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No capítulo anterior.
Foi ela que matou o meu irmão. Se a Adriana é considerada culpada,
ela não leva a herança embora com ela.
Todos que estavam presentes no casamento serão intimados a depor.
E como as câmaras de segurança estavam desligadas, na verdade, pode ter sido
qualquer pessoa.
E ainda bem que você ficou em casa.
Não ficou?
Você falou que se ele encostasse na Adriana, você era capaz de matar ele.
Cala a boca, Maurício. Você não repete isso.
Eu quero alinhar os nossos depoimentos pra polícia.
Nós quatro vamos dizer que a Adriana tinha motivos pra
matar o Arthur.
Fique agora com o capítulo de hoje.
Eu... eu não vou depor.
Eu não fui na festa, eu nem cheguei perto de lá.
Você é irmão da vítima, Ulisses.
É óbvio que você vai depor, nem que seja pra falar se ele tinha desavenças com
alguém. Vou? Vai!
Bom, voltando um pouco, desde o início, quando ela entrou naquela casa, ela já
começou a se apoderar de tudo.
Como assim se apoderar?
Ela viu que ela podia ter uma vida diferente, né? E a primeira coisa que
ela tomou posse foi da atenção do doutor Arthur.
Porque antes ele conversava muito com a gente, com o Edivaldo, perguntava a
minha opinião sobre tudo.
E depois que a Adriana chegou lá, era só Adriana, Adriana pra cá, Adriana pra lá.
Isso tá me cheirando a ciúme.
É, todo mundo sempre soube que você queria ser esposa e não governada do meu
irmão.
Eu nunca me insinuei.
Doutor Ulisses, se eu fui apaixonada pelo seu irmão, isso eu não posso negar,
foi platonicamente.
E eu nunca fui correspondida. Ah, mas olha aí, coisa boa, né?
Isso é bom, que aí é mais um motivo pra gente acabar com a festa daquela
empregadinha sem teto, né?
Que roubou a pouca atenção que meu irmão te dava, né? Poxa vida, Pilar, não fala
assim, querida. Mas é verdade. Olha, eu não tô bem, tá? Eu não tô bem, eu quero
ir embora.
Fala logo o que é pra gente fazer, Pilar.
Bom, a gente vai contar sobre o passado da Adriana, né? Então,
sem teto, porque perdeu tudo, ficou desabrigada.
E aí viu o Arthur, velho, frágil, demente, e
tramou um golpe, quis dar um golpe nele. O que ela fez?
Ela se infiltrou na casa.
Como? Como fisioterapeuta.
Uma amizade tão pura como esse diamante.
Foi assim que ele definiu a nossa relação no dia em que ele me deu esse
anel de presente.
Ah, o Arthur.
Desde que ele me conheceu, ele só quis o meu bem, mãe.
Filha.
Você também só quis o bem dele, minha filha. É verdade.
A Rosa contou.
Quanto ele mudou depois que você veio cuidar dele aqui.
Ela falou que não foi só a parte motora, foi o humor também dele que mudou, sabe?
Ele foi... Ele era uma pessoa tão maravilhosa.
Meu Deus.
Tá tudo como ele deixou.
Olha... Ele gostava tanto de ler.
Eu acho que esse daqui era um dos favoritos.
É muito triste ele ter partido assim, mãe.
Meu Deus.
Filha, filha, é triste, é triste.
Triste. Sei que não é justo.
Vai vir muita injustiça agora pra você.
Você está preparada, Adriana?
Eu estou desesperada, mãe.
Essa gente não vai me deixar em paz.
Eu sei disso.
E a gente acabou de ter uma amostra de todo esse mal agora, no velório.
Essa família vai fazer de tudo para você não ficar com o que ele quis deixar para
você.
Que Deus nos proteja, mãe.
Tá tudo aí. Foram encontrados duas armas do local, 250 mil espécies e 10 cartões
de crédito.
Bom, pode fazer o registro da apreensão, então.
Vai. Sim, senhor. Valeu.
Bora trabalhar, querido. Vambora. Vambora. Tá atrasado.
Valeu.
Alguma novidade?
Caso Arthur Brandão. E aí?
Saiu o resultado do laudo preliminar da perícia.
Tudo indica que ele foi empurrado.
Bom,
hoje a gente vai receber os depoimentos de quem esteve na casa, não é isso? Sim.
Alguns já estão aí fora.
Perfeito. Bom, vamos começar logo.
Bora.
O doutor Arthur era a melhor pessoa que eu já conheci.
Ele tinha, sim, alguns problemas de saúde trazidos pela idade.
Mas eu gostava muito dele.
Era muito generoso.
Um bom irmão.
Ele cuidou sempre de mim.
Eu me preocupei muito quando ele me disse que estava envolvido com uma
mulher tão mais nova.
Me preocupei muito.
Uma mulher que perdeu tudo numa enchente, foi morar num abrigo, que de
repente encontra um milionário, solitário, carente.
Eu nunca me meti na vida de patrão.
Mas eu vi várias vezes essa Adriana manipular emocionalmente o doutor
Arthur e... Ele não merecia ter
morrido daquele jeito.
Pode? Pra cá?
Assim, eu não vou negar que eu estranhei uma funcionária, né, que nem eu, virar
patroa. Que esse tipo de coisa não acontece.
Mas eu não tenho o que falar dela.
Olha que eu conheço a Adriana e a família dela há muito tempo.
Ela é amiga da minha filha, a Elenice, mas desde pequenininha. Eles são gente
muito boa.
