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Quando o casamento não vai bem, o que você faz?
Como terapeuta de casais,
já vi todo tipo de reação.
Alguns brigam. Tudo vira desculpa
para expressar seu ressentimento.
"Você não põe a louça na máquina do jeito certo."
"Você esqueceu de comprar leite."
"Você nunca me escuta."
"Você nunca me ouve."
Alguns se recolhem à própria vida
até os parceiros ficarem como dois navios na noite,
se cruzando no corredor com um aceno.
"Oi, querido. Tchau, querido."
E alguns traem.
Então, como você "mantém tudo junto"?
Posso ajudar você a melhorar seu casamento,
como já ajudei tantos casais no meu consultório.
Algumas histórias deles estão no meu livro,
e alguns desses casais felizes estão aqui hoje.
Este, este é meu Graham.
Estamos felizes e casados há 11 anos.
Quer saber como fazemos?
Sim.
Começa com confiança.
♪ I put a spell on you... ♪
Temos que parar.
Você tem que vir me buscar.
Me persiga.
Me persiga!
O desejo humano é um fogo que precisa ser atiçado.
Precisa de ar e agitação.
Graham e eu nos esforçamos para manter o romance vivo.
♪ You know I can't stand it ♪
♪ You're running around... ♪
Somos generosos com nossas palavras.
Nós nunca nos perguntamos o que o outro está sentindo.
Nós não temos medo de sermos sentimentais.
♪ I put a spell on you... ♪
Eu te amo, eu amo...
Lembra disso?
Você me deu depois da sua viagem à Costa Rica.
Me disse para nunca tirar.
Costa Rica? Isso foi há uns 20 anos.
Você ainda tem essa coisa?
Claro que tenho, bobo.
Talvez eu fique um tempo sem te ver.
E o mais importante:
nunca, jamais desistimos um do outro.
Preciso focar no trabalho.
E acho que o Graham está começando a perceber.
Quando você vai voltar para a Califórnia?
Ah. Eu queria te contar a boa notícia.
Consegui um show com minhas músicas em um pub no Queens,
então acho que vou ficar por aqui.
A cena musical está morta em L.A. de qualquer forma.
Como assim, ficar por aqui?
Você nem tem apartamento.
- Você cuida da casa de alguém. - Sim.
É um esquema bem bom.
Ele vai me deixar ficar até novembro.
Não, não, não, não, não.
Você precisa ir para casa, Casey.
Não posso continuar fazendo isso.
Não consigo funcionar com você na minha cidade.
Se quer terminar, é só falar, querida.
Provavelmente vou estar bem ocupado com a música.
É isso? Não vai lutar por mim?
Ei. Vá com calma, valentona.
Por que eu lutaria por você?
Você sempre volta.
Você achou meu Hacky Sack.
Maneiro.
O que é isso?
Você não pode continuar fazendo isso comigo!
Luke, espera.
Aonde você vai?
Acha que basta me mandar uma mensagem e está tudo bem?
O quê? Hã?
A Lauren não vai a lugar nenhum, mano.
Quem é Lauren? O que,
- que mensagem? - Quer resolver isso?
Vamos resolver isso agora.
Vamos.
Por que você não me deixa em paz?
O quê? Não.
Ooh, um Hacky Sack.
Ah, a vítima é universitário?
Qual nada. É um músico de 48 anos
chamado Casey Arthurs.
O endereço na identidade dele é em Van Nuys, Califórnia.
- E o que ele fazia aqui? - Cuidando da casa de alguém.
A mulher que mora em cima diz
que ele está na cidade há uns dois meses.
Ele cuidava do apartamento do cara que mora aqui.
Parece que o cara está fazendo o Caminho?
Vou precisar de mais detalhes.
É uma peregrinação pela Europa.
Hã, alguns fazem o trecho final de joelhos.
Ou, acho, isso se chama engatinhar.
Sobre a vítima.
- Quem o encontrou? - Hã, a vizinha.
Ela disse que viu sangue na porta hoje de manhã,
então entrou e encontrou o Sr. Arthurs.
A perícia diz que ele morreu há pelo menos 12 horas.
Ele tem um único ferimento de bala no peito.
Também tem um corte sobre o olho esquerdo, de briga.
Ah, o assassino usou isto.
Achamos no chão aqui.
Está registrada no nome da vítima.
Sem sinais de arrombamento, então a vítima deixou o cara entrar.
Eles trocam socos, e...
...nossa vítima pega a arma.
Mas o agressor a toma e a coisa desanda. Hã?
Por que ninguém avisou ontem à noite?
Hã?
Quer dizer, os vizinhos ouviriam uma briga.
Ou um tiro.
Os Rangers jogaram ontem à noite.
Tem um bar esportivo embaixo. Talvez estivesse barulhento.
