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Original subtitles

No capítulo anterior.

Não tem nem sinal deles.

Meu Deus do céu.

O que aconteceu, filha? O cara tentou salvar a mãe delas. O Carlos?

Eles foram os dois levados pela correnteza. Ai, meu Deus. Fala isso.

Mãe, você pirou?

Como é que você teve coragem de inventar pro Pedro que eu tô grávida? Você quer

manter o padrão de vida que você conquistou às minhas custas e que agora

não consegue manter sozinha porque eu suspendi a mesada.

Você quer interditar o meu tio?

Eu vou ser a curadora dele, viu? Dele e da fortuna dele. Parece que resgataram

alguns corpos.

Meu amor, obrigada por tanta felicidade.

O senhor está bem?

Fique agora com o capítulo de hoje.

O senhor está bem?

Estou ótimo, não está vendo?

Com licença, eu vou te ajudar. Consegue apanhar nesse cotovelo?

Perfeito. Bem-vindo aqui. Estou com o senhor. Isso.

Olha só, eu vi o ladrão pegando o seu celular.

É impressionante como eles não têm respeito nem por um homem como você.

Como eu? Você tá falando que eu sou inválido? Não, não foi isso que eu quis

dizer, não.

Dá licença, tá? Por favor, eu sei me virar sozinho. Me deixa, me deixa. Olha

só, o senhor vai ter que ir pro hospital e vai ter que verificar se não quebrou

nada, ouviu? Olha aqui, minha filha, eu posso estar velho, mas não é um tombo

que vai me matar. Você me deixa em paz? O senhor me desculpa novamente.

Eu sei que o senhor tá nervoso, mas olha, digo eu.

Eu não arredo o pé daqui enquanto eu não me certificar que o senhor tá bem.

Doutor Arthur!

Doutor Arthur!

O que houve com o senhor, doutor Arthur? Eu fui assaltado e agredido por um

marginal.

E você quem é?

Eu vi a confusão e eu vim para ajudar.

Mas, bom, já que você não está mais sozinho, né?

Eu estou indo embora. A gente sabe quando a gente não é bem-vindo e a gente

tenta ajudar e ainda toma uma patada. Não é?

Ai, ai. Tudo de bom, viu?

Pelo visto, tratou mal a moça, né, doutor?

Precisava? Não, minha porrinha.

Edivaldo! Sai, sai, sai.

Sabe que é água.

Aqui.

Oi. Oi, meu amorzinho.

A gente sabia que você vinha. Por que você não falou que vinha pra cá?

Ah, queria fazer uma surpresa.

Que surpresa.

Mas se tivesse falado, eu ia te dizer. Hoje eu tô com o dia... Tô sem tempo pra

nada, Bruninha. Tô cheio de trabalho hoje.

Ainda tá resolvendo a vida dos desabrigados? Sim, tenho que resolver a

vida dos desabrigados e outras coisas.

Ah, é?

Eu só vim te buscar pra gente tomar um café da manhã juntos.

É.

Acabei de fazer um cafezinho aí.

Você não quer tomar comigo aqui?

Toma um cafezinho comigo aqui, a gente conversa um pouquinho.

Não, hoje é meu dia de carboidrato.

Eu queria ir naquela padaria podrinha que você sempre me levava. Isso aí. Eu

queria comer aquele sonho gordinho.

Eu vou, tá?

Eu vou me vestir. Vou colocar a gravata, vou me arrumar, tá? Tá. Que eu já fico

pronto pro dia, fica à vontade aí.

Vai lá.

Pedro. Oi.

Vem aqui.

O que é isso?

Quem que é a Adriana?

O Arthur, ele tá... Ele tá bem louco.

Foi na minha casa, queria levar minhas coisas, Ulisses.

O que é isso? Ele queria levar os meus quadros, queria levar as minhas joias.

Aí a gente brigou.

Foi um horror. Ele só reagiu ao que você fez, Pilar.

vaidoso como ele é, tem sua sanidade questionada. Você se precipitou.

Eu? Não, não, não. Eu te avisei. Não me precipitei, eu demorei. Foi muito pra

agir. Sabe?