Gente simples, né?
Vem cá, acabou.
A gente foi morar na casa dele porque ele convidou.
Minha filha não pediu nada.
Bom, ele tava na joalheria, sim.
Escolhendo um anel de diamantes pra ela.
No dia do casamento.
E depois eu soube que tinha sido uma exigência dela.
Da noiva.
Arthur é um amigo querido.
É, não.
Era um amigo querido.
Eu não a conheço direito.
Eu acho que ela é uma mulher bonita.
Mas eu não acho que ela seja muito bonita. Eu acho que ela é normal.
Eu acho que ela não se destaca.
É, acho que é isso.
Mas...
Meu tio não tava morto, né? Quer dizer, agora... Agora realmente ele tá...
E isso parece bem... Bem definitivo, assim.
Desculpa, acho que... Acho que eu não tô me sentindo muito bem.
Eu consigo, por favor, um... Um cafezinho?
Já que vai pegar o café, se puder também um pãozinho na chapa.
Todo mundo tá aqui de graça, né?
Vai gravar?
Eu conheci a Adriana no abrigo quando eu tava trabalhando como voluntário, depois
daquela enchente, né?
E tava com ela quando ela reconheceu o corpo do marido.
Conheci toda a família dela, gente boa.
Parece gente muito boa, assim.
E... A Adriana sempre fez bem ao meu padrinho, sabe?
Parece que eu estou vivendo um pesadelo.
Eu tive com o Arturo os dias mais tranquilos da minha vida.
Porque ele me compreendia.
E porque ele se importava com a minha família.
E comigo.
E eu com ele.
Cada vitória que ele conseguia.
No processo de melhora dele, era também uma vitória minha. Ele ainda ia viver
tanta coisa.
Ai, tá tão difícil sem ele.
Vocês vão ter que descobrir o que aconteceu naquela noite.
O laudo preliminar da perícia confirmou que ele foi empurrado.
Uma golpista.
Eu sei.
Pode ser que a palavra seja um pouco forte.
Mas está tão claro para mim.
A Adriana se casou com o meu irmão.
Sem amor.
E agora tem uma fortuna nas mãos. Isso aí não é golpe.
Então a senhora acredita que ela matou seu irmão?
Eu não estou afirmando nada.
Eu tô... Eu tô só observando...
Que a única pessoa que se beneficiou com a morte do meu irmão... Com
a morte... Com a morte do Arthur... Foi essa Adriana.
Tá me acreditando?
Eu vou encontrar logo essa mulher. Eu não queria encontrar ninguém dessa
família aqui. Não dá papo pra essa mulher. Não dá papo pra ela.
É aqui, né?
Aproveita bem esse tempinho de liberdade, viu?
Assassina.
Daqui a pouco, você vai estar atrás das grades.
Isso não vai acontecer.
Porque eu não matei seu irmão.
Agora, quem fez isso vai pagar.
Vai pagar sim.
Se Deus quiser.
E a justiça permitir.
Bonitinha, né, sua filha?
Calma, deixa. Dá uma respirada, vai.
Deixa pra lá.
Você acha que pode ter sido ela?
Eu não confio em ninguém dessa família, mãe.
Muito menos nessa... Pilar.
Que fez tanto mal pro Arthur.
Agora, de coração, né?
Eu torço muito pra que não tenha sido nem ela, nem o Ulisses.
O quê?
Ah, mãe.
Porque seria um fim de vida muito triste pro Arthur ser morto por um irmão.
Filha.
Olha,
eu tô impressionado com os depoimentos desse cara.
Principalmente no que diz respeito à Adriana Brandão.
Alguma coisa te surpreendeu?
O ódio que essa família, principalmente os irmãos da vítima, tem dessa mulher.
Mas não é normal, né?
Ela que vai ficar com a herança milionária que, por natureza, seria dos
dois e do sobrinho, filho do irmão que morreu.
É. A herança vai toda pra viúva e o resto vai ficar de mãos vazias.
Mas uma coisa a gente não pode deixar de dar razão a eles.
O quê?
A aproximação dessa mulher com o Arthur Brandão foi rápida demais.
Ela pode sim ter seduzido o velho e ter dado um jeito de se livrar dele logo
depois que casou.
O que torna a Adriana Brandão a maior suspeita.
E aí, como é que foi lá? Como é que foi lá?
Péssimo!
Sabe o que as outras pessoas falaram, né?
Aquela família me odeia, mãe.
Eles estão colocando a culpa em mim.
Mas também, né, eu era a única pessoa acordada na hora da morte do Arthur.
Funcionário já tinha ido dormir, vocês também.
Mas e daí, alguém pode ter entrado aqui?
A gente não sabe, tava sem energia, as câmeras não estavam funcionando. Sim,
justamente, meu irmão. Se alguém entrou, não dá nem pra provar, entendeu?
É, mas não sofre por antecipação, né?
Eles podem ter falado mal de você, mas muita gente pode ter falado do bem que
você fez pra vida do doutor Arthur.
Essa é a minha esperança, mãe.
Torcer pra alguém mais ter falado a verdade da gente.
Pathy, não fala isso.
Você sabe que eu sou louco com você.
Hoje eu tô trabalhando e não vai dar pra gente se ver, tá?
Depois eu te ligo.
Tá bom, beijo.
E aí, cachorro? E aí?
Tudo certo? Tudo certo, não vou ser rei. Tá, tudo certo.
Tudo bem.
Como é que foi o depoimento?
Não, foi tudo bem, tudo certo.
