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Parece-te estragado? Não consigo perceber.
Não devia estar.
Porque não me disseste?
Tentei ligar-te.
Não atendeste. Depois, fiquei sem rede.
Sem rede?
Durante três anos?
- Que queres dizer? - Porque não me disseste que estavas viva?
Porque não te disse que estava viva?
Sim.
Isso é uma desculpa por não me visitares em três anos?
Eu vi-te, Sid.
No hospital.
Depois. Eu vi-te.
E tu estavas…
- Estavas morta. - Não estou morta.
- Sim, agora já sei. - Quem disse isso?
Park. Sabias que eu pensei que a culpa tinha sido minha?
- Todo este tempo. - Eu levei um tiro, e o trauma é teu?
- Não é o que estou a dizer. - Mas parece.
- Não… Sid… - Isso seria doentio.
Eu levo um tiro nos miolos, e tu dizes que te causei stress pós-traumático.
- Não estou a dizer isso. - Estás a dizer o quê?
Que foi horrível.
Horrivelmente horrível.
- Para ti, claro. - Sim.
Mas não estarias lá se não fosse eu.
Eu estava lá porque a Taverner me mandou seguir-te.
- Se queres chafurdar… - Não é isso.
Ainda bem. A culpa não foi tua, ponto final.
Então, estás viva?
Também é bom ver-te. Queres chá?
Sim.
Quem raio é o Frank?
- O quê? - Os gritos com o pé de cabra.
Ele é…
Não importa.
Então, que fazes aqui?
Estás à espera de alguém?
Reconheces o carro?
Não. Mas pode ser o meu pai.
É possível que ele me esteja a tentar matar.
É esse o Frank.
Não é o teu pai.
Vieram matar-me.
Olá?
Está alguém em casa?
Estamos perdidos!
Precisamos de direções.
Vá lá.
Raios! Faz pouco barulho.
Desculpa. Vais dizer-me quem são eles?
- Não sei quem são. - Estas vacas…
- Como não sabes quem são? - Não sei quem são, River.
Como sabes que te querem matar?
Maravilha.
- Que foi? - Tenho merda no fato.
Porque estás vestido à mórmon?
- Porque fui a um funeral. - De quem?
Isso não importa. Só importa quem…
- Importa, sim. De quem? - Merda! Porra!
Que estás a fazer?
Aonde vais?
- Não vou entrar aí. - Porquê?
- Olha para o tamanho delas. - River, vê se cresces!
BASEADA NOS LIVROS JOE COUNTRY E SLOUGH HOUSE
Como estava a dizer, cumprimento de regulamentação.
Valores padrão da indústria. Muito abaixo do orçamento.
E passamos às mudanças do próximo ano.
As grandes mudanças deste ano
serão no plano de resposta à violação de dados do nosso cliente.
Tradicionalmente, é a área que exige mais trabalho.
É aqui que falamos do banco da Sérvia e do Deutsche Bank?
- Sim. - Sim, é.
Muito bem. Sim. Adiante…
Obviamente, os envolvidos
sabem quantas horas foram necessárias para tratar da situação
e resolver tudo.
Ninguém o quer repetir.
Mas a Pesquisa e Desenvolvimento está empolgada com os preditores de IA
conseguirem atuar e solucionar este tipo de trapalhadas.
- Vamos concentrar-nos… - Olá. MI5.
Viemos ter com a Louisa Guy.
- Sim. Olá. - Tem de nos acompanhar.
Desculpem. Quem são vocês?
- Tem de nos acompanhar. - Estou a trabalhar.
- Estou numa reunião. - Ela fez alguma coisa?
Não, pelo contrário.
Infelizmente, o seu tio Blake teve um acidente horrível.
É uma situação "túmulo-tuosa".
Certo. Eu não posso sair.
Por favor, Louisa. A família vem primeiro. Isto pode esperar.
Não, a sério. Não é preciso.
- É preciso, sim. - Não devem precisar de mim.
Precisamos mesmo.
Eu e o tio Blake não nos falamos há meses.
- Afastámo-nos. - As pessoas que o mataram não sabem isso.
Acho mesmo que devias ir.
Sim, lamento muito por isto.
Podiam ter-me ligado. Teria sido mais fácil.
Eu envio-vos um email. Desculpem.
Estás incrível, já agora.
Obrigada.
Muito bem.
Cumprimento de regulamentação.
- Que raio foi aquilo? - Eu avisei.
Não estivemos no nosso melhor, admito.
Porquê o "túmulo de Blake"?
