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Original subtitles

O que você disse?

Eu disse que eu aceito me casar com você, Arthur.

Adriana.

Você não sabe o tamanho da minha felicidade.

Eu é que fico feliz quando eu te vejo feliz, meu amigo.

Essa vai ser a maior lição que eu vou dar aos meus irmãos e aos meus

sobrinhos.

Eu não sou uma conta num banco.

Eu sou uma pessoa.

Que esperava mais sentimento deles.

Amor, por exemplo.

É, que que é isso, Arthur? Pelo amor de Deus. Isso aí tem que parar.

Sua família não pode te tratar desse jeito.

Não, não, não. Especialmente a sua irmã, a Pilar.

Que isso? Eu tenho que fazer o que você quer com o seu dinheiro. Com a sua vida.

Eu vou dar o meu dinheiro pra única pessoa decente que eu conheço.

Tenho meu afilhado também, mas ele já é herdeiro de uma pequena fortuna do pai

dele.

Você cuidou de mim.

Eu vou cuidar de você depois que eu tiver partido.

Que assunto é esse, depois de partido, falar disso?

Escuta aqui.

Você é o melhor amigo que eu já tive.

Você entende o meu luto, cuida da minha família, se preocupa com eles.

Que é o que eu tenho de mais precioso, Arthur.

E de mais, você vai viver muito.

Eu vou viver muito, sim.

Com uma amiga que, por mais necessitada que estivesse, nunca pedia nada de mais.

Sempre preocupada com o meu bem-estar.

Você até pensou em pedir demissão quando achou que as minhas intenções não eram

as melhores. É verdade.

Eu vou te dizer um negócio aqui, ó.

Vai ter muita fisioterapia nessa casa, tá? É.

Eu quero você cada vez mais independente e mais saudável.

Posso te dar um abraço?

Desculpa, eu me emocionei um pouco.

Eu também.

Porque é isso que uma amizade verdadeira faz.

Por que será que ele pediu pra reunir todo mundo aqui?

Ai, minha Nossa Senhora protege minha CLT.

O que é que ele vai falar, Edvaldo? Ei, você deve saber. Conta pra gente. Gente,

eu não sei de nada.

Pelo amor de Deus. Espero que seja uma notícia boa.

Você tá sabendo de alguma coisa, Rosa? Eu imagino.

Tá sabendo. Tá sabendo.

Tá com cara que sabe mesmo.

Muito bem.

Eu chamei vocês aqui.

Pra fazer um comunicado.

Eu vou me casar com a Adriana.

Você tem certeza que é isso que você quer

fazer?

Tenho.

Eu refleti muito, né, mãe? Pensei nisso um milhão de vezes.

Mas eu vou me casar com o Arthur.

Eu tenho que me casar com ele, porque essa família não presta.

Eu não conheço os outros, mas se forem iguais, aquela Pilar... Ah, tudo um

monte de sanguessuga, farinha do mesmo saco. Você é louco? O que é isso?

Você não tem ideia das ofensas, mãe, das ameaças.

A Pilar, vira e mexe, fala pra ele. Já, já você vai morrer, eu vou ficar com

tudo que é teu. Que horror!

Tô te falando, a cara nem treme, ela nem disfarça.

Dinheiro não é tudo mesmo, né?

Quando que eu ia imaginar que um homem assim, poderoso, que nem o doutor

Arthur, ia ter tanto problema?

Pra Pilar, dinheiro é a coisa que mais importa no mundo.

Eu acho que a Pilar seria capaz até de matar por dinheiro.

Nossa, Adriana.

Tô te falando.

Por isso que eu tenho que casar com o doutor Arthur.

Pra honrar o desejo dele de não deixar tudo que ele passou uma vida inteira

construindo pra essas coisas ruins aí dos irmãos dele.

Mas você sabe que você vai travar uma batalha forte com esse povo, né? Sei. E

vai valer a pena.

Porque o doutor Arthur é um homem bom.

De verdade.

É. É bom mesmo. Olha tudo que ele tá fazendo por mim.

Vai ser bom pra gente também, mãe.

A gente vai poder ter uma vida melhor.

Está certa.

Agora, falando em briga, começar pelo meu avô, né? Ai, não.

Ele tava trabalhando, nem sabe que a senhora passou mal, que a senhora tava

enfiada lá no doutor Arthur, na joalheria, que foi o doutor Arthur que

te levou pro hospital, te ajudou. Não sabe menos ainda que você aceitou se

casar.

Aliás, mãe, o doutor Arthur, ele... Marcou um jantar hoje.

Com as duas famílias.

Como assim?

Doutor Arthur, se casar com a Adriana, a sua fisioterapeuta.

Sim, Dinah, com ela. Eu fico muito, muito feliz, doutor Arthur.

Eu pensei que ela tivesse recusado esse pedido, principalmente depois da

confusão que o avô dela causou aqui, né? Aquilo foi, digamos, um mal entendido.

Tá vendo?

Foi um mal-entendido, ô cabeça de confusão. Bom, eu sempre adorei a

Adriana, vai ser ótimo ter ela aqui como patroa. Adriana Brandão, chique, né? Sua

bem, né?

Seus irmãos já sabem disso, doutor?

Não, ainda não.

Mas eu até tô pensando em convidá-los pra jantar mais tarde aqui em casa,

Edivaldo. Mas sem falar sobre a novidade, eu mesmo quero contar pra eles

pessoalmente sobre o casamento.

Claro. Vamos preparar, gente. Vamos, vamos.

Parabéns, noivo.

Eu não

acredito.

