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Original subtitles

Música

Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

Sim.

Mas eu disse para aquele farrabuto, comigo ou não, que eles não conhecem

Pietro Botticelli.

Eu só fecho negócio com dinheiro na mão.

Capite?

Eles estavam pensando que era um carcamano.

Um cazzo.

Vai bem, mas e a grana? Quando pega?

Como?

Hoje. Hoje de noite.

Vou jantar com ele.

Ele me paga em dinheiro.

Grana viva.

Depois pego o avião e estou aí em São Paulo.

Capite?

Eu não mereço tanto.

Mãe, isso foi um assalto.

Calma, Pietro, calma.

Não há problema, senhora.

Ainda bem que o senhor apareceu.

Eu estava com tanto medo, sozinha aqui nesta estrada.

Agora está tudo bem.

Não se preocupe, trocar um pneu é coisa rápida.

O senhor é de fora, não é? Sim, eu sou de São Paulo. Estou aqui em Maceió

Negócios.

É bom o senhor ser de fora.

Por que, senhora?

O senhor sabe, aqui é uma cidade pequena.

Todo mundo repara tudo, não é?

Deve estar muito apertado mesmo.

O carro é novo.

É a primeira vez que troca o pneu.

Não é só o primo parafuso.

O resto é tudo tranquilo.

Nossa, o senhor está todo suado. Estou morrendo de vergonha pelo transtorno que

estou causando ao senhor.

Mas não precisa me chamar de senhor.

Me chame de Pietro mesmo.

Está bom, Pietro.

Obrigada.

Mas o senhor se sujou muito.

E não fica bem o senhor chegar assim todo sujo ao hotel.

Não tem importância, senhora. Tem sim.

O senhor se sujou e a culpa é minha.

Olhe, tem um hotel aqui perto e o senhor poderia tomar um banho.

Mas o que é isso, senhora? Eu estou bem, acredite.

Aposto que ainda não jantou.

Eu estou vindo de um jantar de negócios.

E esse jantar...

Só se fala, fala, fala.

Eu não seria gentil desagradar uma bela dona como você.

Eu aceito banho.

Qual é o seu nome? Pietro Botticelli, seu criado.

Muito prazer, Luisa.

Pegue seu carro e me acompanhe, por favor.

Luisa, que belo nome.

Que classe.

Esta viagem vai te render muito mais do que você possa imaginar, Pietro.

Obrigada.

Eu sou uma grande putana, imbecil, pagliaccio.

Eu sou tudo isso.

Meu querido Pietro, muito obrigado pela belíssima e gostosíssima noite que você

me proporcionou.

Posso lhe garantir que de todos os meus pneus que furaram, esse foi o mais

gostoso. Espero encontrá-lo algum dia novamente em outra estrada, pois meu

pneu está sempre furando.

Um beijo de Luísa, seu amor de Deus.

Ainda não é meio-dia e hoje estou aqui, impaciente e nervosa,

indecisa como uma colegial antes do primeiro encontro.

Será que ele vai telefonar hoje?

Será que não desistiu da sua estranha brincadeira que me perturba e altera a

ordem natural das coisas estabelecidas em minha vida?

Como dizer-lhe que pare e ao mesmo tempo insistir para que continue a sussurrar

aquelas coisas doces e amargas?

de um universo diferente que eu não suspeitava existir.

Presa nesta sala, nessa cotidiana monotonia, nesse casamento

irrepreensível onde nada me falta, apenas essa voz rouca povoando minhas

partes, me despertando o desejo do desconhecido, me prometendo a loucura

contra a calmaria de todos esses anos, me acenando com a liberação dos meus

instintos. E falando aquelas coisas obscenas que uma moça direita não pensa

nem faz.

Como pedir-lhe que não os faça mais?

Como dizer-lhe que já não vivo sem a voz rouca de sonho desse louco desconhecido?

Seu vestido molhado, colado ao corpo.

Transparente contra sua pele branca e macia me encheria de desejo, de vontade

de lamber suas pernas molhadas e com gosto de sal.

Eu sinto que não resistiria e me abaixaria seus pés.