Onde é que você vai? Eu quero comer alguma coisa. Tô morrendo de fome. E

olha só, sabe o que eu achava? Eu achava que ele ia parar com essa maldade de

ficar negando coisa pra gente. Gente, o que é isso aqui? É comida pra

astronauta? Ah, a Fábio me obriga a comer isso aí. Que horror.

Pilar, ele nunca teve a obrigação de dar nada pra... A gente dava porque queria,

entendeu? Não. Ele dava porque ele queria demonstrar poder.

É isso que ele queria. Sempre tratou a gente mal, Ulisses. Lembra?

Quando a gente era... Que horror.

Chamava a gente de pirralho? Claro. Quando a gente nasceu, ele já era um

adolescente. Natural que ele tratasse a gente assim, entendeu? Você para. O que

é? Você para...

Eu sei o que você tá fazendo.

Você tá invertendo tudo que eu tô falando e tá defendendo ele que eu tô

vendendo. Ah, ele tentou te comprar. Tá na cara que ele tentou te comprar. Eu

acho que eu tô fechado com você, Pilar.

Nem que eu quisesse me vender, ele não me compraria. Ah, tá bom. Nada disso.

Vai querer alguma coisa?

Quero, quero, quero.

Você não sabe de nada, né, policia? Eu preciso que você testemunhe. Não, não,

não. Só assim a gente vai colocar a mão nessa grana que ele tá negando.

Cunha, você por aqui já soube de tudo, hein?

Ousada você.

Bem ousada. O nome disso aí é amor, viu? É zelo pelo meu irmão.

Hum, sei.

Guarde esse argumento pra quem não te conhece, Cunha.

Tá carregado por aqui, hein?

Bem carregado.

Eu já pedi pro William não se envolver nessa briga de vocês.

Porque depois, você e o Arthur fazem as pazes e minha vida fica como?

Mal com vocês dois.

Não, não, não, não, não. Não mesmo. Não quero esse clima pesado aqui em casa.

Família acima de tudo, Pilar.

Vou arrumar um espacinho no meu closet pra guardar essas coisas.

Gostoso, né, família?

Só um pouquinho.

Afinal, a empresa da minha vida vai bem, não é, amor?

Esse mês eu tive sorte.

Meu gato.

Batira, pega a minha bolsa.

Sorte.

Sorte.

Você sabe que eu tô pensando seriamente em falar com o Ademir? Pra quê?

Ele é nosso amigo, mas é advogado do Arthur. Vai ficar do lado dele.

É, mas eu tô pensando em ir lá sondar, né?

Conversar e tal. Vai que ele solta alguma coisa assim, de repente, sobre a

estratégia de defesa do Arthur.

Deixa eu tomar.

Ainda tá úmida.

Se precisar de mais alguma coisa, tá?

Filha.

Filha. Pai, trouxeram esse óleo aqui. Onde é que eu ponho? Coloca ali atrás,

pai. Já falei pra você não pegar peso, hein?

Ah, peraí.

Também não é assim, não.

Olha só.

Deixa eu só ajeitar aqui.

Olha.

Tá tudo bem, pai?

Tudo bem.

Eu gosto de te ajudar.

A gente não vai ficar aqui muito tempo.

Tenho certeza que a Adriana vai conseguir o emprego que a Rosa indicou.

Você vai ver. Eu também vou voltar a trabalhar.

Ah, não, pai.

Tem filha.

Preciso arrumar alguma coisa pra completar. Só essa minha aposentadoria

não vai dar.

Eu também quero voltar a costurar.

Deixei um monte de cliente na mão. Não sei nem como é que eu vou fazer pra

reconquistar minha clientela. Ainda mais sem a máquina de costura, né? Sim,

mas... As coisas vão melhorar, filha.

Vamos ter fé.

Bom dia.

Bom dia, pois não? Eu sou a Adriana, fisioterapeuta, e eu tenho uma

entrevista de emprego marcada agora com o senhor Arthur Brandão. É aqui, não é?

Por aqui, por favor.

Bem,

é o seguinte, o doutor Arthur acabou de chegar, ele está no escritório,

trabalhando muito, está muito ocupado, você vai ter que esperar, porque ele

fica uma fera quando é interrompido, né? Mesmo sendo, nesse caso, ele ter que

contratar uma funcionária nova.

Nossa! É interessante, né? Porque quem precisa do funcionário é ele, né?

