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Zulu
Eu sou o pai.
Sou o pai.
Pai. Sou o pai.
Atento hoje nem eu tenho que bater cartão Mal piso na firma, tem serviço de
montão Eu sou boy, eu sou boy Eu
sou boy, boy, eu sou boy
Ando pela rua, pago conta, pego fila Vou
virar xerox e batalhar algumas filas, sou boy
Eu sou boy.
Eu sou boy.
Boy. Eu sou boy.
Na hora do almoço a minha fome é de leão.
Abro a barbita e o que tem?
Feijão. Chego o fim do mês com toda aquela euforia. Todos ganham bem, eu
aquela bicharia. Sou boy.
Eu sou boy.
Oi?
Tampinha! Você sabe que era ação?
São seis e cinco e eu perdi a carona do doutor Walter esperando por você,
gracinha. Pensa que é mole? Dei um duro danado. Só peguei fila, ônibus lotado.
Andei que nem um camelo. Fui pra cá, pra lá, pra cá, pra lá.
Chega de papo furado. Você vai continuar dando um duro, meu amor. Você vai levar
esses papéis lá em Pirituba.
Pirituba? Sim, Pirituba.
Eu tenho aula, Marlene. Dona Marlene Tampinha.
E eu não quero saber de aula, não.
Vamos lá com esses papéis.
Rápido.
O que você está fazendo aqui?
Eu sou o boy, eu vim trazer essa carta. Está aqui, cai fora.
Olavo Bilac foi um poeta cívico.
Um poeta que fez parte do movimento parnasiano.
Um poeta perfeito, digo, de rimas perfeitas.
De rimas ricas. Com licença, professora. Posso entrar?
Mas isto são horas, Antônio.
É que eu tava trabalhando, né? Sexta-feira, aquele trânsito todo, mó
tumulto. Sabe como é que é?
Está bem.
Pode entrar. Mas depois nós vamos conversar.
Obrigado. Oi, Suzy.
Oba! Como é que é?
E aí, gão! Como é que é, meu?
Como nós falávamos de rima rica...
Eu acho melhor nós esperarmos o atrasadinho se acomodar para nos
explicar o que é uma rima rica.
É, rima rica? É, quando a rima rica fica... Rica.
Rica.
Vamos.
Vem, Castanho. Tô indo, meu. É o seguinte.
Um amigo meu descolou uma droga que é da pesada.
Tô falando sério. Um tiquinho só faz a mulher trepar a noite inteira. Quê, meu?
Um tiquinho só? Um tiquinho só. Então mostra.
Tá duvidando, Gão? Pé-paeiro chegado.
Paeiro coisa nenhuma. Então a gente vai experimentar.
Em quem?
Ah... Como
é
que é?
Vai ensinar a lição pra gente?
Cafajeste.
Vamos.
Agora sim. Vem cá, fofinha.
A gente podia dar o pozinho pra elas.
Ô, Gão, pra elas ninguém dá nada.
Aí, meu, gamadão na SUS, hein?
Gamadão? Que isso?
A gente vai dar é pra professora.
Vambora. Vamo lá.
Alô, professora.
Foi uma grata surpresa.
Receber de vocês, meus alunos, um sonho.
Um sonho.
É um costume muito antigo.
E me comoveu muito.
Fiquei muito contente.
Muito obrigada.
Muito obrigada.
Muito obrigada.
E agora vamos...
Antônio.
Pois não, professora.
Por favor, abra o livro da página 71.
E leia o poema.
Página 71?
Minha terra tem palmeiras, onde canto sabiá.
E gorjeiam, não gorjeiam como lá.
Não permita a Deus que eu morra, sem que eu volte para lá.
Pombão, pombão, pombão,
pombão
Bom, bom.
Bom, bom. Bom, bom.
Você viu o zoião da professora? Ficou todo esbugalhado. Que zoião o quê? Você
tinha que ver os peitinhos. Eu pus a mão lá. É, meu, eu também pus a minha. Só
que você aproveitou. Ô, meu, ia deixar passar, pô? Como é que é? Cadê o
paieiro, hein, gão? Só não tá mais aqui quem falou.
Quando eu falo que é boa, é boa mesmo, hein?
