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Original subtitles

Estou falando dessa multa aqui.

Onde você foi na noite do casamento do seu irmão?

Na noite em que o Arthur morreu?

Eu não misturo sentimento e trabalho.

Tá, tá.

Então, por que você quer me ajudar?

Porque o meu pai é quem vai defender a Pilar.

E se ele quiser, ele pode jogar muito sujo, pode ganhar essa briga. E se ele

me ajuda, Adriana, sinceramente...

Você não vai ter chance.

E quem é o advogado da golpista?

Pedro. O Pedro?

O seu filho?

Eu quero saber o que você está escondendo de mim.

Nada.

Eu não estou escondendo nada.

Volta a morar com a gente.

Eu estou sendo investigada por um crime que eu não cometi.

E aquela família vai vir com tudo pra cima de mim. Sabe-se Deus lá fazendo o

que pra botar a mão nessa herança que o Arthur não queria deixar pra eles.

Eu vou pedir pra você tentar convencer o Pedro a abandonar o processo da Adriana.

O Pedro vai defender a Adriana?

Fique agora com o capítulo de hoje.

O Pedro vai defender essa mulher?

Eu não acredito.

Não. O Pedro vai representar a Adriana na investigação.

Doutor Ademir, o seu filho tá apaixonado pela Adriana.

Apaixonado, não.

Não, não, não, não, não.

Apaixonado, não.

Não, ele... Não, eu acredito que não.

Ele... Olha, a Adriana casou com o padrinho dele.

Ele ficou abaladíssimo quando ele viu ela vestida de noiva na cerimônia.

Ficou? Entra.

Ficou, ninguém me contou. Eu vi, eu vi na expressão o rosto dele mudar, eu tava

do lado do Pedro.

Ele conheceu ela daquela história daquela família que perdeu tudo na

enchente. Não, senta.

Nessa época ele estava com você.

Feliz, porque ia ter um filho.

É.

Mas doutor Ademir, ele sente alguma coisa por ela, eu tenho certeza.

Uma amizade.

Uma profunda admiração. Senão ele não estaria tão envolvido.

Doutor Ademir, o que o Pedro sente pela Adriana é muito mais do que amizade.

Será? Mas juntos, eu e o senhor, nós podemos mudar isso.

Conta comigo.

Elenice, filha, o que houve?

Eu fiquei preocupada com você ontem à noite. O que houve, filha?

Você está bem?

Não foi nada, não. É só... Ai, que às vezes minha vida contou.

Sei lá.

Elenice, eu não sei como é que você aguenta, minha filha.

Mãe, o Tom, ele é um bom pai.

Ele é um ótimo pai. Ele é um bom marido.

Mas a bebida, ela deixa ele de um jeito. Ele se transforma. Elenice, põe uma

coisa na sua cabeça.

A bebida é desculpa, filha.

Ele te bateu?

Claro que não, mãe. Pelo amor de Deus.

Ele nunca encostou um dedo em mim.

Não é nem louco. Nunca levantou um dedo pra mim nem pra Dafne.

Ainda bem, né?

Cuidado com isso.

Mas você sabe o que eu penso sobre esse meu genro, viu?

Eu não consigo gostar dele, não me desce.

E olha que eu já ouvi a história dele, hein?

Inclusive que ele fica por aí se engraçando com outras mulheres.

Mas tudo fofoca, mãe. Por favor.

As pessoas não aguentam me ver feliz com meu marido.

Feliz?

Você é feliz, filha?

Eu não sei porque eu te mandei essa mensagem, mãe.

Tá tudo resolvido, tá tudo certo.

Já foi, assunto cerrado. Não, filha, assim... Pra mim não é assim.

Você fez bem em me mandar mensagem, imagina. Sou sua mãe.

Eu tô aqui pra te ajudar, que você precisar.

É verdade que eu evito o Tom, né? Pra não ter problema, mas...

Você quer que eu fale com ele, filha? Eu falo com ele, você quer que eu fale? E a

Adriana, como é que ela tá?

Bom dia!

Bom dia!

Você saiu ontem à noite, nem falou nada, pra onde é que você foi? Fui na banca de

flores, fui conversar com o nosso avô, porque esse mal entendido entre nós,

nossa, tava nem conseguindo dormir, mãe, com essa briga.