Depois ia subindo, minhas mãos navegando teu corpo e você

gemendo baixinho, ia mexendo, deixando.

Eu subiria com a minha língua amassando os teus pelos contra o meu rosto até que

chegasse o primeiro gozo. E guiaria a tua mão até que você encontrasse o meu

sexo e o conduzisse às profundezas do teu corpo.

Por favor.

Meio dia e quinze. Muito obrigada.

Como é o seu nome?

Silvio.

Você é muito bonito, Silvio.

A senhora também.

Até logo.

Tchau. Cuidado com os carros quando atravessar a rua.

Por favor, quem é?

Elisa.

Sou eu, meu tesão.

Acabei de imaginar te possuindo todinha, meu amor.

Meu sexo corria pelo teu corpo até tua boca.

E você me engolia todo.

Como naquela noite, lembra?

Nós dois no ônibus, sentados no último banco.

Eu te beijando e sentindo teu corpo tremendo de desejo.

Lá na frente, sem notar, sem perceber nossa presença, o motorista, cheio

de tesão e malandragem, cantando a cobradura, e ela gostando muito.

Eu mostrei para você e você ficou ainda mais...

Na medida que a mocinha lá na frente ia se oferecendo, eu ia começando a te

chupar.

Você lembra, minha putinha gostosa?

Ah, meu amor, como eu gosto de ser seu homem.

Eu me sinto único.

Você quer que eu continue a te lembrar o resto da sacanagem que nós fizemos?

Ah, como você gemia quando a minha língua passava dentro de você.

Como você se retorcia sentindo tantas sensações reprimidas e não realizadas.

Tantos desejos adormecidos pela covardia de se expor.

Eu sei muito bem que nesse momento teu marido não existe.

Não passa de uma sombra pálida.

Uma coisa que ficou para trás.

Eu tenho que desligar.

O meu marido chegou.

Ah, Elisa, meu amor.

Meu tesão, como eu gosto de você.

Oi, amor.

O que houve, Elisa?

Sua roupa está pelo avesso.

Desculpe, eu não reparei. Eu vim correndo atender a campainha.

Alô. Bom dia, meu amor.

Hoje eu acordei louco de vontade de fazer amor com você.

Vim ao meu encontro, vem.

Saia do seu bairro elegante e se misture ao povo.

Deixe o seu carro de luxo na garagem e tome um ônibus.

Os homens indo para o trabalho vão ficar loucos vendo o teu corpo fresco e

perfumado tão perto e intocável.

Faça diferente.

Dê um sorriso para eles.

Seja cúmplice.

Seja cúmplice dessa nova e excitante brincadeira.

Eu tenho certeza de que você nunca sequer imaginou vivendo uma situação

como essa.

Aproveite.

Aproveite e veja como é bom fazer as coisas que fogem ao convencional.

Deixe que eles se encostem.

Que te sarrem.

Cheios de tesão.

Em seguida, você vem ao meu encontro.

Naquele lugar que eu já te falei.

Você já vai estar tão excitada... que o teu cheiro natural de fêmea vai

despertar todos os machos das consciências...

E eles virão nos ver trepar.

E gozaremos por todos os insatisfeitos do mundo.

Gozaremos por todos os homens impotentes e por todas as mulheres mal comidas.

sensualidade reprimida pelo preconceito de se descobrir uma mulher liberada e

aberta ao prazer.

Quero que você se excite até conseguir gozar intensamente, para que quando eu

estiver ao seu lado, possa penetrar o seu corpo como você nunca poderia

imaginar.

Quando chegar esse momento, quero que você me deixe manipular sua sensualidade

recém-descoberta E levá-la às culminâncias do gozo.

Minha língua passará por cada centímetro de sua pele até penetrar a intimidade do

seu sexo quente e úmido.

Você também verá como é bom ter meu sexo dentro de sua boca ardente.

Ah,

Elise, eu quero que você goze muito agora, preparando-se para o grande

momento em que vou possuir...

Quarta-feira, dia 15.

Ele agora me liga a qualquer hora.