Massa! Legal, beleza. E agora vai ter que pagar uma leite.
Duas. Vamos aí.
Vamos tomar uma cerveja. A gata não acreditou, hein, gão?
Vamos botar no reservatório e jogar na cidade.
Ia ter maior suruba. Que suruba.
Eu ia comer todo mundo.
Você ia comer ninguém, Gostinho. Ô, meu, pô. Ô,
Gampo,
você já tá pegando no pé do castanho. É, só tá, só tá. E você, pra quem gostaria
de dar?
O que você tem? Você está tão nervoso.
Me solta, me solta.
Calma. Sacanagem de vocês.
Fica na escuta. Ô, meu, larga a mão de ser chato, vai.
Pô, assim você vai prejudicar a gente. Vai lá pedir desculpas pra ela, vai.
Aquela mulher é uma fera. Ela vai me arrasar, cara.
Vai lá, pede desculpas.
A gente comprou essa coca especialmente pra senhora, Daneteu.
E eu queria pedir desculpas.
O Gão é uma boa pessoa.
Sabe como é? Ele não fez... Não vem com essa, não. Ele é um malandro sem
vergonha e salafrário. E vive apontando por aqui. Eu já perdi a paciência, não é
a primeira vez.
Espera um pouco, deixa comigo.
Eu acho que ele já se arrependeu. Ó, ele tá aqui pra pedir desculpa.
Sabe, dona Eteu, às vezes isso acontece.
Foi, foi sem querer.
Como sem querer?
Ninguém rouba sem querer.
Eu errei.
Tá certo, eu errei. É preciso respeitar.
Abre a porta! Abre a porta!
Puta sacanagem! Calma!
Calma, sim!
Vem!
Tira!
Cruz Crepe, se segura aí!
Calma, Dona Teovina! Calma aí, Dona Teovina!
Dona Teovina!
Calma! Calma aí, Dona Teovina!
Calma, Dona Teovina!
Dona Teovina!
Cruz Crepe, se segura, Dona Teovina!
Boa noite. O senhor podia me dar uma informação?
Sim, senhor. Pois não.
O senhor sabe onde fica a rua Manuel Ferri?
Rua Manuel Ferri, sei.
Entra primeiro aqui.
Passa o farol, entra à direita, é a primeira à direita.
Olha aqui.
Sabe como é que é? Eu sou novo no bairro e eu vou me perder.
O senhor se incomodaria de me explicar direitinho lá fora?
Então, e aí? Onde é que fica a rua mesmo?
Essa primeira aqui é a direita.
Entra aqui a direita, depois aqui a direita. Quer dizer, então, que são três
quarteirões pra frente. Que três quarteirões? Acabei de falar a primeira.
Eu acho que eles vão acabar sendo expulsos da escola.
Eles bem que mereciam. O piquetilho até que é bonitinho. Você devia dar menos
bola pra aquele cafajeste.
Pois é.
Falou no diabo? Pois é.
Trouxemos um suquinho infernal. Oi.
E aí, Vera?
Vai um golinho? Este vinho que nós compramos é incrível.
Gastamos uma grana pra comprar, certo, Castanha?
Só, meu.
Verinha, teu vinho.
Castanha, já falei que não quero.
Ah, só hoje. Vai, Verinha. Colher de chá, vai. Toma aí.
Ai, com você é chato.
Mas a gravata é legal.
Então vamos fazer um brinde à gravata do Castanho.
Falou!
É isso.
Quem são essas pessoas?
É, seu, seu, seu... Antônio.
É, seu Antônio, meu chará.
É, a gente tá estudando, né? Estudando com alto e um golinho. Golinho?
Olha daqui!
É, tá, tá. Olha daqui! Não tem nada a ver com isso.
Muito bonito.
Que azar. Que nada.
Vambora, vem.
Você viu que fria?
Nossa!
Eu estou me sentindo mal, uma tontura.
Que calor, nossa.
Vamos lá, castanha, força.
Eu não consigo.
Vem.
Mas que falta de classe.
Quem me dera os meus 20 anos.
Olha a Suzy, bicho. Não acredito.
Vem, vamos.
Não acredito. Nossa.
Não quero.
