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Original subtitles

E aí

Ah, é você, querido.

Oi.

Assim que eu dei as costas, você foi até lá, abriu o cofre e pegou o dinheiro.

Onde foi que você escondeu? Não toquei naquele dia.

Nem estive perto da delegacia hoje. Eu estou a porção. Se eu tivesse apanhado o

dinheiro, você estaria aqui esperando?

Mas o cofre está vazio.

Vamos lá.

Cláudio. O que é?

Não gostei.

Está bem, Elisa. Entendi. Não gostou. Mas por que transformar isso num cavalo

de batalha?

Não estou entendendo o que você está falando.

Vamos descer pela escada. Esse elevador pode estar quebrado.

Não está entendendo porque não está querendo entender.

Aliás, tem muita coisa que você não está entendendo.

Estamos atrasados de novo. Também você nunca consegue sair de casa.

Estamos sem empregada, né, Cláudio?

E aquela que a agência ficou de mandar?

Eu não sei. Ela não apareceu?

E agora que eu me lembrei, eu tenho que passar na casa da Beatriz para deixar o

cheque. Agora que acabou de danar tudo mesmo.

Ô, Cláudio, está levando o cheque?

Dá a maleta aí, vai.

Obrigado. Você não vai demorar.

Eu posso pegar um táxi. Não, Elisa. Uns 10 minutos no máximo. Eu também estou

com pressa. Eu tenho que visitar os clientes da venda da mansão. Tá.

O

que

aconteceu? Está sendo perseguido? Não, eu estou atrasadíssimo. A Elisa está me

esperando lá embaixo.

Fecha a porta, Cláudio. Tá.

Eu estava ainda agora falando no telefone. Me desculpando com a escola do

seu filho.

Disse que vou pagar hoje sem falta.

Isso se você trouxe o cheque, é claro.

Quanto é mesmo?

Claudio, sinceramente, você não sabe quanto é?

Oh, filho, tudo bem?

Beatriz, se você não me disser quanto é, eu não posso preencher o cheque. Muito

bem, doutor Claudio. Faça-me a extrema gentileza de preencher o cheque para que

eu possa ir ao banco retirar o dinheiro.

A quantia é 220.

220 mil?

Começou.

Bom, já tivemos a cena do espanto.

Sim, dona Beatriz, a cena do espanto.

Porque a senhora faz questão de incluir no preço do cheque o valor do piano.

E a gente não decidiu ainda se compra ou não.

Eu já decidi há muito tempo que ele vai estudar piano, Cláudio. E para estudar

tem que comprar o piano. Então se não for comprar, por favor, diga a ele que

não vai, que é para ele parar de me torrar o saco. Porque eu já me livrei de

você, Cláudio. Mas eu estou criando outro chato igual a você. Tá bom, tá

bom, não se fala mais nisso. 220 mil.

Então, 220 mil, se é esse o preço da paz.

Da próxima vez que ouvir a sua mãe dizendo que o senhor reclamou porque seu

pai não teve dinheiro para comprar alguma coisa, não só não se compra, como

serei eu então que vou torrar o seu saco.

Entendeu bem?

Você sabe muito bem. Se não fosse por ele, a nossa conversa ia ser muito

diferente. Ah, o problema é ele, Cláudio?

Ah, mas não tem problema nenhum, Cláudio. A gente pega e a gente mata

ele. Tira a mão do menino. Enquanto ele estiver vivo, a conversa vai ser muito

diferente.

Eu acho, dona Beatriz, que daqui pra frente... a nossa conversa devia se

restringir ao estritamente indispensável.

Acho ótimo. É.

Ah, filho.

Sexta-feira eu volto pra te apanhar, tá?

Tchau.

Cláudio.

Você esqueceu de assinar o cheque.

Nós compreendemos perfeitamente a situação dos senhores.

Quando se nasceu e se criou numa casa como esta, é muito duro se desfazer, não

é?

Eu garanto que podem contar com a correção e a tradição da nossa filha.

É, eu sei que não é nenhum consolo, mas...

Bela casa.

Por favor, coloque na caminhonete.

Cuidado.

Calma.

Ela está chorando. Tudo bem, amor?

Tudo bem.

Podem ter certeza que fizeram o melhor negócio dentro das circunstâncias.

Amanhã, às cinco da tarde, nós temos que estar no cartório para assinar as

escrituras.

Grande jogada, hein?

Grande jogada.

O melhor negócio que pintou aqui até hoje.

É, mas eu confesso que eu estou com um pouco de pena dos herdeiros.

Ô, Cláudio, o viaduto ia passar em cima da casa deles.

Era uma casa desvalorizada.

Se eu conseguir, através dos meus contactos, impedir a construção do

viaduto, o mérito é meu.

Lógico que a gente não vai contar isso para eles, né?

O mundo está construído em cima de cadáveres.

Garotão, ganhou uma galinha morta. Porque eu gosto muito de você.

Fala a verdade.

Gosto muito de você.

Será que posso continuar amando meu marido sem prazer?

Será que o orgasmo é a coisa mais importante no casamento?

Estou confusa.

Posso lhe ser útil em alguma coisa?

Estou só olhando. A vontade.

Fique à vontade.

Elisa. Sim?

Você está com uma cara tão triste.

Eu estava pensando em mim e no Cláudio.

Tive uma vez.

Nós fomos numa festa.

Estava dançando.

A gente foi se apertando, se agarrando, se beijando, até que Cláudio não

aguentou mais.

