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Não acredito nisso, seu Arthur.
Mas então o caráter da sua irmã é muito pior do que eu imaginava.
Desde criança, a Pilar nunca teve limites.
Empatia, gratidão. Ela sempre pensou no próprio umbigo, nos próprios desejos. E
deseja sempre cada vez mais.
Ah, não, Arthur. Ela que seja ambicioso quanto ela quiser. Mas daí...
Questionar a sanidade do próprio irmão, chegando a abrir um processo pra isso.
Meu Deus, é muita maldade.
Tudo aconteceu quando eu cansei de sustentar aqueles dois pilantras.
Ela e Ulisses.
Eu parei de dar a mesada que vinha do lucro da joalheria, aí agora estão
espelhando. Mas, pelo que eu entendi, eles não têm nada a ver, né, com a
joalheria em si.
Nada, nada, não tem nada. Eu ergui minha fortuna com muito trabalho, dedicação.
Eu dava pra ajudar.
Depois a ajuda virou obrigação.
Depois virou injustiça, porque eles queriam cada vez mais.
Enchi meu saco.
Mandei os dois às favas.
Mas o seu irmão, ele tem uns negócios dele, né?
Assim, por acaso eles não estão indo bem? Por que ele precisa do seu
dinheiro?
Nem a esposa dele sabe, mas...
Meu irmão tem problemas.
Hábitos que custam muito.
Eu achei que a mesada ia ajudar, mas a ajuda dele tem que vir de outra
natureza.
Poxa, sinto muito, Sr. Arthur.
Deve ser assim, exaustivo, essa relação que você tem com a sua família.
Sei lá, a família pra mim sempre foi um lugar de conforto, de paz.
Pelo que eu conheci da sua família, sim.
A minha tira noites de sono.
Edivaldo, eu queria mais um pedaço.
Tá muito bom.
Pega o meu.
Obrigada.
Ilha! Oi, pai. Tô aqui.
Ah, você tá aí, filha.
Tenho uma notícia boa pra te dar.
O que foi?
Filha, que cara é essa, filha? O que é que você tem?
Pai, eu fui passar uma vassoura na casa, dar uma ajeitadinha, nada demais.
Aí fiquei com a vista turva, assim, sabe? Fiquei me sentindo tão cansada.
Deitei um pouco aqui pra descansar, só isso.
Que conversa é essa, filha? Só isso?
Uma vista turva? Não é melhor eu te levar lá no posto de saúde?
Não, pai, por favor. Não, não levanta assim, não. Vai devagar. Não, tá tudo
bem. Vai te dar tontura. Peraí.
Você tá bem mesmo?
Tô, claro.
Não brinca com isso, filha. Vamos lá.
Acho que é melhor eu te levar pro posto de saúde, ele vê isso lá. Já falei que
eu tô bem, pai. Não brinca comigo.
Você tem que falar a verdade comigo, hein, filha?
Vamos lá. Eu acho melhor eu te levar no... Olha aí como é que você tá, com a
cara pra baixo?
Pai, eu tô bem. Fala.
Só não comenta nada com os meninos, por favor, tá?
Não comenta porque a gente já tá cheio de problema e mais uma preocupação à
toa.
Tá bom. Você me falou que tinha uma coisa boa pra contar?
Ah, pois é, pois é, eu encontrei um amigo, o Enéas, você lembra de um velho
amigo meu? Claro, claro. Há um tempo que eu não via.
Estou andando, encontrei ele na rua, filha, na rua.
Agora, começamos a conversar, arrumei um emprego. Ah, não acredito, pai,
que bom, mas emprego de quê?
Ah, para trabalhar numa banca de flor.
É uma loja bacana, tudo, ele trabalha lá há muito tempo.
Mãe, mãe, mãe.
Pedro chegou.
Ela tá na hora da consulta? Eu não sei o que eu vou fazer.
Deixa comigo, meu amor.
E aí, minha gravidinha? Oi, lindo. Tá preparada?
Oi,
Pedro.
E aí, Mita? Vamos nessa? Você vai com a gente?
Claro que eu vou.
Não perco essa consulta por nada desse... Ah, meu Deus.
O que foi, mãe? Eu acho que eu levantei rápido demais.
Meu Deus do céu! Meu Deus do céu!
O que aconteceu?
O que aconteceu com ela?
O que aconteceu,
Bruna? Ela estava ruim assim já?
Bruna, Bruninha, Bruna, Bruna. Ela estava ruim assim?
O que aconteceu?
Não, não sei.
O que a gente faz agora? Leva para o hospital, né? Não. Não, leva para o
hospital. Eu acho melhor chamar o médico dela aqui. Não, Bruna, não é melhor
chamar o médico aqui. Eu conheço a minha mãe, Pedro. Ela está desmaiada, não tem
que preferir nada. Vamos levar para o hospital. Sei lá, caiu de madura aqui,
não sei.
Vamos, né?
Bora, Carmita.
Meu Deus do céu.
Pega as coisas dela aí.
Ela tem plano de saúde, não tem?
Bruninha.
Bruninha.
Bruninha, bora.
Tá, pera. Abre a porta aqui pra mim.
Tudor, tô indo.
Espera a pit stop pra arrumar meu maridão.
Sabe que eu deixo gravata assim só pra ter esse momento com você. Ai, que
delícia.
E como estão as coisas com o Pedro?
Na mesma.
Cada um no seu canto.
Mas eu te falei que ele vai ser pai.
Você tem que falar com ele e dar os parabéns.
Enquanto ele mesmo não vier falar comigo, eu não vou falar nada.
Mas... Não pode. Deixa de ser orgulhoso. Seu filho vai ser pai.
Exatamente por isso. É uma coisa bastante importante pra ficar sabendo
por outras pessoas.
Nem sendo você, meu bem.
Ele mesmo vai ter que vir falar comigo.
Que ódio dessa
enfermeira. Levou um século pra chamar minha veia. Olha só.
Tô toda furada. Ah, que inferno.
Bom, mas o médico falou que os seus exames estão ok.
Claro que meus exames estão ok, né, Bruna?
Eu fingi o desmaio, esqueceu?
Ele só falou que você tá meio desidratada, tá?
Eu sei, eu sei, eu tenho que beber mais água. Você, bota aqui pra mim, por
favor.
Ai, Bruna, você tinha que ter insistido pro médico ir lá em casa. Se eu não ia
ficar presa aqui nessa cama, tô despetada.
Dá licença.
Tem gente pelada aí.
Que pena.
Achei que era hoje, hein, Mita?
E aí, gatinha?
Tudo bem?
Tudo. Tudo bem? Tudo bem?
Tudo bem?