Vem, vem.
O que é isso? O que é isso?
Nós jantamos e vamos ver um filme?
Cheguei. Oi.
Trabalhou rápido hoje, hein?
O que é que houve?
Tampinha, você pega uma xícara de chá pra mim? Tá bom.
Mas sem açúcar, tá?
Deixa comigo.
Alô?
Sim. Ah, pois não, doutor Walter.
A gente tá aqui, sim.
Tá, eu vou mandar o Toninho tirar um xerox.
Tá tudo ok.
O senhor não veio mais hoje?
Não, já mandei, sim.
Tá bem.
Então até amanhã. Tchau.
O
que
que houve, hein? Vai logo tirar esse xerox, menino. Tá ficando louco, é?
Tampinha.
Toninho. Tchau.
Fui.
Está, eu te ligo.
Dona Marlene, não esqueça de dar os telefonemas que eu lhe pedi, hein?
Está bem, doutor Walter.
A senhora está bem, dona Marlene?
Carteiro.
Sim.
Mas eu tenho orgulho, eu sou o boy
o que eu podia.
Que isso, Marli, você é ótima.
O problema é todo meu.
Decretada moratória ao FMI, os meios políticos e econômicos estão em
polvorosa. Ninguém sabe o que poderá acontecer.
Deixa o cabelo cair agora.
Isso.
Agora repita, pontinho.
Aí.
Isso aí, Fernanda.
Oi.
Prazer, Sr. Hobbs. A secretária me deu uma entrega certificada aqui pro senhor.
Eu já te falei, rapaz, não é pra mim, é pro Steiner.
Desculpa, porra, não tô ligado, ela disse pra mim que era pro senhor.
É pro Steiner.
Caro doutor Steiner, apesar de seus conselhos, continuo na mesma.
Tentei todas as posições que o senhor mandou e o danado não se mexeu.
Às vezes ele se anima, parece que vai, eu fico naquela torcida e nada.
Até parece que é um ser independente do meu corpo.
Não há meio da gente se entender.
Das duas, uma. Ou ele me respeita, ou vamos entrar em atrito.
Aguardo orientação.
Furacão acorrentado.
Escreva aí.
Meu caro Furacão, não se desespere. O seu
caso é banal.
É que agora virou moda ficar impotente.
São milhões nesse país todo.
Está ficando todo mundo broxa.
Mas é um problema antigo. A nossa sociedade está cheia de tabus.
Mas você, meu caro furacão, pode romper com
eles.
Experimente uma mulher fogosa.
Que vá direto ao assunto sem frescuras.
Leve-a a um hotel paradisíaco. E não se esqueça de
usar a magia do porno vídeo.
Fé em Deus e pé na tábua.
Seu Marcolino!
Seu Marcolino!
Senhor! Onde está o Bromato?
Lugar de sempre.
Bromato! Bromato! Opa!
Opa! Fica de cagarra, rapaz!
Saia daí!
Imediatamente! Já vou! Já vou! Já vou!
Calma, Sr. Bassacri! Calma!
Ora, seu Bromato!
Tenha paciência! O senhor não sai da privada? Ao invés de trabalhar?
Mas, Sr.
Massacrine... Tenha paciência.
Entender, fala.
O senhor tem que entender que o problema... O problema o quê? O pessoal
lá em cima está me pedindo a sua cabeça.
Mas, Sr.
Massacrine, é uma situação muito delicada. O senhor tem que entender que
quem não passou por isso ainda... É um caso perdido.
Vai lá, seu bunda mole!
Ô,
João, tá correndo um boato aí... que vai ter uma dispensa geral, hein?
É?
E olha, tem uma lista negra, parece que seu nome tá no meio dela.
Não é possível.
Eu faço tudo tão direitinho.
Olha,
ela não tira os olhos de você.
Que nada, não é comigo, não.
É sim, rapaz, ela foi com a tua cara.
É? Eu conheço as mulheres.
Será? É sim, ela mora no serviço, mas já está com uma fama. É, é.
Desculpe, sou o João.
João Brumato.
Você que é o João Brumato? É um prazer.
Prazer. Problema? Alguma dificuldade?
Posso lhe ajudar alguma coisa?
