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É verdade isso?
Eu não consigo entender seu protecionismo com essa menina.
Você nem tem certeza se ela é culpada? Tenho certeza.
Você acha que ela não tem culpa? Tenho certeza que ela não é culpada. Se você
confia em mim... Não, eu confio em você, mas você não pode ter certeza alguma.
Você só poderia ter certeza se você soubesse de fato quem matou o Arthur.
Isso você sabe? Não, você não sabe e ninguém sabe.
Não, ninguém sabe.
Quem foi que procurou você pra te contratar?
Pilar. É claro que foi Pilar. É claro que foi Pilar, pai.
Ah, parece... Pelo amor de Deus, pai.
Ela tentou interditar meu padrinho pra botar a mão no dinheiro dele.
Você advogou contra ela.
Isso não tem nada a ver. É claro... Não tem nada... E o Arthur não tá nem mais
aqui. Uma coisa tem absolutamente a ver com a outra, pai.
Ela tá tentando fazer a mesma coisa.
Só que agora tem a Adriana no caminho e ela quer incriminar a Adriana pra poder
botar a mão no dinheiro dele.
Tá bom, tá bom. O que você quer que eu diga? O que você quer que eu faça? Que
eu ligue pra Pilar? Oi, Pilar, tudo bem? Como vai? Olha, eu vou desistir do caso
porque o meu filho, sabe, meu filho Pedro, ele bota a mão no fogo por essa
moça. É isso que você quer? Não, pai, eu não quero que você fale nada com a
Pilar.
Não quero brigar com você.
Eu quero que você deixe essa causa por mim, porque eu tô pedindo.
Só isso.
Isso não é sério. É sério. Tô pedindo pra você, por favor.
Eu faria qualquer coisa por você. Então faz.
Tô pedindo pra você.
Faz isso por mim. Eu não posso deixar de exercer minha profissão porque você tá
pedindo pra eu livrar a cara de outra pessoa.
Se fosse pra livrar a sua cara, seria outra história. Mas não de uma
desconhecida.
Tá bom, pai.
Essa é sua última palavra?
É.
Então eu vejo você no tribunal.
Por quê?
Quem vai ser o advogado da Adriana? Eu sou o advogado da Adriana.
Sua empresa tá na mão de quem pra você estar em casa numa hora dessas? Não tem
uma estrutura pra quem anda sozinho lá. Eu não tenho cabeça pra nada.
Nossa... Esse luto aí bateu forte em você, né, meu irmão? Você não tá
sentindo nada?
Nem sente falta do Arthur, nem sente remorso, nada?
Remorso do quê?
Nos últimos tempos, você foi a pessoa que mais bateu de frente com ele, né?
Você disse cada coisa horrível pro nosso irmão.
Você tá fazendo papel do que agora, hein, Manu?
De anjo do presépio.
E você também, hein?
Brigou bastante com ele pelas mesmas coisas que eu.
Mas eu me arrependo.
Queria ter feito tudo diferente.
Ou se não, parece que tem uma pedra aí dentro do seu peito.
Não.
Eu não queria que ele tivesse morrido.
Eu sou uma pessoa boa.
Mas é que eu não tinha mais esperança mesmo da gente se entender de novo como
antes. Eu tinha.
Vamos falar de coisas práticas?
Vamos? Ó.
Agora com a Adriana como suspeita, os bens do Arthur vão ficar todos
bloqueados.
Aí a gente também não tem acesso a isso.
É, mas o Tiago tem, né?
Ele vai continuar na diretoria da joalheria, não vai?
Você confia nele?
Onde você quer chegar, Pedro?
Eu... Eu acho que a gente tem que colocar alguém nosso lá dentro, sabe?
Pra... Pra ficar de olho só.
Esse menino aí, esse Tiago.
Ele pode trair a gente a qualquer momento.
Você fica muito bem nessa cadeira, meu filho.
Isso tá novidade pra mim, mas você sabe.
Eu costumava trabalhar aqui quando meu tio não tava na loja.
Ah, mas agora é diferente.
Agora você pode tomar as decisões sem submeter nada a ele. Você tem autonomia.
Mais ou menos, mãe.
Porque com os bens bloqueados, eu vou ter que documentar tudo certinho. A
justiça tá de olho.
Meu amorzinho.
Não tem nenhum esquema de caixa dois que o seu tio fazia?
Se tiver, a gente pode manter. Não tem, mãe. O tio Arthur fazia tudo certinho.
Impostos, pagamentos, fornecedores certificados.
Mas sempre tem alguma coisa.
Uma venda sem nota, uma remessa pro exterior.
Não, mãe.
O ator tinha pavor de ter que lidar com a justiça.
Agora, que ironia, sabe?
Porque ele passou a vida inteira evitando isso.
E a morte dele se torna alvo de investigação.
Tenho certeza que logo vão provar que foi essa viúva que matou ele. Mãe, eu
não tenho certeza se foi ela.
Assim, quer dizer, ela herdou tudo.
Mas tem muita gente interessada pra que ela seja presa pra que essa herança
venha pra nossa família.
Você tá tentando insinuar que talvez tenha sido um dos nossos, Tiago? Eu só
disse isso pra senhora. Eu não vou nem repetir isso em voz alta, mãe. É bom não
repetir mesmo.
Porque senão essa dúvida pode recair sobre nós.
Deus nos livre.
Oi, Pedro.
Tudo indo?
E você?