Bom, no caso dele, ele acha que o funcionário é que precisa do salário.

Não é verdade?

Veja assim o meu caso. Estou aqui há décadas e ele não me dá o menor valor.

Sinto muito.

Espero que comigo seja diferente.

Bom, eu vou pedir para servir alguma coisa. Uma aguinha? Um café?

Não, não faz. Está ótimo.

Espere aqui, por favor.

Obrigada.

Mas calma, princesa.

Oxe, moço, põe no lugar.

Eu ponho no lugar.

Tá, tu põe no seu lugar, mas o que você quer que eu diga, mano? Já expliquei

tudo o que eu tinha pra explicar.

Conheci a Adriana no dia da tragédia lá da enchente, conheci a família dela,

perdeu tudo.

Perdeu o marido, fui no enterro dar uma força pra eles, encontrei a pulseirinha

caída no meu carro.

O que eu podia fazer? Gostei pra devolver pra ela.

Você devia ter mais empatia pelas pessoas, viu? Porque às vezes é...

É isso mesmo.

Às vezes você é molinho, mas quando você quer ser durinho, você é durinho também.

Nossa, eu devo ser uma pessoa horrorosa. Eu vou rever os meus conceitos. Você não

tá falando nada disso. Eu não falei que você é horrorosa. Eu sou uma pessoa

horrorosa. Eu só não consegui entender por que você guardou essa pulseirinha

cafona. Porque é cafona pra você, Bruninha. Pra ela pode ser importante.

Você perdeu sua pulseira aí.

Você não queria que alguém me devolvesse?

Mas pra ela é... Ela tem cada esquina, ela é 25 de março. E talvez ela só tenha

essa. Não, mas...

Bom ouvir isso de você, porque esses dias eu fui lá na joalheria do seu

padrinho. Você foi lá? Fui. Minha mãe queria que eu escolhesse um anel de

noivado pra você me dar de presente.

A sua mãe queria?

A minha mãe. Você não tem nada a ver com isso? Eu não tenho nada a ver com isso.

Eu nem tava lá. Inclusive, eu falei pra ela. Ela que ligou pra você? Mamãe, o

Pedro não liga pra essas coisas.

Mas vendo você sentar tanto valor pra essa pulseirinha de bijuteria...

Me dá uma esperança, assim, né? De, quem sabe, um dia eu ganhar, assim, de você

uma joia com significado.

Que nem você acha que essa pulseirinha tem pra tal Adriana.

Vida, o quanto vocês estão me ajudando, Paty.

Você é simplesmente incrível.

Imagina, a Bruna é minha amiga, não custa nada dar uma mãozinha. Vamos

festejar. Por favor, champanhe. E traz aquela entradinha maravilhosa que vocês

têm aqui.

Carmeta, você acha que o namorado dela vai acreditar? Claro que vai.

Ele não vai querer ficar só no teste rápido. Ele vai pedir o exame de sangue

da sua filha. Calma, Lídia. Uma coisa de cada vez.

Hoje, a Bruna mostra esse teste. Depois eu penso no que está por vir.

Toma cuidado, Carmita. Se o rapaz perceber a mentira, ele é capaz de

terminar tudo. Ai, vira essa boca pra lá. Olha como dá errado, mãe. Eu vou ao

banheiro, faço o teste e entrego pra Carmita. Isso, é assim que eu gosto.

Você é um anjo, minha querida. Meu amor, come aqui. Não. Mas você tá muito

madrinha. Eu vou lá fazer esse teste. Mas meu Deus do céu, essa criança. Essa

criança tá crescendo. Essa filha de puta.

Jogas, meu amor.

Meu Deus do céu.

Limpa tudo, seu otário.

Vai viver limpando esse glitter aí até a sua aposentadoria chegar.

Quem mandou terminar comigo?

Você viu o que a mamãe fez com o tio Arthur?

Daí eu ouvi os funcionários comentando. Ela quer... Ela quer internar o titio,

né?

Internar, não. Ela quer interditar.

Ah, internar e interditar. Qual a diferença?

Ela quer pegar o dinheiro do velho pra ela.

Não é isso?

É, e pelo visto você não tá nem aí, né? Não.

Tenho coisa mais importante pra fazer.

Olha isso aqui.

O que você tá fazendo?

