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Baseado na obra de J�lio Verne
Adapta��o e Argumento
M�sica
Um filme de
TERCEIRA PARTE
O Comandante Michel Strogoff � incumbido pelo Czar Alexandre ll
de atravessar a Sib�ria em revolta para alcan�ar o Gr�o-duque Dimitri,
irm�o do Czar, para evitar que este caia nas m�os dos rebeldes t�rtaros
que j� controlam uma parte do pa�s.
� uma miss�o perigosa que exige o maior sigilo.
No caminho, o encontro com a jovem Nadia,
que tamb�m tenta alcan�ar a Sib�ria, vai permitir-lhe,
fazendo-a passar por sua mulher,
enganar mais facilmente a vigil�ncia dos espi�es t�rtaros.
Ap�s ter utilizado o comboio e o barco, o casal,
chegado aos Urais, tem de seguir caminho pelos seus pr�prios meios.
Strogoff consegue arranjar um equipamento improvisado,
e lan�a-se, com a sua companheira, �s encostas dos Urais.
Em Ekaterimburgo, Strogoff tem de se esconder precipitadamente
para n�o ser reconhecido por ex-camaradas de regimento,
e a sua atitude, inexplic�vel para Nadia, torna-se-lhe suspeita.
Ela est� pronta a julg�-lo um vulgar bandido em fuga.
Todavia, ainda que o tenha amea�ado, ela n�o o denunciar� aos guardas
de fronteira que controlam a entrada das prov�ncias siberianas.
- Onde estamos? - Estamos a aproximar-nos.
Conhe�o uma quinta em ru�nas onde esperaremos que escure�a.
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Vai correr tudo bem. A noite j� caiu.
Dentro de uma hora poderemos seguir caminho,
e �s 22h00 j� teremos passado a zona dos guardas de fronteira.
Os guardas de fronteira!
- Onde est�o eles? - A uma versta daqui.
Devia esconder-se. Certamente, revistar�o isto tudo.
- Quantos s�o? - Uma d�zia, pelo menos; e um oficial.
Volta para a carro�a. N�o te mexas,
e deixa-os revistar tudo. - Certo.
Eles n�o t�m nenhuma raz�o para vir aqui.
- E se vierem? - Lutarei at� � morte.
Ouve...
Suplico-te, lvan,
esconde-te. Eu desenrasco-me sozinha. Vai! Depressa!
O que faz a�?
O que lhe interessa isso?
- A carro�a que est� l� fora � tua? - E.
- Est�s sozinha? - Estou.
� pena... uma rapariga bonita como tu.
Ou ser� que n�o est�s sozinha? D� uma vista de olhos.
Mentirosa!
Tem cuidado,
eu vou denunciar-te, miser�vel!
Farei com que sejas punido pelo teu superior.
O que se passa aqui?
Passa-se que um dos seus homens se comporta como um brutamontes.
Acredite que lamento.
Espera por mim l� fora.
Minha senhora, n�o tem nada a temer.
- Para onde vai? - Para Tioumen.
Para fazer o qu�?
N�s, ciganos, costumamos andar ao acaso, como nos d� na gana.
Permite que eu d� uma vista de olhos?
- Procura alguma coisa? - Procuramos um traidor,
e pensamos que ele se escondeu por estas paragens.
Tenente!
Acha realmente que os T�rtaros s�o uma amea�a?
O destino da R�ssia interessa-lhe?
O meu amante � coronel do Ex�rcito lmperial.
Deixou-o?
Nada nem ningu�m pode privar os ciganos da sua liberdade.
N�o h� nada na carro�a.
Fa�a boa viagem.
V�, vamos.
lvan...
�s uma mulher maravilhosa.
Foram-se todos embora.
Nunca tive tanto medo no raio desta vida.
- Os cavalos est�o prontos? - Est�o.
E n�o h� perigo, a estrada est� livre.
Est� prevista uma reuni�o em Tioumen. O Tzingos levar-te-� l�.
Tens de te lembrar...
... daquilo que te disse a respeito do correio do Czar.
Enquanto ele existir, n�o ficarei tranquila.
lrei ter contigo a Omsk, quando tiveres tomado a cidade.