Eu tô te achando com a carinha derrubada, Mita. Tá pálida, cara. Tá
tudo bem mesmo?
Com os exames estava tudo certo, né? Tudo certo, sim. Tudo certo. Eu falei
com o obstetra. Falei que a gente não vai na consulta. Já avisei ele. Ah, meu
Deus. Tudo culpa minha. Agora é se cuidar. Vocês tinham que ter ido sem
mim. E largar você desmaiada. Ai.
Meu Deus.
Uma hora eu ia acordar, né? Não, de jeito nenhum.
Ele falou que vai conseguir um encaixe pra gente. Tudo certo. Preocupa não.
Ah. É? Eu insisto lá com ele ali.
Que bom. Né?
Que bom.
Tem que cuidar, né?
Do meu menino.
E essa história, hein, da Bruna estar grávida do Pedro?
Ah, o Pedro se acha muito, né?
Ele acha ele é muito especial, que vai mudar o mundo.
Mas na intimidade todo mundo é igual.
Todo mundo creu. Ai, que jeitinho mais bonitinho de falar.
Mas é verdade.
A Bruna creu.
O Pedro creu.
Você que é mais creu de todas.
Só eu que... Agora eu tô na seca, né?
Depois de um pé na bunda que eu tomei.
Agora, a Bruna, ela é louca pelo Pedro.
Tanto fez que conseguiu segurar o cara arrumando um filho.
Nossa, golpe da barriga.
Eu acho uma das coisas mais cafonas que existem.
É legal mesmo espalhar glitter pelo apartamento do ex. Isso é muito legal.
Ah, então é isso, ó.
Glitter igual a filho.
Fica pra sempre.
Não, não, não, não, não. Não começa.
Deixa eu trabalhar aqui. Não, não vai... Não vai começar a mexer nas minhas
coisas. Na boa, Brigitte. Vai arrumar uma ocupação. Tô trabalhando. Tá bom,
então arruma esse anelzinho aí. Tá? Não fala assim do meu trabalho.
Nossa.
Ah, eu tenho que ir também.
Vai pra onde?
Tá na meia hora.
Eu vou lá encontrar o Rafael.
Vai fazer procedimento?
Não, não preciso.
O Pituxo vai fazer procedimento.
Ele é paciente do Rafa há um tempão já.
Tá. E eu posso saber como você descobriu que o Pituxo tem uma consulta agora?
É porque a secretária do Rafa, ela me passa as horas de consulta do Pituxo.
E eu pago ela com todo o dinheiro do mundo que eu tenho.
Que é nenhum.
Então eu pago ela com bombom.
É, mas algumas sessões de laser e esses pelinhos aqui da bochecha vão sumir.
Sério?
Sério. E aí, meu querido?
É cavanhaque perfeito todo dia.
Ei, Rafa, você é o melhor, cara.
Eu vivia me acortando.
Vem cá, será que esse laser milagroso não faz ter uma desaparecida na minha
vida também não, hein?
Sério, mano? Vai falar mal da minha irmã pra mim?
Você não soube o que ela fez no meu apartamento?
Não. Cara, desculpa, Rafa, mas assim, ela tá completamente fora da casinha,
não dá pra aturar.
Mas peraí, vocês não tinham terminado? Sim, sim, eu terminei, só que onde eu
vou ela tá, ela não sai da minha cola, cara.
Mas até que tua vida tá animada, né? Como assim animada? Por que você tá
dizendo isso?
Esse pescoço aqui, cheio de glitter.
Que brincadeira, cara.
Não esquece de passar esse creme, que ele é mais levinho, aí vai te ajudar. Tá
bom. Fechou, Rafa. Vou te esperar nos treinos, hein, cara. Oi. Oi.
Vamos lá. Desculpa, não tô conseguindo... Ah, não, cara. Escutar
direito. Hã?
Ah, não.
Nossa, eu vim aqui visitar meu irmão e encontrei a última pessoa na minha vida
que eu queria encontrar.
Que é você.
É mentira. Você tá me perseguindo. Eu te falei, cara. Você sabia que ele tava
aqui? Claro que não. Como é que eu vou ficar sabendo o horário de consulta dos
seus pacientes, Rafael?
Brigitte, eu te conheço. Não. Tô falando sério. Não.
Eu não fiz isso. Olha só, é melhor você ir embora, tá?
Melhor. É, vai embora daqui, cara.
Eu vou. Ou então, volta pra mim.
Acho que pode ser uma também.
Você é completamente maluca.
Isso é um sim?
É um não.
Mas é um não como se fosse sim?
Eu não quero nunca mais te ver na minha vida, Brigitte.
Mas isso é sim?
Seja mais objetivo!
Brigitte! Então vai embora!
Vai embora!
Quem é que precisa de você?
Ele saiu sem pagar consulta. É, esse cara é um bandido, Rafael.
Só que ele não vai ter paz.
Ele não vai ter paz mesmo.
Já perguntou alguma coisa de mim?
Vamos lá,
minha princesa.
Não, vai... Aqui, ó.
Vou consertar isso tudo aqui, eu te juro.
Sabe o que é isso?
Às vezes eu tenho que mudar, botar uma vitamina aqui.
Boa tarde, senhor.
Boa tarde.
Boa tarde.
Polícia aqui?
Aqui, ó. Algum problema?
Nós recebemos uma denúncia de invasão a domicílio.
Como é que é, rapaz?
Invasão?
Faz favor, faz favor. Vamos entrar aí, conversar direito, que o povo aqui vai
até pensar, entrando aqui assim... Vamos lá, vamos entrar aí.
Filha, a polícia aqui... O que aconteceu?
Denúncia contra a gente.
Denúncia? Nossa, pode ser um mal-entendido. O que houve? Essa casa
aqui pertence à família Brandão, não é?
Pertence, sim. Foi o próprio Arthur Brandão que autorizou a gente a ficar
aqui. E vocês têm alguma documentação comprovando isso?
Documentação, não.
Ô, filha.
Fecha a porta direitinho.
Sim, pode deixar, pai. Dá duas voltas aí. Fecha direitinho. Olha, essa casa é
do patrão da minha filha, sabe? Ele emprestou pra gente.
Fica quieto.
Fica quieto.
A gente vai entrar na casa dos outros, né, pai? De jeito nenhum.
Pode deixar que ele tá indo. É o que eu tô fazendo.
Eu tenho que ter calma.
Pode deixar, pai.
Não, não. Vai dar tudo certo.
Vai dar pra você chegar pra lá? Já cheguei, filha. Então tá, eu vou entrar
aqui também.
Não tem que falar nada para eles aqui, que a gente nem sabe o que está
acontecendo. Vamos explicar isso de novo. Não estou nervoso, não. Estou
meio... Calma.