Mas também ele é cabeça dura, né?

É, mas não é bem assim, Maurício. Ele é mais velho, ele tem certos valores, eu

acho que por mais que a gente não concorde, a gente tem que aceitar.

Mas vocês se entenderam, filha?

Nós tivemos uma conversa muito boa.

E eu tô com esperança, mãe.

Tá com esperança dele vir morar com a gente de novo?

Eu pedi pra ele.

Falei mesmo, porque eu acho que agora, gente, é o momento da nossa família,

você também, Tilde.

Ah, que isso. De toda essa casa, da gente estar unido. É verdade.

Você acha que eu devia ir falar com ele também?

Eu acho sim, mãe.

A gente quer fazer muito bem pra vocês dois.

Olha só as flores que meu avô mandou pra nós.

Nossa!

Olha! Eu acho que ele volta, eu acho que ele volta.

Pode fazer um vídeo, né?

Mostrando. É, tudo fresquinho.

O vovô não podia estar perdendo tudo isso. Olha o tanto de coisa que tem

nessa mesa. Olha isso, tem queijo, tem bolo.

Tem iogurte também ali na geladeira, tá? Gente, gente, não por isso, né?

Ele tinha que estar com a gente para ficar junto, para ter a nossa companhia.

Isso que é importante.

Está puxado para a gente, viu?

Daqui a pouco vai ter a sua louça na mesa.

Eu não tô acostumada a digerir porcelana, não. A última mesa boa que a

gente teve foi outro banqueio. Só que vocês não ajudam, né? Fiz compra pro mês

inteiro e vocês devoraram tudo em dias. Então, não contem comigo até mês que

vem. E nem comigo.

O dinheiro da minha rescisão já praticamente acabou. Parou, parou,

parou, parou tudo. Parou tudo, parou tudo. Olha aqui, reunião de família!

Agora!

Eu vou fazer...

Eu vou fazer supermercado pelo aplicativo do celular. Vamos fazer

lista. Vamos fazer lista agora. Cada um vai pedir o que quiser.

Sério? Lista livre. Sério? Tem uma lista enorme.

Pode.

Cadê o caderno? A gente não usa tanto tempo.

Aqui. Ó.

Venham, venham, venham. O que é isso, mãe?

Assaltou um banco?

Não.

Eu peguei um vaso Lalique lá na casa do seu tio Arthur no dia do casamento. Você

acredita que eu consegui vender uma fortuna?

Ah, você tinha me dito que você ia fazer uma coisa muito importante.

É porque eu não sabia que você ia roubar.

Não, roubar não, minha filha.

Eu fui resgatar.

Porque aquele vaso era da mamãe.

Eu tenho certeza.

Quer dizer, eu tenho quase certeza.

Nem importa isso, porque agora ele estaria de posse de quem? Daquela

idiota, daquela Adriana que nem sabe o que é um Lalique.

O Lalique, gente.

Ninguém sabe o que é um Lalique.

Lalique, vaso francês de cristal, caríssimo.

Ela não saberia dar valor. Não é como a gente que sabe dar valor e a gente vai

fazer o que?

Lista. Vamos lá, vai. Vamos encher a despensa? Vamos encher. Cada um fala uma

coisa. Doce de leite. Doce de leite. Um pão melhor, porque, olha, a próxima aqui

é a boa.

Multigrão.

Multigrão. Nossa, é muito ruim.

Multigrão. Brigitte. Alguém atende a porta, gente.

Tá tocando agora. Ah, eu não vou não. Você é físico. Eu que faço tudo. Eu sou

de camisa, toalha na cabeça, pelo amor de Deus. Tá bom, tá bom, tá bom. Quero

fazer a lista, gente. Sabe?

Paçoca. Paçoca zero, é bom.

Foi que me mandou flor, né? Eu odeio flor. Flor é coisa morta. Parece que eu

tô carregando um defunto.

Deixa eu ver.

Olha aí.

Não é pra mim, não é pra mim.

Vamos,

lista, gente.

Lista. Não é pra mim.

Olha aí, quem mais?

Ah, pra mim?

Deve ser algum dos seus boys abandonados.