S� prudente, lvan.
Que o destino te proteja.
- Dormiu bem? - Desculpe-me.
Por qu�?
Onde estamos?
A paragem da dilig�ncia de Toulouguinsk j� n�o fica longe.
- Acha que l� encontraremos cavalos? - N�o fa�o ideia.
- E se n�o encontrarmos? - Continuaremos assim.
Veja... a paragem, l� ao fundo.
Est� a� algu�m?
N�o est� a� ningu�m?
- Talvez ainda estejam a dormir. - Sim. Espere aqui por mim.
Eu vou ver.
- N�o v�. - Porqu�?
� melhor seguirmos caminho.
N�o sou assim t�o fr�gil. Quero saber.
Venha...
... j� que insiste tanto.
� monstruoso!
Foram os T�rtaros?
Talvez. Vamos embora.
N�o nos podemos ir embora desta maneira.
Porque n�o? Quanto mais depressa, melhor.
Que raio de homem � o senhor? Deixar os mortos sem sepultura...
Tente compreender aquilo que j� lhe expliquei.
Neg�cios da maior import�ncia reclamam-me com urg�ncia em lrkoutsk.
Neg�cios!
Este � realmente o momento indicado para se pensar em neg�cios.
V�, se quiser. Eu fico aqui.
Muito bem. Vou fazer isto por si.
V� descansar um bocadinho.
Vimos da parte da Sangarre. Trago o Coronel Ogareff.
Esper�vamo-lo com muita impaci�ncia.
- O senhor n�o � t�rtaro. - N�o.
Todavia, escolhi o vosso lado. Sou o mestre-escola da aldeia.
A administra��o russa estragou este pa�s e todas as regi�es que toca.
Estou com quem luta para que a Sib�ria seja entregue ao povo T�rtaro.
Por aqui, Coronel.
- E a carro�a? - Est� no barrac�o, � vossa espera.
Muito bem.
Sem d�vida alguma, Coronel, o colosso tem p�s de barro.
Neste corpo imenso, a corrup��o fez estragos.
Foi por isso que Feofar Khan derrotou facilmente os Cossacos.
Apresse-se, Coronel.
Tem informa��es precisas?
Feofar Khan alcan�ou Semipalatinsk e avan�a para Omsk.
E as tribos?
Re�nem-se em redor de Omsk, onde os chefes esperam por si
para a grande ofensiva.
E, c� entre n�s, Coronel,
Feofar Khan vai depressa demais.
Todos temos pressa.
Adeus, amigo. Lembrar-me-ei de si.
J� est�. Podemos partir.
Os T�rtaros n�o devem estar longe.
Se a revolta das tribos se generalizou, est�o por todo o lado.
O que andam a fazer os nossos soldados?
O meu pai dizia que os nossos generais
colocam os seus interesses acima dos do lmp�rio,
e que eles s�o incapazes de comandar uma guerra.
N�o � de espantar que ele esteja na Sib�ria.
Que Deus os aben�oe e os inspire com piedade por um pobre monge
que s� vive gra�as �s contribui��es dos crist�os caridosos.
S�o Cris�stomo compensar-te-�.
Diga-nos, senhor padre,
viu T�rtaros? - O Senhor disse-me,
��Trata da tua casa, e deixa o teu vizinho tratar da sua em paz��.
Mais um sacrif�cio, meu filho,
para o teu pr�prio bem, pois quem d� aos pobres enriquece.
V�, um sacrif�cio.
lmagina que est�s a salvar a tua alma do pecado.
Os cavalos! Cr�pula! Venha.
Deus ama os maus ladr�es.
Tem de se pecar muito para se ser muito perdoado.
S�o dois belos cavalos que me poupar�o a muita fadiga.
V�, meus filhos!
Por S�o Cris�stomo, eu te agrade�o, meu filho.
Estou livre da m� influ�ncia daqueles cr�pulas.
Foste tu que pilhaste a paragem da dilig�ncia, certo?
Fi-lo por Deus e pelo lmperador,
o chefe dos correios simpatizava com os T�rtaros.
O que fizeste aos cavalos? Fala! Onde est�o os cavalos?
Preciso de dois cavalos!