Ele pegou na minha mão, me levou para o jardim, procurou um lugar bem escuro.

E sem me dizer nada, me encostou na parede.

Levantou minha saia.

E entrou em mim.

Foi tão bom.

Há quanto tempo foi isso?

Sete anos. Quando a gente se conheceu.

Dona Leda, estou saindo.

Elisa, há quanto tempo você não goza?

Há três anos.

E por que você não me disse isso antes?

Por que você não percebeu até agora?

Você já falou isso para o seu médico?

Já. Tudo bem. Nenhum problema comigo.

Ele disse que está tudo bem.

Você quer dizer que tem algo de errado comigo?

Eu nunca tive esse tipo de problema, né, Elisa?

Eu sempre trepei muito bem.

Disso, pelo menos, eu tenho certeza.

Eu estou tranquilo.

Pensa bem, Cláudio, pensa bem. Os herdeiros estão fazendo negócio com

você. Mas pela firma do Aristides.

Mas com você, é só mudar a escritura e fechar o negócio em teu nome. O meu tio

entra com o dinheiro por fora.

Aos herdeiros o que interessa é o cheque. E o cheque eles vão ter de

qualquer maneira.

Legal e visado.

Mais tarde, com a venda da casa sem o viaduto, o meu tio leva o dele e a gente

entra numa puta de uma grana.

Não sei, Dino, acho isso muito perigoso. Mas não é crime?

Crime não é, mas é uma grande sacanagem.

Sacanagem, de qualquer modo, você já está fazendo com os herdeiros. Mas isso

faz parte da profissão.

Claudinho, Claudinho.

Se a tua honestidade não servir para faturar, vai servir para quê? Mas o

Aristide sempre me tratou muito bem.

Claudio, não diga besteira. Não seja ingênuo.

Você nunca leu Marx?

Todo patrão explora sempre o empregado.

Claudinho, acabou a rotina que mata.

Todos os problemas estão resolvidos.

Que tal?

E a escritura falsa? Você lava a escritura no nome do Claudio e no meu.

Na hora de ler o nome do comprador na escritura, você passa por cima. É uma

coisa que eu sei fazer bem e rapidamente.

Saúde. Obrigado.

É uma escritura.

Amanhã então, às cinco da tarde.

Quanto é que eu levo nisso?

Lúcio, por favor, completa aqui.

Pois não, doutor.

Lúcio, você já foi corno?

Já fui, sim, senhor.

Mas agora eu sou viúvo.

Matou sua mulher?

Não, não, não, senhor. Eu só dei umas porradas nela, na época.

Eu sou o corno. Eu sei, sim, senhor.

E assumo.

Muito meritorio de sua parte, Sr. Joubert.

E, finalmente, quanto é que eu levo nessa jogada?

Um por cento do lucro.

Amanhã às cinco em ponto de la tarde.

A hora em que a norma prefere para me cornear.

Vamos entrar, pessoal. Estão com vergonha, é?

Oi. O meu amigo Cláudio e o Gilberto.

Oi. É ou não é um lugar interessante, hein?

É só você mesmo para descobrir esses lugares, né?

Introduz isso aqui na frente da mulher que o marido viajou. E esse outro atrás

da mulher que o marido viajou. Agora esse outro aqui é o antediluviano. Ainda

tinha a crista.

Olha aí. Esse aí é o tamanho estándar. Tamanho de família. Igualzinho ao meu.

Não para com isso de novo.

Mas, ô, Dudu, nós vamos lá atrás, porque lá tem coisas muito mais interessantes.

Vamos lá.

Mas digam o que disserem.

Um cacete duro ainda é uma figura que impõe respeito. É uma coisa muito séria.

O senhor não acha? Mas, claro, é a mercadoria que mais vendemos aqui.

Ah, para com isso, Dino.

Olha aí.

Esse aqui é o sempre virgem.

Esse aqui é o sempre duro.

O perigo é usar os dois juntos. Já imaginou? Esse aqui deixa ela muito

apertadinha. E esse aqui deixa ele sempre duro. Corre o risco de engatar e

não desengatar nunca mais.

O pensamento dos produtos todos aí, hein? Quer ver como o Claudinho gosta?

Claudinho, sente só.

Que coisa.

Sacanagem comigo mesmo.

Massagem de pau.

Dudu, ainda tem aquela linguinha tipo pirarucu?

Me vê três, por favor.

Chega aqui, Cláudio.

Para aí.

Bem, eu espero que depois dessa demonstração vocês façam um bom uso do

produto. E cuidado quando usar para não esfolar.

Ô, Dudu, põe na minha conta aí. Vamos embora. Vamos embora.

O

que

é isso?

É... bobagem. É a brincadeira do Dino que ele pôs no meu bolso.

O que é?

É uma capinha de borracha.

O que põe na língua?

Deixa eu ver.

Já disse que é bobagem, né, Elisa?

Ah, deixa eu ver, Cláudio.

Isso se usa?

Velho, usa.

Por que velho? Ah, porque velho precisa, Elisa.

Ih, que história é essa, hein? Ah, Cláudio, que papo é esse? Eu só tô

falando da linguinha. Mas eu não quero falar da linguinha. Olha, você não quer

falar de nada. Faz tempo que você não quer falar de nada. E não querer falar

disso, eu não querer falar de nada? Ah, Elisa, o que é que a linguinha tem a ver

com isso?

Cláudio, a linguinha só foi um exemplo.

Eu queria ver e você não deixou.

Você quer ver?