Pela manhã, logo depois que Fernando sai do trabalho.

No meio da tarde...

Ou passa mesmo alguns dias sem me telefonar.

Aí eu fico aflita.

Mas logo ele vem.

Sempre com a mesma voz.

Que me despe com um sussurro.

Mandando beijos molhados ao meu pescoço.

Introduzindo seus dedos em mim.

Me marcando com palavras mais fortes.

E eu nem mesmo sei o seu nome.

Mas tenho certeza de que bastaria um pedido seu.

Uma ordem.

Para que eu abandonasse tudo.

Sobriedade, família, moral e segurança.

Para me entregar aos desvarios dessa voz rouca que povoa meus dias com sensações

loucas.

Que me usando, por mais paradoxal que seja, me descobre a mulher

adormecida e preenchantida, escondida na obrigatoriedade do só responder sim.

Sem vontade.

É dessa monotonia das coisas definitivas que eu quero tirar você.

Quero que você abra sua vida para o imponderável.

Quero que você se dê o prazer de correr perigo.

Elisa, eu posso sentir você fazendo o que eu mandei.

Se provocando, se amando toda.

No descobrimento do teu corpo como só você poderia realizar.

Ah, eu quase não estou mais podendo aguentar.

Eu fico imaginando você aí sozinha.

E eu aqui.

Ardendo. Com uma vontade imensa de penetrar o seu corpo.

Ah, Elisa, meu amor.

Quando você menos esperar, eu toco a campainha e chego a tua casa.

pronto para te agarrar e te pôr de joelhos no corredor, fazendo você me

chupar todo, até o teu marido aparecer e nos matar.

Eu e você ficaremos sangrando e gozando.

Tudo bem?

Entre, por favor.

Por favor.

Entre.

Fique à vontade, eu volto já.

Obrigado.

Até breve.

Obrigada.

Alô?

Elisa? Você enlouqueceu? Eu vou desligar. Elisa?

Eu não aguento mais essa farsa.

Resolvi te ligar agora sabendo que esse merda do teu marido já chegou do

trabalho e está aí com você.

Enquanto eu estou aqui, sozinho.

Eu não suporto mais essa vontade de te foder de verdade, Lisa.

Você é um louco irresponsável.

Eu sou uma mulher casada.

Você quer me arruinar.

Eu não quero mais ficar te citando pelo telefone.

Eu quero que o seu marido descubra tudo.

Nos mate.

Ou te abandone.

Ou dê um tiro na cabeça.

Sei lá.

Enfim.

Que ele faça qualquer coisa para te libertar dessa vida em soça que você

leva.

Espero que você tenha tido coragem de fazer o que te mandei.

Que tenha deixado uma pista para que ele descubra tudo e tenha oportunidade de

saber quem é.

De se descobrir perante si mesmo, sem a máscara da seriedade que usa para

encobrir a merda de vida que também leva.

Agora você já sabe de tudo, Fernando.

Espero que possa compreender as razões que me levaram a vir assim.

Nosso casamento já não fazia mais sentido.

E quando as coisas chegam a esse ponto, não se pode identificar culpas

individuais.

Erramos, porém ainda temos nossas vidas pela frente.

Podemos refazê-las, embora seguindo caminhos diferentes.

Quanto a mim, vou seguir o que me manda o coração e a intuição.

Espero que tudo dê certo nesse meu novo relacionamento.

Porém, se as coisas não aconteceriam assim, pelo menos tenho certeza de que

estou engrandecendo minha vida através do risco.

No momento, a única certeza que tenho é que amo verdadeiramente aquela voz rouca

de sonho que me fez despertar e redescobrir a capacidade de amar.

Quando recebi seu recado, pensei que fosse engano.

Você não ia voltar só no domingo que vem?

Ia, mas Nova York estava tão louca que eu resolvi dar um tempo e voltar à base.

Sabe, eu cansei. É muita coisa ao mesmo tempo.

Festas, premieres, loucuras de todo tipo.

Imagino. Mas o pior é que quando volto, parece que eu entrei numa máquina do

tempo que recuei séculos.