Guilherme, tá com saudade. Quer sair pra jantar hoje.

Ai, na boa.

Quer falar comigo? Manda uma mensagem. Acho que vai funcionar.

Que lindo.

Tô bem que ele podia ter mandado um galeto, né?

Alguma coisa que a gente pudesse compartilhar. Galeto é de pobre, mas é

bom de comer. Vou colocar na lista.

Sabe o que eu mais gosto no Guilherme?

Ele segue os meus conselhos.

Eu vou te matar.

Eu vou te matar. Você pediu pro cara me mandar flores, Brigitte.

Lógico. Você acha que um homem hétero vai mandar flores pra alguém sem ter

sido pressionado? Na boa, qual é a dificuldade de cuidar da tua vida, cara?

Vai dormir abraçada. Você vai quebrar meu celular.

Nunca mexa no meu celular.

Gente, o que mais?

Champanhe não pode faltar.

Quero.

Quero.

Quero.

Quero. Mas aí, você não vai me falar mesmo como você tá?

Tá com tempo?

Vai.

Tô, tô indo, né? Tô mal, às vezes fico um pouquinho bem.

Mas todo momento que eu penso nessa investigação, parece que o mundo vai

desabar na minha cabeça.

Tô desesperada. Mas pelo menos o Pedro vai me defender, né?

Ah, que ótimo.

Ele é um bom advogado.

Que bom.

É, eu também acho bom.

Tu mexe bom.

Eu tava muito em dúvida por conta dessa coisa aí, né? De ele falar que é

apaixonado por mim, sei lá, no dia do casamento.

Eu não sei.

E aí, minha amiga?

Eu juro pra você que eu não tinha percebido que tinha um sentimento da

parte dele por mim, entendeu? Eu juro pra você. Eu tô falando, Elenice. É

sério.

Toda vez que ele tava querendo ajudar a mim, a minha família, eu entendi que era

o jeito dele, solidariedade dele, ele é um cara generoso. E é mesmo, é de

verdade isso nele, entendeu? O coração dele é bom.

É muito louco, porque ele tava do meu lado na hora que eu descobri da morte do

Carlos e agora também nessa tragédia com o Arthur.

Ai, meu Deus, mas ele tá lá, ele tem a vida dele, entendeu? O cara tá todo

organizado, sei lá, ele é de outra... Não tem nada a ver, não tem nada a ver,

não tem nada a ver, não tem nada a ver. Mas você acha que ele tá sofrendo por

estar apaixonado por você? Não tô entendendo.

Ou você acha que isso vai atrapalhar a sua defesa?

As duas coisas, eu acho. Não sei, a gente conversou bastante e ele me

garantiu, deixou bem claro que ele não vai misturar as coisas e não tá

misturando mesmo.

Então ótimo, Adriana. Que bom.

Que bom.

Foca na sua defesa, minha amiga.

Vai dar tudo certo.

E é até bom ele ser apaixonado por você, né? Senão acho que ele vai com muito

afim, com dedicação.

Vai te defender direitinho.

Vai de coração. Eu não sei se eu rio ou se eu choro. Juro, minha amiga.

Me ajuda com essa unha aqui. Quebrou. Deixa aqui. Deixa eu terminar.

Ai, meu Deus. Que vida louca.

Filha.

Pensa, pai.

Deus te abençoe.

O pessoal da pensão que você tá morando me disse que você devia estar aqui.

Aqui? Eu trabalho até de madrugada, né?

Depois eu chego, vou descansar um pouco.

E aí o café da manhã lá na pensão já foi. Por isso que eu vim aqui. Você não

quer alguma coisa?

Não, não. Tô bem, pai.

Não mesmo?

Eu vim porque a Adriana me contou da conversa de vocês.

Sei. A Adriana tá sendo injustiçada, pai.

A gente precisa estar junto pra apoiar, pra proteger.

Vem morar com a gente.

Unido, a nossa família é mais forte.

Minha filha, você sabe, essa conversa com a Adriana... Sinceramente, me

balançou muito.

Eu sei, eu sei que eu tenho esse orgulho de não querer, não querer nada mesmo

daquele lá, Deus me perdoe, aquele que se foi e que está na mão de Deus, está

lá.