Eu não acredito que um absurdo desse possa acontecer. Eu não acredito. Não

acredito, gente. Eu não acredito. É um absurdo isso acontecer.

Por que, doutor? O doutor Arthur tá bonitão ainda, tem mais é que casar

mesmo. Mas não é um casamento por amor, Tilde? É só pra ele não deixar nada pra

família. Pra macar entre nós, é uma lição que eles estão bem merecendo.

Rosa, o dinheiro é do doutor Arthur e ele faz o que bem quiser com ele.

Eu só espero que ele seja generoso e deixe alguma coisinha pra mim. Vai

sonhando. Ih, Divaldo, para de se iludir. Esse negócio de rico deixar

coisa pra funcionário só acontece em filme de sessão da tarde. Gente, vocês

só pensam em dinheiro?

Vocês não pensam nos sentimentos? O doutor Arthur não ama a Adriana. A

Adriana não ama o doutor Arthur.

O nosso patrão merece uma mulher de verdade, uma mulher leal, uma

companheira. Você?

Quem? Tilde?

Não é? Todo mundo sabe que ela paga paixão. Mas não precisa verbalizar, né?

Vocês brincam com os meus sentimentos, mas eu respeito o doutor Arthur e eu

seria capaz de tudo por ele.

Tudo.

Hoje.

Meu Deus.

Não. Isso não pode estar acontecendo.

É mentira. É mentira. É comigo.

É comigo que você tem que se casar.

Claro, Arthur. Por favor.

Arthur, eu faço parte da sua vida. Eu sempre fiz. Na alegria, na tristeza, nos

momentos tristes, eu sempre cuidei de você com carinho.

Com atenção, com cuidado. Eu sempre fui fiel a você. Você nunca

percebeu que eu te amo.

Arthur... Você tem que entender.

Eu acho que vou falar claramente. Talvez assim você entenda.

E entenda melhor.

Meu tio.

Eu sempre te amei.

Vem comigo.

Vem comigo que você tem que se casar.

Sabe que você demorou a aparecer, Fábio? Eu tinha certeza que uma hora ou outra

você ia vir aqui pedir arrego.

Não vim te pedir nada, Arthur.

Eu vim apenas te mostrar algo que talvez você não esteja percebendo.

E o que é?

Fala logo.

Ulisses é uma marionete na mão da Pilar, Arthur. Ele foi completamente contra

essa história do processo de interdição e eu também.

Será, Fábia?

É claro que sim.

O Ulisses é louco por você.

Por mim ou pela mesada gorda que eu dava pra vocês?

Arthur, essa...

Sua contribuição, digamos assim, sempre foi muito bem-vinda.

Você sabe como é a vida de pequeno empresário no Brasil, uma montanha

russa. E a sua generosa ajuda foi o que sempre nos deu

estabilidade. Porque tem meses que um olho vai bem, mas outros nem tanto.

Pensa bem.

Será que Ulisses não tem nenhuma culpa nesses meses em que nem tanto?

Como assim?

Talvez você devesse se aprofundar um pouco mais sobre a rotina do seu marido.

Ou, pelo menos, sobre os investimentos que ele faz com o dinheiro de vocês.

Você me dá licença? Eu tenho muita coisa pra resolver na joalheria. Claro, claro.

Eu não quero tomar mais o seu tempo.

Só queria que você soubesse que eu... Olhei os seus sobrinhos e sentimos

muitas saudades de você.

Ah, saudade.

Por uma coincidência, vocês vão poder matar essa saudade. Eu tô marcando um

jantar lá em casa e eu faço questão da presença de vocês.

Um jantar hoje?

Claro. Iremos todos.

Ô André, como é que você tá? Tudo bem? Tá bonito esse carro, hein? Tá lindo,

né? Tá bonito.

Tá lindo, né?

André, é o seguinte, a Fábia e o meu enteado tiveram aqui fazendo uma compra

com você, né?

Foi, eles tiveram.

Pois é.

Mas eu vim devolver o carro.

Essa compra foi um mal entendido, sabe?

A minha esposa, ela se precipitou.

E...

Infelizmente, eu vou ter que desfazer o negócio.

Bom, se é isso que você quer, meu amigo, eu tô muito certo dessa minha decisão,

Ademir.

Só um casamento vai garantir que nada do que é meu vai parar nas mãos da Pilar e

do Ulisses.

Da Silvana também, a viúva do meu irmão Belmiro, que embarcou nessa com os meus

outros irmãos.

Tem razão.

Bom, um testamento simples podia ser contestado.

Aliás, remarquei a audiência com o juiz.

Ótimo. E dessa vez pode ter certeza que eu vou tomar muito cuidado com o que eu

vou beber.

Vamos acabar logo com essa interdição.

Exatamente. Eu não quero que ninguém possa alegar que eu não estava com a

saúde mental perfeita quando eu casei com a Adriana.

Tô esperando você, a Dora e o meu afilhado pra jantar hoje. Eu e a Dora

vamos, com certeza. Pedro aqui não.

Viajou ao trabalho.

Ah, que pena.

Quero muito que ele conheça a Adriana.

Então, vem aqui porque trago boas novas, hein?

É? Tenho novidade.

Ele deve ter aproveitado que eu dormi na sua casa e foi pra farra.

Nossa, minha amiga é difícil, hein?

Não entendo, como é que você consegue?

Eu amo muito o Tom, Adriana.

Mas ele também ama você?

Não vamos falar do meu casamento?

Tá bom? Vamos, vamos.

Você não veio aqui pra isso. Não, não precisa disso. Eu vim...