Sabe o que está acontecendo aqui? Não fizemos nada?
Vovô?
O que está acontecendo? Por que estão levando eles?
Peguei o laudo com o doutor Pericles.
Que ótimo.
E o que diz o laudo? Estou maluco?
Não, o laudo é ótimo.
Ele atesta que você tem saúde mental perfeita, plenas condições de tomar
decisões. Nenhuma novidade pra mim, mas que bom, né?
Que cara é essa?
O juiz do processo vai querer ouvir você.
A audiência já foi marcada.
Ô, irmão, e aí?
Adriana, presta atenção.
Eu vi a mãe e o vô dentro do carro da polícia saindo daqui.
Como é que é?
Você viu a polícia levando a minha mãe e o meu avô presos?
Para todo mundo a vida é difícil, mas todos fazem seu sacrifício para
melhorar, para melhorar.
Lá vem o sol para derreter as
nuvens negras, para iluminar o fim do túnel e a luz do céu.
Para inspirar os seus desejos Para fazer você encher o peito e
cantar
Adriana? Que isso, minha filha? Que agonia é essa? Maurício, o MauMau acabou
de me ligar falando que bateu polícia lá em casa. Lá na casa que o doutor Arthur
emprestou pra gente. Peraí, como assim, bateu polícia?
Eu não tô entendendo também, só que levaram a minha mãe e meu avô pra
delegacia, Rosa.
Elisa e Otoniel? Não, não pode.
Eles são pessoas do bem. O que tá acontecendo? Eles fizeram uma denúncia.
Acusaram eles de serem invasores.
A casa onde vocês estão morando não é de vocês?
Não. De quem é?
Ué?
É do patrão da minha neta, doutor Brandão. Arthur Brandão.
Doutor Arthur Brandão, patrão da minha neta. É dele.
Ele tem ajudado a gente desde que nós perdemos nossa casa na última enchente.
Ele emprestou a casa pra nós, deixou a gente morar ali, até as coisas se
acertarem. Isso. Sei.
Bom, se essa história for verdade mesmo, onde é que vocês estavam antes?
Ué?
Assim que desabou nossa casa, assim que nós perdemos tudo, nós fomos acolhidos
num abrigo. Nós e todo mundo lá do nosso bairro, todo mundo que foi afetado.
Vocês têm algum documento que prove que vocês estavam abrigados nesse lugar?
Não tem documento. Não, peraí, peraí. Nós temos umas fichas que nós
preenchemos lá.
Para eles se controlar, né? Eles tinham que ter um controle de todo mundo que
estava lá no abrigo. Agora,
se o senhor for lá no abrigo, o senhor vai encontrar esses registros lá. É só
ir lá no abrigo.
Eu preciso ver um documento de vocês. Pode ser carteira de identidade,
carteira de motorista, alguma coisa.
Isso daqui, ó.
É o pedido de segunda via de tudo.
Porque o nosso documento mesmo foi embora. Isso viu. Está tudo aí.
Segunda via, carteira, tanta coisa que a gente perdeu. Está tudo aí.
Aqui, doutor.
Nós somos pessoas de bem.
Isso é o que a gente vai ver.
Até vocês provarem que o que vocês estão falando é verdade, vocês vão ficar
detidos aqui na delegacia. Detidos?
Presos? O senhor tá falando preso aqui? Enquanto os fatos não forem
esclarecidos, ninguém sai daqui.
Como?
Pois. Doutor, será que eu posso ligar pra um advogado amigo nosso? Ele pode
ajudar a gente, pai.
Ah.
Preso. A gente.
Vem, Mita. Vem, Mitinha.
Devagar, devagar.
Oh, meu amor.
Obrigada. Como você tá sentindo?
Eu tô melhor. Eu tô bem melhor.
Senta aqui. Eu tô melhor, sim. Não fica fazendo esforço hoje, não. Não, não se
preocupa, não.
Você tá bem mesmo, Mita? Tô. Deixa eu ver você.
Não se preocupa, eu tô bem. Eu tô bem.
Eu tô achando que eles deram alta muito rápido com a sua mãe.
Não desmaia do jeito que é, porque você não... Mamãe tá ótima, né, mamãe? Eu
fico tão feliz de ver como você é um rapaz atencioso, preocupado.
Vai ser um ótimo marido pra mim, a Bruninha.
E um pai maravilhoso.
O triste disso foi só perder a consulta com a obstetra, né?
Uma pena. Uma pena mesmo, uma pena. Porque pelo que eu entendi, a obstetra é
muito concorrida. Eu não sei se a gente vai conseguir uma nova consulta, né?
Claro que vai. A secretária já ficou de me mandar mensagem.
Jura? Com certeza. Você já falou com ela? Já falei com ela.
Será que é ela?
Deve ser.
Fala pra gente se é ela.
Dá licença.
Só um instantinho.
Alô? Alô, doutor Pedro.
Aqui quem tá falando é a Elisa.
A gente se conheceu outro dia no abrigo. A minha filha é a Adriana que me deu o
seu cartão. Não sei se o senhor vai lembrar da gente.
Claro que eu lembro, dona Elisa, de vocês. Lembro sim, com certeza.
Fala aí, o que é que vocês estão precisando?
Aconteceu, minha... Rolação danada.
Tiraram eu e meu pai de dentro da casa que estava emprestada pra gente e
trouxeram aqui pra delegacia.
Estão dizendo que a gente invadiu. Fala por aí. Deixa que eu explico. Mas... Tá.
Mas deixa eu entender, dona Elisa. Vocês estão... Vocês estão detidos ou não? A
gente está sendo acusado de ter invadido a casa.
Eu tentei explicar que nós somos hóspedes, que a casa estava emprestada,
mas o delegado nem quis saber.
Não, isso é um absurdo. Eles não podiam ter levado vocês pra aí.
Que loucura. Não, pode... Eu vou aí ajudar vocês.
Desculpa o incômodo, doutor Pedro. É que eu não tinha quem recorrer e lembrei do
senhor. Dona Elisa, faz o seguinte. Passa o endereço da delegacia pra mim
direitinho.
Sim. É.
Sim.
Você não vai sair não, né?
Não, senhora.
Eu nem tenho como agradecer. O senhor é um anjo. A gente vai aguardar aqui,
então.
Obrigada.
E aí, o que foi que ele disse?
Graças a Deus, tá vindo pra cá.
Amém. Amém.
Trabalho, filha.
Trabalho.
Tem que resolver uma coisa urgente agora na delegacia. Você tá bem, né, Mita? Tô
bem. Eu tô bem.
Tá tudo sob controle. Vai, vai trabalhar sim. Porque agora, mais do que nunca,
você precisa trabalhar.