- Deixas-me estes dois? - J�!
- Por favor, em troca... - Fica com eles, cr�pula!
- Quero os outros, e j�! - T�-los-�s.
- Que diabo! - Por favor, amigo, n�o blasfemes.
Desconhecia que era um bom soldado.
- Por favor... - Parece-me que estou vivo,
e n�o foi a senhora que me salvou a vida? Sim ou n�o?
N�o sei construir frases bonitas, mas, mesmo assim, posso agradecer.
Matei um homem. Nunca me perdoarei.
- Um bandido, n�o um homem. - Cabe a Deus decidir, n�o a n�s!
Era do meu pai. Pensei que me protegeria. Fique com ele.
� o caminho para lchim. Estaremos l� dentro de uma hora.
- Olhe. H� uma carro�a � nossa frente! - Era o que eu temia.
Temos de chegar primeiro a lchim.
� a �nica hip�tese de arranjarmos cavalos repousados.
Eu chegarei primeiro!
Vamos!
Vamos!
J� disse que n�o vale a pena ficarem aqui.
N�o tenho mais cavalos, nem carro�as, nem nenhum meio de transporte.
N�o me resta nada. � a guerra, meus senhores.
Lamento n�o vos poder dar outra coisa para comer a n�o ser sobras.
Amanh�, fechamos a porta.
N�o faz mal, desde que tenhamos os cavalos...
- �s o chefe da paragem? - Sou.
Atrela dois cavalos � minha carro�a.
Lamento, mas chega demasiado tarde. Acabei de vender os �ltimos cavalos
�quele senhor. - Atrela-os � minha carro�a.
N�o sei se aquele senhor concordar� com aquilo que prop�e.
Qual � o seu pre�o, senhor?
Preciso destes dois cavalos.
N�o fa�o ten��es de regatear.
O que quer?
Os cavalos n�o est�o � venda, ponto final.
Faz mal em obstinar-se.
Eu ficarei com os cavalos, de qualquer maneira.
O que quer dizer com isso?
Que ficarei com eles, aconte�a o que acontecer.
Ou seja?
Ficarei com eles � for�a, se for necess�rio.
- A parelha de cavalos pertence-me! - Tanto pior...
Foi o senhor que as pediu.
Lamento, mas obrigou-me a isto.
Atrela-me os cavalos!
Onde est�o os cavalos?
N�o se preocupe. Agi de maneira a impingir-lhe os cavalos cansados.
� um truque do nosso of�cio. Dei-lhes uma po��o revigorante.
Com ela, um cavalo exausto d� ares de ser um cavalo de corridas,
mas por pouco tempo. Os cavalos bons est�o na sua carro�a.
Nesse caso, s� nos resta partir.
- N�o descansa um bocado? - N�o estou cansado.
- E a senhora? - A senhora tamb�m n�o est�. Venha.
Vamos! Vamos!
Com os diabos! Estes cavalos s�o pilecas de talho.
Por mais que lhes bata, eles n�o avan�am.
� in�til, Tzingos, n�o conseguir�s nada destes cavalos.
Dev�amos ter desconfiado daquele chefe da paragem.
Ele que espere pela sova que lhe hei-de dar. Olhe, Coronel!
S�o dos nossos, Tzingos.
S�o tribos em marcha para Omsk.
H� muito que esperava por este momento.
Adeus, Tzingos. Volta para junto da Sangarre.
Nicolas, queria dizer-lhe...
... no albergue, percebi tudo, e n�o lhe farei mais perguntas.
Os T�rtaros est�o muito perto.
Omsk n�o fica longe. Temos de l� chegar antes deles.
Chegaremos, em breve.
Mas, primeiro, temos de transpor o lrtych.
Segure as r�deas.
A barca est� ali.
� Omsk?
Sim.
Fica mesmo por detr�s daquela cortina de �rvores.
Mas onde est�o os barqueiros?
� da casa!
Est� a� algu�m?
Os T�rtaros! Parem a barca. Para tr�s!
Nicolas! Nicolas!
Nicolas! Nicolas!
Tamb�m est�s aqui?
H� muito que esperava por isto. Este � o meu filho, o Shaku.
