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Original subtitles

Vale-me Deus, nossa.

Desculpa, eu assustei o senhor?

Não, não, nada de assustar. É que, claro, eu que peço

perdão para a senhora, porque não esperava, né?

A senhora, enfim, a senhora que me desculpa, uma dama como a senhora, me

desculpa. Obrigada.

Agradeço o elogio.

Bom.

Posso servir a senhora?

Aqui tem todo tipo de flores. Se a senhora quiser, temos vasos também de

porcelana, temos vasos de vidro. Agora, a cor de flor, o que a senhora quiser.

Vai escolher.

Quero esse.

Esse arranjo? Dá licença.

Esse?

Obrigada. Aqui tem um pouco mais, então pode ficar com o troco, Toniel.

Obrigado.

Me chamou de Otoniel?

Como é que ela sabe meu nome?

Moça!

Moça! Por favor, moça!

Otoniel? Ih, rapaz, o que é isso?

O que é isso, Otoniel?

Que cara é esse? Você tá branco feito cera?

Você viu o fantasma? Não, fala besteira.

Eu tava aqui atendendo uma moça.

Estranha.

Toda vestida de preto.

Que moço, Toniel.

Não tem ninguém aqui, meu amigo. Eu tava lá do carro olhando.

Começa não, rapaz. Não vai pra cima de mim, não.

Essa moça tava aqui, olhou a loja, escolheu o flor, pegou um arranjo, me

pagou, tá aqui, ó.

Tá aqui, ó. Tá aqui o dinheiro e falou que o troco é meu até.

Toniel, se é defunta, é defunta caloteira.

Isso aqui é nota antiga, meu amigo. Do tempo do cruzeiro. Tem valor nenhum.

Escuta uma coisa. Ela me chamou pelo nome. Ela falou.

Otoniel.

Otoniel.

Será que ela veio das trevas te buscar?

Para com isso.

Até gela a espinha da gente. Não brinca com isso. Deve ser uma picareta que te

passou a perna para levar umas flores de graça.

Otoniel, você está medroso.

Medroso não.

Não há de medo, não.

Eu respeito as almas.

Ah, já vai.

Essa unha ruim demais.

Calma.

Droga.

Pera, pera, pera, pera.

Oi. Fala, fala, Dinah.

Seu irmão tem uma audiência amanhã de manhã com o juiz por causa da sua ação.

Você sabe que eu tô cada vez mais segura, meu amor, de que foi a melhor

coisa que eu fiz mover essa ação contra o Arthur?

Porque eu tô querendo ajudar o meu irmão muito. Você viu o que ele fez, Dinah?

Ele tá senil.

Ele colocou toda a família da fulaninha dentro da casa que era da minha família,

minha antiga casa de Ná.

Ele contou que teve uma denúncia de invasão. Tá cuspindo marimbondo. Teve

isso, é.

Vai ver que foi algum vizinho, né, que reclamou da bicharada da arca de Noé

empolerada ali na casa que era da minha família.

Mas ele tá achando que a culpa é da senhora. Tem graça agora.

Tudo eu, né?

Você já reparou, Dina, que o Arthur tem uma obsessão por mim?

Mas me fala só uma coisa. A família do terror voltou lá pra casa?

Claro, já estão todos lá. O doutor Arthur já resolveu tudo.

A senhora sabe, ele vive falando que admira essa família, que a família é

isso. Eu não quero saber.

Prefiro não saber.

Quero saber, só que horas é, hein, amanhã, essa audiência que ele tem com o

juiz? Ah, eu não sei, só sei que vai ser de manhã.

Ah, eu não sei. Eu não sei se enfrentar o seu irmão vai ser o melhor caminho,

dona Pilar.

É, tá certa.

Você tem razão.

Olha, muito obrigada por você ter ligado, viu, Dinah?

Mesmo.

Talvez, talvez seja melhor eu fazer as pazes com o meu irmão mesmo, né?

Olha, uma ótima noite pra você, minha querida, baby.

Amanhã... O Arthur tem que ir muito louco pra essa audiência.

Eu queria que ele se

blindasse dos irmãos, sabe? Porque essa briga da Pilar com o Arthur não vai dar

coisa boa. Pois eu acho que a Pilar está certíssima em fazer o que ela está

fazendo. O Arthur vem agindo de maneira muito estranha ultimamente, Fábio. Pois

então que ela faça, mas não envolva o meu marido. Porque depois a Pilar e o

Arthur se entendem. Quem fica mal nessa história é meu uli. Olha, pelo que o

Ademir tem comentado em casa, eu acho que eles não vão se acertar mesmo,

assim. E essa ação que a Pilar moveu pra interditar o Arthur?

Gente... Não, isso foi a gota d'água.

Absurdo!

Tá fofo.

Tá fofo. Agora, essa taça eu não consigo me acostumar, gente. Toda vez. Toda vez,

Dora. Toda vez você fala isso.

Ok. Um, dois, três.

Gente,

as pessoas inventam. Ai, meu pai.

Nossa,

tá com uma cara ótima.

Ai,

você tá muito fofo.

Ai, tá com uma cara linda.

Hum, saboroso.

E o Ademir? Ele só tá com cabeça pro trabalho, trabalho, trabalho, sabe?

Faz tempo que não o vejo. E o Pedro?

Ele saiu do escritório do pai.

Então, jura? Ele tá advogando sozinho. Gente, mas o Pedro não gosta mesmo de

dinheiro, né?

Não, mas olha, o Ademir tá muito triste com isso, viu? Ele ama aquele filho.

Ah, falando em tristeza, vocês não vão acreditar.

Sabe aquele sobrinho que o Ademir criou que mora na Europa?

Resolveu voltar para o Brasil e morar com a gente. Você já falou, amiga.

