Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
O certo é a pessoa trabalhar antes e receber depois.
Eu não vou te dar salário adiantado.
Eu não pediria se não fosse muito importante.
Você não gostou de trabalhar aqui, é isso?
Apesar de eu ter tratado você melhor do que as anteriores, você quer me ver
pelas costas. E todo aquele cuidado na sessão de hoje cedo foi tudo fingimento.
Claro que não. Eu gostei muito do nosso trabalho juntos.
Eu quero continuar te ajudando trabalhando aqui, mas eu preciso do meu
salário adiantado.
A minha família me trai. Eu não tenho condições de confiar em ninguém.
Pra que você precisa do salário adiantado?
Eu só posso dizer que é um caso de extrema necessidade.
A resposta é não.
Você está sendo muito egoísta.
E você está sendo petulante. Vai para o seu quarto. Eu não posso ir para o meu
quarto. Eu tenho que ir embora. Eu tenho que voltar amanhã para trabalhar, doutor
Arthur. Eu só poderia trabalhar aqui e dormir aqui direto se eu conseguisse
esse adiantamento do salário. Então vá e não volte.
Eu venho todos os dias. Eu vou vir sem atraso. Eu vou ser uma funcionária
exemplar, eu prometo.
Essa casa aqui funciona segundo as minhas regras, não as suas.
Então pá, agora chega, tá? Você já me decepcionou no primeiro dia.
Com licença, doutor Arturo, seu afiliado tá aí.
Pede pra ele esperar, Edvaldo. E paga a diária da Adriana, ela tá demitida.
Demitida? Por quê?
Porque esse homem tá doente, Edvaldo.
E é de alma.
Ele não acredita mais nas pessoas e eu tenho muita pena dele.
Ele me demitiu, Rosa. Como assim? Ele me demitiu. Ele torceu tudo que eu falei e
me mandou embora.
Ai, meu Deus. E a ideia do adiantamento foi minha. Eu vou falar com ele. Não,
não vai falar não, minha amiga. Não vai falar não, que ele vai te mandar embora.
Porque esse homem aí, ele acha que o mundo inteiro quer explorar ele. Vou
pegar minhas coisas e vou embora daqui.
Não, mas peraí, Adriana.
Calma. Vai devagar. Eu pensei que essa aí ia durar um pouquinho mais.
Você gosta que elas não durem, né?
Quer que o doutor Arthur dependa só de você, que eu sei.
Tio Di, por favor, mais ação, menos opinião.
Aquele cantinho ali está imundo, vai lá. É a novela, a novela, nossa.
Será que aconteceu na novela? Ponto sensível, né, Edna? É, eu sou mesmo.
Está quase acabando lá.
Alô.
Fala, meu pai.
Tudo bem? Tudo ótimo, e vocês?
Me ajuda aqui, Edivaldo.
Deixa que eu te ajudo.
Isso, obrigado.
Isso.
Com licença.
Senhor, desculpa ter vindo sem avisar. Sabia nem que você podia me receber.
Não, fez bem ter vindo. Acabei de demitir uma funcionária, um
aborrecimento. É bom te ver, é bom te ver.
Você é uma das poucas pessoas que ainda me restam, meu afilhado.
Pois é, padrinho. Eu vim porque eu soube do que aconteceu. O que a Pilar fez com
você.
Pilar sempre foi interesseira, desde criança.
E piorou quando eu acumulei a minha fortuna.
Agora ela tá jogando sujo com essa ideia de que eu não tenho capacidade pra me
manter sozinho.
Vou falar uma coisa pro senhor.
Pode contar comigo, viu?
Porque você precisa sempre.
Toda família tem as suas desavenças, não é?
Essa história de você não advogar mais no escritório do seu pai. Isso aí não é
uma condição.
Depois eu te conto o que aconteceu, mas não tem como.
A gente tenta, mas não tem os mesmos valores.
Quer um pouquinho de chazinho?
Você é jovem ainda.
Você vai ver que com o tempo...
Os valores mudam.
Pode ser que mudem alguns valores, mas tem outros que são inegociáveis.
Pelo menos pra mim.
Por isso que eu tenho orgulho de você.
Parabéns, meu filhado.
Meu Deus, minha filha, calma. Toma aqui um pouquinho d'água.
Eu vou aceitar, mas eu também já tenho que sair correndo.
Esse homem é tudo que você me alertou que ele era.
Obrigada, tá? De qualquer jeito. Sai com Deus, meu amor.
Puxa. Ó, melhor sorte aí no próximo emprego, tá? Tá.
Obrigada, Tilde.
É incrível, porque eu quase achei que eu ia conseguir me dar bem com o doutor
Arthur. Doutor Arthur não se dá bem com qualquer uma.
Não.
Vem, Adriana, eu te acompanho. O doutor Arthur tá com a filhada dele, vem. O
quê? Na sala? Sai pela sala? Não, deu-me livre. Pelo amor de Deus, olhar de novo
na cara daquele doutor Arthur.
Faço questão de sair aqui pelos fundos. Obrigada, Edivaldo.
Adriana! Adriana!
Adriana!
Adriana!
Que entre a piedra, a terra e o céu, junto ao meu solo.
Isso, daqui, daqui, daqui, filha.
Pronto. E você, na situação como a gente está, cá para nós, você podia ter
engolido esse orgulho, ter ficado com esse emprego, mora dessa e já está
acordando. Um colchão confortável, diferente de tudo isso e melhor.
No fim do mês, você já está recebendo ali o seu salário.
É mole essa, mãe. Ele me falando que eu tenho que engolir o orgulho. Se for o
senhor mesmo que ensinou, ninguém pode humilhar a gente.
Isso aí, logo você, que é o mais marrento. Eu sou. Eu não ia aguentar.
Riquinho, falando poucas e boas. Vai, filha, vai servindo. Bom dia, bom dia.
Só porque tá me pagando, eu vou ter que aguentar. E você acha que eu ia aguentar
ficar dormindo numa camona lá, numa mansão com vocês aqui? Ou tá todo bom
dia? Tudo bom?
Ou tá todo mundo bem ou não tem paz, não.
Mas, ó, é bem o que eu queria, tá? Tá numa cama, agora bem confortável, com os
lençóis sedosos, assim, ó.
Ai, que delícia. Moritz, Moritz, Moritz.
Fala direito.
Fala direito.
E baixa essas asas.