Talvez. O que você é, torcedor dos Blackhawks?
Ah, Deus, não.
Mas Teddy e Roy ficaram vidrados em hóquei ultimamente.
Eu também.
Com licença.
Hã.
Para um apartamento sujo,
está bem limpo por aqui.
Mais ou menos.
Hã.
Ooh. Parece que alguém
pôs isto aqui para gelar e depois esqueceu.
Hã. Riesling.
Isso parece caro.
Hã.
Vinho bom, cerveja barata.
Arma barata também.
Mas ainda funciona.
Hã. Não vejo nenhuma impressão digital.
Ainda não examinaram.
Vão testar no laboratório.
Mas...
tem impressões digitais sangrentas na maçaneta, viu?
De quando alguém fechou a porta ao sair.
Se o assassino tinha sangue nas mãos,
por que não há impressões sangrentas na arma?
Talvez usasse luvas.
- Mas por que tiraria? - Talvez não tivesse
sangue nas mãos até depois de atirar.
Boas notícias, detetive. O telefone da vítima
tem duas chamadas perdidas e uma mensagem raivosa.
- Ah, de quem? - Um cara chamado Luke?
Certo, vamos fazer
uma visita a um cara chamado Luke, vamos?
Não quero apressar você, Serena,
mas eles precisam montar os slides da sua palestra de encerramento.
Já tem um tema?
Sim.
Eliminar a tentação.
Parece que você tem um triângulo amoroso.
O quê? Ah.
Sim. Sim, sim, sim, você provavelmente tem razão.
- Razão sobre o quê? - Sobre o crime, é um...
clássico triângulo amoroso.
Cara conhece garota, ela é casada, o cara acaba no necrotério.
Meio que dá vontade de ser solteiro.
- Concordo. - Eu não saberia.
Voltei aos apps de namoro.
Você usa?
Eu nem gosto de comprar online.
Está bem desanimador por aí.
Mesmo assim, ela persiste.
Ei, o Teddy e o Roy já definiram a data do casamento?
Ainda não. Eu gostaria que definissem
Eu não posso começar um painel sem saber a estação do ano.
Quanto tempo ele irá
nos fazer esperar? Um homem está morto.
Então qual é a pressa?
Este é nosso principal suspeito, Luke Prescott.
O detivemos a noite toda para interrogatório,
mas preciso da sua autorização para acusá-lo do assassinato.
Alguém acha que precisamos de mais provas materiais antes.
Como se admitir ter agredido a vítima não bastasse.
- Quer detalhar? - Não estou dizendo que não foi ele.
Só estou dizendo que há inconsistências
que precisamos explicar antes.
Por exemplo, as digitais sangrentas do Luke
estavam na porta do apartamento,
mas o laboratório examinou a arma e ela estava limpa.
Nenhuma prova de que Luke sequer a tocou.
Isso não lhe parece estranho?
Impressões sangrentas na cena do crime
são difíceis de contestar, até para você.
Mas diante do acordo
pago recentemente por uma prisão ilegal,
prefiro prosseguir com cautela.
Talvez ele não tenha agido sozinho.
Tem um motivo?
A vítima dormia com a esposa do suspeito.
Ele até mandou mensagem para se exibir.
Sim, isso faz algum sentido para você?
Pressione o suspeito mais um pouco.
Mas primeiro fale com a esposa.
Ele matou o Steve?
Quem é Steve? Nossa vítima se chama Casey.
Hã...
Talvez você o conheça por outro nome?
Não reconheço este homem.
Pense melhor.
Um músico visitando de L.A.
Ele cuida da casa de alguém no Lower East Side.
Um cuidador de casa? Isso é...
não é bem meu tipo.
Eu estou vendo alguém...
por favor, não conte ao Luke...
mas o nome do meu namorado é Steve, não Casey.
Steve trabalha com finanças e tem
- uma terceira casa nos Hamptons. - Mas você está
traindo seu marido, certo?
Ah, Deus.
Que confusão.
Todos tinham mais esperança com Jack e Jill.
Quem são Jack e Jill?
Nossos pseudônimos.
Luke e eu íamos a uma terapeuta de casais,
e ela escreveu sobre nós no livro dela
Keeping It Together.
Serena troca os nomes dos pacientes por privacidade.
Quer dizer Serena Collyer?
Adoro ela. Ouço o programa dela no rádio
o tempo todo, onde as pessoas ligam pedindo conselhos.
Ah, ela é boa.
- Não tão boa. - Ah, não, não, confie,
ela tem jeito com as palavras.
Ainda bem que a Serena não estava por perto há 20 anos,
senão eu talvez ainda estivesse casada.
Ah, vamos, Luke, só nos diga
o que realmente aconteceu com Casey Arthurs.
Discutimos, ficou um pouco físico, e eu saí.
Eu não atirei em ninguém!