Tá sendo muito difícil pra mim pensar que eu nunca mais vou encontrar com ele,
sabe? Nunca mais vou conversar com ele. Ele era a pessoa que eu mais gostava de
conversar na vida.
É exatamente assim que eu me sinto.
Mas, Pedro, posso te ajudar em alguma coisa? Na verdade, eu tô te ligando
porque eu quero oferecer minha ajuda pra você, Adri.
Eu já soube que você tá sendo investigada pela morte dele, né?
Sim.
Quando eu recebi a intimação, foi como se...
Como se o mundo estivesse desabando em cima de mim.
Pois é.
E você, por acaso, tem alguém já te auxiliando nessa área? Não sei.
Você tá com algum advogado? Tá em contato com alguém?
Eu não tive nem cabeça pra pensar nisso.
Você sabe que os bens dele foram bloqueados já, né?
Não, não sabia.
Pois é, Adri. Sabe o que eu acho que você devia fazer?
É... Vem aqui no meu escritório...
Que aí a gente conversa um pouco, eu explico tudo o que tá acontecendo, eu
falo de possibilidades futuras. E aí você depois decide se quer trabalhar com
outra pessoa, se quer seguir comigo.
Tá. Eu quero te ouvir, sim.
Obrigada por querer me ajudar.
Tá certo, então.
Daqui a uma horinha você consegue estar aqui? Eu mando o endereço pra você.
Por mensagem, tá.
Tá bom.
Beijo.
Sim, te vejo a Roma.
Apresto, tchau.
Com quem que você tá falando, cá?
Com uma amiga minha que mora lá no norte da Itália. Ai, que chique. Chique
demais. Ela queria que a gente se encontrasse lá em Milão, mas eu acho
melhor a gente ir pra Roma.
O que você tanto procura aí, hein?
Ai, passei na rua outro dia em alta velocidade justamente com o carro do
Lully. Aí tô aqui abrindo o app pra ver se tem uma...
Ué, o que foi? Tem uma multa sim, mas esse dia o carro dele não saiu da
garagem. Fábio, é melhor você olhar direito isso aí, porque no mundo digital
erros acontecem direto, viu?
O Uli mentiu e ele saiu sim aquela noite de
casa.
Vida? Oi.
Vai sair?
Não, não.
Tô tentando melhorar meu rosto pra ver se melhora por dentro.
Eu não queria tocar nesse assunto, mas... Na noite em que seu irmão se
casou, você tava bem chateado com ele, não era?
Eu tava bem magoado com ele, isso sim.
Ele tinha humilhado a mim e a Pilar.
Claro que era o casamento dele em situações normais. Eu teria ido lá
festejar com ele.
E aí...
Eu e as crianças fomos.
Você achou melhor não ir?
Ficou em casinha?
Fiz uma pipoca no micro-ondas, coloquei um filminho e fiquei na minha.
Que filminho?
Que? Que filminho?
Um coreano.
Ah, você não assistiu filme coisa nenhuma, nem ficou em casa, Uli.
O que você está falando?
Estou falando dessa multa aqui.
Onde você foi na noite do casamento do seu irmão?
Na noite em que o Arthur morreu.
Oi. Oi, Pedro. Sou eu, Adriana.
Tudo bem, Adriana?
Eu vou abrir pra você, tá?
Oi. Oi, Adriana. Tudo bem? Tudo bem.
Pra cá? É. Vamos lá.
Aqui? Aham. Aqui, o escritório.
Não repara bagunça, viu? Fica à vontade.
Eu queria te falar uma coisa, Pedro.
Eu tô nervosa de estar aqui. Não tô sabendo direito. Por quê? Porque depois
das coisas que você falou, eu fiquei... As coisas que eu falei...
Você se abriu pra mim. Falou dos seus sentimentos. Eu acho que talvez você
possa ter confundido de alguma maneira.
Adriana, eu vou ser claro com você. Não me leva mal, tá?
Eu não misturo sentimento e trabalho.
Se eu chamei você aqui foi pra defender você.
E o meu interesse a partir de agora é esse. Defender você.
Fica tranquila, tá?
Tá bom?
Tá, tá.
Então,
por que você quer me ajudar?
Porque o meu pai é quem vai defender a Pilar.
E se ele quiser, ele pode jogar muito sujo, pode ganhar essa briga.
E se ele me ajuda, Adriana, sinceramente, você não vai ter chance.
Piorar, a todo mundo a vida é difícil, mas todos fazem seu
sacrifício pra melhorar, pra melhorar.
Lá vem o sol, para derreter as
nuvens negras, para iluminar o fim do túnel e a luz do céu.
Para inspirar os seus desejos, para fazer você encher o peito e cantar.
Quando você fala do seu pai jogar sujo, você está
falando exatamente disso? Eu estou falando exatamente isso, Adriana, que
ele joga sujo. Ele é capaz de qualquer coisa para vencer uma causa quando ele
entra. Você está falando de corrupção? Estou falando.
É por aí, tá?
É por aí. Senta, fica à vontade.
Respira, mulher.
Respira. Tá nervosa, né?
Tô. Calma. Respira.
Tô aqui pra te ajudar.
Vambora.
Você tá disposto a enfrentar teu pai? Tô disposto.
Nesse esquema?
Pra me defender?
Completamente disposto a enfrentar meu pai nesse esquema pra te defender.
Tô totalmente disposto.
Por quê?
Porque eu sei que não foi você.
Porque eu tenho certeza que não foi você.
Porque eu não acho certo o que vão fazer com você nesse processo. O que eu sei
que vão fazer é porque eu conheço essa família, porque eu conheço meu pai,
porque eu não concordo com as práticas dele.