Está ótimo, é isso então, não é?

Está aí, já viu?

Está satisfeito agora? Se você quiser que eu use, eu uso.

Se quiser, eu uso.

Porque senão depois você vai dizer que eu fugi do papo, não é? É, então use.

Usar como?

Usar como, Elisa?

Você não é tão machão? Use.

Você está brincando. Eu não.

Escuta, qual é a tua?

Já que você não quer conversar sobre os nossos problemas, pelo menos você podia

partir por um pouco de ação.

Olha que você está me desafiando. Não desafia não, porque eu tenho muita

coragem para usar essa linguinha. Então usa, já que você é tão macho.

É isso que você quer, não é? Pois então vai ter. Eu uso.

Tome posição, por favor. Vamos lá. Espera aí, Cláudio. Vamos conversar.

Não, você quer linguinha? Vai ter linguinha. Cláudio. Não tem nenhum

problema. Cláudio, por favor. Eu sou homem inteligente. Cláudio.

Cláudio. Cláudio. Cláudio.

Cláudio.

O que você viu?

É ali, seu Manoel, ali, ali. Pouco, aqui, aqui. Põe aqui, aí. Aí, aí.

Oi, mãe.

Oh, filho belo.

Como é que você está? Está tudo bem? Tudo bem, mãe.

Mas deixa eu te olhar.

Está meio branco hoje, é?

Não dormiu direito essa noite?

Ah, já sabe.

Que rio?

Mas fala, o que foi que aconteceu, é?

O que foi?

Perdeu a língua, é?

A estilha, os herdeiros desistiram da venda.

O que é isso?

Está de cara cheia? Não.

Quer falar comigo?

Quero.

Entra e fecha a porta.

Se você estava de saída, eu posso falar depois do almoço.

Não, não, não. Senta aí.

Bom, então, o que é que está acontecendo?

Aristides, eu posso pegar um cigarro?

Eu parei de fumar há muito tempo.

E sempre que eu fumo, acontece isso.

Ah, isso aqui vai resolver a vida da gente.

Todos os nossos problemas.

Muito bem.

É, eu aceitei a proposta do Dino. Em princípio.

Mas eu queria que você visse o lugar.

Na hora me deu um acesso de tosse e eu não consegui mentir para Aristides

dizendo que os herdeiros tinham desistido da venda. Aí você me trouxe

aqui para ser sua cúmplice.

Ah, isso é uma decisão só sua.

Não, não é uma decisão só minha não. Fala, Elisa. Mas eu não tenho nada a que

falar. Você que entende desse ramo. Mas isso é um assunto que envolve nós dois.

Eu tenho que discutir isso com você, Elisa. Não, precisamos discutir muitas

coisas.

Tá bem.

Tá bem.

Acontece que a assinatura é hoje e eu tenho que decidir isso daqui a uma hora

e meia. E então?

E então o que?

Você está de má vontade comigo, não é, Elisa?

Você está sempre fugindo do papo comigo.

E agora você quer bater papo sobre a casa.

Meu problema não é a casa, Cláudio.

E qual é o teu problema?

O meu problema, Cláudio, é que eu quero gozar.

Gozar.

Como ontem à noite.

Como ontem à noite.

Você não goza com meu pau, mas goza com a linguinha.

A gente faz o que pode, já que você não me come direito.

Ah, então eu é que não te como direito? É, você não me come direito. Você não

fala comigo direito e você nem me olha direito.

É, estou tonto, estou tonto. E se você quer saber, eu não entendo mais nada.

Ei, o que é isso? O que é isso, Elisa?

Mas afinal, o que você está querendo?

Eu já te falei, eu quero gozar.

Ah, você quer gozar?

Pois então vou te fazer gozar, só que vai ser no meu pau.

Comigo é de pau mesmo.

Se você quiser linguinha, você procura um velho ou um brocha. Porque enquanto

for comigo, vai ser de pica.

Meu Deus, por que um homem tem a obrigação de fazer uma mulher gozar?

Ah, meu sonho acabou.

Me dê mão.

O problema do sexo está na cabeça da gente.

Dá um tempo, tá?

Me

dá um cigarro,

por favor.

Ok, Linguinha.

Você venceu.

Já fiz sacanagem antes, mas nunca desse tamanho.

Eu não vou ter coragem para fazer isso.

A parte 1, contratante, presente, etc, etc.

E como assim disseram da fé e me pediram que lavrasse a presente escritura, que

sendo feita e lida em voz alta e pausadamente.

E assim não, etc, etc, etc.

O senhor pode assinar aqui.

Por favor, aqui.

Taxi!

Você não acha estranha a roupa que eu estou usando?

Estranha? Como?

Eu não sei, parece que não é minha.

Faz quatro meses que você trabalha aqui e ainda não se sentiu atraída a usar uma

roupa que gostasse?

Eu gostaria de me vestir de outra forma, mas eu não sei de que maneira.

Por favor.

Quanto é esse vestido?

Esse modelo é 42.

Para a senhora, no mínimo, 50 ou 52.

E nós não temos.

Por isso, com licença.

Posso te ajudar?

Será que a roupa pode mudar uma pessoa?

Que deseja linda.

Essa Elisa que sorriu no espelho me assusta.

Alguma coisa nova está nascendo dentro de mim.

Estou excitada com a ideia que a minha vida pode mudar de repente.

Trazei um pouco, não é?

É, um pouco.

Eu já pedi a comida, porque tenho que voltar logo para o escritório.

Ah, está bem.