A transa mais moderna aqui já era há dois mil anos atrás.

Pode escrever, Lutinho?

Os modismos vêm de lá, Julina.

É lá que as coisas estão sempre acontecendo.

O clima das pessoas é outro.

Nova York é o centro do mundo, baby.

Sabe, eu vim pra ver o pessoal, mas encontrei todo mundo grilado.

Só agora as gatinhas estão começando a arranhar.

E hiper inseguras pra assumir as chances.

É.

Ninguém tá mais afim de só ficar por baixo.

Mas essa de revolução sexual aqui é para a história do mundo, baby.

Só a tribo curte essa de império dos sentidos.

Se você visse o que anda pintando por lá... As pessoas curtindo o corpo.

Sem essa de homem ou mulher, tá sabendo?

Legal. Sem discriminar.

Procurando o máximo que o prazer pode dar.

E você?

Transou muito por lá dessa vez?

Tomou mais aulas?

Baby, na transa do corpo, eu não tomo aulas.

Eu dou.

Na tua ausência teve gente dizendo que você é devagar.

Quase parando.

Todo cara quente.

Causa inveja. E eu ainda nem lhe contei a metade, hein?

De Nova York eu dei um pulinho na Europa.

Paris, Londres, Amsterdã, Copenhagen e outras cidades europeias menos

cotadas. Em termos de badalação, é claro.

Mas onde sempre tenho que ir para supervisionar os meus negócios. O que

tem espalhado por este velho mundo?

Ah, essa chuva fina. Esse nevoeiro.

Esse fogo me lembra tanto Londres.

Se bem que Londres, com aquela cafonalha árabe comprando quarteirões inteiros,

perdeu muito de seu charme. Se bem que sempre dá para o gasto.

Não se conversa não, Jolene, porque eu estou mais interessada em saber... Olha,

Marcinha.

Para você ter uma ideia de como andam as cabeças das pessoas, lá em Nova York,

diminuiu enormemente o número de salas especializadas em espetáculos pornôs. As

pessoas já não se escondem mais para curtir suas neuras, não.

Elas estão vindo para a rua, assumindo, conquistando.

Essas caretices que se ouvem aqui como o máximo das audáceas, lá é

assunto da garotada.

Quer dizer que você voltou PHD em erotismo e sacanagem.

Também nem tanto, não é?

Como eu viajo constantemente, fica mais fácil para mim assimilar o que acontece

no mundo.

Você sabe, não é?

O mundo é minha sala de estar.

É, você deve ter muitas ideias de como se sentir.

Um prazer de verdade.

E sem precisar sentir remorso depois.

Como é que é, pessoal?

Tudo bem?

Eu já localizei os caras.

Eu vou guardar vocês ali. Depois vocês voltam e tomam um chope. Falou? Ok, tá

legal.

Vamos tirar a luz de circulação.

Exclusivo, mas o local tem que ser afastado, baby.

Você não escolhe uma ilha deserta.

Aí é que está o segredo do negócio.

Meu clube privê vai atender altos executivos durante o expediente de

trabalho. Você quer construir um motel.

Nada disso, gatinha. É um clube privê para executivos. Por isso é que tem que

ser relativamente perto do centro da cidade, morou?

Em vez de resolverem seus negócios fechados entre quatro paredes, eles

estarão em nosso clube, curtindo.

Manais.

Vamos com calma, Julinho.

Quem tem a grana é meu pai e eu ainda não falei nada com ele.

Ora, Brutinho, seu papai faz o que você quiser. Vai ser um grande negócio.

Vamos avalar as estruturas desta província.

Você está muito seguro do sucesso.

O jogo erótico é minha principal arma contra o tédio das relações

convencionais. O que eu vou vender nada mais é do que o meu... know-how nesse

assunto.

Eu quero ver sua atuação é... na prática.

Você não imagina nem a metade dos embalos que eu já organizei. Agora

mesmo, na semana passada, nos dois dias em que passei em Paris, o meu

apartamento, no Champs-Élysées, Eu dei uma festa só pros amigos mais íntimos.