Alguém anda a matar cavalos lentos.
Já mataram o Struan Loy e a Kay White.
Vamos para uma casa segura. Queimaram o Struan vivo.
No contentor onde ele vivia.
Caramba!
Porque vivia num contentor?
- É teu? - Sim. Tu vais atrás.
Segue para norte e, depois, para leste.
Dá-me o código postal.
Tenho um mapa.
E eu tenho GPS.
Que merda é esta?
Porquê o Struan e a Kay? Eles saíram há anos.
Há uma lista com todos os nossos nomes.
Isso é religioso?
Bolas! É um porta-chaves de Bali. Não mexas nas minhas coisas.
E todos os que trabalharam em Slough House são um alvo.
Raios! Carro novo, idas a Bali. Alguém subiu na vida.
- O carro é da empresa. - Meu Deus!
- Que foi? - A Moira! Ela trabalhou em Slough House.
Também pode estar na lista.
Este dia está cada vez melhor.
Sim, mas não é tão gay como diz,
porque, quando cheguei, o sacana tinha a mão dentro da saia dela.
Não.
A verde de veludo que ela comprou na Marksies.
Sim.
Ouve, tenho aqui gente. Já te ligo. Sim.
- Em que posso ajudar? - Vim pelo Reece Nesmith.
Isso não chega.
Que tal o pai dele ter sido morto, e o Reece poder ser o próximo?
Está a gozar. Pensava que ele tinha voltado a roubar.
Vou levá-lo sob proteção.
Sem aviso prévio, não vai.
Ouviu a parte de ele correr risco de vida?
- Tem de ligar com antecedência, querido. - Estava uma gaja a bloquear a linha.
Ninguém ligou.
- E, sem aviso prévio, eu não vou… - Veja o ficheiro dele.
Se se quer armar em esperta, veja o ficheiro dele.
Ele está ali em cima, à esquerda.
Suba os degraus.
Não me diga.
Ele não está aqui.
Raios partam!
Vais a algum lado?
- Sra. Diretora… - Agora, não.
Diana.
Não me lembro de o ter convidado. Portanto, se não se importa…
Prefere falar sobre isto na entrada?
Visto que não sei o que "isto" é…
Isto? Isto, Diana?
Isto foi a sua decisão de falar na televisão nacional
e de nos expor a um escrutínio que só nos dificulta a vida.
Estou a ver.
Então, Park tem de adotar
os deuses gémeos da Transparência e da Responsabilização.
Uma frase que creio ter lido em vários dos seus emails, exceto…
… quando se requer mesmo transparência e responsabilização.
Era isso que pretendia? Melhorar a nossa imagem pública?
Não é isso que o Oliver e a restante elite me andam a chatear para fazer
desde que assumi o cargo?
Não indo à televisão.
Os Serviços ficaram a parecer um antro de intriga.
Só segredos e encobrimentos. E retaliação? Que raio foi aquilo?
Em retrospetiva, talvez tenha sido ingénua ao me ter colocado naquela situação.
Então, é mentira?
Por amor de Deus, Oliver!
É um truque de tabloides já com barbas.
Faz-se uma pergunta sobre um rumor inventado
e, seja qual for a resposta, isso só dá força ao rumor.
Infelizmente, isto não acabou. Haverá consequências.
Sim. E uma delas é estar no meu escritório muito depois da minha hora de ir dormir.
E da sua também.
Boa noite!
- As vacas são caras. - Mas tem uma centena.
- Custam três mil libras. - Três?
- Sim. - Não custam nada.
- Pesquisa. - Não tenho telemóvel.
- Incrível teres-te esquecido. - Largaste o teu.
Caiu-me do bolso enquanto fugíamos.
- Porque te querem matar, Sid? - Não sei.
- Que é isso? - Não é nada.
- Sid, tens a mão a tremer. - Eu sei. Foi dos tiros.
Já passa.
Acontece muitas vezes?
Não sei, não têm disparado contra mim. Mas o fogo de artifício perdeu a piada.
- Merda! - Merda!
Por ali.
Vai!
Viste quem estava com ele?
Nada de russo.
Continuamos com joguinhos?
Acabou a brincadeira.
- Que perda de tempo. - Pode ter o sono pesado.
Moira!
O River vai ter connosco?
A menos que o pai lhe deite a mão. Apareceu a abrir no funeral.
- Moira! - Que funeral?
Do avô dele.
Sim, foi hoje. Nem sempre me visto assim.
Moira!
Gás. Cheira a gás.
O quê?