Edivaldo, você me serviu tinta no lugar do café?
Ué, será que a Rosa errou na mão?
Acho que ela tá muito triste por causa da demissão da Adriana.
Resolveu me castigar com esse café horroroso? É que ela é muito amiga da
família da Adriana, doutor Arthur.
Hein, Rosa, Rosa?
Daí eu peguei e falei assim, não quero saber. E outra, não me procure mais, que
eu não tô aqui de palhaço pra servir pra...
Eita, o doutor Arthur tá vindo.
Doutor Arthur, por aqui.
Tá tudo bem? Tá precisando de alguma coisa? Quer alguma comidinha? Tá
faltando alguma ajuda?
O que é que houve, doutor Arthur?
O senhor nunca vem aqui na cozinha? Obrigada, tia.
Aconteceu alguma coisa? Alguma coisa errada com o café?
Sim. Mas não foi por isso que eu vim aqui falar com você, Rosa.
Foi o quê?
Como foi você que indicou a Adriana para trabalhar aqui em casa, talvez você
saiba me responder se ela ia pegar o dinheiro do adiantamento e fugir como eu
imaginei. Você não está sabendo de nada. Abre aqui um pouquinho para ele sentar.
Senta aqui com a gente um pouquinho, que eu vou contar para o senhor. Senta,
cuidado. Senta devagar, pelo amor de Deus.
Café, um cafezinho?
Se for bom, eu quero. É, tá bom, tá bom. Doutor, o senhor não sabe a situação que
essa menina tá passando, não.
Ela não falou nada.
Porque ficou com medo do senhor não querer contratar.
Já que ela não tem nem mais casa pra morar.
Como é que é? É isso mesmo.
A Adriana e a família tão morando no abrigo.
Aquele abrigo de desabrigado da enchente.
Você tá dizendo que ela perdeu tudo?
Ela perdeu tudo.
Até a roupa que ela tava usando ontem. Foi a minha filha que emprestou.
E o marido? Ai, até o marido ela perdeu.
Carlos, coitado. Ele morreu tentando resgatar outras pessoas, né, gente?
Ela não tem mais nada. A única coisa que sobrou foi a família.
Bom dia.
Por favor, eu estou procurando uma moça chamada Adriana dos Santos.
Eu sou avô dela.
O que o senhor quer com a minha neta?
Quando você pensa que tá tudo errado e negativo e que ainda vai piorar,
piorar Pra todo mundo a vida é difícil, mas todos
fazem seu sacrifício pra melhorar, pra melhorar
Lá vem o sol
Para derreter as nuvens negras Para iluminar o fim do túnel E a luz
do céu Para inspirar os seus desejos Para fazer
você encher o peito e cantar
Onde está a Adriana?
Primeiro, o que o senhor quer com a minha neta?
Bom, eu sou o Arthur Brandão. Ih, agora não sei nem explicar. Já sei quem é o
senhor. Deu para entender perfeitamente. O senhor é aquele estúpido que demitiu
minha neta. O senhor vai com calma aí. Deixa, deixa, Edvaldo, deixa. Eu não
estou entendendo o que você está fazendo aqui.
Eu estou calmo.
Estou falando com calma. Bem, pai. Eu entendo.
Um momento desse, no meio dessa catástrofe, dessa tragédia que a gente
tá vivendo. Isso aqui é uma tragédia.
Aí vem, aparece. Tem duas razões pra aparecer.
Ou porque veio aqui pra tirar foto, pra dizer que se importa.
Ou então, porque errou de endereço. Não é não, meu irmão? Não, por favor. O
doutor Arthur veio com a melhor das... Cala a boca. Eu tô falando com você. Que
isso? Ele deve estar sabendo o que aconteceu com a Adriana lá em casa.
Claro que eu tô sabendo. Ela me contou tudo. A maneira gentil. Sentiu que o
senhor tratou ela, me contou tudo. Só que ninguém maltrata a minha neta. Fica
sabendo disso.
Ninguém. Velho, ranziza.
Você é um infeliz.
Vamos embora, doutor Arthur. O senhor não precisa ficar ouvindo esse tipo de
coisa. Já ouviu demais.
Ouviu, lei 10% do que merece.
Mexeu com a minha neta, mexeu comigo também.
Eu não vou sair daqui enquanto eu não falar com a Adriana. Edivaldo, procura
por ela. Ela deve estar por algum lugar aqui. Sim, senhor. A minha filha não
está aqui. Ela deu uma saída.
A senhora é a mãe da Adriana?
Sou. Muito prazer. Prazer.
Ao contrário do avô, a senhora podia me dizer se ela vai demorar?
Você não tem que dar informação coisa nenhuma.
Você nem sabe o que esse homem quer com a minha neta. Para, pai, para.
Para o quê?
Ela foi até a casa de uma amiga pegar uma roupa emprestada. Mas se o senhor
quiser, pode esperar aqui.
Muito obrigado.
Eu vou aguardar a Adriana.
É? Mas acho melhor fazer o que teu amigo falou aí. É melhor vocês dois irem
embora.
O que foi?
Nada, pai. Deixa.
Não, não pode ser assim. Você não sabe o que ele quer? Tá bom. Vai falando assim
com a olho?
Vamos ficar aqui, Paçoca. Vamos tomar conta desse povo aqui.
Minha mãe falou que não deu certo com o fisioterapeuta do doutor Arthur.
A amiga tava com esperança, sabia? Eu também tava, muita.
Queria muito que tivesse sido diferente.
Também não dava pra ficar passando pano, não, pras gozerias daquele senhor Arthur
lá. É, minha mãe fala que ele é muito difícil.
Muito difícil. Deixa eu fazer.
Fica aí. Ó, sua mãe deve ser uma santa trabalhando lá, tá?
Você não acha que tem volta, não?
Ah, não sei. Às vezes ele tava num dia difícil.
Não, que isso.
Porque ele quer que os funcionários dele durmam lá, de noite. Fiquem lá, assim,
né? Debaixo das asas dele.
Mas eu não posso dormir lá. Como é que eu vou dormir lá? Porque a minha família
tá lá no abrigo. Todo mundo vivendo aquela situação.
Aí eu fui pedir um adiantamento, achando que... Negou.
Não só isso.
Ele achou que eu fosse pegar o dinheiro e sumir no mundo.
Você tem ideia dessa fita? Que isso.
Um cara totalmente traumatizado.