Mas eu, você sabe como é que eu sou? Eu sei também que esse sentimento de não

querer nada, esse sentimento não pode estar acima da minha família.

Então pensa nisso, tá?

Eu, Mau Mau e Adriana, a gente tá precisando de você mais do que nunca.

Para todo mundo a vida é difícil, mas todos fazem seu sacrifício para

melhorar, para melhorar.

Lá vem o sol para derreter as

nuvens negras, para iluminar o fim do túnel e a luz do céu.

Para inspirar os seus desejos, para fazer você encher o peito e cantar.

Calma filha, calma, não fica assim. O Pedro está defendendo essa mulher na

justiça, mãe.

Vai ficar pensando nela o dia inteiro. Vai ficar se preocupando com ela. Que

ferro. Bom, eu não vou negar que no seu lugar eu também estaria morrendo de

ciúme. Toma essa aguinha com açúcar, vai. Minha vontade é de procurar essa

Adriana. Colocar essa golpista no lugar dela.

Ai, mãe.

Nem pode, mamãe. Ela se infiltra na família Brandão. Dá o golpe no ato.

Quer ver que ela vai com tudo pra cima do Pedro?

Meu amor, se você quer minha opinião, eu acho que você não deveria procurar essa

moça agora.

Você só vai estar dando munição pra ela falar mal de você pro Pedro, filha.

Você não pode esquecer que agora estão grudados.

Ai, mamãe, que ódio.

Chega. Chega. Olha pra mim. Olha pra mim.

Chega. Você tem que ser fria agora.

Fria. Calculista.

Acabou a emoção.

Você tem que encontrar uma maneira inteligente de separar aqueles dois.

Tá bom? Tá bom. Pelo menos agora você tem uma demia do seu lado.

Não é?

Não. Então pronto. Então se acalma. Toma essa aguinha com açúcar.

Porque com emoção a gente não pensa em nada certo. Não, isso engorda. Não, não.

Só um pouquinho. Mamãe tem sempre razão. Vai. Um pouquinho. Um pouquinho.

E aí, quer alguma coisa?

Quero silêncio. Oi? Não entendi.

Silêncio. Tô concentrada aqui.

Concentrada no que vai escolher. Não, eu já escolhi.

Quero aquele cara ali, ó.

Infelizmente ele não tá no cardápio.

Seria tão mais fácil, né?

Sabe se ele tá acompanhado?

Chegou sozinho.

Ótimo. Então quero que você mande um caputino pra ele e diga que eu que tô

oferecendo. Pra já.

Engraçado, eu achei que esse tipo de coisa fosse mais comum à noite, né?

Sair pra caçar.

Desculpa.

Olha aí, vejo graça nessas coisas simplesinhas.

Esse aqui combina muito mais com você.

Que prazer recebê-los, eu posso ajudar?

Oi, tudo bem?

O Thiago tá aí? Tá no escritório. Eu vou avisar que vocês estão aqui e ver se ele

pode receber.

Como assim?

Ei, menina, vê se ele pode recebê-los.

Não, não. Fala que a gente tá sem tempo. Vai, rápido.

Obrigado.

Tá vendo?

Você tá vendo.

É isso. Acho que a gente não pode deixar o Thiago muito solto por aqui, não, viu?

Não vejo a hora da Ingrid voltar pra cá.

Por mim, a Carolina e o Felipe viram trabalhar aqui também, mas nenhum dos

dois quer.

O que é que está falando aqui?

Você não confia na minha filha, Ulisses? Tanto quanto confio no Thiago. Ah, não é

a mesma coisa.

Ele pediu para que entrem. Ah, tá. Você pode levar essas aqui para o escritório,

porque eu vou provar.

Claro, dona Pilar.

Já tomou posse. Tiago, a gente veio aqui para saber se tem alguma novidade sobre

o processo sucessório aqui na Zona Unida. Sim, sim.

Eu já estou preparando os balancetes e os contratos para entregar para a

Adriana avaliar. E ela não apareceu por aqui? Não, não apareceu, não mandou

representante, nada.

Gilda, o que é isso? Dona Pilar pediu para eu trazer. Não, tia.

O que é isso, tio? Você não pode pegar a joia sem levar. Você vai comprar?