Merda.
- Céus! - Moira?
- Moira. - Moira.
- Está a respirar. - Vou procurar a fuga.
- Moira! Vá lá! - Moira.
- Vá lá! Acorda. - Moira.
Vamos tirá-la daqui.
Vamos! De pé.
- Um, dois, três. - Sim.
Isso mesmo. Vamos.
Que aconteceu?
Disseram que era uma fuga de gás.
Acho que vaporizaram algo na minha cara.
Como te sentes agora?
Bem. Não.
Meu Deus!
Fui tão estúpida por os ter deixado entrar.
- Vamos sair daqui. - Toma, Moira.
Vamos levar-te connosco para uma casa segura.
Levanta-te. Isso mesmo.
- Janelas abertas. - Estás preocupada com o carro?
Para entrar ar, Shirley.
Sra. Diretora, é para si.
Do Damien Cantor. Já foi examinado.
Tem um tempinho?
Está bem?
Que queres dizer?
Deu uma entrevista televisiva sem a incluir na agenda
e sem informar os subdiretores e a sua chefe de segurança.
É bastante invulgar.
Estás a questionar a minha capacidade mental?
Se alguém a ameaçou a si ou a um familiar seu…
- Se está a ser coagida… - Chega!
Não, já chega.
Contares ao Lamb do Struan Loy foi um ultraje, mas isto?
Como te atreves a julgar as minhas decisões?
O Loy pertenceu à equipa do Lamb. É protocolar avisá-lo.
O protocolo sou eu.
Não, isto só está a acelerar a minha decisão.
Já o devia ter feito há muito tempo.
Estive a reavaliar o teu desempenho.
A minha última avaliação foi mais do que satisfatória.
O meu antecessor admirava-te muito.
Talvez isso tenha afetado a sua imparcialidade.
Não te preocupes. Não estás despedida.
Vais só mudar de ares.
E, como pareces estar tão ligada a Slough House, pensei que fosses gostar.
Está a gozar, certo?
Estou com cara de gozo?
Sem querer ofender, é difícil dizer.
Slough House, está decidido.
Destruiria uma cidade para salvar a pele, não é?
Depende da cidade.
Com todo o desrespeito, Sra. Diretora, vá à merda mais o seu trabalho.
É aqui.
Se quer que o miúdo fale, temos de o levar ao seu habitat.
Por amor de Deus!
ZONA DE JOGOS
Já estás feliz? Sim?
Sim, safa.
Ho, arranja algo para ele se pôr em cima e jogar.
- Porquê eu? - Que mais estás a fazer, porra?
Sabes quem poderia querer o teu pai morto?
Até mo dizer, nem sabia que ele estava morto.
Lidaste bem com isso. Já vi que eram chegados.
Isso não é consigo.
Já percebi porque te pôs num lar.
Toma. Estás feliz?
Levanta-me lá.
Devias dar graças por te termos salvado.
O dinheiro?
O jogo não começa sozinho, não é?
Ho.
Então, não viste o teu pai ser morto?
Não foste tu quem vi nas imagens de segurança?
Devia ser outro minorca em fuga.
Diz-se anão. E, sim, deve ter sido isso.
No teu lugar, dava com a língua nos dentes,
porque eu sou a única pessoa entre ti e o homem que matou o teu pai.
Não preciso da sua ajuda. Safo-me bem sozinho.
Vão todos tremer como varas verdes quando te virem a chegar.
"Fujam! É o Topo Gigio."
O homem que limpou o sebo ao teu pai é um antigo agente da CIA.
Achas que ele não viu a tua fotografia?
Só sei que ele chegou com dinheiro.
Parecia trabalhar para alguém.
Alguém que o meu pai estava a chantagear sobre um ficheiro roubado.
- Que está a fazer? - Sacaste algo de jeito?
O quê?
Quando estavas a ver as coisas do teu pai. O Gollum estava à procura do seu precioso?
Eu não vi as coisas dele.
Não vasculhe as minhas coisas.
Vi o meu pai ser assassinado. Estou triste, traumatizado.
Sim. E eu sou uma bailarina.
São teus?
Aquele é.
Muito bem. Vamos.
- Aonde vai? - Não vamos jogar?
Vamos!
Raios partam.
Que foi?
Sid, está desocupada, e a próxima casa fica a quilómetros daqui.
Podemos entrar antes que eles voltem a aparecer?
Ainda não me disseste porque te querem matar.
Não sei. Preciso de aceder à internet.
Para pesquisares "porque me querem matar"?
