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Original subtitles

Baseado na obra de J�lio Verne

Adapta��o e Argumento

M�sica

Um filme de

SEGUNDA PARTE

1875.

A revolta est� iminente nas terras da Sib�ria, onde as tribos t�rtaras,

sob o comando de lvan Ogareff, antigo coronel do Ex�rcito lmperial,

e de Feofar Khan, pr�ncipe t�rtaro do Turquist�o,

j� controlam prov�ncias inteiras.

O Comandante Michel Strogoff � incumbido, pelo Czar Alexandre ll,

de uma perigosa miss�o. atravessar 5.000 km de regi�es hostis

para chegar a lrkoutsk, onde o irm�o do Czar � amea�ado pelos rebeldes.

O comboio que leva o correio do Czar em direc��o aos Montes Urais,

vai permitir-lhe encontrar Nadia, a filha de um deportado pol�tico

que, tamb�m ela, tenta chegar � Sib�ria para se juntar ao seu pai.

Para passar despercebido aos olhos dos espi�es de Ogareff,

Strogoff prop�e a Nadia que viaje com ele, fingindo ser sua mulher.

A jovem aceita.

Mas em Nijni-Novgorod, onde termina a via-f�rrea, as dificuldades come�am.

A bordo do barco que sobe o Volga, em direc��o aos Montes Urais,

Sem saber, Strogoff viaja com Ogareff, que tamb�m vai para a Sib�ria,

escondido entre o bando de bo�mios da sua amiga Sangarre.

Durante a noite, dois deles, tomando Strogoff por um rico comerciante,

tentam roub�-lo...

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Bom dia.

- Bom dia. - Espero que tenha tido uma boa noite.

Excelente, obrigado.

Aqui est� Perm.

Tem uma ferida na testa?

N�o � nada. Bati com a cabe�a, no escuro.

O que vai fazer agora?

Vou procurar trabalho para poder pagar outra etapa.

Porqu� separarmo-nos?

- Mas n�o vai... - Eu tamb�m tenho de ir a lrkoutsk.

- Todavia, tinha-me dito outra coisa. - O que eu disse n�o interessa.

O que � preciso � que n�o tenha de voltar a procurar trabalho.

E � imposs�vel uma mulher atravessar a Sib�ria sozinha.

E o senhor, que benef�cio tiraria disso?

Antes de mais,

uma companhia encantadora. - E depois?

Em seguida... continuo a acreditar que um casal casado

tem todas as hip�teses de passar despercebido.

Acha que ainda � perseguido?

Quem sabe?

A mulher n�o deve seguir o seu marido?

- Ent�o, aceita? - Afinal de contas, j� n�o come��mos?

Bravo!

Barra � direita! Toda!

Onde p�ra a dilig�ncia para Ekaterimburgo?

Do outro lado da cidade, mas t�m de se despachar,

a partida faz-se dentro de minutos.

- Ela s� parte de dois em dois dias. - Obrigado.

Dou-te dois rublos se nos levares � paragem, a tempo da partida.

- Sim. - Certo?

Vamos.

Despacha-te, frade, antes que os T�rtaros te apanhem!

- O que faz toda esta gente aqui? - Vamos!

Mais depressa!

At� aos Montes Urais? Nem pensar. Eu tenho mulher e filhos.

N�o lhe estou a pedir que os leve, meu amigo.

- 300 rublos. - Suba.

Uma carro�a, nem mais nem menos.

S� lhe falta um criado pessoal e uma criada espevitada.

Se quer brincar aos mosqueteiros, � consigo. Eu prefiro o meu conforto.

Onde encontrou esse sobrevivente de Waterloo?

Foi sorte. O comandante do navio queria desfazer-se dele.

- Compreendo-o. - Adeus, meu caro colega.

N�o se esque�a da botija de �gua quente.

E ent�o?

Por esse pre�o, dou-lhe a minha mulher.

Deus me livre!

Obrigado.

Tenha maneiras, caro senhor.

- Pe�o perd�o. Deixe-me passar. - Tenha calma.

Para onde diabo vai a correr dessa maneira?

- Deixe-me passar! - Vamos ver isso.