Vestido novo, é?

É, foi a Leda que me deu.

Você está sem sutiã?

Sim.

É a moda, não é?

É, com esse tipo de roupa não se usa, Sujin.

Posso dar um gosto? Claro.

Você ainda gosta de mim?

Claro.

Tem certeza?

Tenho, bobinho.

Mas por que você fez essa pergunta?

Por nada. Por nada. Só por perguntar.

Vamos jantar hoje na casa do Dino?

Vamos.

A comida está demorando, não é?

O que houve?

Posso servir o almoço, madame?

Merda, merda, merda.

Eu sei que você tem experiência, Joubert, mas eu não estou acostumado.

Ah, acostuma.

Quando eu vi ela pegar o bilhete, sim, eu fiquei fulo. Quando o bilhete caiu no

ralo, desesperado, e na cara de pau, na minha frente, Joubert.

Cláudio, vai por mim.

A Elisa não é mulher de um homem só, tu já sentiu, não sentiu, Cláudio?

Se segura que lá vem chifre. Ah, você segura. É tudo uma questão de filosofia.

Sei lá.

Claro.

Obrigado.

Eu sei que pode parecer complexo de culpa.

Mas é que ultimamente eu tenho deixado o Marcelo muito pra lá.

Faz tempo que eu prometi pra ele um trenzinho elétrico. E toda vez que eu

entro numa loja de brinquedo, dá vontade de comprar tudo.

Pois é.

A dor de corno é uma coisa que se você sente a primeira vez, ela fica sempre

gravada na sua consciência.

Quando a Norma me corneou pela primeira vez... Ah, Claudinho!

Você não sabe como dói uma primeira vez.

Quando ela me corneou pela segunda vez, eu saí de casa e fui para o fim da fila.

Porque eu queria ser comido.

E quanto mais ela me corneia e mais eu aguento o tranco, melhor ela me come.

E aos caras também, é claro.

Saber que ela num determinado momento pode estar com um ou com outro, me faz

pensar com certo orgulho.

Aquela... É minha mulher.

Quer dizer, a palavra cor... é uma palavra muito relativa.

Você vai ver.

Moço, está pronto.

Obrigado.

A gente tinha acabado de ficar noivo.

Aí ela ficou com tesão num guarda rodoviário.

O cara tinha parado a gente para pedir os documentos.

Na mesma semana ela voltou lá e comeu o cara.

A Norma curte me ver numa dor de corno daquelas rastejantes mesmo.

Aí é quando ela fica mais feliz.

Aí ela pisa, deita, rola, sapateia em cima. Uns que não aguentam ficam broxas.

Outros tentam suicídio.

Mas eu não. Fiz dela.

E quando alguém jogar pedras, por que vão jogar?

Porque muito pouca gente respeita um corno.

Com licença.

Com licença.

Ô, Cláudio, te contei a última que a Norma me aprontou no restaurante? Não.

Não? Não.

Vem cá, você está de carro?

Não. Então o que a gente está fazendo aqui na garagem?

Eu fico em São Paulo por necessidade.

Ué, você não é paulista?

Nasci aqui, mas o meu temperamento se afina mais com o meu.

Aceita um salgadinho?

Obrigada. Eu sou sacana por natureza.

Aceita, benzinho?

Aceito.

Obrigado. Quer?

Se você soubesse.

Os canapés são deliciosos. É, é uma bobinha. Não sabia nada.

Agora está maluco.

Qual é aquele?

É da irmã do Dino.

Ah, pinta.

Pinta.

Mas eu não gosto muito não, sabe?

Pintura para mim tem que ser um mar, uma pessoa, um cavalo, alguma coisa que você

olhe e saiba o que é.

Para de falar bobagem, vizinho.

Não sei, Elisa, mas pra mim esse quadro parece mesmo é uma bunda. Você não acha?

Uma bunda caída.

O que que os meninos estão cochichando?

Dino, a gente tá dizendo que o quadro da tua irmã parece uma pera.

Caída.

Eu sempre achei que esse quadro parece uma bunda.

É da minha irmã. É? O quadro. Ah.

E a bunda.

Esse maxi desvalorização vai acabar com o nosso negócio.

Eu não entendo nada de economia, mas o cruzeiro foi desvalorizado em 30%, não é

isso? Como os homens se levam a sério. Sabe o que eu acho? Todo homem devia

chupar um pau um dia.

Você já imaginou aqueles dois? Um chupando o pau do outro.

Isso aí, mostra a graça.

Ah,

alguma receita de bolo.

Ah, sacanagem com a gente.

Eles iriam perder essa pose.

Silly, venha aqui pegar gelo para nós.

Vai de bobagem.

Vai buscar os croquetes.

Ei, vocês dois aí.

Não adianta fingir que não está me vendo, não.

É, sei que vocês estão me ouvindo.

Para com isso, Sueli.

Você parece uma criança.

O que afinal é tão engraçado?

É que eu fico imaginando você... chupando um pau.

Para com isso imediatamente. Não grita comigo.

Não para com essa injustiça.

Estúpida, cretina.

Elisa, vamos para casa.

Vai, levanta. Vamos embora.

Nós já estamos indo embora.

Vocês dois que sentem uma conversinha, ouviu?

Eu vou ficar.

Calma aqui.

Em casa a gente conversa.

Vamos embora.

Minha...

Não, eu trouxe cinco.

Olha, está tudo bem, Dino. É que o fecho da maleta enguiçou e... Sei, sei.

Olha, eu estive pensando.