Há umas semanas, recebi uma ordem de mudança de Park.
Era para Cazã.
Cazã, na Rússia?
Não, River. Cazã, em Upper Richmond.
Do que me lembro, eras muito mais simpática.
E tu eras mais bonito.
Portanto, Cazã?
Sim. Portanto, liguei para Park, e disseram que fora um erro do sistema.
Não lhe dei mais importância.
E, uns dias depois, eles chegaram.
À tua casa?
Não, à aldeia onde me realojaram depois do hospital.
Andaram porta a porta a perguntar pela Sid Baker.
Percebi que algo se passava e fugi.
E achas que as duas coisas estão ligadas?
Acho que há uma razão para me estarem a tentar matar.
Tenta isto.
Já liguei à polícia. Chegam daqui a uns segundos.
Muito bem. Tenha calma.
- Como se chama? - Isso não lhe diz respeito.
Certo. Não lhe vamos fazer mal, está bem?
Pouse o telefone.
Não tenho nada de valor. Não vale a pena ir para a prisão.
Ouça. Está a salvo, está bem?
- Somos do MI5. - River.
- Provem-no! - Ela não está ao telefone.
- O quê? - Ela não está ao telefone.
Não está ligado. Não tem bateria…
Mas que raio?
Muito bem. Quer ver? Tome. Está satisfeita?
Mas que raio?
A fotografia é antiga.
Merda…
Tem um computador que possamos usar?
Moi, se quiseres vomitar, usa isto.
Nem pensar!
- Catherine, dá-me a tua mala. - A minha? Não!
- Queres trocar de lugar? - Meu Deus! Está bem.
Raios!
EM MEMÓRIA DE DAVID CARTWRIGHT
- Que estás a fazer? - Vamos fazer uma paragem.
- Será sensato, nestas circunstâncias? - Nestas circunstâncias, é essencial.
Se vamos parar, alguém me arranja água?
Não. Que outra senha pode ser?
Tente o aniversário do meu marido.
- Sim. - Nove, ponto,
cinco, ponto, 38…
… ponto.
Albert Eric Smith,
dia 9 de maio de 1938.
MORTE EM CAZÃ, NA RÚSSIA
Não sabia que ainda havia esta marca. A comida é boa.
Já não deve haver. Comprei ao meu marido antes de ele morrer.
Quando foi isso?
Em 2006.
Foi?
Lamento.
Era secretária?
Desculpe?
No MI5?
Não.
Não, Anne. A Sid era agente.
Sim. Na verdade, ela foi alvejada em serviço.
Onde?
Em Londres.
Não. Em que parte do corpo?
Consegue ver?
Dói?
Às vezes.
Parte da bala continua lá dentro.
Às vezes, fala comigo.
- Fala contigo? - Às vezes.
Tem nome?
Meu Deus! Tem nome?
- Chamo-lhe Poirot. - E que diz ele?
Sobretudo, para eu não ser alvejada.
Então…
… vocês estão juntos?
- Céus, não! - Não.
É uma pena já não se poder fazer sexo com os colegas de trabalho.
Aquelas raparigas todas a fazer tanto alarido por um apalpãozinho.
Como se vai conhecer um bom partido se já não se pode…
… sair com o chefe?
- Eu sou superior dele. - O quê? Não és nada.
- Sou, sim. - Não, não é. Não! Ela…
Somos iguais.
Eu estava a investigar-te. Nem sou um cavalo lento.
- Ele aceitava subornos? - Provavelmente.
Não, não aceitava subornos.
Tem pinta disso.
Com esse fatinho vistoso.
Fui a um funeral, Anne.
Lamento.
- Tudo bem. - Lamento.
- Vou fazer-lhe um chá. - Obrigado.
River.
- Sabes ler russo? - Sim, era a melhor da turma.
É sobre uma mulher que foi morta em Cazã.
- Mas… - Quem morreu?
- Ninguém. - Uma mulher em Cazã, na Rúss…
Não importa.
É só um parágrafo. Não tem pormenores.
Certo.
O meu avô dizia sempre:
"Notícias na capa, desporto no final, e homicídios escondidos na 12.ª página."
Como foi morta?
Dois tiros na cabeça. Um assalto que deu para o torto.
Dois tiros na cabeça?
Isso não é um assalto, pois não?
- É um homicídio. - Quem é?
Merda! Baixa-te. Anne, baixe-se…
São duas pessoas. Um homem e uma mulher. Jovens.
Não os deixe entrar. São perigosos.