Desabafa, vai. Não, mas eu quero saber.

Eu não estou sabendo disso ainda.

Mas é porque realmente eu estou preocupada com isso, obviamente.

De voltar da Europa.

Por quê?

Pois é, quem?

E aí?

Ele vai morar na nossa casa. Eu não o conheço pessoalmente. Olha a situação.

É assim que as coisas são.

Esse é o jogo.

Não, não depende de mim.

A decisão da sua empresa caiu nas mãos de um juiz que não tá no esquema.

Eles jogaram alto.

Perderam. Agora vão ter que entubar.

Tem isso ou não, mas o que eu posso fazer?

Bom, qualquer coisa me liga, então.

Tá, grande abraço.

Doutor Ademir, licença.

A reunião com os advogados daquela multinacional foi transferida pra

amanhã, tá? Tá ótimo.

Comecei o dia com a cabeça quente.

Não. Traz o café, por favor.

Café.

O que é?

Incompetente. Isso não fica assim.

Estamos de olho em você e na sua família.

Ô Pedro, olha só, você tem que parar de estar trabalhando de graça, tá bom?

Porque senão eu que vou carregar esse escritório na Escócia, irmão.

Tá exagerando. Tá exagerando.

Mês passado quem foi que ganhou uma causa enorme pro escritório, que trouxe

dinheiro pra dentro? Eu.

Agora, isso me dá crédito pra poder cuidar das pessoas que eu acredito que

precisam de mim, Clebinho. E sempre foi assim, desde que você me conhece.

Os caras precisavam de mim, me ligaram, eu fui lá, pude ajudar, coloquei eles de

volta na casinha emprestada, fiquei feliz da vida.

Eles ficaram felizes da vida, não tomou metade do meu dia, Clebinho.

E aí de quebra você viu a Adriana.

Foi isso?

Eu vi a Adriana no final, porque ela chegou no final. O seu olhinho negro,

Clebinho, não tem olhinho.

Não, eu tô rindo porque eu não aguento que você riu.

Para de falar de Adriana, cara. Não tem nada a ver com isso, sério mesmo. Vou

ajudar eles, entendeu?

Encontrei a Adriana no final.

Apertei a mão dela, falei, tudo bem, Adriana?

E foi isso.

Que ajuda, né?

A família dela recebeu, essa casa emprestada, que ajuda.

Pra você ver como é que tem gente boa no mundo, né, Clebinho?

Já pensou se todo mundo tivesse nascido Cleber? Ah, seria ótimo. Coração de

pedra.

Já pensou? Vamos trabalhar? Vamos trabalhar. Vamos trabalhar, Pedro, que

já viu. Fazer um dinheiro, né?

Pode deixar, eu atendo. Já vai, um minuto.

Por favor. Ah, você.

Cadê meu irmão, hein?

Está no quarto, se vestindo para audiência.

Ah.

É... Eu vou tomar café da manhã com ele.

Eu preciso ter uma conversa séria com ele. Não vai ser possível ele pedir o

café no quarto?

E a Rosa já está preparando a bandeja. Eu vou avisá-lo.

Com licença.

Tudo bom?

Tudo bom.

Pode entrar.

Quem é? Dá licença. Dá licença. É que a dona Pilar tá aqui.

A dona Pilar. Fala, fala.

Fala, mulher. Fala. Quem foi que autorizou essa mulher a subir? Eu achei

que podia.

Você achou errado.

Eu tô aqui me preparando pra essa audiência absurda que só existe por

causa dela. Edivaldo, tira essa mulher. Por favor, você pode sair. Você pode

sair. Por favor.

Eu vim em paz.

Eu já estou sabendo da audiência com o juiz, meu irmão. Sim, eu estou me

preparando para sair e você é a última pessoa que eu esperava encontrar hoje.

Você passou dos limites. Primeiro inventou esse processo absurdo pra

tentar provar que eu sou incapaz. E mais essa denúncia contra a família da

Adriana. Que denúncia que eu não tô sabendo? Ah, deixa de ser cínica.

Meu irmão, do fundo do meu coração, eu quero muito tá errada por ter duvidado

da sua sanidade mental. Você tá errada.

Eu vou provar e eu vou esfregar esse laudo na sua casa. Esfrega. Você vai

esfregar o laudo na minha cara. Porque se o juiz disser que você está bem, eu

vou ficar tão tranquila. Porque o que eu mais quero, meu irmão, o que eu mais

desejo, é que você fique bem.

Edivaldo, tira essa mulher da minha frente. Por favor, você pode sair.

Fora daqui.

Você pode sair.

Te amo, meu irmão.

Por favor.

Ai, que coisa.

Por aqui. Eu vou levar a senhora até a porta. Por favor.

Calma, fica calmo.

Volta pra lá, fica com ele. Eu vou sair por trás. Vou beber um copo d'água.

Fiquei mexida.

Mas tá tudo bem.

Tá tudo bem.

Viu?

Obrigada.

Menina, quer dizer, então, que a Pilar... Que a Pilar entrou igual uma

flecha. Eu quero falar com o meu irmão e a Dina.

Opa!

Nossa, gente.

Nossa!

De repente, me deu uma... Meu Deus, estou tendo alguma coisa na minha

cabeça. Senta aqui. Minha cabeça começou a doer muito.

Calma, senta aqui. Nossa!

Nossa, acho que eu não dormi tão bem essa noite.

Você quer que eu tenha alguém me dar um analgésico? Vocês têm um analgésico?

Tem, tem, tem.

Onde? Na farmacinha. Vamos lá, vamos lá.

Só um minuto.

Vai, Tilde, vai.

Aqui, dona Pilar. Já estamos.

Nossa.