Foi por isso que eu me separei do escritório dele e montei esse escritório
aqui. Pra fazer as coisas que eu acho certo. E eu acho certo te defender
agora. É simples assim.
Tá entendendo?
E aí, Clebinho. Tudo bem, filho? Tudo bem. Você é meu sócio, Cleber.
Como vai? Você é a Adriana. Tudo bom? Cleber, Adriana. Prazer.
Famosa Adriana.
Famosa? É que o Pedro já disse, né, que nós vamos defender você. E vamos
defender, não é, minha gente? Vamos lá. É isso aí. Vamos nessa. Senta aí,
Clebinho. Pega a sua cadeira. Vamos começar.
Muita coisa.
Eu tenho uma ideia do lugar por onde a gente pode começar. A gente começou, a
gente fez um levantamento.
Está aqui a prova de que você não ficou em casa.
A multa diz onde você estava e em alta velocidade. Por que você mentiu?
Onde você estava?
Eu não sei o que eu comi ontem. Como eu vou saber onde eu saí há dias atrás?
Tá bom, Ulisses. Se você não quer me falar, então não fale mais comigo. Agora
eu lembrei. Eu estava vendo o filme e me deu vontade de tomar uma cerveja. Não
tinha em casa. Eu saí para comprar. Foi isso.
Então você pegou o seu carro, saiu pra comprar cerveja... Exatamente.
Justamente num lugar perto de onde o Arthur mora. Eu fui atrás de uma loja de
conveniência que estivesse aberta. Devo ter achado uma por lá.
Fábia, ele mora aqui perto. A gente sempre passa por lá, é caminho.
Que pressão é essa? Ok, eu já entendi. Se você não quer me falar, não fale, não
conte. Mas eu não vou falar com você enquanto não souber. Vida!
O que foi, mãe? Por que você tá me olhando assim?
Eu gosto de te ver sentado nessa cadeira.
Combina com você, meu filho.
Eu sei que combina comigo, mãe.
Mas eu já disse pra senhora que eu... costumava trabalhar aqui quando meu tio
não tava na joalheria.
Ah, eu sei.
Mas agora tem outro sabor.
Você é o herdeiro natural desse posto, Tiago?
É, na verdade, nós vamos precisar entender como é que fica minha posição
aqui na joalheria, né mãe?
Senhora quer um café?
Não, querido, obrigada.
Tiago, você esteve ao lado do seu tio nos últimos anos.
Ninguém aqui entende mais disso tudo do que você.
Sim, mas vai depender da Adriana, mãe. Ela que é a dona agora e ela vai dizer
como gerir os negócios.
A Adriana vai entender que em time que tá ganhando não se mexe.
E que a melhor coisa a fazer é deixar você no controle.
Tá bom, meu amor?
O que é isso aqui que você tá assinando?
Liberação pra confecção de peças novas.
Não tem que passar pela viúva?
Essa coleção já estava prevista e orçada, mas as futuras sim.
Elas vão precisar da aprovação dela.
Talvez.
Mas isso só se ela for inocentada no caso do seu tio.
Do contrário, meu filho.
Ela perde tudo.
Isso é coisa pra polícia e pra justiça.
Tá, mãe?
Eu quero focar no meu trabalho.
Com licença.
Pelo que eu entendi, vocês estão levantando pessoas com quem o Arthur
tinha relação e que poderiam ter interesse em tirar a vida dele.
Sim.
Adriana, você está sendo investigada porque você é herdeira.
Caso você seja condenada, a herança passa automaticamente para a mão da
família do Arthur.
Ou seja, os irmãos.
Pilar, Ulisses, Thiago, que é o herdeiro do já falecido irmão do doutor Arthur.
Para começar.
E com o dinheiro indo para a mão dos irmãos, os sobrinhos são automaticamente
beneficiados. Os filhos da Pilar, a filha do Ulisses.
Justamente as pessoas que o Arthur fazia questão que não metessem a mão no
dinheiro dele.
Exatamente.
Exatamente.
E é claro que a gente vai levantar os desafetos do meu padrinho, ele devia
ter, não sei, talvez na vida pessoal, no meio profissional.
Isso são pessoas que a gente, inclusive, né?
O quê?
A gente levantou que o seu avô parece que teve uma briga com o meu padrinho,
não é isso?
E o que tem a ver?
Não, tem tudo a ver. Por quê?
Porque ele é seu avô, Adriana. E porque as pessoas falaram sobre isso nos
depoimentos. Não, não, não.
Você vai me desculpar, Pedro. O que é isso?
Pelo amor de Deus, meu avô não é um assassino. Não, claro que não. Não, não,
não. Aí não dá. Meu avô jamais mataria uma pessoa.
Como é que você vai ser meu advogado falando?
Muita coisa de uma vez só. Foi muita coisa de uma vez.
Vamos respirar.
Senta.
O que você fala? Não, não, não.
Aí o bagulho fica louco porque você vai...
Eu preciso que você saiba que estão dizendo isso nos depoimentos. Tá bom.
Tá?
Deixa eu tirar uma dúvida aqui. Você falou que eu sendo investigada,
eu não perco acesso aos bens, certo?
Mas assim, num caso do pior cenário, né?
Por exemplo, se eles acharem que eu sou culpada, eu queria saber, entendeu? Me
explica. Se você for indiciada, você perde acesso a tudo.
É isso que você quer saber. Você perde acesso a tudo. Você perde acesso aos
bens, à herança, a tudo.