Vem cá. Você vai ser chato agora comigo.

Esse colar tava lá na vitrine implorando a minha presença pra ele brilhar mais.

Segura pra mim.

Segura.

Que eu quero colocar ele agora. Você vai começar a implicar.

Abre pra mim.

Hein? Vai implicar? É?

O Arthur não deixaria.

O Arthur tá morto.

Aqui, dona Pilar.

Pode ir, vai.

Vai, deixa a jóia comigo. Bom, pode experimentar, né, tia? Não vai arrancar

um pedaço?

É. Você vai sentar na cadeira do Arthur?

Vou. Por quê?

E me fala uma coisa, Thiago. Você, por acaso, tem autonomia pra demitir ou

contratar as pessoas? Ou tudo precisa passar pela viúva alegre?

Precisa passar tudo por ela, assim como passava pelo meu tio. Inclusive, se eu

pudesse, eu já teria chamado a Ingrid de volta.

Eu, na verdade, também quero muito contratar a Bruna como vendedora. A

Bruna? Filha da Carmita? Isso.

Ela mesma. Não tá precisando de emprego. Mas se tudo tem que passar pela

golpista, não é não? É.

Até ela ser indiciada, né, meu bem? Porque depois, tudo isso aqui e mais o

resto todo, tudo vai deixar de ser dela. Você não tá fazendo bem. Eu vou no outro

espelho. Que coisa.

Tiago, não deixa a Adriana se criar aqui, hein? Tá bom?

Você sabe que eu sou um empresário experiente.

Bem sucedido, né?

Qualquer dúvida que você tiver, me liga, tá?

Principalmente o balancete, os investimentos, tá bom? Tá bom.

Olha isso.

O que você acha?

É uma coisa louca esse negócio dos diamantes, né? É.

É uma sensação, eu tô... Eu me sinto plena com isso, olha.

De verdade.

Um oferecimento da senhorita no

bancão. Ah, obrigado.

E aí, entregou pra ele?

Entreguei, olha lá.

E o que ele falou?

Obrigado. Mas você falou que eu que tava oferecendo?

Claro. O que ele falou?

Obrigado. Ele falou duas vezes obrigado?

Ele falou uma vez só.

Mas peraí, você... O que você disse exatamente pra ele? Eu disse, esse

caputino é pra você. Quem você tá oferecendo é aquela moça ali no balcão.

Eu apontei pra você aqui.

Nossa, que estranho. Porque nessa hora ele deveria olhar pra mim.

Aí ele ia sorrir pra mim.

E a gente ia se apaixonar. Pois é.

Mas do rolo.

Olha só.

Tá tomando caputino todo.

Esse caputino foi caro, meu filho. Brigitte, calma. O que você vai... Não,

não, Brigitte.

Brigitte, meu Deus do céu.

Tudo bem?

Tudo. É porque esse caputino que você tá tomando, quem pagou fui eu.

É, o garçom falou.

Obrigado.

Obrigada de novo.

É porque foi uma gentileza da minha parte.

Eu não tinha obrigação de pagar nada pra você.

E eu paguei.

Você não vai me convidar pra sentar?

Você já tá sentada?

Ah, é?

Então agora você me fala o seu nome.

Por quê?

Porque é assim que funciona.

Você me fala o seu nome, aí eu falo meu nome pra você.

Aí a gente troca os signos, é muito fofo.

É, você vê a conta. Aí a gente começa a se beijar. Ah, sim. E aí a gente se

casa, porque é assim.

Ah, tá pedindo a conta? Sim. Então tá. Quer ir pra um lugar mais tranquilo?

É.

Olha, eu sou muito tranquila também.

Não precisa abrir, não. Você já tem relacionamento quando a gente tá com

pressa. Seu cartão.

Obrigado. Você não tem local.

Eu tenho local, sim. Então vamos.

Obrigada. Não, não, não, não.

É um local bem longe de você.

Maluco. Brigitte, calma. Ele é o homem da minha vida. Eu vou atrás dele. Não

julga. Não me julga.

Ela acabou de conhecer o cara.

Você vai naquele restaurante com o André?

Se a gente conseguir entrar.

Nessa hora já tá uma fila gigante.