Gente. O quê?

Eu tô tão estranha ultimamente.

Ultimamente? Passou. Passou mesmo.

É uma fase que eu tô... Eu vou levar caso volte, mas olha, obrigada, desculpa

usar o tempo de vocês. Leva a bandeja pro meu irmão, os ovos, ó, vão esfriar.

Obrigada, queridas.

Beijos pra vocês.

Tchau, beijo. Menina, mas levou a cartela inteira, tá vendo? É por isso,

por isso que rico é rico.

Porque ele economiza. Ah, uma catela, se precisar, já não paga, já não compra.

Você entendeu? Gente maluca, abre aqui pra mim, pelo amor de Deus.

Seu motorista já está esperando, doutor Arthur. Vamos tomar um suquinho pra

ficar bem hidratado lá na audiência.

Espero

que

eu não seja pilar. Que é?

Sou eu, doutor Arthur. Adriana, posso entrar?

Desculpa, Adriana. É que a Pilar esteve aqui agora mesmo.

Eu botei ela pra correr.

Ah, bom. Eu tava lá na sala. Graças a Deus, não encontrei com ela, não. Não, é

que ela pediu pra sair pelos fundos.

Ah.

Estranho, né?

Mas e a sua família, Adriana? Como vai?

Bem, bem. Muito obrigada. Foi muito importante ter dormido lá com eles essa

noite. Tava com saudade. Obrigada mesmo.

Vamos, doutor Arthur.

Eu tô indo pra audiência agora, mas na volta vamos fazer os exercícios.

Agora, mais do que nunca, eu quero entrar em forma.

Eu tô até emocionada.

Vai dar tudo certo na audiência, vamos?

Vamos.

Doutor, fica tranquilo. É só responder tudo o que ele perguntar, com calma.

Vai ser rápido.

Vamos?

Boa tarde a todos.

Como o senhor está?

Podia estar melhor, mas vamos levantar.

Bom, para começar, o senhor pode me dizer o seu nome, por favor?

Meu nome?

O senhor pode me dizer o seu nome?

Quando você pensa que tá tudo errado e negativo E que ainda vai piorar,

piorar Pra todo mundo a vida é difícil Mas todos

fazem seu sacrifício pra melhorar Pra melhorar

Lá vem o sol

Para derreter as nuvens negras, para iluminar o fim do túnel. E a luz

do céu, para inspirar os seus desejos, para fazer

você encher o peito e cantar.

O senhor compreendeu o que eu perguntei?

O seu amigo é aqui de São Paulo?

Estou. Está se sentindo bem?

Olha para mim.

Eu estou com calor.

Vamos embora. Eu quero tomar uma chuveirada. Eu vou fazer a pergunta

novamente. O senhor pode me dizer o seu nome?

Por que o senhor não diz o seu primeiro?

É nítido que esse homem não está em seu juízo perfeito. Isso não é verdade. Como

não? Ele não conseguiu responder nem a primeira pergunta.

Eu acredito que o meu cliente esteja nervoso.

Arthur, o que está acontecendo? Pelo amor de Deus, fala. O que eu estou

fazendo aqui? Quem é essa gente chata? Minha cabeça está rodando.

Bebendo essa hora da manhã?

É.

Você sabe que eu tenho tanto motivo pra comemorar.

Posso saber por quê?

Nesse exato momento, seu tio Arthur tá ali na frente do juiz, em plena

audiência. Ah, por causa do processo de interdição que você colocou contra ele,

né mãe?

Ai mãe, você tá muito louca, né?

Porque meu tio Arthur, ele vai provar que ele é muito mais lúcido que você.

Não sei, eu fico com medo. Eu achei capaz de internar em você.

Oh, minha filha, você não sabe de nada.

Aceita. Você vai perder essa.

Meu tio é um touro.

Eu tenho absoluta certeza, Brigitte, que eu vou ganhar essa.

Seu tio, minha filha, ele tá com demência, ele tá tão

confuso.

Eu só dei um empurrão pra ele ficar mais confuso ainda.

Sinceramente, eu não quero nem saber o que você fez.

A bacharia e... Isso me dá muito gatilho.

Gatilho? Brigitte, escuta aqui, ô menina.

Eu fui uma ótima mãe pra você.

Pelo menos eu fui a mãe que você mereceu ter.

Eu que sei, mãe.

Ainda bem que depois vieram os meus irmãos pra dividirem o trauma que eu

tenho comigo.

Porque, sinceramente, mãe, quando éramos só nós duas, foi punk.

Coitadinha, coitadinha, coitadinha.

Ai, não suporto vítima, não suporto.

Adriana?

Não é a primeira vez que eu te pego bisbilhotando as coisas do doutor

Arthur. O que você tá procurando? Eu nada.

Tava procurando nada. Tava tentando chegar num outro lugar. Não sabia o que

era aqui nesse espaço. A porta tava aberta, né? Ao invés de fechar a porta,

você entrou.

Eu não tô entendendo porque você tá falando desse jeito comigo, Dinah. Eu

não fiz nada de errado. Fez sim.

Doutor Arthur não admite que ninguém entre neste quarto.

Ih, é mesmo, né? Nossa, doutor.

O negócio proibido aqui, o que é? Ah, que engraçado, né? Acabou de ser

contratado e tá me fazendo um monte de perguntas. Se continuar assim, vai levar

a justa causa rapidinho.

Pessoal, é uma pergunta simples.

As coisas não são tão simples quanto parecem.

Tá bom? Dá licença. Vai, vai, dá licença. Vai continuar com o seu

trabalho. Se quiser continuar com esse emprego. Vai, dá licença, por favor.

Oi, morecos.

Tio de CLT aqui hoje mostrando pra vocês como que é o quarto do Rico.