Eu vim, na verdade, falar do meu casamento. Sim. Mentira. Eu aceitei me

casar com o Arthur.

Eu não acredito, minha amiga.

Pensei, pensei, pensei e disse sim.

Ai, que bom. Mas isso vai ser muito bom pra sua família.

Que isso, quem não precisa de conforto, boleto pago. Não, calma lá também.

Eu sempre trabalhei pra caramba pra pagar meus boletos, minha vida em dia.

Claro. Isso não é um problema. Aqui eu quero retribuir tudo que o Arthur tá

fazendo pela gente. Sim.

Ele conseguiu um teto pra gente morar. Ele tá pagando tratamento de saúde da

minha mãe. Eu tenho que...

Eu tenho que também fazer alguma coisa em troca. Eu posso ajudar.

Ajudar a deixar aquela família dele horrorosa, bem longe do dinheiro do

Arthur.

Agora, o seu Otoniel já sabe disso? Ah, não, não, não. Não toca nessa ferida

aberta aí, não. Eu sabia, meu amor de Deus. Eu tô morrendo de medo de falar

com o meu avô.

Imagino. Eu imagino.

O Otoniel!

Opa!

Nossa, Rosa, você por aqui.

É, meu amigo, tudo bem?

Tudo, tá vendo? Eu tô vindo do enterro do irmão de uma amiga minha, acredita?

Ih, aí é fogo, né? Chato isso.

Meus pêsamos.

Obrigada, obrigada.

Vamos tirar isso pra lá, vai. Você quer tomar uma água, um café?

Olha, você leu meus pensamentos, quero sim.

Água? Água. Água. Faz favor, vem comigo aqui.

Obrigada.

Amigo, o que é isso?

O quê?

Tô te sentindo abatido, cansado. O que houve?

Ai, Rosa, eu tô virado, né?

Turno da noite não é fácil, não. E eu emendei dois turnos porque tive que

cobrir um colega hoje de manhã, então não é fácil.

Cansado, né?

Ah,

me diz uma coisa, Elisa, ela tá melhor?

Ai, desculpa, o que que é?

Você é uma delícia, minha filha. Melhor do que.

Gente, mas ela não passou mal?

Desmaiou e tudo?

A sorte é que estava lá na joalheria do doutor Arthur.

Ele acabou a levando para um hospital desses top de linha, sabe?

Mas você não estava sabendo de nada disso, não? Claro que não sabia. Como é

que eu ia saber disso?

Ah, não. E vou tirar isso a limpo. O que que há? Quando?

Depois eu preciso ver.

Dá licença, Rosa.

Tá, mas...

Melhor nem saber do resto, né?

Impressionante. Isso tudo aconteceu e eu não fico sabendo? O senhor parou em

casa, pai. Não parei que eu tava trabalhando, dando duro, trazendo

dinheiro pra comprar comida nessa casa, dobrando meu turno. Mas, senhor, não

precisa se preocupar porque tá tudo bem comigo.

Então, bom, senhor, está tudo bem. Então, vamos falar. Por que diabos você

foi até a joalheria daquele homem?

Eu queria conversar sobre esse pedido de casamento pra Adriana. Mas eu já tinha

feito isso.

Eu já tinha colocado aquele velho no devido lugar dele.

E você sabe.

Mas eu queria falar.

Eu mesma, olhando no olho dele.

Queria perguntar dos motivos, mas aí eu cheguei lá, passei mal. E ele me levou

pro hospital. Um hospital muito bom. Um hospital top.

Foi a Rosa que falou. Já sei disso.

Tá deixando se seduzir por aquele coroa? É isso? Você já tá se bandeando pro lado

dele? Não é isso, pai. Olha aqui, o assunto tá encerrado. Essa história do

casamento está encerrada.

E graças a Deus, a Adriana pediu demissão.

E eu tô te proibindo mesmo de se aproximar daquele Arthur.

Eu sei, eu sei que a gente tá vivendo aqui debaixo do teto dele.

Mas você vai ver, minha filha. Daqui a pouco a gente vai se reerguer e nós

vamos sair daqui.

Agora eu quero vocês longe daquele Arthur. Longe!

Vai ser difícil a gente ficar longe do Arthur.

Como é que é?

Porque eu vou me casar com ele.

Como é que é, menina?

Não dá pra acreditar.

Não. É possível, avô. Você não aceitou casar com aquele aproveitador.

Isso é uma mentira, avô.

Doutor Arthur é um homem bom, que tá ajudando muito a gente, e eu decidi

ajudar ele também.

É isso que eu tô tentando dizer pra ele.

Esse homem virou a cabeça de vocês duas. Não, não é isso, avô. Não é isso.

É o quê, então?

Vamos lá, Adriana, me explica.

Como é que uma moça pobre como você pode ajudar um milionário?

Explica, pelo amor de Deus, que eu não consigo entender.

Não fala assim, pai. Falo!

Falo assim e vou continuar falando!

Tô me esforçando aqui, ó, pra salvar a minha família. Pra defender a minha

família. Eu não preciso que ninguém me defenda, avô.

Eu sou adulta.

Eu já decidi.

E eu... E eu estou decepcionado com você.

E com você também.

Pai... Não foi essa a educação que eu dei pra minha filha e pra minha neta.

Não foi isso, não.

As duas... Se vendendo... Um

velho rico.

Por favor, vó.

Vó, por favor.

Me ouve.

Por favor.

Eu preciso do senhor, vó.

Eu preciso do senhor do meu lado.

Mais do que nunca hoje.