Magoado com o mundo, achando que as pessoas só querem tirar tudo que é dele.
Ah, mas Adriana, pelo que minha mãe fala, é isso mesmo, tá? A família tá
toda em cima querendo pegar o que é dele, se aproveitar. Deus me livre, que
gente é essa?
E vem cá, lá no abrigo tá como?
Tá bem, tá tudo bem. Aliás, eu vim até aqui pra falar com você sobre isso
também. Tá tudo bem com o mamal?
Tá, tá tudo bem sim, pequenina.
Tá tudo certo com ele sim, filha. Não se preocupa não.
Tá bom.
É que aquelas roupas que você me emprestou para ir trabalhar, essa aqui é
sua também, ela é lindão.
Só que eu conheci uma mulher que ela estava indo também para uma entrevista
de emprego e ela estava sem roupa. Aí eu dei uma calça jeans e uma camiseta, né?
E aí, depois eu conheci uma outra pessoa que estava indo para um batizado e não
tinha a roupa para usar. Juro, juro. Aí eu não consegui, eu dei aquela outra
roupa que eu tinha também.
Você está sempre ajudando os outros, imagina.
Eu queria saber se você pode me emprestar uma outra roupa, minha amiga.
A sua sorte, Adriana, é que você tem uma amiga que veste muito parecido com você,
tá? Fica tranquila. A sorte é que eu tenho a melhor amiga do mundo.
Bora, obrigada. Muito obrigada. Imagina.
E desculpa.
Eu vou devolver tudo, eu prometo. Aliás, eu vou fazer melhor.
Assim que eu tiver algum dinheiro, eu vou comprar roupa nova pra você.
Para de maluquice. Tô falando sério. Não precisa disso, não. Se você quiser, eu
posso emprestar umas roupas pra você também.
Ai, meu... Meu Deus, eu vou querer roupa dessa boneca.
E esse aqui?
Quem é? Oi, Adriana. Oi, Tom.
Que linda, tá com uma roupinha linda. Deixa eu te perguntar, você vai ficar
emprestando agora as suas coisas, é isso?
A gente dá um duro danado pra comprar, aí você vai emprestar?
Muito linda essa boneca.
Dora!
Desculpa, amiga.
Não achava a bolsa pra casar com o Luke, aí eu troquei o Luke todo.
Nossa, que animação.
O que foi?
Eu desisti de ir no dermatologista. Você desistiu do dermatologista?
Eu vou marcar um psicólogo pra você. Levanta daí agora.
Anda. Vem, vamos beber alguma coisa. Vem, Dora. Eu tô chateada.
Tá chateada com o quê? Então vamos beber. Vem.
Bom, talvez isso melhore meu astral, né? Por que que tá chateada?
Sabe o sobrinho do Ademir, o André? Aquele que mora na Itália? Ah, sim. Tá
vindo pro Brasil, é. Só que ele vai morar aqui, na nossa casa.
Aqui? Aqui.
Imagina! Não, desde que o Pedro saiu de casa, somos só nós dois, eu e o Ademir.
Aí vai chegar esse menino que eu nem conheço pessoalmente.
Imagina. Vai chegar uma outra pessoa, assim, sabe? Um outro homem.
Vai tirar a privacidade do casal, né? Sim, até porque é isso. Ele já deve
estar um homem, né? Pois é.
Olha essa história. Vai me envelhecer uns 20 anos.
Porque eu não vou deixar a dermatologista já.
Agora, olha só.
Se você quer convencer o Ademir a esse rapaz não morar aqui com vocês, você
precisa estar mais linda do que nunca.
Se é que se é possível, né?
A sua pele tá perfeita, Fábio. Dona Dorgina. Tô
falando sério. E cuidando da alimentação e bebendo bastante água, como você faz,
o meu trabalho é quase nenhum.
Modesto você, Rafinha. Você sabe que você faz milagre.
Merecia uma clínica só sua, né? Não esse consultório aqui.
É, eu já tentei convencer o Tiora Tu mais de mil vezes a investir em mim,
mas... Impossível agora, né? Com a sua mãe brigando com ele, né? É.
É churrível ver a família dividida assim, sabe?
O Uli fica muito mal.
Eu falei pra ele não se envolver. Pois é, eu também não quero tomar partido. É
a melhor coisa.
É, a gente se vê. Dora!
Podemos? Tá tão quietinha hoje.
É. Ah, se você tiver uma injeção de ânimo, ela tá precisando. Ah, Fábia.
Quem disse que eu faço preenchimento?
É claro que não. A gente vem aqui só pelo cappuccino, que, aliás, é
maravilhoso. Vamos? Vou pedir um para você, tá? Por favor, dê uma xícara. Não,
meu bem.
Eu só não entendi por que essa padaria, com tantos por aí.
Ah, porque aqui tem um doce de leite que é muito bom. É um sonho de doce de
leite. Ah, tá. Eu te conheço. Fala logo, o que você está plantando?
Ele vem aqui às vezes. Ele quem? Teu ex?
É o Pituxo. Ah, não. Não é possível que você ainda queira encontrar esse cara.
Acidentalmente.
Rir. O quê? Rir pra mim. Rir?
Então, realmente, teve uma série de questões.
Não estou acreditando.
Você está rindo do que fez na minha casa, não está?
Desculpa, você está falando comigo?
Cara, eu tô até agora lotado de glitter no corpo inteiro. Como é que tu faz um
negócio desse comigo?
Eu podia ter feito o que eu quisesse com você, cara, porque você terminou comigo.
Eu devia te processar.
Processa que não tem medo de processo!
Você é louca. Não me chama de louca, moleque! Basta, cara! Você que tá
falando muito mais baixo do que eu tô normal na padaria!
Esquece. Cara, o que você fez comigo, você não tem nenhuma responsabilidade
afetiva! Você gosta de mim? Me esquece. Fala pra mim, você gosta de mim ainda?
Me esquece! Me diz se você gosta de mim!
Ó!
Cuidado, tá?
Quando você for tentar tirar o glitter que eu espalhei na sua casa, Vai grudar
ainda mais.
Desaparece da minha vida.
Eu tinha pensado em fazer outra coisa. Eu tinha pensado em fazer outra coisa.
Meu amor.
Audiência marcada.
Ótimo. Qual dia?
15 de junho.
Ok.
Muito obrigado. Tchau, tchau.