Colocar uma criança no mundo custa caro, hein?
É, trabalhar. Se ela deixar eu trabalhar, eu vou. Você vai trabalhar?
Vou trabalhar.
Não é caridade, não, né? É caridade. É caridade.
Mas é trabalho também.
Adivinha quem que eu vou atender agora?
A família da...
A Adriana, que você adora, sabe? Eles estão prezando de mim. De novo essa
mulher. Me ligaram, o que eu posso fazer? De novo essa mulher.
Que mulher é essa? Não tô entendendo, que história é essa? Você não contou pra
ela, não, Bruninha? Não, o que foi? Adriana, Mita, é uma mulher que mexe com
a cabeça da Bruna, ela tem ciúme, ela é muito ciumenta, ela faz cenas, ela tá
descontrolada, como você pode perceber.
Meu Deus do céu, não faça isso, filha. Eu tenho que ajudar, não é? Só eu posso
fazer o que eu posso fazer, pela Adriana e sua família. Filha, vai lá com a sua
biquinha. Meu Deus. Você tá bem? Eu tô bem. Mesmo? Eu tô, eu tô. Quer coisa,
você me liga? Eu te ligo, pode deixar.
Tá? Obrigada. Tá.
Obrigada. Beijo.
Obrigada. Você é um anjo. Olha aqui a Adriana e a família dela mesmo.
Você é um anjo, um anjo.
Filha, o que é isso?
Te amo.
Um anjo na nossa vida. Um anjo, um anjo, um anjo.
Essa é aquela que você falou da pulseira, Adriana? É, a própria.
O juiz vai querer te ouvir.
Avaliar se você tem coerência, vontade própria, noção da vida real.
Você vê que situação que a Pilar me coloca.
Isso é humilhante.
Tua irmã tá decidida, determinada a tomar controle da situação.
Pelo que eu falei com ela, parece acreditar realmente no que diz. Ela tem
certeza que você não tem capacidade de controlar sua vida.
Ela quase conseguiu convencer você disso, né?
É. Deve ter acreditado em você.
Tudo bem. Eu conheço a Pilar.
Minha irmã por dinheiro é capaz de convencer até o diabo.
Porque eu estou acostumada a ser servida, querida. Tá certo, é isso
mesmo. Muito bem. E aí a gente vai fazer o que a gente vai brindar.
Saúde, saúde, saúde.
Abundância.
Pilar, olha pra mim.
Eu só não entendi como você ficou sabendo que a polícia baixou lá.
Eu dei uns cem reais pra um.
pra um flanelinha desses nojentos, sabe? Que ficam na rua.
Falei pra ele, fica de olho.
Aí ele me ligou e deu todo o serviço. Quer dizer, a polícia baixou na casa e
levou todo mundo que tava lá.
Você subornou um flanelinha?
Esse cara pode dar com a língua nos dentes e entregar que você tá enrolada
nessa história?
A ideia foi sua, hein?
Eu não tenho nada a ver com isso, hein? É como ser medroso. Que medroso? Ser
muito medroso. Você sempre foi assim. O que ele vai falar?
Ele nem sabe quem eu sou. Eu acho perigoso.
Imagina, eu realmente acabei com a festa daquele bando de encostado que estava lá
na casa. Eles estavam explorando, gente.
Uma herança que é nossa, sabe?
É nossa por direito.
Gente, eu fico chocada. E olha que eu não me choco fácil, mas vocês falam do
Arthur como se ele já tivesse morrido. Não, Silvana.
Não, não fala assim, Silvana. O que é isso?
Eu amo tanto o meu irmão.
Mesmo. Ó, vamos lá.
Vida longa pro Arthur!
Vida longa pro Arthur. Vida longa.
Bom, a gente já resolveu esse problema, tiramos o pessoal da casa. Agora me diz
como isso se reverte em grana pra gente.
Nós vamos falar com o Arthur sobre todos os móveis e objetos daquela casa.
Eu quero tudo, o que for do meu filho.
A Silvana tem razão, hein? Vai que tem coisas de valor, obras de arte.
Um cofre. Gente, vamos parar.
Calma. Calma vocês dois.
Um passo de cada vez.
Às vezes pode parecer que não, mas... Eu sei o que eu tô fazendo.
Oi, pessoal!
O tio de CLT aqui com vocês, mostrando hoje como que é o escritório do
rico, tá? Que home office de pobre é abrir o computador na mesa da cozinha.
Mas o rico não. O rico tem um espaço enorme só pra trabalhar dentro de casa.
Ó, que bonitinho.
Obra de arte por tudo que é lado.
Ó como é bonitinho ele aqui, ó. Tem negócio de couro, tá vendo? Tem negócio
de ouro, tem tapete rápido.
Ó, tem tutorial meu ensinando a limpar tapete. Se liga, hein? Ó, no escritório
do rico, gente, tem até bar.
É, porque é patrão, né? Se quiser tomar um goró, pode.
Tá vendo aqui, ó?
Tá vendo esse negócio aqui que parece a casa do gênio da lâmpada? Então, isso
aqui se chama o quê?
Decanter. Que o pessoal põe o vinho ali pra descansar.
É isso, gente.
Enquanto o pobre se lasca na escala 6x1, a bebida do rico tira um cochilo.
Olha que beleza.
Olha isso.
Está vendo essa poltrona aqui?
Custa mais ou menos um ano do meu salário.
Tilde! Tilde!
Eu já te proibi de gravar esses conteúdos aqui dentro.
Não, não, ó, Dina. Eu não tava mostrando o ambiente, não. Tava fazendo imagem
fechadinha, detalhinho apenas. Olha, se o doutor Arthur souber que você tá
filmando aqui dentro, você está no olho da rua.
Só vai saber se você contar.
E eu vou contar. Vou contar se você parar com isso imediatamente e voltar lá
pra cozinha, porque tem muito serviço pra fazer. Ih, acabei de vir de lá,
deixei aquilo lá uma belezura, assim que a Rosa saiu.
Saiu? No meio do expediente?
Na hora de preparar o jantar?
Rosa?
Rosa?
Ai, na próxima encarnação eu quero vinho, vinho assim, bem caro, pra
descansar bem muito, pra decanter, decantão.
Sucesso com presente, tá?
Até a próxima.
Olá. Oi, boa tarde. Tudo bem? Posso te ajudar? Então, eu tô precisando... Já
sei. Você tá atrás de uma joia mais em conta.
A gente tem uma linha muito bonita, popular, e que você pode parcelar em
várias vezes.
Desculpa, você tem algum probleminha de cabeça ou é só distraída mesmo?