Convidei um casal, e pelo amor de Deus, não me impeça pra citar nomes, por

favor. Eu só digo que ela é modelo internacional, famosíssima, capa do

Vogue, inclusive.

Bom, lá pras tantas, eles estavam transando enrolados na cortina da sala.

Só que ela usava uma piroca artificial e enrabava ele.

Não é uma loucura? E olha que ele é um tremendo machão, hein? Quem diria?

Eu não sei nada.

Eu sou da Estiva.

Sabe que tu é o moreninho muito do filho da puta.

Tudo bem.

Eu só quero saber onde é que você enfiou as joias da madame.

Eu não sei de nada, doutor.

Eu juro que eu não sei de nada.

Eu não quero assinar carteira, doutor.

Se eu não quiser assim, ele me bota na rua, doutor.

Filho da puta, atrevido. Vem esculhambar patrão na frente da autoridade. Vem, ó.

Tudo bem, chefe. Uma boa. Esse cara vai se cagar todo de medo.

Olha aí, malandro.

Toma tua porcaria.

Segue seu destino e não me apareça mais. Vambora, vambora. Vamo arrochar ontem

esse senhor com porra nenhuma.

Vamos lá!

Aqui não é lugar para isso.

Eu não vejo nada de mais, dona Carmen.

Olha aí, pitada.

Pintou oportunidade da gente pedir troco pelas sacanagens que fizeram com a

gente, cara.

Doutor Euclides, pare com isso. O senhor veio aqui para tratar de negócios, não

para ficar de sacanagem.

Bobagem, Carminha.

O doutor Júlio já deve estar chegando. Marquei com ele mais lá na frente.

Ainda falta uma hora, meu amor. Vamos continuar, vamos. Vem cá.

Vamos! Vamos!

O que aconteceu com o Dr. Euclides?

Já faz mais de meia hora que o marquei com ele aqui, meu Deus.

Inclusive, eu falei pra ele que você viria comigo pra ver o terreno.

Bom, é melhor a gente voltar pra casa.

Mais tarde o telefone vai pra casa dele. Ah, não, Julinho.

Não.

Julinho, desperdiçar uma tarde como esta, depois de tudo que você me

contou.

Não é o momento.

Estou com a cabeça preparada para resolver negócios.

E aí, Julinho?

Você não gosta?

Não te dá tesão?

Não é nada disso, Marcinha. Pode aparecer alguém.

O furo do Dr. Euclides me deixou preocupado.

Ah, Julinho.

Deixa o furo do Dr. Euclides para lá.

Ou será que tua emancipação não foi tanta como parece?

Ou será que você está com medo de mim? Não é nada disso, Marcinha.

Ah, eu me lembrei de uma ótima para te contar.

Uma vez, lá em Nova York, uma certa atriz, cujo nome eu prefiro omitir,

sentou-se ao meu lado, lá num daqueles barzinhos onde tocam jazz.

Ela sentou-se ao meu lado. Inclusive, o Wood Allen toca muito por lá.

Pelas tantas, ela já estava meio de pilequinho e levantou a saia só para me

mostrar que estava sem calcinha.

Estou encantado com a liberação daquela mulher.

Será que a liberação dela é parecida com a minha?

E

se

eu te agarrasse aqui?

Agora, assim?

E quisesse te comer.

Ora, Marcinha, o que é?

Isso não são horas, vai, por favor.

Já sei.

Você se sofisticou muito.

Só se sinta numa diferente, não é?

O que você vai fazer em cima, menina? Desce daí. Vamos embora para casa.

E aí, ô caretão.

Lá em Manhattan, você viu uma transa dessas?

Ou no Central Park, ou em plena 5ª Avenida?

Olha só.

Olha a minha roupa.

Vem cá, o liberado nas coxas.

Está vendo o que você fez?

O meu blazer novinho, Marcinha. E agora, quando o Dr. Euclides chegar, hein?

Você pode pegar um resfriado, Marcinha. É sério, pode até pegar uma pneumonia.

Olha, eu acho que você bebeu demais no humor, viu?

É, é melhor a gente ir embora.

Quem está de porra é você.