Pedro, data e hora da audiência daquela senhora que pediu revisão da pensão.
Pedro? O Pedro?
O que?
O que foi?
Ah, é. A data e hora daquela senhora. Eu ouvi o que você falou. O que foi? Você
tá pensando na dona da pulseira, é isso? Não, Clebinho. Tô pensando que eu tenho
que devolver a pulseira. Que ela deve estar sentindo falta. Ela deve estar
sentindo falta.
Eu acho que você que tá sentindo falta dela, né? Ah, Clebinho. Ah, Clebinho.
Tem café ainda?
Tem. Quer um cafezinho, lindo? Eu quero, né? Por favor.
Não parece, cara. A Adriana tá refazendo a vida dela.
Essa mulher passou por um negócio que eu nunca vi ninguém passar, não. Imagina
você perder a pessoa que você mais ama na sua vida do jeito mais trágico que
você pode imaginar. Eu vi, cara. O momento que ela reconheceu o corpo do
marido dela foi das cenas mais... Foi das coisas mais tristes que eu já vi na
minha vida, Clebinho.
Sei.
É inegável que ela não sai da sua cabeça, né, Pedro?
Sabe o que não sai da minha cabeça?
O fato de que eu vou ser papai. Vai ser papai.
Isso não sai da minha cabeça, porque já já tem um molequinho, uma molequinha
correndo por aqui. Já, já. Cara... Passa muito devagar, né?
Por mim, essa criança nasceu amanhã.
Tô vendo que você tá curtindo aí que você vai ser pai.
Mas não tô vendo mesmo entusiasmo pela mãe.
Foi que você tá pensando menos na Bruna e pensando mais em quem você acabou de
conhecer. Não, isso não é verdade, Clebinho.
Não é que eu não tô pensando na Bruna.
Você sabe melhor do que ninguém que eu não sei exatamente o que eu sinto pela
Bruna.
Mas eu tenho que amar... Ela é mãe do meu filho, cara, entendeu?
E eu tenho que fazer ela feliz.
Você fica falando toda hora de Adriana, cara.
Eu nem tava pensando. Eu tava olhando a pulseira distraído ali, ouvindo o que
você tava falando.
Daqui a pouco a Bruna chega e ouve você falar. Não, vira essa boca pra lá.
Muito linda a sua boneca.
Boneca.
Eu não queria incomodar vocês de jeito nenhum. Eu só vim realmente aqui, sabe,
Tom? Porque eu tô muito precisada.
Imagina, imagina. Tom, o que custa emprestar uma roupa padriana?
Depois ela me devolve, o que é isso?
Não, é porque você fica linda. Você fica linda com essas roupas.
Aí você vai se desfazer delas.
Não, eu sei que você gosta de boazinha, mas... E como é que fica com a roupa dos
outros? A roupa dela, né?
Tom?
Deixa que eu resolvo aqui com a Adriana. Fica tranquilo.
Não devia nem ter vindo, Linice. Tô indo embora.
Amor, amor.
Eu tô cuidando de você.
Tchau, Rocinha.
Eu tenho umas roupas que nem uso mais. Pode ter criança precisando. Eita!
Agora ficou enxerida, foi?
O que o papai ensinou?
Conversa de adulto e criança, não?
Se mete.
Caridade aqui, não.
Tom, eu vou embora agora antes que eu fale o que eu não devo.
O que foi? Não entendi.
Não entendi o que você falou. Eu falei que eu não vou falar mais nada, que o
assunto tá encerrado. Gente, por favor.
Não, mas... É um jeito de me virar. Amiga, por favor.
Desculpa, de verdade. Tá atrapalhando você.
Tá? Desculpa, viu, Tom?
Imagina. Obrigada.
Obrigada por tudo. Deixa eu dar um beijo nessa pequena linda. Dá licença.
Dá licença.
Tchau.
Tchau. Tchau.
Tia Adri te ama, tá?
Tá bom. Não, para.
Por favor, desculpa.
Desculpa essa coisa do Tom, esse temperamento dele. Você já conhece.
Tchau.
Tom.
Precisava ter falado com a Adriana daquele jeito.
Ela saiu daqui completamente humilhada.
Você ficar me humilhando na frente da nossa filha, na frente dela, aí ela que
fica humilhada? Você não pensa em mim, não? Te humilhando?
Mamãe, o que é isso?
A Adriana tá passando por um momento difícil, Tom.
Cadê seu coração, sua solidariedade?
Pô, eu tô cuidando da gente. Eu tenho a maior preocupação com você.
Você fica tranquilo, tá?
É só por agora.
A Adriana logo logo vai conseguir um emprego. Ela vai tirar a família dela
daquele abrigo.
Só agora que ela tá precisando de ajuda.
Tá. Tá?
Adriana, dá licença.
Tá. Eu... Eu vou dar uma esparecida. Tá precisando.
Onde você vai?
Onde você vai, Tom? Ah, vou...
Não,
não, não, não. Tom, Tom.
Fica comigo aqui na Daphne hoje. Fica.
Pernice.
Da próxima vez, aí você pensa na gente.
Tá? Tá.
Eu notei que você ficou mexida com a história do André voltar ao Brasil e
morar com a gente.
É pressão sua.
Eu vi como você ficou animado com a ideia e eu só quero te ver feliz, meu
amor. Eu sei que você quer me ver feliz.
Mas daí, até gostar da novidade, tem uma distância.
Queria uma água, por favor.
Gelada ou sem gás?
Me fala, meu amor.
Se abre, que te preocupa.
Você criou seu sobrinho desde criança, desde que os pais morreram. Você tem
intimidade com ele.
O André morou fora durante anos. Eu nem o conheço pessoalmente.
Penso que a presença dele pode mudar a dinâmica da casa.
Eu tenho medo que a gente não se adapte.
Você está sendo precipitada. Preocupação à toa.
André, o cara é tão sensível, tão bacana, tão boa índole. Vocês vão se dar
bem. Eu garanto.
Eu só não quero que nada perturbe a nossa paz.
Isso não vai acontecer.
Vinho?
Que competência.
Você vai chamar esse gerente?
Como assim a minha reserva caiu? Não, não quero ver.
Não quero ver.
Você é nova aqui. Não é nova aqui?
Bem-vindo. Eu não quero nem ouvir tua voz. Não, não fala, porque eu não quero
ouvir a sua voz. Eu não tenho a menor paciência pra gente que tá começando.