Acha que nunca me mentiram antes?
Certo.
Vamos começar do início.
Casey mandou uma mensagem, certo?
E depois? Por que foi até lá?
Sou obrigado a responder?
Legalmente, não.
Não precisa responder perguntas que não quiser.
Mas quanto menos fala, mais culpado parece.
Sua esposa Lauren
nos disse que sua terapeuta de casais escreveu
sobre você no livro dela,
então comecei a ler o capítulo sobre vocês.
Serena Collyer chama
seu relacionamento de "sexualmente volátil".
Então parece que você tem um sério problema com ciúme.
Precisa ler o capítulo todo. Eu melhorei.
Lauren e eu fomos um dos casos de sucesso dela.
Fale com a Serena. Ela vai te contar tudo.
Não sou um homem violento!
Adoraríamos falar com a Serena,
mas infelizmente terapeutas não podem revelar nada
sem sua permissão.
Você teria que renunciar ao direito de sigilo.
O que for preciso. Você vai ver, não sou assassino.
Ah, vocês devem ser os detetives.
Bem-vindos ao Santuário. Sou Serena Collyer.
Bem, eu sou o detetive. Ela é, hã...
É um prazer conhecer você. Oi.
Sou Elsbeth Tascioni. Sou uma grande fã.
Ouço seu programa de rádio o tempo todo.
- Uau, você é igual à sua voz. - Ah, ah, cuidado.
Ooh. Hã...
o que acontece aqui?
Eu estou organizando o meu workshop anual de relacionamentos.
Fazemos terapia de casais em grupo aqui.
Sentar em almofadas ajuda a manter os pés no chão.
Aposto que dói muito menos
quando jogam elas um no outro, hã?
Hã, o que pode nos dizer sobre Luke Prescott?
Nós soubemos que você foi terapeuta de casais dele
por dois anos.
Sim, fui.
Pelo que você disse ao telefone,
parece que o Luke espera que eu mude o meu depoimento
sobre a transformação dele?
Você pode fazer isso?
Infelizmente, não.
Luke sempre foi um esquentado.
Algo estava destinado a acontecer.
Ele é um homem ciumento, possessivo e casado
com uma mulher compulsiva sexual e com medo de compromisso.
Parece um casamento perfeito.
Já vi pior. Luke e Lauren...
eles progrediram. Está tudo no meu livro.
Quando eles pararam de se consultar, estavam em um momento bom, mas
o comportamento tóxico tem uma maneira peculiar de ressurgir.
O trabalho nunca está concluído.
- Certo. Tudo isso faz sentido, então, obrigado pelo seu tempo.
Sim. Obrigada.
Hã,
Quer saber de uma coisa? Há algo
que eu espero que você possa explicar.
A Lauren admitiu
ter um caso com um cara chamado Steve,
mas ela jura que não estava saindo com a nossa vítima, o Casey.
Na verdade, ela nega até mesmo conhecê-lo
Ah, ela provavelmente está com vergonha, então mentiu.
Com vergonha?
Ah, porque ele não estava à altura do padrão dela.
Entendi.
Como assim?
Ah, a Lauren mencionou que prefere homens que sejam mais...
estáveis financeiramente.
Já o Casey era um músico em dificuldades no centro.
Isso é ser gentil. O sujeito era um vagabundo.
Você não deveria julgar uma pessoa por sua situação econômica
ou por qual parte da cidade ela está morando.
Você poderia deixar de notar as características
que fazem dela uma alma bela e criativa.
Certo.
Hã.
Você disse "hospedado" em vez de "morando".
Hã, como sabia que Casey era de fora?
Falou com a Lauren recentemente?
É só um modo de falar.
Ah. Nosso tempo acabou.
Ah.
A não ser que vocês, hã, queiram ficar para o retiro?
- Ah, sim, por favor. - Ah, não, não, não, não, não.
Sinto certa tensão aqui.
Suas microexpressões dizem muita coisa.
Ah, obrigado. Vamos deixar você em paz.
- Quanto custa? - 20.000 por casal.
- Vamos pensar. - Não, não vamos.
Então, os caras
não podem me enviar mensagens a menos
- que eu curta o perfil deles primeiro. - Mm.
Ah, conheço ele dos clubes de comédia. Não.
Não.
Eu acho que o prendi no verão passado.
Você já tentou expandir os seus parâmetros de busca?
Eu suponho que poderia abrir a busca para todos os cinco distritos.
Na verdade, é melhor eu limitar a quatro.
- Eu não irei entrar em uma balsa. - Hmm.
Aquele é o detetive Smullen?
Eu pensei que ele fosse casado.
É.
- Ah. Bom dia. - Ah. Sim, um excelente dia.
Bom dia. Você queria me mostrar o telefone?
- Sim. - Certo.