Pol�cia, aqui tem o meu cart�o.

- Lamento, lnspector, temos pressa. - A pol�cia tem o tempo todo.

- O que deseja? - Temos algumas perguntas a fazer-lhe.

- Queremos apanhar aquela dilig�ncia. - Posso ver o vosso passaporte?

Sr. e Sra. lvanoff.

Rec�m casados, n�o �? Os meus parab�ns.

- De onde v�m? - Ou�a, lnspector...

- Creio ter-lhe feito uma pergunta. - De Moscovo.

- Para onde v�o? - Para Ekaterimburgo.

� - Fazer o qu�? - E a nossa viagem de n�pcias.

Com certeza...

Com certeza...

- E a sua profiss�o? - Comerciante.

Quanto tempo v�o ficar em Ekaterimburgo?

- Uma ou duas semanas. - Conhece l� algu�m?

Sim.

- Foram convidados? - Sim.

E tu, o que achas?

- Acho que podem ir. - Muito bem.

Muito bem. Podem ir.

Boa viagem.

Perm � uma cidade encantadora para quem est� em lua-de-mel.

Afinal de contas, esperar dois dias n�o � nada do outro mundo

para quem est� apaixonado. N�o �, Jasha?

Sem d�vida.

lmbecis!

- � grave, para si? - E.

Talvez ainda possamos apanhar uma dilig�ncia irregular.

N�o creio, minha senhora.

A que partiu era seguramente a �ltima da linha.

Os acontecimentos para l� dos Urais desorganizaram o nosso servi�o.

Podemos comprar uma carro�a com cavalos?

Duvido. N�o devem restar muitas.

Os refugiados ficaram com as poucas carro�as que encontraram.

- O �nico local onde ainda pode... - Asseguro-lhe que encontrarei uma.

Quando a encontrar, venha ter comigo por causa dos cavalos.

Entretanto, posso guardar as malas.

- Bom dia. - Bom dia, senhor.

N�o tem uma carro�a para vender?

Posso mostrar-lhe uma, se quiser. Ela n�o � grande coisa.

- Vejamo-la, mesmo assim. - Nesse caso, eu levo-os l�.

- E a roda? - � uma sorte ela n�o estar a�.

Se tivesse as rodas todas, h� muito tempo que n�o estava aqui.

Ser� que tamb�m consigo encontrar uma roda?

lsso...

Deve haver carpinteiros de carro�as, em Perm.

Com certeza que h�; e muito bons.

Encontrei a carro�a. Agora, preciso dos cavalos.

Desculpe, mas h� novidades desde h� pouco.

J� n�o tenho um �nico cavalo.

- Mas tinha-mo prometido! - E verdade, senhor,

mas eu n�o tive culpa. O Ex�rcito requisitou os cavalos que restavam.

- D�-me licen�a, Sr. lvanoff? - O que quer agora?

Talvez fazer-lhe um favor, Sr. lvanoff.

- O senhor? - Eu sei que me quer mal.

Engana-se. No fundo, eu n�o sou mau tipo.

Conhe�o um s�tio onde pode encontrar todos os cavalos que quiser.

- Cavalos? Onde? - Tenha calma, caro senhor.

Tem de ir da minha parte, caro senhor. Compreende o que isto quer dizer?

Quanto?

- � um prazer conversar consigo. - N�o tenho tempo a perder. Quanto?

Digamos... 80 rublos.

Est� a� algu�m?

O que quer?

Bom dia. Venho da parte de Gregori Efemovitch. Quero cavalos.

Vai custar-lhe 500 rublos, por cavalo.

500 rublos?

- � o pre�o de um cavalo de corridas. - N�o h� regateio. E este o pre�o.

Combinado.

Quantos cavalos?

- Dois. - Tudo bem.

D�-me licen�a. Por esse pre�o, quero ser eu pr�prio a escolh�-los.

Estes cavalos foram roubados ao Ex�rcito, n�o foram?

� um espi�o. Eu j� suspeitava.

lnfelizmente, tenho mais em que pensar.

N�o fique aqui, Nadia.

Cuidado!

Depressa, Nadia, os cavalos!

Boa noite.