Até o final do processo, até você ser considerado inocente. Não, tudo bem o
lance aí dos bens. Eu quero saber se minha família vai poder continuar
morando num apartamento. Vai poder continuar morando, mas nunca vai poder
vender o imóvel durante o processo.
Tá, certo.
Tá.
Mas você é inocente.
Você é inocente.
Tá?
Respira.
Eu acredito em você.
Você é inocente. E é isso que a gente vai provar ainda nessa fase do
inquérito.
Você tá entendendo? É pra isso que eu vou trabalhar.
Eu tô com você.
Já deu certo.
Obrigada.
Eu fiquei exausta. Será que a gente pode deixar o resto pro outro dia? Claro.
É muita coisa.
Muita informação.
Vocês ainda não me falaram quanto é que vai ficar.
O quanto é que é o atendimento de vocês, o trabalho?
Eu acho, Adriana, que nesse momento, sinceramente, eu acho que não é o
momento de você pensar nisso. Essa é a minha condição pra você pegar meu caso,
Pedro.
A gente vai ter uma relação profissional, não é? É.
Então eu quero saber quais são os custos.
Eu vou mandar pra você.
Ótimo.
Eu aguardo vocês.
Vamos em frente.
Muito obrigada.
Conta comigo, tá?
Conta comigo mesmo.
Obrigada. Vai dar tudo certo.
A gente tá junto, né? Estamos tudo junto aí. Então bora. Obrigada.
Não, não vai fumar agora. Quando ele desce o cheiro também vai.
É.
Na plantinha.
Ai, mas o que aconteceu?
Você está num estado... Bem, vamos ver... Não adianta, não adianta, amiga.
Não, não, não. Sua intenção é ótima, mas nada vai conseguir me acalmar agora. O
que está acontecendo?
Se abre comigo.
Bota mais.
É um assunto íntimo, Dora.
Eu sou sua amiga.
Amigo é para essas coisas, não é só para os momentos alegres, entendeu?
Fala.
Vou te falar, sou todo ouvidos.
Preocupada com o Uli.
Ah, é.
Ele deve tá... Deve tá assim, mexido, né?
Depois de ter perdido o irmão.
É, mas... Não é só isso. Ele anda estranho, sabe?
Ele tá estranho como?
Vem, vamos sentar. Ele tá... Ele tá isolado? Ele tá interagindo pouco com
você? Com as crianças?
As crianças?
O Lipe e a Caja são praticamente adultos.
Já, já eles vão perceber que o Ulisses tá diferente com eles, com a gente, se é
que já não perceberam, sabe? Não, mas assim, ele tá de luto e cada pessoa
reage de forma diferente.
Mas assim, Fá, objetivamente, o que de diferente o Ulisses tem feito que não
tenha ligação com a perda importante de alguém na vida dele?
A questão é outra, amiga.
Não é sobre o luto. É sobre o quê, então?
O Lully tá mentindo pra mim. Mentindo.
E eu nunca peguei ele fazendo isso antes. Eu sinto que ele está escondendo
algo importante.
Ele já deve estar chegando.
Espero.
É o trânsito também, né?
Chegou.
Oi, Ademir. Olá.
Olá, tudo bem? Por favor.
Deve ter acontecido uma coisa muito séria, né, pra você pedir essa reunião
com essa urgência, Ademir? Fala pra gente, vai, o que é?
Se eu vou ser o advogado da família no caso do crime, no caso da morte do
Arthur, preciso ter uma conversa franca com cada um de vocês.
Ótimo. Você tá me deixando nervosa. Não quero sentar.
Ademir, fala logo, vai, sem rodeios. Eu quero saber o álibi de cada um de vocês
na hora da morte do Arthur.
Nossos álibis. Pra quê?
Nós somos suspeitos?
Não.
Não, não.
Ulisses, eu sou o advogado de vocês.
Eu sei.
Então, eu preciso saber disso pra não ser pego de surpresa em nenhuma
situação. Sim. Se um de vocês não tiver um bom álibi, a defesa pode usar isso
contra vocês.
É isso que eu tô achando.
Tô achando essa ideia ridícula. É isso que eu tô achando.
A Adriana já tem um advogado. Ah, tem? Nossa.
Quem será, né, o advogado dela?
Um advogado muito bom e que, infelizmente, conhece alguns dos meus
truques. E quem é o advogado da golpista?
Pedro.
O Pedro?
O seu filho?
Pedro vai defender a Adriana.
Que história é essa que o Pedro vai defender a Adriana?
Eu não tô entendendo, Ademir. Pra quê? Pra quê isso, hein?
Ele conheceu a Adriana na época daquela enchente horrorosa. Ele... Ele tava
trabalhando como voluntário no mesmo abrigo que ela tava com a família. Eu
não tô acreditando numa coisa... O quê? Não tem nada pra acreditar. Ele se
afessou às pessoas.
O que eu posso fazer?
Ah!
Lembra quando a família dela foi acusada de invadir a casa da família de vocês?
Sim. Sim, quem resolveu o problema da delegacia foi o Pedro.
Olha, olha, isso é o fim da picada, tá?
Praticamente uma traição. É.
Ele é afilhado do nosso irmão.
Essa menina matou o Arthur. Não.
Não, não, não, não, não, não. Peraí, peraí, peraí.
Foi, foi, foi. Não, obrigado.
Não tem provas que ela tenha feito isso. Como assim?
Olha, eu não tenho a menor dúvida, Ademir, que foi ela.