Sim. Deixe-me apenas conectar.
Quero dizer, plugar.
- Ah, Deus. Ooh. - Opa. Ei, é o telefone errado.
Ei. Ah.
- Aqui está. Tudo bem. - Tudo bem.
Certo. Então, eu tenho investigado o telefone da vítima.
Ele tinha uma vida social muito ativa com as mulheres.
Hã, digitei uma lista,
caso você queira conversar com alguma delas.
Hã, também revisei todos os aplicativos de mensagem dele.
E infelizmente, não achei nenhuma ligação
entre Casey e Lauren, a esposa do suspeito.
Bem, então acho que vai ter que continuar procurando.
Me ligue quando achar algo.
Hã...
Isso foi rude. Você nem deixou ela terminar a apresentação.
Olha, esse caso é claro como água.
Luke é o nosso cara, com ou sem as mensagens da esposa para Casey.
Bem, você leu o laudo pericial completo
que acabou de chegar?
Não acharam resíduos de tiro nas mãos do Luke
nem na camisa que ele usou na noite do crime.
Não acharam? Bem, deve haver, uma explicação.
- Vou achar. - Ainda não entendo
por que Casey mandou mensagem
para o marido da amante em primeiro lugar.
Porque é a coisa nobre a fazer.
Nossa, o Smullen está bem irritadiço hoje.
Talvez tenha passado a noite arrastando a tela.
Desculpe.
Não devia ter dito isso.
- Achou alguma coisa? - Nada.
Quer dizer, é estranho.
Você pensaria que o número da Lauren estaria no telefone.
Ei, olhe isso.
"Careena." Que grafia estranha.
Acabamos de falar com uma "Serena".
Será que é a mesma?
Quero te ajudar a soltar toda essa culpa, Martha.
Você não sabia o que sentiam sobre festas surpresa.
Seus sogros deviam ter sido mais explícitos.
Mas agora é hora de deixar ir
e deixar que descansem em paz.
E nossa hora acabou.
Vamos dar um agradecimento muito especial
ao meu querido marido Graham por participar.
O prazer foi todo meu, minha querida.
Até a próxima, sou Serena Collyer,
desejando a vocês um lar feliz
e uma vida sexual saudável.
De preferência com a mesma pessoa.
Da próxima vez me deixe a última fala.
- O programa é meu. - Desculpe, meu amor.
Alguma chance de repetirmos a outra noite?
Tenho 12 pessoas chegando em uma hora,
todas desesperadas por minha ajuda.
- Não é o momento. - Você tem razão.
Eu devia ter respeitado seu espaço mental.
Como tivemos tanta sorte?
Disciplina.
Estamos no lugar certo?
Sim, e vocês chegaram na hora.
Por favor, me sigam.
Bem-vindos à Mesa-Redonda dos Relacionamentos.
- Podem se sentar. - Hã, sim, não é por isso que viemos.
Precisamos falar com a Serena.
Ah, vocês vão conhecê-la logo.
Mas primeiro vamos todos nos conhecer melhor.
Sim, isso não vai acontecer.
Tascioni, vamos.
Vamos!
Eu deveria responder a isso?
Certo, parece que já vamos direto ao ponto.
Alguém quer compartilhar o que está ouvindo?
Estou ouvindo muita raiva na voz do parceiro dela.
Hã, não somos parceiros.
Como é estar perto desse tipo de hostilidade?
Obrigado por perguntar.
Às vezes é bem ruim.
Não é tanto o tom dele, mas a resistência
a ver meu ponto de vista.
Não é verdade. Estamos aqui, não estamos?
Bem, eu praticamente tive que te arrastar.
Sim, porque é perda de tempo.
Ele não costuma ser tão emotivo.
Acho que ele está com fome.
Estou ouvindo você dar desculpas para seu parceiro.
- Não somos parceiros! - Não grite com eles.
- Eu estava gritando com você. - Pois não grite. Pare.
Esse vai e volta, é só ruído.
O que está por trás disso?
Se querem consertar o relacionamento,
precisam chegar ao cerne do problema,
aquilo que vocês têm medo de dizer em voz alta.
Então vamos falar.
O que está errado?
- Ele não me respeita. - Ela não me respeita.
Uau. E se vocês realmente ouvissem
um ao outro com essa verdade em mente?
Como isso coloriria sua resposta?
Excelente pergunta.
Bobby?
Vou ter que pensar.
Agora podemos ver a Serena?
Ah, Casey Arthurs.
Não conseguia lembrar do nome antes,
mas reconheço o rosto.
Conheci o Casey na pós-graduação.
Sinto muito pela morte dele.
Quão bem você o conhecia?
Namoramos por pouco tempo,
mas não mantivemos contato.
Quer dizer, sinceramente, me surpreende
que meu número ainda estivesse no telefone dele.