N�o podemos parar um pouco para restaurar as for�as?

J� perdi muito tempo.

Arre! Se tem fome, veja o que h� no cesto.

N�o diz nada.

Eu sei que a choco.

Sei que posso parecer um homem bruto e sem maneiras.

� verdade,

lamento. Tem raz�o em estar zangada.

N�o tenho nenhum motivo de queixa. Fizemos um pacto e eu respeito-o.

Quanto ao resto, uma mulher deve seguir o seu marido.

N�o foi o que o senhor disse?

Ou�am todos! Hoje � o dia em que...

... os T�rtaros do Turquist�o e da Sib�ria finalmente se re�nem.

Bebam como um �nico homem! Vit�ria ao nosso povo!

Tu e o teu ex�rcito marcharam depressa, Feofar.

- N�o vos esper�vamos t�o cedo. - Dei um empurr�o aos Cossacos.

N�o t�nhamos decidido n�o entrar em guerra

antes de o Coronel Ogareff se juntar a n�s?

N�o faz mal ganhar tempo.

O Coronel Ogareff serviu os ex�rcitos do Czar.

Ele � o �nico de n�s que conhece os segredos dos russos.

- Precisamos dele para derrot�-los. - N�o h� segredo, nem magia.

- O nosso ex�rcito pode com o do Czar. - Veremos isso em combate.

Tens o descaramento de duvidar da nossa coragem?

Ela n�o foi suficiente, durante s�culos.

- Sabes isso melhor que ningu�m. - Ser� suficiente. Asseguro-vos;

se ningu�m duvidar disso.

E a presen�a do amigo Ogareff � apenas uma ajuda.

- Sabem quando Ogareff chegar�? - Ele n�o tarda.

Avistaram-no nas imedia��es dos Urais, por estes dias.

O que decidiste?

As veredas da montanha s�o mais seguras.

Mas pela estrada chegaremos mais depressa.

Sim. Podemos ser detidos pelos guardas da fronteira.

Para mim, o tempo conta mais do que o risco. Escolho a estrada.

Deixa-me ver a tua m�o.

Tu passar�s. N�o vejo acontecer-te nada de mal.

S�o os Montes Urais?

Sim.

- Tome, fique com este casaco. - Porqu�?

- N�o tenho frio nenhum. - � melhor.

Em breve, estar� frio.

Pensa continuar por muito tempo?

Sim. Toda a noite, se for poss�vel.

Obrigado.

- O que est� a fazer? - Vamos tomar um atalho.

Sei que � mau, mas os cavalos come�am a ficar exaustos.

Queria chegar ao raio da paragem ao nascer do dia...

... para atacar a montanha com cavalos novos.

Devagar...

Cuidado!

Valha-me Deus! O eixo est� partido. Des�a.

Segure o cobertor. Temos de cobrir os cavalos.

Olhe, Nadia, talvez estas pessoas nos possam ajudar. Venha.

Boa noite. Partiu-se um eixo da minha carro�a. ,

H� na regi�o um carpinteiro que o possa consertar?

Claro. H� um carpinteiro muito bom na aldeia vizinha,

mas ter�o de esperar pelo nascer do dia. N�o fiquem na rua.

Venha.

Macha! Estes senhores s�o dois viajantes que tiveram um acidente.

Na nossa regi�o, os caminhos s�o muito maus. Sejam bem-vindos.

- Podes servir mais duas malgas? - Claro, n�o te preocupes.

Devem estar com muita fome.

Ter�o de se contentar com a mod�stia da nossa hospitalidade.

N�o os queremos incomodar.

Diga-nos apenas onde h� um carpinteiro.

Vai anoitecer. N�o encontraremos ningu�m.

Tenho pressa. Preciso de encontr�-lo.

Asseguro-lhe que o melhor � ficarem aqui esta noite,

e eu levar-vos-ei � aldeia, de manh�zinha.

E v�-se que a senhora est� muito cansada!

Creio que tem raz�o. Obrigado.

Ouve?

- S�o lobos. - Sim. A noite pertence-lhes.

Ningu�m se arrisca a sair � rua assim que a noite cai.

Seria muito perigoso ir � aldeia.