Pelo menos nisso nosso sobrenome ajuda.

Que cara é essa, Bri?

Cara de quem teve sonhos completamente destruídos.

Eu conheci hoje o pai dos meus filhos.

E aí eu fui atrás dele porque ele é o pai dos meus filhos.

E eu acho que ele percebeu que eu tava na cola dele. Não sei, ele

simplesmente... Pegou um táxi e sumiu pelo mundo.

Queria ter visto isso.

Você acabou de perder os seus sobrinhos, você tá rindo?

Olha só.

Eu vou falar várias vezes, até você entender.

Nenhum homem merece o seu sofrimento.

Achei. Por que você se arrumou pra sair com quem?

Com o boneco do posto?

Quer ver?

Peraí, vou te mostrar. Olha aqui. Tá vendo?

Olha que graça.

Ótimo. Pra usar e jogar fora só nessa noite.

Acabou. Você não. Você olha pra um cara, você quer casar e ter filhos.

O que eu posso fazer se eu sou assim?

Eu nasci assim.

Eu sou romântica. Me julga. Ainda bem que eu tenho a Andréia. Tô indo que ela

tá me esperando. Não, não. Me dá uma carona. Ainda bem que eu tenho a

Andréia. Isso, Bria. Ainda bem que eu tenho a Andréia. Beijos. Beijo, Bria.

Claro. Então, desculpa. Não tenho uma Andréia.

Terceiriza a Andréia, então.

Vamos lá, seus insensíveis. Vou ficar aqui com os meus sonhos destruídos.

Já que eu não tenho Andréia. Abre um app. Onde está minha Andréia?

Quero.

Quero.

Quero com ressalvas. Quero.

Quero. Quero.

Quero você.

Eu vou avisar a Adriana da sua visita. Eu não vim visitar. Vô?

Minha neta.

Que malé é essa?

Eu... Eu vim morar aqui.

Minha querida.

Minha querida.

É isso que eu tô sonhando, meu avô amado.

Eu pensei bem naquilo que você e sua mãe falaram.

Meu lugar é aqui, com vocês.

Ainda mais num momento como esse, né?

Obrigada, amor. Muito obrigada. Sua voz.

Minha filha.

Isso veio de mal.

Ele veio de mal e cuia, mãe. Ele veio pra ficar.

Pai, pensa, pai.

Deus te abençoe, filha. Um anjo junto aqui. Todo mundo como antigamente, né?

Isso, minha filha, isso.

Como antigamente e pra sempre.

Essa menina aqui está sendo investigada por uma coisa que ela não fez.

Isso aqui é que é duro. E isso aqui é muito mais importante do que qualquer

orgulho besta que esse velho aqui teimoso pode ter. Está claro isso?

Dinah, coloca mais um prato na mesa, por favor.

Porque hoje a minha família está completa e a gente vai jantar junto.

Nossa.

Nossa.

Você sabe que eu tô procurando a mulher da minha vida, né?

Uma mulher pra casar, ter filho.

Não amo casa.

Eu tô procurando diversão.

Prazer.

Curti minha vida.

Ah, é?

É. Algum problema?

Não, não.

Problema não. É que... Não sei. Isso normalmente é coisa que o homem fala.

Mulher normalmente, sei lá, quer construir uma família, ter filhos. Essas

coisas. Desejo boa sorte pra quem procura isso.

Mas eu acho que você tá precisando se atualizar.

As mulheres hoje são bem independentes.

Pelo menos se elas não forem, eu sou.

E quando é que a gente se vê de novo?

A gente não vai se ver de novo.

Foi só hoje.

Amiga, eu juro.

Tô falando sério. Ele falou isso na minha cara.

Ai.

Oi, Bri.

Oi, amor.

O que você tá fazendo?

Tô tentando marcar um date aqui, mas eu não sei. Acho que esse meu perfil não tá

me dando sorte.

Quer um conselho?

Coloca assim no seu perfil.

Quero casar e ter filhos.

Eu acabei de pensar um carinha que queria exatamente isso. Uma mulher como

você, assim, um pouquinho mais arcaica, né?

Medieval.

Falar arcaica e medieval já é arcaico, tá? Mas peraí, você dispensou ele por

quê? Você não tá acompanhando as estatísticas?