Foi. Foi ela.
Ela jogou nosso irmão do alto daquele prédio, Ademir.
Não, não. Ela jogou.
Não, ela está sendo investigada. Ela não foi nem indiciada ainda. Ah, gente.
Ah, gente.
Voltando, voltando.
Eu quero saber onde cada um de vocês estava naquela noite.
Quem começa?
Pilar. Peraí, peraí, peraí.
Deixa eu ver se eu entendi.
A gente acabou de perder o nosso irmão. Foi.
E a gente vai ter que justificar onde a gente estava naquela noite.
Isso é um absurdo, Ademir. Está tudo errado.
Eu sou o advogado de vocês e eu preciso do maior número de informações possível.
Sim, pode ser, Pilar? Pode começar?
Eu começo? Sim.
Onde você estava?
Ademir, nós todos estávamos na casa do Arthur. Essa pergunta não tem sentido.
Vocês não estão entendendo.
Vocês não estão entendendo.
Tudo bem, vou falar bem calminho. Vocês não estão entendendo.
Eu preciso saber onde vocês estavam no momento da morte do Arthur.
Vocês estavam na rua já? Já estavam em casa?
Vocês ainda estavam na rua?
Vocês estavam acompanhados de alguém?
Assim, tá bom?
Ok.
Eu saí da festa com meu filho, Tiago, e
fui direto pra minha casa.
Me lembro que talvez ele até tenha dado uma volta com os amigos, enfim. Isso é
suficiente pra você, Ademir?
Sim, por enquanto sim. Você, Ulisses?
Eu passei a noite toda em casa, assistindo a uns filmes. Não botei a
cara na rua.
Alô? Oi.
Você? Eu? Sim.
Onde eu estava?
Eu saí da festa.
Eu saí, quando a festa acabou, eu saí junto com os outros convidados.
Bom, consta que você chegou na calça onde estava o corpo do Arthur quase na
mesma hora que a Adriana.
Confere. Ah, é?
Não, eu tava perto. Tava bem perto do... do prédio.
Na verdade, eu voltei pra pegar minha bolsa que eu tinha esquecido. Gente,
olha... É fundamental que agora vocês me digam toda a verdade.
Que isso?
Ei, Ademir.
Mais verdadeira do que eu?
Você tá querendo o quê?
Você tá querendo dizer que um de nós matou o Arthur? É isso?
É isso.
Dá um cafezinho aí, Clebinho.
Acorda aí, filho.
Acorda, tá olhando a janela. Isso não existe.
Eu fiz café, tu tem que debruçar sobre o caso da Adriana, você tá aí dando
bobeira, que não vai ser fácil, Clebinho.
Já tô adiantando pra você. Isso aqui não vai ser fácil. A gente tem que se
debruçar sobre cada detalhe, cada documento. Então senta e vamos
trabalhar, meu.
Sabe o que vai ser difícil?
Você disfarçar, né, Pedro?
Disfarçar o quê, cara?
Disfarçar que você gosta da Adriana.
Tá na cara assim. É, amigo.
Sabe que ela percebe também. Qualquer um que te olhar vai ver que você gosta
dela. Eu gosto mesmo.
Eu não vou mentir pra você, não. Essa mulher me deixa...
Eu não sei, eu não sei.
Eu nunca me senti assim.
Você me conhece há quantos anos?
Três. Eu nunca fiquei assim, cara. Eu nunca me senti assim. Eu tô perto dela,
eu sinto... Ó, eu, eu, Kleber, não tire sua razão,
vai.
Adriana, Adriana é linda, vai. Ela é, né, cara? Adriana é gente boa, né?
Ela é muito gente boa, cara.
Apesar, assim, de carregar uma tristeza no olhar às vezes, né? Mas ela sofreu
muito nos últimos tempos, Klebinho.
Mas ela falou pra mim também que tá fechada pra relacionamento, enfim, que
não... Eu tenho que segurar a minha onda. A realidade é que eu tenho que
segurar a minha onda, você tem que me ajudar. Se eu tiver dando bandeira, você
dá um topo por baixo da mesa.
Eu dou um topo, eu sempre te dou um topo. Alguma coisa, a gente define uma
palavra e você fala.
Não existe um botão pra isso, Pedro.
Eu sei.
Entendeu? Não inventaram ainda o botão que você aperta assim, ó. Eu queria
tanto que existisse. E aí você deixa de gostar da pessoa. Pois é, não, mas eu
tenho que segurar a minha onda de qualquer jeito, Clebinho.
Porque eu preciso focar nisso aqui. A gente precisa focar nisso aqui, cara. A
gente não vai ganhar isso aqui se a gente ficar pensando em outras coisas. E
a gente precisa.
Eu preciso.
Você precisa.
A gente tá focado.
Sabe o que eu tô pensando? Se a gente não provar a inocência dela nessa
primeira fase de julgamento...
Você sabe quem você vai enfrentar, ninguém menos que... Exatamente isso que
eu estou falando, Clebinho. Você acha que eu quero encontrar o meu pai no
tribunal? Vai ser o pior dia da minha vida se isso acontecer.
Eu não quero encontrar meu pai no tribunal.
O problema, Pedro, é que ele não é só o seu pai.
Eu sei.
Ele é um dos maiores advogados criminalistas do país, Pedro.
Mas ele eu conheço.
E eu conheço bem, bem, bem, conheço bem mesmo.
Eu sinto tanta falta do Dr. Arthur de nada.
Parece que as coisas aqui nessa casa perderam o sentido pra mim, sabe?