Não achava que fôssemos tão próximos.
Bem, ele escreveu seu nome errado,
então acho que não eram.
Não acha estranha coincidência, porém,
que um ex-paciente supostamente matou seu antigo namorado?
Não.
Acho que não perguntei onde você estava segunda à noite.
Eu estava fazendo uma caminhada de serenidade.
Você deveria tentar.
Deixo meus aparelhos em casa
e caminho por quilômetros,
para onde minha intuição me mandar.
Para onde sua intuição te mandou naquela noite?
Subindo a Hudson River Greenway.
Mm. Não entendo por que
você está me fazendo essas perguntas.
Onde você vê coincidência, eu vejo...
conexão.
Eu me conecto com pessoas profissionalmente.
Com o tempo, algumas dessas pessoas acabam
cruzando o caminho umas das outras.
É uma cidade grande. São muitas conexões.
Nova York é um colisor atômico
cheio de oito milhões de partículas se chocando
em busca de conexão.
Como amigos, parceiros sexuais casuais,
até almas conectadas...
amantes.
Quantas conexões vocês dois fizeram?
Nosso tempo acabou.
Meus casais precisam de mim.
- Essas são bonitas. - Ah.
Entre.
Hã...
Está tudo bem?
Preciso te contar uma coisa em confidência.
Recentemente descobri,
totalmente por acidente,
que alguém aqui tem perfil em app de namoro,
e essa pessoa é casada.
Elsbeth, isso não é da minha alçada.
É o detetive Smullen.
Sei que não deveria dizer nada.
A vida pessoal dele não é da minha conta.
Mas ele está tão irritado ultimamente,
quer dizer, mais que o normal.
E está afetando o trabalho dele.
Você tem razão.
Isso não é da sua conta.
E o Smullen não está mais espinhoso
que o normal, então não há problema.
- Mas estou preocupada com ele. - Está?
Ou você está só um pouco animada por ter uma boa fofoca
e precisava de alguém para contar?
Sem comentários. Vou me retirando.
Aham.
Claudia, você está sentada?
Certo, descobri uma coisa.
Bem, eu ouvi todos os discos de Casey Arthurs,
voltando ao início dos anos 2000.
Ele não era ruim, mas também não era bom.
Enfim, achei o mesmo nome em todos os discos.
Um cara chamado Viper tocava bateria.
E eu procurei ele.
Ele mora no Brooklyn.
Ooh. Boa ideia.
Talvez o Viper saiba mais sobre a vida pessoal de Casey.
Sim.
Desculpe.
Nossas ideias são engraçadas para você?
De jeito nenhum.
Parece que querem estabelecer uma conexão mais forte
entre Serena e Casey.
Queremos,
e, obrigada por ver nosso ponto de vista.
Eu acho que
Serena pode ter usado Luke como fachada
para um crime que ela cometeu.
Ah. Certo. Mas, com todo respeito,
como Serena saberia que Luke agrediria Casey?
Luke só precisava confrontar Casey,
o que Serena sabia que ele faria, com base no comportamento passado.
A briga foi sorte.
Mas reconheço suas... preocupações.
Com todo respeito.
Certo. Por que vocês estão falando assim?
Vocês parecem estar numa negociação de reféns.
Sim, alguns dias parece mesmo.
Certo, bem, hã, Viper está livre hoje,
então quem quer interrogá-lo?
- Ah. - Vocês dois vão.
Tenho um compromisso.
Sim, lembro da Serena.
Ela namorava o Casey.
Cara, fiquei muito abalado com a notícia.
- Ele era um cara bom. - Sim.
Sentimos muito pela sua perda, Viper.
Ah, pode me chamar de Jeff.
Hã, você lembra, Jeff,
quanto tempo Casey e Serena ficaram juntos?
Ah, eles iam e voltavam por anos.
Sim, era intenso.
Uma vez ela pegou um ônibus de seis horas
só para passar uma noite com ele.
Ele costumava acampar no sul,
e ela me ligava chorando, tentando falar com ele.
Casey nunca teve celular.
Por que ele não tinha celular?
Ele era analógico. Só tocava acústico.
Eu tirava sarro dele por só ter telefone fixo.
Ele só teve celular em 2014.
É o ano em que minha filha nasceu.
2014?
Ah. Serena já tinha seu consultório na época.
Ela disse que só namoraram na pós-graduação dela.
Espere. Então por que o número dela estava no primeiro celular
cinco anos depois?
Porque ela mentiu sobre ter perdido contato.
Você acha possível
que Serena e Casey ainda estivessem juntos?
Bem, Casey estava voltando para Nova York,
então me surpreenderia se não estivessem.
Mas aqueles dois eram tóxicos.
É como se fossem viciados um no outro.
Sabe, é... é meio surreal
que a Serena seja essa guru de relacionamentos agora.