Sim, porque eu sou a Rosa, cozinheira do doutor Arthur Brandão.
Já estive aqui outras vezes. Nossa senhora, me desculpe, de verdade, são
muitos rostos todos os dias, o dia todo.
É, Rosa, né?
Oh, eu mesmo.
Eu quero falar com o Dr. Arthur Brandão, por favor.
Rosa?
Oi, tia. Oi, querida. Como é que você tá?
Eu tô bem. Como é que eu posso te ajudar? Ela quer falar com você. Ei!
Eu tenho boca, garota.
Posso falar por mim mesma.
Mas é isso mesmo, meu filho. Eu tô precisando falar com o seu tio.
E com urgência. Eu só vou pedir pra você esperar um pouquinho, porque ele tá em
reunião agora, tá bem?
Você quer uma água, um café, alguma coisa?
Um café.
Ah, um cafezinho, eu sabia. Com licença, tá bom?
Tudo, é.
Tudo. E você, meu bem, aprende a não julgar as pessoas pela cara, tá?
Seja menos preconceituosa com quem entra aqui.
Sinto muito. A senhora fique à vontade. Ah, eu vou ficar.
Tenha uma ótima tarde. Você também.
Hum,
seu graça.
É um pesadelo isso. Obrigado, filho. Dá licença, dá licença. Graças a Deus, você
apareceu rápido. Eu vim mais rápido do que eu fui. Muito obrigado, obrigado
mesmo. Como é que vocês estão?
Como é que a gente tá presos aqui nessa delegacia, né? Estão achando que a gente
é bandido. É, a gente não invadiu a casa de ninguém. Foi o patrão da Adriana que
deixou a gente ficar lá. Estamos falando a verdade.
A senhora não precisa explicar isso pra mim. Eu sei que vocês não fizeram isso.
O delegado aí acha o contrário. Não, eu vou conversar com ele. E outra coisa,
eles não podiam ter trazido vocês como eles trouxeram. Isso tá errado.
A começar por aí, vocês não deviam estar aqui.
Não faz ideia como é que eu tô me sentindo.
Posso te garantir. Tô me sentindo aqui, ó.
Sentindo um criminoso. Não.
Nada disso.
Olha pra mim.
Eu vou resolver isso aí pro senhor.
Não é pro senhor tá se sentindo assim, não.
Quem tá errado são eles, não o senhor.
Eu vou resolver pro senhor. Toma a unha do senhor.
Antes do senhor terminar, eu já resolvi isso aí.
Fica tranquilo.
Eu resolvi isso agora.
Tá. Faz favor.
Obrigado. Mas não vai ficar assim mesmo.
Pressiona disso. Eu já volto aí.
Como é que pode estar acontecendo isso?
Agora vai resolver, pai.
Vai, vai, porque ele chegou aí, entende da lei, né? Fica calmo.
Tudo bem com o senhor? Sou Pedro Santana.
Estou representando duas pessoas aí que estão detidas pelo senhor.
Santana.
Por acaso você é filho do Ademir, Santana? Sou filho do Ademir.
Eu conheço seu pai. Eu lembro de você, eu já vim aí.
Era o mais novinho. Tá certo. Sinta-se em casa, então. Quer um café?
Aceito um cafezinho, doutor. Um cafezinho nunca é demais, né? A gente
para lá pelo 15º.
Café sem impressão. Você quer com açúcar?
Sem açúcar, sem açúcar. Sem açúcar, mais rápido. Rapaz, lá fora tá um forno. Aqui
tá gostoso demais, geladinho.
Acondicionado, né?
É a melhor coisa.
Fogão, diga-me.
A situação é a seguinte, eu estou representando a dona Elisa e o seu
Otoniel Pereira de Moraes.
Pessoal da casa lá... Ah, sim, os invasores.
Então, eles não invadiram nada, isso aí que eu ia dizer pro senhor, não
invadiram nada, eu conheço eles, gente boa.
Pessoal que perdeu tudo aí naquela enchente braba que teve aí um tempo
atrás.
E eu conheço eles.
Eles falaram, eles falaram que perderam a casa numa enchente, foram morar num
abrigo, numa situação precária. E eu tava no abrigo com eles.
E eu conheci eles no abrigo, porque eu tava trabalhando lá como voluntário. E
aí conheci, conheci a filha, conheci a família inteira.
Entendeu? Essa casa que eles estão morando, parece que foi um amigo da
família que emprestou pra ele. Aí é que tá.
Eu recebi uma denúncia de invasão de propriedade. Tem certeza absoluta que o
senhor recebeu a denúncia, mas o senhor sabe.
Assim como eu também sei que o senhor não podia ter tirado eles da casa como o
senhor fez.
E a gente sabe que isso dá um problemão depois.
Então vamos liberar eles. Você conhece os dois, Pedro? Eu conheço os dois.
Então você conhece o tal benfeitor.
Eu preciso de uma prova, Pedro.
Mesmo que... Mas eu preciso de uma prova que o proprietário está sabendo de toda
a situação.
Eu consigo para o senhor. Pode ser um áudio.
Um áudio? Um áudio.
Ele manda um áudio? Eu libero os dois.
Está resolvido.
Vamos liberar eles.
Fica tranquilo, meu amigo. Vai dar tudo certo com essa audiência com o juiz.
Tem que dar, Ademir. Tem que dar. Não posso ficar nas mãos da minha irmã.
Se isso acontecer, ela vai dilapidar meu patrimônio em dois tempos.
Bom.
Bom ainda.
Fica bem.
Opa, Ademir.
Tinha desculpa incomodar.
Fala, Tiago. O que é? Tem uma visita para o senhor.
A Rosa está aí fora.
A Rosa? A cozinheira lá de casa? Isso, isso. Ela mesmo. Já está esperando um
tempinho.
Manda ela entrar.
Tá.
Olha, para a Rosa ter vindo até aqui só para falar com o tio Arthur, realmente
deve ter acontecido alguma coisa bem séria. Com certeza, porque a cara dela
não estava muito boa, não.
Ai, Thiago, você podia pelo menos ter ficado atrás da porta, tentado ver
alguma coisa, né? Ai, gente, eu tô fora de confusão, eu tô fora de confusão. Já
basta o que as nossas mães e o tio Ulisses estão fazendo com o tio Arthur.
É, realmente... Minha mãe passou legal dos limites.
Tentar interditar o tio Arthur é demais.
Mas eu não sabia que o tio Ulisses e a sua mãe estavam apoiando a minha mãe.
Estavam, inclusive estavam tramando alguma coisa lá em casa.
Mas eu falei pros três que eu tô fora.
Só espero que o motivo que trouxe a Rosa aqui não tenha nada a ver com isso.
Ficou o papel.