Tudo o que aconteceu ontem foi muito desagradável, viu?

Eu também exagerei um pouco.

A Sueli só foi parar de rir a uma da manhã. E depois só foi parar de chorar

às quatro. Porque eu tive que dar-lhe umas bolachas. Umas porradinhas, só para

acalmar.

É tudo realmente desagradável.

Me dá a maleta, Dino.

Está baixo, hein?

Nem é especial.

Você já experimentou dar umas porradas nela?

Porrada? É.

Vai ver que é o que está faltando.

Às vezes elas precisam, que nem criança.

Sabe, Dino, eu preciso te dizer um negócio.

O pior... é que essa loucura toda começou com aquela linguinha.

O quê?

Você usou a linguinha na Elisa? Na sua própria mulher?

Eu estou muito aflito porque isso não é só com ela.

É comigo também.

O que está acontecendo contigo?

Não sei.

Você sabe, eu nunca tive problemas.

Eu nunca tive esse tipo de problema. Eu já fui casado duas vezes. Eu tenho um

filho.

Você broxou?

Broxei. Numa boa.

Boa? Você broxou numa boa?

É.

Dá licença.

Estou à vontade.

Alô? Minha mãe?

Olha, diz que eu ligo depois.

Eu estou tratando de um assunto muito importante.

Sabe, Claudio, eu estive pensando na tua brochura. Sabe, não existe homem brocha.

O que existe é homem assustado. E o que assusta é desconhecido.

Sabe aquelas menininhas que a gente estava falando da suruba do Aristides?

As irmãs Fonseca? A gente vai agora na hora do almoço no hotel de um conhecido

meu. Gente muito fina. Se você broxar, broxou. Olha, mas com elas eu te garanto

que você não vai broxar.

Elas levantam até financiamento do Banco Central.

Não, Dino, não.

Não, Dino, não. Para com isso.

Até que enfim, Aristides, são elas. Opa, é hoje, é hoje. São elas.

Com vocês, as incríveis Irmãs Fonseca.

Esse aqui é o Aristides, o patrão. Esse aqui é o Clown. Essa aqui é a Janete.

Essa aqui é a Marinette. Essa aqui é a Sueli, o mesmo nome da minha mulher.

Toma pra você.

Essa aqui é a Marinette, a rainha do Minette. E essa é a minha.

Aristides, você vai comer a Sueli, mas não vai pensar na minha mulher, pelo

amor de Deus.

Isso, Dino. Você me conhece? Ou você prefere a Janete? Olha só o peitinho

durinho que ela tem.

E a bundinha da Sueli, você já viu?

Olha só.

Você é uma mulher muito bonita.

Obrigada. Estamos aí.

As ordens?

As ordens.

Olha lá.

Olha lá o quê?

Não, nada.

É brincadeira. Você é gozado, sabe?

Gozado?

Reparou que ainda nem me tocou?

Ai,

que mão fria.

Eu tenho pressão. Ai, não para.

Minha mãe também tem. Ai,

para.

Olha, qualquer coisa a gente sai do lado.

Ah, meu bem.

Não liga para isso.

Isso acontece com qualquer um.

Principalmente com as pessoas de maior sensibilidade.

Seu amigo Dino, por exemplo, jamais ia acontecer isso com ele.

Trocar de fonseca!

Sim, vem, vem aqui.

Lisa.

Está na hora do almoço.

Vai almoçar você primeiro.

Quando você voltar, eu vou.

Eu não estou com fome. Vai você.

Vai,

sai um pouco. Não precisa voltar logo.

Vai, vai te fazer bem.

Caminha um pouco.

Ânimo.

Vai.

Deixa eu sentar aí perto.

Deixa eu botar a língua no teu reggae e vim subindo.

Posso lamber tuas coxas por dentro.

Lamber os teus peitos.

Morder essa bunda gostosa.

Ah, já sei. Você quer segurar meu pirulito.

Tudo bem aí, Claudinho? Tudo bem. Tudo bem mesmo?

Olha, o Aristides mandou convidar vocês para uma conta conjunta lá com a gente.

Vamos lá? Vai indo, Dino. A gente vai lá.

Dino, socorro!

Lá vou eu!

Vai você na frente. Depois eu vou.

Não.

Com dois não deu certo.

Olha, quem sabe com todo mundo junto.

Segura que ninguém está olhando.

Estou sentindo o teu cheiro gostoso daqui, minha gata no cio.

Como é teu nome? Diz, diz. Diz que eu vou dedicar uma para você.

Está bom.

Está bom demais.

Você é uma inspiração. Você é uma mulher sensacional.

Você é linda.

Olhe para cá.

Olhe.

Deixe-me. Veja como vai ser lindo.

Está crescendo.

Está crescendo.

Não aguento mais.

Estou gozando em tua homenagem.

Os herdeiros desistiram da venda.

O quê?

Pedro, antes de fazer as entregas, dê uma arrumada no estoque, tá?

O que aconteceu, querida?

Que horror.

Me ajuda.

Vem.

Pedro.

Elisa, pode confiar em mim. Eu sou sua amiga. Fale.

Leda, eu não sei o que aconteceu comigo.

Eu saí à rua. Os homens passavam a mão em mim. Começaram a falar coisas

horrorosas. Tinha um homem no banco do jardim que começou a fazer umas coisas

estranhas. Eu não sabia o que fazer.

Eu queria ir embora dali. Eu queria fugir, mas eu não consegui sair.