Olha esse tamanhão todo aqui.

Parece uma casa inteira, né? Mas não é não. É só um quarto, tá?

Olha aqui, ó.

Suíte, obviamente, né?

Estão vendo aqui, ó. Isso aqui chama closet.

Poltrona. Já viu poltrona no banheiro?

Olha o tamanhão, o tamanho dos espelhos. Aqui, ó.

Duas pias. Não sei pra quê.

Que a pessoa é sozinha, mas ela tem duas pias. Se ela pode, ela tem.

Aqui também, ó.

Mármore por todo canto. Que rico, adoro mármore.

Medicamentos. Que rico, geralmente é bastante medicado. Tá vendo aqui, ó. Não

tocou em nada. Tudo inteirinho. Um jarrão de suco. A pessoa só tomou um

gole. E como eu sou uma militante anti-desperdício, eu vou tomar esse

sucão delicioso.

O que aconteceu?

Aconteceu que eu entrei lá naquele quarto do lado do quarto do Arthur e ela

falou que não pode, que isso, que aquilo, brigou comigo e tudo.

Bruna, mas pra que você fez isso?

Ninguém entra ali, menina. Mas eu não sabia, Rosa. Agora eu sei. Depois que

ela me explicou, eu sei.

Por que não pode entrar lá?

Não pode porque não pode. Não, hein? Me passa o sal.

Só a Tilde que entra ali para fazer a limpeza, minha filha. E ela sabe que não

pode ficar fazendo aqueles vídeos dela ali dentro. Aliás, ela não pode fazer

isso em lugar nenhum dentro dessa casa. Mas enfim, não adianta falar.

Aquele espaço é um espaço sagrado.

A doida deve ter limpado e esquecido a porta aberta.

Entendi.

E esse quarto lá é... É de quem?

Você mete nisso, menina.

Esquece, ó.

Esqueceu. Não.

Aí não vai dar, né, Rosa? Com tanto mistério assim, eu vou querer saber

ainda mais.

Olha só, esse bolo tá muito bom.

Parabéns. Eu vi lá que aquele cara é radical, que ele anda de asa delta, que

ele escalava, que ele fazia trilha, canoagem, sei lá mais do que.

E vou te falar, eu me lembrei que ele é o mesmo rapaz que eu vi na foto lá no

escritório do doutor Arthur.

É dele o quarto, é ou não é?

Era.

Eu vou te falar logo que eu sei que você não vai desistir, né?

Aquele quarto era do Heitor, filho do doutor Arthur.

Hã?

Filho?

Meu Deus, Arthur nunca me falou que tinha filho.

É porque esse assunto é muito delicado pra ele. Ah, mas... E foi o quê? Assim,

eles estão brigados? Estão rompidos?

Imagina.

O Heitor, ele...

Ele saiu pra fazer uma escalada numa montanha, num lugar aí que eu não sei

onde fica, não lembro, enfim.

Ele gostava muito de escalar.

Fazia muito isso, sabe?

Mas ele sempre voltava pra casa.

Até que nessa última, ele saiu e sumiu.

Que isso, Rocio? Faz anos, Adriano.

Tá se sentindo melhor?

Sr. Arthur, o senhor pode me dizer que dia é hoje?

Outono. Eu quero ir embora. Os diamantes estão lá em casa. Quem é esse homem

feio? É questão de ordem.

Excelência. Eu acredito que o meu cliente está sob efeito de alguma

espécie de sedativo.

Excelência, o colega está querendo atenuar o que a minha cliente declarou

ser um estado geral de incapacidade do senhor Arthur Brandão. O que nós vimos

aqui hoje e ouvimos atesta a isso, Excelência. Eu asseguro que eu conheço

muito bem o meu cliente. Esse comportamento não condiz com o seu

comportamento na vida pessoal ou no cotidiano.

Excelência, parece.

Parece, Excelência, conveniente adiar a realização desse ato até que isso possa

ser sanado e esclarecido. Mas, pela ordem, esse comportamento, ele atesta,

sim, o desequilíbrio do citado e, por isso, o processo movido pela irmã.

Excelência, eu peço a continuação da audiência.

Pedido negado.

Eu vou deferir o pedido, doutor Ademir.

Essa audiência está suspensa por agora e será marcada uma nova data.

Bom dia a todos.

Bom dia.

Obrigado.

O desaparecimento do Heitor deixou o doutor Arthur muito abalado. Claro.

Nossa senhora, você imagina isso, Rosa. A angústia de não saber o que aconteceu

com o filho.

Menina. Esse homem fez de um tudo pra tentar achar esse homem. Pelo amor de

Deus. Mas não deu em nada, não conseguiu.

Aí ele foi se fechando, ficando cada vez mais amargo, cada vez

desconfiando de tudo, de todos.

Sozinho mesmo, sabe?

Adriana, presta atenção no que eu vou te dizer.

Não entra mais naquele quarto, não.

Tá?

E nem toca no nome do Heitor com o doutor Arthur.

Eu entendi agora, Rosa.

Meu Deus, coitado do Arthur. Deve ser uma ferida profunda demais.

E o que será que aconteceu com esse rapaz, hein?

Graças a Deus, eu não aguentava mais.

Doutor Arthur, o senhor está bem?

Eu conheço você de algum lugar.

Adopado. Adopado.

Mas o que aconteceu?

Não falava coisa com coisa na audiência.

Mas isso é péssimo. Então a dona Pilar conseguiu o que ela queria?

Não, eu pedi pra suspender a audiência.

Ei, Arthur!

Doutor Arthur!

Doutor Arthur!