Ué, isso daqui não é... Teu namorado? Não, ex-namorado.

Pituxo.

Me deu um pé na bunda.

Do nada.

Mas eu me vinguei.

Aqui, eu espalhei purpurina no apartamento dele todinho.

Você não fez isso?

Fiz. E ele odeia, tá?

Ele odeia carnaval. Pera, mas essa câmera ele também não sabe. Não, mas

qual a graça de você colocar purpurina no apartamento de alguém se você não

puder ter uma câmera escondida pra ficar vendo a raiva que a pessoa tá passando e

você ali assistindo tudinho. Não, é bom. De camarote. Ele tá humilhado, ele tá

tentando tirar o... Tadinho. Tirar o...

Tá bom. Tá bom, Bri. É, legal. Sempre bom humilhar um macho. Acho ótimo. Mas

assim, é que no seu caso não é só uma humilhação.

Você tá perseguindo o seu ex.

Eu acho que isso é um pouquinho infantil, você não acha?

Você é muito madura, né, Ingrid?

Você tem que lançar um livro sobre isso.

As Aventuras de Ingrid. Muito bom.

Vai todo mundo querer comprar.

Tá.

É que eu fico preocupada com você, Brigitte. Eu acho que você sofre.

Você se apega demais.

Eu me apego mesmo.

Eu sou intensa! Eu sou intensa! Para! Para! Para!

Eu não tô brincando!

Para! Não tô brincando! É sério. Pensa bem. Você não pode dar esse catarse pra

esse tipo de boy. Você tem que se divertir com ele, tudo certo? Deu ruim!

Ó, beijo, tchau. É assim que eu faço.

Então é isso. Deu ruim.

Tipo isso!

Tipo isso!

Tipo isso!

Tão bem, tão bem. Tá todo mundo bem. Lá no abrigo a gente tem um teto, a gente

tem assistência.

Muita gente ali na mesma situação, um ajudando o outro.

E o coração, Adriana?

Tá doendo muito.

Eu fui muito estúpida com a morte do Carlos, né?

É só, minha filha.

Você é jovem e vai refazer sua vida.

Tá?

Muito obrigada, Rosa. Você tem sido maravilhosa a vida toda. E agora,

então... É verdade.

Você é incrível. Essa indicação desse emprego pode ser meu recomeço.

Você vai ter que ter mãe, viu?

Porque o doutor Arthur... Aquilo ali é carne de pescoço. Ai, meu Deus do céu.

Mas eu vou me empenhar. Pela minha família, eu vou me empenhar.

Acabou o café?

Sim. Doutor Arthur chamou.

Boa sorte. Obrigada. Por favor.

Doutor Arthur?

Aqui está Adriana.

Adriana? Sim, senhor.

Adriana.

Você.

Senhor? É o doutor Arthur Brandão?

Vocês já se conheciam?

Afinal, você veio atrás de uma gratificação, não é? Quer receber pela

ajuda que me deu hoje.

Que ideia é essa? Eu jamais tinha nem pensado nisso. O que é isso que você

está falando?

Eu conheço o seu tipo.

De nada. Dá um dinheirinho pra essa garota e tira ela daqui.

Calma lá, senhora. Solta aí, meu. O que é isso?

Eu vou embora, sim.

Só que antes, o senhor vai ouvir umas verdades.

O senhor falou o que quis, agora vai me ouvir. Mas que menina atrevida, o senhor

vai deixar ela falar com o senhor desse jeito, doutora? Isso é um absurdo, uma

falta de respeito. Dinah, eu sei me defender sozinho.

Pode deixar, pode sair.

Que absurdo. Como é que é? O senhor acha que só porque é rico pode falar o que

quer para qualquer pessoa?

Sem drama, garota. Assume logo que você veio pedir dinheiro e vá embora.

Eu fiz o que eu faria para qualquer pessoa, para qualquer ser humano caído

no chão igual o senhor que tinha sido roubado. Eu fui lá te ajudar.

E logo depois apareceu aqui na minha casa.

E é uma tremenda coincidência. O senhor pode não acreditar, mas eu estava vindo

tentando chegar aqui no seu endereço.

Acho muito suspeito.

O senhor deve ter um coração muito machucado pra pensar isso das pessoas,

né?