- Não vá à porta. - Mas eles viram-me.
- Não vá à porta, Anne. - Tenho de ir.
- Baixe-se. - Eu livro-me deles.
- Não! Anne. - Anne.
- Eu livro-me deles. - Deixe estar. Anne, deixe-os ir.
- Raios partam! - Anne.
Anne.
- Espere. - Não abra a porta.
- Olá. - Boa noite.
Desculpe incomodar, mas estamos perdidos.
Queríamos saber se sabe o caminho para o White Hart.
Lamento, mas nunca ouvi falar.
Não saio muito. Vivo sozinha.
Vamos encontrar-nos com uns amigos.
Um casal?
Viu-os?
Ela tem cabelo escuro.
Não, não vi ninguém.
Ainda há pouco estava a dormir.
Que a acordou?
Tenho um sono muito instável.
Velhice e maternidade, querida.
A bexiga já viu dias melhores. Adiante, boa noite…
- Podemos usar o seu telefone? - Prefiro que não o façam.
- Deixe-nos entrar. - Não vai acontecer.
- Onde estavas? - O quê?
Onde estavas?
River.
Aonde vamos?
Alguém se anda a descuidar no carro?
Ele consegue dar bufas de propósito.
Raios!
Deixem-me sair. Tenho problemas de respiração.
Raios!
- Que estás a fazer? - Vou contigo.
- Não é preciso. - Não quero saber.
Por favor, não. Não me deixes sozinha, Catherine.
Vou buscar-te água, Moira. Espera aí.
Onde arranjaste tanto dinheiro? Também és traficante de droga?
Tu adorarias isso, não é?
Fechados.
- Somos clientes. - E nós estamos fechados.
Boa! Nós…
O Marcus Longridge enviou-nos.
- Isto é alguma operação? - Não.
Prometem?
Então, em que posso ser útil?
Quanto custa aquela Beretta?
Percebes de armas.
Custa cinco mil libras.
Vá lá! Vale duas mil.
Sim. Mas é tarde, e estás com pressa…
Por isso, custa cinco mil.
Que posso comprar por duas mil?
Tenho a solução perfeita.
Então, como está o Marcus?
- Está morto. - Não toques no material.
Lamento pela vossa perda.
Morreu depois de lhe revenderes a arma pelo dobro do preço.
Tarifa dinâmica.
Tarifa dinâmica, o tanas!
Tens de esperar no carro?
Aqui está.
Que raio é isso?
É o que podes pagar.
Duas mil.
- Compras-me uma arma? - Vai-te lixar.
- Um arpão? - Vai-te lixar.
Cuidem-se, senhoras.
Vai-te lixar.
Que simpáticas.
Catherine.
Não me parece aconselhável ficar no carro sozinha.
E se um deles voltasse?
Que se passa? Estão aqui?
Baixa a voz e a cabeça.
Olha! Rosé.
Não é ele.
Não é o homem com a máscara de gás. Graças a Deus!
Olha, estou a tremer.
Moira, não sabemos quem são.
Podem ser qualquer pessoa. Temos de ter cuidado.
Estou a ver.
Já se foi embora.
Voltamos para o carro? Acho que é melhor.
Não, vamos comprar a água.
Esquece a água. Preciso de uma bebida a sério.
Sempre que estou com vocês… Sempre!
Eu nunca estive propriamente em Slough House.
Essa é a ironia.
Foi tudo um grande erro.
Ou explicas isso a quem nos quer matar ou estamos nisto juntos.
É tudo?
Paracetamol ajudaria?
- Sim, por favor. - Paracetamol.
Estou a pensar que alguém sob o nome Sid Baker
matou alguém da oposição em Cazã, no território deles.
Algo contra as regras. Daí o esquadrão da morte.
Sim, alguém dos Serviços Secretos russos.
Sim.
Tenho de ligar à Taverner.
O quê? Porquê?
Pelo que acabaste de dizer.
Um homicídio clandestino na Rússia, com a minha identidade.
Certo, mas porque tens de ligar à Taverner?
Para a informar, para a avisar.
Para a avisar? Sid, ela deve ter planeado o ataque.
Não, pensa bem.
Park disse-nos que estavas morta,
e não há nada mais clandestino do que uma agente morta, pois não?
Corre.
Corre! Merda.
- Tudo bem? - Raios partam!
- Vieste dar um passeio? - O Lamb enviou-me. Quem é esta?
É a Sid Baker.
Sid, este é o Coe.
Tudo bem. Ele está connosco.
Olá.
Que estás a fazer?