Eu fiquei parada lá, Leda. Eu não sabia o que fazer.

Tensão. Eu fiquei louca de tensão.

Tive uma vontade louca de dar. Mas dar para quem? Para quem?

Me desculpem, vou entregar as encomendas.

A loja está fechada.

Oi. Pensei que não viesse mais.

Recebi seu telefone e vim.

Mas hoje não é meu dia de ficar com o Marcelo. É que eu tô indo viajar,

Cláudio. Viajar?

Pra onde?

Eu tô indo pra Argentina. Vou passar umas duas semanas.

O que é que você tem na Argentina?

É o Ronaldo.

Quem é o Ronaldo?

Ronaldo? É o namorado que eu arranjei.

Você nunca me falou nele?

Eu nunca te falo nessas coisas, né, Cláudio?

Mas afinal, por que você quer saber?

Mas isso até que eu ia te falar, sabe?

Porque a gente começou a namorar e... E de repente começou a ficar bom, bom.

Nossa, eu estou atrasadíssima, Cláudia. Daqui a meia hora eu tenho que estar no

aeroporto.

Eu estou excitada como uma adolescente com essa viagem.

O Ronaldo me disse que a Argentina é um lugar... Não vai me dizer que ficou

apaixonada.

Bom... Em todo caso, a gente foi entrando numa boa, né?

Sabe, Cláudio, eu estive pensando muito, muito ultimamente em nós dois.

Eu acho que muito das minhas brigas com você não é culpa sua, não. É culpa minha

mesmo. Você não tem nada com isso.

Outro dia mesmo, você lembra daquilo que eu disse?

Ah, são fases da vida da gente.

O que eu quero mesmo é que você viva feliz com a Elisa. Eu gosto muito da

Elisa. E gosto muito de você.

Cláudio. O que é isso, Cláudio?

Claudinho, sabe que o Ronaldo vai chegar e eu... É o Ronaldo.

Oh, meu amor.

Coisa gostosa.

Que saudade.

O táxi está lá embaixo esperando.

Como é? Estamos prontos?

Estamos sim, meu bem. Mas pega essa daqui primeiro.

Ah, Ronaldo, esse aqui é o Claudio.

Claudio, pai do Marcelo, meu ex-marido. Ah, prazer, hein?

Prazer mesmo.

Bom, nós temos que ir. Foi um grande prazer.

Vamos, então?

Claudio, fique à vontade. A casa é sua, viu?

E o Marcelo?

Ah, é verdade.

Eu já ia me esquecendo. Ele está lá em cima, atrasado como sempre.

Mas eu já me despedi dele.

Bom, até à vista, hein, Claudio? Quando sair, fecha a porta, tá?

Cláudio é um puta amigão. Você sabe disso, não sabe?

É, eu sei.

Ele é muito... como é que eu posso dizer?

Ele é muito... puro.

Muito... despreparado.

Você não acha?

É.

Falando sério, Elisa, você não acha? É, pode ser.

Sim, porque vendo a coisa assim do lado de fora, eu se fosse o Cláudio, eu

agiria de outra maneira.

Porque, falando sério, Elisa...

No outro dia lá em casa, eu não tinha visto o lado mais positivo da questão.

Esse lado mais terra-terra.

Mais animal da coisa.

É, mas eu amo o Claudio. Eu amo o meu marido.

Pelo amor de Deus, Elisa, não fale assim. Estou com medo.

Estou achando que você veio aqui para me comer.

Elisa! Não fale assim, pelo amor de Deus.

É uma coisa assim... que eu vejo e fico meio pirada.

Fico com tensão.

Eu sabia.

Eu sabia, tremenda gatona que você era. Eu vou te comer muito.

Me dá o cinto.

Me dá o cinto.

Me dá, me dá.

Toma, Dino.

Toma. Deixa eu bater.

Está gostoso? Está doendo?

Toma.

Sai para lá. O que é isso, Elisa? Agora que você ficou louca, você não vai

querer me deixar desse jeito, não é?

Brincadeira tem hora. Eu não consigo.

Eu não consigo.

Eu não consigo. Está bom, tudo bem. Vamos aos fatos.

O Cláudio está broxa, certo?

Eu sei, eu sei que vai passar, que ele está nervoso, mas a verdade é que ele

está broxa, certo?

Certo. Mas olha, ele é broxa, mas é meu marido. Eu sei, eu sei, mas ele está

broxa e não vai saber de nada.

Ai,

ai, me solta, me solta, me solta!

Eu não consigo.

Agora você vai me desculpar, mas eu vou te comer, de qualquer maneira.

Vai? Vou.

Vem, vem, vem.

Vem cá. Vem cá.

Dino, me come.

Espera aí.

Você me desculpe. Fica para outro dia, tá? Vem cá.

Elisa, vem cá. Vem cá, sua louquinha.

Elisa, Elisa.

Não vem não, Dino.

Não vem não. Agora fica.

Se não for por bem, vai por mal. Não vem não. Eu já não me perdi.

Ai, Dino, Dino, desculpa.

Desculpa, mas é que você me deixou nervosa. Tá bom, tá bom. Não tem

importância. Se não der, não deu.

Eu te machuquei? Não, tá legal.

Não deu, não deu. Um bom lutador deve saber perder, mas a gente tenta, não é?

Olha o travesseiro aí.

Obrigada. Tá.

Olha, o cacete fica de presente.

Obrigada. Olha, não vai contar nada pro Cláudio. Fica entre nós dois, viu? Deixa

comigo. Olha.