Perguntaram um monte de coisa, eu respondi um monte de coisa.
Aí eu falei que a única coisa que eu achei estranho foi ter acabado a luz no
meio da cerimônia, por isso que as... Que bagunça isso aqui, hein?
Que bagunça isso aqui, hein, Clebinho?
Por isso que as câmeras desarmaram, né?
Você tá estranho, né, velho? Eu tô estranho? Por quê? Claro que você tá,
não sei.
Eu não. Sou normal.
Isso. Você perdeu seu padrinho também, cara. Ah, talvez é por isso que eu perdi
meu padrinho, que era minha referência, né, Clebinho? Eu já fui mais sensível.
Ah, filho.
Mas não é só isso, não, Clebinho. Desculpa, eu cheguei aí todo... Tudo
certo. Eu conversei com meus amigos lá da DP.
Sabe o que eles disseram pra mim? O quê?
Que a única suspeita até agora...
É a Adriana, cara.
Vai que é?
Mas é... É isso, então.
A gente já tinha falado rapidinho, mas... Eu quero que você represente a
família nesse caso.
Não um pouco precipitado?
Nem caso pra ser defendido tem?
Não, mas tem uma investigação em curso, né? Tem, mas não se sabe nenhum. Nem tem
um suspeito da morte do Arthur ainda.
Mas vai ter, né?
Vai ter aquela empregadinha sem teto, Adriana.
Ela pode até integrar a lista de suspeitos da polícia, mas daí até ser
acusada... Eu vou tomar um café, quer?
Não.
Deixa eu te falar, Demir. Ó, eu, Ulisse, Silvana e
Dinah...
A gente alinhou os nossos depoimentos. Claro que eu tô falando isso pra você
totalmente em off. Alinhar depoimento é uma coisa grave. Isso é grave. Não, o
quê? É pra cada um falar o que sabe, a partir do seu próprio ponto de vista.
Papinho! Tá com papinho pra cima de mim, Ademir. Todo mundo sabe, hein? Que você
faz coisa pior pra condenar ou inocentar alguém.
É pra isso que você veio?
Questionar meus métodos de trabalho aqui no meu escritório?
Eu sou um advogado sério.
Tá bom.
Desculpa. Vamos lá.
Eu vou ser bem objetivo, então.
De novo.
Eu quero que você...
Seja o advogado da família Brandão contra a Adriana assim que essa ação for
apresentada. Ótimo, assim, se ela for apresentada, aí pode ser que eu tente te
ajudar da melhor maneira que eu puder, tá bem?
Tentar?
Você não vai tentar, querido.
Você vai conseguir.
Eu quero que você coloque a Adriana atrás das grades.
Do mesmo jeitinho que você consegue tudo pros seus clientes.
No mesmo esquema.
Quando você pensa que tá tudo errado e negativo e que ainda vai
piorar.
Piorar.
Para todo mundo a vida é difícil, mas todos fazem seu sacrifício para
melhorar, para melhorar.
Lá vem o sol para derreter as
nuvens negras, para iluminar o fim do túnel e a luz do céu.
Para inspirar os seus desejos. Para fazer você encher o peito e cantar.
Eu não sei do que você está falando.
Ah, Ademir, vai. Para cima de mim.
Que desnecessário isso aí.
Tá bom.
Pode ser mais claro?
Eu vou ser muito clara.
Eu sei do esquema da compra de sentença.
Eu não tenho ideia de onde você tirou isso.
Não. Como assim? Não adianta se negar. Não adianta. Olha só.
Eu posso ter brigado bastante com meu irmão nesses últimos tempos, mas nós já
fomos bem próximos. Aí conversa vai, conversa vem.
O Arthur deixou escapar, né?
Alguns segredinhos bem sujos teus. Bom, o meu irmão, ele não
gostava nada desse teu lado escuso. Isso é um absurdo. O
Arthur jamais falaria isso. Até mesmo porque não é verdade. Olha, quer ver uma
coisa? Eu daria, quer ver? Um, dois, três.
telefonemas e confirmaria tudo isso com gente que eu conheço.
Conheço bem gente que se beneficiou com esse teu esquema aí.
Eu?
Eu não quero te expor a Denise, não.
Eu quero... Eu quero que você use os seus métodos pra condenar a Adriana pelo
assassinato do meu irmão.
Você tá blefando.
Será? Você quer pagar pra ver?
É a sua palavra contra a minha.
Pensa.
Pensa bem se não tá sendo mais vantajoso pra você o meu silêncio.
Adriana. Oi? Tem um oficial de justiça na porta te procurando.
Bom dia.
Adriana Brandão?
Sou eu. Sou oficial de justiça. Eu tenho uma intimação para entregar para a
senhora.
Por favor. Sim. O que você está dizendo aí, meu filho?
Você está dizendo que eu vou ter que voltar para a delegacia.
Mas por quê? Eles vão querer outro depoimento seu?
Só que dessa vez eu vou ter que... Vou ter que depor como investigada.
Mas agora ela vai ser investigada, porque o oficial de justiça trouxe a
intimação. Perfeito, tudo isso exatamente como eu planejei.
Ai, ai, ai, a senhora tinha toda razão. Aqueles depoimentos combinados deram
super certo.
A gente não fez nada de errado, porque ela realmente jogou o Arthur de lá de
cima.
A gente só ajudou esse delegado a entender que essa Adriana aí entrou do
nada na vida do Arthur e seduziu ele pra ficar com a herança.
Pô, pista.