Ainda tem gente boa e solidária nesse mundo.

E eu vim aqui atrás do trabalho.

Trabalho. Eu avisei o meu secretário que eu não queria alguém jovem.

Edivaldo, cadê você?

Já vai, doutor Arthur.

O que foi?

Eu também tô indo. Não, só um minutinho. O que foi, doutor Arthur?

Você sabia que a fisioterapeuta era essa menina que a gente encontrou hoje cedo?

Claro que não, doutor Arthur.

Eu sei quando eu não sou bem-vinda. Não, espera, Adriana.

Espera. Doutor Arthur.

Ela já é a sexta profissional que passa por aqui só esse mês. Nossa, sexta? É,

sexta profissional. O senhor atormentou tanto as outras, doutor Arthur, que elas

foram todas embora.

Mais respeito, Edivaldo. Não atormentei ninguém.

E olha só os braços dessa menina. Parece dois gravetos. Se eu cair, ela vai junto

comigo pro chão. Eu te seguro, sim. Isso aqui não quer dizer nada, porque eu

tenho técnica.

Eu tenho ensino. Eu sou formada.

Eu consigo sustentar o senhor, você não viu? O que eu fiz lá no parque?

Se o senhor fizer os exercícios como eu instruí, o senhor não vai cair.

Você deve estar bem necessitada mesmo, hein? Ouvir tudo o que eu disse e ainda

querer esse trabalho.

Necessidade não é vergonha.

Eu preciso ajudar minha família, sim, mas eu também sou uma excelente

profissional.

Tem a língua afiada.

É meu jeito mesmo, senhor. Desculpa a franqueza.

Eu gostei da sinceridade.

Só não seja assim o tempo todo, porque franqueza demais faz mal. O tempo todo?

Eu fui aprovada?

Sérvia. Vem, Adriana, eu vou mostrar os equipamentos.

Vai ser um prazer trabalhar com o senhor.

Prazer.

Eu não sei se vai ser um prazer esse trabalho o tempo todo, não. Porque você

vai me puxar, vai dar exercício cansativo, eu vou reclamar.

Vai se preparando.

Tô preparada já.

Vai ser difícil, mas a recompensa vai ser ainda maior.

Quando a sua mobilidade estiver boa, o senhor vai me agradecer.

Ó, tá entregue.

Ó, só vim trazer você em casa. Não, eu tenho que trabalhar, senão eu ficava com

você. Ah, você marcou lá a consulta da... Que consulta?

Que você falou que ia marcar?

Eu quero ir junto com você.

Ah, sim.

Não marcou, Bruninha?

Que mal, você não tá cuidando direito.

Pedro,

meu gelo.

Querido, preferido. Você também, entre todas as minhas sogras, você é que eu

mais gosto de longe.

Todas?

Também, bom te ver. Ó, não marcou o ginecologista, tá?

Fica no pé dela, Mita. Sabe o que que é? Eu vou te explicar.

É que...

Isso tudo é muito novo, é compreensível. A gente está pensando, a gente está

avaliando se ela vai ficar com a mesma ginecologista, não é, filho? Ah, é? Está

pensando em mudar? Não, mas, Pedro, ela fez o teste rápido, o teste caseiro.

Filha, você não mostrou o teste para ele? Não. Ah, você fez?

Fiz. Claro. Estava me sentindo enjoada. Filha, por que você não mostrou para

ele? A confirmação, importantíssimo isso. Eu guardei para te mostrar.

É o xixizinho?

Não é lindo?

É lindo.

Mas é compreensível, né? É assim, ser mãe tão jovem, assim, é um susto atrás

do outro. Você fica cheio de ideias na cabeça.

A Dora comentou, não me deixe esquecer. A Dora falou comigo que tem um amigo

obstetra e que atende a gente a hora que a gente precisar.

E eu acho que ele consegue encaixar a gente aí. De repente, hoje até. O que

vocês acham? Como é que tá o vídeo de vocês?

Eu posso ligar pra ela, amiga, pra ele. Ele encaixa a gente.

Pedro, eu acho que a Bruna ainda tá muito emocionada com tudo isso. Eu acho

melhor você passar o contato dele pra mim e eu tento marcar. O que você acha?

Tá ótimo. Tá bom. Que coisa me liga, tá?