O papel do documento. Não, mas isso é... Delegado?
Não, eu acho que o advogado... Princesa! Filha!
Ai, que bom. Adriana.
Meu Deus do céu, como é que vocês estão? Agora tá tudo bem, mas na hora foi
terrível, né? Os policiais entrando pela casa, chamando a gente de invasor. O que
é isso, gente?
Você não faz ideia.
Nossa, boa.
O delegado falou pra nós que foi uma denúncia contra a gente. É o quê? Você
acredita numa coisa dessa? Uma denúncia. Agora me diz uma coisa, onde é que tá o
Maurício?
Ai, mãe, mamão, eu achei que a senhora ia ficar preocupada. Deixei ele lá na
casa de uma amiga. Fica tranquila com isso. Fico mais sossegada, assim. Agora
só falta a gente sair daqui. Não, agora eu vou lá falar com esse delegado. Vou
explicar pra ele a nossa situação. Ele vai me ouvir. Dá licença.
Maneia que você tem de atravessar.
Escuta até o final.
Desculpa, Pati. Não se preocupa.
Porque o nosso advogado tá lá dentro conversando com o delegado. Advogado? É.
O que é isso? Desde quando a gente tem advogado? Olha ele aí. É o rapaz.
Pedro.
Tudo certo.
E aí, Pedro, tudo bom? Cheguei na hora boa, hein?
Chegou na hora boa mesmo.
Lembrei que você me deu o cartão dele.
Graças a Deus você atendeu minha mãe.
Estou aí pra isso.
Obrigado.
Como é que ficou a nossa situação?
Eu falei, como é absurdo eles terem trazido vocês pra cá do jeito que for.
Você não pode. Já dei um enquadro nele, entendeu?
Já falei que o negócio não é bem assim.
Tá tudo certo. Tudo certo. E a nossa casa, a gente... Enfim, a casa que a
gente tá, a gente pode voltar pra lá? Vai voltar hoje.
Vai voltar hoje. Vou precisar passar uma instrução pra vocês, tá?
Tá certo. Vai voltar hoje pra lá. Graças a Deus. Vai dormir em casa hoje.
Que bom. Tá?
Pode entrar, Rosa.
Boa tarde, doutor Arthur.
Olha, o senhor me desculpa ter vindo aqui na joalheria para procurar o
senhor, mas é que o assunto é muito urgente.
Eu confesso que eu fiquei surpreso quando o Tiago me disse que você estava
aqui. O que aconteceu?
É a família da Adriana, doutor.
A polícia bateu lá na antiga casa dos seus pais e colocou todo mundo para fora
à força.
Como é que é?
Mas é isso mesmo que eu estou lhe dizendo.
Está todo mundo na delegacia.
A Adriana, coitada, está lá, tentando soltar o avô, a mãe.
Que loucura é essa?
É, é isso.
Agora, senhor Toninho, é isso aí que eu falei pra vocês. O proprietário tem que
dar uma confirmação. Ele confirmou, nós. Ah, mas com certeza ele vai confirmar.
Meu Deus do céu, não atende, não responde.
Adriana, quer que eu passe?
Eu vou de carro e passo lá na casa dele. Não, não, não, de jeito nenhum. Imagina,
Pedro. Pra mim não tem trabalho, então eu pego o carro aqui e passo na casa
dele. Você orientou todos nós. Por favor, quanto é que a gente deve?
Pra mim não deve nada. Pra mim é um prazer poder cuidar de você e da sua
família, poder ajudar um pouco.
Agora, tem que ficar atento ao que o cara vai mandar aí.
Ele tem que mandar a confirmação, então vocês voltam pra casa. Vocês entenderam
isso, né?
Um áudio.
Um áudio, ele falou que já vale um áudio. Não pode voltar pra casa sem
alguma confirmação.
Desculpa. Alô?
Alô, Arthur?
Olha, é tanta coisa pra te agradecer, mas o que você tá fazendo pra gente... A
gente não vai esquecer nunca. Mas não vai esquecer mesmo, não tem como. Um
abraço, pode ser um abraço?
Pelo amor de Deus, faz favor. Um abraço no meu tempo, tá?
Obrigado. Um beijo, eu quero também.
Ah, o filho... Obrigada, meu filho. Deixa um abraço meu pra Adriana também,
porque eu tenho uma audiência. Tá bem, tá bem. Coisa séria, senão eu ficava aí
com vocês.
Não, não vai, vai. Não, vai lá, vai lá. E liga pra mim, para de bobeira aí,
vocês ficam de bobeira aí. Não, precisou de qualquer coisa, liga pra mim, tem meu
telefone. Obrigado, Beto.
Obrigado, obrigado, Beto. Tô indo.
Obrigado. Liga pra mim que já já eu tô aí. Só tem que agradecer. Obrigado.
Que menino, né? Mas tinha que perguntar, né? Tinha que perguntar. Obrigada.
O dever da gente é perguntar. O Arthur tá vindo pra cá.
Como é?
Pra cá? Sim, vô. Você acredita que ele quer falar com o delegado pessoalmente?
Ai, Deus seja louvado. Ai, meu Deus.
Carlos, faz tanta falta, né?
Nossa, muito. Faz muito. Meu Deus.
Ainda bem que tem gente boa pra ajudar a gente.
Epa.
Amém. Vou agradecer.
Cadê o Pedro?
Ele teve que ir, mas deixou um abraço pra você. Ah, que bom.
Tá cheio de compromisso. Agora, garoto de ouro esse, hein? É mesmo, demais. Se
não fosse ele, que sorte a nossa. Eu quero, amor.
É.
Oi, amor.
Perdi na rua?
É, até ali por acaso.
Eu tava no shopping.
A essa hora você tava no shopping?
Uhum, eu fui ver o mobilizador pra dar.
Nossa, já tô velha, tô com medo dela ter outra crise de bronquite.
Entendi.
Deixa eu só ver.
Aí, você precisa assim, com esse decote?
Com essa boca brilhando assim, não, né? Meu batom? É? Você achou grande esse
decote?
Hein? Complicado, olha, com meu batom.
Vamos pra casa, não?
Não, tchau.
Obrigada, Kiko, meu braço.
Você bebeu, né?
Esse é o trabalho de beber hoje.
Não, não comece. Eu não posso tomar uma cerveja? Você já tá dizendo que eu bebi?
Cadê a Daphne?
Você saiu e deixou ela onde?
Ela está na aula de reforço.
Você esqueceu. Não, eu esqueci. Claro que você esqueceu.
Vamos nessa, vamos?
Vamos.
Um beijo, a gente cansa a boca.
Ô mãe, sabia que eu estou conseguindo resolver essas continhas?