Quer dizer, naquela época ela parecia um desastre.
Psiu. Elsbeth.
Venha aqui.
A Claudia falou com Sally Smullen.
É pior do que eu pensava.
Ela deixou o Bobby.
E agora ela foi fazer algum tipo
de, hã, jornada de autodescoberta
com as amigas divorciadas.
- Então ele não está traindo? - Não.
Estão oficialmente separados.
E segundo a Sally, ele não está lidando bem.
- Ah. - Espero
que você não o faça ler isso.
Pode parecer insensível.
Não. Estou só estudando a fundo o trabalho da Serena.
Aff. Mas agora
O mau humor do detetive Smullen de repente faz mais sentido.
Ah, ele está secretamente de coração partido,
e eu venho arrastando ele para terapia de casal.
- Não se culpe. Você não sabia. - Ah.
- Ah. - O Bobby é forte.
Ele vai superar.
- Luke, o que foi? - Estou enlouquecendo.
O que você contou à polícia sobre mim?
Respire. Está tudo... está tudo bem.
Que bom que você ligou.
Com licença. Preciso denunciar uma ameaça.
Serena. O que aconteceu?
Luke Prescott me ligou ontem à noite furioso,
exigindo saber o que eu contei sobre ele.
Não me sinto segura. Por que vocês ainda
não o prenderam pelo assassinato?
Gostaria de poder responder essa pergunta.
Capitão, se continuarmos enrolando nisso,
vamos ter sangue nas mãos.
O quão confortável você está em fazer o Luke falar?
- Faço qualquer um falar. Por quê? - Precisamos da sua ajuda.
Coloque uma viatura do lado de fora do apartamento do Luke.
Vamos colocar a senhorita Collyer em uma ligação monitorada.
Você concorda com isso?
Legalmente, sim.
Ele já renunciou ao privilégio.
Ótimo. Talvez ele diga algo que possamos usar.
Ah, eu adoraria ouvir essa conversa.
Hmm.
Então ele vai ver seu número normal.
Ele não vai saber que gravamos.
O detetive Smullen vai te dar algumas perguntas
para ajudar a conduzir a conversa.
- Combinado? - Claro.
O que for preciso para pôr esse...
homem perturbado atrás das grades.
Elsbeth, dê dois passos para trás.
Por favor?
Tem uma tensão real de "vão ou não vão"
entre vocês dois. Já exploraram isso?
- Não. - Sou felizmente casado.
Ah, é?
Sua esposa deixou você sair de casa com essa camisa?
Está tudo certo aqui?
Deixe-me ver. Certo.
Oi, Serena.
Oi, Luke. Queria saber como você está.
Você estava tão perturbado ontem à noite.
E eu só... eu queria dizer o quanto me orgulho
de você estar lidando tão bem,
principalmente com a notícia sobre Lauren e Steve.
Sim. Espera, o que tem o Steve?
Ah, eu...
presumi que... a polícia te contou.
A Lauren está tendo um caso com o Steve.
Meu sócio? Esse Steve?
Vou matar ele!
Não, não, não, não, não.
Espere. Lembre-se do trabalho, Luke.
Você não pode ficar matando pessoas!
Ainda bem que tínhamos um policial lá.
Senão o Steve poderia ter acabado como o Casey.
E o promotor diz que é bom acusá-lo
por ameaça e pelo assassinato de Casey.
Então acho que é isso.
Você se importa se eu falar com ele?
Hã, não. Fique à vontade.
Oi, Luke.
Sinto muito por Lauren e Steve.
Acho que chegamos a um novo fundo.
Posso te fazer uma pergunta pessoal?
A Lauren sempre admite
quando te trai?
No fim, sim.
Ela faz de propósito para me machucar.
Não sou nenhum príncipe, acredite.
Mas ela ainda não admitiu que namorava o Casey?
Não. O Casey também não admitia.
Dizia que não a conhecia.
Cheio de desculpas.
Ele jurou que foi a ex-namorada dele que mandou a mensagem,
que ela era algum tipo de psicopata.
A ex-namorada dele?
Você estaria disposto a depor isso?
Claro, não que importe.
Vou ser condenado por esse crime.
Que eu não cometi, aliás.
Sempre soube que Lauren e eu daríamos errado.
Por quê?
Tiramos o pior um do outro.
- Ah. - Amo minha esposa,
mas às vezes queria nunca tê-la conhecido.
Trabalhei com um casal,
que chamaremos de Sam e Diane.
A história de amor deles durou décadas
e foi uma das conexões mais fortes
que já observei.
Durante suas muitas pausas,
Diane usava o único presente
que Sam lhe dera, uma joia artesanal.
Ela o apertava contra a pele como se fosse o toque dele.
As amigas a chamavam de patética e iludida,
mas Diane sabia que ela e Sam
voltariam um para o outro.