O doutor Arthur vai dar um jantar na casa dele. As duas famílias vão.

Eu preciso que o senhor esteja do meu lado. Eu te peço. Essa é uma chance

também do senhor conhecer o Arthur de verdade.

Pelo amor de Deus.

Faz isso comigo, não. Eu nunca que vou participar de um absurdo como esse.

É que vai ser uma chance do senhor saber quem ele é.

Dá uma chance.

Adriana, presta atenção numa coisa só.

Uma coisa é esse velho querer comprar você.

Outra coisa...

É você aceitar se vender.

Ovo, está tudo bem? Já vou te avisando. Se você também começar a elogiar aquele

velho, e se você também for altar o jantar na casa dele, não precisa mais

falar comigo.

No resto da sua vida!

Ó o vô.

Tá arrasada com a reação do meu vô.

Ele é assim mesmo, você sabe. Daqui a pouco passa.

Isso é amor, sabe? Essa preocupação toda dentro.

É, eu sei.

Gente, eu preciso de vocês.

Vocês vão hoje no jantar, né?

Sim, vamos, claro, né? Claro que a gente vai.

Eu tô super curioso pra conhecer esse apartamento aí.

Que feio.

Tomara que eu esteja tomando a decisão certa.

Ai, meu Deus, me ajuda.

Casar com o Arthur desse jeito contrariando o meu avô.

Tá cortando o meu coração.

A gente é tão bonito.

Não é justo que a gente fique longe um do outro.

Não é justo.

Dinah?

Dinah?

Dinah? Dinah? Tá viva.

Calmante. Ih, gente, tá pirando de não ter sido a escolhida do doutor Arthur.

Odô.

Adiviná.

Ficou a bala dérima, né?

Cheia de ciúme. Ficou. Aí foi tomar calmante, exagerou na dose. Agora tá lá.

Que nem Bela Adormecida sem príncipe.

Totalmente apagada. Jura?

Eu também fiquei de cara com a reação dela, sabia?

Praticamente afirmou que era a mulher ideal pro doutor Arthur.

Mas a gente sempre soube que ela pagava paixão pro patrão, né?

Total. Completamente louca por ele.

Mas e a Rosa que não volta, hein?

O buffet já deve estar chegando.

Surtuda essa Adriana, né?

Chegou ontem, sentou na janelinha e blá, fisgou o velho. Ah, não fala assim.

Chama ele de velho, não. Eu gosto dele. Eu também gosto. Mas não magoou, magoei.

Não, não, não.

Eu vou ligar agora pros convidados. Ah, sim, mas é muito amago, é muito

sentimento.

Arrebita a bunda, Lu. Isso, arrebita a bunda. Vai, foca o Fábio, empurra o

chão. Eleva o quadril agora, vai. Ah!

Isso, você é uma depressão. Pois eu estou te falando que é a melhor maneira,

porque no final do ano tem mais opções. Eu não quero mais opções, eu quero me

esconder, um jeito escolhido. Ela vai saber, ela vai saber. Eu vou falar pra

ela. Você quer o quê?

Eu vou te dar um modelo, se quiser, no final do ano. O que você quer, Carolina?

Fala pra ela.

Fala pra ela o que o paizão fez, o homem da casa. Fala pra ela, eu quero que ela

saia. Felipe, por favor.

Fala, você está com vergonha agora?

Está com vergonha?

Fala, Felipe, olha, filho, é o seguinte... Não, não, não me chama de

filho.

Eu sabia que era bom demais pra ser verdade.

Você me deu um carro?

Só minha mãe mesmo pra acreditar numa coisa dessa?

Sabia dessa, mãe? Calma. Eu vou contar pra ela. Eu acho que é um momento ótimo

pra você ter a notícia nova.

Ulisses ganhou o meu carro.

O que?

Ulisses, diz que é mentira.

Você não desfez a compra. Fala pra ela, mãe. Tem sorte de conseguir, aliás.

Tem que parar, Lu.

Olha só.

Agora eu quero uma solução, tá, Alice? Tchau, Fábio. Tchau, amor.

Eu não vou aparecer na frente dos meus amigos a pé.

Nem uma ideia.

Por que você não disse que o carro era maravilhoso, só que o seu padrasto

resolveu te dar um helicóptero?

Você fica aí, eu não fico com você.

Eu fico com você, como é que eu saio?

Peraí, eu te prometo que quando a situação estiver melhor, quando a

empresa estiver no azul, eu te compro um carro novo.

Como assim?

A empresa tá no vermelho?

É, foi por causa daquele investimento que deu errado. Eu te convido.

Você me disse que era em cima do dinheiro extra, não que o capital da

empresa estava envolvido.

É que eu investi parte no caixa também.

Bom, família...

A resenha tava ótima, mesmo. Eu me diverti muito, tá? Vai, carinha. Vai pro

seu quarto, tá? Tchau. Mas eu vou me arrumar, porque eu tenho mais o que

fazer pra casa do Tio Arthur.

Não tem vergonhaça.

Eu vou aproveitar esse jantar e vou pedir um carro pro Tio Arthur.

Vai que ele me dá, né? Ele tem dinheiro. Isso, vai lá, vai lá. Vai atrás da

humilhação, vai.

Vai, que o seu tio vai te dar um passaporte. Vamos ver se ele vai dar,

então. Vai lá, então.

Esse jantar era a possibilidade de uma reconciliação com o seu irmão.

E quem sabe a volta daquela mesada gorda que ele nos dava.

Vê se não faz nada de errado, Ulisses.