É mesmo?
Dona Dulce tá me ensinando uns truques ótimos. Ah, mas que ótimo, meu amor.
Isso tudo é questão de treino. Daqui a pouco você tá fera em matemática.
Aí você já tá exagerando. Sempre foi ruim em números.
Meu pai me zoa quando eu vou pegar troco das coisas.
Diz que eu sou uma voada. Que isso?
Eu já falei pra você não ligar pras brincadeiras do seu pai.
Você é uma menina muito inteligente.
Vai muito longe na vida.
Você acha?
Tenho certeza.
Agora vai, vai tomar banho que já já eu vou servir jantar, tá?
Eu duvido você adivinhar o que é que eu fiz hoje.
Franguinho com quiabo. Isso, acertou. Vai. Vai,
que eu sei que você gosta.
Muito bem.
Escapando no meio do expediente, né? Eu vou ter que descontar, tá bom? Do seu
dia de serviço. Quem vai descontar nada? Parece graça de nada. Eu, hein?
Eu saí pra fazer uma boa ação, minha filha.
Fui falar com o patrão.
Logo, estava de serviço. Falar com ele o quê?
Você não vai acreditar no que fizeram com a família da Adriana. O que fizeram?
Chamaram a polícia pra dizer que eles tinham invadido a casa que o doutor
Arthur ofereceu pra eles morarem. Você contou isso pra ele? Ué?
Contei, por quê? Devia ter contado, Rosa.
Ué, mas por que não?
Nossa,
a cara que o delegado fez quando o senhor falou que era pra ele ir lá, pra
ele ir bandido, ao invés de ficar incomodando gente de bem. Foi invagável,
doutor Arthur.
Fiquei com medo deles prenderem o senhor por desacato.
Só falei a verdade.
Mas, gente, tiraram vocês da casa onde vocês são meus hóspedes.
Aliás, eu queria...
Pedir desculpas.
Imagina, o senhor não tem culpa de nada.
Deve ter sido alguém da vizinhança, sabe? A casa fechada há tantos anos.
Viram o movimento e aí ficaram preocupados, só isso.
Eu tô aqui pensando que... Eu acho que eu sei quem pode ter sido.
A sua irmã?
Você acha que a sua irmã seria capaz de fazer uma coisa dessas?
Ela quer me infernizar.
Machucando vocês, ela sabe que me atinge.
A gente tá sendo um problema pro senhor.
Dona Elisa, por favor.
Vocês são as primeiras pessoas agradáveis com quem eu convivo em muito
tempo. Vou começar pelo Adriano.
Desculpa, doutor Arthur.
Me desculpa, não estou aqui fazendo uma sala para o senhor, dando atenção para o
senhor, mas é que...
Eu tive que chegar e tomar uma chuveirada, porque hoje é meu primeiro
dia de trabalho. Eu não podia chegar lá com aquele cheiro de delegacia, né?
Eu pensei que já era aposentado. Não, sou aposentado, mas é que só de
aposentadoria não dá, né, doutor? Olha aí, olha eu aqui devendo favor pro
senhor. Ah, favor nenhum.
Vocês já são meus amigos.
Filha, tem que ir embora. Ó, então você viu que eu fiz um lanche pro senhor.
Não, tudo certinho. Muito obrigado.
Deus te abençoe. Deus te abençoe. Fique em paz.
O senhor não repara, não, mas vamos à luta. Fique à vontade. Dá licença.
É bonito ver uma família assim que se apoia.
Aqui a gente é unido mesmo. É um pelo outro de verdade.
Ô, mãeê!
Tô com fome. Acho que eu vou fazer alguma coisa pra comer. Vocês querem? Tô
com fome, filho. Eu fiz uma sopa. Eu já vou servir.
Doutor Arthur, o senhor come com a gente? Não, não. Pelo amor de Deus, mãe.
Não. O doutor Arthur come um outro tipo de comida diferenciada lá, que é um
cardápio diferente.
Cada dia a Rosa faz pra ele umas coisas. Mas a sopa da mamãe é boa. Eu sei, mas é
que é melhor eu chamar o Edivaldo. E aí, acho que ele leva o senhor pra cá. O
senhor fica à vontade. Come lá.
Depois eu ligo pra ele, porque eu vou querer tomar essa sopa que deve ser
deliciosa. É mesmo?
Ah, beleza, tá isso aqui.
Sem emprego, rapaz. Caiu do céu, viu, Né?
Tô vendo que agora com esse extra vou poder ajudar mais na despesa lá de casa.
E se Deus quiser, logo, logo vou poder pagar um aluguel e sair desse negócio de
casa de favor.
Pelo jeito, esse patrão da sua neta, ele é gente boa, viu? Isso que ele tá
fazendo pra vocês, de emprestar a casa pra vocês morarem, isso não existe, não.
Mas é bom ficar sempre aqui, ó, pé atrás.
Não, vai para mim.
Não sei, não sei.
Será que isso é bondade mesmo?
Ou será que esse cidadão aí está querendo mais alguma coisa?
Olha, dona Elza, veio para o turno da noite também?
Não, nem me lembro dessa época. Foi-se o tempo que eu varava aí à madrugada
vendendo flor.
Eu vim para cumprimentar o Daniel.
Eu aproveito então para agradecer essa oportunidade que a senhora está me
dando. Viu, Dona Elza? Muito obrigado mesmo, porque na minha idade passou
dessa... Ninguém mais quer dar emprego, não. Eu só aceitei porque
era você.
E para com isso de dona.
A gente se conhece há tanto tempo.
Bom, está certo.
Elza. Tá bom.
Ótimo. Eu quero aproveitar e te mostrar uma coisinha.
Oi,
Pitux, tudo bem? Tô com saudade de você.
Você não tá me atendendo? Não sei se sua mãe tá enferma, não sei, mas tô com
saudade. Saudade de você engatinhando na minha sala.
Me liga, tá?
É um saco isso. Quando ela se estressa, a pele dela responde na hora.
Marca ela pra amanhã. A agenda tá vazia por enquanto.
Não vai tá.
Preciso desligar. Tchau.
Você sabe por que o Pituxi desmarcou as consultas que ele tinha com você?
Como é que você sabe disso?
Como é que você sabe disso?
Fiquei sabendo.
Ficou sabendo? É. Pega meu tênis, por favor.
Então fica sabendo também que ele desmarcou.
pra não te encontrar por acaso no meu consultório. Sim, mas ele desmarcou
todas as consultas que ele tinha com você, porque ele tem um tratamento que é
contínuo, né?
Ou ele tá indo agora em outro dermatologista? Não vou falar, não vou
falar do pituxo com você, porque eu sei o que você andou aprontando.
