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Alex, és tu?
Sim, pai.
O que se passou?
Acho que tem que ver com o teu amigo Tenoch.
Miúdos.
Este ano foi muito difícil.
Felizmente, está a acabar.
Prometo-vos que as coisas vão melhorar.
DEZEMBRO 1994
Assumo a presidência da República
para servir o povo do México.
… após a massiva retirada de capital do país
por investidores estrangeiros e nacionais,
em menos de uma semana,
o peso perdeu mais de metade do seu valor face ao dólar.
A crise resultou em falências bancárias e empresariais,
despedimentos maciços,
um aumento da inflação de até 50 %
e a perda de património de milhões de famílias mexicanas,
que mergulhou o México num dos períodos mais negros da sua história.
O Erro de Dezembro.
- O Erro. - O Erro de Dezembro.
O que temos agora é uma crise de liquidez a curto prazo.
NO ONE WILL MISS US
JANEIRO 1995
Pai,
vais ficar em casa outra vez?
Não.
Vou vestir-me e sair.
Porque já não vais trabalhar?
Não perguntes isso.
Não percebo o que se passa.
Fui despedido.
Na verdade, despediram quase todos na empresa.
É por causa da crise?
Sim.
As coisas não estão bem em lado nenhum.
Mas não se preocupem.
Tenho duas entrevistas de emprego.
Vai ficar tudo bem.
Falem-me de vocês.
Marifer?
As provas de ingresso estão a chegar, não?
Sim, acho que sim.
Já sabes o que vais estudar?
Não. Não pensei muito nisso.
Podes estudar Contabilidade na UNAM,
como o teu pai.
Devias pensar nisso.
Não falamos muito desde que soube do Diego.
Mal nos vimos nas férias.
Mas não acabaram.
Isso é bom, não?
Sim e juro que estou a esforçar-me.
Então, vai-lhe passar.
Mas tens a certeza de que não há nada entre ti e o Diego?
Não. Não há nada.
O Bernardo é o namorado perfeito.
Quero que as coisas resultem com ele.
Olá. Andava à vossa procura.
De que estavam a falar?
- De nada. - De nada.
Não sejam assim. Preciso de mexericos.
Preciso de me distrair. As coisas estão más em casa.
Porquê?
Na véspera do Natal, o meu pai foi comprar o peru e não o voltámos a ver.
- O quê? - Estás bem?
Sim, foi para os EUA.
A minha mãe diz que é só até tudo acalmar na empresa dele.
Mas não sei quando será isso.
Entretanto, sinto-me péssima e tomei más decisões.
Mas já não me vou queixar nem ficar triste,
porque tenho o negócio e tenho-vos a vocês.
Isto é muito emocionante!
Vão ver que os resultados das vossas avaliações
mostram o que os alunos pensam de vocês.
- Posso saber quem o escreveu? - Não.
Todas as avaliações são anónimas.
Diz que gozo com os alunos quando vão ao quadro.
Por favor, nunca fiz isso.
Usem isto como um ponto de partida
para melhorar o serviço que prestamos aos meninos.
Os tempos estão difíceis, professores.
Por isso, deem o vosso melhor.
Sejam positivos.
E nada de usar palavras que stressem os meus meninos.
Nada de "erro"
nem "crise".
E muito menos usar o vocábulo "dinheiro".
Percebido?
Vão mudar vidas jovens,
que estão a iniciar o seu caminho neste mundo.
Professora Ilse,
dá-me dois minutinhos?
Sim.
Foste a professora mais bem avaliada
de toda a escola.
A sério?
Por isso, tenho uma surpresa para ti.
Não, obrigada.
Há muito tempo que queria contratar uma vice-diretora,
mas não tinha encontrado a pessoa ideal.
Eu?
Os alunos adoram-te. Muito.
Posso continuar a dar aulas?
Não.
Vais ter muito trabalho.
Posso pensar nisso?
- Tudo bem? - Tudo bem?
O que vamos fazer, Tenoch?
Em relação a quê?
Não estás preocupado com a crise?
Não, tenho um plano desde dezembro.
Tu não?
Claro que sim. Só te estava a testar.
Não esperava outra coisa.
Tenoch!
Diz à tua miúda que fazemos um desconto aos melhores clientes.
Alex!
Vamos procurar as miúdas. Temos de resolver coisas do negócio.
Não quero falar do negócio nem de nada contigo.
Porque não?