Não consigo.
Eu não consigo.
Eu estou tão perdida nesse novo emprego.
Eu não consigo entender esse negócio de pecudo.
O pecúlio é muito simples.
A senhora segura o pecúlio, mas a senhora segura bem firme. E abre o
orifício do computador. Aí a senhora introduz o pecúlio no orifício do
computador. E a senhora enfia o pecúlio e aperta o orifício. Enfia o pecúlio e
aperta o orifício. Enfia o pecúlio e aperta o orifício. Enfia e aperta.
Entendeu?
Entendi nada.
É muito simples.
Basta a senhora somar o número do peculio com o número dos segurados. Aí,
esse número exato, a senhora multiplica por cinco e vai dar o número dos
segurados. Aí, com a soma exata, a senhora multiplica de novo, que vai dar
exatamente o que a senhora estava esperando, entendeu?
Ai, dona Roseli, aí é meu ponto fraco.
Você é um pãozinho bromato. Ai, meu Deus.
Bromatinho não é o teu ponto fraco.
Calma, Dona Roseli, pode chegar alguém de repente.
Dona Roseli, nós vamos ao motel.
Motel paradisíaco.
Pode me levar onde você quiser, gata.
Calma, Dona Roseli.
Espere por mim.
Espere por mim, Brumadinho.
Espere, você é doidinho. Eu estou louquinha por você.
. .
. . .
Vamos ver um porno vídeo?
Televisão? É, mas é porno.
Interrompemos nosso videocassete para uma notícia extraordinária.
385 operários da fábrica de calçados Couro Leve foram despedidos hoje de
manhã. Os operários não haviam acabado de bater o ponto quando o que era boato
transformou-se em notícia, emitida pelos alto-falantes da empresa.
Os empresários alegaram que a dispensa se devia à grave crise econômica que
afeta o país.
Vem cá, miserável!
Vem cá, rana!
Obrigado.
Doutor Steiner, desta vez acabei apanhando. A mulher era terrível. Eu
estou todo arrebentado e pior é que o pessoal já sabe do que aconteceu.
Eu não consigo falar com ninguém. Eu vou acabar perdendo o emprego.
É tanta desgraça que basta ver uma mulher já começa a tremer de medo.
Por favor, me ajude.
Estou desesperado.
Furacão acorrentado.
Escreva aí.
Olha aqui, ô furacão, é difícil tomar decisões, mas às
vezes não há outra saída.
Quem sabe você ainda não descobriu a sua
verdadeira sexualidade.
Hoje em dia, não é só homem e mulher como antigamente.
São grandes as possibilidades. E é nelas que está o
prazer.
Conheça uma nova dimensão da vida.
O poder do terceiro sexo. O mundo
encantado dos travestis.
Aqui no Medieval existe um grande show, um show de Alcione.
Alcione, é.
Senta, meu amor, fica à vontade, aqui ninguém vai te comer não, viu?
Você está sozinho?
Posso me sentar ao seu lado?
Meu nome é Márcia.
Fiquei agitadíssimo hoje.
Fui ao cabeleireiro, demorou um tempão.
Já não aguentava mais.
Ah, não reparem na bagunça.
É que eu cheguei de Paris ontem. Não deu tempo pra nada.
Fiquei um ano e meio fazendo espetáculo naquela cidade maravilhosa.
Essa cidade é luz.
Lá tudo é arte. Tudo é bonito.
Eu acho que eu fico até mais bonita. A minha pele...
Fica mais bonita. O meu cabelo fica mais bonito.
Você me acha bonita?
Eu adoro meu corpo, meus seios, meu cabelo.
Você acha normal uma pessoa que se goste tanto como eu?
Mas esquece, agora vou cuidar de você, meu amorzinho.
O que houve?
Brigou com sua mulher?
Não, bati num cara.
Não precisa ficar com medo. Ninguém vai te morder.
Só vou dar uma encostadinha.
Agora já entendi.
Para que sofrer tanto?
Não, não é nada disso.
O meu problema é outro, dona Márcia.
Deixa, deixa. A primeira vez é sempre assim.
Dói um pouco, mas depois é tão gostoso.
Não.
Relaxa. Não.