Cretina. Uma bisca, né? Uma bisca. Ela é bisca. Eu não aguento mais ver aquele
povo transitando pelo apartamento como se fossem donos. Como se tudo aquilo
fosse deles. Calma, Dina.
Calma.
Isso aí já tá com os dias contados, porque já já a Adriana vai ter que se
mudar de lá, vai morar em outro lugar.
E pra onde?
Numa cela de prisão. Onde é que ela vai morar?
Suspeita de assassinato, mãe. Isso não é justo, né?
Tá na cara, né? Tá na cara que aquela família armou pra cima de mim. Eles
devem ter falado o quê? Que eu me joguei pra cima do Arthur, que eu me casei com
ele por interesse. Nossa, que pessoas horríveis, viu? A cabeça de tudo isso, a
cabeça de todo esse mal é a Pilar.
Ela queria interditar o Arthur pra botar a mão no dinheiro dele. Ela quis dopar o
Arthur pra ele parecer lá todo desorientado na frente do juiz.
Nossa, mulher, não presta.
Ela vai fazer o que for preciso pra te incriminar. Eu tenho que conseguir ficar
calma. Eu tenho que conseguir ficar calma.
Porque eu não matei ninguém.
Eu não vou ter que pagar por um crime que eu não cometi.
Claro.
Tô muito nervosa, me abraça, mãe.
Calma, filha, calma. Vai dar tudo certo, calma. Adriana, o vovô tá aí.
Tá lá na sala. Ele veio aqui ontem, só que vocês não estavam em casa. Por isso
que eu não avisei nada.
Olá.
Ainda bem que dessa vez eu tô em casa.
Oi, Lola.
E aí?
Lola, minha querida neta.
Minha neta.
Lamento muito o que aconteceu, viu?
Eu até falei pro seu irmão.
Eu não tinha lá grande simpatia pelo doutor Arthur, mas...
Morte. Deus me livre.
Bom, morte ninguém deseja, né?
E você, filha?
Como é que você tá? Tudo bem?
Indo, né, pai?
Imagina.
Vem, vamo sentar. Vem cá.
Bom que você veio, pai.
Feliz de te ver, Fernando.
Não, feliz de te ver. Vamos.
Entra aqui, por favor.
Vamos lá.
Aqui?
Eu acabei de receber uma intimação para depor novamente, só que dessa vez
como investigada.
Você suspeita de ter matado o doutor Arthur? Mas é um absurdo isso.
Absurdo. Você não seria capaz de matar ninguém.
Acontece que eu sou a suspeita perfeita.
Eu sou a única herdeira da fortuna do Arthur.
E eu também fui a última pessoa a estar com ele.
E eu tô certa de que aquela família deve ter sido bastante convincente com o
delegado. Eu sabia.
Tava uma coisa aqui me dizendo que esse casamento só ia trazer coisa ruim pra
gente.
Agora, tá bom, vamos lá. O que eu posso fazer? Como é que eu posso te ajudar?
Só de estar aqui o senhor já está ajudando muito.
E você, pai, como é que você está?
Você está dormindo aonde? Filha, eu dei o meu jeito.
Está tudo bem.
Eu estou, é claro, com saudade de vocês, né?
A gente também, vô.
A gente está morrendo de saudade do senhor.
Vem para cá.
Fica aqui junto com a gente.
O que é isso, minha filha? Neste apartamento? Mas de jeito nenhum.
Vô, para de ser orgulhoso, vai.
Como é que é, menino?
Orgulhoso? Isso é princípio.
Eu estou aqui justo para falar para vocês irem embora daqui.
É isso.
Isso aqui é um lugar amaldiçoado.
Vamos embora daqui.
A gente vai arrumar um lugar para a gente ficar tudo junto, direitinho, como
sempre foi a nossa vida. Uma família ali junto, um pelo outro.
Vocês estão lembrados disso?
Hein?
Tá prechou, hein, Rosa? A gente vai nessa, né?
Beleza.
Onde você estava, Dinah?
Desde quando eu te devo satisfações?
Eita, hoje está mais azeda que o normal, né? Eu não suporto ter que conviver com
essa Adriana e a família dela.
Ah, não?
É melhor você ir se acostumando, viu? Porque o seu Antônio está aí, tá?
De repente eles vêm morar todos juntos.
Pelo amor de Deus, mais um. Não brinca comigo, não. O que é isso? Está
incomodada? Pede demissão, boba.
Mas não é.
Pede as contas e tchau.
É mais fácil. Você ir pro olho da rua.
Ai, Tina, chega.
Para de implicância com a Adriana e a família dela.
Ela é a nova patroa. Pronto, acabou.
Receba. Tá bom, tá bom. Mas vamos ver. Vamos ver quanto tempo que isso vai
durar. Só quero ver.
Eu quero ver. Vocês estão falando muito?
Eu quero ver o que vai durar.
Brigitte?
Ah, Guilherme.
É o Guilherme da Ingrid, né?
Desculpa que eu não enxergo muito bem desse olho aqui.
Entendi.
Legal que você lembrou de mim, tá?
É, na verdade eu tava olhando pra você pra ver se você tava olhando pra alguma
mulher bonita. Porque se você estivesse olhando, eu ia contar pra minha irmã.
Entendi.
Passei no seu teste, né?
Passou. Que bom.
Quer sentar?
Uhum. Pode ser.
Brigitte, posso ser honesto com você?
Olha só, eu não vou negar assim que eu tô saindo com outras pessoas.
Tá, por favor.
Mas... Cara, sua irmã não sai da minha cabeça.