Porque estou chateado. Esperavas o quê?
A Susana está mal desde a matiné
e só não te parti todo porque és meu amigo.
Não, isto é um mal-entendido.
Chateei-me com a Susana porque comprou TPC ao Ricardo.
Mas é só uma questão de falar com ela.
Tudo se vai resolver.
Olá, Susana.
Tens um momento?
Já volto.
Para onde me levas? Não tenho tempo.
Estive a pensar e estou disposto a perdoar-te.
- O quê? - O que me fizeste foi errado,
mas podemos esquecer e continuar como antes.
Tenoch, diz-me uma coisa,
como és tão inteligente e tão estúpido ao mesmo tempo?
Quando foi a última vez que falámos?
Na matiné.
Não me disseste nada as férias todas.
- Nem sequer um "feliz Natal". - Estava chateado.
Passei mal, chorei as férias todas.
Sei que o que fiz foi mau,
mas também fazias coisas más e nunca fiquei tão zangada.
Como o quê?
Tudo é mais importante do que eu.
A escola, o negócio, os amigos.
Susana, sinto coisas por ti que nunca senti.
Olha, paciência.
É demasiado tarde e já me decidi.
Então, já não andamos?
Bem, obrigado.
Por teres sido a minha primeira namorada.
Não há razão para não sermos amigos.
EMOCIONAL SAÚDE
Todos precisamos de um plano a cinco anos.
Não só um plano profissional, mas em todas as áreas.
Muitas vezes, ficamos doentes e já não trabalhamos.
Ou trabalhamos demasiado e esquecemos os amigos e a família.
Isto vai ser o vosso TPC.
Não. Porquê dar-nos TPC?
Só vos peço que levem isto muito a sério.
Pedi-vos para definirem objetivos
e alguém escreveu: "Casar com o Luis Miguel."
- A sério? - E depois?
Vejo isso a acontecer.
Não percas esta promoção de dois por um.
Só tens de nos dizer
o que queres fazer daqui a cinco anos e nós tratamos do resto.
Eu quero, mas não posso.
Os meus pais não me dão dinheiro.
O meu almoço é sopa enlatada.
Queres?
Não, obrigada, Jero.
Mais sobra.
Tal como suspeitava.
Já não vão comprar.
Juro que tentei convencê-los.
Até chorei à frente de alguns.
Não te aflijas, tenho um plano.
Vamos arranjar novos clientes.
Pessoas que nunca nos compraram.
O que foi?
Tu és a parte mais importante deste plano.
- Não devíamos esperar pelo Alex? - Acho que não vem.
Está chateado, mas espero que passe rápido.
Porque está chateado?
Acabei com a Susana.
Não.
Não se sintam mal, isto é bom para mim.
Poderei focar-me no que é importante: o negócio e o meu futuro.
E tenho de me preparar para a prova de ingresso.
Vai ser supervisionada por americanos.
Estou melhor assim.
O romance distrai demasiado.
Vamos.
Tudo bem?
- Marifer, há quanto tempo. - Vês-me todos os dias na escola.
Mas não tens ido ao parque.
- Desististe do skate? - Claro que não.
Tenho-me focado na música, só isso.
Vem ouvir a minha banda.
Claro.
Tens uma banda?
Não foi para isso que viemos.
Queríamos perguntar-vos se querem que vos façamos os TPC.
Sei que não gostas de os comprar, mas…
Com a crise, é importante ter uma boa média
para ir para a universidade.
Sei que alguns de vocês querem ir para a universidade.
Sim, foi o que o Ricardo nos disse.
O quê?
Veio cá e contou-nos coisas difíceis sobre a vida dele.
É difícil tudo o que teve de passar para chegar aqui.
Deixou a sua vila para vir para a escola.
Também passei por muita coisa para chegar aqui,
mas não conto a ninguém.
Ficámos tão comovidos com a história dele
que prometemos que lhe compraríamos a ele.
Desculpa.
Dani!
Posso falar contigo?
É rápido, juro.
Preciso da tua ajuda com o plano a cinco anos.
A Mariana é que faz as vendas.
Sentir-me-ia estranho a falar com ela.
- E comigo não? - É diferente.
- Escreve qualquer coisa. - Não sei o que escrever.
Deixa-me nervoso pensar no que vamos fazer quando nos formarmos.
Sonhei que um tipo me trouxe um ar condicionado para arranjar.
Não fazia ideia do que fazer.