Eu vou te levar para o paraíso.
Relaxa.
Relaxa. Deixa minha cueca, dona Márcia. Não, não, não.
Seu Bromato, aqui está o seu fundo de garantia.
Bromato, aqui está o presente que a Roseli mandou entregar para você.
Abra que é seu.
A situação se agrava dia a dia.
Mais de 50 fábricas encerraram suas atividades, provocando a dispensa de
milhares de funcionários.
Famílias inteiras peregrinam pelos centros urbanos à procura de pão, casa e
trabalho. Até os cemitérios.
Antes reservados aos mortos, recebem a visita constante de indigentes.
As autoridades governamentais seguem ao exterior diariamente pedindo novos
empréstimos. É iminente a chegada a qualquer instante do chefe de Estado
norte-americano trazendo mais um novo pacote.
É triste a verdade, mas o país está impotente.
. . . . . . .
Música Música
Mas o senhor vai ficar bom logo, logo, viu, filho meu?
Senhor Bromata, por que o senhor fez isso?
Doutor, eu sou brossa.
Não! Sim!
Não! Sim!
Deixa, eu vou dar uma examinadinha.
É, a artéria está funcionando.
Me dá uma artéria.
É um exame de rotina, não tem nada, nada.
Sem reflexo mesmo.
Eu estive observando o senhor durante a noite, sabe?
E parece que está tudo em ordem. O seu problema é psicológico. É
psicológico. Nós temos umas fases dos sonhos, sonhos, que nós chamamos sono,
sono paradoxal.
Entende? E durante este sono, os olhos se movimentam.
O pênis fica eriçado.
E o que eu pude observar durante o seu sono, é que seu pênis esteve sempre
eriçado. Duro mesmo.
Composta.
Vem, senhor Bromata.
Eu vou dar um remedinho para o senhor e o senhor vai ficar bom.
Essa injeção, senhor Bromato, fará com que o senhor durma que nem
um anjinho.
E aí
Música Música
Música
E tento conseguir Um jeito, uma manobra
De ver subir a cobra
Calma, calma, sou eu, a enfermeira.
Calma, calminha. Tenha calma, Supromato, calma, sou eu, a enfermeira.
No final do século XX, a humanidade vive mergulhada nos seus negros dias.
A falência é total.
Os homens se escondem da sua própria vergonha.
Nas relações sexuais restam apenas descargas súbitas de prazer.
Mas no fundo da escuridão, a mente de um excêntrico cientista...
Trabalha tentando salvar o que ainda resta da civilização.
O tesão.
O momento final.
Uma ruptura histórica sem paralelos. A estrutura de uma
nova epísteme.
É a maior revolução que o mundo vai viver.
Finalmente!
Você, você é um tipão. Como é bom conhecer
um homem como você, forte, máscara.
Serei sua amante, sua escrava, farei tudo o que você quiser.
Eu tô dizendo, aí é o meu. Eu te devolvo o dinheiro e vou embora.
Não, não vem com essa, não.
O contrato já está fechado. É difícil arrumar um serviço gostoso como esse.
Mas isso aí tá me parecendo sacanagem. Um momento, por favor.
O que é isso agora?
Dr. Clenters, tudo ok?
Incrível, colega, incrível. Os programas 1, 2 e 3 estão perfeitos. Só falta o
espetacular programa 4.
Traga o poderoso macho de nossa espécie.
Perfeito. Cara, deixa de sacanagem. Toma o dinheiro, deixa eu ir embora. Eu quero
sair. O que é isso aqui? O que é isso aqui?
Cara,
eu vim aqui para trabalhar no filme.
Eu devolvo o dinheiro.
Abre essa porta.
Caralho. Isto mais parece filme de terror do que de sacanagem.
Puta que o pariu.
Eu sabia que era uma fria.
Os caras oferecem uma grana pra fazer sexo explícito.
Como é que eu fui entrar nessa?
Caralho!
Parabás!
Já começou?
Cadê os câmera? Cadê os câmera?
A senhora que vai meter comigo é?
Muito prazer, meu nome é... Que fracasso de homem. Eu esperando um macho e olha o
que você me traz. O cara é bom, doutor. O cara é bom.