Mesmo ela me esnobando, eu sei.
Ela te esnoba, né?
É.
A última vez que a gente se encontrou, ela tava assim, esperando o cara. Eu
também tava no encontro. Aí eu tive a ideia de fazer uma proposta.
Que era da gente sair dali juntos.
Largar os dentes?
Foi. Ela não gostou da ideia, virou a cara pra mim e foi embora.
Não, mas é muito tóxico mesmo. Você não ficou pensando na menina?
Bom, de qualquer forma, eu acho que hoje é um bom dia pra você procurar minha
irmã.
É? É, porque a gente tá vivendo uma tragédia na família.
Meu tio morreu.
Enfim, não tá sendo fácil pra gente.
E quanto menos pra ele.
Eu acho que você poderia encontrar com ela.
Ingrid, você está demitida.
O que eu fiz?
Nada. Você não fez nada.
Então eu não posso ser demitida se eu não fiz nada. Tem que ter algum motivo.
Pergunte para sua mãe.
Tio, seja lá o que for que minha mãe tenha feito, eu não tenho nada a ver com
isso. Não mesmo, Ingrid.
Ai!
Droga, o que é?
Machucou? Destraí, né? Cheio e meio aqui nessa bosta. É, distrai, fica assim, meu
amor. O que é que tá aí com essa cara?
Sinto falta, né, mãe?
Sinto falta da joalheria. Gostava de trabalhar lá.
É, não.
Você tem que ser mais paciente, né? Cadê o sal dessa casa? Lá.
Lá. Já, já, meu amor, você não só vai voltar a trabalhar na joalheria...
Como você vai ser uma das donas dela? Achei. Ai, tá acabando já.
Uma das donas. O que que é? Você, às vezes, você tem uns lapsos, assim, na
tua cabeça.
Donas. A dona de tudo vai ser a Adriana. E nunca, nunca que ela vai deixar eu
voltar pra lá.
Você está sendo muito pessimista, minha filha. Porque sabe o que você se
esquece? Que quando a Adriana for condenada pela morte do seu tio, ela vai
perder todo o direito que ela tinha à herança.
O problema é que a Adriana não está sendo acusada de absolutamente nada.
Ah, minha filha, mas eu estou plena de novidades.
A Adriana agora é oficialmente suspeita pela morte do Arthur.
Não brinca.
Sério.
Tudo isso é maravilhoso. Toma uma semana aqui.
Tá. Tá bom, tá bom.
Já te ligo. Beijo. E aí, gatinho? Tchau.
Pô, não sai desse telefone, hein, filho. O que foi?
Tudo certo, Pedro.
Tudo certo o quê?
Acabamos de ganhar lá a pensão da dona Nilza. Ah, dona Nilza. Eu ia te
perguntar isso.
Parabéns. Mais uma, né, papai? Não, merece. Então, mais uma, né, papai?
Agora você fala mais uma, né, papai?
Eu falo pra você, a gente só ganhou até agora, filho.
Tem que confiar mais em mim, entendeu?
Quantas a gente perdeu até agora no escritório?
Nenhuma, filho, nenhuma.
Agora é a hora de você falar. É, Pedro, você é um visionário. Que bom que você
insistiu pra gente abrir nosso escritório. Tudo bem, tudo bem, ok. Não
é? Ok, ok, ok.
Pô, só vitórias?
Guarda aí pra mim.
Olha só, mas eu tenho uma coisa chata pra falar pra você, viu?
O que que é?
Você sabe que eu sou amigo de umas pessoas lá no escritório do seu pai
ainda. Ah, eu sei que você é amigo de muitas pessoas lá no escritório do meu
pai. Eu sei que pessoas são essas que você é amigo.
Não foi assim, né?
Muitas pessoas ele deixou com o coração partido. Meu pai fala até hoje dessa
menina. A coisa é séria. Já tem uma pessoa investigada sobre a morte do
Arthur Brandão. Eu sei, eu falei pra você. A Adriana. A Adriana? Mas ela não
vai ser acusada de nada, Clebinho. Não tem mil maneiras de defender a Adriana,
de provar que ela não fez nada.
Imagina. O problema vai ser ela enfrentar um dos maiores advogados do
Brasil, né?
Quem?
Seu pai.
Quem foi que falou isso pra você?
Sabia que você ia ficar mal. Não sabia que eu ia ficar mal, não. Quem foi que
falou isso pra você?
Quem falou que meu pai vai advogar pra essa gente? Sim, Pedro. Como você soube
disso? Não tem nada de estranho nisso. Seu pai sempre foi advogado da família.
Nunca foi, nunca foi, Clebinho.
Nunca foi advogado da família.
Sempre foi advogado do meu padrinho. Já advogou contra a família a favor do meu
padrinho mil vezes.
Contra a irmã maluca dele que tá tentando roubar ele.
Tem muito estranho isso. Muito estranho meu pai não me contar isso.
Como é que você ficou sabendo disso?
Pessoal, não acho tão estranho eles quererem saber. Quem empurrou o velho lá
de cima?
O velho lá de cima?
Desculpa, Pedro. Foi só jeito de falar.
Só jeito de falar. Você tá demais, Rosalind.
Olha só, eu fiquei sabendo que nos depoimentos a família tá querendo fazer
a cova. Mas é claro que a família tá querendo fazer a cova. Você sabe muito
bem o que eles querem. Eu quero saber quem matou, quem não matou o meu
padrinho. Você sabe o que eles querem? Eles estão querendo a grana do seu
padrinho, né?