- Shaku? - Shaku.
Shaku. Bom dia, Shaku! Tudo bem?
- E aqueles quem s�o? - As tribos Kazath.
- V�m do lago Balkach. - Rafik! Como est�s?
E como vai o velho Kuzbeck?
- Bem. Ele manda-lhe cumprimentos. - Muito bem.
Cada minuto do meu plano de batalha est� registado neste mapa.
Como sabes o futuro?
Os Russos ensinaram-mo nas suas escolas.
Feofar Khan acha que os Russos s� dizem disparates.
Ele engana-se. Ele engana-se, e eu saberei provar-lho.
- Onde est� ele e o seu ex�rcito? - Sobe pelo Sul em direc��o a Tomsk.
Tomsk! N�o nos podemos deixar ultrapassar por Feofar.
Se seguirem as minhas instru��es,
amanh�, prometo-vos, estaremos em Omsk!
Onde est�o os barqueiros?
lsso eu n�o sei, nem quero saber.
Decidam-se depressa. N�o vou ficar aqui muito tempo.
Seria muito est�pido chegar at� aqui para dar meia volta.
Pensa passar a nado?
- Encontraremos um meio. - Decidam-se, senhores,
ou paguem, que eu vou-me embora.
Est� bem, meu amigo, v�-se embora. N�s ficamos.
Foi o que combin�mos, n�o foi?
Se os T�rtaros me apanharem, isto h�-de servir-me de muito.
Ent�o, tome, para a sua vi�va.
� claro que as coisas interessantes se passam do outro lado.
Parece-me que os T�rtaros est�o a atacar Omsk.
- Um ponto para mim, Jolivet. - A cidade ainda n�o foi tomada.
Retirar imediatamente para a cidadela! Ordem do General!
Parece que o diabo n�o o quis...
Finalmente, acorda...
Pode dizer-se, jovem, que teve sorte.
O que se passa?
N�o tenha medo. N�o sou o Grande S�o Pedro.
- E ela? Onde � que ela est�? - A Nadia?
Conhece-la?
N�o, mas n�o parou de repetir esse nome durante dois dias inteiros.
- Dois dias! - Dois dias!
N�o � de espantar. Com o golpe que apanhou, � um verdadeiro milagre,
n�o tenho d�vidas. Eu tinha a certeza de que a morte estava consigo.
Quando o encontrei na margem, parecia um cad�ver abandonado,
de barriga para o ar, como um peixe morto.
E ela? Onde est� ela?
Essa Nadia,
creio que eles a apanharam.
Vi-a quando a levaram para Omsk.
Omsk?!
- Omsk foi tomada? - Sim, quase ao primeiro ataque.
Varreram tudo. S� a cidadela ainda resiste.
Mas aonde vai? N�o se v� embora. Tem de descansar, tem de se deitar.
Obrigado. N�o tenho tempo a perder. Tenho de partir.
Ainda est� muito fraco. � uma loucura.
N�o pode ir longe. N�o se aguenta nas pernas.
Se os T�rtaros capturaram a sua Nadia,
n�o conseguir� resgat�-la sozinho.
- Tem um cavalo? - Um cavalo?
E o que faria eu com ele?
Preciso de um cavalo o mais depressa poss�vel.
Tenho um velho amigo que talvez tenha um. Que rica brincadeira!
Onde � que ele est�?
Conhece Omsk?
Sim... Conhe�o bem essa cidade...
Quem � aquele homem?
Eu conhe�o aquela alma do diabo, � o Ogareff.
� muito perigoso. � ele que chefia este bando de malfeitores.
- Cuidado! Vem a� o Roublov. - � tu! Aonde vais?
Vou fazer compras,
vim entregar feno. - Desaparece daqui.
� proibido permanecer na cidade, nela entrar ou sair,
at� que a cidadela seja tomada. V�! Desaparece!
- Mas � um funcion�rio russo! - O meu amigo � jovem.
Por alguma autoridade, o que n�o faria a maioria dos homens.
E muitos s�o como o Roublov. � a pol�cia que lhe corre no sangue.
N�o lhe interessa saber quem � o seu mestre.
E o meu velho amigo pescador tem raz�o.