Tá?

Tchau, amiga.

Beijo, meu querido. Cuida bem dessa menina aí, tá? Pode deixar.

Ai, tão lindinho. Do meu neném, do meu neném, papai.

Beijo, qualquer coisa me liga. Pode deixar.

Te amo.

Beijo.

Tá dando certo.

Tá dando certo.

Desculpa, tô pegando o jeito ainda da... Tudo bem, obrigada.

Tá gostando da música?

Vivaldi, não é?

Conhece Vivaldi?

Ele é muito popular, né? É.

Olha, antes de mais nada, eu... Eu queria te pedir desculpas pela forma

como eu te tratei hoje cedo, é que... Às vezes eu sou meio grosseiro.

Eu fui muito respondona também, desculpa.

Você tava se defendendo.

Sabe, o meu humor varia muito por causa dessas dores.

Muita dor, né? O joelho é mais em cima, aqui?

Tudo, tudo.

Mas não pode se abater.

É, a minha vida não tem sido fácil.

Eu tive algumas perdas.

A solidão é uma companheira implacável.

Eu acho que às vezes o sofrimento é tão grande assim que parece que a gente não

vai dar conta de superar, né?

Você é muito jovem para falar assim com tanta propriedade. Aconteceu alguma

coisa com você, Adriana? Não, falei no geral mesmo.

E agora, o senhor tem uma fisioterapeuta que está cuidando da sua melhora, da sua

saúde. E a nossa aula vai começar.

Vamos?

Isso, volta, resiste. Isso, ó, cada repetição. Vem de novo, vamos embora.

Cada repetição te aproxima da sua independência. Mais uma, respira, vem.

A gente não quer andador, não. A gente tá querendo mobilidade total.

Muito bom. Uma mobilidade um pouquinho melhor do que essa já tá de bom também.

Não, não, não. A gente quer o melhor pra você, Arthur. Agora vamos lá, no avanço.

Toca aqui com a mão.

Bem, isso. Essa de cá aqui.

Excelente. Vem, vem. Respira e vem pra frente. Muito bom, muito bom. Vem.

Isso, isso, isso, isso. Isso, muito bom.

Vem. Só isso?

Que só isso aqui? Parece inofensivo? Ele é simples, mas ele é poderoso.

Vem, vem, vem, vem.

Isso!

Espera aí, tá tocando aqui minha filha.

Aí, ela mesmo.

Oi, filha.

Tudo bem, meu amor?

E aí, tudo certo com a Adriana?

Ah, meu filho, eu acho que sim, né? Parece que tá tudo bem, porque ela tá lá

pra dentro com o doutor Arthur.

Ai,

que bom. Sabia que ia dar certo.

É, agora o que precisa é ele gostar do trabalho dela, né, minha filha? Porque

esse homem, quando cisma com alguém, só Jesus na causa.

Ah, não, mãe. Que isso, imagina. Minha amiga precisa tanto desse emprego.

Não.

Ela não vê a hora de tirar a família dela daquele abrigo. Vai dar certo.

E aí, como é que o senhor tá se sentindo?

Eu queria dizer que eu tô péssimo.

Mas... Eu tenho que admitir que eu tô me sentindo muito bem.

Que maravilha!

Todas as vezes que eu terminava sessões com os outros fisioterapeutas, eu saía

pior do que eu tinha entrado, viu?

Poxa, esse elogio é fantástico.

E tá sentindo alguma dor, alguma coisa?

Só um desconforto aqui.

É, né? É porque a gente mobilizou bastante.

Desconforto é normal, mas se virar dor, o senhor me avisa, tá bom? A gente vai

observando. Eu só quero que...

Surta algum efeito esse sacrifício todo?

Claro que vai surtir. O senhor tem que confiar no processo.

O corpo sabe o caminho da cura.

É?

Você é sempre tão otimista assim.

Ah, doutor Arthur.

Ser otimista é tudo que me resta.

Você é boa no que faz, garota. Parabéns.

Obrigada. Eu tô vendo que as coisas estão indo muito bem por aqui, hein? Um

suquinho, doutor Arthur.

Nós já acabamos por hoje, tá, Edvaldo? E amanhã, tudo de novo.

Tudo de novo.

Até logo.

Tchau, Adriana. Muito obrigado, tá? Imagina.