Ele tomou alguma coisa em casa? Qualquer coisa? Algum calmante pra não ficar

tenso? Não, não, não, nada. Eu tava com ele o tempo todo. Doutor Arthur, me

ajuda aqui. Vamos subir. Vem, vem, vem. Vamos!

Vem, ajuda.

Ajuda. Por favor.

Ele só tomou um gole num suco antes de sair de casa. casa. Mas eu sei que ele

vai para o hospital. Eu tô com... Deixa eu dormir. Tá bom. Vai fazer o exame de

sangue. Vamos. Vem. Vem. Vem.

Se tiver alguma coisa, vai acusar.

Tilde. Tilde.

O que é isso?

Que história é essa?

Tilde, você jogada na cama do doutor Arthur como se estivesse na praia. O que

é isso?

Sai daí!

Que horas são? Que horas são? Que horas são? Hora de trabalhar, menina! Que

coisa! Desculpa, dona Dina, eu sei o que aconteceu, que eu tava... O que foi?

Eu tava fazendo aqui e aí deu uma tontura. Ah, deu uma tontura. Aí eu

precisei dar uma encostadinha aqui. Tá, aí você tirou o seu sorinho da beleza,

né, querida? Agora vamos levantar e vamos trabalhar, tirar tudo isso daqui.

Antes que o doutor Arthur apareça. Não, não.

Pega seus trequinhos aqui. Eu gosto muito do meu trabalho, CLT. Tá bom, tá

bom. Dina, a minha língua tá aqui?

A língua tá, a língua tá. Ah, tá inteira? Tá inteira, a língua tá

inteirinha. Eu sou a metade. É isso mesmo.

Quem é? Oi, querida. É, é a rainha de Asterna. Tudo bem? Isso, deixa ela aí.

É, agora vai. Então vai, isso, vai bonitinha. Não, pera um pouquinho.

Opa, opa, opa, presta atenção.

Vai, opa, isso. É um castelo, né? É um castelo. É bem bonito. Bom, bom.

Eu passo, então, no mercadinho e levo pra senhora, tá, mãe? Eu já te ligo

depois. O que é isso? O que houve com essa menina?

Eu flagrei dormindo na cama do doutor Arthur.

Eu não sei como que isso aconteceu.

O que você tá sentindo? Calma o corpo, tia. O que você tá sentindo? Explica. Tá

gostoso. Tá o maior sono do mundo. Meu Deus, meu Deus. Eu tô com a maior raiva

do mundo, sabe? Dessa folgada.

Folgada. Deixa ela em paz. Você é bonita, né, Adriana?

Você é bonita.

Bonito, né?

Querida, olha aqui pra mim, olha aqui, vem cá. Se mexeu no bar, doutora Arthur?

Não, nunca bebi nada dele, já cheirei. O quê?

O uísque dele, o vinho do Porto.

O licor também, já bebi.

Nunca bebi, nunca bebi, porque a minha religião não permite.

A minha religião, minha religião é a cerveja. Meu Deus, eita, é

bom também.

Mente não, meu amor, meu amor, não minta, você tomou alguma coisa.

Não, a única coisa que eu bebi foi o suco do padrão.

Ele deixou a jarra inteirinha.

Não, não, não. Tilde, não. Ah, meu Deus do céu.

Bom dia, filha.

Pai, você já levantou? É.

Senta aqui, ó.

Achei que você ia dormir um pouquinho mais.

Chegou, já era o dia claro. Deixei café pra você.

Eu sei, eu sei.

Serve. Não, tudo bem. Eu não consigo ficar na cama mais tempo, não.

A gente tem que descansar o suficiente, né, bolinho?

Porque senão não aguenta trabalhar de noite. Não é fácil, né?

Depois de tarde, quem sabe, eu consigo dar um cochilo, né?

Como é que foi a sua primeira noite de trabalho?

Tudo bem.

Tudo bem.

Quer dizer... Tudo bem, mas... Negócio

esquisito. Apareceu lá uma mulher estranha.

Estranha como, pai?

Estranha.

Apareceu assim, do nada.

E sumiu do mesmo jeito, do jeito que veio, do nada.

Parecia até assombração.

Desculpa, juro, pai.

Você estava impressionado por estar de noite na frente do cemitério.

Daqui a pouco você acostuma. Pode ser, pode ser.

Bom, tem que ir, sua filha.

Ô menina, que que é?

Faz sinal do teu pai?

Eu não podia ter deixado o juiz suspender a audiência. Não sem ele ter

dado a sentença ali, na hora.

Eu sei, eu sei disso, não precisa me dizer isso.

Mas olha... Assim que o Ademir percebeu que tinha alguma coisa errada, ele

reverteu a situação.

Pilar, ele é um advogado experiente.

Ah, ele é. E você é um incompetente. Você é. Como é que você perde uma chance

dessa de vitória com o Arthur ali desorientado na tua frente? Não é assim

que funciona, Pilar. O trabalho todo jogado fora.

Como é que é?

Desculpa, eu não entendi.

Trabalho? O seu trabalho?

Você não entendeu porque você é burro.

Né? Você é bem burro e eu odeio gente burra. Mas ainda bem que o mundo é

seletivo, porque eu escolhi você pra ir embora da minha casa agora. Peraí, não

funciona assim, Pilar.

Pega a maleta e vai. Pega a maleta e vai agora.

Você não tá entendendo? Você tem certeza?

Ana, Ana, Ana.

Vai se... Vai se arrepender disso. Vai se arrepender disso. Porta de

cadeia deu lugar, meu filho. Não tenho mais paciência, não.

Esse aí tem... Tem talento pro fracasso.

Mas pelo amor de Deus, gente. Eles saíram de manhã, chegaram só agora.

O que você tem, Arthur? O que que houve, Ademir? Pelo amor de Deus. Ele começou a

se comportar de maneira estranha diante do juiz.