H� 15 anos que ele n�o p�e os p�s na cidade,
pois ele conhece muito bem o car�cter dos homens.
Ele teve v�rias vezes a ocasi�o de o sofrer na pele, coitado.
Espere por mim.
Nadia!
Desculpe.
Pensava que... Desculpe.
Michel! Michel! Michel! �s tu!
Finalmente!
Ent�o, deixaste Moscovo!
Est� louca. N�o a conhe�o.
Como? N�o me reconheces?
- Quem � a senhora? - Sou a tua m�e.
O que tens, Michel? J� n�o reconheces a tua m�e?
� um engano. Sem d�vida, n�o passa de uma parecen�a.
Michel, tu �s o filho de Pierre e de Marfa Strogoff!
Michel!
Michel...
- Michel... - Era o teu filho?
Sim, � ele. Porque ser� que o esconde?
Porque deve ter as suas raz�es. Talvez n�o queira ser reconhecido.
Voc� a�! � uma tal Marfa Strogoff?
- Sou eu. - E acha que aquele � o seu filho?
- N�o, eu enganei-me. - Strogoff, Strogoff...
Acho que conhe�o esse nome.
� o nome de um oficial do Corpo lmperial de Correios!
Ignoro-o.
- Desculpe, a parecen�a enganou-me. - Marfa Strogoff,
vai dar-me o prazer de me acompanhar ao quartel-general.
- N�o! N�o! - Vamos! Nada de disparates.
J� lhe disse que foi um engano...
Senhor!
Michel Strogoff?
- N�o conhe�o ningu�m com esse nome. - N�o tem nada a temer.
Golovine, Comandante. O trajo que envergo � apenas um disfarce.
O General Korsakoff, antes de se retirar para a cidadela,
ordenou-me a mim e a alguns camaradas que nos vest�ssemos � civil
para organizarmos a resist�ncia.
Eu estava no mercado, h� pouco, e pude assistir � cena,
quando a sua m�e reconheceu o seu filho.
O senhor � Michel Strogoff, correio do Czar, em miss�o.
N�o compreendo uma palavra do que diz.
Chamo-me Serge lvanoff, e sou comerciante em lrkoutsk.
Como queira. Eu faria o mesmo, no seu lugar.
S� lhe queria dizer, para que n�o tenha d�vidas,
que o vamos ajudar de todas as maneiras poss�veis,
e creio que � preciso agir rapidamente.
A cidade est� enxameada de espi�es.
Ogareff p�s todos os homens no seu encal�o.
Posso dizer-lhe que est�o a interrogar a sua m�e.
Strogoff? Correio do Czar?
- Tens a certeza? - Absoluta, Vossa Excel�ncia.
Detiveste-o?
N�o, s� pensei nisso depois.
Ele desapareceu, mas a sua m�e est� nas nossas m�os.
- Onde est� ela? - L� em baixo.
Manda-a subir.
Venha!
Dizem-me que o teu filho se esconde nesta cidade.
N�o � o meu filho.
Ouve, m�ezinha,
eu n�o lhe quero nenhum mal, a s�rio.
Um correio do Czar vai a caminho da cidade de lrkoutsk.
Ele n�o deve chegar l�, e asseguro-te de que n�o chegar�.
Ajudando-me a encontr�-lo, s� o estar�s a poupar a perigos maiores.
N�o sei de que est� a falar.
Muito bem. Tanto pior para ti, tanto pior para ele.
Nenhuma brecha, nenhum ponto de fuga em lado nenhum!
Temos de esperar um ou dois dias para encontrarmos uma sa�da.
N�o tenho tempo a perder.
- Tenho de sair daqui esta noite. - N�o vejo como.
- Pode arranjar-me um cavalo? - Sim.
- E p�lvora? - N�s temos.
O que lhes proponho � o seguinte...
Vamos!
Depressa!
Em vez de se armar em desportista, devia vir para aqui. Ele viu-nos.
Meu caro, sejam quais forem as circunst�ncias,
conv�m mantermo-nos em forma.
Para nos mantermos em forma, nada bate uma boa refei��o.
N�o me fale em refei��es, por favor,
ainda sinto c� dentro os seus carac�is.