Que é uma fortuna, né, Cleminho?
É.
Eu fiz uma promessa pro Arthur que eu vou honrar. Eu não vou entregar tudo de
mão beijada, tudo que ele tem pros irmãos do meu amigo. É isso mesmo?
Ou esse luxo todo já virou tua cabeça?
Sim, porque agora você é dona e senhora de tudo isso aqui e muito mais, né?
Pai, até parece que você não conhece a neta que tem.
É, eu bem que tô gostando de todo esse conforto. Olha só, olha como você está
ficando. Fala feito homem, baixa essas asas. Chega.
Não quero mais que você fale desse jeito com meu irmão, vô.
Você viu isso, Elisa?
Você que me disse que ela é a mesma.
Que essa riqueza toda não estava virando a cabeça dela.
Olha aí.
Olha aí.
Pai.
Pai. Deixa ele ir, mãe.
O dia em que ele quiser voltar, a gente vai estar aqui esperando.
Meu Deus do céu.
Ai, eu lamento tanto tudo isso, gente. Vocês me desculpem. Olha, ver o Etoniel
assim, sem aceitar a vida que vocês estão levando agora.
A Adriana sendo investigada. Meu Deus do céu, se eu soubesse.
Ai, minha filha, eu nunca teria te indicado pra esse trabalho, meu.
Imagina, Rosa, você não tem culpa de nada. Você foi maravilhosa. O que é
isso? A gente jamais poderia imaginar que o Arthur...
Ele seria morto. Não fica assim não, minha
filha.
Olha, você tem que ser forte.
O doutor Arthur gostava muito de você.
Eu sei. Foi por isso, inclusive, que ele quis te deixar a herança dele.
Essa maldita herança, né?
De tanta briga, de tanta ganância.
Minha amiga, a culpa não é do dinheiro, não.
Com ele a gente ainda pode fazer muita coisa boa.
O problema são as pessoas.
Essas, sim, fazem qualquer coisa por causa dele.
Pilar, Ulisses... Todos os outros, né, Adriana? A gente não pode esquecer que a
dona Silvana e os sobrinhos do doutor Arthur não ficam pra trás, não.
Que família é essa, gente?
Ainda tem a Dinah que tá do lado deles.
Ela veio falar pra mim, me pedir pra não casar com o Arthur.
Mentira, a Dinah?
Foi. Na noite do casamento.
Chegou pra mim e falou que amava o Arthur e que eu não estava à altura de
um homem como ele. Ela queria estar no seu lugar, né, minha filha? Então, tenho
certeza que foi ela que foi lá e fez a minha caveira pro delegado.
Ela e os parentes do Arthur.
E é por causa desses depoimentos deles que agora a polícia tá achando que eu
sou.
Uma suspeita.
Eu não gosto dessa de nada.
Vai ser difícil conviver aqui com ela nessa casa. Por que você não demite essa
mulher? Porque se eu fizesse isso, eu vou dar mais munição pra ela, mãe. Vamos
entrar nessa não.
Vamos ficar aqui na nossa.
Porque eu fico pensando, às vezes é ir embora dessa casa, sabe? Não, não.
Não pode fazer isso.
Eu sei que tá difícil, Adriana. Mas você tem que aguentar firme, minha filha. Ai,
meu Deus do céu.
Você não pode esquecer.
Lembra que o doutor Arthur confiou a você o último desejo dele?
Lençol mal dobrado e mal passado.
Eu passei tudinho, só que o lençol de elástico, ele é rebelde. Ah, vai lá
resolver esse problema pra mim, Titi. Por favor, que lençol rebelde agora?
Que que é isso?
Você tá satisfeita que a minha filha vai ser investigada?
Suspeita de ter matado o doutor Arthur?
Se ela vai ser investigada, deve ter algum motivo, não é? O motivo é você,
Dinah. Você, a Pilar e essa família toda dela foram encher o ouvido do delegado.
A culpa é sempre dos outros, né?
O doutor Arthur não se dava bem com a família.
Ele era maltratado.
A Pilar queria interditar ele como incapaz. Você sabe disso.
O problema da Adriana é com a polícia e com a justiça, não comigo.
Você acha mesmo que a minha filha seria capaz de uma coisa dessas?
Seria capaz de empurrar o doutor Arthur daqui de cima? A polícia vai descobrir o
que aconteceu.
Mas que coração ruim é o seu, né?
Se juntou com a Pilar para prejudicar a minha filha, querendo que ela pague por
um crime que ela não cometeu. Se ela não cometeu, não há nada a temer, não é? Não
há mesmo.
Deus sabe que ela é inocente.
Pena que Deus não é o juiz que vai julgar a sua filha, caso ela seja
indiciada. Com licença.
Mais um! Mais um! Mais um! Mais um!
Mais um! Mais um! Mais um!
Mais um! Mais um! Mais um!
Mais um!
Peraí. Nossa, a Dora tá conseguindo mesmo. Meu Deus do céu. Não, eu não vou
tentar, não. Não tá dando pra mim.
Amigas, posso falar? Fala, amor.
O Uli tá inconsolável com a morte do Arthur. Ué, eu enxerguei. Inconsolável
por quê?
Eles não se falavam ultimamente?
Ah, coisa de... Ah, eles tinham tido uma briga, mas era um desentendimento
temporário. Mas o Uli sempre amou o Arthur. Sempre amou tanto que nem foi no
casamento dele, né? E eu tô com pena da garota, do Adriano.
Dora. Pena. Dora Sango Dora, né? Você tem pena de tudo, Luna.