O vínculo deles era disfuncional, mas real.
Você não entende?
Sam e Diane são Casey e Serena.
O que isso tem a ver com o assassinato?
O baterista do Casey disse que ele planejava voltar
para Nova York, o que pode explicar por que ela pirou.
O amor deles era tão tóxico,
a presença dele a enlouquecia.
Também parece que o Sam apenas comprou um presente para a Diane
no tempo em que estiveram juntos, o que por si só já é motivo para homicídio.
Nós já autuamos Luke Prescott. O caso está encerrado.
Mas e se a Serena também estiver envolvida?
E se ela pressionou o Luke,
seu ex-paciente, a cometer o crime?
Não deveríamos saber agora,
antes que o advogado do Luke ache a mesma conexão
e arruíne o caso da acusação?
Está bem.
Você tem mais uma chance de falar com ela.
É tudo de que preciso. Onde está o detetive Smullen?
Ele tinha um compromisso.
Não me intrometi.
Leve a oficial Hackett.
- Mm. - Eba.
Vamos.
Ah, não.
Espero não estar interrompendo o jantar.
Hã, de jeito nenhum. Gosto de deixar algo pronto
para a Serena quando ela chega.
Que fofo.
É esse o seu segredo?
Fazer atos de bondade um pelo outro?
E manter as coisas frescas.
Outro dia a Serena chegou em casa
com uma fantasia de empregada francesa sob o casaco.
Nem era uma ocasião especial,
só uma segunda-feira comum.
Ah, não vou perguntar o que fazem nos fins de semana.
Hã, justamente nesta segunda à noite?
- Aham. - É engraçado.
Serena nos disse que estava numa caminhada de serenidade
na segunda à noite.
Ela faria uma longa caminhada vestindo lingerie?
Não faço perguntas.
Outro segredo da nossa felicidade.
Aí está ela.
Vou deixar vocês.
Você voltou.
Você é mesmo uma fã.
Ah, sou.
Hã, meu filho vai se casar.
Eba.
E, hã, significaria muito
se você assinasse isto para ele e o noivo.
Os nomes são Teddy e Roy.
Bem, foi só por isso que vieram?
Ah, não, não. Também queríamos
agradecer por nos ajudar a prender o Luke.
Acho que o caso está oficialmente encerrado.
Ah. Vou brindar a isso. Mais alguém?
Ah, não, obrigado. Estamos em serviço.
Uau. Você gosta do seu vinho
- gelado. - Ah, o Graham coloca
no freezer para gelar para mim.
Ah. Hã, sabe de uma coisa?
Acho que não te elogiei o bastante por este livro.
Acabei de ler, e, uau.
O que você conseguiu com alguns desses casais é incrível.
Tem um caso que se destaca.
Sam e Diane.
Como o casal de Cheers.
Não assisto televisão.
Ah.
- Bem, deveria. - Hã...
- Algumas coisas são ótimas. - Sim.
Mas não entendo bem isso.
O relacionamento de Sam e Diane, ou seja lá o que fosse.
Está mais para um "rolo", como dizem os jovens.
Sim. Quero dizer, não parece que
você tenha feito progresso algum com eles.
Ah, bem, nem todo relacionamento pode ser salvo
Algumas pessoas se levam ao limite repetidas vezes.
Que engraçado.
As pessoas com quem falamos descreveram sua relação
com o Casey exatamente do mesmo jeito.
Como o Jeff chamou mesmo?
Hã, tóxico. Como um vício.
Igual a Sam e Diane. Alguma correlação?
Nunca escrevo sobre mim mesma.
A verdade é que Sam e Diane são uma amálgama
de vários casais diferentes que eu tratei.
A química deles não é incomum.
Sério? Nossa.
Não sabia que tanta gente se rebaixa
assim.
Porque a Diane...
...ela fez um papelão completo,
tudo em nome do amor.
Não que eu chamaria o que eles tinham de amor.
Mais como loucura sexualmente transmissível.
Ah, você está bem?
Mm. Foi pelo caminho errado.
Uau. Obrigado, mãe.
Isso é inesperado.
O Roy falou algo sobre nós?
- Claro que não. - Ah.
Só achei que seria bom ter à mão,
caso vocês passem por uma fase ruim.
- Hmm. - E, hã,
como vocês ainda não...
1º de maio.
Está feliz agora?
Maio?
- Aham. - Que maravilha.
Fica exatamente na minha paleta de cores.
Sou uma Primavera Brilhante.
Bem, sim, foi a primeira coisa em que pensamos, então...
Tenho que ir, hã, mas, a propósito,
a vovó diz que você não está retornando as ligações dela.
Ah. Eu... eu ando ocupada.