Queixe-se! Sem eles, estaria esfomeado.
- Eram repugnantes! - Admito que cozidos s�o melhores.
- Bom dia, meu amigo. - Bom dia.
Podia levar-nos � outra margem, por favor?
Se me permitem um conselho, seria melhor n�o atravessarem o rio.
Ficar aqui! Tudo menos isso. H� tr�s dias que aqui estamos.
Os T�rtaros tomaram a cidade e ocupam toda a regi�o da outra margem.
Penso que o sabem.
� precisamente por isso que queremos l� ir. Somos jornalistas.
Jornalistas! Estou a ver!
E acham que isso basta para estarem protegidos da canalhice?
Na noite passada, algu�m conseguiu escapar da cidade,
e os T�rtaros v�o fazer de tudo para o apanhar.
Seguramente, querem agir de surpresa.
� minha ordem!
Apontar...
Fogo!
O condenado era um espi�o do Czar.
Foi provado por julgamento...
... que participou no atentado da noite passada.
Da mesma maneira, executaremos todos os espi�es.
Pelo contr�rio, uma soma de 1 .500 rublos ser� devidamente entregue
a todos aqueles que nos puderem denunciar os c�mplices,
ou ajudar-nos na captura do espi�o que fugiu,
fazendo explodir a porta sul da cidade.
Os ajuntamentos de mais de duas pessoas s�o proibidos.
O que sabes sobre Strogoff?
Tudo, Coronel, ou quase tudo.
- Sem exagero. - Estou a ouvir.
Os meus pais moravam numa casa vizinha da casa dos Strogoff,
menos bonita, claro; e n�s �ramos menos bem considerados na cidade.
Em crian�a, observava-o de longe,
e admirava muito as suas qualidades.
A sua for�a, a sua altivez,
e a maneira que ele tinha de se fazer respeitar por todos.
Ele conhece-te?
De certeza que me esqueceu. Eu nada tinha que lhe chamasse a aten��o.
E, todavia, ele enganava-se. Eu sou muito mais inteligente do que ele.
Poderias identific�-lo?
Claro, claro que poderia identificar Michel Strogoff.
Nem que para isso seja preciso... descer ao fundo do lnferno.
Revistem tudo � vossa passagem: aldeias, casas,
quintas isoladas. Ele deve esconder-se no caminho para lrkoutsk.
Ele vai permitir-lhes identific�-lo, onde quer que ele se esconda.
Quero-o... vivo ou morto! V�o!
Finalmente!
Tinha prometido vir ter contigo assim que te apoderasses desta cidade.
- Capturaste o correio do Czar? - N�o, mas estou no seu encal�o.
Quem s�o aqueles dois?
S�o dois estrangeiros que encontrei l� fora, nas imedia��es das portas.
Proibi que se entrasse ou sa�sse da cidade.
Pensei que eles te poderiam interessar.
S�o dois jornalistas correspondentes de imprensa.
Um lngl�s e um Franc�s.
Eu sou o Coronel Ogareff.
Sejam bem-vindos ao territ�rio da nova rep�blica siberiana.
As partes a tracejado
representam os territ�rios libertados pelas nossas tropas,
e regidos pelas leis da nova administra��o republicana.
Um pa�s moderno...
... � o que queremos edificar sobre as ru�nas da decad�ncia do lmp�rio.
No passeio que demos pela cidade,
pareceu-me ver a bandeira imperial ondular sobre a cidadela.
Sr. Jolivet, aquela cidadela est� longe
de ter a import�ncia simb�lica da vossa Bastilha.
Ela cair� como um fruto maduro quando chegar a hora.
A tomada de posse destes vastos territ�rios,
a liberta��o das nossas tribos oprimidas...
... s�o coisas tang�veis, Sr. Jolivet. - O Coronel � um realista.
Mas, por vezes, os s�mbolos resistem mais do que as for�as materiais.
N�o se deixe influenciar, Coronel. Os Franceses s�o todos uns idealistas.
H� pouco, vi as manobras dos seus guerreiros t�rtaros.
Meu Deus, est�o disciplinados como a guarda real a cavalo!
Est� no bom caminho.