Vai. Chama o gerente. Chama o gerente. Sobe da minha frente. Que coisa.
Roberto, o que está acontecendo, meu querido? Dona Pilar Brandão,
infelizmente a sua última conta foi estornada pelo cartão e ainda não
obtivemos o pagamento. Só pode nos frequentar depois que a dívida for
quitada.
Mas aqui, eu sou convidada da mesa daquele casal meu.
Você vai impedir a minha entrada?
Ai, gente, o que é o trânsito dessa cidade?
Tá um inferno isso. Tô até com a garganta seca.
Pega pra mim, Roberto, aquele espumante. Mas tá assim, menina, aquele espumante
que eu adoro.
Pilar, que coincidência.
Quer sentar pra almoçar com a gente?
Ah, sério?
Será, gente?
Ai, vocês estão aí num...
Num climinha tão gostoso de casal, mas eu não acredito muito em acaso, sabe?
É bom pra eu falar, porque eu tava aflita em conversar com você sobre a
situação lamentável do meu irmão.
Situação descabida que você o colocou, é isso que quer dizer?
Isso, Frederico. Vamos lá.
Generosidade é tudo na vida da pessoa.
Muito obrigada. Eu conheço todo mundo aqui. Eu podia ser prefeito desse lugar.
Posso te dar um conselho?
Retira.
Retira o quê? Esse processo.
Esse processo que você abriu com o seu irmão.
Ele está mais lúcido do que todos nós.
O Arthur é seu melhor amigo, Ademir. Então...
Eu acho que ele não te deu a oportunidade de ver o real estado de
saúde dele, né?
Físico e mental.
Olha, nós estivemos num evento há pouco tempo com o Arthur.
Ele tava tão inteirão, não foi? Cheio de vida.
Inclusive, ele tava fazendo planos pra expandir os negócios.
Coitadinho do meu irmão.
Coitadinho? Não, coitadinho, Bruno. Eu imagino o esforço que ele faz pra manter
as aparências, sabe? Enquanto que...
Na verdade, ele está tão fragilizado. Isso é coisa que você inventou para
controlar o patrimônio dele.
Por favor, você acha que você me engana?
Ademir, eu estudei o assunto.
Estudei sobre Alzheimer, demência.
Para, gente, para tudo.
É um homem enérgico, não tem
meias palavras.
É, isso pode soar um pouco grosseiro.
Eu me lembro quando o Arthur me conheceu, ele me achou muito nova pro
Ademir. Chegou até a me chamar de interesseira. Isso foi muito chato. Você
lembra? Olha aí, tá vendo? Essa agressividade aí que tá piorando. E
agora ele começou a gritar, sabe? Ele grita, grita.
Grita comigo.
Grita com os sobrinhos, com as sobrinhas ele tá gritando. Até com o Ulisses.
É uma briga de família.
Normal. Não.
Isso não é normal, não é mesmo. Os esquecimentos, sabe? Memória, lapsos,
lapsos, lapsos. Fora a mobilidade, né, gente?
Esses tombos que ele tá levando, sabe? A cada esquina um tombo, parece.
E esse último aí deixou sequelas. Você vai querer negar isso?
Com todo respeito, doutor Arthur, vamos embora.
Não vai fazer bem para o seu quadril ficar sentado aqui nesse desconforto.
Não enche, Divaldo.
E se a Adriana não voltar?
A gente vai ficar aqui à toa?
Uma hora ela vai ter que voltar.
Não é aqui que ela mora. Por que a gente não liga para ela, então?
O que eu tenho para falar para a Adriana tem que ser pessoalmente.
Tem sopinha?
Alguém quer uma sopinha?
Sopinha, por favor, o senhor deixa a gente passar? O senhor aceita uma
sopinha? Eu vou aceitar.
Quer, doutor Arthur? Não, obrigado. Não quer uma sopinha? Então tá.
Próximo, quem quer uma sopinha? Acho que eles estão achando que a gente também tá
abrigado. Sopa a gente.
Tá deliciosa, o senhor não quer provar? Prova, doutor Arthur.
Por favor.
Tá cordomble.
Ô, vão ficar aí de corpo mole?
Bora, vem aqui ajudar a dobrar essas roupas.
Eu?
Quanto mais gente ajudar, melhor.
Claro, vamos ajudar a dobrar as roupas. Não, doutor Arthur, não faz esse tipo de
trabalho. Você também vai ajudar.
Ah, eu vou ter que filmar isso.
Olha aqui, Rosa Dinar. Olha o que o doutor Arthur está fazendo.
Fecha essa matraca, Edivaldo.
E dobra essas roupas direito.
Isso está muito engraçado. Eu nunca vi o senhor dobrar um lenço na sua vida. Um
eu não vi.
Chá que é fruto?
Ah lá, pai.
Você falou tão mal do senhor Arthur. Olha ele lá ajudando na triagem das
roupas. Quem vê até acredita, mas ele não me engana, não.
Não é uma tarde de caridade que vai mudar um velho rico e prepotente.
Vai, deixa de ser implicante.
Se ele veio até aqui pra falar com a Adriana, só pode ser coisa boa. Ou não
ia se dar o trabalho, né?
Pra cima de mim, não.
Deixa eu te pegar aqui, amigo. Você quer?
Tá, vamos pegar aqui.
O Arthur nunca perdeu a razão na minha frente. Agora, quanto a autonomia pode
ser. A mobilidade cada vez pior.
Por quê?
Por que eu tô falando isso com você?
Eu sou o advogado do seu irmão pra defendê-lo de você.
É como uma amiga que eu tô te pedindo, sabe?
Presta atenção nele.
Sei lá, pede pra uns médicos fazerem uns exames. Vocês vão ver, gente, como eu tô
certa de querer cuidar dele. Interdita. É uma atitude bastante extrema.
Não.
Não é.
Não é. Do jeito que ele tá, Demir, eu...
O Arthur, ele é um alvo fácil pra gente oportunista.
Eu tô com medo.
Eu tô com medo que meu irmão seja vítima de um golpe.
Se a Pilar, que é a irmã, tá dizendo, é melhor investigar.
Bom, gente, eu acho que... Já fomos longe demais numa conversa que nem
deveria ter existido. É verdade. Então, ó, vamos...
Esparecer e pedir. Pedir que eu estou... Por favor.
Cozinha aqui, gente.