Pelo amor de Deus, essa menina tirou a sorte grande.
Vai herdar o Luna?
Se herdar... Gente, que mesa é essa?
Eu só reflitei com vocês.
O que o Ademir me disse é que a situação dela está bem complicada, porque ela vai
ser investigada.
Ela é a principal suspeita pela morte do Arthur.
A principal.
Isso também não me surpreende.
Eu quero.
Sabe por quê? Eu não conheço a Adriana direito, mas vamos combinar, né? Ela tem
idade para ser neta do Arthur.
Então, o Arthur pode ser avô dela. Exato. É, mas eles casaram, né?
Casaram, mas... E o pior é que a situação dela vai complicar.
Se realmente ela for indiciada, quem vai representar a família?
É o Ademir. O Ademir? Ah, bom, agora eu fiquei com pena dela.
Coitada. Vai apodrecer na cadeia.
Gente, mas se ela fez mesmo isso, ela tem que pagar pelo que fez. Ah, pra
vocês herdarem, né, Fábio? Porque ela sendo condenada, quem herda é a família,
né? Sim. De onde nunca devia ter se falido a herança. Sorry, mas vamos
combinar? Esses anos todos, a gente ali, ao lado do Arthur, aguentando aquela
versão ranzinza dele, pra no final chegar uma mulherzinha, uma empregadinha
qualquer, ia dar tudo.
Ah, não pode. Ah, não. Um brinde. Um brinde.
Ah,
eu é que bobiei.
Troquei o Arthur pelo Valder, o pai da Bruna.
Se eu tivesse feito isso...
Hoje eu e minha filha estaremos nadando em dinheiro.
Gente, vocês estão se ouvindo, por acaso? A gente está falando do Arthur.
Olha, se eu não conhecesse vocês, eu ia pensar horrores das duas.
Está ébrio.
Ai,
Dora, você é... Vocês estão ouvindo.
Se eu não te conhecesse, eu já ia...
Isso é aquele caviar maravilhoso.
Eu encomendei, porque eu sei que você ama.
Eu quero um também.
Por favor.
E Bruna, hein?
Ah, ela não tá bem. Ah, ela não tá bem, minha filha. Eu tô com o coração
despedaçado, porque ela tá arrasada com o término do namoro com o Pedro. Ela
fica chorando pelos cantos, ela quer ocupar a cabeça, ela quer...
Vocês não vão acreditar. O quê?
Ela quer trabalhar.
Não, não acredito. Mas isso é maravilhoso. Que isso, Dora?
Filha, pra trabalhar?
Não, ela quer isso.
Ela quer isso.
Eu não sei.
Thiago Brandão.
Fala, fala, fala, fala.
Você acha que eu vou conseguir trabalhar aqui?
Eu? Você acha que eu vou conseguir?
Eu não tive tempo pra isso, Bruna. Eu nem sei o que vai ser dessa joalheria.
Talvez a Adriana assuma tudo.
Você não consegue decidir sozinho?
Não. Tô precisando muito.
Não, infelizmente eu preciso da aprovação.
Se bem que...
Eu acredito que eu posso falar com a Adriana pra ela. Eu trabalhei aqui.
Isso.
Esquece. Por quê?
Deixa pra lá.
Por que não? Vocês nem se conhecem, Bruno.
Infelizmente, a gente se conhece sim.
E a gente até já estranhou.
No casamento, é isso? Deixa pra lá.
Se um dia você assumir aqui, lembra que eu existo.
Eu nunca vou esquecer de você, Bruno.
Aliás, a gente podia sair para jantar um dia desses, né?
Claro. Eu marcaria uma noite dessas.
Vamos. Eu vou cobrar.
Tô brincando.
Tchau. Tchau.
Desculpa.
É um trabalho.
Obrigado.
O que ela queria?
É, mais do mesmo.
Queria saber se conseguiu emprego aqui na joalheria.
Ai, com essa loucura toda, se eu não perder o meu, já tô no lucro. É.
Deixa eu ir lá que eu tô fechando o navio.
Vem cá, que loucura essa morte da Arthur, hein? Pois é, cara, tá sendo bem
difícil pra mim. Você quer saber, Andrezinho? Eu imagino, primo.
Era seu padrinho, vocês eram tão ligados. Tem hora que não dá nem pra
acreditar.
Foi tudo tão rápido, cara.
É. E como é que tá o tio Ademir?
Ah, meu pai tá sofrendo daquele jeito Ademir de ser, né? Tá sofrendo, mas tá
frio, duro pra caramba. Os caras eram amigos pra caramba. Ele mal tem coragem
de chorar. E Pilar?
Ulisses? Pilar, mesma coisa, André. Mesma coisa. Mesma coisa antes de você
sair daqui.
Eles não querem saber de nada. Querem saber do dinheiro do meu padrinho.
Ah, mas eles não vão ficar com nada, né?
Vai tudo pra viúva.
Aliás, que coisa, né? Morrer no dia do casamento.
Como é que tá essa moça?
A Adriana tá arrasada, né, André?
Ela não merecia viver tudo isso que ela tá vivendo depois do casamento dela.
Porque a partir de agora ela vai começar a ser investigada pela morte do ator.
É. Mas faz sentido, né? Ela vai ficar milionária? Não faz sentido, André.
A Adriana não matou o meu padrinho.
Você fala como se tivesse certeza.
Você conhece bem ela, por acaso?
É uma longa história, Andrézinho.
Mas eu conheço. Eu conheço a Adriana, eu conheço a família dela.