O seu aliado Feofar Khan inspira-se nos mesmos princ�pios?
Cada um luta pela liberdade do seu povo, Sr. Jolivet.
Sinceramente, n�o vejo como ser� poss�vel
conciliar as suas aspira��es republicanas
com as concep��es mais medievais de Feofar Khan.
Por agora, a nossa tarefa � vencer os ex�rcitos do Czar.
Queiram dar-me licen�a,
as patrulhas de reconhecimento est�o de volta e tenho de ouvir o relat�rio.
- Posso acompanh�-lo, Coronel? - Se assim deseja.
Permite-me fazer algumas anota��es sobre a situa��o militar?
Com certeza, nada � secreto. Pelo contr�rio,
ficarei encantado por as na��es ocidentais ficarem a par disto.
Obrigado, Coronel.
Diga-me, Coronel, uma vez que estamos entre republicanos,
em prol do jornal, gostava de seguir viagem rumo ao ex�rcito de Feofar.
Podia conceder-me um passe?
N�o sei se encontraria junto do Emir de Bukharat,
um interlocutor muito compreensivo.
Mas dar-lhe-ei o seu salvo-conduto, Sr. Jolivet.
Tome, Sr. Blount. Com este passe, � livre de ir onde quiser.
Obrigado, Coronel.
O meu jornal dar� conhecimento � nossa Majestade, a Rainha Vit�ria,
do acolhimento amig�vel que concedeu a um cidad�o brit�nico.
Gostaria que o seu governo soubesse igualmente
que a nossa Rep�blica conta manter excelentes rela��es com o Reino Unido.
Ele saber�, Coronel, ele saber�.
Boa viagem, Sr. Blount.
- Posso fazer-lhe mais uma pergunta? - Faca favor.
Quem � o misterioso cavaleiro que for�ou ontem as portas da cidade?
N�o fa�o a m�nima ideia, Sr. Blount.
O senhor tamb�m!
N�o h� d�vida de que o Coronel Ogareff tem um cora��o vol�vel.
Bem, engan�mo-nos.
O nosso misterioso viajante n�o era o Coronel Ogareff.
Mas ent�o, quem �?
Penso que ser� o cavaleiro desconhecido que fugiu esta noite.
lsso n�o nos diz quem ele �.
Mas � uma pe�a importante deste jogo de xadrez, n�o duvide.
- Ele partiu naquela direc��o? - Sim, penso que sim.
Um pouco de vodka?
Nunca entre as refei��es.
De certeza que foi naquela direc��o!
- � o caminho dos p�ntanos. - Sigam. Eu vou por este caminho.
- Onde nos encontramos? - Em Tchebinsk.
Ent�o, at� Tchebinsk.
O meu cavalo comeu?
- Ra��o dupla. - Quanto te devo?
- N�o vai partir a esta hora da noite! - Vou.
N�o � muito prudente, n�o � mesmo nada prudente.
Porqu�? Porque os T�rtaros n�o o permitem?
Os T�rtaros? Quais T�rtaros?
H� mais de 30 anos que n�o vejo T�rtaros nesta regi�o.
Estou a falar dos bichos-do-mato e dos fogos-f�tuos.
Os nossos p�ntanos est�o rasos deles, e eles prendem os viajantes.
Se � s� isso, n�o tenho medo.
N�o acredita; todavia, j� conheci muitos espertalh�es
que ningu�m voltou a encontrar.
Bem, quanto te devo?
12 copeques, com a aveia do cavalo inclu�da.
Toma, � para ti.
Adeus.
- Deve ter passado aqui um cavaleiro. - Um cavaleiro?
N�o vi ningu�m... nenhum cavaleiro.
� melhor dizeres a verdade, homenzinho, e depressa.
Sen�o, estes senhores ter�o muito prazer em fazer-te falar.
Quero dizer, agora que penso nisso...
H� cerca de uma hora, um viajante parou aqui para comer.
- N�o ficou muito tempo. - Dizes que foi h� uma hora?
- H� uma hora, pouco mais. - Desta vez, ele � nosso. Vamos.
Tradu��o e Legendagem Alexandra Brum / CRlSTBET, Lda.
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