Oi,
tudo bom com a senhora? Já melhorou, hein?
Doutor Arthur.
Doutor Arthur.
Tudo bom, Edivaldo?
Como é que o senhor me encontrou aqui?
A Rosa me contou o que aconteceu, tudo pelo que você passou e não quis me
contar. Mas é lógico, eu tive medo do senhor não querer empregar uma pessoa
desabrigada que nem a roupa do corpo tinha para ir trabalhar, né?
Adriana, mil perdões. Eu sei que de vez em quando eu sou um pouco rude.
Um pouco?
O senhor disse um pouco.
Bastante. Mas eu tenho coração.
E... Ele está partido de ver as condições que você e a sua família
estão.
Doutor Arthur, eu agradeço as suas palavras, vocês vieram até aqui,
mas de verdade, a sua comoção, ela não me
adianta de nada.
O senhor pensou que eu estava mentindo ou não, o senhor veio até aqui.
O senhor tá vendo? Essa é a nossa situação, essa é a verdade, nossa
realidade. Eu tenho muito problema pra resolver, então o senhor me dá licença.
Não, não, Adriana, por favor. Eu preciso falar com você.
É que, sinceramente, eu não tenho nada pra falar com o senhor. Olha aqui, ó.
Eita. Minha neta. Não tem que aturar você, não. É melhor dar fora.
Não se mete, pai. Não se mete. A sua filha tem razão. Melhor o senhor não se
meter. O que é, rapaz? Agora eu tô entendendo pra quem você puxou.
Mas eu...
Eu preciso mesmo falar com você.
Em particular.
Por favor.
O senhor realmente não tinha nenhuma obrigação de adiantar meu salário.
Eu fui muito rude com você.
Foi, foi mesmo, muito.
A Rosa me contou que vocês perderam tudo por causa da chuva.
Que o seu marido morreu?
Sinto muito.
Mas por que você não me contou?
Eu não vou usar a tragédia que eu vivi pra convencer ninguém de nada.
E também porque é muito duro lembrar tudo que eu vivi.
Do dia pra noite eu não tenho mais teto.
Não só eu.
Minha mãe, meu avô, meu irmão.
Eu não tenho mais as lembranças, as fotografias, eu gostava tanto de
fotografia, não sobrou nem isso.
As minhas coisas, que eu lutei tanto para conseguir comprar.
Eu não tenho mais nada, nada, nada, nada, foi tudo destruído.
E o mais importante, o amor que a vida me presenteou,
meu marido.
Ele se foi.
A nossa casa não existe mais.
A chuva, senhor.
A força da água levou tudo.
Mas você não tem que se envergonhar de nada.
Você está sendo uma vítima das circunstâncias.
Eu não me envergonho de nada.
Que eu senti... O que eu tô sentindo é uma dor.
É uma dor na alma.
E sinceramente, se eu tivesse falado a verdade pro senhor naquele dia, eu
aposto que o senhor não ia acreditar em mim.
É o que as pessoas fazem.
E o senhor ia fazer como o senhor fez. Falar que eu tava tentando tirar
vantagem, ia me humilhar.
A minha intenção de jeito nenhum foi humilhar você.
Adriana, eu... Esse é um problema meu. Eu é que não confio em mais ninguém. Eu
vivo cercado de cobras venenosas do meu próprio sangue.
Mas eu não vim aqui pra fazer drama da minha vida. Eu vim aqui pra te fazer uma
proposta.
Eu sei que nós já não começamos muito bem.
Começar lá no parque...
Vamos zerar tudo isso?
Eu queria que você voltasse a trabalhar para mim.
Então, o que você me diz?
Aceita essa proposta?
Então, o doutor Arthur me convidou pra voltar a trabalhar pra ele. O quê?
E eu falei que ia conversar com vocês pra tomar essa decisão.
Você voltar a trabalhar pra esse homem até o dia que ele acordar de mau humor e
te maltratar de novo, te tratar mal, é isso?
Pai, deixa disso. Pai, se a Adriana tá considerando é porque eles conversaram,
se entenderam. Olha aqui, minha neta não vai aceitar desaforo teu não. Você tá
entendendo? Pai!
Pai, pai, pai, o quê?
Realmente eu sei a quem você puxou.
Filha, é você que decide, tá?
Eu aceito.
Mas tem uma condição.
Qual? Minha família é minha prioridade.
Eu não vou dormir no trabalho com eles dormindo aqui num abrigo improvisado.
Então eu vou trabalhar e volto pra cá todos os dias.
Mas eu acho que eu posso melhorar isso.
Como assim?
Eu tenho uma casa fechada. Ela foi dos meus pais, mas depois passou para mim
quando eu comprei a parte dos meus irmãos.
Vocês podem ir para lá e ficar o tempo que for necessário até vocês se
reaguerem.
Nossa, doutor, isso seria maravilhoso.
Quando a esmola é grande... Vai ser por pouco tempo. Assim que eu me
reorganizar, a gente vai encontrar um canto que seja só nosso.
Vocês ficam o tempo que for necessário.
Doutor Arthur, muito obrigada.
Eu vou retribuir a mão que o senhor está estendendo para mim e para minha
família.
O Ademir quer encontrar comigo no clínico geral?
Edivaldo, você vai comigo até o carro, mas depois você volta.
Vê o que a Adriana está precisando.
Resolve tudo, combina com ela. Claro.
Eu espero que vocês fiquem muito bem. Muito obrigada. Que Deus lhe dê em dobro
o que o senhor está fazendo.
Leva. Deixa eu pular.
Deixa, pode deixar.
Como assim o Pedro ficou com a pulseira de uma mulher?
Uma tal de Adriana, mamãe.
Eu sei porque o nome tá cravado naquela pulseirinha cafona dela.
Mas é uma desabrigada, né? Coitada.
Acho que o Pedro conheceu ela naquele mutirão que ele foi ser voluntário nas
últimas chuvas.
Nossa, que horror!
Ela tá morando num abrigo?
É, ela e a família toda.
Parece que eles perderam tudo. Nas últimas chuvas, casa, roupa, sapato,
tudo. Filha, essa história tá muito estranha. Essa mulher esteve na casa do
Pedro? Não.
Ele encontrou a pulseirinha no chão do cemitério.
Cemitério? Meu Deus, essa história tá ficando cada vez mais esquisita. Mamãe,
o Pedro foi no enterro do pai dessa tal Adriana. Daí ele acabou que ficou muito
próximo da família dela. Foi isso.