Vou entrar.
Que modos são esses?
O quê?
Queres sentar-te à frente?
Sim, adorava. Obrigada por perguntares.
Posso demorar.
Tenta mantê-lo vivo enquanto estou fora.
Então? És o assistente dele?
Isso não é contigo.
Somos parceiros.
Que foi ele fazer?
Não tens autorização para saber isso.
Não sabes, pois não?
Estou a tentar salvar-te a vida. Que estás a fazer?
- O quê? - Podem localizar o telemóvel. Desliga-o!
- Mas que raio? - Desliga-o!
Mas que raio? Está bem. Olha! Sim? Estás feliz?
- Sim. - Estás feliz?
- Merda. - Caramba!
Meu Deus! Que é isso?
Que te parece? É uma tatuagem.
Na verdade, é mais do que isso.
É uma recordação
de que vi coisas horríveis que me mudaram.
Quando olho para ela, lembro-me: "Dor é força."
Lembra-te disso, Padawan.
Sim.
Os outros já estão na casa segura?
- Estão a caminho. - E a Louisa?
- Foram buscá-la? - A Shirley e a Catherine foram buscá-la.
Eu vim buscar-te.
Tu devias estar morta.
Bem visto, Coe.
Posso usar o teu telemóvel, por favor?
Não. Nada de telemóveis.
Preciso de um telefone público. Tenho de avisar a Taverner.
- Já lhe disse. - E eu estou a dizer-te
que sei coisas sobre a Taverner que tu desconheces.
Há um centro comercial ali à frente. Vamos procurar um telefone público.
A diretora do MI5, Diana Taverner,
está a ser criticada após ter dado uma entrevista televisiva
em que os peritos dizem que pode ter deixado escapar pormenores
sobre a resposta britânica aos recentes ataques do agente neurotóxico.
A especulação e a controvérsia aumentam quanto ao seu uso da palavra "retaliação".
Apesar de se ter retratado,
a palavra levantou muitas questões.
Questões às quais o MI5 ainda não respondeu.
- Houve retaliação… - Espere. Eu…
… foi com a segurança pública…
- Que estás… - Que estás a fazer no meu jardim?
Depois, tu dizes que o jardim é teu, e improvisamos a partir daí.
Sabes quanto tempo os cães demoram a chegar.
Mais vale sentares-te enquanto esperamos.
Que queres?
Sabes alguma coisa sobre os meus agentes estarem a aparecer mortos?
O Struan Loy e a Kay White?
Acho que não há nada de especial.
- É só uma coincidência. - Uma coincidência, sim.
É difícil trancarmo-nos num contentor.
E a Kay White podia ser estúpida,
mas não ao ponto de cair do barco em que vivia há 12 anos.
Os teus agentes não são conhecidos pela astúcia.
E também é coincidência o Frank Harkness ter assassinado um agente teu?
Sim, um cão. Um antigo cão, chamado Andy Nesmith. Conhece-lo?
Ele levou a cópia física dos ficheiros dos cavalos lentos antes de se ir embora.
Pensei que soubesses algo sobre isso,
uma vez que eliminaste todos os nossos ficheiros digitais.
Diz aos teus agentes para irem para Park
- enquanto percebemos o que se passa. - Céus! Nunca na vida.
Tens uma fuga que deixaria o Julian Assange orgulhoso.
No teu lugar, pediria à Flyte para descobrir
para quem o Andy Nesmith podia estar a trabalhar.
A Flyte foi demitida. Problemas de desempenho.
Que aconteceu?
Viu a entrevista
- e disse que ficavas gorda na televisão? - Cala-te.
Desembucha lá.
Acho que o Harkness está numa operação de limpeza a mando de alguém.
Não irritaste ninguém recentemente, além de mim?
Alguém que possa ter contratado o Frank, por retaliação?
Não.
Diana. Vá lá!
Não.
O que se passa com os teus agentes não tem nada que ver com as minhas operações.
Se já acabaste, agradecia que te pusesses na alheta.
Tive um dia muito complicado.
Posso sair pela casa?
Não. Sai por onde entraste.
Mas eu entrei pela casa.
Quanto mais pessoas mato, mais…
… humano acho que me sinto.
Isso faz de mim um psicopata?
Provavelmente.
Há quanto tempo trabalharam juntos?
Há três anos.
Confias nela?
Sim.
Nenhum dos telefones funciona. Vou ver lá dentro.
- Eu devia ir. Sim. - Sim.
Espera.
Legendas: Lara Kahrel
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