Se fazendo de figurinha difícil e estragando o meu dia.

Marcinha, vamos embora. Por favor, Marcinha.

Julinho, primeiro você vai ter que me pegar.

Seu voaêzinho de merda. Oh, meu Deus.

A rocha é o primeiro babaca que passar por aqui.

Sacanagem a tua, hein?

Sacanagem, cara.

Vou deixar aquela mulherzinha gostosa ir embora.

Ah, porra.

Logo na hora que eu tava ficando com um puta tesão na bunda dela.

Que isso, cara. Minha irmãzinha de santo.

Lembra que foi o santo que salvou nossa barra lá na delegacia.

E agora a gente tá de carro, numa boa.

Podemos arrumar uma mulher muito melhor do que aquela.

Estou ficando cada vez mais com tesão.

Vai comer a bunda da tua mãe, filho da puta.

Agora

falando

sério, cara.

Estão me devendo uma porrada de coisas.

Um carro de bacana, bicho.

Deve estar fodendo uma dona bem limpinha, cheirosinha.

Estão me devendo isso também, cara.

Uma dona perfumada, cheirando a perfume francês.

Perfume que dão a ela com o meu suor, cara. Com o nosso, cara.

Quero juro. Vamos nessa, bicho. Vamos embora, vamos embora. Vamos, cara,

vamos.

Macinha, por favor.

Vamos embora, Macinha. Por favor.

Vamos embora, Macinha.

Outro dia a gente volta.

Eu prometo.

Tudo bem, seu trouxa.

Vamos embora.

Mas você fica me devendo essa.

Está sabendo?

Estão me devendo uma trepada dessas.

Vou cobrar já.

O carro do Dr. Euclides, mas... Eu não sei quem são.

Oi.

Algum crepe no caramba, meu branco?

Tudo em cima. A gente só deu uma paradinha pra arejar um pouco.

A gente ia embora.

O Dr.

disse certo.

Ia.

Agora primeiro.

Vai levar um papo com esse seu criado aqui.

Ora, mas claro.

Eu sempre fui aberto ao diálogo. Eu sou um defensor dos direitos humanos.

E nunca neguei meu apoio às populações carentes, hein?

Viu só a fria que você meteu?

Ué, pra quem ia tomar cerveja no Harlem, você se encagazou muito depressa. Para

baixo, Matinha.

Deixa a mina falar, meu branco.

Deixa eu me apresentar.

Meu nome é Tião das coisas.

As coisas são vocês que têm.

É só me dar de presente que a gente não rouba ninguém.

Poesia pura, meu chapa.

Poesia pura.

Tudo bem, olha.

Pode ficar com o sapato dela, com a saia dela, com a minha pulseira, com o meu

relógio, com tudo que você quiser, mas, pelo amor de Deus, não me faça mal. É a

única coisa que eu peço.

Eu tenho bastante dinheiro para comprar tudo isso de novo, mas não me faça mal.

Querendo safar de bando, meu?

Tirando o cu da reta e deixando a menina nessa gelada.

A gente tava te sacando.

Olha, moço, você não entendeu.

Seu no cacete, pô. Tô bancando essa parada. Tô nos meus direitos.

Vai tirando essa corrente, vai tirando essa camisa, essa calça. Tira também

esse sapatinho de bacana aí.

Tira tudo, porra.

A calça?

A gente tá afim de ver sua bundinha, bicho.

Ajuda na distribuição da riqueza, brother.

Tu é estribado.

Trabalha em quê?

Investimentos financeiros.

Ah, você é desses caras que precisam da inflação pra encher o cu de barão, né?

Tô sabendo.

Olha a bundinha branca dele.

Por favor, não me faça um mal.

Eu lhe imploro.

E a gatinha?

Não vai ajudar a encher o saco dos pobres?

Sente o peso das coisas?

Colocando maneiro, pitada.

Eu quero sentir o peso dessas coisas.

Devagar.

Olha.

Ação que eu gosto de ver.

Colaboração.

O troco está garantido, cara.

Não está afim de um rango?

Eu quero ver esses peitinhos de perto.