Ah, o marido dela morreu? Uhum.
Nossa, coitada, ela deve estar devastada.
Ai, mas eu não sei não. Ele fala dela de um jeito.
Bom, isso não importa, mamãe. O que importa é que ele quer ir comigo na
consulta com tal obstetra.
Eu não sei o que fazer.
É simples.
A gente tem que achar um obstetra que aceite dizer que você está grávida.
Não, doutora, você não entendeu.
É, mas é uma mentirinha de nada.
É só por pouco tempo. O momento é tão delicado e a Bruna está... Alô? O que
foi?
Alô? Gente!
Ela desligou na minha cara, que falta de educação.
Se sentiu ofendida.
Ai, mas é claro que é mamãe.
Ai, e agora?
Eu nunca mais vou ter cara de ir no consultório dela. Não fica assim, não
fica assim. A gente vai encontrar uma saída pra tudo dar-se um jeito, filha.
Não fica assim. Ó, ó, não franse a testa, não franse a testa, que isso faz
ruga. Pronto, já saiu, já saiu.
Pronto, tá linda, fica assim.
Tá aqui, ó, o obstetra que eu te falei.
Achou, Dorinha?
Achei. Obrigado, meu. Desculpa te atrapalhar. Foi um prazer.
Ele tem artigos publicados nas mais importantes revistas de medicina. Ele
fez o parto de algumas mulheres que eu conheço. É uma boa indicação. Dr. Paulo
Cardoso? Isso, isso. Que é o brabo, então. Então eu vou nele. Vou lá com a
Bruninha, vou marcar um horário.
Obrigado. E você? Eu o quê?
Eu o quê?
Como é que você tá aí? Eu tô... Com essa notícia de que você vai ser pai.
Pedro...
Ai, Dorinha, Dorinha, não sei. Olha pra mim, me fala, me fala de verdade.
Eu tô feliz.
Eu também, ó. Eu tô feliz.
Foi uma coisa que eu não esperava, falar bem a verdade pra você.
Mas eu sempre sonhei em ser pai.
Eu sei. Ah, vai chorar, Dorinha? Mas eu também tô assim. Se chorar, eu vou
chorar. Não, para, você não falou com seu pai ainda não, né?
Não, não falei.
Eu e meu pai, a gente não tá numa fase maravilhosa. Eu sei, eu sei. E seu
primo, você já contou pra ele?
Pra quem, pro André? Uhum.
Não, por quê? Não tenho falado muito com o André. Então você não está sabendo da
novidade? Que novidade? Você sabe de tudo e eu não sei de nada, né? Não, mas
eu achei que, sei lá, seu pai pudesse ter te contado. Não, não, não contou
nada. Fala comigo. O quê? Teu primo vai voltar para o Brasil e parece que é
definitivo. O André vai voltar? Sem vergonha, meu?
Que saudade dele, cara.
Ele devia estar fazendo... O que foi? Uma surpresa, né? Uma surpresa para mim.
E eu estraguei.
Ah, mas tudo bem. Você finge surpresa, então, quando você falar com ele? Eu
finjo. E você tem uma super novidade pra contar pra ele também? É, então. Eu tava
doido pra falar com ele.
Eu tenho que ir, porque eu tô cheio de... Ih, tenho que ir mesmo.
Cheio de coisa pra fazer.
Vai. Obrigado pelo obstetra aqui, que escreve artigo em revista e tudo.
De nada. Obrigado pelo cafezinho, tava maravilhoso.
Papai do pedaço. Eu tenho estragado a surpresa. Papai gato.
Ai, ai, ai, ai.
Abre pra mim pra eu voltar.
Claro, volta sempre. Minha boa drasta. Ai, adoro quando você me chama assim.
Beijo, beijo, beijo.
Tchau. Manda notícia. Tô feliz por você.
Também, também.
Arthur, querido, que bom rever você.
Café para os dois?
Eu achei desnecessário vir aqui, porque o Ademir me falou que você ia entregar o
laudo com as minhas condições clínicas gerais.
Bom, médico, eu tenho que ver o paciente para isso, né? Eu estive aqui o mês
passado, quer dizer, sei lá, um pouco mais, eu não lembro.
Foi há três meses, Arthur.
O tempo voa.
Pois é, mas na última consulta você não estava usando esse andador, não.
Ah, eu estava com uma bengala, mas é que eu me cansei bastante numa visita que eu
fiz para os amigos.
Eu achei mais cômodo vir com o andador.
Entendi. Há três meses, Arthur, você me falou que queria fazer uma coisa
importante. Lembra do que era?
Queria fazer uma viagem.
Quer dizer, se eu não estiver mais entrevado desse jeito... Daqui a pouco
você está recuperado, Arthur.
Em que bairro você mora mesmo, Arthur?
Há mais de 30 anos que eu estou aqui no jardim. Que pergunta é essa? Você sabe
disso? É, mas essa região mudou bastante, né? Você ainda lembra como era
na época em que chegou aqui?
Peraí.
Você está me testando, Pericles?
Eu só fiz uma pergunta. Agora quem quer saber sou eu. O que vocês combinaram?
Sem mentiras. Arthur, eu estou avaliando a sua memória.
Eu quero saber se eu encaminho você para uma avaliação mais minuciosa com um
neurologista ou se isso não é preciso.
Que palhaçada é essa? Me admira você, Ademir?
Você me disse que ia...
Que ia me trazer aqui pra pegar o laudo das minhas condições gerais e não ser
testado pelo médico? Fiquei preocupado com a tua saúde depois que encontrei a
Pilar, por acaso. E ela disse que você estava com um comportamento estranho.
Ah, claro, claro que a Pilar tinha que estar nessa. E você caiu direitinho na
conversinha dela. Eu não caí em conversinha nenhuma, eu só me preocupo
com a tua saúde. Você é um traidor.
Traidor, Ademir.
E você, doutor Pericles, que me conhece há tantos anos.
Eu só quero dizer que eu não desejo a ninguém esse tipo de traição que eu
estou sofrendo.
Passem bem.
Não age.
Não age. O que foi, doutor? Me tira daqui. Me tira daqui.
Ele me parece bem lúcido.
Arthur.
Você some daqui.
Eu não confio mais em você.
Confiando ou não confiando, você vai ter que me ouvir.