Estou a falar a sério, minha.
Posso?
É só que… o teu brinco está preso.
Pronto.
Adeus.
Algo não me sai da cabeça Há muito tempo
Não me larga
Fala sobre a…
Está horrível, não está?
Passei a noite a mudar a letra, mas está horrível, não está?
Podemos usar a versão anterior.
- Está fixe. - Não está perfeita.
E então?
Rebe, quando tocamos?
Sim.
Já temos duas canções, mais as duas novas da Marifer.
Esta não está pronta.
Mais a uma e meia da Marifer?
Tenham paciência. Estou a mexer-me.
Dizes sempre o mesmo.
Sê simpática, Patricia.
Não me chames Patricia.
Dona Paty.
A sério, foi só isso.
Veio pedir-me um TPC.
Disse que não, porque não quero ter nada que ver com ele.
Dani, não gosto de estar assim.
Não quero pensar no Diego
e acabo sempre a fazê-lo.
Estou aqui contigo.
O Diego magoou-me.
Não quero voltar a sentir-me assim.
Quero estar contigo.
Eu também.
E a Mariana?
O que tem a Mariana?
Ela gosta muito de ti.
Diz sempre coisas boas sobre ti.
A sério.
Sinto-me mal que não saiba a verdade.
Tu não?
Sabes que mais?
O quê?
Acho que nunca me senti assim.
Assim como?
Assim.
Não sei como explicar.
Eu também não.
Pessoal, onde estão?
- O que estão a fazer? - Nada.
Ouçam…
Estava a pensar em limpar a arrecadação,
porque há lá muitas coisas que podemos vender.
E está muito desarrumada.
Sim, pai, quando quiseres.
E outra coisa. Não fechem a porta assim.
Não podemos dar-nos ao luxo de perder clientes.
- Está bem, Rafa? - Sim, não voltará a acontecer.
Está bem.
Vou comprar umas caixas para começar a arrumar.
CRISE BANCÁRIA
Estás bem?
Sim.
Acho que vou recusar ser vice-diretora.
Está bem.
Não quero aturar as esquisitices do diretor.
Já passo tempo suficiente com ele.
E quero continuar a dar aulas.
Sinto que os miúdos estão a progredir.
No outro dia, o Erick conseguiu responder à pergunta: "What's your name?"
Foi um grande avanço.
Então, fazes bem em dizer que não.
Sim, certo? Sim.
Também não quero lidar com os pais.
O Salatiel diz que os pais são os piores.
O que foi?
Posso dizer algo sem te chateares?
Se o dizes assim, é porque vou ficar chateada.
Acho que estás a arranjar demasiadas desculpas.
É porque não quero o trabalho.
Ou porque tens medo?
Não. Porque teria medo de ser vice-diretora?
Não sei.
Não.
Além disso, sempre achei
que estava destinada a dar aulas.
E queres dar aulas para sempre?
Não sei se sou capaz de fazer outra coisa.
E este cargo tem muitas responsabilidades.
E se eu for má?
Sim, tenho medo.
Só te digo isto.
Queixas-te sempre que fazem tudo mal nesta escola,
mas, se fores vice-diretora, vais estar na tomada de decisões
e podes mudar algumas coisas.
E talvez um dia possas tornar-te diretora
ou abrir a tua própria escola.
Não sei se é para tanto.
Porque não?
Eu penso que…
Tudo bem, Tizoc?
Desculpa, Tenoch. É a força do hábito.
Está bem.
Estás bem?
Desde que te conheço, nunca me perguntaste isso.
Parece que não dormiste.
Sabes que mais, Diego?
Não acredito na história de agora seres boa pessoa.
- Pareces-me bem. - Tem a certeza?
Não dormi as minhas quatro horas diárias.
Pareces perfeitamente bem.
- Deve ser um vírus. - Ou talvez algo emocional.
Há momentos em que me sinto sozinho
Porque conheço esse sorriso
Tão definitivo
O teu sorriso que, a mim mesmo
Me abriu o teu paraíso
Desculpe, é melhor ir a um médico a sério.
Sem ofensa.
Calma, Tenoch, estás bem.
Há uma como tu
Mas o meu lugar, depois
Vais ocupá-lo com alguém
Igual a mim Melhor, duvido
Porque desvias o olhar agora?
Se quiseres discutir a tua nota, fica depois da aula.
Não, assim está bem.