É.
Eu sinto um vazio imenso.
Uma tristeza enorme.
Você gostava muito dele, né, Dinah?
Todo mundo viu o estado que você ficou.
E disse coisas...
bem pesadas eu disse que amava doutor arthur eu sei esse é um assunto
muito íntimo eu preferia que você não falasse sobre isso desculpe eu não
queria ser invasivo
Bom, essa aqui é a parte da casa que ele mais gostava, né?
Ouvia música, lia muitos livros, até o chazinho.
Sabe que eu sinto falta até das broncas que ele me dava.
E olha que ele brigava como ninguém.
Ele tinha aquela cara fechada, mas era um homem bom, generoso.
Generoso com certeza.
Ele ajudou muito a Adriana e a família dela.
Aquela golpista, não é?
Aquela aproveitadora. Não é possível, Dinah. Não é possível.
Você acha mesmo que foi a Adriana que empurrou o doutor Arthur da varanda?
É claro. É claro que foi a Adriana. Ela é a culpada.
E a justiça vai provar isso.
Eu tive com o Pedro agora de tarde.
E vai mesmo assumir minha defesa.
Ainda bem que eu posso contar com ele.
Filha, você sabe que eu gosto do Pedro.
Ele ajudou a gente bastante, mas eu acho tudo muito estranho.
Não, mas por que é estranho? Qual é o problema?
Porque ele era filhado do doutor Arthur e eu achei que ele fosse, como toda
família, ficar contra você.
É, eu também achei muito estranho isso aí.
Afinal, ele era super próximo do doutor Arthur, eles estavam sempre juntos.
Para, gente, que estranho. Em primeiro lugar, o Pedro confiou na minha
inocência. É, isso já é o suficiente.
Mas ainda tem o segundo lugar, que o Pedro não concorda com a maneira que a
família do Arthur age. Nossa, família sem limites, sem escrúpulos, né?
Então, ele estava totalmente por dentro das brigas do Arthur com a Pilar, com o
Ulisses. É, agora a pergunta que não quer calar é, ele vai conseguir
enfrentar o pai dele?
Ele garantiu que sim.
Diz que sabe exatamente como o pai age, que isso pode fazer toda a diferença.
Só acho que ele só vai se meter nessa treta toda porque ele tá afim de você,
tá? Por quê?
Para! É claro, eu já vi várias vezes os olharezinhos apaixonados dele pra você.
Maurício, não fala uma coisa dessa nem brincando, tá? Mas eu não tô brincando
não, tô falando bem sério mesmo. Olha, nós somos amigos, tá bom?
Eu e o Pedro somos amigos.
E é só isso.
Investigada? Investigada. Meu Deus, não me fala uma coisa dessa, Toniel.
Coitada da Adriana.
Coitada da minha neta. Está sendo injustiçada. Ela não fez nada.
Pô, meu amigo, fica senão, fica senão. Vai dar tudo certo, você vai ver. Eu
tenho fé.
Tenho fé que vai dar tudo certo, sim.
E tenho fé que vão encontrar quem matou aquele Arthur Brandão.
E você desconfia de alguém?
Com aquela família lá, eu desconfio de todo mundo.
Todo mundo ali é capaz de ter matado aquele homem. Todo mundo. Não presta.
Aquela gente não presta.
Tem que ver.
Todo mundo só pensando no dinheiro do falecido.
Que isso.
Chega a dar arrepio.
Pensar que um parente seu, sangue do seu sangue, querendo te mandar pra
terra do pé junto.
É que por isso que eu tenho orgulho da minha filha, meus netos.
Orgulho dessa família que a gente é.
Orgulho. A gente tem lá nossas diferenças. Eu sei que a gente tem, é
claro.
Mas a gente se ama.
Sei que é importante, né, meu amigo?
É isso aí.
Amor.
Amor e trabalho.
É. Bora trabalhar. Vou lá no carro pegar umas flores. Segurei que eu já volto,
tá? Dá certo.
Dessa vez você não se assustou comigo?
Não. Eu senti o seu cheiro.
Eu só sei como reconhecer, aprendi.
Sempre que você, sempre que a senhora aparece, eu sinto esse
perfume de rosas.
E que engraçado, porque não passa perfume, não passa nenhuma colônia.
Rosa vermelha.
Olha.
Sente. Você vai ver que eu não estou mentindo.
Tem razão.
Por favor.
Essa rosa é sua, é um presente meu.
Obrigada.
Nossa, Daniel.
Que gentileza.
Você é um homem muito sensível, Otoniel.
A gentileza é uma das poucas coisas que, neste momento, restam para mim.
Por quê? O que foi?
Por que você está falando assim?
Você está bem? Não.
Péssimo.
O marido da minha neta acabou de morrer.
De uma maneira horrível.
Atiraram ele.
Lá do topo do prédio. Meu Deus do céu.
Saiu em tudo quanto é lugar.
A senhora não viu, não?
Saiu em jornal. Ele era um ricaço.
Eu lembro que você me disse que você era contra o casamento.
Pior que agora a coisa está mais complicada porque a minha neta está
sendo investigada com uma principal suspeita de ter matado o próprio marido.
Uma loucura, uma injustiça com ela. Ela não fez nada.
Calma. Você não pode perder a esperança.
A sua neta vai conseguir provar a inocência dela.
E quem cometeu esse crime vai ser descoberto.
Ô, Toniel!
Estou te chamando meia hora para ajudar com as flores aqui.