Gostei dela.

Eu fico realmente...

Muito feliz, doutor Arthur. Não começa a comemorar antes do tempo, não, porque

hoje é só o primeiro dia.

Ela ainda está em fase de teste. Ah, tá.

Tá bom.

Adriana? Oi, Dina.

O que você está fazendo aqui?

Eu me perdi, eu estava indo para a cozinha e abri essa porta. Você resolveu

bisbilhotar as coisas da casa?

Não, eu não estava bisbilhotando, eu só estava dando uma olhada aqui.

O doutor Arthur não gosta que mexam nas coisas dele.

Entendi. Só me fala aqui, Dina, quem são esses que estão na foto com ele?

Bom, esses aqui são os irmãos dele, né? Essa aqui é a dona Pilar, esse aqui é o

doutor Ulisses e esse é o Belmiro, que já faleceu.

E esse rapaz aqui, quem é?

Bom, chega de pergunta por hoje, né, Adriana? Olha, é o caminho por ali, tá

bom? Sim, senhor. Dá licença, por favor.

Boa noite.

Johnny,

seu Pedro. E aí, seu João, quanto tempo, hein? Tudo bem? Tudo certo, e você?

Tá tranquilo.

Liga pro meu padrinho aí, avisa que eu tô subindo, que eu não disse a ele que

eu vinha. Ele tá aí? Tá aí, tá aí, vou avisar rapidinho.

Esse time nosso, não sei se vai mais, né? Vai ou não vai?

Ai, o trabalho com o Arthur foi pesado, tá?

É, aqui no braço.

E aqui também.

Vem cá, você acha que dá pra deixar minhas coisas de trabalho aqui, Rosa?

De boa, né?

Não tô entendendo. Você vai deixar suas coisas aí por quê?

Eu vou pro abrigo agora, daí eu volto amanhã, né? Que maluquice é essa,

Adriana? O Edivaldo não falou com você?

Falou o quê? Que esse quarto é seu.

Os funcionários dormem na casa.

Ah, não. Mas aí não vai dar não pra mim.

Por quê?

Ah, porque não vai ter nem condição de eu deitar aqui nesse travesseiro

confortável, nessa mansãozona, e meu povo tá lá mal instalado no abrigo. Não

vai rolar, né, Rosa?

Mas vem cá.

E se você conseguisse instalar sua família em algum lugar?

Ué, se tivesse uma casinha, uma pensãozinha familiar que fosse, ia ser

show, né? Ia ficar de boa. É?

É.

Então acho que eu tive uma ideia.

Doutor Arthur, com licença.

Oi, Adriana. Arthur, o que foi?

É um assunto um pouco constrangedor.

Vai, vai, sem rodeio. Fala logo.

Eu preciso do meu salário adiantado.

O senhor não sabe a situação que essa menina está passando, não.

A Adriana e a família estão morando no abrigo. Por favor, eu estou procurando

uma moça chamada Adriana dos Santos.

O que o senhor quer com a minha neta?

Eu sou Arthur Brandão. Ih, cara, estou até agora lotado de glitter no corpo

inteiro. Como é que você faz um negócio desse comigo?

Eu podia ter feito o que eu quisesse com você, cara, porque você terminou comigo.

Eu devia te processar.

Processa, que não tem medo de processo.

Eu vim aqui para te fazer uma proposta.

Eu queria que você voltasse a trabalhar para mim.

Então, o que você me diz?

Aceita essa proposta?

O cuidado para mim é amor e o cuidado para mim é quem fica.

Meu nome é Ruth, eu sou carioca, sou filha de pais separados. A minha mãe,

ela me gerou dentro de uma clínica psiquiátrica. Hoje eu sou um milagre.

Quando decorreu dois anos, eu estudei, me formei e decidi cuidar

da minha mãe. De filha, me tornar.

Mãe da minha mãe me tornou uma pessoa melhor.

Eu fico muito feliz de ter esse papel de cuidar. Quem ama rever sempre as

relações. Quem ama procura ajustar o que está fora do que a gente

considera como padrão.

Quem ama permanece.

Para derreter as nuvens negras, para iluminar o fim do túnel e a luz

do céu.

Para inspirar os seus desejos, para fazer você encher o peito e

cantar.

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