Se você achou que eu tinha um problema, por que você não falou comigo?
Precisava agir nas minhas costas. Pilar me convenceu que você precisava de
ajuda. E você vai atrás da minha irmã? A Pilar é uma víbora. Ela só pensa na
minha fortuna. Seus sobrinhos também. Eu andava falando que você estava meio
aéreo, irritadíssimo. Não, um bando de interesseiros. Minha família só pensa no
meu dinheiro.
Tá bem, eu... Eu errei de ter caído na conversa da Pilar. Me perdoa, meu amigo.
Podia aceitar golpe de qualquer um.
Menos de você, Ademir, que vai me defender na justiça.
A gente se conhece desde garoto.
Impossível aceitar.
Arthur, olha pra mim.
Em nome da nossa amizade, te peço perdão.
E nunca mais vou colocar tua sanidade em dúvida.
Perdoa, doutor Arthur.
Acontece.
Pedro.
Fala, meu amorzinho.
Tô fazendo alguns planos aqui.
Conta pra mim.
Tô separando referências de quarto, sala, cozinha.
Já pensando no apartamento que a gente vai morar, né?
Apartamento, né? Tá certo.
Pensar. Ué, você não acha que eu vou vir morar aqui?
Não, claro que não. Ainda mais com uma criança.
Pelo amor de Deus, né? Não, eu me viro aqui, nesse lugar. Aqui tá tudo certo.
Eu sei que você não gosta.
Mas você e o neném vão precisar de um apartamento de verdade, com privacidade,
patinho de mamãe. Vejo a hora da gente morar junto.
Eu também.
Eu marquei o obstetra que a Dora indicou pra gente, tá?
Mas já? Vou te passar o horário de... É, já, por quê?
É que vocês tinham que ter me perguntado, né, Pedro?
Ô, Bruninha, desculpa, é porque... Achei que a gente já tinha conversado. Tem
problema? Tem marcado? Qual que é?
Eu quero ir junto, né?
É por isso que eu tô vendo o horário. Não, eu vou sozinha.
Por quê?
Não, eu quero ir.
Não, não, não, eu quero ir. Você não vai me barrar desse momento. Eu quero viver
isso. Vamos juntos. Eu quero ouvir o coraçãozinho do neném.
Dizem que é a coisa mais emocionante que tem, né?
Deve ser. Eu quero estar lá com você.
E aí, Clepinho? Oi!
Tudo em cima, fio?
Tô atrapalhando o casalzinho aí, não? Não, mas você acha que você tá
atrapalhando? Você não atrapalha nunca. E aí, Bruna?
Tudo bem?
Certo, maravilha. Olha só, Pedro, eu peguei os documentos do pessoal. Ah,
ótimo. Tu abrigo, né? Esse aqui também eu imprimi pra você levar lá no fórum.
Troca de documentos. Vai ver a tua Adriana hoje?
Não sei.
Se ela estiver lá, eu vou ver. Aí eu aproveito e devolvo pro Cera.
Legal.
É, o que foi?
Tem alguém com ciúmes aí? Olha aí.
Até parece.
Olha pra mim, Kleber. Vamos lá comigo então, Bruninha.
Vamos lá comigo.
Desculpa.
É sério? É sério.
Você tá me convidando pra ir num lugar onde as pessoas não devem estar nem
tomando banho direito.
Nossa, é irrecusável.
Absurdo.
Vamos recomeçar.
Ali, ó. É por aqui, né? É, eu acho que essa parte ali é que vai ficar com a
gente. E aí, companheiro?
Tudo bem? Tudo certo? Isso aqui é nosso?
É isso tudo?
Graças a Deus. Eu te agradeço assim, ó. Vai devagar.
Solidariedade imensa.
Mas a gente tem que levar tudo isso mesmo?
Claro, é tudo que a gente tem pra recomeçar. Ainda bem que tem aqui os
voluntários trabalhando, gente doando, mantimento, roupa. Vamos lá, vamos pegar
isso aqui.
Esse vermelhinho é nosso também? Isso aqui eu peço, eu levo, eu levo. Será que
o caso do doutor Arthur tá vazio mesmo? Eu acho que tá fechado há muito tempo,
não deve ter nada lá, não.
Como é que a gente vai pegar o ônibus com isso tudo, gente? Você não sabe,
mãe. Consegui recolher lá uns caraminguá que tinha na minha conta e contratei um
frete pra levar nós. Frete aberto. Então vamos.
O doutor Arthur tá sendo muito legal com a gente. Obrigada por tudo, viu? Muito
obrigada, gente.
Vocês são demais.
Fico de bom com vocês. Obrigado.
Esse doutor Arthur, eu tô com o pé atrás, viu?
Desculpa, mas tô de olho nele.
Uma coisa de cada vez, Rô. Vamos lá. É para cá.
Você está fortalecendo demais.
Muito obrigada.
Está segura ali?
Obrigada, viu?
A partir de amanhã de manhã, a Adriana volta a trabalhar nessa casa. Ai, Deus,
seja louva.
Ufa! Era isso? Só? Não, que bom. Bom pra ela e pra gente, né? Que não é uma
demissão. Aconteceu uma coisa e eu acho que você precisa saber.
Na joleira com o meu irmão? Fala que me deixou... Não, o Edivaldo. O Edivaldo
foi até lá e pegou a chave da casa antiga de vocês.
Quem são vocês?
Estou fazendo o que aqui?
Você é uma aproveitadora. Está colando no velhote aí.
Eu vou te mostrar quem é o velhote.
Para, gente, para!
Ame, abrace, cuide. Vai que aquele abraço que você deu na manhã é o seu
último.
Meu nome é Edna, tenho 56 anos, tenho um casal de filhos e vem um netinho aí.
Eu sou vítima da tragédia que aconteceu em Ubar.
Se eu não estivesse sem Deus, não teria sobrevivido.
Porque do jeito que a gente foi lançada numa enxurrada com mais de 3 metros de
altura numa rua, como é que eu fui parar ali num poste?
Uma coisa que mudou muito na minha vida foi eu perceber que a gente não precisa
de muito para viver.
E sim, a gente precisa de pessoas.
Então assim, quem ama, não desiste.
E quem ama, cuida.
Vem o sol Para derreter as nuvens negras Para
iluminar o fim do planeta E a luz do céu
Para inspirar os seus desejos Para fazer você encher o
vento e cantar
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.