Eu estou aqui. Está com a cabeça no mundo da lua mesmo. Não é nada, rapaz. É
que eu estava conversando aqui com a Francesca. Estou na Francesca e... Que
Francesca? Assombração de novo, Toniel? E aí eu acabei me distraindo. Que
assombração? O quê, rapaz? Você está precisando se benzer para acabar com
suas visões.
Não é nada que se benzer, não. Você que não está entendendo. Ela é real.
Aliás, uma mulher muito bonita, por sinal.
É, deve ser mesmo. Pena que eu não vi. Aliás, graças a Deus que eu não vi, que
eu não vejo espírito.
Só fala besteira, isso sim.
Não é nada de espírito, não.
É que vocês se desencontraram até hoje.
Mas um dia você vai ver, você vai conhecer.
Desconjuro.
Desconjuro, meu amigo. Vamos mudar de assunto, vamos?
Vamos mudar de assunto e vamos trabalhar. Vem cá, me ajuda com essas
flores aqui, ó.
Tá cheio de floquinho, tô precisando arrumar. Já vou, já vou. Que coisa é
isso, meu? Olha aqui.
Ah, nossa festa do pijama foi divertidíssima. Ai, foi mesmo, querida.
Eu tô pensando nela até hoje. E aquelas comidas maravilhosas? A próxima é na
minha casa.
Não, vamos.
Semana que vem, de repente.
Foi babado e confusão.
Babado, babado, babado dos finos.
Beijo. Beijo.
Oi,
amor. Você demorou. Falou que tava chegando. Até coloquei o jantar na mesa.
Eu não vou tomar um banho, tá?
Mas... Bom, já vi que tá estressado, né? Como é que foi a reunião com o Ulisses,
a Pilar, a Silvana?
Eles não gostaram do que eu falei e nem do que eu tinha pra dizer. Então?
Ah, mas... Mas então, como é que ficou?
Ficou que eles não tiveram uma boa reação quando eu contei que o Pedro vai
defender a Adriana. Não, mas agora eu é que fiquei surpresa.
O Pedro vai defender a Adriana. Mas qual é a ligação? De onde veio a ligação dos
dois? Eles se conheceram naquele abrigo.
Ela ficou com a família por causa da enchente, fizeram amizade, ele ajudou
eles, enfim.
Ah, então eles se reencontraram no casamento dela com o Arthur.
Nossa, mas que coincidência.
É.
Mas o mais chato é imaginar que eu e Pedro vão estar em lados opostos no
caso, né? É, isso é muito chato mesmo.
Bom, mas quem sabe a Adriana consegue provar a inocência dela antes mesmo das
investigações. Duvido. Ela vai ser indiciada.
O que significa que eu e Pedro estaremos em lados opostos no tribunal.
Eu ainda tenho que pensar se eu quero ou se eu vou deixar isso acontecer.
Eu sei, mas tem como evitar?
Não sei.
Agora o meu maior desafio é enfrentar os gênios difíceis daquela família. Eu fui
falar com o Alibi, para a Silvana, para o Pilar, para o Ulisses, e ficaram todos
ofendidos. Ah, é?
É. Sabe que a Fábio comentou comigo que ela achou que o Ulisses estava
escondendo alguma coisa dela. Será que eles estão escondendo mesmo?
Não sei, eu tenho dois objetivos agora.
Tomar um banho e te dar um beijo. Pode começar.
Pelo primeiro.
O que foi, Ana de Paula? Me escuta, Fábio. Não contar pra ninguém sobre
a multa.
Você tá me pedindo isso, Lizzie? Sem perguntas, por favor. Só faz o que eu tô
te pedindo. Custa! Custa!
Abre.
Porque você tá mentindo pra mim e agora você quer que eu minta pras outras
pessoas.
Faz isso pelo seu marido.
Eu quero saber o que você tá escondendo de mim.
Nada.
Eu não tô escondendo nada.
Confia em mim.
Vô?
Você? Você aqui?
Hoje?
Eu preciso de você, vô.
Eu preciso muito de você.
Minha querida.
Minha querida.
Eu sinto muito a sua falta, vô.
Muito.
Se qualquer coisa eu quero te pedir, me desculpa, viu?
Desculpa por tanta bobagem que eu falei pra você, porque eu sei quem você é, eu
sei. Você não ia se deixar seduzir por dinheiro e muito menos ia se deixar
levar por a maior fortuna do mundo, porque eu conheço você, filha.
Vô.
O senhor me conhece.
O senhor me criou.
O senhor conhece o meu coração.
Isso.
Só que eu preciso honrar a promessa que eu fiz pro Arthur, a minha palavra com
ele.
Mesmo sabendo que esse dinheiro pode melhorar a nossa vida, ajudar a nossa
família, dar estudo pro Maurício, a saúde da minha mãe.
Sei, sei.
Eu entendo tudo isso, juro que entendo.
Mas eu não concordo, filha.
Ô, vô.
Eu tô com saudade de você.
Tô com saudade da gente juntos na mesa.
Comendo, conversando, dando risada.
Jogando carta, falando de novela.
Jogando... Jogando conversa fora.
A vida é melhor com você, vô.
Ai, meu filho.
É que...
Que bom te ver aqui.
Deixa eu te falar uma coisa, eu tô dando duro aqui, sabe?
Trabalhar de noite é fogo, mas vocês têm que dobrar turno.
Mas é porque eu tenho uma esperança, filha, que amanhã ou depois eu vou
conseguir juntar algum dinheirinho aí. Vai dar certo e nós vamos arrumar um
cantinho. Cantinho bom.