Falei. Ai, June.

O que é que você foi falar com a June?

Fui limpar a sua barra.

E foi lá que eu fiquei sabendo sobre esse jantar.

Você acha que o convertir foi aquelas coisas que você falou?

Quem sabe?

Quem sabe?

Não dá isso, gente. A gente é tão unidos. Por que agora ninguém vai? A

gente precisa ir. Vamos, filha. Vai ser bom pra todo mundo. Não vou, não vou e

não vou. Você vai sim. O meu tio acabou de me demitir. Amor, eu tô sentindo que

esse é um momento de reconciliação de todo mundo.

Ele pelo menos falou o motivo desse jantar?

Ele não falou, filha. Levanta daí.

Não falou.

O Edivaldo que ligou e comunicou. Pronto, chega. Você vai.

Você vai. Eu estou falando sério. Você vai. Eu estou achando... Sabe o quê?

Você está sendo burra, Ingrid.

Você está sendo burra porque eu estou achando que nesse momento teu tio pode

te chamar de volta para o trabalho. Pode ser por isso. Eu vou.

Eu vou. Vai. Não tem nada aqui. Não tem festa. Não tem nada nessa casa.

Lá tem uns camarões que pagam até IPTU.

É isso, hein? Tá resolvido.

Vai todo mundo. Ó, Rafael já confirmou que vai também.

Então você vai. Eu vou me arrumar, porque eu quero estar plena pra esse

momento. Ó, ó, vamos.

Animem, vai.

Pleníssimas com a mami. Vamos, vamos, vamos, vamos, vamos, vamos.

Tá vendo a mamãe fazendo assim agora?

Imagina chegar na festa com uma pessoa fazendo assim de onça.

Não vou não, né?

Eu vou fazer uma... Hein, Ingrid?

Mamãe, você sabia que a Bruna foi lá na joalheria pedir emprego?

E o seu tio?

Mãe, eu não tive tempo de falar com ele, mas eu tô torcendo pra que ele aprove a

contratação dela.

Você pode falar com o seu tio sobre a Bruna hoje, no jantar, na casa dele.

Jantar? Mas eu não tô sabendo de nada.

É.

Edivaldo acabou de avisar.

A gente vai, né?

Com certeza.

Eu não perco esse jantar por nada, meu filho.

Só tô bem curiosa pra entender o porquê do seu tio chamar a família inteira.

Droga.

Tá velha e surda, né? Só pode.

Você tá tentando falar com quem?

Tô um tempão tentando falar com a Dinah.

Eu quero ver se eu descubro alguma coisa sobre esse jantar misterioso, mas essa

empregada sonsa... Ela deve estar ocupada com os preparativos.

É, talvez tenha razão.

Mãe, se esse jantar fosse uma espécie de cilada, com certeza a Dinah

ligaria. Não é tão estúpida assim. Você está pisando no meu match.

Dá licença. Eu estou tentando alinhar os meus chakras, pelo menos. Não tem nada

seu, meu amor.

É tudo meu.

Tá bom?

Hoje a família Brandão vai ter uma noite inesquecível.

Filha, vamos botar um pouquinho de blush? Você tá tão pálida, amor.

Mãe, nenhuma maquiagem do mundo vai resolver isso.

Eu tô nervosa, eu tô muito nervosa. Olha a minha mão.

Meu amor.

Olha só, você tomou uma decisão muito importante hoje.

Mas eu tô aqui com você pra te apoiar e o teu irmão também.

Eu sei.

Eu sei, mãe.

É que eu queria tanto que meu avô estivesse aqui também.

Filha... Você sabe, família pra mim, tem que estar reunida, mãe. Isso é que

importa. Eu sei uma hora isso vai acontecer.

Porque ele te ama.

Tomara.

Benção, mãe.

Deus te abençoe, minha filha.

Pode entrar.

Licença. Doutora, você quer alguma coisa do quarto? Vem, fica à vontade, pelo

amor de Deus. Eu falei pra você que eu me arrumava lá num quarto de visitas. Tá

bonita, hein?

Gostei, tá lindão.

É, não, não, eu me virei por aí, eu deixei o melhor quarto da casa pra

pessoa mais importante da noite. É, doutora Arturalha, muito obrigada por o

vestido, eu adorei, tá? Tá muito bonito e deu certinho em mim, obrigada. Eu pedi

pra Rosa e a Matilde me ajudar, elas são suas amigas, né? Espero que elas tenham

acertado no seu gosto. Sim, muito, tá lindo, obrigada.

Você pensa em tudo, né, Arthur?

Você tá atrasado. Os convidados já estão chegando. Tá, tá. Só falta um perfume,

uma coisinha na boca. Eu já vou, eu já vou. Até ajuda, mãe.

Quer perfume?

Seu perfume.

Você bebe alguma coisa?

É, pode ser um refrigerante, por favor.

Se você tiver alguma coisa também pra comer, eu não como nada desde cedo, não

tenho fome. Aqui.

Ah, obrigado.

É sempre assim? Você estala o dedo e as coisas acontecem, tipo mágica? Se eu

tivesse esse poder, minha vida seria diferente.

Todo mundo circulando, circulando. Em cinco minutos, começa a cerimônia.

Eu atendo.

Está elegante.

Obrigada. Como é que vai?

Boa noite.

Decoração é sempre a mesma, né?

Sorriam.

Você tá a andar pelas ruas com você.

Sério? Não. Tá? Me dá aqui. A gente já chegou.