Ah, então ele falou de mim pra você.
Fala, o que ele falou? Sabe o que ele falou? Me conta. Ele falou... Falou do
meu corpo? Não, pra você crescer. Ai, Rafa. E parar de perseguir as namoradas.
Eu? É a minha chave, você viu? Eu nunca persegui as namoradas em toda a minha
vida. Eu tenho pavor disso.
Ah, não. Ele que me persegue.
Ele é louco por mim, Rafa. Ele é obsessivo. Ele fica mandando mensagem.
Andréa chegou? Rafa.
Oi, meu amor.
Oi, amor. Como você tá? Tudo bem. Como que a gente tá? Oi, Cunha.
Como você tá, meu amor?
Ai, peraí. Deixa eu me direitar rapidinho.
Você é muito...
Amor, tá tudo bem com vocês dois? Um de sempre. Brigitte levou um pé na bunda e
tá aí perseguindo a ex-namorada.
Você continua com essa mania de perseguir a ex-namorada?
Andrea, fica na tuinha, tá?
Não se mete comigo, não. E aí, vamos?
Vamos. Sabe quem podia ir com a gente? A Brigitte podia ir com a gente. Vamos, a
gente vai se divertir. Não quero.
Vamos com sua irmã. Não quero fazer nada disso, eu quero ficar aqui.
Desapega!
Desapega desse macho! Eu não tô apegada a macho nenhum.
Tá bom, vamos.
Peraí, olha só.
Calma. Você falou agora como se eu tivesse a pegada. Eu não gosto de que
vocês me tratem assim.
Viu? Olha o que eu derrupei nessa página.
Gente, a irmã de vocês precisa ser tratada. Isso não é vida. Eu já falei
isso pra ela um milhão de vezes, mas ela não me escuta.
Mano, ela encheu a casa do Pituxi de glitter.
É o quê?
Isso é genial e horrível ao mesmo tempo. Coitado, o Pituxi tá com glitter aqui na
alma. Não tem mais, ela ainda colocou uma câmera escondida só pra ver o
desespero dele.
Eu tô rindo, mas assim, não pode, né?
Tudo muito absurdo, mas ela não para.
Ela fica obcecada nos caras. Parece que ela é viciada no pituxo. Não, ela não é
viciada no pituxo.
Ela é viciada no caos. Isso sim.
Pituxo, que delícia você assim.
É um lindo tão gostoso.
Já passei tão xantilinho em você, lembra?
Nossa, olha só. As costas dele brilhando. Eu sou muito genial mesmo. Eu
sou muito acima da média.
Não, não, não.
Ele achou a câmera.
Não vai ficar assim não.
Não vai mesmo.
Oi? Brigitte, você instalou uma câmera na minha casa por acaso? Boa noite pra
você também.
Cadê a educação? O que você falou que eu fiz?
Você para de ser cínica, tá? Cara, você tá muito louca, bicho.
Você se acha demais, né?
Você acha mesmo que eu tenho tempo pra ficar estalando câmera escondida na casa
dos outros?
Para de blá-blá-blá, tá? Eu sei que você faz isso com seus ex-namorados. Eu sei.
Eu sei que você... Brigitte, você persegue, você inferniza, você não
desgruda. Eu conversei com outro cara que você namorou, Brigitte. Quem falou
isso pra você?
Quem falou isso? Me fala.
Eu quero nomes.
Brigitte, não interessa, tá?
Você tá avisada. Você fica longe de mim. Você fica longe de mim porque o que você
tá fazendo tem nome. É crime.
Se você fizer mais uma gracinha dessa, eu vou dar parte na polícia. E eu vou
procurar pra ver se tem outra câmera. Tchau.
Droga!
Você não faz ideia do que eu sou capaz de fazer.
Com licença, doutor Arthur.
Seu chazinho preferido.
Camomila com capim-limão.
Está na hora do chá.
Espero que o senhor goste.
Hoje eu estive com a família da Adriana.
Fiquei muito feliz.
Sim. De ver a paz e a união entre eles.
Coisa que eu não tenho com a minha família.
Com licença.
Um bando de abutres cercando a carcaça.
Você acredita que alguém fez uma denúncia de que eles estavam invadindo a
minha casa?
Foram parar na delegacia.
O pior é que eu acho que eu sei quem fez isso.
Quem?
A Pilar.
Será, doutor Arthur?
Infelizmente, eu não tenho como provar.
Deixa eu ir dormir, porque amanhã...
Eu tenho que me apresentar diante de um juiz para provar que eu sou um homem
são.
Um homem de posse de todas as suas capacidades.
E tudo isso também por causa da Pilar.
Minha própria irmã querendo me interditar.
Tá romântico hoje, hein, meu amigo?
É.
Antônio, eu vou ali no carro pegar mais umas flores.
Segura aí que eu não demoro, tá? Pode deixar que eu cuido dele aqui, sem
nenhum problema. É, minha linda, vai.
É linda essa música
Boa noite
Boa noite
Do fundo do meu coração, eu quero muito estar errada por ter duvidado da sua
sanidade mental.
Você está errada.
Eu vou provar e eu vou esfregar esse laudo na sua casa. Se o juiz disser que
você está bem, eu vou ficar tão tranquila.
Incompetente. Isso não fica assim.
Estamos de olho em você e na sua família.
Se fosse questão de visão diferente, era questão de alinhar a visão e a gente
seguir em frente. Eu estou falando de... O meu pai.
Me obrigava a atender os clientes que eu odiava atender.
A Pilar colocou um tranquilizante no meu suco pra eu ficar grogue na audiência. E
como se não bastasse isso, ainda atacou a família da minha fisioterapeuta. Eu
fui contra ela fazer isso, ainda mais envolvendo polícia.
Eu tive um casal que me ajudou muito e veio e me abraçou. Falou comigo, sai pra
trabalhar, eu vou ajudar você a cuidar da sua filha.
Meu nome é Dacrail, moro na cidade de Itaperu. Eu tenho duas filhas, eu sou
mãe solteira, vivi com o pai delas até uma com sete, outra com oito anos.
A gente se separou por conta de violência doméstica. Aí ele foi embora e
eu tive que cuidar delas sozinha. E eu sempre correndo atrás, trabalhando
muito, sempre falando com elas, olha, pra gente mudar a nossa realidade de
vida, vocês vão ter que estudar. A Mais Nova fez.
A mais velha fez o Enem, passou.
Hoje ela é uma médica. Quem ama cuida, quem ama realiza sonhos.
Lá vem o sol Para derreter as
nuvens negras Para iluminar o fim do túnel E a luz do céu
Para inspirar os seus desejos, para fazer você encher o peito e cantar.
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