Pra nós todos, assim, de novo, pra ter aquela família assim, unida, como sempre
foi, não é?
Volta a morar com a gente.
Eu te peço, pô.
E não é depois, não. É agora.
Eu tô sendo investigada por um crime que eu não cometi.
E aquela família vai vir com tudo pra cima de mim, sabe? Se Deus lá fazendo o
quê? Pra botar a mão nessa herança que o Arthur não queria deixar pra eles.
Eu preciso do senhor, vô.
Eu preciso do senhor do meu lado.
Eu preciso da sua força. Eu quero todo mundo junto, reunido, vô.
Eu preciso.
Quando você era pequenininha, tinha tantos sonhos pra gente.
Mamãe sonhava em você crescer num lar de amor.
Nós três sempre juntos.
O que é isso?
Oi, amor.
Cheguei.
Você bebeu de novo, Tom?
Bebi.
Agora... Agora eu não posso beber. Agora eu não posso beber.
Pô, não. Tempo, amor. Tempo.
Tom, você tá se acabando desse jeito, meu amor. Você tá acabando comigo
também. Fala, fala, fala.
Para com isso. Um beijo.
Para. Vem.
Cadê a Dafne?
Vou falar de um, né? Não, não, você não vai falar nada. Não, eu vou falar, pô. É
minha filha. Ela tá dormindo. Você sabe que horas são?
Ó.
Sabe o que é isso?
Tá com cheio.
Tá igual a sua mãe. Não fala da minha mãe. Você não fala da minha mãe.
Tá bom.
Tá.
Caralho.
Ei.
Criança louca.
Ó, posso, posso, posso te dizer uma coisa?
Pô,
aquela macarronada quente, quentinha, tá pra mim?
Porque daí a gente torna gostoso.
Se você quer comer, você vai lá na geladeira, pega alguma coisa pra você.
Amor, amor, tô te pedindo.
Hein?
Eu, hein?
Me ajuda, me ajuda.
Me ajuda a ter forças pra sair dessa situação, meu Deus.
Atenção.
Estas são as instruções para ser feliz.
Mas tenha cuidado porque se te vai quitar a tristeza.
Estamos prontos.
Estamos prontos.
Vai sair, filha? Não posso ficar parada vendo o Pedro se afastar de mim.
Sem fazer nada pra ele pedir.
Peraí, filha, peraí. Aconteceu alguma coisa? Por que você tá pensando nisso
assim agora, de repente?
Aconteceu, mamãe.
Sonhei com o Pedro essa noite.
Sonhei que a gente ainda namorava.
Foi um sonho tão real, tão lindo.
Pedro, mamãe.
Eu não vou ficar sem ele.
Peraí, peraí. Calma, filha.
Eu tenho medo que se você for atrás dele agora, ele não queira te ver, filha. Aí
você vai se machucar.
Eu sei.
E é por isso que eu vou procurar alguém que interceda por mim.
Está no despacho do juiz. Tá bom.
Então verifica lá mesmo se deu certo, aí você me fala. Oi.
Licença. Bruna.
Tudo bem? Pai, com licença. Que surpresa.
A gente se falou pouco no casamento do seu Arthur, né?
Aliás, que tragédia.
Sinto muito pela perda.
Obrigado. Eu ainda sinto bastante a perda do meu amigo.
Mas você, o que deu a surpresa? O que está fazendo?
Tentando fazer a vida caminhar.
Esses dias eu tentei um emprego na joalheria com o Tiago, mas ele falou que
agora as contratações passam pela Adriana.
Sim, todas as decisões são da viúva. Mas eu não vim falar dela.
E nem do seu Arthur.
Eu queria falar do Pedro.
Certo. Valeu.
Por favor. Eu sei que eu errei, seu Ademir.
Eu fiz a maior burrada que eu já fiz na minha vida inteira.
Eu segui as besteiras, as mentiras que a minha mãe quis inventar.
O senhor sabe melhor do que ninguém que eu amo o seu filho.
Não sei viver sem o Pedro.
O que você fez foi horrível.
Eu sei.
Inventar uma criança que até eu cheguei a amar.
Mas, de algum jeito até, eu entendo.
Quem nunca errou por amor?
Que bom que o senhor me entendeu.
Eu fico até mais calma e com coragem de te fazer um pedido.
Eu quero a sua ajuda para me reaproximar do Pedro.
Eu não sei se eu tenho esse poder todo sobre o meu filho.
Mas você pode tentar, pelo menos.
Por favor.
Eu não sei mais o que fazer.
Tá bem.
Vou considerar teu pedido.
Mas vou pedir outra coisa em troca.
O que o senhor quiser.
Eu vou pedir pra você tentar convencer o Pedro a abandonar o processo da Adriana.
O Pedro vai defender a Adriana?
Eu juro pra você que eu não tinha percebido que tinha um sentimento da
parte dele por mim, entendeu?
Toda vez que ele tava querendo ajudar a minha, a minha família, eu entendi que
era o jeito dele.
Seu vontade é de procurar essa Adriana, colocar essa golpista no lugar dela.
Você tem que ser fria. Você tem que encontrar uma maneira inteligente de
separar aqueles dois.
Tá puxado pra gente, viu?
Daqui a pouco vai ter sua louça na mesa.
Eu não tô acostumada a digerir porcelana, não.
Que malé é essa? Eu vim morar aqui.
Meu lugar é aqui, com vocês.
Oh, oh, oh
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