Fiquem com o nosso quarto. L� ficar�o bem. Sente-se.

Na vida, � preciso dar tempo ao tempo, em todas as coisas.

Os cavalos! V�o ser devorados. Tenho de abrig�-los.

Mais vale perder os cavalos do que perder a vida.

Tem um palheiro onde eu os possa abrigar?

Ou�a, acredite que � in�til tentar. N�o conhece os lobos.

Eu conhe�o os lobos. Eles t�m medo do fogo.

N�o o pode deixar fazer isto! Ele n�o voltar� com vida.

- N�o corra esse risco! - � preciso, Nadia.

Sem cavalos, estamos perdidos.

Cada segundo que passa � uma hip�tese a menos.

Espere!

Ao menos, leve isto.

E tudo isto por uma parelha de cavalos? Os homens s�o todos loucos.

Pode crer que se ele age assim, � porque n�o tem alternativa.

T�m assim tanta pressa?

Sim. Temos muita pressa.

Tive tanto medo!

- Est� ferido! - N�o � nada.

Muito obrigado.

N�o est� ferido? Ouvimos tiros.

J� est�. Os cavalos est�o em seguran�a.

Ent�o, est� tudo bem.

Mereceu comer uma bela sopa bem quente.

N�o queremos ficar com o vosso quarto.

Sei que devem estar habituados a um maior conforto.

N�o foi isso que eu quis dizer, acredite.

Sabe, a hospitalidade � o �nico luxo que temos. Conceda-nos isto.

Passem uma boa noite.

Boa noite.

Lamento. Ningu�m podia prever isto.

Tenho a certeza de que n�o abusar� da situa��o.

Ambos precisamos de dormir.

N�o vejo nenhum inconveniente em dormirmos ao lado um do outro.

� uma rapariga maravilhosa.

Devia descal�ar as botas.

- Porque sorri? - Este quarto...

... lembra-me o quarto da minha inf�ncia.

Fique com o cobertor. N�o tenho frio.

Por cima da minha cama, havia o mesmo �cone.

De onde �?

De Omsk.

Os meus pais eram camponeses.

- Morreram? - N�o.

- A minha m�e ainda est� viva. - Em Omsk?

Sim.

Vai v�-la, muito em breve. Vamos passar por Omsk, n�o vamos?

- Sim. - Tenciona ver a sua m�e?

- N�o. - N�o compreendo.

Creio que n�o tenho obriga��o de lhe justificar as minhas ac��es.

Tem raz�o. N�o devemos nada um ao outro. Boa noite.

Lamento.

N�o queria ser ofensivo.

O senhor est� muito cansado, e eu tamb�m.

Durma, ser� melhor.

- Boa noite. - Boa noite.

Obrigado. Obrigado por tudo.

Uma sopa e uma cama n�o � grande coisa.

� o que se devia encontrar em qualquer banda.

Desejo-lhes muitas felicidades e muitos filhos.

Bonitos como a m�e, e valentes como o pai.

N�o gosta de falar de si, n�o �?

Sabe o que me dizia ontem � noite a mulher do mujique?

Ela n�o compreendia porque arrisca a vida por uma parelha de cavalos.

Ela n�o � a �nica a n�o compreender.

Porque ser� que as mulheres s�o t�o curiosas?

Viajamos juntos h� quatro dias e n�o sei nada sobre si.

- O que quer saber? - Porque tem tanta pressa?

Posso confiar-lhe um segredo?

De grande import�ncia?

Tenho em lrkoutsk...

... um papagaio com o qual devo celebrar o meu anivers�rio.

A este ritmo, eles n�o v�o resistir muito tempo.

Dentro de duas horas, chegaremos � pr�xima paragem.

- E ent�o? - N�o podemos continuar.

- E porqu�, se faz favor? - S� resta um cavalo repousado.

Est� com azar. H� dois minutos t�nhamos uma parelha,

mas um cavaleiro levou um deles.

- Um cavaleiro? - Sim. Olhe, aquele que ali vem.

Sentado na carro�a, os guardas afligidos observavam o seu sil�ncio,

� sua volta alinhados.

- Ol�, colega. - Santo Deus!