Manda lembranças para Sueli.

Obrigado. Obrigada pela visita. Qualquer hora apareço com mais tempo. Tchau.

Oi, rapaz, eu vim te procurar, mas agora não vai dar porque eu estou com muita

pressa. Mas qual é o assunto?

Vários, vários.

Mas agora não dá porque eu estou com pressa mesmo.

Distraído, distraído.

Desse jeito o passarinho vai fugir.

Crescidinho, não?

Tchau, Cláudio.

Você gostou, não é, tio?

É, parece que você gostou.

Que bom que você tenha gostado.

Porque eu gosto muito de você, viu?

A mamãe também gosta muito de você.

Nós três nos gostamos muito.

A Elisa gosta muito de você.

A gente se gosta muito.

E é bom que você tenha gostado do trenzinho.

Bom, eu vou buscar uma chave de fenda para consertar o vagão.

Aqui a chave de fenda também não está.

Vai ver se você encontra na sala da bagunça.

Me dá isso aqui.

Fica brincando com o trenzinho.

Acabou. Acabou, chega, ponto final.

Brocha e corno.

É demais.

Olha aqui.

Brocha, tudo bem.

Corno, não.

Oi, filho.

Eu estou só de passagem, viu? Eu vim porque eu quero ver o meu neto. E eu

telefonei para a casa da Beatriz.

E a empregada me informou que meu neto estava aqui.

E eu não sei se vocês querem que eu veja o meu neto ou não, não é? Mas eu vim

porque eu quero ver o meu neto e porque é um direito meu.

Sim.

Eu não conversava.

Ela continua mesmo.

Vocês continuam brigando.

O que está acontecendo, filho?

Vá, conta para sua mãe.

Vá, belo, o que foi?

O que você tem, filho? Tem alguma coisa te incomodando?

Me diga, é uma coisa grande ou uma coisa pequena?

Sata!

Mas o que é aquilo?

Mas que jeito de colocar o quadro?

Mas o que é isso daí?

É vossa nova agora?

E eu não gosto desse quadro.

Quantos anos tem essa fotografia, hã?

Você vai ficar careca já já, que nem teu pai, viu?

Meu único objetivo, filho, é a concórdia, a paz familiar.

Vamos, agora vamos deixar de falar de assuntos sérios. Eu vim aqui pra ver o

meu neto. E nada desses clima pesado perto dele, hein?

Marcelo!

Marcelito, vovó está aqui.

Ah, como estão lindas, Floricônia. Como cresceram. Ah, estão

florindo.

Isso, minha gente.

É o caralho, Dona Corina.

Marcello.

Marcellino, vamos embora dessa casa, meu filhinho. Vamos, vamos, vamos. Vamos

embora daqui. Vamos, vamos.

Mamãe.

Mamãe. Oh, mamãe. Espera, mamãe. Deixa eu falar com você.

Mamãe.

Mamãe. Mamãe.

Elisa! Elisa!

Elisa!

Você envolveu meu filho e minha mãe. Não vem não, não vem não. Agora você vai me

dizer se deu ou não deu pro Dino.

Não era sua conta.

É, você tinha razão. Eu estava cego. Eu não tinha percebido quem era você.

Você ainda não viu nada.

Adúltera.

Adúltera, que bonitinho. Você não prefere chamar de puta, não?

É, puta.

Puta mesmo. Sua puta.

Brocha.

Não fala assim comigo, hein, Elisa?

Brocha.

Mínimo de carinho, né, Elisa?

Brochinha.

Bruxudinho.

Broxinha.

Vem cá.

Vem, broxinha. Olha a broxinha da mamãe.

Você não gosta, não?

Povarde.

Olha aqui. Mexera.

Isso não te dá uma tesãozinha, não?

Não quero mais ver tua cara, vira.

Oh, broquinha, vem cá.

Broquinha. Oh,

fofinho, vem cá.

Olha pra você, oh.

Vem cá.

Eu nunca te pedi nada.

Mas desta vez é questão de vida ou morte.

Endurece.

Santo Dino, não olhe.

Vovó, o que é corno? Mas onde você viu isso? É menino danado. E brocha?

Vamos embora, vamos embora.

Você já viu uma coisa dessas?

Agora nós vamos ver quem é que é brocha nessa casa.

Quem é mais tarado, eu ou meu amigo Dino?

Vamos ver agora se você aguenta. Nós vamos usar todas as traquitanas que ele

trouxe. Um pouco disso aqui.

Não, Cláudio, não.

Para com isso.

Sempre virgem.

Ai, Cláudio.

Para com isso.

Abre. Cláudio.

Aqui, companheiro. Sempre duro. Não foge, não.

Agora você vai trepar com o King Kong brasileiro. Pelo menos o tamanho do pau.

Se você não gostar com isso aqui, não gosta com mais nenhum, viu?

Sua bruxa bruxa. Não pode, não. Vem cá. Vem aqui.

Tira essa roupa. Está gostando? Está sentindo?

Eu não sou bruxa. Vou mostrar para você.

Olha que situação nós chegamos.

Cláudio, tínhamos combinado que não íamos falar.

Não era isso que você queria?

Sacanagem, orgia.

Cláudio. Eu quero me separar de você.

O que é isso, Elisa? Você não entendeu nada.

Não vai entender nunca.

Não estou entendendo mesmo.

Agora, há pouco você estava me xingando de brocha.

Fiz um baita esforço para tentar te fazer satisfeita, feliz.

Agora você vem falar e se separar de mim.