Eu conheci a Adriana num abrigo que eu tava trabalhando como voluntário depois
daquela... Lembra daquela enchente que teve um tempo atrás aí que acabou com
tudo? Uhum.
Eu acompanhei nos sites aqui. Foi uma comoção.
Pois é.
Eu ajudei eles a recuperarem os documentos. Fiquei lá com eles. Conheci
a Adriana. Eu vi a Adriana cuidando das pessoas no momento mais difícil da vida
dela, André.
Quem faz isso não pode matar alguém.
Caramba, eu não sabia que vocês tinham convivido tanto assim.
Ah, Andrezinho.
Deixa eu falar uma coisa, filho.
Eu me apaixonei pela Adriana, cara.
E eu só descobri que ela tava noiva do meu padrinho quando eu cheguei no
casamento e vi a Adriana no altar, de branco, do lado dele.
Foi assim.
Que situação, hein, Pedro?
Pois é. E agora eu preciso ajudar ela, cara. Eu preciso cuidar dela. Ela não
tem ninguém.
Eu preciso arrumar um jeito de ajudar a Adriana.
Bom, se o seu coração tá dizendo... É.
E você, Fiote? Tá vindo pra cá? Como é que é? Quando é que você vem pro Brasil?
Eu tô só resolvendo as últimas pendências, primo. Eu não vejo a hora de
voltar pro meu país.
Falando nisso, eu tenho que desligar que eu vou ter aula agora.
Beijo.
O que foi?
É por causa do Ademir? É isso? Porque ele aceitou advogar para apelar. Claro
que não é por causa do Ademir, imagina.
Peraí. Então o que é?
Ai,
ai, ó, saúde.
É por causa do André, de sobrinho do Ademir.
Tá voltando pro Brasil, isso não me sai da cabeça.
Ai, Dora, ainda essa história, pelo amor, relaxa. Vem cá, relaxa, vem. Não
dá pra babar. Senta aqui.
Não tem como relaxar. Não tem, não tem.
Nossa, o André vai chegar aqui em casa pra morar.
Eu nem conheço ele pessoalmente, não estou mais acostumada com ninguém aqui
também.
Amiga, olha só, quando esse sobrinho do Ademir foi embora daqui,
ele era um menino, né?
Mas hoje, ele já é um lobo. Então, eu tenho certeza que ele vai descolar um
monte de contatinho, de uma mulherada.
Você pode ter certeza que ele não vai nem parar em casa.
Ou seja, você não vai nem ver a cara dele.
Você acha que eu estou implicando com tudo, criando um problema à toa, isso?
Acho, com certeza.
Inspira.
Bom isso, hein?
Mas olha só, olha só.
A minha relação no começo com o Pedro também não era boa. Depois ficou
maravilhosa. Hoje em dia é incrível, assim. Ele morando na casa dele, lógico.
Deixa esse menino chegar, sente qualquer coisa. É só você falar com a
Demi. Ele resolve tudo, gata.
Ai, pô, não é bom, hein? A madeira me resolve.
Eu falo tudo.
Vamos fazer uns drinks.
Mais? Mais, mais. Acho melhor eu comer. O que você tem pra fazer drinks?
Eu tenho tudo na geladeira.
Entregue esse documento com urgência, por favor, tá?
Obrigada.
Suzy.
Oi. E aí, tudo em cima?
Bom. Preciso falar com o meu pai, ele tá aí? Tá, ele tava numa conferência, mas
já acabou. Vou avisar que você tá aqui. Obrigado. Você quer um café? Não, não,
não quero nada. Tô legal, tô bem. Bom, mas agora a defesa já tá feita, tá bem?
É só aguardar.
Eu entendo. Assim, tá bom, olha.
É só aguardar, eu te aviso, tá bem? Obrigado, abraço. Tchau, tchau. Gente,
esse... Fala, fala.
Pedro tá aqui.
Quem? Pedro tá aqui.
Obrigado, Suzy.
Leva lá. Feliz aniversário, hein?
Filho! Beleza? Pô, que surpresa. E aí, pai. Tudo bem? Sim, sim, sim.
Onde estão as coisas?
Não tô bem.
Tô triste.
Tô bem triste, pai.
Não, também.
Também não consigo acreditar na morte do Adorno. Não, mas não é nada disso que eu
tô falando. Tô triste porque eu descobri que você vai advogar pra família Brandão
no inquérito contra a Adriana, pai.
É por isso que eu tô triste com você.
Você acha mesmo que foi a Adriana que empurrou o doutor Arthur da varanda? É
claro, é claro que foi a Adriana. Ela é a culpada.
Os bens do Arthur vão ficar todos bloqueados.
E aí, a gente também não tem acesso a isso.
É, mas o Tiago tem, né?
E você quer chegar, Pedro? Ele pode trair a gente a qualquer momento.
Tenho certeza que logo vão provar que foi essa viúva que matou ele. Tem muita
gente interessada pra que ela seja presa pra que essa herança venha pra nossa
família. A Adriana já tem um advogado. Ah, tem?
Quem será o advogado dela?
Pedro. Por que você quer me ajudar?
Porque o meu pai é quem vai defender a Pilar. E se ele quiser, ele pode jogar
muito sujo, pode ganhar essa briga. E se ele me ajuda, Adriana, sinceramente,
você não vai ter chance.
Lá vem o sol Para derreter as
nuvens negras Para iluminar o fim do túnel E a luz do céu
Para inspirar os seus desejos, para fazer você encher o peito e cantar.
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