Foi o C�u que o enviou. O que conta fazer com esse cavalo?

Provavelmente, bife picado, pois � velocidade que vou,

os meus rins n�o aguentar�o a viagem. - Tenho uma proposta.

O senhor tem o cavalo que me falta,

e eu tenho um lugar que poupar� os seus quartos traseiros.

- O que acha? - Combinado, camarada.

Bom dia.

Por favor! Preciso de dois cavalos, rapidamente!

Quero transpor o desfiladeiro antes que escure�a.

Lamento, mas n�o temos mais cavalos. Acabei de vender a �ltima parelha.

H� uma semana que � assim.

Mas podes dar-lhes de beber, e aveia para comer.

Com certeza. Fazia melhor se os poupasse.

Eles ter�o dificuldades em transpor a cordilheira.

- N�o acha que seria... - Est�s a perder tempo. V�!

O que eu digo, � para o seu bem.

Se tem pressa de ir para o lnferno, isso � consigo.

Tudo bem, Nadia?

Tudo bem...

- O que �? - Uma tempestade.

� precisamente aquilo que eu temia.

D�-me o meu gorro.

Obrigado.

O que vai fazer?

J� viu uma tempestade nas montanhas?

N�o.

Vamos!

Abrigue-se.

- N�o vale a pena ficar a�. - Que chuvada!

V� para dentro. Abrigue-se!

Vamos, meus pombinhos! Vamos, meus amores!

Mais depressa! Vamos!

Vamos, vamos meus amores!

Vamos! Toca a andar!

Salte! Salte, depressa!

Segure aqui. Temos de impedir que recuem.

Venha! Venha!

Cuidado!

� preciso travar as rodas com uma pedra!

Vou tentar cortar os arreios.

- O que est� a fazer? - A desatrelar o cavalo.

- D�-me o rev�lver. - Para qu�?

D�-me o rev�lver, r�pido.

- Porque fez isso? - Para ele n�o sofrer.

V�, partamos! N�o fiquemos aqui.

Espere... Muito bem.

Abrigue-se. Est� melhor?

Sim.

Vou procurar o cavalo.

Fique aqui. Espere por mim. Fique com o rev�lver.

Volto j�.

- O que aconteceu? - Um urso,

um urso enorme. T�nhamo-nos abrigado, ele surgiu da escurid�o...

N�o pudemos fazer nada.

Ele vai ser massacrado.

Come�o a pensar se o senhor n�o tinha raz�o.

- A respeito de qu�? - Este homem � fora do vulgar.

N�o pode ser coincid�ncia estarmo-nos sempre a cruzar com ele.

Em todo o caso, de ora em diante, garanto-lhe que n�o ser� coincid�ncia.

Amarre-o firmemente.

� uma esp�cie de atrelagem que utilizamos muitas vezes no Ex�r...

... nas prov�ncias siberianas para suplantar a falta de cavalos.

Estamos no cume da cordilheira, e Ekaterimburgo est� l� em baixo.

lsto aguentar� at� l�. Nadia!

N�o h� muitas �rvores, nesta regi�o.

Bom dia, tem cavalos?

Sim, restam-me alguns, mas s�o os �ltimos.

Aproveite. Dizem que os regimentos cossacos v�o levar os restantes.

- Cossacos? Tem a certeza? - Sim, o nosso Estado-Maior

escolheu Ekaterimburgo para centro das tropas

que v�o partir para a guerra contra os rebeldes t�rtaros.

- Quanto tempo levar� a consertar? - A capota foi toda destru�da?

24 horas.

Troque de cavalos,

e verifique os arreios e toda a atrelagem.

Desta vez, espero que nos d� o prazer de almo�ar connosco.

- Quanto tempo levar�? - Cerca de duas horas.

Ent�o, aceito com enorme prazer.

Parece que aqui se come muito bem, � verdade?

- � o que se diz, mas... - O que foi?

- N�o tenho nenhuma mesa livre. - E esta?

Esta senhora est� � espera de tr�s senhores.

Vem a calhar, n�s somos tr�s!

Bom dia, minha senhora. Por favor, aceite os nossos cumprimentos.