A gente já chegou. Não,

fecha essa porta. Fecha essa porta. Eu não tô pronta. Só sai daqui quando eu

estiver pronta, porque eu quero estar plena.

Hoje eu vou entrar nesse prédio com o pé direito.

E vocês também. Quero todo mundo com o pé direito.

Pra quê?

Não acredito que meu irmão esteja querendo parar com as nossas brigas.

Se não, por que ele estaria dando um jantar em família?

Para envenenar todo mundo de uma vez só?

Nossa, Brigitte, que trágica você é.

Mamãe, se você estiver certa, então, eu posso voltar a sonhar com o meu

consultório. Consultório. Consultório é pouco para você, meu filho. Você merece

uma clínica de um quarteirão.

Vamos. Ei, ei, ei, estou vendo você guardar meu batalhão. Para, para, para.

Eu não posso ser a minha sinharia. Abre a porta. Meu Deus do céu.

Estou levando muita fé de que esse jantar é para fazer as pazes não, mas só

vim pela comida.

Eu não queria nem ter vindo, mas tenho a esperança de que mamãe esteja certa e eu

volte para a joalheria. Eu também.

Até porque o seu salário é minha fonte de renda. Trabalhar você não quer, né?

Não, não quero.

Vamos. Vamos.

Olha lá, impedimento, impedimento, impedimento.

Ô, Nilcinho!

Rapaz, chegou em boa hora. Tô quase me atrasando aqui.

Foi o que você trocou de turno com o Nilcinho, tal compromisso? Não troquei,

não. Ele já tinha pedido antes.

Pergunta pra ele.

Só que veio a calhar. Esse jantar que eu tenho aqui agora apareceu depois.

Você vai direto daqui?

Claro. Você não vai nem passar em casa pra se arrumar direito, homem? Passar em

casa não dá tempo. Eu vou lá direto.

Direto. Não posso me atrasar.

E eu quero chegar lá a tempo.

Há tempo de tentar impedir que a minha família faça uma besteira.

E aquele carinha ali?

Quem? Ali.

Eu não sei, tem cara de garçom.

Tudo bem?

Você me dá uma água, por favor, que minha irmã tá passando mal.

Minha cara de pobre tá tão escancarada assim.

Eu não tô aqui pra te servir não, garota.

Não, desculpa, não foi a cara não, é a vestimenta.

Bom, então, eu sigo.

Opa, opa, opa, tá indo aonde?

Pô, demora tanto assim pra se arrumar? É, ele já vem, ele tá só escolhendo o

relógio pra compor o look.

Estou estranhando a ausência da Dina. É sempre ela que recebe os convidados nos

eventos aqui.

A Dina não está se sentindo muito bem.

Passa, passa, passa.

Doutor Arthur, pode passar.

Dispensou ela.

Tadinho.

Esses empregados estão cada vez mais abusados. Qualquer coisa eles passam

mal. Meu filho, hoje é um dia muito importante para a nossa família. Olha

lá. Eu sei.

Querida. Boa noite.

Boa noite. Boa noite.

Oi.

Tudo ótimo.

Ai,

minha sobrinha preferida.

Cadê ele? Cadê ele?

Olha aí, gente, champanhota!

Nossa família, Brandão!

Você não.

Filhota, bebe, bebe.

Tá, tá, tá, tá, tá.

Bem-vindos.

Família, amigos.

É muito bom ter todos vocês aqui hoje.

Tô muito linda, filha.

Obrigada, mãe, mas isso nem importa pra mim agora. Eu queria só um jeito de me

acalmar. Tô muito nervosa.

E aí, tá pronta?

Já chegou todo mundo.

Então, bora.

A gente tem que ir, tá na hora.

Que Deus me dê força, mãe.

Amém.

Ah, meu irmão tão querido.

Eu esperei tanto por esse convite.

Mesmo, Arthur, eu esperei tanto por isso.

Sabe, a nossa família, olha, todo mundo reunido aqui.

Eu também, pilada. Eu sempre quis ver todos juntos, assim como agora.

Mas foi a sua ganância que fez ruir tudo isso.

Mas sempre há tempo para recomeçar, né? É isso, meu irmão. É isso.

É isso. Ela está pronta.

Meus queridos, o jantar já vai ser servido. Vamos para a mesa? Vamos,

vamos, vamos, vamos, vamos, gente, vamos.

Vai, corre para pegar o lugar certo.

Você está esperando mais alguém?

Seu afilhado com a namorada ou mais alguém com ele?

Pedro? Não, o Pedro não vem, viajou ao trabalho.

Mas eu estou curiosa para saber quem é que vai se juntar, amor. Sim!

Vai chegar mais alguém?

A Adriana e a família dela.

Boa noite.

Boa noite. Você tá com fome?

Tudo bem?

Gente,

o que tá acontecendo?

Que palhaçada!

É essa.

Boa noite pra você também, Pilar.

Boa noite a todos.

Eu chamei vocês pra virem aqui nessa noite especial.

Porque eu tenho um anúncio pra fazer.

Eu e a Adriana vamos nos casar.

É sério isso?

Quer dizer, o casamento precisa de uma base de confiança, de amor.

Há quanto tempo você conhece essa garota?

Tempo suficiente pra que a gente queira cuidar um do outro pra sempre.

Tempo suficiente pra quê, Arthur? Pra quê?

Pra essa aí entrar na sua vida como fisioterapeuta?

E depois estender as benesses que ela conquistou para toda a família dela.

É isso. Mas ela não está satisfeita.

Ela quer tudo.

Ela quer mais.

Ela quer... Ela quer o nosso sobrenome. Claro. O nosso sobrenome.

que é o que a gente tem de campo.