Não é assim, não. Eu apenas queria ficar juntinho. Mas você não. Você vinha

sempre com seu pau duro.

Toda vez que eu precisava de você, quem vinha na frente era seu pau.

Que se satisfazia e caia fora.

É, mas quando eu fiquei broxa, você me sacanhou. Eu preciso de um homem da

cintura para cima, não preciso de um pau.

Porque como homem, você é um broxa.

Porque broxa ou não broxa, você é sempre broxa. Porque você é broxa da cabeça.

Você é um broxa de pau duro.

Olha, eu vou para o quarto fazer minhas malas.

Você não está falando sério, né, Elisa?

Tira! Nós estamos presos.

Calma, Elisa.

Vai devagar. Espera aí. Muito devagarzinho. Está doendo. Espera aí.

O que a gente está fazendo no quarto da empregada?

É que aqui está minha mala.

Então você está falando sério, é?

É lógico que estou. Eu vou embora.

Sai, sai.

Vai devagar, vai devagar. Com calma.

Está doendo.

Devagar.

Tira, sai. Estamos engatados.

Ah,

já sei. Só pode ser outro homem.

A campainha está tocando.

O elevador está enguiçado.

É, sim.

Era só faltava chegar a visita agora.

Que lisa.

Eu nunca pensei que você fosse capaz de uma coisa dessas.

Eu estou arrumando minhas malas. Quer me ajudar?

Claro. Não, não, não. Espera aí, espera aí, espera aí. Não, você não vai embora

assim, não.

A gente precisa conversar.

Por exemplo, você ficou buzinando aqui.

Eu que tinha problemas, que o problema era eu. Quando na verdade o problema era

você. E pensar que eu te amei, Cláudio. Eu te amei muito. Eu devia estar louca.

Eu não posso ter me apaixonado por um... Você.

Eu também pensei que você era a mulher da minha vida.

Eu que estava louco. Você me enganou, Cláudio. A mim ele nunca enganou. Você

cala a boca, sapatona.

É a puta que o pariu.

Mamãe.

Bom, eu deixei o Marcelo no lugar seguro.

E voltei para vocês me dizer o que está acontecendo aqui.

Exatamente, tim-tim por tim-tim, entre vocês dois.

Mas que é essa mulher?

É minha amante, dona Corina.

Amante?

Hum, bonito.

Filho! Filho, não se preocupe. Faz as malas, vamos embora.

Vamos voltar para casa.

Lá você tem seu quarto, tem seu cantinho, filho.

Você não precisa ficar aqui e aguentar essas... essas viciadas.

É isso mesmo, dona Corina. Leve ele para casa, dá banhinho, passa talquinho e põe

na caminha para dormir.

Afinal, quem quer o marido broxa?

Espera aí, Elisa. A minha broxura já se tornou pública?

O meu filho é muito homem, viu? Sua serigaita! Minha senhora, não vai tapar

o sol com a peneira.

Broxa é broxa. Vamos com calma, Leda. Marido é meu e quem tem o direito de

chamar ele de broxa sou eu.

Na minha vende, você não vai chamar o meu filho de broxa, viu?

Sua prostituta.

Espera aí, mamãe, calma. Aqui quem tem o direito de chamar a Elisa de puta sou

eu. Então chama.

Eu chamo quando eu quiser.

Mas essa mulher transformou essa casa num bordel. Tá, mamãe, deixa eu resolver

meus problemas sozinho.

Você nunca soube resolver os seus problemas sozinho.

Sempre precisou da mama para resolver os seus problemas.

É por isso que eu estou nessa merda.

Eu estou nessa merda, mãe, desde o dia que a senhora me fez um chuca-chuca, me

botou uma blusinha bordada e me mandou para o colégio. E lá os meninos todos

ficaram passando a mão na minha bunda. Eu estou na merda desde o dia que a

senhora mentiu para a minha primeira namoradinha, dizendo que eu tinha outra

só para eu ficar sozinho.

A senhora sempre sacaneou a minha vida.

Não fale assim, Cosmo Amar. Falo sim, eu nunca falei, mas agora eu falo.

Por isso que eu sempre encontro esse casamento seu com essa mulherzinha.

Mãe, não se mete não com a Elisa.

A gente tem brigado, está com problema.

Ela está me abandonando, mas... Eu ainda não.

Ainda bem que teu pai morreu e não está mais aqui.

Para ver o estado que você ficou por causa dessa libertina.

Sempre desejei para você... Um casamento igual como foi o meu com teu pai.

Foram 30 anos de felicidade, de respeito mútuo, 30 anos de muito amor.

Mãe, eu nunca quis te contar, mas agora vou contar.

Quando o papai estava morrendo, ele pegou minha mão, olhou bem fundo e

disse... Filho, escolhe bem a mulher que vai viver com você.

Porque a minha vida com a tua mãe foram 30 anos de sofrimento. Além dela ser

burra, gorda e chata, ela é uma merda na cama.

Uma coisa eu vou te falar, viu?

Sabe o teu pai? O teu pai também foi um broche igual a você.

Leda, por favor.

Elisa, você me usou.

Me perdoe, se pudesse.

Fica comigo.

Eu te amo.

Bom dia.

Desculpe, nós estávamos no banho. Caiu isso na minha faranda.

Pensei até nem devolver.

Mas sei lá, talvez pudesse estar precisando. Não, muito obrigada. Não

precisamos mais disso.

Se o senhor quiser, posso.

Pode levar.

Obrigado.

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