Ah, se depender dele, a boneca nunca vai ser acionada.
Olha, lá nas bocas, sabe como é que eu sou conhecido? Como linguinha de oró.
O que?
Já começou?
Espera um pouco.
Preciso me aquecer ainda. Preciso dar uma esfregadinha. Uma esfregadinha para
me aquecer.
Ah, é? Vamos começar? Deixa eu tirar a roupa primeiro.
A senhora espera um pouquinho para eu tirar a roupa.
É para já. É para já.
Mas que esse cara é um frouxo. É.
Aperta o programa 3 e vamos ver.
Você...
O que é isso, madame? A senhora que é muito boa.
Olha, isto eu sou sim.
Mas sabe o que é? Eu tomo quatro copos de gemada por dia.
Mais uns dez ovinhos de codona e um saco de amendoim. Mas sabe o que é? A gente
precisa de um aquecimento aqui, um aquecimento ali.
Mas a gente se aquece. Também uma trepadinha assim, madame, é muito bom.
Fica fria, fica fria. A gente se aquece. A gente se aquece, olha.
Chegou o momento de transformar o mundo.
Vamos acionar o programa 4.
Me deixa, me deixa.
Espera um pouquinho.
Vamos com calma, vamos com calma. Eu preciso primeiro aquecer.
Sabe, senão assim no seco não vai, né? Não vai não.
Olha só que coisa mais linda.
Olha só.
Ei, calma, madame. Calma, madame. Pera, pera. Dá um tempinho. Eu preciso me
aquecer mesmo de pé, sabe? Dá um tempinho. Calma. As outras não fazem
assim. Elas dão um tempinho.
Ué, o que será que aconteceu agora?
Devagar, madame. Vamos devagar, madame. Não vamos fazer depressa, não.
Devagar, madame. Cuidado, madame. Devagar. Devagarzinho. Mais rápido. Mais
devagar, mais devagar.
Não, não, ele tá muito rápido. Mais devagarzinho. Assim, assim. Não, não,
assim ele já atirou outra vez. Assim ele tá atirando. Mais devagar, mais devagar.
Não funciona, não funciona.
Devagar, mais devagar, mais devagar, mais devagar, mais devagar. Mais
devagar, mais devagar.
Mais devagar, mais devagar, mais devagar. Mais devagar, mais devagar,
mais devagar.
Mais devagar, mais devagar, mais devagar.
Mais devagar, mais devagar, mais devagar. Mais devagar, mais devagar,
mais devagar. Mais devagar, mais devagar, mais devagar. Mais devagar,
mais devagar, mais devagar. Mais devagar, mais devagar, mais devagar.
Mais devagar, mais devagar, mais devagar. Mais devagar, mais devagar,
mais devagar.
Mais devagar, mais devagar, mais devagar. Mais devagar, mais
Vamos desligar o programa.
Construída e programada para satisfazer as necessidades sexuais do homem. A
invenção secreta do Dr.
Clítoris havia sofrido uma avaria.
Seus sensores termo-sexo-biônicos estavam danificados.
Um mecanismo muito complexo que nem o próprio Dr.
Clítoris conseguia mais controlar.
A primeira boneca biônica brasileira.
Autossuficiente. Não precisando dormir, nem se alimentar, a prova de poluição
chuva o sol.
Caminha agora sem destino pelas ruas colocando em risco toda a vida
sexual da cidade.
Que bonequinha mais tenso.
Vamos fazer uma suruba tretinha.
Malandro, mas que coisa de louco, não?
Você não está entendendo, não, gatinha?
Que tranquilidade, hein?
Você vai ver o presentão que eu trouxe para você.
Isso aí, cara. Mostra para ela.
Opa! Opa!
Eu vou beijar. Deixa eu beijar primeiro, cara.
Que bunda gostosa.
Que loucura.
Agora são elas que estão estrupando a gente.
O negócio é o seguinte, cara.
Tu vai pela frente, que eu vou por trás.
Ela vai conhecer o cabo do meu revólver. É isso aí, cara.
Você parou por quê,
meu? Não fui eu que parei.
E quem parou?
Está queimando!
Não, doutor. Não pode ser.
Tem que ser ela, amiguinho. Só pode ser ela.