Ela quer sabe o que também?

Ela quer a sua fortuna como herança. É isso que ela quer. Olha pra mim!

Olha pra mim, imbecil!

Você olha pra mim quando eu falo com você, menina. Olha pra minha cara!

Que absurdo!

Que absurdo!

Você não vem.

Eu já fui generoso demais com todos vocês, minha querida família.

Eu só recebi em troca cobranças e desatenção.

Então, sim, a Adriana vai herdar tudo que é meu quando eu me for desse mundo,

que, se Deus quiser, vai demorar muito tempo para acontecer.

Muito. Vai demorar muito.

A saúde do Arthur. Vida longa, meu amigo.

Olha, Arthur, sinceramente, eu acho que você pode fazer o que você bem entender

com o seu dinheiro, mas eu fico preocupada.

Eu fico preocupada que talvez você esteja sendo manipulado.

Emocionalmente manipulado. Exatamente.

Sexualmente. Olha aqui, a senhora dobra a sua língua pra falar da minha filha,

tá? A relação de confiança, de amizade deles é das coisas mais bonitas que eu

já vi.

É uma gente que não consegue ter respeito, que não consegue ter amor pelo

próprio tio, pelo próprio irmão.

Não é por mim, mãe, que eles vão ter consideração. Ô, garota, peraí que todos

os sobrinhos estão aqui calados, tentando entender o que está

acontecendo, tá?

Exatamente, ninguém aqui falou nada contra você, até agora, porque a gente

respeita o nosso tio. É porque vocês são um bando de bajuladores querendo

agradar... Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô,

ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô,

ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô,

ô Todos eles se

beneficiavam da mesada que eu dava pras suas famílias, que eles não recebem

mais. Pode espalhar essa sua arrogância aí, Arthur.

O quanto você quiser, tá?

Por enquanto, meu irmão.

Só por enquanto, porque... O processo que eu abri contra você

ainda tá em andamento.

E depois dessa demonstração aqui que você deu de desequilíbrio mental, eu

vou cuidar das suas coisas.

Antes que essa empregada

manipuladora de idosos

consiga enfiar um véu na cabeça e dizer

sim.

Fala, Edmilson.

Otoniel? Ah, é? Não.

É. É o avô da noiva do doutor Arthur. Pode deixar subir.

Deixa.

Quem é que tá subindo, Tilde?

Ah, é o avô da Adriana. Tá subindo. E você deixou subir?

Que deixei. Por quê? Não era? Meu Deus.

Não. Eu acho que a gente devia ter perguntado pro doutor Arthur primeiro.

A coisa tá pegando fogo lá dentro.

É, pegando fogo como? Em conta? A família tá revoltada com esse negócio de

casamento. É.

Vou lá dar um espiado. Não, tio, tio.

Eu vou com vocês. Vamos. Vamos.

Família!

Família, bom jantar pra vocês. Eu, sinceramente, perdi a fome.

Aliás, eu não queria nem ter vindo. Eu só vim porque eu tinha a pequena

esperança de que o senhor, tio, tivesse colocado a sua mão na consciência e

percebido que nós somos a sua família. O senhor devia ficar.

feliz com o progresso do seu sobrinho. Ele não consegue.

Nunca quis me ajudar, né, tio?

Sempre recusou investimento na minha clínica, não foi?

Você cursou a melhor faculdade de medicina graças ao meu dinheiro, que era

dado à sua mãe, seu ingrato. Pronto.

Bom, eu não sou nem da família, de sangue, sou filho da cunhada, então

nunca esperei nada mesmo de você. É, mas você bem que aproveitou as mordomias da

sua família, que em grande parte eram bancadas por mim.

Gente, você não vai falar nada, vida. Deixa quieto, Fábio, deixa quieto. É,

mas eu, tio, sou sua sobrinha de sangue.

E desde criança, eu nunca recebi nenhum abraço. E olha que isso era de graça. A

única que falou uma coisa sensata.

Olha só, tio, eu, com todo respeito, tava engasgado aqui, mas eu não ia falar

nada mais assim. Eu tô cansado, sabe, de me esforçar muito naquela joalheria e o

senhor nunca me reconhecer.

Você jura, Tiago? Eu me dediquei anos e fui demitida, sinceramente.

Brigitte, você... Você quer falar alguma coisa? Não, porque minha pressão está

muito baixa. Estou 9 por 6.

Por que você veio? O estresse é muito alto para mim. Eu nunca fui hidrata. Por

que você veio? Vamos para casa.

A gente entrou com o pé direito

nessa casa.

Dá licença.

Chegou quem estava faltando.

Licença. O que você está fazendo aqui? Eu vim aqui para falar umas verdades

para aquele homem ali.

E levar vocês, minha família, para casa.

Ai, filhotinha, eu não acredito.

Você passou o dia em casa, filha? Oh, meu amor, por que você não ligou pra uma

amiga pra se distrair, pra aproveitar a vida?

Eu até falei com a Ingrid, mas ela tem um jantar na casa do tio.

Do Arthur?

Tu tinha mais ou menos a sua idade quando a gente namorou.

Ai, é verdade.

Você me contou isso.

O que vocês terminaram mesmo?

Ah, foi eu que terminei.

Naquela época, o Arthur não tinha onde cair morta. Ele estava começando a

trabalhar com pedras.

Mas mais parecia uma aventura.

Ninguém diria que ele ia chegar onde ele chegou.