Não tem mais homem no mercado.

São 100 mulheres para cada dois homens. As mulheres estão indo embora, indo para

a China até, atrás dos homens. Ótimo, ótimo. Mais mulheres no mundo. E por que

você dispensou?

Irmãzinha querida, eu não tenho paciência.

Pra ouvir um macho falando por mais de 24 horas, entendeu?

Eu quero me divertir, eu tenho a minha vida, eu não quero compromisso, não

quero ninguém... Tá, mas eu quero e eu tenho, tá? Então quando você dispensar,

você espalma os homens, o que sobrar você capa, guarda numa sacola e me traz.

Mas eu acho que não é isso.

Não sei, eu acho que a minha foto não tá boa. Tá.

Eu te ajudo. E eu não uso filtro, né? Porque filtro é uma enganação.

Você marca como uma pessoa, quando você vê, você acha que é outra.

Diferença de altura, uma série de coisas. Olha só. Você me ajuda?

Eu te ajudo. Amanhã. Puxa aqui pra mim.

Amanhã, porque hoje eu preciso descansar a minha beleza.

Peraí.

Congela nessa posição.

Você acabou de me ajudar.

Os depoimentos de boa parte das pessoas. Foi bem ruim pro meu lado, vô.

Também, né? Eu sou a única herdeira.

Você não tem que se preocupar com isso, não.

Você é inocente. Você não fez nada.

Mas tem muito inocente preso. Tem muito medo do que possa acontecer com a

Adriana. Vô?

Que bom te ver aqui. Deus te abençoe, minha filha. O vô veio pra ficar.

É sério?

Isso é bom também.

É bom eu estar aqui com você.

Para servir como uma referência masculina para você mirar.

Isso é muito importante na idade que você está.

Eu vou pedir para eles servirem um jantar.

Obrigado. Já chamo vocês.

Olha aí, ó. Mais um, hein? Sem teto, sem berço, sem educação. Mais um morando

aqui. Justo ele, que tinha a maior birra com o doutor Arthur.

Decapoca tá aí, ó, tomando uísques com vocês.

Ai, tira a mão do meu negócio, chata.

O Toninho é uma ótima pessoa.

Tem um excelente coração, conheço há anos.

Ah, que ótimo. Leva ele pra sua casa.

Ô, Dinah, se situa, mulher. O que é isso?

Esses são os nossos patrões agora, entendeu?

Ah, nossos patrões. Não vem com essa conversa. Tem nossos patrões o quê? Tem

que tratar todos muito bem.

Ou então...

Pede as contas, amor.

Concordo. Você não tem uma roupa pra lavar?

Me deixa, me deixa. Tá toda, hein? Ai, tá toda. Me deixa, gente.

Aqui é o seu lugar, senhor Daniel, na cabeceira. Não, não, nada disso.

Não, nem vou discutir. Não.

Escute, você é a viúva do homem, é dona disso tudo aqui.

Você que tem que sentar aqui. Eu sou hóspede dessa casa.

Estarei sempre ao seu lado.

Pra sempre. Eu vou aceitar, pra não brigar com o senhor. É, não tem aceito

não. Não tem briga.

Fique à vontade. Ah, gente, aqui, dá licença. O senhor prefere um Pinot Noir

ou um Sirra pra acompanhar? Fez o quê?

Que raio é esse aí?

Ele tá oferecendo dois tipos de vinho pra poder combinar com a comida que a

gente vai comer. Qual que o senhor prefere?

Eu? Acho que é melhor você escolher pra gente, Edvaldo. Tá bom, então eu sugiro

o Pinot Noir, porque ele é um vinho mais elegante, com baixos taninos e notas de

cereja. Dá um vinho metido à besta, né? É isso?

Que nem você, né, meu irmão? Que assunto é esse?

Bom, então vai ser o Pinot Noir mesmo, porque ele harmoniza muito bem com o

medalhão que vocês vão comer agora.

Eu espero que apreciem. Obrigada, Edvaldo.

Com licença.

Vai servir o... Você. O que é, irmão?

Ah, eu...

Pronto, aqui o coisa aí.

É vinho?

Vinho? É isso que é? É vinho?