É a surda, mulher!

Surda é tua mãe, ô babaquara!

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa

morte.

Acabou a valentia?

Bombeiro branco, não é?

Bombeiro branco, não é? Oh, Leilus!

Marcinha, vamos arrepiar!

Não vem não, seu merda! Não vem não!

E vai tirando a roupa de novo!

Marcinha?

Pensa que eu não...

Tira a roupa, meu garoto!

Você aí, pega essa bolsa.

Abre e pega um batom.

Pinta ele na boca e faça dois peitinhos nesse viado.

Assim é, pelo amor de Deus.

Assim é, moço.

Tô andando.

Tá surdo? Ou tá afim de uma ameixa nos corvos?

Minha idade.

Chega.

Ô, de vermelho, liga o som aí do carro.

Julinho, dança.

Marcinha, por favor, pelo amor de Deus. Dança logo.

Rebola agora.

Anda, cara.

Rebola. Isso.

Roda agora.

Vai. Rodando.

Roda. Roda.

Assim.

Depressa. Vai. Anda logo.

Vai.

Chega.

E aí, moreno?

Está a fim de comer uma mulherzinha, hã?

Socorro!

Socorro! Polícia!

Socorro!

Socorro!

Socorro!

E a gente?

Como é que fica?

Deixa pra lá, madame. A gente devolve tudo.

Foi coisa de momento.

A nossa nessa não.

Não.

Vocês podem ficar com tudo.

Eu e o Julinho somos ricos, sabia?

Temos dinheiro para comprar o que vocês nos roubaram quantas vezes a gente

quiser.

Deixa pra lá, madame. A senhora é gente boa.

E o garotão ali também é, madame.

Pode chamar aquele bolha de viado mesmo.

E você?

Se garante?

O que é isso, madame?

O que é que a senhora vai fazer, madame?

Se interessa?

Bem, é... é... Perdeu a voz, Anizade?

Ou perdeu a machiza?

Você não estava sem de me comer?

Vem.

Já que a senhora insiste...

Só

tem um detalhe.

Se não me fizer gozar, eu te mato.

Não pense que vai chegar, bufar em cima de mim, gozar rapidinho e me deixar na

saudade.

Nada disso, macho.

Vai ter que fazer gostoso, tá sabendo?

Desculpe-me.

Eu tenho sete filhos.

Eu não sou bruxa como esse garoto aí.

Qual foi o problema?

Sabe qual é o problema?

Como alguém pode ficar com tesão se você está com essa porra desse cão e apontar

pra cabeça da gente?

Se essa minha piroca fosse de ferro, já pensou se no meio de uma gozada essa

merda treme e você atira?

Capo furado, malandragem.

Vamos ver agora?

Pitadinha, você não quer morar comigo em Nova York?

Sem essa, bichona.

Meu negócio é outro.

Só disso não. Pitada!

Vem cá, rapaz.

Você não entendeu nada.

Hoje em dia não tem mais esse preconceito de homem com homem, mulher

com mulher, não. Hoje em dia é tudo numa boa.

Cacete.

E dessa vez?

Qual é a desculpa?

Eu sei lá o que está havendo.

Meu pau não quer subir.

Vocês não são de porra nenhuma.

Bastou uma mulher tomar a iniciativa, jogar de igual para igual, para fundir a

cuca de vocês.

Os tempos estão mudando e vocês não estão percebendo.

Acostumaram com a mulher só para consumo.

Os que têm grana...

provam que são bacanas, mostrando a mulher para os outros.

Os fodidos só pensam em emprenhá-las e botá-las para lavar roupa e ficarem em

casa dizendo, sim senhor, sim senhor, aqui para vocês, ó.

Ô cara, o que você está fazendo aí ajoelhado que nem um babaca? Você segura

que é pintor borde.

Ah, pitadinha, vamos comigo para Nova York, vamos.

Qual é, ô bichona louca, vai procurar a tua turma. Pois não.

O que é bucineiro? O que é flaté? O que é chapéu? O que é

mangé? O que é quimbeiro? O que é mangé pomme?

. . . .

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