Confusão mental, sonolência.

Ele não falava coisa com coisa.

Bom, finalmente eu consegui suspender a audiência.

Ele tava dopado.

Dopado? Sim.

A gente logo levou o Arthur pra fazer um exame de sangue.

Tirar isso a limpo. E depois do exame ele caiu no sono. Por isso a gente

demorou. Vamos, vem. Como assim?

E esse resultado desse exame, ele sai quando?

Como sai quando? Tá aqui.

Aqui, ó.

Saiu? É. Vai, eu te mostro. Meu Deus.

Apoia firme.

Edivaldo, tá tudo bem. Tudo certo, tá?

Só um minutinho. Eu vou abrir a cama.

Eu vou segurar ele. Você não vai cair, Arthur. Tá bom? Tô aqui com você. Só um

minutinho. Você gira. Isso. De costas pra cama.

Isso.

Agora vem. Calma. Pode sentar ele.

Isso. Muito bom.

Opa, opa, opa.

Isso.

Pronto.

É esse que é o exame? Já tá aí com você o resultado?

É, que diz que contém substâncias ativas de tranquilizante no sangue dele, ó.

Meu Deus.

Descanso.

Você sabe que a Matilde, que trabalha aqui, a copeira, o senhor sabe quem é,

né? Ela também tava falando, assim, umas coisas confusas.

E tava com sono, assim, bem forte também. Ela até chegou a dormir ali no

meio da faxina.

Jura? A Tilde?

É, ela tá dormindo ali agora, até.

Bom, ele bebeu alguma coisa pra ter tranquilizante no sangue, né?

Gente. O que foi?

A Tilde, Matilde, tomou o resto do suco da Arthur, do café da manhã.

Então é esse suco que tinha o calmante.

Calmante? Ah, para de falar.

Apaga essa luz, me deixa dormir.

Descansa.

Para de falar. Pronto.

Eu fico pensando que...

Que responsável aqui da casa pode ter colocado calmante no suco dele?

Ué, mas quem é que ia fazer uma coisa dessas, doutor Ademir?

Alguém que o viu nervoso com a audiência.

Mas eu acho que ninguém colocaria um medicamento sem avisar antes que ele

estava tomando um remédio, né? Ainda mais num dia tão importante como esse

que ele ia ficar frente a frente com o juiz.

Justamente. A pessoa quis ajudar, errou na dose.

Doutor Ademir, eu conheço...

Todo mundo aqui nessa casa, eu garanto ao senhor, ninguém ia fazer uma coisa

dessas.

É, porque ele estava tão bem, né? O Arthur estava sereno, seguro, tranquilo.

Você tem certeza?

Nossa.

Absoluta.

Além dos funcionários de nós aqui, teve sim, gente, uma pessoa que veio na casa.

Quem? A Armando.

Armando, Arthur, a Pilar.

Ah.

Peraí, quer dizer que deve mesmo ter sido a própria irmã do Arthur que dopou

ele, é isso?

Essa sonolência do doutor Arthur não é normal.

Eu nunca ouvi assim.

Mas fique tranquila. Já sabemos que deve ser efeito dos tranquilizantes, que

provavelmente a Pilar colocou no suco dele.

Muito obrigada pelos cuidados, doutora Demirta. O senhor já sabe quando é que

vai ser a próxima audiência com o juiz?

Não, não sei, não sei.

Agora eu vou anexar nos autos o resultado desse exame que comprova que

ele foi dopado.

Estou seguro, seguro que não teremos problemas.

Está bem, obrigada.

Obrigada.

Dona Pilar, dessa vez a senhora exagerou na dose.

Ai.

E aí, Dorinha.

Tudo bem com você?

Bom te ver. Fica à vontade.

Obrigada. Tá com perfume novo, Dorinha. Olha, você nota tudo, né, seu danado?

Eu fiquei surpreso quando você mandou mensagem. Quer tomar alguma coisa? Não,

não, obrigada. Quer tomar um cafezinho, uma água, nada?

Mesmo? Mesmo. Fiquei surpreso quando você mandou mensagem pra mim. Ai.

Tá tudo bem? Comigo, sim. Com teu pai, não.

O que aconteceu com meu pai?

O ADM parece muito forte, mas ele tá sofrendo. Ele sentiu a sua falta, Pedro.

Ah, Dorinha.

Meu pai mandou você vir aqui falar isso? Não, claro que não. Ele sabe que você tá

aqui? Não.

Mesmo? Ele jamais me pediria isso. Inclusive, eu peço pra você não comentar

sobre a minha visita. Não vou comentar, não. Fica tranquila.

Por que você não volta a trabalhar com ele?

Por que não, Dorinha?

Porque eu não... Não, cara, porque eu não gosto do jeito que ele toca o

escritório dele.

Eu sei que vocês têm visões diferentes, mas têm a mesma profissão.

Pai e filho podem unir forças. Dorinha, pelo amor de Deus, não é questão de

visão diferente, Dorinha.

Se fosse questão de visão diferente, era questão de alinhar a visão e a gente

seguir em frente. Eu tô falando de... Eu tô falando de coisas que você não

precisa entender.

Por quê? Por que eu não preciso entender?

Não é questão de entender, Dorinha.

O meu pai me obrigava a atender os clientes que eu odiava atender.

Eu estava cansado de atender. Ao mesmo tempo, ele odeia que eu atenda pessoas

que não podem pagar pelo meu serviço. E você sabe como é importante para mim ser

voluntário. Eu sempre fiz isso.

Eu estava ajudando agora mesmo o pessoal da enchente. Isso é importante para mim.

Ele ficava louco. Ele não aceitava a ideia que eu abandonasse um cliente dele

para atender uma outra pessoa que precisava de mim e que não tinha

dinheiro para pagar.