Amigos para quê? Maldita sejas
Raios partam!
Eu perdoo um amigo
Mas, a ti, amo-te
Podem parecer banais
Os meus instintos naturais
Há uma coisa que ainda não te disse
Os meus problemas têm um nome E esse nome és tu
É só por isso que me armo em forte
Para me sentir um pouco mais seguro
E se não quiseres sequer dizer Onde errei
Lembra-te de que também te perdoei
E, em troca, tu disseste "Desculpa, não te amo"
E desapareces Como esta história entre os teus dedos
Tudo bem, Tenoch?
- Falaste com os skaters? - Sim.
Devias dar-te por vencido.
Vamos estar sempre um passo à vossa frente.
Obrigado pelo aviso.
Não vais dizer mais nada?
Boa sorte?
Tudo isto faz parte do teu plano.
Queres alguma coisa da loja?
O Tenoch?
O que fazemos? Reunimo-nos sem ele?
- Não, o Tenoch nunca falta. - Vou-me embora.
O que se passa com o Tenoch?
- Como assim? - Está estranho.
Tirou 90 no trabalho de Inglês e não se queixou.
Sim, também achei estranho.
Pode estar assoberbado pela concorrência.
Não, acho que está magoado.
Não sabes nada disso, Diego.
Sei o que é amar alguém e estragar as coisas.
- Pode estar triste pela Susana. - Acho que não.
O Tenoch não é tão emotivo.
E ralha connosco quando sofremos por amor.
Sim, aceitou bem.
Só estou a dizer para ficarem de olho nele.
Nesta época de más notícias, finalmente, temos algo para celebrar.
A professora Ilse será a nossa nova vice-diretora
da Escola Secundária Heróis da Revolução.
Professora, vemo-nos à saída
para discutir as canções da próxima semana.
Tenoch.
Onde estavas?
Estávamos à tua espera.
Desculpa, não me sinto muito bem.
A enfermeira disse que não é nada,
mas, se fosse boa, não estaria a trabalhar numa escola.
Não é por causa da Susana?
Não, devo estar a ficar com gripe.
Vocês acabaram agora.
Podes sentir-te mal.
Eu acabei com ela.
Acho eu.
Não sei bem como aconteceu.
Sei o que significa ter o coração partido.
Acabaste com o Bernardo?
Não. Andei com alguém antes dele.
Não sabia.
Nunca vos disse.
Quando acabou,
senti-me horrível.
Só queria ficar encolhida na cama,
a ouvir canções tristes o dia todo.
Quando acaba?
Já não aguento. Nem consigo prestar atenção nas aulas.
Não sei.
Caramba!
E dói mais no início.
Porque já não estás com essa pessoa.
E ainda tens saudades dela e gostas dela.
Mas depois passa?
Dói menos.
Modifiquei a canção,
mas não sei, ainda não estou convencida.
Deixa-a descansar.
Com o tempo, podes vê-la de outra forma.
Talvez tenhas razão.
Olha… Sei que esta canção é muito importante,
mas não é a única que vais escrever.
Por isso, relaxa, ou vais acabar como a dona Paty.
Só quero aproveitar o meu tempo.
Ou seja?
Não sei quanto tempo tenho para continuar a fazer isto.
O meu futuro é ser bibliotecária ou contabilista, como o meu pai.
Acho que não.
A música e tu são a mesma coisa.
Quando penso em ti, penso em Caifanes,
Duncan Dhu, Santa Sabina.
Algo assim.
E acho que o teu amigo se deu conta disso.
Ele nunca me ouviu tocar.
Não, mas sabia que havia algo.
Foi por isso que te deu as cassetes dele.
E, se visse o que estás a fazer agora, estaria muito orgulhoso.
Olha.
Obrigada por te preocupares com o Tenoch.
É teu amigo. E do Alex. Fi-lo mais pelo Alex.
Toma.
É o TPC de Orientação Vocacional.
Obrigado.
Fi-lo a pensar nas coisas que me disseste quando…
Quando estávamos juntos.
Disseste-me que gostavas de treinar futebol.
Podes tirar Desporto ou assim.
Acho que não entro em nenhuma universidade.
Talvez seja demasiado estúpido.
Sim, para algumas coisas.
Mas és muito inteligente.
Só ainda não te deste conta.
Obrigado.
Queres que te pague?
É um presente.
Não digas ao Tenoch.
A verdade é que o fiz por ti.
Aquilo do Tenoch.