Precisamos salvá-la. Vá pegar o detetor.
É um dia muito especial.
Estamos aqui reunidas num ato de por fim ao machismo que ainda impere em nossa
sociedade.
Estamos cansadas de sermos tratadas como simples objetos sexuais, como objetos de
cama e mesa.
O homem não pensa na mulher, mas sim na sua bunda, nos seus seios, na sua boca.
O momento de libertação!
Lá em casa a mulher lava, cozinha, engoma e eu dou a despesa. Agora de
noite eu leito, né? A costelinha é boa, você sabe que uma costelinha dá pra... O
que é esse homem daqui? Tá conversando, tá... Pessoal, vai...
O que
foi?
Vou lá, vou lá.
Beijinho, beijinho.
Vem cá, chega.
Bora ali.
Aqui mesmo.
Chega. Vem pra cá.
É isso.
Agora o que eu amo?
Não.
Faz isso não.
Bim, bim.
Mata o velho. Mata.
Não,
dançar não, meu filho. Vamos nos ajeitar. Espera aí. Ah, já sei o que
você quer.
Espera aí.
Vem.
Em pé cansa, meu filho, mas tá danado de bom. Ô, pichambo! Chega! Não!
Chega! Não! Chega!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não!
Cuidado, doutor. Está no buraco.
Interferência máxima. Ela está aí.
Vem.
Ela está aí.
O homem está para chegar, Granfeias.
O que é que a gente vai oferecer para ele? Por que não um carajás?
Carajás, Granfeias.
Carajás.
Menino,
esta é uma estrada empurrada, você sabe?
Isso é tão bonito!
Como eu amo a Bolívia!
Oh, desculpe, Sr. Presidente. Nós estamos no Brasil. O que você quer
dizer? Brasil.
Oh, desculpe.
Como eu amo o Brasil!
Tão bonito!
Oh, meu Deus!
Onde é que a gente veio parar?
Oh, meu Deus, mas então dava aquelas promissoras pra ele, ora.
Toma aí. Pronto, toma aí, pronto.
Doutor, o que eu faço com isso, hein?
Desconta na Polônia.
Desculpe, quero dizer, do Brasil.
Meus amigos do Brasil.
Que bom conhecê-los, sim.
Oh, sim, sim.
Oh, sim, sim.
Muito bom conhecê-los.
Deus abençoe.
Obrigado, obrigado.
Sabe de algo?
Eu trouxe-lhe um grande presente.
Um presente?
Sim, sim.
Sim, sim. Sim, sim.
Um novo pacote que você pode levar para casa.
Não vai dar, tem cinco pessoas paradas no olho da rua.
Meu amigo, eu quis reinventar o amor.
Mas o amor não pode ser reinventado.
Depressa! Depressa! Estamos chegando perto.
Se aproximarmos o detector... ela será nossa novamente.
Desliga, doutor. Desliga!
Desliga!
É que os juros estão muito altos, o povo já está explodindo nas ruas, já estão
saqueando os supermercados. Eu sei, mas é que eu já prometi ao presidente, eu já
fiz até o arrocho salarial.
O senhor tem que dar um pouco mais de tempo, um pouco mais de tempo.
Oh,
come on! I'm fed up with your promises!
Don't mention that! I didn't mean it! I told you! Shut your mouth!
O que ela está dizendo?
Espera. O que ela está dizendo? Ela está dizendo que ela te gosta. Você é o tipo
de homem que ela gosta.
Ela quer te beijar.
Ela quer.
E beija.
E beija.
E beija.
E beija.
E beija.
Ela é uma garota muito inteligente.
Você sabe,
você tem um jeito muito engraçado de andar.
Sim, muito engraçado.
Como eu costumava beijar as primeiras senhoras da Hollywood.
Oh, meu
Deus.
Isso é incrível.
Oh, meu Deus.
Quão verde era a minha aldeia.
A linda, verde jungle de Amazonas.
Você sabe?
Eu tenho algo para você.
Meu verde, meus dólares verdes. Tudo para você.
Oh, é tão bonito.
Oh, sim, sim. Oh, meu querido.
Oh, meu querido. Oh, meu querido Clementine.
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