Eu sei. Pois é.

Eu tava cansado disso. Não dá não, Dorinha. Não dá não. Eu já tentei de

tudo. Não dá não. Eu juro pra você.

Teu pai ficou muito magoado porque soube por mim que vai ser avô.

Seria muito sacrifício pra você contar essa novidade pessoalmente pra ele?

Não.

Não, não seria muito sacrifício. Você tem toda a razão.

Eu devia ter contado.

Então faz isso. Eu vou fazer.

Negócio de pai, negócio de avô. Eu sei, família, família.

Tá certo.

Vamos? Chegou?

Doutor Arthur!

Vamos comer.

Que bom ver o senhor assim. Tomar todos os remédios também. Quero saber se o

senhor tá se sentindo melhor.

Isso. Tô melhor.

A sonolência passou, o cansaço também.

Não sei como a dona Pilar foi capaz de fazer uma coisa dessas.

Dopar o próprio irmão? Como é que ela teve coragem?

Admira você, Edivaldo, fazer uma pergunta dessas.

Até parece que você não conhece a minha irmã. Ela foi muito abusada, é isso sim.

Fazer tudo debaixo do nosso nariz. Toma um remedinho aqui.

Verdade, verdade. Ela passou lá na cozinha.

Viu a bandeja? Pronto.

Colocou o tranquilizante no meu suco.

A minha irmã é uma mulher traiçoeira.

Subterrânea, eu diria.

Inclusive, a Matilde, a nossa faxineira, ela também tomou daquele suco e está

dormindo até agora.

Coitada da moça. Eu fico chocada. É inacreditável, Arthur.

Doutor Arthur, quer sua irmã? Faça isso com o senhor.

Isso e muito mais, Adriano. Eu não tenho prova, mas eu tenho quase certeza que

foi ela que fez a denúncia contra a sua família.

Isso o senhor não tem como saber, porque a denúncia foi anônima. Aí é que você se

engana, Edivaldo.

Eu tenho meios de provar quem foi.

O sobrinho dele vai voltar da Europa.

Quem é que volta da Europa?

Vida?

Eita, com a cabecinha em outro lugar, né?

Tô aqui com você inteiro.

Mentiroso.

Mentiroso que eu te conheço. Conhece mesmo.

Tá tudo bem na empresa?

Claro. Minha empresa tá ótima, se melhorar estraga.

Que bom.

Que bom. E assim a gente pode comprar logo o carro que a gente prometeu pro

Lipe.

Prometemos?

É, eu prometi.

Ah, mas ele é um menino tão fofo, tão especial. E ele é louco por você.

Enfim, é só um carro.

Claro, claro. Você tem razão. Claro, claro.

Eu só acho que agora não é o melhor momento pra comprar um carro, entendeu?

Ah...

Mas eu prometi isso há tanto tempo para um livro. Eu não quero decepcionar o meu

filho. Não, mas eu não estou falando que a gente não vai comprar. Eu só estou

pedindo para a gente esperar mais um pouco. Só isso.

Eu não entendo o porquê. Que diferença faz? Aí, vou te explicar. É que no

final do ano... Eles sempre lançam modelos novos. A gente vai ter mais

opção. Vai ser muito melhor para o Felipe.

Entendeu? Agora não é o melhor momento para a gente comprar.

Eu sei qual é o melhor momento para comprar.

Minhal.

É quando a gente quer e precisa.

Não faz isso, vida.

Não faz isso. Você sabe quando você chega desse jeito, você consegue o que

quiser de mim. Ai, que jeito.

Desse jeito.

Voltou.

Conversar com a minha pilulita.

Ai, inferno. Não aprende. É o Arthur.

O Arthur?

Alô? Arthur?

Tá, tá, calma. Agora?

Tá bem, tá bem. Eu vou pra sua casa.

Arthur,

ligando essa hora. Aconteceu alguma coisa?

Não sei. Tava com uma voz horrível, irritado.

Eu vou pra lá agora.

Meu Deus do céu.

Rosa.

Imagina isso em Paris.

Paris?

Gente.

Gente.

Que isso?

Arruma um quarto, pelo amor de Deus.

Espera aí. Tudo bem. É legal se pegar em outro lugar. Mas, pô, precisa assinar.

Oi, Cunha.

Eu vou sair.

Vou sair. Tô bonita?

Vou sair. A gatíssima vai arrasar como sempre.

E aí?

Tá indo encontrar aquele cara de ontem? Não.

Pega uma cerveja aí. Hoje é outro, gato. Hoje é outro.

Fui com meu celular?

Mas eu achei que vocês estavam tão entrosados. O que aconteceu?

Ah, eles estavam, né?

É, foi gostoso mesmo. Deu um encaixe bom.

Mas assim, eu repito roupa, mas eu não repito boi, gata.

Beijo, gente.

Beijo. Eu não tô achando meu celular.

Amor. Que?

Gostoso, tia.

Foi bom, né?

Sempre. Não é assim, mas eu concordo com ela, você vê?

Concorda com o quê? Eu concordo com ela, porque a gente não pode ficar todo mundo

aqui.

Vamos para onde você quiser.

Então você quer dizer que eu sou diferente ao vivo?

Muito melhor.

Inclusive, eu acho que você devia trocar suas fotos do aplicativo. Elas não

condizem com a realidade.

Júlia, eu não achei que estava mandando bem.

Não, eu também estava, sei lá, pensando em sair dali e desinstalar aquele

negócio.

Por quê?

Eu acho que o aplicativo já cumpriu o dever dele.

Vamos pedir mais um drink?

Na verdade, pensei numa coisa aqui, assim, uma exposição. E se a gente

pedisse a conta agora e saísse daqui pra um lugar mais sossegado?