Percebi que algo estava errado e ele é teu amigo.
E importas-te com ele.
- E eu importo-me contigo. - Não digas isso.
Estou a falar a sério.
Fui um idiota.
Quero que tu e os teus amigos estejam bem.
Vocês merecem.
O meu brinco ficou outra vez preso?
Até logo, Diego.
A entrevista correu bem.
Foram simpáticos,
mas querem alguém mais jovem.
E com experiência em computadores.
Diz-lhes que sabes
e, quando lá estiveres, vês o que fazes.
As coisas não estão assim tão más.
Dois amigos prometeram encontrar-me algo.
Há muita gente à procura.
Temos de ser pacientes.
Já sei o que quero estudar.
Boa.
Assim está bem.
Quero estudar música.
Como assim, "música", Marifer?
Acho que sou boa a tocar guitarra, a compor
e até a cantar.
A música ajuda-me a dizer algo que não consigo…
Não podes estudar isso, vais acabar a tocar na rua.
- Ou aos sábados em Culiacán. - Talvez no início.
Não, tens de estudar algo mais sério,
algo em que possas trabalhar.
Não quero trabalhar em algo de que não goste.
Dizes isso agora porque não tens de pagar a renda
nem as tuas despesas.
Se estudares contabilidade,
talvez possas continuar a tocar,
mas como passatempo.
O que garante isso, pai?
- Estudaste isso e não tens emprego. - Marifer!
Pensei que era sobre o que eu queria fazer.
O que é isto?
Olha só.
Não sabia onde estava.
Era da tua mãe.
Comprou-a quando eras bebé.
Queria fazer filmes da família,
mas acabou por perder o interesse.
Posso ficar com ela?
Vê se ainda funciona.
Isto não tem fim. Nunca vamos acabar.
Porque não mandamos vir jantar?
Não, não posso.
Vou jantar com o Rafa, mas volto cedo.
Sim.
Pai?
Queres falar de alguma coisa?
Não. Não sei do que queres falar.
Porque não vais ao teu jantar, para não ficar tarde,
e eu fico a arrumar isto?
Depois, vou para casa ver como está a tua irmã.
Sim, como queiras.
Entra.
Não queres jantar?
Não tenho fome.
Sei como te sentes.
Mas o teu pai também não tem andado bem.
Eu sei.
Não queria dizer aquilo.
Já te ouvi a tocar.
És muito boa.
Obrigada.
- Eu queria ser atriz. - A sério?
Também era muito boa.
Apareci em todas as peças da escola.
Até pensei que, um dia, podia aparecer na televisão ou em filmes.
O que aconteceu?
Bem, são sonhos de criança.
Quando crescemos, desaparecem.
Sei que estás muito sensível com o que aconteceu ao Memo.
Não falámos muito sobre isso.
Imagino que devas estar muito confusa.
Não estou confusa, mãe.
É isto que quero fazer.
Só te quero dizer que é muito bom ter sonhos,
mas também tens de ser realista.
Su.
Trouxe-te comida.
- Não tenho fome. - Chega-te para aí. Vamos ver um filme.
Não me apetece.
É o filme preferido da mãe.
- Onde o arranjaste? Não o temos. - O Rafa encontrou-o.
A última vez que o vi foi com a mãe.
Ambos precisamos disto.
O que tens?
Depois, conto-te.
- Queres? - Quero.
Toma.
Todas as minhas certezas Ao vento
Já não sei voltar ao que fui
Todos os caminhos se abrem De repente
E esqueci-me de como continuar
Quero livrar-me da sombra
A que reclama sem dizer
Quero esquecer O que não me compreende
E tudo o que resta de mim
E não sei aonde vai o vento E porque mudou
Não posso voltar ao que era Desapareceu
E já não será o mesmo
As palavras já não dizem nada
Não podem contar e descrever
Não percebo Já não significam o mesmo de antes
Não podem falar por mim
Quero livrar-me de tantas dúvidas
E aprender tudo de novo
Quero saber quem sou em cada momento
Conta-me o final
Conta-me o final
O final, o final feliz
Conta-me o final
O final, o final feliz
Conta-me o final
O final, o final feliz
Conta-me o final
O final, o final feliz
Aonde vai o vento? E porque mudou?
Não posso voltar ao que era Desapareceu
E já não será o mesmo
Legendas: Pedro Freitas
Supervisão Criativa Hernâni Azenha
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