Aqui é tanto salamalé que é vinho. Tá bom, vô. Eu também aceito, de verdade.

Pronto. Obrigada.

Faz favor.

Obrigada. Bota um montantinho aqui, faz favor.

Tá bom. Só mais um pouquinho.

Não tem como fugir. Todo mundo que tava na festa do casamento vai ser chamado

pra depor, como sempre.

Acho que chegou, hein? Chegou, né? Vamos ver como é que tá hoje, né?

Dá uma chance, né? Pois é.

Obrigado. Valeu. Depois eu vou voltar lá, hein?

Tamo junto.

Aí, Fabinho.

Todo mundo que foi no casamento. Sim.

Você quem não foi? Você sabe se tinha alguém que tinha desavença com seu

padrinho? É difícil dizer, cara. Eu tava pensando nisso, mas é difícil dizer. Meu

padrinho conhece gente pra caramba. Conhecia gente pra caramba. É poderoso

pra caramba, entendeu?

Tem que pensar em todo mundo.

E todo mundo é muito... Ah, diga.

Ingrid. A sobrinha dele foi demitida da joalheria, não foi no casamento.

E tinha motivo de sobra pra tá com raiva dele. Coloca ela aí.

Ela não tava, né? Tinha falado dela ou não?

Não, ainda não.

Ingrid sobrinha.

Ingrid sobrinha. Quem mais? Quem mais?

Quem mais, quem mais, quem mais, quem mais, quem mais?

Ah, Clebinho, tem uma pessoa que a gente não falou.

Quem? O seu Otoniel, avô. Quem é o seu Otoniel, avô?

Ele não foi no casamento e depois eu ouvi dizer que ele era contra o

casamento e alguma testemunha ouviu ele dizer que era capaz de matar o Arthur.

Isso aconteceu.

Tem que estar aí.

Peraí, mas você conheceu ele, você acha que ele seria incapaz de... Não, não é

que eu acho.

Eu acho que as pessoas são, enfim... A gente não conhece as pessoas, né,

Clebinho? Mas pela impressão que eu tenho do seu Otoniel, ele parece ser uma

pessoa muito honesta, com um coração muito bom, capaz de falar uma coisa

assim na hora da raiva, eu nunca fazei, entendeu?

Mas ele falou.

E as pessoas ouviram.

Agora, funcionários da joalheria, por exemplo, a gente não colocou. A gente

não conhece, não sabe quem é, pode ter alguma coisa trabalhista. Isso é

importante. Né?

Alguma raiva que a gente não sabe.

Então tem que colocar, tem que investigar a joalheria direito.

É, Pedrão, vamos checar, né, irmão?

Tá, tá muito ruim essa pista.

Ela foi piorando, você percebeu?

Você acha? Ela foi piorando.

Você esperou alguém? Eu não.

Você pediu alguma coisa a mais? Não, acabou de chegar. A cervejinha, acho que

acabou.

Oi.

Já subiu?

Falta o seu Danúbio. Não, não, não. Quem já subiu? Eu vou deixar vocês aqui.

Clebinho, a gente conversou sobre isso, cara. Você prometeu pra mim. O seu

Danúbio tá deixando as pessoas subirem sem autorização.

Confia no seu sócio, tá bom?

Sério que você vai fazer isso comigo?

Já volto. Até já.

Opa, sério mesmo?

Tudo bem?

Sim.

Nós precisamos conversar.

A gente não tem mais nada para conversar, pai.

O que é isso aqui? Eu vou levar para a Tchutchu passar isso aqui. Não vale a

pena para ninguém.

Olha aí!

Olha o que você fez com a roupa. Marquei com cara.

Antes eu conhecia isso com o aplicativo. Eu tirei a foto do meu perfil. Eu

coloquei a sua.

Mas a Adriana baixou lá no apartamento de mala e cuia. Ela tem que confrontar a

Adriana para ela explicar tudo isso. Não, não daria. Ela não deixaria nem eu

entrar naquele apartamento.

Mas eu sei onde ela vai. Na verdade, já deve estar a caminho. A caminho da

joalheria. Já veio dar uma limpada no caixa da joalheria?

Se eu quisesse fazer uma retirada, eu...

Poderia.

Você... Não.

Oh, oh

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