Um lugar mais sossegado?

Não sei exatamente o que você tá pensando, mas eu não tava pensando em

sossegar, não.

Uma humilhação, Ulisses.

Fecha a porta.

Parecia um louco.

Um incapaz diante daquele juiz.

Eu lamento muito por toda essa situação, Arthur. Lamento o quê?

Tudo isso que eu tô passando é por conta da ganância de vocês?

Não, não, não. Minha não.

Não fui eu que te coloquei na justiça. A Pilar.

A Pilar tá sozinha nessa.

Mas você apoia a nossa irmã. Dá no mesmo.

Assim como ela, você quer me ver interditado.

Com ela no controle, sobraria um pouquinho pra você.

Arthur... Você tá com dificuldade até pra se locomover.

Fica aí dependente desse bando de empregados. A gente só quer o melhor pra

você. O melhor?

A Pilar colocou um tranquilizante no meu suco pra eu ficar grogue na audiência. E

como se não bastasse isso, ainda atacou a família da minha fisioterapeuta. Com

aquela denúncia absurda de invasão de propriedade. Eu fui contra ela fazer

isso, ainda mais envolvendo polícia.

Foi a Pilar que te contou?

Não.

Mas você acabou de confirmar minha suspeita.

Agora não tenho mais dúvida.

Eu falei sem pensar.

Você não precisava se bandear para o lado da Pilar, Ulisses.

Ela é diferente de você.

Você tem um negócio, não precisa do meu dinheiro.

A minha conta bancária já teve dias melhores.

Não, por favor, não me diga que você continua... Eu tinha parado, mas é mais

forte que eu.

Eu estava indo bem, mas essa semana eu me afundei.

E quando você afunda, se junta a pilar contra mim, na esperança de botar a mão

na fortuna que eu conquistei com o trabalho.

Com trabalho e sem desvios pelo caminho.

Isso é pela informação que você me deu.

Dedurando a pilar.

Agora cai fora daqui.

Sua da minha frente.

A sua.

Curti demais essa noite.

Foi delicinha mesmo.

Eu gostei também.

Pena que você não quer dormir lá em casa, né?

Ia ser bem, bem bom.

Eu já te expliquei.

Amanhã acordo cedo, tenho mil coisas pra fazer.

E daí?

Imagina só você acordando.

Na minha casa.

Café da manhã na cama.

Na hora que você quisesse.

Pofo. Mas... Quem sabe um outro momento?

Numa outra hora?

Agora deixa eu ir.

Boa tarde.

É... Quando é que a gente...

Pode se ver de novo?

De novo?

É. Sei lá.

Amanhã. Pode ser amanhã.

Vou dormir primeiro.

Amanhã é um outro dia.

A gente se fala.

Guilherme.

Oi, Bri.

Pelo visto, sua noite foi boa, né?

Pelo visto, a sua foi um horror.

O que aconteceu?

Petuxo. Me bloqueou das redes sociais.

Me tirou de tudo.

Acredita? Não, não acredito. Não acredito que ele fez isso. Depois que

ele descobriu que você colocou uma câmera escondida no apartamento dele,

meu Deus do céu, como pode que é absurdo? Pois é.

Deve ter colocado várias câmeras escondidas, né?

Com várias.

Enquanto ele ficava procurando, eu podia ficar lá infernizando a vida dele,

observando ele.

Cadê a dona Pilar?

Ah, não sei. Não tô acompanhando, não. Não deu as caras hoje. Ela já está no

quarto. Só espero que ela não tenha aprontado nada.

Mas é bom encontrar com ela, tu exalta. Essa noite foi boa mesmo, né?

Me conta.

Conta como é que foi, fala.

Conta, conta os detalhes pra mim. Os detalhes, como é que foi?

Faz uma pegação? O que é isso?

Não, ok, homem, homem. Homem é sempre uma... Tem uma média ali, tá bom? É

isso.

Bom mesmo, sabe o que é bom?

Donald, viajar pra Paris, sabe?

Traz de férias, isso é ótimo. Bom, tá. Boa noite.

Já que eu não tenho mais o meu pituxo, deixa eu ver o que eu tenho de novidade

aqui nas redes sociais.

Algoritmo.

40 mais.

50 mais. Não, 50 mais é mais.

40 menos.

Nova Jersey.

Bom dia. Bom dia. Bom dia.

Ingrid, tá com a cara ótima.

Ontem à noite rendeu, né? Rendeu. É o que eu te digo.

Solteira sim, sozinha nunca.

Oi, Ingrid. Que bom que você chegou.

O tio Arthur quer falar com você.

O tio Arthur?

Nessa hora?

Cedo assim? Ele tá desde cedo esperando na sala dele.

Quem será que ele quer comigo?

Espero que seja pra provar a nova linha jovem que eu desenvolvi.

Tomara. Tomara. Boa sorte.

Bom dia, tio.

O Thiago disse que o senhor quer falar comigo.

Ficaram lindas essas peças, né?

Acho que vai vender super bem essa novelinha, principalmente entre jovens.

Eu achei moderna, divertida.

Ingrid, você está demitida.

Você não pode perder esse emprego, Ingrid.

Eu conto com o seu salário.

Ah, não. Ah, não, Brigitte. Na boa.

Me dá um segundo de paz.

Meu segundo de paz.

Nossa. Vai chegar o dia que você vai morrer e vai ficar tudo pra gente.

Doutor Arthur?

Mandou me chamar?

Mandei, senhora. Mas fecha a porta, por favor.

Eu tenho uma proposta pra te fazer.

Proposta? Você aceita casar comigo?

Para inspirar os seus desejos Pra fazer você encher o peito e cantar

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