Ah, preciso desligar.

Chata.

Não é possível.

Bruna! Bruna, vem cá, filha! Corre aqui!

Foi! Eu não acredito.

Eu não acredito.

O que aconteceu?

Você não vai acreditar, filha. A Adriana foi presa preventivamente enquanto

tentava fugir.

Fugir é praticamente uma confissão de culpa, né?

Eu tenho uma mof na cadeia.

Meu Deus, a família Brandão deve estar festejando.

Porque se ela for mesmo condenada, eles vão receber toda a herança do que era do

Arthur. Mãe, é só que eu consigo pensar nisso agora. É só fulana mufando atrás

das grades. Eles vão tomar café. Isso pode acontecer. Porque o Ademir pegou o

caso. Ele vai trabalhar junto com a promotoria. E aquele lá não pede uma

causa.

Julieta! Ai, eu esqueci o sininho.

Nossa.

A única coisa que me deixa triste nessa história é pensar que o Pedro vai

enfrentar o próprio pai pra defender essa mulher.

Sabe por que eu não acredito que ele tá realmente interessado nessa fulaninha?

Ela se casou com o padrinho dele.

Pedro não liga pra essas coisas não, mamãe. O amor é cego.

Pois pra mim tá mais do que claro que foi ela que empurrou ele lá de cima.

Só que eu procurei o Arthur no dia do casamento pra tentar convencê-lo a não

se casar.

Minha neta.

Como é que você tá?

Tô incomodada, avô.

Quero saber da minha mãe, como é que ela tá? A sua mãe ficou muito nervosa quando

soube da tua prisão, né, filho?

Ficou desesperada, queria te ver de qualquer jeito.

Começou a sentir dores.

A gente chamou um médico ali, ele viu ela lá e até passou um remédio para ela.

Mas ele não falou por que ela tem essas dores, por que pode estar com dor? Isso

que eu estou tentando te explicar, ele falou que precisa de exames. Já fazia

mais exames nela para poder ter o diagnóstico.

Mas é isso que me preocupa, porque ninguém consegue dizer até agora o que a

tua mãe tem. Isso que me deixa... E agora essa história.

Eu queria estar lá para poder ajudar ela.

Você cuida dela, viu, vô? Você fica de olho na minha mãe, hein? Pelo amor de

Deus, né? Você não podia estar aqui presa, você... Isso é uma injustiça,

gente. Faz assim, não fica assim, vó. Eu vou sair daqui.

Eu vou sair daqui.

Viu? Deixa eu falar uma coisa.

Eu queria poder trocar de lugar com você, minha neta.

Você não fala isso nem de brincadeira, seu Otoniel.

Eu sou forte.

Eu enfrento.

Mas o que me dói é que enquanto eu tô aqui presa, o verdadeiro assassino tá

por aí.

E a gente não faz nem ideia de quem seja.

Cadê a mamãe?

Foi no Ademir, pra saber da nossa herança.

O juiz vai dominar o...

Curador que vai administrar os bens, todos os bens, todos os negócios do

Arthur até lá.

Com certeza eu seria a pessoa mais capacitada para isso.

Você. Ainda que não houvesse a época, ordem judicial que impedisse o

deslocamento da custodiada, eu entendo que a conduta adotada revela risco de

evasão. Diante disso, eu mantenho a prisão preventiva. Essa família toda não

vale nada.

Você pensa o quê? Eu sou boa. Que caralho.

Que caralho.

Tchau.

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