Permita-nos partilhar a sua refei��o.

Pe�o que deixem esta mesa, imediatamente!

Que cruel! N�o vai enxotar uns pobres oficiais.

E h� mais do que uma forma de domesticar as pombas.

Previno-os que o meu marido est� a chegar,

e ele n�o � homem para se deixar ofender!

Pronto. Assim est� bom.

- Coloco couro novo? - Com certeza.

Tem de fazer outro. N�o conserte nada, mude tudo.

Entendido, mudarei tudo.

O almo�o estar� pronto dentro de cinco minutos.

Obrigado, vou j�.

N�s adoramos maridos, sobretudo quando s�o ciumentos.

A� est� ele, sem d�vida.

Ent�o, � este o terr�vel marido? Tem ali um cavaleiro bem famoso.

Meus senhores, a vossa conduta � indigna de cavalheiros,

e pe�o-lhes que deixem imediatamente a mesa da senhora.

Venha. Por favor, venha!

V�, minha linda, v� ter com o seu marido cobarde.

Ent�o, Boris? � aquela mulher que te deixa t�o pensativo?

N�o. � sobretudo o marido dela.

Mal o vimos.

Aquela maneira de andar e aquele perfil lembram-me algu�m.

- Quem? - Um dos nossos antigos camaradas,

o Michel Strogoff.

- Explica-nos o que aconteceu? - N�o tenho nada a dizer. Venha.

V�! Partamos depressa.

O que diz disto?

Parece que os ursos lhe metem menos medo do que os homens.

Das duas uma, ou ele � um cobarde,

ou teme muit�ssimo ser reconhecido.

O famoso Ogareff de que fal�vamos foi oficial do Ex�rcito lmperial.

Esquece-se que ele � meio t�rtaro. Este homem nada tem de asi�tico.

Meu caro, eu tenho uma av� irlandesa. lsso nota-se?

Se n�o queremos perder o seu rasto, temos de atrelar isto rapidamente.

Teria feito melhor em ficar em Ekaterimburgo.

N�o lhe perguntei nada.

N�o, n�o me perguntou nada,

o senhor n�o pergunta nada a ningu�m.

Para si, os outros n�o existem. Mas eu existo!

Sim... isso eu vejo.

Bem, o que tem a dizer?

Penso que se algu�m deve dizer alguma coisa, esse algu�m � o senhor!

N�o, eu n�o tenho nada a dizer.

Nunca sente necessidade de...

- De qu�? - De falar, de desabafar.

Afinal de contas, eu n�o sou uma idiota.

Compreendo perfeitamente que aja desta maneira,

e n�o duvido que tenha as suas raz�es.

Se me falasse disso,

se confiasse em mim, eu podia ajud�-lo.

Por favor, diga qualquer coisa!

� muito f�cil armar-se em superior

quando se deixou tr�s ordin�rios gozarem com uma mulher!

J� estava � espera disso.

N�o tenho contas a prestar a si, nem a ningu�m.

- E aquilo que acha n�o me interessa. - Ai sim?

Nesse caso, vou dizer-lhe aquilo que penso de si.

Penso que aquele comerciante ign�bil do comboio tinha raz�o.

Penso que se a pol�cia anda � sua procura, � porque tem as suas raz�es.

Penso que � uma esp�cie de pobre aventureiro capaz de tudo e de nada;

que se serve dos outros como se fossem objectos;

que a �nica coisa que...

... a �nica coisa que para si � importante, � fugir a quem o procura.

A� est� o que eu penso.

Detesto-o!

Detesto-o.

Alto!

Bom dia.

- Bom dia. - Os vossos documentos, por favor.

Pode dar-me os vossos passaportes?

- Para onde v�o? - Para Omsk.

Omsk!

Faziam muito melhor se n�o continuassem.

Na zona de que se aproximam, j� n�o controlamos a situa��o,

e os caminhos n�o s�o seguros...

Principalmente, quando se viaja com uma mulher t�o bonita.

- Obrigado, deixe-nos passar. - A vontade,

e boa sorte.

Vamos!

Se acredita mesmo em tudo aquilo que me disse,

porque n�o me denunciou?

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