Bem, talvez você pudesse resolver
o que quer que esteja acontecendo entre vocês duas,
de preferência antes de começar a correria do casamento?
Não está acontecendo nada. Não se preocupe.
Se você diz.
- Certo. Te amo. - Te amo.
- Elsbeth? - Hã?
Detetive Smullen, descobri uma coisa
- sobre Casey Arthurs. - Casey Arthurs?
Achei que tinha encerrado esse caso.
Sim, encerrou, mas aí a Elsbeth teve a ideia brilhante
de investigar aquela garrafa de vinho branco
que achamos no freezer do Casey.
Acontece que vendem
numa loja especializada no bairro do Casey.
Consegui as imagens de vigilância.
Isto é de dois dias antes do crime. Olhe.
É a Serena.
- Aham. - Certo, eu...
não tenho a intenção de estragar
o seu bom trabalho policial. Contudo,
tudo o que isso prova é que ela estava tendo um caso com o Casey.
Isso não a vincula ao homicídio.
Diferente de Luke, que já foi formalmente acusado.
Espere. Volte um pouco a imagem.
Talvez nós possamos vinculá-la ao homicídio.
Como? É só uma garrafa de vinho.
Não é nisso que estou olhando.
Lembre-se, a grama nem sempre é mais verde do outro lado.
A grama é mais verde onde você a rega.
Todos para fora.
Assunto de polícia.
Com licença.
- Vamos, pessoal. - Vamos, gente.
O que está acontecendo aqui?
Estamos aqui pelo assassinato de Casey Arthurs.
Achei que já tinham prendido alguém.
Bem, há novas provas.
Elsbeth?
Sabemos que Sam e Diane
do seu livro são baseados em você e o Casey.
Assim como a conexão tóxica deles,
você amava tanto o Casey... ai!... que doía.
Mas o retorno dele a Nova York ameaçava
tudo que você construiu na ausência dele...
principalmente, a paz.
Então você eliminou a tentação.
Eu disse, não somos Sam e Diane.
Não são? Diane se arrumava para Sam,
assim como a fantasia de empregada
francesa que você usou na noite do crime.
Provavelmente para limpar todo vestígio seu do apartamento.
Você usou Luke como bode expiatório, apesar de não haver
nenhuma ligação entre Lauren e Casey.
O Casey até disse ao Luke
que achava que a ex-namorada dele tinha a ver com isso.
E temos imagens de vigilância
de você comprando a mesma garrafa de vinho
que achamos no apartamento.
- Isso não prova nada. - Por si só,
não, mas assim como Diane,
você tem um apego sentimental ao único presente
que o Casey te deu,
que você está usando neste vídeo:
uma pulseira da Costa Rica.
Que seu doce e confiante marido Graham achou para nós.
E, infelizmente para você, tem vestígios do sangue do Casey
e resíduo de arma.
Serena Collyer,
você está presa pelo assassinato de Casey Arthurs.
Ah, ele arruinou minha vida.
Queria nunca tê-lo conhecido.
Mas eu ainda o amo.
E o seu marido?
Ele é tão bom para você.
Ele é entediante. Entediante!
Pronto, eu disse.
- É tão entediante que eu morreria. - Certo, vamos.
Espere.
O Casey realmente me chamou de namorada?
Como ele disse? Diga exatamente o que falou!
É impressionante
que você conseguiu reservas em cima da hora.
Bem, o que posso dizer? Conheço gente que conhece gente.
E faz tempo que não temos uma noite especial.
Mm.
Pensando no Bobby e na Sally, hã?
- Mm. - Sim.
É tão estranho ver velhos amigos se separando.
Bem, essas coisas acontecem.
Com outras pessoas.
Sim.
- Vamos? - Sim.
Bobby, oi.
Eu esperava te encontrar.
Eu... falei com a Sally.
E sinto muito por tudo.
Como você está?
Estou bem. Sim.
Hã, não sabia
que a Sally já estava contando para as pessoas.
Bem, espero que saiba que não é tudo culpa sua.
Sabe, às vezes as pessoas só precisam de um recomeço.
- Vamos te chamar para jantar. - Ah.
- Certo. - Ótimo. - Boa noite, detetive.
Sim.
Ai.
Ótimo.
Agora todo mundo sabe
que minha esposa me deixou.
Ah, se sabem, não comentaram nada.
Bobby, separações são difíceis.
Já passei por isso.
Sim, bem, fui ver apartamentos ontem.
Isso... isso foi um choque.
Bem, se precisar de alguém para conversar, estou aqui.
Ah. Talvez eu aceite.
Hã, parece que a Sally ficou com a maioria dos amigos
na separação.
Ah. Meu ex-marido fez a mesma coisa.
Ele até ficou com parte da minha própria família.
Mm.
Sim, bem,
então, Elsbeth, hã...
Boa noite.
Sim. Até amanhã.
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