Aliás, ele foi muito passado para trás até ser bem sucedido. Você não apostava

que ele ia virar um joalheiro nesse quilate, né? Senão você não tinha

largado o osso, aposto. Não, eu nunca imaginei que ele fosse ser tão rico

assim. E seu pai... Ah, seu pai era filho de uma família tradicional,

quatrocentona.

Situação financeira ótima.

Só que enquanto o Arthur aprendia a fazer dinheiro, seu pai só aprendia a

gastar. Mas e o amor, dona Carmita?

Quem é que você amava?

Quem eu sempre amei e ainda amo.

E eu?

Euzinha!

Muito bem.

Eu acho ótimo, seu Antônio, que o senhor tenha vindo, porque a minha família está

inteira aqui.

Não seria justo com a Adriana que o senhor faltasse num momento como esse.

Por favor,

o que? O que que é? Não,

peraí, peraí, peraí, peraí, por quê?

Por que que eu não posso falar nada?

Ei, aconteceu alguma coisa?

Deixa eu tentar adivinhar.

A família desse homem aí é contra a união de vocês.

Bando de gente aí, ó.

Toda preconceituosa, uma gente recalcada.

Peraí, isso não vai falar assim da minha família. Senta aí, rapaz. Senta aí.

Senta aí.

Suceca o pinto. Você mesmo. Você que esteve lá com a tua irmã.

Essazinha que tá aqui, ó. Você que foi lá no meu serviço pra fazer fofoca de

vocês. Só falamos verdade.

Fica calmo. Por favor, fica calmo, tá?

Verdade. A verdade é que esse homem aí... Esse homem é um sem-vergonha.

que quer se aproveitar da minha neta. Mas olha aqui, ela foi criada com muito

carinho por mim, pela mãe dela, minha filha... Vem cá, vem cá!

Minha filha que tá aqui, ó. Ela foi comigo a responsável por isso tudo, por

essa menina que tá aqui, que tem valores.

Foi criada com carinho, com afeto, com valores de família, com honestidade.

Valores de família não dá. É um papo muito distenso, tem jejum muito nervoso.

Vamos conversar lá no teatro.

É isso mesmo.

E o senhor acha que eu não tenho valores? Que eu não trato a sua família

com respeito? Justamente eu que estou ajudando todos vocês como se fosse a

minha. Como se fosse a sua não, Arthur.

Porque pra sua você virou as costas. Olha, olha.

Exatamente. É melhor você cuidar da tua irmã aí, desse bando de gente que tem

teu sangue. Mas deixe em paz.

A minha família. Isso, eu tô com o senhor.

Eu tô com o senhor, porque o sangue tem que falar mais alto, meu irmão. E cada

um cuida dos seus.

Pronto. E a gente tá resolvido, vocês vão embora. Tira a mão, tira a mão,

menina. Faz sua boca.

Faz sua boca.

Faz sua boca, todo mundo aqui.

Agora quem vai falar sou eu.

Minha nossa senhora da treta, eu tô preocupada. Será que a gente não devia

chamar a polícia, não? Quem chamar a polícia, o quê?

Já, já, isso aí se acalma. E esse povo vai cada um pra sua casa.

Ai, eu tô preocupada mesmo com a Adriana, Tilde.

Ela se meteu num vespeiro. Ai, licença, tudo bem? Será que eu posso fazer um

pratinho? Pode, claro.

Pode se servir.

Esse jantar já foi com Deus, não tem clima nenhum.

Tá uma confusão lá.

Coisa de novela mesmo.

Dois senhores brigando, a minha pressão caiu.

Nossa, que delícia.

Gostou?

Eu que fiz. Ai, que ótimo.

Quer beber alguma coisa?

Não, não, obrigada. Só um champanhezinho gelado, por favor. É ali que tem.

Eu tenho muito respeito pelo senhor, senhor Otoniel,

de verdade.

Fosse outro qualquer, estaria rifando a neta com vistas numa herança

futura.

Mas o senhor tem uma trava nos olhos que lhe impede de ver que a nossa união

é cheia de respeito, de carinho.

E o nome dessa trava é orgulho.

Mas é um orgulho besta de um homem que fracassou em fazer com que a filha e a

neta tenham o mínimo que seja daquilo que eu posso dar a elas de futuro e de

conforto. Ofender não. Eu não estou aqui para aguentar ofensa.

Conta a minha família.

Eu acho que o que nós temos em comum agora é só o sangue.

Eu tô cansado de ser explorado por todos vocês.

E é por isso que quando eu for embora dessa vida, ninguém vai receber nada do

que é meu.

Vai tudo pra minha esposa.

Arthur, chega. Você não merece isso.

Desculpa, Adriana, mas quem não merece ficar aqui ouvindo isso somos nós. É

verdade. Com licença.

Vamos embora também, crianças.

Gulli. Bom que você deu ideia.

Ulisses, fica.

Eu quero falar com Pilar, você e Silvana.

Toma água, doutor.

Amigo, qualquer coisa tem em casa, tá bem?

Fica bem.

E você, Adriana, doutor?

Se você precisar, pode contar comigo.

Muito obrigada.

Eles não podem fazer nada contra mim. Ah, minha filha. Como é que não pode,

filha? Casa pra você ver, casa.

Depois que ele morrer, esse povo todo vai vir em cima de você e de nós. É isso

que eu sinto.

Infelizmente, sim, pai. Olha o que ela descobriu. Se o Arthur casar, ela perde

a herança, aí virou o bicho, entendeu?

É isso.

Eu provei que eu sou dono e senhor das minhas faculdades mentais.

Saúde! Saúde! Saúde!

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